A sobrinha da Helô
35 Protegendo a sobrinha da Helô.
Magnólia voltava para seu quarto sentindo a torpeza do álcool aliviando a sua mente das preocupações, quase sorrindo. Estava terminando de subir a escada quando viu Aline, vindo enfurecida, ainda de camisola, cor vermelho sangue, de seda, com uma bolsa preta pendurada e usando uma rasteirinha rosa bebê. No rosto, duas grandes manchas vermelhas onde eram as sobrancelhas. A secretária parou quando viu a patroa, o choro secando no rosto.
— Aline? O que foi isso? – Magnólia falou arrastado, terminando de subir a escada.
— O que a senhora acha?
— Meu Deus, Aline... – Magnólia, foi até Aline, que estava próxima a escada agora, não conteve o riso diante da ideia de que novamente ela foi vítima de Helena e Camila – Você precisa de um guarda costas nessa casa, porque vive apanhando.
Magnólia colocou a mão esquerda sobre a boca, tentando disfarçar o riso. Aline a fuzilou com o olhar, o desprezo por Magnólia já quase maior que o por Helena e CIA.
— Não se preocupe, Dona Magnólia – Aline chegou próxima da patroa e ergueu o queixo – porquê nessa casa eu não fico mais.
Aline passou por Magnólia já colocando um pé no degrau da escada, sendo segurada pelo braço direito pela matriarca, que se virou para ela.
— Mas o que é isso? – Magnólia ficou alerta, esvaindo um pouco a torpeza do álcool.
— Isso sou eu acordando, muito tarde, é claro, mas acordando. Não vou ser fantoche de Dona Magnólia igual o Ciro foi. E de quebra ter a vida infeliz que ele teve nessa casa, como minha mãe sempre disse que ele teve. Minha única ambição aqui era o Tiago, mas ele a senhora não pode me oferecer, ninguém mais pode. Não faz o menor sentido eu sacrificar minha vida por isso!
Magnólia puxou a respiração à menção de Ciro, e então apertou os olhos para a outra.
— Que erro, Aline. Eu estou enojada comigo mesma por em algum momento ter pensado que você teria alguma serventia. Porque mais do que o desprezo pela sua burrice, vem o desprezo pela minha de achar que você faria algo de valor para mim.
— Com algo de valor você quer dizer matar alguém, não é?
Magnólia fechou os olhos e respirou fundo, sentindo uma leve náusea.
— Com algo de valor eu quero dizer qualquer coisa, menos ser boneco na mão de duas pirralhas. Sem contar a sua total falta de ambição.
— Ambição? O que eu ia conquistar matando para a senhora? – Aline soltou o braço e subiu o degrau, encarando a patroa – Magnólia, você perdeu a razão de vez? Ficou gagá, velha? Do nada começou a achar que todos são burros a sua volta! Vejam só! – Aline então apertou os olhos e cruzou os braços – Você quer ver minha ambição, Magnólia? Pois lá vai! De inicio, vinte mil reais, para eu passar um mês tranquila em um hotel, ou spa, e depois dez mil reais por mês, até a fábrica voltar a dar lucro, quando passará a me pagar cinquenta mil reais. Isso tudo unicamente para eu não contar para todo mundo as suas armações.
— Você está louca, ou é muito mais burra do que pensei. – Magnólia falou dando um passo para trás e erguendo as mãos, gesticulando, baixando a cabeça para a escada.
— Hahaha – Aline riu alto – Burra, eu? Pensa que fui recebendo as suas ordens sem me precaver, é? Eu guardei o veneno de rato que a senhora me deu. Tem as suas digitais no frasco. Na faca que me deu para matar a Helena, também... – Aline blefou, sorrindo e então o sorriso morreu ao notar que Magnólia também sorria.
A matriarca piscou os olhos para ela, fingindo compaixão, esfregou as mãos pelos braços de Aline, que a olhou franzindo o cenho e abrindo bem os olhos. Magnólia olhou para baixo balançando a cabeça negativamente e então apertou as mãos nos braços de Aline e colocou toda a sua força no movimento para empurrar a secretária pela escada, que, surpresa, apenas conseguiu dizer assustada “O que...?” e rolou pela escada apertada, batendo a cabeça nas laterais, o corpo se projetando sobre si mesmo e parando três degraus antes do fim, dobrada entre as grades, o rosto parado na direção de Magnólia, desacordada, sangue escorrendo pelo nariz.
