A sobrinha da Helô
19 Como resistir à Sobrinha da Helô?
Notas iniciais
Helena olhou para os lados e então percebeu que ainda estava na porta do quarto do Tiago com a boca vermelha. Então caminhou devagar até seu quarto, com a mão na boca.
Lá dentro ela se trancou e se jogou na cama sorrindo. Ficou ali lembrando das palavras de Tiago e o beijo, por quase uma hora. Até que Camila bateu na porta do seu quarto nervosa.
— Helena? – Camila começou a falar já entrando no quarto – O tio Pedro entrou em contato com você, ou a AnaLu?
Helena fechou a porta e olhou para a Camila, tentando montar um raciocínio, voltando ao mundo real.
— Não. Na verdade, desde ontem quando saíram atrás do repórter eu não sei mais deles.
— Exato! Ninguém sabe. Estou começando a ficar preocupada.
Camila sentou na cama com o celular na mão, abaixando a cabeça. Helena sentou do lado dela.
— Calma. Eles devem ter levado o cara para algum lugar seguro. Se ele realmente aprontou o que parece que aprontou, ele precisa se esconder um pouco.
— Será? Essa casa está cada vez mais sombria, Helena. Nunca pareceu uma família, mas ultimamente está ainda mais um manicômio. Não me leve a mal, você trouxe toda uma nova perspectiva, mas parece que isso acaba revelando mais do que queríamos das pessoas dessa casa.
— Desculpa.
— Não, Helena, não é sua culpa que minha família seja assim. Eu estou muito preocupada. Você, Tiago, Luciane, AnaLu e tio Pedro tem sido bem mais minha família que meu pai e minha avó. Eu não quero perder nenhum de vocês.
Helena achou que o correto seria abraçar Camila, mas só conseguiu passar a mão no ombro dela. Não era boa com sentimentos.
— Tiago! Já no bar? – Antonio foi se aproximando do amigo, sentado na mesa com um copo de suco na mão às sete horas da noite – E pelo visto enchendo a cara de... suco? Vai precisar de glicose desse jeito, amigo, cuidado!
Tiago respirou fundo e levantou o olhar para o amigo. Depois voltou a olhar para o copo.
— Parece irritado. Que surpresa...O que foi? Marina e Isabela tem uma outra irmã? Ou melhor, uma sobrinha? – Antonio fez graça, sentando e pedindo uma cerveja. Tiago se mantinha com a boca fechada – Meu, o que foi?
Tiago olhou para a frente e comprimiu os lábios, depois balançou a cabeça negativamente voltando a olhar para o copo de suco.
— Parceiro, fala, vai ser melhor para descer o suco. – Antonio falou colocando a mão sobre o ombro do amigo enquanto a bebida dele chegava.
— É melhor não. Até porque, eu nem tô acreditando no que fiz.
— Vai lá, conta o que você aprontou com a Helena agora?
Tiago olhou para o amigo intrigado.
— Ultimamente é sempre ela, dedução mais que natural, amigo. – Antonio disse erguendo o copo para o amigo.
— Não sei cara, eu tô confuso. – “Rum?” respondeu Antonio bebendo sua cerveja – Eu... beijei a Helena.
Tiago falou isso mexendo no copo, sorrindo rapidamente, lembrando do beijo, mas então fechou a cara e levou a mão esquerda ao rosto, pressionando os olhos com o polegar e indicador.
Antonio só acompanhava os gestos do amigo.
— Eu estou perdido, Tiago. Achei que isso era o que você literalmente sonhava ultimamente.
— É o que?
— Ah, fala sério. Até o Uóchinton que serve as bebidas já perguntou quem é essa Helena. Você só fala dela, cara. Ou do que acontece com ela. Ou o que pode acontecer. Vai lá, confessa, você tá perdido de amores pela sobrinha da Helô.
— Aaah... – Tiago olhou de novo para o copo de suco tentando parecer contrariado – E se for?
Antonio levantou as sobrancelhas com os braços cruzados e sorriu.
— Aí é com você e ela, né amigo?
