A sobrinha da Helô
32 Tentando matar a sobrinha da Helô.
— Segura ela, Tiago. – Aline falou, temerosa, olhando para a porta, o puxando pelo casaco, fazendo Helena arregalar mais os olhos.
Ele nem olhou para a secretária, olhava fixo para Helena na esperança que ela visse nos olhos dele a inocência e o pedido para se acalmar.
Mas ela não olhou para ele. Abaixou a mão que empurrava a porta, fechou os olhos e respirou fundo. Passou os dedos pelos cabelos os jogando para trás, passando a língua entre os lábios, erguendo o queixo.
Aline se animou diante da demonstração de autocontrole da sobrinha da Helô, e passou as mãos para os ombros de Tiago, sendo repelida por ele, que apertou os lábios e a olhou de rabo de olho, furioso.
— Perdeu alguma coisa, Helena? – Aline arriscou, erguendo o queixo e colocando as mãos na cintura, engolindo em seco.
Helena abriu o olho e mordeu o lábio, inspirando fundo, caminhando devagar para a frente, abraçando os braços sobre o peito.
— Não. – ela respondeu com um sorriso falso, a fazendo ficar com os olhos quase fechados, a cor ainda não tinha voltado para a face dela – Estava de passagem e senti o cheiro de galinha sendo depenada, resolvi conferir a razão. Te jogaram na panela de água quente, Aline?
A outra apertou os olhos e puxou o ar, captando a ofensa. Não notando Helena se aproximar devagar, segurando os braços para não perceberem a mão tremendo. Aline então sorriu pensando numa resposta.
— Desculpa, mas eu só gosto de água quente nos banhos com Tiago. – Aline passou o braço pelo pescoço do outro, o puxando, tentando dar um beijo.
— Chega, Aline! – ele se alterou, a jogando para o lado, dando um passo para trás – Eu cansei de dizer que você passou dos limites, e você continua indo ainda mais longe. – ele olhou para os lados procurando onde ela jogou as roupas dela para manda-la embora, mas nãos as achou.
Helena deu mais um passo, devagar, mantendo o sorriso falso, maxilar saliente.
— Não foi o que você falou hoje cedo, depois que Helena saiu do seu quarto? – ela se virou para Helena, a provocando, Tiago se virou para ela com os olhos apertados e a boca levemente aberta, expressão de repulsa, mãos na cintura – Ele se despediu de você e veio para o meu quarto.
— Não sei do que você está falando. – Helena ergueu as sobrancelhas e piscou os olhos, fingindo desorientação.
— De hoje de manhã, linda! Pensa que não sei que passou a noite com Tiago? Ele me conta tudo! – Aline falou erguendo o queixo, se sentindo confiante com a mentira – Ele dorme com você e depois vem para os meus braços, contar como você é uma idiota.
— Jura? – ela ergueu as sobrancelhas fingindo estar se divertindo, olhando para Tiago e de volta para Aline.
Tiago tinha a mão direita na cintura e a esquerda, fechada em punho, sobre a boca, olhando furioso para Aline que se afundava nas próprias mentiras, atiçando Helena.
— O que você está fazendo? – Aline então notou que Helena já estava muito perto, e muito estranha, longe do seu jeito explosivo, dando um passo para trás – Não encosta a mão em mim!
— Não se preocupa, Aline. Não vou sujar minhas mãos com você. – Helena levantou as mãos, o sorriso então sumindo do rosto – O calçado, no entanto...
Helena fechou a cara e pegou ambas as sandalhinhas dos pés, uma em cada mão e começou a bater em Aline, que estava, sem perceber, encurralada no roupeiro de Tiago. A sobrinha da Helô batia preferencialmente nas costas, ombros e nas pernas da outra, com toda a força que a raiva lhe dava, enquanto Aline se encolhia e levantava os braços, gritando.
— Ai... ai... – Aline erguia as mãos e tentava desviar dos ataques de Helena – Me ajuda, Tiago.
Ele ergueu as sobrancelhas para ela, e, dando de ombros, voltou a procurar as roupas da outra, as achando próximo da porta, e voltando.
Aline tentou se abaixar mais, se virando para a frente, sentando e cobrindo a cabeça com os braços, para fugir dos golpes de sandálias que já marcavam a lombar dela.
