A sobrinha da Helô
17 Tentando proteger a Sobrinha da Helô
Helena passou o dia tentando se concentrar em continuar vendo os vídeos que Camila conseguiu para ela. As gravações de AnaLu.
Desde que soube sobre elas achou que eram muito importantes para encontrar algo sobre a família de Magnólia ou até Tião. Já que até agora Olavo não dera notícias e nem mesmo seus chefes, Helena tinha que buscar de alguma outra forma encontrar pistas. Mas tinha que ficar voltando os vídeos porque no meio deles se perdia pensando na noite anterior, e no encontro daquela noite.
Luciane e Vitória pegaram uns dois suspiros dela pela casa e olharam interessadas.
O dia passou lento como só, mas agora já eram três da madrugada, e ela estava na sala de estar, netbook no colo, sentada no sofá menor. Nada de Tiago. “Panaca tá me fazendo de besta!”
Ele então surgiu na entrada da sala, andando pé por pé, olhando para trás por sobre o ombro. Ela quis fingir que não o viu, que não estava interessada nele, mas achou graça no jeito dele.
— Vem cá, dentre as brincadeiras que vocês aprontam com a Aline, podiam colocar sonífero na agua dela, né?
E ele veio correndo pé por pé para sentar no sofá com Helena, ficando na ponta esquerda.
— Boa ideia, porquinho. Vou anotar! – ela sorria para ele.
— É? Sou gênio do crime, lembra? – ele falou olhando para cima, se gabando.
Helena arregalou os olhos e então descruzou as pernas para chutar ele.
— Tu não tava bêbado ontem né?
— Ai – ele gemeu e riu – eu estava sim. Mas não perco a memória por causa de bebida não.
Ele a olhava agora mordendo os lábios.
— Certo! Então você sabe o mico que pagou?
— É... mas valeu a pena.
Helena pigarreou, se levantou e foi colocar o netbook na mesinha do centro.
— Vai lá, Tiago, o que você quer?
— Primeiro – ele respirou fundo diante das próximas palavras – eu queria te pedir desculpas. Eu dei piti ontem e falei besteira sobre você e o frentista. Eu tenho esse problema sério de agir sem pensar às vezes.
— Você quer dizer de pensar errado, né?
Ele a olhou de rabo de olho e, cedendo, concordou com a cabeça lentamente.
— Ok – ela gostou do que ouviu – muito bem. Está desculpado. Mas já aviso que não vou me desculpar pelo que disse. Era só isso?
— Não. – ele então se virou para ela, apoiando a cabeça na mão direita, que estava apoiada no encosto do sofá – Queria te atualizar sobre meu encontro com Isabela.
— Ah não! – ela se levantou irritada, ainda mais diante da cara dele de feliz ao falar da outra – Não vou ser sua confidente de romancezinho chato.
— Calma! – ele a pegou pelo braço e puxou de volta para o sofá, perto dele, costas encostadas no sofá, braços cruzados – Eu terminei com a Isabela.
Helena puxou o ar e tentou fingir que não dava a mínima para a informação.
— Jura?
— É. – ele sorria para ela, boca meio aberta – Eu percebi que não tinha mais como continuar com ela.
— E por que? – Helena levantou o queixo coçando o pescoço com a mão esquerda, a respiração presa.
— Por que... – ele lambeu os lábios – Eu não amava mais ela.
Ela se virou para ele, braços ainda cruzados.
— Você deixa de amar como troca camisa, né?
Ele apertou os olhos para a resposta dela. Esperava outra reação. E aquela afirmação o deixou intrigado.
— Como assim?
— Assim, Tiago. – Helena descruzou os braços erguendo as mãos – Bota casaco: ama a Leticia, tira casaco: não ama mais, bota casaco: ama Isabela, tira casaco: não ama mais. Quem vai ser o próximo casaco?
Tiago agora cruzava os braços, balançando a cabeça indignado com o ataque de Helena.
— Sabe que agora até faz sentido o que seu amigo falou no posto – voltou Helena, ele olhou para ela, bicudo – que você ama tão fácil que no final não ama ninguém. Algo assim.
— Que amigo? Antonio? Palhaçada. – ele então se virou para a frente com os braços cruzados, bicudo.
Helena também se virou para a frente, braços cruzado. Revirou os olhos e soltou o ar, engolindo em seco, o remorso começando a bater nela.
— Você acha, o que? Que eu não consigo amar de verdade?
Ela respirou fundo, remorso já tomando conta.
— Não é isso... — Helena molhou os lábios e abaixou o olhar — Também, quem sou eu para falar disso. – ela então descruzou os braços os jogando do lado do corpo e a cabeça para trás, a apoiando no encosto do sofá e olhando para o teto – Nunca amei ninguém. Vai ver é assim mesmo. Vem e vai fácil.
Ele a olhou pensativo. Bufou. Olhou para a frente e então a imitou, braços largados do lado, cabeça no encosto, olhar perdido no teto.