— Eu sei. – Tiago expirou e se recostou na cadeira, cruzando os braços a exemplo do amigo – Ela disse que nunca amou.
— É? – Antonio ergueu as sobrancelhas e inclinou o corpo para a frente, apoiando os braços na mesa, olhando para o amigo.
— É! E disse que eu amo e desamo muito rápido.
— Meus parabéns, essa aí te conhece bem.
— É?! Ela disse que você falou que eu amo tão fácil que de fato nunca amei ninguém. – Tiago jogou a frase na cara do amigo, bebendo um pouco do suco.
Antonio pigarreou.
— Tenho certeza que não foram essas as minhas palavras. Mas confesso que você pula muito rápido no poço do amor.
— Pois é... melhor então eu não chegar perto da borda tão cedo, né?
Antonio revirou os olhos.
— Entendi. – ele voltou a jogar o corpo para trás e cruzar os braços – Quando era com Leticia e Isabela, só se jogou, agora que é com Helena, você tem medo.
— Não é medo. Só não quero magoar ela. Não posso chegar e... eu preciso ter certeza do que sinto!
— Eu acho, amigo, que é porque você já tem certeza do que sente que tá arranjando essa desculpa. Mas quem sou eu para dizer o que você já sabe, mas nega? – Antonio olhou o celular e jogou dinheiro na mesa, chamando o garçom – Vem cá, para que o suco?
— Para não repetir o que fiz da outra vez que bebi demais.
— Eu sou obrigado a rir, amigo, você já sabe o que sente tão bem que até evita baixar a guarda para que não faça o que tem medo. Eu vou indo. Tenho compromisso.
Antonio saiu, deixando o amigo ali. Achou melhor não comentar que era na casa de Leticia. Helo pediu que se evitasse ao máximo levar noticias da situação da garota a Tiago para que ele não a visitasse e a visse naquele estado.
Tiago olhou o amigo saindo. Olhou para o próprio celular. Mais de sete horas da noite. Tinha passado o dia fora. Boa parte dele ali naquele bar. Hora de voltar para a casa. Mas ele foi para a fábrica tentar pensar em algo diferente.
Depois de tentar acalmar Camila, Helena desceu a procura de Pedro e AnaLu, também. Foi até a cozinha onde o almoço estava sendo terminado e tentou conseguir algo com Leila, que também nada sabia. Quando voltou da cozinha, encontrou Ciro descendo as escadas.
— E aí, garota? A arma mais letal de São Dimas.
Helena fingiu que não ouviu e foi subindo as escadas, mas ele se colocou na sua frente.
— Eu preciso mesmo te agradecer, Helena. Quando você chegou eu te achei problema, mas você é solução. Quem diria? Em dois dias nós já não temos Pedro por perto, e Tiago fora, não se sabe onde. O que, depois do inimigo que ele fez, pode ser um ótimo sinal! – ele sorria maquiavélico para Helena.
— Chocada com você falando algo que não resmungos ao telefone, Ciro! Que foi? Magnólia te deu cordinha, é? Fica tranquilo, tanto o seu cunhado quanto o seu sobrinho amado estão muito bem, obrigada.
E ela foi subindo a escada, se livrando dele. Ciro sorriu e desceu as escadas soltando o resto do veneno.
— É bom mesmo eles estarem bem e voltarem logo. Porque sem os seus protetores, quem é que vai segurar a mão da Magnólia para te tirar daqui?
Helena parou e pensou no que ele disse. Foi até o quarto e pegou o celular. Hora de entrar em contato com Paulo.
— Alo? – disse uma voz de homem estranha do outro lado.
— Alo? Não é ... desculpa, é engano.
Ela voltou a ligar.
— Helena, você está com o número certo. Paulo não atende mais esse telefone.
— O que...?
— Ele não está mais conosco. – Helena se agitou “Paulo morreu? Tião já está alcançando eles?”
— Certo! – ela coçou a testa e molhou os lábios – Liguei porque preciso...
— Se é para saber de Pedro e AnaLu, estamos sabendo que eles estão bem e retornam ainda hoje.