Helena parou, sem ar, erguendo a cabeça.
— Cansei disso. – ela jogou as sandalhinhas no chão, e olhou Aline, que parecia chorar com a cabeça enfiada entre os braços – Você não vale o suor, capacho!
Helena respirava difícil. Colocou os calçados, enquanto Tiago a observava atento. Ela o notou ali, parado, a olhando.
— Não vai querer me parar?
— Você ainda não parou? – ele ergueu as sobrancelhas.
Antes de Helena responder, Aline, urrando, se levantou, avançando sobre a ela e a pegando pelos cabelos.
— Eu tô cansada de você. Vou acabar com a sua vida, desgraçada.
Tiago pulou para a frente, tentando separar Aline, que grudara no cabelo de Helena, que por sua vez gritava indo para trás, surpresa.
— Sai! – ele gritou com Aline, a segurando pelos ombros, longe de Helena – Para, Aline. Você perdeu a razão de vez. Enlouqueceu. Toma – ele jogou as roupas que segurava para a secretária — sai dessa casa e não aparece mais. Se você entrar no pátio da casa, ou chegar perto dos muros, eu mando a policia te retirar.
A secretária o olhou com desprezo.
— Se a policia vir para essa casa, vai ser para prender essa vagabunda aí.
— Pra mim já chega. — Helena se manifestou.
Helena tinha os cabelos novamente alinhados e bufava, lágrimas de raiva a beira dos olhos, ela foi até Aline, a puxando pelo cabelo com as duas mãos, e empurrando a cabeça da outra para baixo enquanto a arrastava. Fazendo Tiago se afastar sem reação, assistindo ela carregar a secretária, que gritava, para fora do quarto. Ele ergueu os olhos para o teto e respirou fundo, os fechando. “Fudeu”.
Tiago foi para o corredor. Chegou a tempo de ver Helena terminar de carregar Aline para o outro corredor, o do quarto dela, percebendo que ali já estava povoado. Pedro, Camila e Magnólia estavam encostados nas paredes, os olhos arregalados.
Ao ouvir os gritos de Aline apanhando, e depois Helena, eles subiram, e então viram a ultima puxando a primeira pelos cabelos, nua, gritando, dizendo para ela parar, que ia acabar com a raça dela.
Tiago parou um instante olhando para eles, e balançou a cabeça indignado que ninguém parou aquilo. Correu atrás delas.
No corredor do quarto de Helena estavam parados e assustados a tia Vitória, e o enfermeiro de seu avô, e esse, na cadeira de rodas, na porta do seu quarto, todos com os olhos arregalados. Os gritos de Aline vindo da escada.
Ele pensou se valia a pena ir até lá. Ele não ia conseguir parar Helena, só deixaria ela mais irritada.
O resto do pessoal voltou para aquele corredor. Magnólia esbravejava, indo atrás das duas, enquanto Camila e Pedro tinham as sobrancelhas erguidas, passando por Tiago.
Helena arrastou Aline sob intensos protestos. A outra puxava e arranhava a sua mão, sentindo a humilhação ao passar por todos daquele jeito. A sobrinha da Helo mantinha os lábios apertados e mãos segurando firmemente os cabelos da secretária.
Terminando de descer a escada, e indo até a porta, Helena percebeu a mesma trancada.
— Leila! – ela gritou, mas não precisou chamar de novo, a empregada estava um pouco distante apenas, alerta pela gritaria – Abre aí a porta.
A empregada obedeceu. Helena soltou Aline que então se ergueu, chorando, só a tempo de Helena esbofetear ela com a mão direita no lado esquerdo do rosto e depois descer as costas da mão sobre o lado direito, para então a pegar pelo braço e joga-la para fora.
Helena, vermelha, fechou a porta e a trancou, pegando a chave e colocando no bolso.
— Quem buscar essa vadia de volta, vai ter o mesmo tratamento! – Helena falou olhando para Leila, e então para cima, onde apenas Magnólia estava, no alto da escada.
As empregadas se entreolharam, e foram para a cozinha. Helena bufou e foi para as escadas. Magnólia a esperou ali, a peitando. Helena não baixou o queixo e passou por ela, apertando os olhos. Parou um instante e cuspiu no calçado de Magnólia, continuando então o seu caminho.
