A touch of fire

5 Meu coração para. Ele sabe?



Capítulo IV



— Sofia! Que bom que você veio! Menina você emagreceu? – A mãe de Adrian é uma mulher amorosa , acolhedora. Alguém em quem eu me inspiro, gostaria de um dia ter uma casa grande e amigos para cozinhar e receber tão hospitaleira como ela. Estou aqui para o jantar de aniversário do pai de Adrian e antes de vir passei na loja para pegar a sobremesa que eu mesma preparei para trazer para ele. — Sente o cheiro disso Adrian? Eu já sinto que estou engordando.. — Dote, como gosto de chamar ela, é uma força da natureza. Seus cabelos loiros cacheados em volta do rosto, olhos azuis tão claros e calorosos.

Adrian está encostado na escada, rindo, vestido com jeans e uma camisa casual.

— Eu não sabia que você cozinhava. – Aquela voz trouxe o sangue as minhas bochechas um calor subindo pelo meu pescoço, me viro para encarar e aperto meus olhos para Aléxis que está de pé ali no hall, ele é impressionantemente grande e não é só a altura é a largura de seus ombros. Talvez a presença também. Por que estou reparando nos ombros de Aléxis?

— Você não sabia por que eu não disse.

— E o que você tem ai?

— Não é da sua conta por que é para Tom.

— Lex, meu querido, vejo que conquistou a simpatia da nossa Sofia.

— Você não faz ideia, ela me adora Tom. — ele ri. — Se ele não fizesse questão de ser tão inconveniente eu seria mais legal. — Tom ri achando graça. Mas, não tem nada de engraçado em Alexis.

— Venham para o jardim, as carnes estão quase no ponto.

O jardim da casa deles é aberto, bem cuidado, eu sei por que já vi Tom dedicar horas ali. Além do deck inté tem a churrasqueira e uma grande mesa de madeira maciça, há canteiro de margaridas, e hortênsia e um grande balanço para seus netos, Tom está na churrasqueira organizando uma comida muito cheirosa, do tipo que faz meu estômago roncar.

— Sofia! Como você está bonita! – Sam irmã de Adrian, vem na minha direção segurando seu bebê rechonchudo James.

— Obrigada, mas olhe pra você! Está radiante!

— Isso tudo é maquiagem. — ela ri. — Estou cheia de olheiras, esse danado não me deixa dormir. — ela diz, mas está com um brilho nos olhos, uma felicidade que não dá pra mentir.

— Você está linda. — sou sincera. — E o James está enorme! – dito isso ele estica suas mãozinhas gordinhas pra mim e se joga e seu pequeno corpinho pendura no meu colo, emiti um sonzinho e da uma risadinha que é impossível não rir junto.

— Ele é um safado, adora ficar no colo, você vê como acostumei ele mal.

— Ele está tão lindo, Sam. – James é loiro e tem olhinhos azuis e bochechas redondas e rosadas, parece um pequeno anjo querubim daqueles que estão em pinturas antigas, pintadas no teto de igrejas.

— Ele puxou para o tio.

— Não seja um convencido Adrian. – brinco. Mas ele tem razão. Eles são de fato parecidos.

— Eu não sei cara, ele parece mais a sua irmã, sabe que ela é mais bonita que você não é? – Adrian ri e Sam fica ligeiramente vermelha. Obviamente Alexis é charmoso, não tenho como negar isso, tanto que uma mulher casada pode corar com um elogio dele.

Percebo que ele está me olhando com o bebê no colo. Não gosto do jeito que ele me olha, me deixa nervosa. E eu não sou o tipo de garota que fica nervosa. Muito menos com um olhar dele.

— Então como estão as coisas? – Adrian pergunta.

— Bem, você sabe. Ainda daquele jeito. Mas um pouco pior.

— O que aconteceu? – Pergunta Aléxis quando Sam se afasta, estamos apenas eu, James, Adrian e ele. E talvez ele pense que pode mesmo se intrometer nos nossos assuntos.

— Não é da sua conta. – eu digo.

— Ouch! Sempre estressadinha. Nanica, você está naquele dia do mês ? – Fico vermelha e ele ri.

— Suas piadas estão ficando velhas.

— Mas, ainda fazem você ficar vermelha então vale a pena. – ainda está me olhando intenso, Alexis me deixa nervosa de um jeito estranho, como um frio intenso na boca do meu estômago e quero que pare. Mas, sempre que ele está perto, tenho uma sensação, algo que não quero por a mão para pensar. Jamais.

— Você é um grande idiota.

— Pequena, você não viu nada ainda, tem varias coisas em mim que são grandes.

— Cara! Isso é nojento. – Adrian estava quieto até agora. Aproveito pra me juntar a ele.

Sento perto de Adrian e longe de Aléxis o máximo que posso e o jantar é um sucesso, é saboroso, gostoso e comi até demais. Minha bexiga está pra explodir com tanto suco de uva que eu tomei, já que obviamente não iam me permitir tomar uma taça de vinho.