Ela respirou fundo, feliz pela noticia e ao mesmo tempo controlando a raiva de sentir novamente que eles estavam muito próximos dela e ela não via.
— Que bom. Então podemos voltar ao nosso assunto! Vocês me ligaram?
— Sim, Helena, o que você fez foi imprudente, mas nós entendemos o recado. Melhor não deixar você agir por si mesma. – ela deu um meio sorriso – Mas você tem que entender o nosso: tem coisas que estão fora do seu alcance agora. Na verdade, por enquanto só podemos recomendar que você se afaste de Tiago, para o bem de ambos. Soubemos do que ocorreu com Tião, ele é oficialmente mais um que temos que proteger agora.
— Então o certo é que eu fique perto dele o ajudando, não? – ela estava indignada com a ordem de se afastar de Tiago.
— Errado. Daqui para frente quanto menos contato você tiver com ele, melhor será para controlar o dano. Estamos tentando evitar que você se torne um alvo ainda mais frágil. De resto, vamos aproveitar o tempo em que ele está se reorganizando para nos reorganizar também. Atenção dobrada.
— Espera! – ela sentiu que o outro já ia desligando – Eu preciso de relatórios de algumas pessoas.
— Diga os nomes.
— Isabela, Ciro, Hércules, AnaLu, Luciane e Cármem.
— Mas você já tem os relatórios de todos eles.
— Não, eu tenho o que vocês queriam que eu soubesse quando eu vim para cá. Agora eu quero completo. Tem mais coisa ali. E é bom eu não desconfiar que estão me escondendo algo.
— Você já foi avisada que para revelarmos mais de outros, vamos ter que revelar mais de você, não foi?
— Sei...mas preciso dessas informações, e... – ela pegou o envelope com o exame de sangue que Tião jogou na cama dela – Quero saber tudo sobre os pais da Leticia.
— Anotado. Entraremos em contato. Bom dia, Helena.
E o estranho, sem dizer o nome dele, desligou. Helena pegou o envelope, sem abrir para ver o que dizia, e guardou numa gaveta com chave.
Tiago chegou já era mais de uma hora da madrugada. Ele olhou para a escada pensando se subia para o quarto dele. Achou melhor ficar por ali mesmo na sala de estar que estava vazia. Ele deitou no sofá tentando relaxar, quando ouviu um barulho vindo da escada. Ele andou pelo corredor até ouvir a briga dos tios.
— Você não dá importância nem a esse filho, Ciro? – Vitória tentava gritar baixo com o marido, ambos ao pé da escada, ela degraus mais alta que ele.
— Deu, Vitória! Pensei que tínhamos acertado de que nosso relacionamento era só fachada para a sua mãe não fazer nada. Para que essa cobrança?
— Não é cobrança para mim não. Não estou falando como esposa, Ciro, mas como mãe. Eu preciso de você aqui. Eu já estou com sete meses, e você inventa viagem de não sei quantas semanas? E se acontece algo hein?
Ciro deu as costas para ela, terminando de descer as escadas, dando dois passos a frente, ela o seguiu.
— Ciro, nesse momento ninguém queria menos que esse filho fosse seu, do que eu. Mas ele é, e você não pode fugir até dessa responsabilidade.
Ele se virou para ela a pegando nos ombros.
— Por que você aceitou, hein Vitória?
— O que? Não aceitei nada, nós erámos casados, com quem iria ter um filho?
— Não isso, o casamento? Eu não tinha escolha, Vitória, você tinha! Sempre teve. Se você não tivesse sido fraca, não tivesse cedido eu nunca teria passado por esse inferno!
— Do que você está falando, Ciro?
— Da pergunta que eu me faço desde que você me beijou pela primeira vez, Vitória. Por que você não foi firme e me repeliu? Por sua culpa eu estou aqui discutindo por que não posso ter algumas semanas de paz longe de você! Você não deveria ter cedido Vitória. Então agora aguenta as consequências.
Ele a largou. Vitória o olhava de boca aberta. Ciro então a olhou, puxou o ar e foi subindo as escadas.
— Vou terminar de arrumar as malas. Saio de madrugada.