— Que familinha pra ter um costume nojento. — a matriarca resmungou olhando o calçado.
Quando Helena chegou no corredor sentiu o impacto da sua ação.
Estavam, do lado esquerdo, próximos a porta do seu quarto, Camila e Pedro, ele com os braços cruzados e olhando para baixo, ela encostada com o ombro direito, olhos bem abertos. A direita, tinha o avô de Tiago, seu enfermeiro e Vitória, esta com a mão sobre a barriga. E, no meio do corredor, ainda com a mão direita na boca e esquerda na cintura, a olhando apreensivo diante da situação, Tiago. “Ele está com dó de mim? Estão todos me julgando?” Helena olhou ao redor, franzindo a testa. Até aquele momento tinha certeza do que fez.
— O que foi? – ela olhou para eles colocando a mão na cintura – Fiz exatamente o que a maioria aqui queria faz tempo.
Pedro se aproximou dela, apertando os lábios. Ela apenas ergueu as mãos para ele, o afastando com o gesto.
— Helena... – ele começou a falar com as mãos na cintura – por mais que a Aline seja abusada, você não podia...
— O que? Podia sim. E faço de novo. Ela entra aqui de novo e jogo ela pra fora, com ou sem roupa! Se vocês tem sangue de barata o problema é de vocês! Não vou ficar de braços cruzados vendo ela se esfregar no Tiago, NUA, e infernizando meio mundo, assim como vocês assistem a velha maldita ferrar com a vida de vocês e não fazem nada.
Com esse afronte ela voou para o quarto, sem olhar para os outros, irada, passando por Pedro e batendo a porta, uma, duas vezes, ao lembrar que não tem fechadura.
Exceto Tiago e Fausto, todos tinham as sobrancelhas erguidas. Fausto tinha um olhar divertido pela ultima frase dita.
Tiago se aproximou da porta, apertando os lábios, ignorando a cara de indignação de Magnólia que se aproximava depois de ouvir as ofensas de Helena.
— Helena... – ele deu uma batida suave na porta, olhou ao redor, todos ainda ali, se entreolhando, bufou e voltou a bater na porta – Me deixa falar contigo.
— Vai pro teu quarto, Tiago! – ela gritou lá de dentro e então abriu a porta, o assustando – E é bom não sair de casa enquanto estiver aquela lambisgoia lá na porta!
Ele balançou a cabeça afirmativamente e obediente para ela, e ensaiou entrar, quase perdendo o nariz quando ela fechou a porta na sua cara.
Pedro olhou para o sobrinho que encostava a testa na porta.
— Nem tenta, Tiago. Hoje ela não sai daí.
— Era o meu medo. – ele suspirou e olhou para o tio – Ela se isolar. – ele olhou para cima e respirou fundo – A culpa é minha, tinha que ter me livrado dessa infeliz há muito tempo. Vive provocando a Helena. Na verdade, nem devia ter concordado com ela vir para cá. – Camila soltou um risada desaforada.
— É, nesse ponto ela parece muito com a Heloisa. – Pedro falou, compassivo – Se tranca quando passa por uma emoção forte.
Tiago se virou para o tio, concordando, desolado, e então olhou ao redor, todos parados, ouvindo os dois. Notou sua avó, próxima, o observando com uma sobrancelha erguida. Se alterou.
— Viu o que conseguiram? – e ele foi saindo para o quarto dele, bufando.
— Mas a gente não fez nada! – Camila se defendeu.
— Justamente! Não fizeram nada. Ficaram assistindo o circo pegar fogo. Agora tá lá, ela sem querer falar comigo. – ele respondeu gesticulando com as mãos no ar, furioso.
— E a gente ia fazer o que? Ajudar a Aline? Me poupe. Eu teria era ajudado Helena a empurrar a nojenta para a rua.
— Também seria bom. Mas ficar parada a encarando...
Magnólia revirou os olhos e foi se virando, chamando a atenção de Tiago.
— Onde a senhora vai? — ele indagou.
— Não te interessa. — ela respondeu irritada, se virando para ele de volta.