— Você tá falando sério? Nunca amou ninguém? – ele perguntou.
Helena olhou para ele com a cabeça ainda encostada no sofá, e sorriu.
— Não. Nem nunca pensei nisso. Isso de amor tem muitas responsabilidades, Tiago. E eu não posso me comprometer com mais ninguém além de mim.
— Isso é uma pena. – ele suspirou.
— É? – ela olhou para ele sorrindo.
— Sim. – ele a olhou – Um amor bem podia melhorar esse teu humor.
Helena deu um tapa no peito dele com as costas da mão esquerda, rindo.
— Tô falando sério. Pede aí um amor, sei lá, para a lua. Eu agradeço.
Eles riram. Eles suspiraram.
Helena engoliu em seco e então se ergueu.
— Acho que já tá na minha hora mesmo.
Tiago a olhou, desanimado, tinha outros planos para aquela noite. Mas Helena tinha a mania de atacar quando se sentia vulnerável, e ela fazia isso com umas verdades que feriam. Ele só concordou, jogou as mãos sobre o colo e olhou para baixo. Helena o olhou, revirou os olhos e soltou o ar se sentindo culpada. Então colocou o joelho esquerdo sobre o sofá ao lado de Tiago, se inclinando sobre ele, e pegou o rosto dele com as mãos, o erguendo para ela.
— Olha, não é comum da minha pessoa dizer isso, mas... – ela engoliu em seco, Tiago prendia a respiração – Desculpa – ele soltou a respiração – eu não devia ter falado sobre quem você amou ou deixou de amar – ela começou a passear os polegares pelo rosto dele, acariciando. – Se você sentiu o que sentiu não é da minha conta. – Helena suspirou – Mas vai lá, Tiago, você tem que concordar comigo que – ela abriu um sorriso – você consegue fazer melhor que essas duas aí. – ele deu um meio sorriso – Eu tenho certeza que vai. – ela então passou a mão direita na testa dele, parando no cabelo, que segurou entre os dedos.
Foi a vez de Tiago suspirar. Ele procurava os olhos dela, Helena ia da testa até os lábios dele, que agora acariciava com o polegar da mão esquerda.
— Boa noite.
Ela engoliu em seco e foi se retirando, pegando suas coisas e saindo correndo para o quarto. Tiago só a acompanhou com o olhar.
— Eu vou mesmo. – ele então se virou para a frente e colocou a cabeça sob as mãos se encostando no sofá e sorrindo.
—...Helena? Helena? – Camila chamava a amiga.
A sobrinha da Helo estava sentada no sofá de sempre na sala de estar, vestida com shortinho jeans cintura alta, blusa do Ramones, sem mangas, solta atrás e enfiada na frente, o pé direito pousado no chão, o esquerdo plantado no sofá, cotovelo direito e parte das costas no apoio do lado direito do móvel. A boca meio aberta, com sorriso no canto dos lábios, o olhar perdido, e a mão direita mexendo no cabelo, suspirando.
— Meu Deus, Helena, volta para nós! – falou Camila já irritada com ela, que não escutava nada, e bateu com as duas mãos bem forte perto do ouvido da amiga.
— Oi? — Helena acordou e olhou Camila assustada, e depois para Vitória que descansava as pernas no outro sofá da sala.
— Em que mundo você estava? A gente tá conversando e do nada tu fica fora.
Ela se ajeitou no sofá nervosa, colocando os dois pés no chão, cruzando os braços e coçando a cabeça.
— Eu... ando dormindo mal.
— Ah é, pela sua cara de abatida claramente você não tem passado bem as noites. – falou Vitória contendo um sorriso, olhando para as meninas.
Ela apertou os olhos para a tia de Camila, mas não resistiu e sorriu. Estava de tão bom humor que não conseguia ficar brava com qualquer insinuação.
— O que é que vocês diziam? – Helena se virou para Camila.
— Sobre a TV, estávamos falando que não seria má ideia tentar alguma publicidade para a fábrica. – Camila apontou para a TV ligada, passando um filme – Olha o que Luciane tem conseguido fazer com as ideias de usar os tecidos para fazer roupas de novelas?
— Eu fico tão orgulhosa em ver minha sobrinha assim, interessada na fábrica. – falou Vitória passando a mão na própria barriga.
— Não dá para deixar tudo nas costas do Tiago, né tia? O cara anda acabado com aquilo lá. Salvo o bom humor dele dos últimos dias...
Camila falou olhando para Helena, insinuando que desde que os dois pareceram voltar as boas, Tiago parecia mais feliz. Mas a garota já tinha voado de novo.
Helena estava lembrando da ultima semana. Desde o papo com Tiago depois de ele ter dormido no quarto dela, quase toda noite eles se “esbarram”. E quase todas elas a Aline interrompe, não tendo tempo de falar mais do que três frases. Tiago sempre arranjando um jeito de tocar o cabelo dela, ou pegar no seu queixo. Então na noite anterior ele chegou tarde da rua. E como não vinha do quarto, Aline não cogitou um encontro deles.
