A sobrinha da Helô

18 O beijo na Sobrinha da Helô


Vendo a cena de Tiago e Helena, Magnólia resolveu jogar todas as fichas. O ódio pela protegida de Pedro crescia maior que por ele mesmo. Tiago ficava a cada dia mais influenciado por ela.

— Alô, Tião. – Magnólia ligou do seu celular para o comparsa, no quarto – Você já soube das novidades?

— Se você está falando do show de horror que está passando na televisão envolvendo o nome das nossas famílias, sim.

— E não vai fazer nada a respeito?

— Está me cobrando, Magnólia?

— Só estou curiosa! Um homem de pulso firme como você permitindo essa barbárie.

— Não se preocupe, Magnólia. Já contatei meus advogados e falei com os amigos da mídia, logo estará fora do ar com o sensacionalismo todo voltado a outro fato para fazer a população esquecer.

— Ótimo, mas eu não falava só disso. Essas medidas são só um remédio para o verdadeiro mal que causa a doença.

— Se você está falando da sobrinha da minha esposa, lamento informar que ela conseguiu de fato o que queria, complicar o nosso plano – Tião apertou entre as mãos a caneta em que assinava alguns papeis – mas não vai conseguir impedir por completo. Me dê mais um mês e vou garantir que nem mesmo as células mortas da pele dela restem na sua mansão.

— Bom, muito bom, mais um mês. Como sempre eficiente, né Tião? – ela foi irônica novamente.

— Não me provoque, Magnólia. Agora me responda. A garota continua na sua casa?

— E tem jeito de expulsar ela? Pedro e Tiago são completamente loucos pela menina.

— Isso até que é bom para nós por enquanto. Mantenha assim. Te ligo quando precisar de algo.

Magnólia olhou para o telefone com nojo e irritada.

— Esse Tião é mais frouxo do que eu pensava.

Tiago levou Helena até o quarto dela, a segurando pelo ombro.

— Você quer que eu fique com você?

Ela só olhou para ele, desanimada.

— Melhor não. Eu sou meio de me isolar quando faço cagada. – ela sorriu meio encabulada, sem olhar para ele.

— Tá bom. – ele pegou o rosto dela, e beijou a bochecha – Não fica mal não. O Élio é um lixo humano. Também logo todo mundo esquece, tá cheio de escândalo por ai.

— Olha, eu não conheço esse Élio, mas confesso que ele fez meu dia bem mais pesado. Não que não tenha sido maravilhoso ver meu plano acontecendo, mas tudo isso que causou aqui... Queria que só o Pedro soubesse mesmo. Não ia ser para sempre, mas...

— Tio Pedro é outro que preciso conversar. Ele não pode ficar dando apoio para todas as suas loucuras. – ela revirou os olhos – Helena, eu sei, você sobrevive lá fora melhor que eu, mas você sabe que não dá para ganhar sempre. Lembra quando seus chefes nos sequestraram? Podia ser o Tião. E eu não quero isso. Me embrulha o estomago só de pensar.

Ela olhou para ele e suspirou.

— Tiago, eu estou nisso para acabar com o Tião, e vou fazer isso. Mesmo que tenha que me colocar na mira dele constantemente.

Ele a olhou sério.

— Está bem, só não esquece que quando você faz isso, você me coloca junto. Porque não há jeito de eu permitir qualquer coisa acontecer com você! – ele pegou o queixo dela – Eles vão ter que primeiro passar por mim.

Ela não sabia o que responder. Nunca tinham se colocado assim, a frente de tudo por ela, mas não conseguia ficar feliz. Não queria que acontecesse nada contra Tiago por causa dela. E talvez por isso estivesse se sentindo tão mal pelo que aconteceu. Porque ela não achava errado fazer a denuncia, até ver na televisão o rosto de Tiago, e perceber que isso podia colocar ele na mira também.

— Eu vou... . Obrigada. – ela apontou para o quarto, entrando nele.

— De nada. – ele continuou segurando a mão dela até ela fechar o quarto.

O resto do dia Helena ficou ali no quarto, pensando no que aconteceu. Se sentia mal por quase tudo, não só porque de fato aquilo podia trazer consequências ruins para ela, se reconhecerem ela na foto da Helo, e também pela reação de todos. Mas principalmente pela sensação de que seus atos não tinham mais consequências só para ela, atingia todos ao redor. Ela nunca teve isso, pessoas que se importassem com ela a ponto de ficar em perigo para defende-la.