— Vó – ele se aproximou, as narinas dilatando – a Aline fica lá fora. Eu vou agora ligar para o Misael vir buscar ela...
— Pois não se desgaste com isso. Eu cuido da Aline. Amanhã cedo, mais tardar a noite, ela vai estar fora daqui.
— Não. – ele pôs a mão direita no ombro esquerdo da avó – Ela não entra mais aqui! Ela ameaçou a Helena. Aline é um perigo! Não vou permitir que fique no mesmo teto que eu, Helena, tia Vitória e minhas irmãs.
A matriarca inspirou fundo e tentou fazer ar de compassiva.
— O que é isso, meu neto? Eu não vou deixar a menina lá na rua, nua. O pai dela foi quem a expulsou de casa. Ela está desamparada. Cadê o seu coração cristão?
Ele ergueu o queixo e tirou a mão do ombro dela, colocando na cintura, apertando os olhos.
— Como você é dissimulada. –Tiago falou, enojado, fazendo a avó arregalar os olhos para ele, e um sorriso surgir no rosto de todos os outros.
Ele então se virou, passando por todos, furioso, fazendo barulho ao fechar a porta com força, duas vezes.
Pedro mantinha o olhar sobre Magnólia, atento ao que Tiago disse sobre Aline ameaçar Helena. Olhou para o pai e notou que o velho tinha o olhar firme e significativo sobre ele. Magnólia deu um meio sorriso e saiu para buscar Aline.
Nem Tiago e nem Helena desceram para o jantar. O qual se deu em um completo silencio.
Magnólia cumpriu o que disse. Pegou Aline da rua e a levou para o quarto dela, onde a garota tomou banho e recebeu ordens de se manter em silencio, e às onze horas descer para o escritório, para conversar com a patroa.
Com exceção de Helena, que não sabia de nada, pois entrou no quarto e foi logo para o banheiro, se trancar lá, que tem chave, todos estavam revoltados com a insistência de Magnólia em manter Aline ali. E Pedro ainda estava preocupado, pensando em como retirar Aline dali no dia seguinte.
— Pode retirar a mesa, Leila. Pelo visto ninguém está com fome. Prepare um prato e leve...
— O Tiago nem abre a porta, Dona Magnólia.
— Eu ia dizer para a Aline.
Todos na mesa se olharam inspirando fundo. Luciane e Hércules estavam em plena campanha, e só estavam à mesa quem viu o que aconteceu naquela noite, com exceção de Fausto e Tiago.
— Aaaah – Leila respondeu com desgosto, indo pegar o prato da patroa – pode deixar, eu levo um prato com um ingrediente especial. – a empregada ignorou o olhar reprovador da patroa e foi se retirando.
Magnólia então se virou para a mesa e viu a cara de desgosto de todos. Sorriu satisfeita e se retirou.
— Mamãe está feliz. – Vitória foi a primeira a quebrar o silencio – Isso é sempre um mau agouro. – ela olhou para o irmão, que sentiu um mau pressentimento.
— Sempre... — ele concordou.
Eles então se retiraram, e Pedro foi com a sobrinha até o quarto dela, para poder esperar Luciane chegar e conversar com ela sobre um jeito de se livrarem de Aline de vez da casa, e tira-la de perto de Helena.
Onze horas da noite, Aline desceu até o escritório.
— Licença, Dona Magnólia. – ela entrou, a cara inchada e vermelha dos tapas e algumas sandalhadas que sobraram no rosto dela.
— Entra e tranque a porta, Aline. – a matriarca estava na cadeira atrás da mesa, na sua veste preta, sóbria, sorrindo amigável para a secretária, que vinha com uma camisola de seda, bege – Precisamos conversar.
A outra concordou com a cabeça e se sentou na cadeira da frente.
— Escuta, Aline. Vou falar sem rodeios. Como você sabe, sou uma mulher cristã, e não posso compactuar com atitudes que vão de encontro ao que Ele prega...
— Dona Magnólia, foi você que mandou eu ir no quarto dele, e nua.