Magnólia, se recuperando depois de quase cair junto ao se desequilibrar com o movimento, olhou para os lados e para trás, tentando ver se alguém a vira, ou vinha. Não notando qualquer movimento, começou a descer a escada, rindo, movendo o corpo corpulento na sua camisola preta, degrau por degrau, a mão esquerda no corrimão.
— Burra, porque ameaçou alguém que sabe que é perigosa, no alto de uma escada. – Magnólia alcançou o corpo de Aline, colocou o pé direito sobre o abdômen dela e o empurrou para que terminasse o caminho, alcançando o chão – Mas o que esperar de uma principiante. – Magnólia a observou para ver se respirava, mas o cabelo sobre o rosto dela não se mexia. Olhou para os lados colocando a mão direita sobre o peito, pensando no que faria, mas então notou que vinha alguém no alto da escada e se dirigiu para a cozinha, onde pegou um copo de agua e esperou o momento para se mostrar.
Foi nessa hora que Camila apareceu no alto da escada, percebendo uma sombra indo pelo corredor da cozinha e se deparando com o corpo de Aline no chão. Camila havia notado que a secretária, depois de descobrir a traquinagem dela e Helena, tinha voltado ao quarto e saído, irritada. Esperou um instante antes de se arriscar a descer para o seu quarto, indo pé ante pé para não ser percebida.
Ao ver a outra no chão, parecendo morta, apenas com uma rasteira em um dos pés, e a bolsa enrolada no pescoço, Camila gritou de horror, e então desceu a escada, começando a gritar por ajuda o mais alto que podia, indo se ajoelhar perto de Aline.
Pedro foi o primeiro a aparecer, após acordar de um pulo ele correu do seu quarto para a escada, soltando um “Ai meu Deus” diante da sobrinha no pé da escada perto do corpo de Aline. Atrás dele, andando meio atrapalhada, veio Vitória, que parou no alto da escada, escorregando pela grade, com a mão direita na boca diante da cena. Logo então veio Tiago e Helena, assustados. Ele só de short cinza e ela com a camiseta dele, o cabelo ainda por dentro da roupa.
Tiago parou logo junto a tia, no chão, e Helena foi até Pedro e Camila, parando no ultimo degrau com a mão direita sobre a boca, vendo Aline ali. Ela engoliu em seco e olhou apavorada para Tiago, sentindo algo como culpa. Ele abraçava a tia pelo pescoço, que começava a chorar, e beijava o alto da sua cabeça, respondendo o olhar de Helena com um balançar de cabeça, negando qualquer pensamento de culpa que ela pudesse ter.
Então chegou Magnólia. Logo atrás dela, veio, correndo, o enfermeiro de Fausto, parando diante do corpo.
— Meu Deus. – Magnólia falou alto, deixando um copo de vidro cheio pela metade com agua, cair no chão, quicando, chamando a atenção de todos, calando até Camila e Pedro, a primeira chorando assustada e o segundo tentando acalmar ela, enquanto observava o enfermeiro verificar o corpo – Camila – Magnólia olhou para a neta com afetado terror – o que você fez...?
Todos olharam Magnólia por um instante confusos, e então para Camila, se compadecendo diante do horror da mesma com a insinuação, ela balançando a cabeça fazendo que não, desesperada.
— Quando eu cheguei ela já tava assim, tio. – ela tentou se justificar, Pedro concordando com a cabeça e a abraçando para conforta-la, fuzilando Magnólia com o olhar.
Vitória olhava para a cena enojada. Dentro dela uma certeza crescendo, junto com o desprezo e mais medo daquela mulher que ela já chamou de mãe.
— Camila nunca teria coragem de fazer isso, e você sabe, Magnólia. – Vitória enxugou as lágrimas aumentando a voz e defendendo a sobrinha.
— Há muito tempo que Camila vem mostrando que pode fazer coisas que não imaginávamos que seria capaz. – a avó ergueu o queixo para o olhar perturbado da neta – Mas se não foi ela, só nos resta... – Magnólia olhou para Helena, acusadora, queixo erguido.
Mas ao contrário do olhar perturbado como de Camila, viu os olhos apertados e desafiadores de quem já tinha suas próprias suspeitas sobre Magnólia. Tiago se levantou e foi até Helena, rápido, Pedro fuzilando Magnólia com o olhar.