Tiago teve vontade de ir lá quebrar a cara dele. Mas a tia estava inconsolável ao pé da escada. Ele foi até ela, que o olhou surpresa e depois envergonhada. Aceitou a ajuda dele que a levou até a cozinha beber agua.
— Tia... – ele começou enquanto ela terminava o copo de água, passando a mão na barriga.
— Eu sei, eu sei. Já era para eu estar há quilômetros de distancia do Ciro. Mas como você deve ter ouvido dele, a culpa é minha e eu tenho que pagar o preço por ter sido fraca. Nisso o Ciro tem razão. Se eu não tivesse deixado as outras pessoas dizerem o que era o melhor para mim, se tivesse lutado pelo que realmente amo, não estava nessa situação.
— Não, tia. Você não tem culpa. E mesmo que tivesse não merece isso que tá passando. – ele falava atencioso com a tia.
— Ah, Tiago – ela ergueu os braços e o chamou para um abraço – vem cá. Você me lembra tanto a sua mãe. Todos vocês. Acho que Hércules foi sempre tão inexpressivo que nem os genes dele conseguiram se manifestar em vocês. – ela ergueu o rosto do sobrinho segurando nas mãos – Nunca se termina de pagar por um erro, querido. Ainda mais se esse erro for ficar com quem não ama. Por isso, eu fiquei muito feliz – ela foi se afastando dele – quando soube que você terminou com a Leticia.
— Achou que eu estava cometendo o mesmo erro que você? – ele perguntou para uma Vitória que acariciava a barriga.
— Não, você estava cometendo o mesmo erro do Ciro, que foi achar que não tinha saída. A Leticia é que estava cometendo o mesmo erro que eu, acreditando que estava fazendo o melhor para ela. Não estou te comparando a Ciro, mas assim como ele você sabia que não amava a menina, mas mentia para si mesmo que não tinha outra alternativa a não ser casar. Mas ela... Leticia achava mesmo que te amava. E ia ficar se iludindo com isso por anos de rejeição e sofrimento. – ela olhou para o sobrinho que fazia cara triste – Não que você fosse ser assim cruel que ela, mas...Bom, acho que tá na hora de subir e tentar dormir.
Tiago só sorriu desajeitado e concordou. Vitória saiu deixando ele encostado na no balcão da pia com os braços cruzados, pensando em como todo mundo via o relacionamento dele com Leticia. Helô, Luciane, Camila, Pedro, Helena e até tia Vitória jogando na cara dele como ele podia estar mais prejudicando que ajudando a ex-noiva.
Então lembrou de tudo que Isabela passou por se envolver com ele.
O que ele acabaria fazendo a Helena?
Vitória chegou na escada e viu Helena descendo, na sua camisola rosa de algodão, cabisbaixa.
— Sem sono, Helena?
— É... – Helena achou melhor não contar da sua preocupação com Pedro, AnaLu e Tiago não terem voltado ainda.
— Vai lá na cozinha pegar alguma coisa. – Vitória falou com um sorriso.
— Leite morno nunca funcionou comigo, mas... Boa noite.
— Boa noite.
Vitoria a acompanhou com o olhar e foi subindo a escada quando viu Aline descendo. Ela se adiantou até a garota e a pegou pela orelha.
— Vamos, Aline, vou te colocar para dormir. Já passou da hora de criança pequena fora da cama.
E Vitória saiu carregando Aline pela escada, sob protesto.
Helena parou na entrada da cozinha. Lá na frente estava Tiago, encostado no balcão, braços cruzados, olhando para baixo, com a mesma roupa de logo cedo. Ela geralmente sentia um agito quando via ele, mas dessa vez foi mais como uma turbulência.
Tiago levantou a cabeça e viu Helena ali na sua frente, de camisola rosa, metade do cabelo preso em uma trança, jogada para a frente. Ele prendeu a respiração. Não sabia o que falar com ela. Desencostou do balcão e descruzou os braços colocando as mãos no bolso.
Helena então sentiu uma raiva crescendo nela e foi até Tiago com passos firmes. Ele acompanhando seus passos com a testa franzida.