Helena estava com o netbook, novamente no sofá. Ela tinha conseguido pegar muito pouca coisa dos vídeos, e eles estavam quase acabando. Teve que anotar muita coisa pois não estava em ordem cronológica. A AnaLu pelo visto só gravava e colocava numa caixa. Para alguém que iria usar os vídeos em um curta, era uma péssima ideia essa falta de ordem cronológica.
Ela pôde ver que AnaLu se fixava muito em momentos importantes da família, mas especialmente dos irmãos, da tia Vitória e do avô e Pedro. Magnólia, Ciro e seu pai só eram destacados quando claramente estavam em atitudes suspeitas. Mas quase sempre ela não conseguia ouvir o que diziam. Mas uma coisa era óbvia, tanto Magnólia quanto Hércules tinham em Ciro um aliado. Só que Hércules parecia dar menos valor que a matriarca, e por isso mesmo Ciro parecia mais obediente. E quase sempre, Magnólia saia de perto de Ciro, e recebia uma careta pelas costas. Helena ficava impressionada como a caçula da casa conseguia os flagras.
Pelo seu caderninho, até agora ela estava com vídeos atualizados mais ou menos perto do acidente da falsa morta. Neles se podia ver Tiago bem feliz, fazendo Helena engolir em seco. “Parecia muito apaixonado tanto nas gravações com Leticia quanto nas com Isabela.” Ela percebeu também que AnaLu começou a gravar os vídeos há uns anos, mais ou menos quando Tiago começou a sair com Leticia. Tinha em vários vídeos Helo com o casal. Outros só Helo. Outro aperto no peito de Helena, que via a própria mãe amorosa e sofrida pela filha.
Heloisa tentou entrar em contato com Helena várias vezes. Todas por telefone, ora usando Camila para passar a ligação, ora Luciane ou Vitória. Até Edu ela tentou usar. Mas Helena mal percebia que era ela e já desligava. Ela simplesmente não queria passar pela mesma dor da infância, de ter uma mãe que a abandona. E Heloisa vivia correndo para Leticia. Não valia a pena se aproximar se era para se magoar.
Debruçada sobre o netbook ela mal percebeu quando Tiago jogou o corpo do no outro canto do sofá, desolado, jogando a cabeça para trás.
Ela franziu o cenho e o viu ali parado por uns segundos. Ele nem olhava para ela. Parecia mesmo triste. Ela então tirou os fones e colocou o netbook no chão. Jogou as pernas em cima do sofá e o cutucou com o pé direito.
— Ei!
Ela cutucou mais duas vezes. Tiago puxou o ar e virou a cabeça na direção dela, mas ainda encostado no sofá.
— Ei. – ele respondeu com voz desanimada.
— Credo! O que foi?
— Nada. Nada mesmo! Mas nada de uma forma bem ampla. – ele falou começando a extravasar a fúria dele.
— Ok, desculpa por me preocupar. – ela cruzou os braços.
— Não... – ele agora virou o tronco para ela – Eu estou irritado com a tecelagem. Ciro só me aporrinha, e como sempre eu não consigo vender uma mísera peça de tecido. To vendo que vou precisar adiantar férias coletivas, mas nem verba para isso temos.
— Tá bem puxado para você lá né?
— Muito! E ainda chego aqui em casa e não posso nem ter um momento de sossego que a... – ele comprimiu os lábios contendo uma ofensa – da Aline vem me incomodar.
Helena sorriu ao imaginar que falar com ela eram momentos de sossego.
— Sabe o que acho?
— O que? – ele a olhou mais animado.
— Que uma massagem iria ajudar muito agora!
— É? – ele virou o corpo completamente para ela animado, sentando sobre a perda direita.
— Claro! Ó. – ela jogou os pés para o colo dele – Começa no pé esquerdo.
Ele a olhou confuso.
— Vai, garoto, meus pés não tem a noite toda! – ela sorria.
Ele ergueu uma sobrancelha com meio sorriso e balançou a cabeça negativamente, deixando os pés dela no colo dele, cruzando os braços. Helena o imitou. Ele virou a cara para o lado esquerdo, rindo, expirou fundo, molhou os lábios e pegou o pé esquerdo dela, para massagear.
— Não aperta muito que o material é frágil. – ela falou tirando sarro.
— Não sei por quê ainda te dou moral. – ele massageava o pé dela, a olhando, sorrindo, boca meio aberta.
— Porque eu sou a melhor, né querido?
Ele riu alto. Continuou a massagem.
— Mas é idiota mesmo. Já deu esse pé?
Tiago perguntou. Helena agora estava com o cotovelo esquerdo apoiado no encosto do sofá, mãos no alto da cabeça, segurando o cabelo, mordendo os lábios. Entendendo a pergunta dele, ela só tirou o pé e colocou o outro.