Perto das oito horas da noite ela saiu do quarto para a cozinha, comer algo. Lá encontrou Vitória e Luciane que tentaram animar ela. Perdeu mais de meia-hora se atualizando dos chiliques de Magnólia e Hércules.

Subiu mais animada para o quarto. E lá se trancou durante a noite toda. Não tinha animo nem para descer e ver se Tiago estava acordado.

E ele estava. Mal conseguiu trabalhar na fábrica e quando chegou soube que ela ficara trancada no quarto o dia todo. Tiago então ficou na sala de estar até quase quatro da madrugada esperando ela aparecer. Ele só conseguia pensar que ela estava lá sofrendo e ele não podia estar junto para cuidar dela. “Por que a Helena faz isso? Se isola! Não me deixa cuidar dela.” Desolado ele foi para o quarto, olhando por um tempo para o quarto dela, lembrando da noite que passou ali. “O que essa garota tá fazendo comigo?”

Helena desceu tarde na manhã seguinte para tomar café e assim não encontrar ninguém. Vestia uma regata branca cavada, com o sutiã preto a amostra e um short preto. Na cozinha só encontrou Aline, que a olhou de rabo de olho. Pareia nervosa. Helena estranhou, mas achou melhor não perder tempo com isso, tinha que pensar em um jeito de ajeitar tudo.

Voltou para o quarto e quando abriu a porta o sangue congelou de medo.

— Oi, Helena. – Tião estava no seu quarto, de pé, perto da janela, a mirando intensamente – Pode entrar, sinta-se a vontade.

Helena piscou várias vezes, olhou para os lados. Tião se adiantou até ela e a segurou pelo braço antes que Helena alcançasse o coturno. Ele fechou a porta atrás dela, a trancando e então a soltou no meio do quarto.

— Parece que temos muito o que conversar, não?

Tiago trabalhava na empresa sisudo. Saíra tão avoado de casa que nem notara que vestiu apenas camiseta azul marinho e bermuda preta com um sapato de verniz. Tentando se afundar nos problemas da fábrica para acalmar as preocupações de casa.

— Ê, Tiago, você não parece bem. – falou Misael na sala com Tiago, o vendo com olheiras e suspirando – É mal de amor, é?

Tiago só olhou para Misael de rabo de olho, fechando a cara.

— Nada, só estou dormindo mal. Ou melhor, nem dormindo.

— Certeza? – Tiago o olhou irritado – Beleza. Quem sou eu para dizer como você está se sentindo, né? – Misael foi saindo e parou na porta – Mas, porque me aproximei muito de você nesses últimos meses, Tiago, e quero o seu bem, resolve esse seu problema do sono. Você vai ver que tudo vai ficar mais fácil quando resolver o que te tira ele.

Tiago ficou olhando para a porta fechada, pensativo. O celular ao lado da mesa apitou. Ele pegou o aparelho e viu uma mensagem, o fazendo sair correndo a seguir.

— O que foi? Perdeu todo o seu repertório de desaforos? Tá quieta. – Tião ainda a segurava, rindo do jeito amedrontado dela – Se acalma, você sabe que não posso fazer nenhum mal a você... aqui dentro.

— O que tá fazendo aqui, Tião? Acabou os capangas para me vigiar e veio fazer o serviço pessoalmente?

Ele sorriu desagradado para ela.

— Eu sempre fiquei dividido entre gostar desse seu jeito, ou odiar. Hoje vou ficar com odiar. – ele a soltou – Mas confesso que agora que sei mais de você, consigo até sentir um certo orgulho.

Helena esfregava o braço onde Tião tocara, levantando a cabeça para ele, que se afastou de costas para ela, quando ele mencionou que a conhecia melhor.

— Você pode saber muito de muitas pessoas, Tião, mas de mim você com certeza não sabe nada!

Ele se virou para ela, com meio sorriso.

— Acho que de todos eu sou o que mais conhece de ti, Helena. É esse o seu nome mesmo?

Ela apenas o encarava, sobrancelha esquerda e queixo erguido.