— Onde você estava? – ela se aproximou dando um soco no ombro dele, o fazendo gemer.
— Ai. – ele passou a mão no ombro – Eu ...tava por aí!
— Por aí? É? Em qualquer canto?
— Sim! – ele se inclinou para ela, devolvendo a encarada.
— Depois do que fez com Tião, sabendo do que ele é capaz?
— Helena... – ele soltou ar e saiu da frente dela indo para a bancada – Nós não vamos continuar esse papo, né?
Ela tinha cruzado os braços e acompanhado os passos dele. Se virou na direção dele, que estava de costas para ela, e largou os braços do lado do corpo.
— Até porque não terminou muito bem o nosso papo, não é?
Tiago ergueu a cabeça ainda de costas para ela.
— Sobre o beijo...
— Não, Tiago! Eu entendi o recado com você fora o dia todo. Você se exaltou. – ela terminou a frase olhando para o lado – Acontece.
— É... não queria que pensasse nada de errado. – ele se virou para ela, cabeça baixa e braços cruzados.
— Pode deixar. Aprendi bem que você pode ser muito confuso com isso de ...garotas. – ele levantou a cabeça para ela, franzindo a testa — Enfim... – ela coçou o alto da cabeça – não faça mais isso!
— Pode deixar, eu não vou mais te beijar! – ele falou colocando as mãos erguendo a cabeça para o alto.
— Estou falando de você sair correndo de casa e passar o dia fora. – ela então se aproximou dele com o dedo indicador da mão direita em riste até chegar em Tiago e cutucar seu peito – Porque senão, começo eu a sair por aí que nem a louca e fico fora pelo tempo que Tião me deixar viva!
Ele olhou para o dedo dela, preso no peito dele, o rosto dela vermelho, os olhos brilhando diretamente para ele.
— Sem brincadeira, Helena. Eu posso sim ter me complicado com o Tião, mas você está em situação muito mais delicada que eu.
— E? Já estive em tão piores quanto. – ela colocou as mãos na cintura – Na verdade acho que seria até melhor, encarar Tião de uma vez, agora que ele está com desfalque de pessoal.
Helena falou olhando para um ponto no alto a direita, colocando o dedo indicador da mão direita no canto da boca.
— Você não se atreveria...
— Me dê a oportunidade e faço de tudo! – ela sorriu para ele.
Ele se aproximou e a puxou pelos braços.
— Helena, quanto é que você vai aprender que há limites?
— Quando... – ela então ergueu as mãos e cravou os dedos nos braços dele, o puxando ainda para mais perto – Você aprender que não há limites quando se quer algo.
— Helena... – ele inclinou a cabeça para ela, boca aberta, respiração difícil – nem sempre – ele engoliu em seco – se pode ter tudo o que quer.
— Quem disse?
Tiago afundava ainda mais os dedos nos braços dela, sentindo o corpo dela próximo, a respiração dela também difícil, com a boca aberta para ele. O olhar dela vagando indeciso entre os seus olhos e a boca.
Helena sentiu ele se aproximando mais, a puxando pelos braços, os lábios dele chegando perto. Ele então fechou os olhos, se entregando e encostando os lábios quentes dele nos dela.
Ela gemeu. Ele puxou todo o ar que podia e abriu a boca a forçando a abrir a dela. No ouvido só os gemidos dela e o coração batendo, uma sensação de frio no estomago, adrenalina correndo pelo corpo, soltou os braços dela, levou as mãos para baixo e então para cima não sabendo o que fazia com elas, então as levou a cabeça de Helena, a segurando enquanto o beijo se tornava mais profundo.
Ela encaixou o corpo dela no dele, passando os braços por baixo dos dele, o abraçando pelas costas, mãos no ombro, trazendo ele para mais perto, a perna direita indo para a frente, entre as pernas dele, o fazendo se inclinar para a frente, a levando com ele.
Ele desceu a mão esquerda pelo rosto dela, passando pelo pescoço e seios até chegar na cintura, a qual ele circundou com o braço para puxar ainda mais o corpo dela no dele, gemendo.