Os dois ficaram se olhando enquanto ele massageava o pé dela. Os olhos brilhando.
— Você tinha razão.
— É?
— Sim, a massagem me animou bem mais.
— Sério? Pena que acabaram os pés.
Ele olhou para baixo rindo e balançando a cabeça. Subiu um pouco a mão sobre o inicio da canela dela, apertando forte.
— Achei mesmo que tinha ouvido a sua risada, Tiago. – chegou Aline, de camisola.
Os dois bufaram e se ajeitaram no sofá, colocando os pés no chão, rápido, com o susto.
— Aline, você não dorme? – perguntou um Tiago irritado.
— Ultimamente não, mesmo. Já que aparentemente nem chaveando o meu quarto eu me livro de pegadinhas infantis.
Aline falou indo se sentar no meio do sofá, olhando feio para Helena, mas feio mesmo, pois ela além de ter o cabelo desregular, agora tinha a boca enorme e inchada de um veneno indígena que Camila conseguira com a futura sogra, para elas passarem na noite passada nos lábios da capacho da Mag.
Tiago a olhava com cara de nojo.
— Tá vendo o que sofro por você, Tiago? – a outra falou, fazendo Helena não segurar um riso.
— Sim, muito me dói te ver sofrendo assim. – ele falou fingindo preocupação, mas Aline se animou – Por isso acho que o melhor que você faz para nós dois é ir embora, não acha?
Helena soltou o riso, agradando Tiago. Aline olhou para ela com ódio, pulou mais para perto dele e passou os braços pelo ombro dele, acariciando o rosto de cabelo dele, o fazendo fechar a cara.
— Tiago – Aline desceu a mão direita pelo braço dele e acariciou a perna daquele lado – você tem certeza que não me quer nem um pouco do lado.
— Tenho sim. Certeza! Se tem uma coisa que eu tenho nessa vida é certeza de que não te quero do lado. – ele falou já irritado, jogando a mão dela pro lado, enquanto Helena erguia uma sobrancelha já se irritando com a cena.
Aline não desistiu e aproximou os lábios inchados do ouvido de Tiago, sussurrando algo. Helena cerrou os dentes, maxilar saliente, lábios apertados. Se levantou. Foi até o outro lado de Tiago e achou espaço entre o apoio do sofá e o corpo dele. A camisola rosa subindo bem mais acima do joelho, chamando a atenção de Tiago, que engoliu em seco.
— Sabe o que é, querida? – Helena falou levando então o seu braço direito ao redor do ombro de Tiago, tirando o de Aline, passando a mão esquerda do peito de Tiago até a perna direita dele, o puxando para mais perto dela – Tiago já tá muito bem servido de mulher ao lado dele.
Helena falou possessiva. Tiago não se mexia, engolia em seco, sentindo ela puxando ele pelos ombros e pernas, o braço esquerdo dele amassado pelo corpo dela, a cabeça de Helena inclinada para frente, encarando Aline, bem próxima dele. Deu um meio sorriso notando o jeito possessivo dela.
Aline apenas olhou de um para outro, Tiago nem a notava.
— Vamos ver o que a Dona Mag vai pensar disso.
— Vai! Vai lá acordar a patroa às três da madrugada para dizer que tava se esfregando no neto dela e não conseguiu tirar uma lasquinha.
Aline se levantou indignada, deixando os dois ali.
Helena sorriu, e então percebeu Tiago a olhando ainda. Ele a olhava daquele jeito intenso que fazia o coração acelerar, boca meio aberta, os olhos perdidos entre a boca dela e o seu olhar.
Tiago sentia o perfume do cabelo dela, a mão esquerda ainda na coxa dele, o corpo dela pressionando ele. Engoliu em seco outra vez, soltou a respiração e inclinou a cabeça na direção dela.
— É melhor – ela engoliu em seco – eu ir antes de a sua vó nos interromper.
Helena se ergueu nervosa. Tiago a puxou de volta pelo braço, a fazendo cair quase no colo dele.
— Tá certo, mas antes deixa eu agradecer a massagem.
E ele pegou o rosto dela com a mão esquerda, o braço direito a prendendo no sofá, as pernas dela sobre a dele. Tiago inclinou o corpo dele sobre o dela, e encostou os lábios molhados e quentes na altura do final da bochecha entre o maxilar e a ponta da orelha, quase no pescoço dela. Helena fechou os olhos puxando o ar e o prendendo. Ele demorou no beijo e então foi tirando o rosto, passando o nariz pelo pescoço dela, tragando o perfume da sua pele.
Helena o acompanhou se afastando, boca entreaberta, respiração difícil, os seios sob a camisola denunciando a sua situação.
— Di nada. – a voz saiu fraca.
Tiago lambeu os lábios, olhar fixo nela. Ela calculando se deveria ficar ali ou sair. Tinha pernas para isso?