Ando pela casa em direção ao banheiro na casa que conheço tão bem quanto a minha e me deparo com Aléxis parado no corredor quando saio.

— O que você quer?! – digo quando ele bloqueia a porta. Estou sempre gritando com ele percebo tarde de mais, mas ele simplesmente traz o pior que tenho.

— Por que você é tão gentil com Adrian e não comigo?

— Por que você é um idiota? Talvez se você tentasse ser um pouco menos poderia receber um pouquinho de simpatia da minha parte, ou tolerância. -ele sorri. Seu sorriso é cínico e provoca algo em mim de novo. Algo diferente que prefiro não pensar.

— Eu não sou tão ruim assim, pequenina. Acho que é algo mais que isso.

— É? – Ele se abaixa até estar com os olhos colados no meu. Tenho que admitir que a diferença altura é de pelo menos 30 centímetros. Engulo seco ao encarar esse tom tão diferente dos olhos dele. Posso sentir seu hálito. E cheira a vinho. E gosto. Por que eu gosto disso? Por um instante fico tão confusa que penso que estou dentro de uma neblina e tudo que posso ver são esses benditos olhos. Não sou capaz de emitir um único som. Nem de me mexer, tão presa nesse olhar intenso.

— Bem, acho que você gosta dele. – Demoro a processar as palavras, confusa demais com sua voz tão perto assim de mim. E quando as palavras fazem seu caminho lento no meu cérebro prejudicado, arregalo os olhos sem querer. O que ele sabe?

— C-claro que gosto! – digo rápido. – Ele é o meu melhor amigo. Como não gostaria? – Quero apagar o sorriso que surge no seu rosto. Não quero olhar seus olhos nem um segundo mais, mas não posso desviar. Nos encaramos minutos, horas talvez? Minha boca seca e pela primeira vez desde que Adrian e Aléxis se tornaram amigos, meus olhos finalmente deixam o seu e olho sua boca. Por algum motivo, tem uma atmosfera estranha e pesada entre nós. Desde quando ele tem uma boca tão bonita? Por que estou pensando nisso agora?

— Sim. Claro. – ele ri. Volto do transe onde me enfiei sem querer. – Isso não engana ninguém. Você não gosta dele como amigo. — você não gosta dele como amigo… as palavras dele fazem eco na minha cabeça.

— Isso não é verdade. — estou nervosa, coração acelerado e tudo mais. Tudo culpa dele, próximo demais de mim, temos um acordo silencioso de mantenha distância, não temos ? E Ele tem que parar de me observar assim.

— Não?

— Não?

— Eu vejo como você olha pra ele. Não tem nada de amigável.

— Não olho pra ele de jeito nenhum, que ideia é essa?! – começo a morder o canto da boca, uma mania que tenho. Ele se aproxima mais. Se é que isso é possível. Meu coração salta nas costelas tão forte que chega a doer.

— Você é uma péssima mentirosa. — ele sussurra no meu ouvido. Um arrepio começa na base da minha coluna. Não entendo essa reação do meu corpo. Não estou acompanhando nada do que está acontecendo nessa conversa.

-Não é mentira. — ele ri de novo.

-Você sabe que toda vez que você mente, você começa a morder o cantinho da boca não sabe? — Como ele sabe?

— Vai contar a ele? – pergunto sem me conter. Ele ri.

— Não, mas agora eu sei que é verdade. Você está apaixonadinha pelo seu “melhor amigo”.

— Você cinico demais Alexis, eu odeio você. Agora me deixe ir. – eu digo. decepcionada comigo. passei a sentir outra coisa por Adrian quando eu tinha quinze anos, e eu queria ter passado os próximos seis meses no anonimato até que eu fosse embora e tudo se resolvesse. Mas, não Aléxis, o grande idiota estava lá pra atrapalhar minha vida. Ele sai do caminho e eu saio o mais rápido que posso.

— Tenho que ir.

— Já? Você está bem? Parece um pouco corada. – Mary vem me abraçar, um sorriso caloroso no rosto.

— Estou bem. Amanhã Lia vai se casar então... Preciso ir.

— Entendo, muita coisa pra se fazer. Estaremos lá. E, Sofi. — seus olhos seus de compaixão olham pra mim com cuidado e amor. — Se quiser conversar, precisar de um lugar pra, você sabe refugiar, estou aqui por você. — engulo o nó na garganta. Tudo que eu queria era ter uma família assim. — Ah, fiz uma marmitinha pra você jantar. Tome cuidado no caminho.

— Obrigada por tudo, estava maravilhoso.

— Não vá dirigir muito rápido, querida. – Tom não gosta de motos. Está sendo preocupado comigo.

— Eu prometo.

—Você está bem? – Adrian pergunta na porta.

— Sim. Você me pega amanhã?

— Sim.

— Boa noite. – ele me abraça e beija o meu rosto, um beijo fraternal, nada passa dos limites, nunca. Saio de lá segundos depois de ligar a moto.

Será que estou demonstrando o que sinto por Adrian? Está dando pra ver na minha cara assim?