— Isso que diz que me conhece muito bem!

— Helena – ele sorriu para ela – por mais que não saibamos o que passou na vida um do outro nesses vinte anos, sempre vamos estar ligados, concorda?

Helena fez cara de nojo.

— Até que A SUA MORTE, nos separe, Tião. – ela falou rancorosa e ameaçadora.

Ele sorriu.

— Tal pai, tal filha. – Helena gelou, sentiu o chão sumir – Essa sua cara de horror com a noticia muito me magoa. – ele sorriu.

— Tá me achando com cara de Leticia, é Tião? Pensa que me engana?

— Não mesmo. Tendo o meu sangue eu nunca pensaria em você como uma tola! – ele deu passos em direção dela.

— Tião, vê se me entende, eu só terei o seu sangue no dia em que enfiar meu canivete em você.

— Nossa – ele se divertia com o transtorno dela – que relação pai e filha complicada nós temos. Nenhum dos dois preocupados com a integridade física um do outro. Achei que teria mais piedade pelo seu pai.

Ela riu jogando a cabeça para trás.

— Taí, Tião, não sabia que você era tão idiota. Veio mesmo aqui me contar essa lorota emotiva achando que eu ficaria tocada e pararia de procurar garantir que você tenha o que merece? – ela agora tinha as mãos na cintura e apertava os olhos para ele – Papito, querido, acredite que se depender de mim, teus dias estão contados, e nos dedos!

— Pois é – ele se aproximou dela e a pegou pelos braços, a apertando, olhar frio – se depender de mim você também não passa do natal, filha. E é para isso que estou contando isso, para você entender que até mesmo o meu sangue eu sou capaz de eliminar se estiver no meu caminho.

Ele tirou uma mão e pegou no bolso um envelope de laboratório de exame de sangue.

— O que é isso, exame comprovando que corre enxofre nas suas veias?

— Não! Comprovando que corre enxofre nas nossas veias. Filhinha linda. – ele jogou o envelope na cama e passou as costas da mão no rosto dela.

— Tião, deixa eu te explicar, seu verme nojento, mesmo que o Papa chegue aqui, ou o capeta em pessoa, atestando que você é meu pai, eu não acreditaria. Ainda mais um exame de laboratório que vermes como você forjam com alguns números em cheque. Poupe minha paciência.

Ele tinha um meio sorriso desgostoso, narinas dilatadas diante do plano de perturba-la com a noticia ter falhado, pois Helena já tinha o semblante mais firme, e um sorriso de deboche no canto da boca.

— Mas confesso que me deixa muito feliz ver que o seu medo de mim é tanto que se abalou tanto para tentar me fazer ter alguma piedade e sentimento por você. Tá com medinho, né?

Ela já ria com a boca aberta de Tião. Ele chegou achando que perturbaria ela, e agora estava perturbado. Perdendo o controle, Tião agora a pegou pelos ombros a balançando.

— Escuta, garota...

Uma batida forte na porta os assustou. Antes de conseguirem entender, enquanto olhavam para a porta, outra batida ainda mais forte começou a rachar a entrada do quarto de Helena.

Tiago, entrou pela porta da casa furioso. Encontrou a avó que estava no hall, olhando atenta as movimentações na escada, controlando quem subia ou descia de lá.

— Que foi, Tiago? – ela o parou antes que subisse a escada.

— Tião, vó, cadê ele? – ele falou olhando para a escada, imaginando se estaria no quarto de Helena.

— Que isso meu filho, de onde você tirou que ele estaria aqui? – ela tentou despistar.

Ele a olhou confuso e enojado.

— Você acha que sou idiota, é? Me avisaram que ele vinha para cá, e o carro dele está lá fora!

— Ah, sim! É mesmo... – ela olhou para baixo tentando pensar em algo – Acho que ele está com seu pai, lá na casa dele. Sabe como é, com tudo isso que Helena provocou.

Tiago olhava a avó incrédulo. Ele tinha quase certeza que ela estava mentindo para ele.

— Ótimo, vó. Não vai ter problema então se eu for conversar com Helena.

— Não! – ela tentou segurar ele – Para que isso, meu filho? Que feitiço essa garota te lançou! Tiago, isso é muito sério, você tem que parar com essa paixonite antes que ela lhe prejudique.