Ela pigarreou, e foi levantando o corpo, Tiago não se mexia, sentindo ela aproximando o corpo dela. Ela sorriu.
— Posso?
— Claro.
Ele tirou o braço direito, devagar, olhando para o corpo dela, e depois passando a mão no rosto, enquanto ela se levantava e saía, coçando a nuca.
Helena já tinha saído da sala e então voltou, fazendo Tiago a olhar animado, mas ela passou reto e pegou as suas coisas do chão, apressada. Antes dela sair da sala, ele provocou.
— Olha aí, perdidinha.
Helena parou, fechou os olhos respirando fundo. Colocou o netbook em baixo do braço esquerdo e foi até Tiago dar um tapa na nuca dele com a mão direita, o fazendo rir.
Subiu as escadas pisando forte. “Esse porquinho vai me deixar louca.”
E era sonhando com a noite passada que ela suspirou de novo.
— Ai gente, essa menina deve estar com asma! – falou Luciane acordando Helena.
Ela nem tinha notado a madrasta de Tiago chegando.
— Tá bem, linda? Tomou muito sorvete ontem a noite?
Helena mordeu os lábios e a olhou fingindo não entender.
Luciane foi abrir a boca para falar algo quando o jornal começou uma música alta de tensão.
— Foram cumpridos há umas horas atrás vários mandados de busca e apreensão, além de prisão preventiva para cerca de trinta homens de várias localidades de São Paulo e São Dimas, que parecem fazer parte de uma gangue de sequestradores e capangas de políticos locais, para cometer crimes diversos. Dentre os crimes, um assalto e um sequestro da sobrinha da esposa do empresário Tião Bezerra, e do neto do empresário, que ainda tenta se recuperar de um atentado de meses atrás, Fausto Leitão.
Helena sentiu que o chão sumia. Uma foto de Heloisa era mostrada como sua, possivelmente porque ela nunca permitiu Camila ou AnaLu, ou qualquer outra pessoa de divulgar fotos suas nas redes sociais, e nem mesmo permitiu que Olavo tirasse, quando ela foi com Pedro apresentar os fatos para a comunicação de crime contra os capangas de Tião, colocando como se tivesse visto eles quando do dia do sequestro.
A ideia dela era simples, fazer uma investigação sigilosa e rasteira desmantelar a equipe de crimes do Tião, dando a ela a atenção devida dos “chefes” que ignoraram a sua ligação, e o tempo livre para fazer investigações nas ruas de São Dimas sem precisar de escolta. Mas pelo visto não entenderam a parte do sigilosa.
— Garota, o que você fez? – AnaLu vinha caminhando devagar e atônita até a sala, ao perceber o burburinho.
Helena se ergueu e levantou as mãos para o alto mostrando que não tinha nada a ver com isso.
— Pronto, Hércules enfarta. E antes de ser prefeito para eu ter ao menos o gostinho de ser primeira-dama.- falou Luciane batendo com as mãos no quadril, e as colocou na cintura.
— Meu Deus, como é que descobriram isso?
AnaLu olhou para Helena acusadora.
— Que? – a sobrinha da Helo perguntou ofendida.
— Helena, olha, olha, foi você que fez isso? – perguntou Luciane.
— Helena, isso é muito sério, meu irmão queria que os atentados ficassem sem conhecimento do público ao menos enquanto tivesse a campanha. Agora isso vai ser uma bomba.
— Mas eu não fiz isso. – ela falou colocando a mão no peito, olhando para todas até encontrar o olhar desconfiado de Camila – Bom... não isso de divulgar para a TV, né!
Ela então colocou o polegar da mão direita na boca começando a roer e olhando envergonhada para as outras.
Todas fecharam os olhos e viraram o rosto. AnaLu foi para cima dela. Então Helena a parou estendendo uma mão no ar ao notar que seu telefone estava tocando. “Paulo”. Helena deu um meio sorriso “Funcionou! Agora, quem espera eu atender são vocês!”
— Você tem ideia do que acabou de fazer? Nem tio Pedro vai perdoar isso, sua louca. – AnaLu atacava.
— É mesmo AnaLu? – Helena a encarou, não deixava um afronte barato.
— É sim. O Tiago mesmo vai pirar. Minha avó vai te escorraçar daqui!
— AnaLu, menos. Tua avó tenta me tirar daqui todos os dias. Aposto que ela nem dorme pensando em como me tirar daqui.
— Pois ganhou a sua aposta. – falou Magnólia entrando na sala indignadíssima – E hoje eu ganho a minha. A de que você mostraria mais cedo ou mais tarde a bandida que é, e a sua total falta de gratidão para com essa família.
Helena soltou o ar olhando para cima, irritada.
— Mas era só o que me faltava, show do horror para cima de mim. Ah me poupe! – e Helena foi saindo da sala, sendo segurada por Magnólia pelo braço.
— Espero que você esteja indo para o seu quarto arrumar as suas coisas. Porque depois do que você fez hoje, nem Tiago vai te defender.