Helena tinha agora a mão direita no alto da cabeça de Tiago, o puxando pelo cabelo, e mordendo o lábio dele, quando sentiu ele se afastando, sem folego.
— Helena...eu não posso... – Tiago tentou falar, sem folego, se erguendo e tentando se afastar dela, mas com as mãos ainda na cintura dela.
— Mas eu posso. – Helena disse, também arfando, olhando para a boca dele, deu um passo para a frente o prensando na bancada da cozinha e o beijando.
Helena tinha a mão esquerda no pescoço dele e a direita ainda o puxando pelo cabelo, beijando Tiago, o forçando agora a abrir a boca. Ele gemeu, perdendo novamente o controle de si, se abaixou e a levantou, fazendo Helena passar as pernas na cintura dele, enquanto ele se recostava na bancada, jogando corpo para trás, ainda a segurando, passando os braços da altura do quadril para a da cintura, e então levando a mão esquerda até a alça da camisola de Helena. Parando o beijo ele desceu então os lábios até o ombro dela, de onde afastou a alça da camisola, enquanto Helena desceu os lábios dela, para o pescoço dele, deixando a sua marca ali.
O barulho forte de uma panela batendo na bancada os assustou.
Helena levantou a cabeça olhando para a outra ponta da bancada onde estava AnaLu com cara séria, narinas dilatadas. Ela então foi descendo pelo corpo de Tiago, o qual não tinha coragem de olhar para trás e ver quem era, enquanto passava a mão sobre os lábios vermelhos.
A razão voltando a Tiago. Ele respirou fundo. E olhou para Helena, que tinha os olhos arregalados e a boca também vermelha, a alça esquerda da camisola ainda caída.
— AnaLu! – começou Helena, ainda um pouco sem folego, com um meio sorriso maldoso pela situação, mas então a olhou animada – AnaLu! Vocês chegaram. – ela foi até a irmã de Tiago – O Pedro veio com você, ele está onde? Estão bem?
— Sim... – AnaLu respondeu, olhando ainda para a nuca do irmão, e então se virou para Helena – Tio Pedro foi no seu quarto ver como você está. Vai lá.
Helena deu um sorriso, feliz. Então olhou para a nuca de Tiago também e mordeu o lábio. Ela ainda tinha papo com ele, precisava contar sobre a ligação com os chefes...ou seria melhor não?
Mas agora com AnaLu ali não conseguiria mesmo. Não que sozinhos eles parecessem se segurar para manter uma conversa também.
— Bom, eu vou lá. Boa noite...pra vocês.
Helena se retirou, sob o olhar de AnaLu. Tiago virou o rosto rapidamente, por sobre o ombro, mas ela já estava se retirando.
— Não acredito em você, Tiago! – Falou AnaLu com os braços cruzados – O que te deu na ideia, hein?
Tiago, com os braços cruzados, fechou os olhos e jogou a cabeça para trás.
— No momento? Melhor nem te contar, você não vai gostar. – ele então se virou para ela, e se apoiou na bancada, olhando para baixo – Mas conta, como foi lá com Élio?
Ela o olhava com os braços cruzados, e apertou os olhos.
— Não foge do assunto. – ela então foi até o irmão, falar de frente para ele – Tiago, é muito sério isso. Você até ontem era apaixonado pela Isabela e agora está se envolvendo com a Helena! Já parou para pensar se o Tião fica sabendo? Sim, porque a vó já até colocou a Aline aqui só para ficar de olho em vocês dois, desconfiada de algo, se ela consegue confirmar duvido que Tião não vai vir atrás da garota só para garantir você com Leticia!
Tiago agora estava erguido, braços cruzados ouvindo com o nariz enrugado e boca meio aberta, indignado com o que ouvia.
— Vem cá, AnaLu, desde quando você é tão preocupada com o Tião e por dentro das armações dele e vovó?
AnaLu ergueu as sobrancelhas, descruzou os braços e engoliu em seco.
— Aaah Tiago, sabe como é o Élio, ele começa a falar as teses dele e a gente acaba entrando. Mas – ela respirou fundo, olhando para o alto – faz sentido, não?