— Que paixonite vó? Você é que tá pirando com essa mania de perseguir a Helena!

E ele deu as costas para a avó e foi até o quarto de Helena. Chegou lá e a viu trancada. Sua avó o alcançou.

— Ela deve ter saído do quarto. Sempre tranca ele. – ela disse tomando folego, tentando tirar Tiago dali.

— É mesmo. – ele disse olhando cínico para a avó.

Ele se afastou da porta a fazendo acreditar que tinha desistido, e então voltou jogando os ombros na porta com força. Ignorando a dor, jogou o ombro novamente, enquanto sua avó se afastava de costas com a mão direita no peito, boca aberta. O enfermeiro do quarto de Fausto saiu na porta ver o que acontecia, assustado.

Tiago percebeu que a porta já estava avariada e deu um chutão a abrindo de vez. A cena que viu o fez perder a cabeça de vez. No outro canto, Helena o olhava com cara de assustada, sendo segurada por um Tião não menos surpreso.

— Desgraçado – Tiago avançou para Tião que soltou Helena e levantou as mãos, enquanto Tiago o pegava pelo colarinho – o que fez com ela?

— Você está louco, Tiago? Eu não fiz nada!

— Não? Nem ameaçou ela? Não veio aqui para assustar ela?

Tião franziu a testa e ergueu o queixo não negando.

— Vem cá, Tião, eu vou dar o tratamento que você merece! O de um cachorro sarnento.

E Tiago, ainda segurando com Tião pelo Colarinho foi o arrastando pelo corredor afora. Tião mal conseguia descer as escadas, furioso, tentando se desvencilhar de Tiago, tropeçou nos últimos degraus e caiu.

— Levanta, desgraçado. E sai daqui.

Tião se levantou, lívido. O tratamento de Tiago o fazendo lembrar de seus tempos de peão. No alto da escada estava Magnólia de olhar assustado e queixo erguido. O orgulho de Tião estava cada vez mais ferido.

— O que é isso hein muleque? Quer bancar o galinho de briga para cima de mim?

Helena descia a escada preocupada, indo para trás de Tiago, dar apoio.

— Que? Olha, me poupa das tuas gírias de velho e te manda da minha casa. – Tiago tinha a mão direita no alto movimentando-a para a saída, indicando Tião a se retirar.

— Do que você me chamou? – Tião se ergueu e pegou Tiago pelo colarinho, fazendo Helena se agitar.

— Tira as mãos de mim, cretino. – Tiago empurrou Tião, que voltou para cima dele o tentando acertar, mas Tiago desviou rápido se abaixando e avançando contra ele, o acertando com o ombro na altura do estomago, jogando o velho no chão – SAI DAQUI! ANDA, antes que eu te quebre todo.

— Mas é um ... – Tião tentava se levantar – Você está louco, Tiago? Terminou com a Leticia e perdeu a noção do respeito? – Tião se levantou e viu Helena atrás de Tiago, o encarando, segurando o ex-noivo de Leticia pelo ombro – Isso tudo por causa dessa bandidinha vulgar.

Era a gota d’agua. Helena fuzilou Tião com o olhar, e não teve nem tempo de segurar Tiago, que partiu para cima de Tião, que deu um passo para trás mas não conseguiu desviar do soco de Tiago, caindo no chão de novo, canto da boca sangrando. O garoto foi novamente para cima dele e deu um soco no nariz.

— Para, Tiago. – gritou Magnólia, sem sair do alto da escada, que agora tinha Ciro, Vitória e um Fausto sorridente, de cadeira de rodas sendo guiada pelo enfermeiro.

Na direção do corredor que vinha da cozinha, estavam as empregadas, e Hércules, sendo segurado por Luciane, todos de boca aberta. Exceto Camila, que do lado de Luciane sorria de queixo erguido.

Helena tinha as mãos sobre a boca. Não sabia o que pensar, pois era maravilhoso ver Tião apanhando, mas Tiago estava colocando o nome dele numa lista mortal!

— Vem cá – Tiago pegou Tião do chão pelo colarinho o levantando alguns centímetros do chão – nunca mais fale assim da Helena. Melhor, nunca mais mencione ela, se dirija a ela, olhe para ela ou mesmo toque nela, Tião. Porque se você voltar a se aproximar dela, eu não vou parar quando me pedirem. Desgraçado!