E Magnólia a soltou saindo da sala. AnaLu olhou a avó saindo e depois para Helena, reprovadora.
Helena só ergueu uma sobrancelha, cruzou os braços e se virou para Camila.
— Tiago não vai ficar mesmo, bravo, vai?
Luciane, Vitória e Camila se entreolharam e balançaram a cabeça afirmativamente para Helena, fazendo cara de lamento.
Ela fechou os olhos. Ouviu um “Helena”.
Pedro vinha da cozinha, e Magnólia o parou a frente da escada. Helena foi até ele.
— Você acha que sou idiota em acreditar em você, Magnólia? Eu sei bem que Helena não faria isso com ela e com Tiago. Expor os dois assim na televisão.
Helena se aproximou de Pedro, que encarava Magnólia com as mãos na cintura.
— Você está bem, Helena?
Ela confirmou com a cabeça respirando tranquila ao ver que Pedro não desconfiara dela.
— Faz algum ideia de como isso foi parar na mão da mídia? – ele a perguntou sério, Helena cogitou que ele não confiasse tanto assim nela.
Ela cruzou os braços e fechou a cara.
— Olavo seria a meu primeiro palpite. Ele não era extremamente confiável?
Helena encarou Pedro, que baixou a guarda.
— Eu já liguei para ele. Segundo o mesmo fora mantido o máximo sigilo, até para a sua segurança. Falou com o delegado e eles só souberam da mídia quando elas já estavam nos endereços esperando as equipes entrarem para cumprir os mandados. Está todo mundo confuso. Até onde se sabe, só você tinha algum conhecimento sobre eles.
Helena apertou os olhos para Pedro. Ele se aproximou, colocando a mão no ombro dela.
— Ei, eu não estou te acusando. Só estou tentando entender. Você não teria dito para ninguém?
— Quando? Como? Eu só fico nessa casa e só saio com vocês! – Helena se desvencilhou dele e foi na direção da escada, passando por uma Magnólia que começava a ficar satisfeita – Mas acho que agora o melhor que eu faço mesmo é sair desacompanhada. Vou lá seguir o conselho da sua mádrasta.
— Helena! – Pedro tentou parar ela – Para. Desculpa. É que é muita informação em pouco tempo. É claro que você não faria isso. Se você quer justamente poder sair em paz de casa, por que colocaria a mídia toda em cima de você!? Vem – ele a chamou com a mão, atrás dele Magnólia e AnaLu indignadas – a gente resolve isso juntos.
Ela olhou para o lado ainda irritada e respirou fundo. Desceu a escada e foi aceitar o abraço de Pedro.
— Você acredita mesmo em mim?
— Claro. Você sempre foi sincera comigo, se você disse que não fez isso, é porque não fez.
— Ah, faça-me o favor! – Magnólia disse se revoltando – Escuta aqui, Pedro, com você acreditando ou não, ela sai daqui hoje!
— Magnólia, a Helena fica aqui sim! Essa casa é da minha família também, e as contas quem está pagando sou eu! Então, se não quiser passar de fome...
— Aceita que dói menos. – gritou Luciane complementando Pedro, que apenas sorriu para a cunhada.
— Mas isso é um absurdo. Eu estou sendo enxovalhada na minha própria casa.
— Auuun, tadinha da vovó. – cutucou Helena, ainda abraçada a Pedro.
— Vai rindo, pode rir. Porque o Pedro pode até cair nessa sua cara de menina perdida, mas quando Tiago chegar aqui, não há o que faça ele se acalmar. Nem te perdoar. – Mag falou para Helena em tom ameaçador e foi subindo a escada.
Helena se afastou de Pedro e o olhou preocupada.
— Será que Tiago vai ficar assim tão bravo?
Pedro olhou para AnaLu, que olhou para o tio, os dois cruzaram os braços e concordaram com a cabeça, deixando Helena bem preocupada. Quando ela foi abrir a boca para falar algo, a porta se abriu bruscamente.
— Helena! – gritou Tiago, saindo em direção da sala de estar e então a vendo na escada.
— Agora não Tiago. – Helena falou erguendo as sobrancelhas, e correndo escada acima, fugindo dele.
— Helena, o que você aprontou, Helena. Volta aqui.
Ela correu para o quarto, e Tiago foi atrás, se livrando de Pedro e vó pelo caminho. Quando Helena ia fechando a porta, ele colocou o pé barrando ela, tentando enfiar o braço para entrar.
— Agora não posso, Tiago. Falo com você depois.
— Não mesmo, você tem que me explicar isso. Você tá louca? – ele se contorcia na porta tentando empurrar ela para entrar, com Helena resistindo.
— Você tá muito nervoso para o meu gosto, volta amanhã quando tiver parado de babar.
Ela falou tentando olhar ele pela fresta da porta. Tiago se enfezou de vez e empurrou a porta, a fazendo dar vários passos para trás e arregalar os olhos. Ele assim bravo sempre dava medo nela.
