No dia seguinte, Alice foi ao trailer, mas o mágico não estava.

– Olá! Você é Emma Finkler, certo?

– Sim. E se veio procurar Alex, perdeu a viagem. Ele não está aqui. — Emma falou num tom seco.

– Oh...será que demora? Preciso mesmo conversar com ele. — Alice parecia preocupada.

– Se é sobre a proposta de ser assistente de palco, preciso te contar algo sobre ele. — neste momento, a assistente olhou para os lados e se aproximou da jovem — Ele é maluco. Vai te usar, como fez comigo e depois te trocar por alguém mais jovem e mais bonita. Além disso, ele vai te levar para longe. Lugares desconhecidos e você não saberá mais voltar. Pense bem...

– Meu Deus! Mas ele quer apenas que eu o ajude no palco!

– Minha querida, você é tão inocente...ele não quer apenas sua ajuda. Você é bonita, tem um corpo lindo...e ele não é de ferro, uma hora ele não irá resistir e, bem, você sabe...

– Sei? — retrucou Alice, franzindo o cenho.

– Use a imaginação, querida!

– Se ele é tão ruim assim, me diga por que ainda o acompanha nos shows? — Alice começou a se irritar.

– Emma, o que você está fazendo? — Alex chegou interrompendo a conversa.

– Nada, meu amor, estou apenas conversando com a nossa amiga — Finkler deu ênfase à palavra "amiga".

– Saia já! Você deve estar enchendo a cabeça da menina com suas mentiras. Vamos! O que ainda está fazendo aqui? — Hoffmann parecia realmente nervoso com a situação.

Emma lançou-lhe um olhar carregado de ódio e foi para o seu quarto.

– Me desculpe por isso, Alice. Ela é um pouco...ciumenta. — o mágico tentou explicar.

– Tudo bem. Só me tire uma dúvida. Você e ela? Não existe nada entre vocês?

– Não, não. Emma é apenas uma velha amiga. — Alex sorriu — Mas não foi por isso que você veio até aqui, estou certo?

– Sim, está. Pensei sobre sua proposta e...não. Minha resposta é não.

– Como assim? Não? Pensei que você adorava a ideia de trabalhar com mágica! — o mágico estava surpreso.

– Bem, eu tenho só 18 anos. Não acho que devo sair por ai me aventurando com uma pessoa que eu mal conheço. Tudo bem, ontem conversamos muito. Mas não. Não é uma boa ideia.

– Mas, Alice, eu achei que...bem, — neste momento, Alex abaixou o olhar e o tom de voz — eu gosto de você...

– Eu também gostei de você e adoraria lhe acompanhar, conhecer novos lugares, novas pessoas...mas acho que ainda não estou pronta para essa aventura.

– Não! Você não me entendeu...eu gosto os seus olhos, gosto do seu sorriso, dos seus lábios... — Alice e o mágico estava muito próximos.

– Não. Não faça isso ficar mais difícil para mim. Por favor! — A jovem saiu andando. Ao olhar para trás, uma lágrima escorreu-lhe pelo canto do olho.

– Alice! Se mudar de ideia, por favor, venha até mim! Estarei na cidade por mais duas semanas! — O mágico gritou o mais alto que pôde, mas, outra vez, não teve certeza se a jovem o ouviu, pois ela estava longe.

Alice andou sem rumo. Parou numa praça, sentou-se e chorou. "O que eu fiz? Por que acreditar naquela mulher? Por que acreditar num mágico que eu nem conheço? Quem está certo? Estou perdida. Como posso mudar de opinião tão de repente?", ela se perguntava. Mas estas perguntas não tinham resposta. Pelo menos não até agora.

Voltou para casa, releu algumas páginas de seu diário e caiu no sono.