A vida como Mágica
3 A Proposta
Olhando para uma pequena mesa no canto da sala, Alice viu uma garrafa de Whisky e relembrou alguns momentos. Não era uma bebida qualquer, e sim a bebida preferida de seu pai.Lembrou-se que, enquanto ele enchia seu copo, sempre perguntava se ela gostaria de apreciar uma bebida feita pelas mãos dos deuses, mas sua mãe sempre o repreendia, dizendo que ela era muito nova para bebidas desse tipo. Quando Barbara se virava, Hermann fazia caretas de deboche e Alice ria junto com ele.
"Oh, papai, como eu gostaria de compartilhar de mais um momento desses com o senhor...também sinto muita falta de você, mamãe...", pensou enquanto pequenas lágrimas se formavam nos cantos de seus olhos.
Pegou o copo que estava ao lado e fez o que viu o pai fazer por anos. Colocou uma quantidade de Whisky que ocupava a metade do volume do copo e tomou o líquido. "Sim, papai, você estava certo sobre o sabor". No terceiro copo, Alice pegou o cartão. Olhava para as letras e números prateados impressos naquele papel e pensava "Por que colocaram isso na minha bolsa? Como foi parar lá? Quem colocou?".
Por um impulso, pegou o telefone e digitou os números.
– Estava esperando você ligar.
– Oh meu Deus, como você sabe quem eu sou? — perguntou Alice, aterrorizada.
– Um mágico nunca revela os seus segredos. Além disso, tenho um proposta a lhe fazer. — disse Alex, misterioso, porém sério.
– E o que seria?
– Venha até o teatro amanhã, depois do show. — e desligou o telefone.
Ela ficou desconfiada. Um mágico que a conhecia e queria lhe fazer uma proposta."Ora, Alice, vamos! O que você tem a perder? Ele é um mágico, não um psicopata. O máximo que vai acontecer é ele fazer você desaparecer!". Assim, no dia seguinte estava ela lá, assistindo novamente o show do Grande Hoffmann.
Ao realizar o último truque no palco, ele fez um sinal para ela ir ao camarim. Ela foi. Chegando lá, a primeira coisa que notou foi a cartola que estava em cima de uma mesa. Era toda preta, com uma fita vermelha perfeitamente encaixada entre a aba e o corpo do chapéu. "É tão familiar..."
– Desculpe a demora — Alex chegou, interrompendo os pensamentos de Alice. — Então, vejamos por onde começar...
– A Proposta. — disse ela, impaciente.
– Ah, sim, claro, a proposta! — o mágico pareceu assustado ao perceber a pequena distância entre a jovem e a cartola, aproximou-se da mesa, fazendo Alice se afastar — Então, quero lhe pedir que seja minha assistente de palco.
– O quê?! Mas eu nem te conheço! E a Emma Finkler? — perguntou alarmada.
– Eu preciso de mais alguém para me ajudar no palco. Te vi e pensei que você se encaixaria perfeitamente nesta vaga. — respondeu Hoffmann, tentando acalmá-la — E eu te conheço...
–Como? De onde?
–Bem, você tinha 15 anos...está maior agora, mais velha e mais bonita...enfim, eu era assistente de Ludwing. Vi seus olhos brilhando com os truques que apresentamos na sua festa. Também vi o mesmo brilho ontem...logo, deduzi que você gosta de mágicas e seria uma boa assistente.
– Oh, meu Deus! — Alice parou por um instante — Eu lembro de você. Mas o que aconteceu com seu pai?
– Ludwing não era meu pai, era meu tio...e bem...ele sofreu um acidente a pouco tempo e...você sabe... — Ao falar, Alex abaixou a cabeça, com um olhar triste.
– Oh, sinto muito. — Alice tentou desculpar-se — Aconteceu o mesmo com meus pais...
– Bem, como tio Lud dizia: "O que passou, passou" — e sorriu para a moça. — Então, pode considerar minha proposta?
– Não sei se devo...ainda não te conheço, nem sei se seu nome de verdade é Alex. Você sequer me falou o motivo de estar me fazendo essa proposta...
– Tudo ficará claro com o tempo. Também não sei o motivo de ter vindo para essa cidade, apresentar o meu show. Apenas senti que deveria vir e...- Alex fez uma pausa.
– E...? — perguntou Alice, impaciente.
– Quando eu te vi, senti que deveria conversar contigo. Como ficarei pouco tempo na cidade, resolvi lhe fazer essa proposta, pois assim teremos mais tempo para nos conhecermos e poderemos descobrir o que me trouxe aqui para nos reencontrarmos...não consigo explicar, mas estranhamente sinto que te conheço profundamente...
– Bom, está tarde, vou para casa. — Alice apressou-se.
– Eu te levo!
– Não precisa...
– Então me ligue, se tiver uma resposta! — Mas Alice já estava longe, Alex não sabia se ela havia ouvido — Até logo!
No dia seguinte, Steiner ligou para a universidade. Não estava mais matriculada, perdeu a vaga por não frequentar as aulas. A casa que os pais tinham deixado era muito grande para uma pessoa só, pensou em vender o imóvel. Decidiu que alugar era a melhor opção. Não trabalhava e precisava de uma fonte de renda. Conversou com Rosa, que prontamente lhe ofereceu o quarto de visitas. Alice aceitou e se mudou para a casa de sua melhor amiga.
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