— Helena... – ele falou em tom ameaçador. Ela subiu na cama, olhando ao redor procurando o coturno.
Pedro gritou no corredor, Tiago se virou e trancou a porta rápido.
— Tiago...é, eu...
— Vocêêê...tá louca! Que te deu na ideia? Sim, porque é óbvio que a ideia maluca de entregar aquele bando de bandido foi sua! O que você fez? Denunciou na delegacia quem nos sequestrou sem nem mesmo me comunicar? Como você faz isso?
— Eu... ai. Não fiz nada!
— Você não comunicou o sequestro na delegacia?
— Ah, bom, isso...
— AAAAAA...E agora, Helena? E agora? Como é que você vai ficar com os capangas do Tião te rondando e sem ter o apoio dos outros caras?
— Espera, Tiago, acho que você não entendeu. – ela teve esperança – Aqueles são os capangas do Tião. Eu não denunciei os meus chefes, mas sim usei o sequestro para colocar a culpa neles! – ela erguia a sobrancelha e um sorriso animado para Tiago, que agora movimentava ainda mais o pulmão, respiração acelerada e raiva no olhar – Você não parece ter gostado...
— Nããão, Helena – ele agitou as mãos no ar – eu amei! Que ideia maravilhosa. Pega o psicopata e atiça, joga ele com toda a raiva para cima de você! Brilhante. Faz mais, divulga na televisão, que é para ele vir ...aaaaa
Tiago estava fora de si, pulou em cima da cama e a segurou.
— Helena, como é que vou te proteger se você não se protege? – ele falava desesperado para ela.
— Tiago...mas eu fiz isso para me proteger.
— Tu tá brincando, né?
— Argh! – ela se soltou dele e saiu de cima da cama indo para a porta, se virando para Tiago – Escuta aqui, eu não estou pedindo para ninguém me proteger, tá, sei muito bem o que faço.
— Vê-se claramente nas emissoras de São Paulo! – ele falava ainda indignado.
— Ó, parou, chega! Cansei! Não vou mais aguentar isso, eu sou sim culpada por ter denunciado, e talvez – ela olhou para cima – talvez devesse ter contado para você. Mas não quis te meter nisso.
— Helena... – ele desceu, dentes cerrados, cabeça jogada para a frente, rosto vermelho – eu estou metido nisso até o pescoço.
— Não, Tiago, você não está. Sou só eu. Eu falei para eles – ela viu ele se aproximando e foi tentando acalma-lo, pegando no rosto dele – que você ficou desacordado o tempo todo, que me fingi de morta e consegui ver tudo. – ele a olhava confuso – Viu? Não vão vir para cima de você. Tua barra tá limpa.
— Helena – ele a olhava desesperado – será que você não entende que onde você estiver eu estou? Se você estiver em apuros eu também vou estar, eu tô contigo. Não importa se o – ele olhou para cima, gesticulando com a mão direita – Tião tá me amando, se todos me acham o inocente – ele se voltou para ela – porque se eles virem atrás de você, eu vou...
Helena olhava o desespero no olhar dele. Molhou os lábios.
— Tiago... eu, não...eu não queria tudo isso. Só queria enfraquecer o Tião por um tempo.
— Bom, você pode até ter conseguido, mas agora ele deve estar com muito mais sede de vingança. Ainda mais com o nome dele no meio das reportagens.
Helena ergueu a cabeça para cima, desolada.
— Por que você fez isso, Helena, para quê provocar assim ele?
— Não... – ela olhou o mais sincera possível nos olhos de Tiago – acredita em mim, eu até fiz sim a denuncia lá com o Olavo e Pedro, mas não divulguei. Eu nunca faria isso! Cê tá louco? – ela soltou ele, indo se sentar na cama, se alterando – Eu não tenho só o Tião como inimigo, como é que vou achar boa a ideia de colocar meu lindo rostinho com informações de onde estou na televisão, podendo ser reconhecida? E sim, eu sei que isso poderia deixar Tião ainda mais desesperado, não sou besta de achar maravilhoso isso. É que eu... – ela olhou para Tiago – achei uma ótima ideia. E alguém achou ela ainda melhor se passasse na tv.
Tiago já estava rendido. O jeito de Helena já tinha modificado o rosto irado para terno. Ele se aproximou e se ajoelhou perto dela, respirando fundo.
— E quem pode ter feito isso?
— Não sei – ela olhou para ele – nem Olavo, ou Pedro fariam isso. Só se for o pessoal da delegacia.
— Certo. – ele fechou a cara de novo – Vou lá dar um jeito nisso.
Tiago se levantou e olhou para Helena, que então ergueu a cabeça para ele confusa. Ele foi saindo e destrancando a porta encontrando Aline e Magnólia próximas, no corredor. Saiu do quarto.
— Tiago, onde você vai? – Helena saiu do quarto, parando na porta, o fazendo parar no corredor – O que você vai fazer?
