A vingança das suas (quase) namoradas
5 Capítulo 5 - Oásis de Paz...
– O que você faz aqui? — perguntou minha mãe visivelmente irritada.
– Eu vim ver a minha filha ou não posso?
– Não me metam nessa história. – murmurei.
– Está bem não foi pra isso que eu vim.
– Katharine eu já vou indo, mas tarde eu te ligo.
– Até Magno.
– Eu também vou indo mãe.
– Despeça-se do seu pai.
– Tchau...pai.
– Eu devo ficar preocupado? — perguntou magno quando já estávamos no elevador.
– Não, com toda a certeza, não. Minha mãe não faria a mesma burrada duas vezes.
– Como assim?
– Ela não vai ficar com ele de novo. Ele pulou fora e não queremos que ele volte.
– Você não quer seus pais juntos?
– Eu quero a felicidade da minha mãe e meu pai não a faz feliz...você faz...aparentemente...
– Faço?
– Como eu disse, faz, aparentemente. Bom já vou indo, até.
– Até.
Fui pro cinema, mas não tinha muitas opções de filmes. Todos eram comédias românticas, porém eu não queria voltar pra casa então escolhi a que parecia ser mais previsível ‘Encontros e Desencontros Amorosos’.
– Perdi muita coisa? — perguntou alguém, mas eu estava tão entretida com o filme que nem liguei.
– Vai continuar me ignorando Alice?
– O que? – eu disse me virando para olhar a pessoa que estava falando.
– Jhon?! Que surpresa boa.
– Então o que eu perdi?
– Nada muito importante, o casal se encontrou por ‘acaso’ e se apaixonou, só que ele já tem namorada e ela está fazendo de tudo pra que ele case com ela. O idiota caiu no papo dela e desistiu da outra garota.
– Mas faltando dez minutos para o filme acabar ele vai perceber que não pode ficar sem ela. — disse Jhon.
– Ele vai fazer uma declaração muito piegas.
– E ela vai se fazer de difícil.
– Mas depois vai dizer que não conseguiria viver mais um dia sem ele.
– Então vão se beijar.
– E serão feliz pra sempre ou até começar os créditos finais.
Rimos até o filme acabar.
– Estamos de bem de novo? — perguntou ele.
– Estamos.
– Quer ir pra onde?
– Qualquer lugar, menos para o nosso prédio.
– Já sei pra onde.
– E é pra?
– Apenas confie em mim.
Caminhamos boa parte do percurso e outras tantas fomos de ônibus.
– Na próxima pegamos um taxi, eu pago. – eu disse.
– Deixa de ser molenga, já estamos chegando.
Fomos até o limite da cidade, que era delimitado por uma faixa branca quase inexistente. Só havia prédios, dos dois lados da rua.
– O que estamos fazendo aqui? — perguntei um pouco assustada já que nunca tinha ido para aquele lado da cidade.
– Viemos para um lugar de paz. — ele disse.
Caminhamos até um prédio e ele abriu o portão, eu o seguia como um cachorrinho seguia seu dono. Subimos de elevador até o oitavo andar e ele me conduziu até um dos apartamentos.
– Jhon Reynold o que sua mente pervertida está tramando?
– Não se preocupe. — ele disse.
Entramos no apartamento, era o lugar mais lindo que já vi. A sala não tinha moveis além da enorme televisão, a maior parte do chão era de carpete e tinham muitas almofadas de varias cores e tamanhos. O apartamento não tinha as paredes internas, somente as colunas que indicavam onde as paredes costumavam ficar. O resto do apartamento era decorado de formas variadas, as paredes que ainda existiam estavam pintadas com diversas paisagens que se mesclavam, um aparelho de som aqui, uma cama ali, alguns DVDs e CDs empilhados em um canto. Os únicos cômodos que continuaram intactos foram a cozinha e o banheiro.
– Isso é tão lindo. — eu disse por fim.
– O que eu mais gosto é do teto, é como ter uma galáxia inteira só pra mim. — ele comentou e eu olhei.
Alguém colocou um papal de parede com estampa galaxy e cada lâmpada existente dava um ar de Universo. Jhon caminhou até o radio e colocou uma musica pra tocar, era calma e relaxante.
– Como você conseguiu esse lugar? – perguntei.
– Ganhei do meu pai, ele me entendia muito antes de eu me entender. — ele disse se jogando no carpete e se aconchegando nas almofadas.
– É muito lindo, ele tinha muito bom gosto. Na verdade é quase uma miragem.
– É um oásis de paz em meio ao caos que vivemos.
– Isso foi profundo Jhon, por favor continue com usa filosofia budista.
– Não é filosofia budista.
- Mas parece, pode admitir.
– É só que não podemos controlar o ambiente em nossa volta, as nossas decisões geram consequências que não afeta apenas a nós, mas as pessoas ao nosso redor. Eu posso viver com as consequências das minhas atitudes, mas as outras pessoas não precisão.
Então ele começou a chorar e pela primeira vez em muitos anos era ele que precisava de mim e não eu que precisava dele. Abaixei-me e me aninhei ao contrario do seu corpo pousando minha cabeça no quadril dele, fiz carinho na cabeça dele.
– Está tudo bem, você está no seu oásis de paz, está tudo bem. — então ficamos em silêncio por um longo tempo.
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