Tiago o soltou no chão, irado. Deu as costas a Tião, que se sentou, joelho levantado onde apoiou um braço, levando a mão ao rosto para ver o sangue. Apertou os lábios furioso para a mão. Enquanto Tiago olhava ao redor, percebendo o que fez de cabeça quente, encontrando o olhar desesperado de Helena. Ele foi até ela, que olhou para trás dele o fazendo virar bem na hora que Tião se levantava e vinha na sua direção. Tiago segurou o braço que Tião avançava contra ele e torceu para trás.

— Abre a porta, Helena. – ele gritou segurando um Tião ainda mais humilhado – Abre a porta que eu vou colocar o lixo pra rua.

Helena correu e abriu a porta. Tiago jogou Tião para fora, o deixando cair pela escada e bateu as mãos voltando para a mansão. Helena fechou a porta olhando para a situação miserável de Tião, e não segurou um sorriso vitorioso, que foi notado pelo vilão o deixando ainda mais furioso.

— Tião!

Miro veio do carro correndo, alcançando o patrão, tendo a ajuda rejeitada de inicio e depois aceita, pois Tião não conseguia se levantar.

— Vamos para a casa peão, que hoje eu paguei todos os meus pecados dessa vida, e agora preciso correr para fazer mais. Garantir meu lugar no inferno!

Falava Tião frio e calculista, a raiva mudando o timbre da voz, enquanto o motorista o levava até o carro e o colocava no banco de trás.

— Parabéns, Tiago, eu não costumo me livrar pessoalmente dos meus inimigos, mas você conseguiu hoje a proeza de quando eu te matar, fazer isso com as minhas próprias mãos. Infelizmente a marginal eu não poderei presenciar, mas na hora certa, de você eu cuido com prazer.

— O que foi peão? – Miro já estava no banco da frente, e perguntou o que o chefe murmurava.

— Nada, Miro. Toca para a casa do Dr. Bruno, eu quero ver os estragos feitos sem ter que passar pela mídia em frente a minha casa.

Dentro da casa Leitão, Magnólia descia a escada indignada.

— Nem adianta, vó. – Tiago já ergueu a mão para ela – Agora já tá feito. E fica o aviso, é assim que vai ser toda vez que ele pisar aqui. E se insistir em falar ou defender esse... esse... assassino, saio eu, e nunca mais vão me ver.

— Tiago, você está passando de todos os limites. — falou a avó preocupada com o neto.

— Estou enojada em dizer isso, mas eu concordo com a Dona Má aqui. – Helena falou atrás de Tiago, os olhos ainda brilhando pela excitação da cena vista, mas a feição mudando para séria – Tiago, você tem ideia do que você fez ao atacar assim o Tião?

— Exatamente – gritou Hércules lá do seu canto, assustando até Luciane com sua reação – ele é meu financiador, como fica seu pai agora?

— É sério, isso? Vocês tudo vão me condenar por ter tirado aquele verme daqui?

— Tiago... – Helena o puxou para ele – você não devia ter feito isso.

— Olha isso, até a muleca por quem você fez todo esse alvoroço te recriminando e você ainda se achando com a razão! – falou Magnólia que recebeu os olhares fuzilantes de Tiago e Helena.

— Pois pouco me importa a opinião de vocês. O que fiz tá feito e vou repetir sempre que ele pisar aqui. Não tenho medo dele não. – Tiago disse a ultima frase para Helena que puxou o ar.

Tiago então saiu para o seu quarto deixando Helena e Magnólia ali. A primeira não se segurou e foi atrás.

— Tiago!

— Nem vem, Helena.

Mas ela foi, subiu as escadas atrás dele.

Luciane veio até o centro do hall.

— Não te falei, sogrão. Teu neto tá mil por cento com essa garota. Ela ó, só aumentou o nível aqui!

A cunhada de Pedro falou para Fausto, que ainda ria, mesmo com Magnólia o olhando furiosa. Mas ele não ria tanto quanto Ciro. Magnólia se irritou imaginando o porquê da alegria. É que Ciro odiava Tião e sua arrogância e achava muito bom ele apanhar, ainda mais se for de Tiago, que com isso passa a ter os dias contados. Ciro ganhou a semana.