— Sim, sim, eu sei. E depois mandei a menina ir lá para ver se ela teria a mesma atitude digna da tia, e saísse dessa casa. Fazer o que! Aquela ali tem o sangue de outro que não o Martins. Eu falo justamente da atitude dela. A violência. A humilhação que ela te fez passar. – Magnólia falava gesticulando com a mão para Aline, contraindo a face como se sentisse muito pelo sofrimento de Aline, que apenas a observava – Indignante. Uma pessoa boa como ...
— Mag, você disse que seria sem rodeios. Me diz logo como eu me livro da Helena. Com veneno de rato não deu.
Aline ergueu o queixo e cruzou os braços. Magnólia tinha a boca levemente aberta, após ter sua fala interrompida. Deixou a mão cair sobre a mesa e respirou fundo, se levantando.
— Muito bem. – ela caminhou até Aline e se apoiou na mesa, em frente a secretária, se inclinando e falando baixo para só ela escutar – Há poucas chances para você. Duvido que te deixem até depois de amanhã aqui. E hoje a porta do quarto de Helena ainda está livre. Se você quer mesmo fazer ela pagar, tem de tentar essa noite, e algo eficiente.
— Tipo?
— Bom... – Magnólia se ergueu inspirando fundo, fazendo ar de preocupada – Porque tenho sincera compaixão por você – ela se encaminhou de volta para trás da mesa e abriu uma gaveta, pegando uma faca afiada, enrolada em um pano – eu indicaria algo que desse margem a dúvida de uma legitima defesa. Se você usar uma arma – a megera voltou para a frente de Aline – poderia levantar suspeita, mas uma faca... É só dizer que ela avançou para você e no meio da briga você a acertou.
Aline olhou para o instrumento que Magnólia estendia para ela. Devia ser uma faca de cozinha, mas muito bem afiada. Ela engoliu em seco e pegou, enrolando no pano.
— E como eu faço isso? Não... nunca fiz isso.
— E nem eu! – Magnólia se ergueu, mostrando indignação – O que estou fazendo agora é única e exclusivamente por não aguentar mais ver você ser tão humilhada. – Magnólia pegou o queixo da outra e levantou, tentando ser maternal – Mas, como eu disse, a porta do quarto de Helena ainda está livre. E ela dormindo tem menos defesa.
Sorrindo, Magnólia então largou o queixo da empregada e saiu do escritório para o seu quarto, olhando de soslaio para o quarto de Helena quando passou por ali.
Aline ficou quase meia-hora no escritório, sentada, pensando no que ia fazer. A humilhação daquele dia não parava de ferver dentro dela, mas ela não era uma assassina, como faria isso? Respirando fundo, ela se levantou, fechou os olhos e colocou a mão direita nas costas, escondendo a arma, enquanto ia, pé ante pé, até o quarto de Helena, olhando para os lados do corredor, esperando não ser flagrada.
Sentindo a respiração acelerando, ela olhou para aporta da outra, levou a faca a frente e a apertou, fechando os olhos. Olhou novamente o corredor e colocou a mão direita sobre a maçaneta do quarto de Helena, pressionando devagar, abrindo sem ruído algum, e então dando um leve empurrão para poder escancara-la e ver o que tinha lá dentro. Nada. Ela abriu mais, enfiou-se no quarto. Helena não estava na cama. Ainda olhando para os lados, a procurando, ressabiada, Aline foi até o banheiro, que tinha a porta aberta e a luz apagada. Ela verificou lá dentro. Nada também.
Aline arregalou os olhos e puxou o ar. Ela devia estar acordada, e pela casa. Aline teria que enfrentar a outra sem qualquer facilidade.
Novamente, sem fazer barulho, Aline saiu do quarto e foi para a escada, se encaminhando para a sala de estar. Lá Helena também não estava. O nervosismo crescendo, Aline já com a boca seca, os batimentos do coração tão fortes que pareciam ecoar pela casa, já sem conseguir esconder a faca, que agora segurava na frente do corpo, com as duas mãos, ela foi até a cozinha.
Chegando na entrada daquela parte da casa Aline arregalou os olhos, abriu a boca e deixou a faca cair no chão, diante da cena a sua frente.
Tiago, na frente da cozinha, em pé, nu, segurava Helena, que tinha a camisola rosa de algodão caída na cintura, pelas pernas enquanto beijava o pescoço dela, que o segurava pelo ombro. Transando.
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