Pedro estava de frente para Tiago, agora, ficara próximo a porta de Helena.
— Eu vou – Tiago respondeu virando meio corpo para ela molhando os lábios, com as mãos na cintura – tirar essas reportagens do ar, nem que para isso tenha que quebrar a emissora, e depois, vou descobrir quem vazou a noticia e quebrar a cara da pessoa!
Um arrepio passou pelo corpo de Helena vendo ele tão determinado em acabar com quem fez isso com ela.
— Calma, Tiago, eu também estou furioso, mas não vai ser assim que vamos resolver. Antes é preciso pensar bem. – falou Pedro tentando acalmar o sobrinho.
— Não tio, quanto mais ficamos aqui, mais isso toma proporções que não dá para controlar. O que fizeram com a Helena...
— Fizeram com a Helena? – Magnólia se indignou – Ela é que fez conosco, Tiago! Ela está humilhando a nossa família.
— Tá, tá, vó. – ele desprezou o que a vó disse – Agora eu tenho que resolver isso.
— Não cara – Pedro o parou – eu não posso deixar você ir fazer uma merda dessas.
— Até porquê, se alguém tem que fazer algo, esse alguém sou eu. – Helena disse saindo do quarto.
— Tu não vai fazer nada! – Tiago falou olhando para ela nervoso – Enquanto não sabermos quem aprontou isso e as consequências, você fica aqui em casa.
— Pirou é garoto? Tá achando que manda em mim?
— Helena! – ele apenas olhou ela e levantou a mão, fazendo ela parar de andar e o olhar ressabiada.
— Eu acho que nenhum de vocês dois tem capacidade de resolver nada disso. – falou Pedro colocando a mão no ombro do sobrinho.
Tiago olhou o tio, abaixou os braços e fingiu se controlar. Quando Pedro olhou para Helena, Tiago se livrou do braço do tio e saiu rápido para a escada. Helena deu um pulo e saiu atrás. No final da escada o alcançou, o puxando pela roupa.
— Para, Tiago, você vai fazer merda.
— Helena, me deixa que eu sei o que faço.
— Sabe nada! – Helena montou nas costas dele, braços no pescoço, pernas rodeando a cintura dele, que se desequilibrou mas logo continuou o caminho para a porta.
— Alguém me ajuda aqui! – ela gritou para os lados. Pedro já os alcançava.
— Tiago, você perdeu a noção?
— Tio, já disse, quanto antes isso sair do ar, melhor! Eu só preciso disso, pegar o desgraçado que divulgou e...
AnaLu deu grito assustada olhando para o celular e colocando a mão na boca.
— O que foi? – Pedro perguntou, enquanto Helena descia devagar das costas de Tiago, indo se colocar a frente dele.
— O Élio, ele publicou há três horas atrás a operação para prender os capangas, no blog dele. Foi ele quem comunicou a mídia. – ela disse com os olhos marejados, se desesperando – Tio, alguém precisa ir lá, ele pode estar correndo perigo.
— Está mesmo, eu vou acabar com esse cara! – urrou Tiago, quase atropelando Helena indo na direção da porta.
— Não! Para! Tiago... – Helena se colocou na frente da porta, o olhando aflita – Eu já tô me sentindo muito mal. Não queria tudo isso, se você sair eu vou me sentir pior ainda.
Tiago a olhava, pulmão descendo e subindo. Helena parecia acuada, parecia vulnerável.
Ele soltou o ar, tentando se acalmar. Colocou as mãos na cintura e olhou para o chão, a exemplo de Helena que agora olhava para baixo também.
Todos tensos, Tiago tentando se acalmar.
— Está bem. – ele falou olhando para o tio e para Helena, que não se mexeu – Mas daqui para frente – ele foi até Helena e a abraçou – você não faz mais nada sem falar comigo antes, Helena. – ela passou os braços ao redor dele e escondeu o rosto no peito dele.
— Eu não prometo nada. – ela falou abafada pelo peito dele.
Tiago baixou a cabeça e a beijou no ombro.
— Teimosa.
Todo mundo parado, olhando a cena. Pedro olhou para AnaLu e ergueu as sobrancelhas rapidamente dando sinal de que poderiam ir. Camila, Luciane e Vitória ainda estavam na entrada da sala, olhando os dois abraçados, emocionadas.
Magnólia, furiosa, do alto da escada, se virou para Aline atrás dela.
— Ele está com a Isabela, né? – ela perguntou ironica.
— Eu... jurava que sim.
— Escuta aqui, Aline, você até agora se mostrou sem preste nenhum. É bom dar logo um jeito nessa garota. Nãoo sei como, não faço ideia...mas se livra dela. Pode ter certeza que será bem recompensada por isso.
Aline ouviu atentamente a patroa, que a olhava significativamente, e depois olhou ela saindo. “Dona Magnólia tá mesmo mandando eu matar a sobrinha da Helo?”
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