— Esse é outro que vive se metendo onde não devia. – ele descruzou os braços e colocou as mãos no bolso – Mas de qualquer forma acho que é tarde demais para se preocupar com o que Tião pensa ou não.
— Não entendi. – ela voltou a cruzar os braços.
— Hoje cedo ele esteve aqui ameaçando a Helena, acho que pelo o que ela divulgou, quer dizer, denunciou. Eu escorracei ele daqui, bati nele... – Tiago eguia o queixo orgulhoso – E deixei bem claro que não era para ele voltar.
— Meu Deus do céu, Tiago! – AnaLu arregalou os olhos – Você pirou?
— Ele estava ameaçando a Helena! Eu perdi a cabeça. Mas quer saber? Foi a melhor coisa que fiz. Não faz ideia do gosto que foi tirar esse verme daqui.
Ele falou se movimentando na cozinha, indo em direção a porta e parando dois passos distante da irmã, de costas para ela.
— Sim, maravilhoso. Agora é que tua cabeça não escapa mesmo. – ela falou a ultima frase para si – Parabéns maninho – AnaLu se virou para ele – você se superou! – respirou fundo – Tiago, por favor, me escuta, você tem que se controlar – ela se aproximou e se apoiou nos ombros do irmão, voz carinhosa – em todos os sentidos. A situação está cada vez mais séria e você com esses seus impulsos por causa da Helena só está piorando. Tem coisas que não dá para controlar e você colocando mais gasolina vai ser impossível até de tentar!
— Credo, AnaLu, quanto drama. – ele falou virando o rosto para a irmã e franzindo a testa – Mas quanto a eu e Helena, o que você viu foi um deslize. Eu perdi o controle mas não vai se repetir, pode deixar.
— Tem certeza? – AnaLu perguntou o puxando de frente para ela.
Tiago a encarou e depois virou a cabeça para o lado.
— Sim. Ela já tem problemas demais para lidar eu não vou colocar mais na pilha dela.
— Vai se afastar dela? – AnaLu perguntou e Tiago a olhou rápido e indignado.
— Não! – ele cruzou os braços – Eu tenho que proteger ela, também. Vou sim tomar o cuidado de não cometer mais nenhuma loucura como a que você viu, mas longe da Helena eu não vou ficar, não.
AnaLu o olhou séria e então largou os braços do lado do corpo bufando.
— Sim, claro, porque com certeza você consegue se segurar perto dela. Quer saber Tiago? – ela foi se afastando dele indo embora – Eu passei vinte e quatro horas agitadíssimas, e não posso lidar com você agora. Mas espero que você tenha consciência do que esses seus impulsos podem fazer com Helena.
Ele se virou para a irmã a vendo indo embora. “Do nada Ana Luiza deu para se meter na minha vida e ainda falar em códigos.” E olhou para frente, cruzando os braços indignados. “Me afastar da Helena. Como se eu não conseguisse me controlar... é só não ficar muito tempo sozinho com ela. Nem muito perto. E só me encontrar com mais pessoas perto. Isso!”
— Vai ser fácil, Tiago, – ele respirou fundo descruzando os braços – é só se controlar. Não pode ser assim tão difícil ficar perto de Helena sem querer fazer nada a mais.
E ele subiu para seu quarto, encontrando seu tio no caminho, saindo do quarto de Helena. Pelo visto ele conseguiu um lugar seguro para Élio, mas o cara teria que ficar moquiado por um tempo.
Helena já estava trancada no seu quarto. Ele passou reto. Sua tia Vitória saía do quarto de Aline.
— Tia?
— Nem pergunta. Boa noite, querido.
Tiago foi para seu quarto, já pensando em sair bem cedo na manhã seguinte para não encontrar ninguém.
Helena no quarto dela pensava em acordar bem cedo para Tiago não fugir sem falar com ela, ao menos para marcarem de se encontrar na madrugada seguinte. Ela sorria pensando na ideia.
Vitória entrou no quarto, encontrando Ciro sentado na cama com a vídeo-câmera de AnaLu jogada do seu lado em cima da cama, e não mão um pen drive que ele olhava intensamente.
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