— Tiago! – Helena o alcançou quando ele tentava fechar a porta, a fazendo usar o truque do pé – Não mesmo, você vai ter que me escutar. Me deixa entrar ou fico aqui pendurada a noite toda! Você sabe que não largo o osso.

Tiago se afastou, a deixou entrar e fechou a porta atrás deles. Se virando então para ela.

— Se vem com sermão, nem começa. Não me arrependo e faria de novo. Ou melhor, batia mais forte que era para ele não ter mais nem como abrir a boca para falar com você de novo.

Helena o olhava atônita.

Começa a tocar Me Adora da Pity.

— Tiago, vê se entende o que você fez. Tião nem querendo muito um netinho com o seu nariz vai deixar de enfiar uma bala na sua cara, agora! Pra que isso? Será que você não pensa?

— Não Helena! – ele andava agitado no quarto, uma mão na cintura e outra na boca escutando ela, e então se virou na direção dela – Não penso. Eu perco totalmente a noção, o raciocínio, quando vejo você em perigo. Alguém podendo te prejudicar. Você sofrendo. Eu simplesmente não penso. Saio de mim. É mais forte...

Helena o escutava falando isso, a respiração e coração acelerando, deu um passo a frente e o puxou pelo colarinho, beijando Tiago. Ele mal teve tempo de pensar, e ela já estava com os lábios dela pressionando o dele, um turbilhão de sensações passando por ele naqueles segundos. Helena o largou, empurrando agora Tiago.

— Eu...não sei porque... – ela começou a falar.

Mas Tiago não deixou ela falar, pegou a nuca dela com a mão esquerda e a puxou para um beijo, puxando o cabelo dela. Helena gemeu e o puxou pelo ombro. Tiago passou o braço direito pela cintura dela e foi a conduzindo até a parede ao lado, a jogando ali. Helena gemeu de novo sentindo o corpo dele grudando no seu, Tiago abrindo mais a boca a obrigando a abrir a sua. Com ela na parede agora, Tiago levou a mão direita para cima na parede, ali firmando apoio, tirou a mão esquerda da nuca dela e a passeou pelo corpo de Helena, chegando na coxa dela, a levantando para assim permitir que o corpo dele chegasse mais perto, do de Helena, sentindo cada curva dela. Helena usou a perna esquerda para puxar mais o corpo dele, as mãos segurando a camisa dele, forte, o mantendo perto dela, e depois passeando pelo peito até subir na nuca, onde afundou os dedos no cabelo de Tiago, enquanto o beijo ficava mais intenso. Tiago então a abraçou a erguendo e jogando em cima da cômoda ao lado. Helena envolveu as pernas no quadril de Tiago, o puxando para perto, enquanto ele pegou novamente o cabelo dela com a mão esquerda a puxando pela nuca, e levou os lábios a ponta da orelha esquerda dela, mordendo, descendo pelo pescoço vários beijos molhados. Helena tinha as mãos no alto da cabeça dele, dedos enterrados no cabelo de Tiago, arfando. Ele então voltou a subir os lábios pelo pescoço dela até parar no queixo, que mordeu. Ela sorriu.

Tiago parou e segurou o rosto dela com as mãos, e olhou Helena. Ambos com as bocas vermelhas, quase sem ar, boca entreaberta. Tiago olhou cada parte do rosto dela, sentindo aquela vontade que não cessava. Ele passou as mãos para o cabelo dela, os puxando. Helena agora tinha os olhos abertos, intensos para ele.

Tiago sentiu o frio na barriga e fechou os olhos.

— Eu não posso fazer isso com você, Helena. Não é justo.

E com muito esforço se afastou, a deixando confusa, sentada na cômoda. Ele saiu do quarto e foi para fora de casa, a mão sobre a boca.

Magnólia ainda estava no hall, mais Luciane e Vitória, e viram ele passando sem atender a elas chamando.

— É, parece que dessa vez a briga foi feia. – disse Magnólia com alguma satisfação.

Enquanto Helena pulava da cômoda e ia para o batente da porta, se segurando nas pernas, olhando pelo corredor, sem folego, sorrindo feito boba.