— A senhora está passando dos limites. Nem Camila e nem Helena seriam capazes de fazer isso.
— Pelo amor de Deus, Tiago! – Magnólia se enfezou – Defender a sua irmã até vai, conhece ela desde pequeno, mas não faz o menor sentido defender essa aí que só conhece há algumas semanas! O que sabemos dela?
— Eu sei o suficiente. Ela nunca faria isso. – ele passou o braço sobre os ombros dela a puxando para ele, erguendo o queixo para a avó – Além do que, Helena estava comigo quando isso aconteceu. Nós vimos Aline sair inteira do meu quarto e depois já ouvimos o grito de Camila.
Magnólia engoliu o ódio crescendo nela, notando então a vestimenta dos dois com a declaração de Tiago. Para todos os outros, algo mais que natural que os dois estivessem juntos no quarto dele.
Atrás da matriarca chegou então Luciane, que calou um grito colocando a mão esquerda na boca, puxando Hercules com a mão direita, o qual tinha a feição de perplexidade.
— O que está acontecendo. – ele perguntou para Pedro.
— Não é hora para desvendar mais esse mistério dessa casa – ele falou olhando para Magnólia, significativo, deixando a sobrinha, um pouco em choque ainda, de lado – agora precisamos ver o que dá para fazer pela garota.
— Chamar uma ambulância com a máxima urgência seria muito bom.
Eles receberam a noticia do enfermeiro voltando a se assustar. Aline ainda estava viva.
— Ela tá viva? – Magnólia quase gritou, dando a Vitória um leve sabor de prazer com a cara assustada da mãe – Mas co...graças a Deus. – Magnólia notou o olhar de Helena e Pedro, a primeira com um meio sorriso, os olhos apertados, o outro com olhar penetrante – Ele não ia deixar isso acontecer com essa família. Não mais isso!
— É, Dona Magnólia. Deus finalmente voltando os olhos para essa família. Jogo tá virando. – falou Luciane, ameaçadora, Hercules fazendo “shhh” no seu ouvido.
Todos na sala, salvo Tiago, tinham na mente a mesma conclusão sobre o que teria acontecido a Aline. Não sabiam a razão, apenas.
Tiago, então, fora rapidamente pegar o telefone para chamar a ambulância, deixando Helena ali, olhando para a avó, os braços cruzados.
— Bom, enquanto vocês chamam a ambulância, eu vou ver o seu Fausto, que deve ter acordado e está assustado.
Pedro agradeceu e pegou Camila pelo ombro, a erguendo e abraçando.
— Vai ficar tudo bem. – ele falou para a sobrinha, que estava mais aliviada.
O enfermeiro parou diante de Vitória, que pediu para ajuda-la a ir ao quarto, e a levou.
— Bom, acho que não tem muito o que fazermos aqui. – Hercules falou, olhando para todos, Magnólia apertava as mãos – Camila, vem – ele ergueu o braço na direção da filha – a Luciane passa a noite com você.
Luciane foi até a enteada e estendeu o braço para a outra que a abraçou começando a chorar mais. Tiago voltou, com o telefone na mão.
— Estão a caminho.
Helena mantinha o olhar sobre Magnólia, que fingia não nota-la.
— Eu acompanho ela até o hospital. – disse a avó de Tiago.
— Só familiares podem ir com ela na ambulancia. – Helena respondeu rápido.
— Neste caso – Magnólia encarou a sobrinha da Helô – eu vou até o hospital, ficar com ela, ver o que posso fazer.
— Não se preocupa, Magnólia, ela é filha da Yara, e do Misael, eu aviso eles e fico lá no hospital até chegarem. – disse Pedro, com as mãos na cintura a observando.
Magnólia olhou de Pedro para Helena, e então para Tiago, que seguia atento até Helena, a abraçando e beijando a testa. A megera ergueu a cabeça para cima, respirando fundo, produzindo lágrimas, fazendo drama.
— A menina estava sob minha responsabilidade, olha o que aconteceu. Olha o que fiz com ela ao deixa-la desprotegida.
Só Tiago se condoeu da cena, deixando Helena para ir até a vó, abraça-la, tentando acalmar ela.
— Vó, ela caiu da escada. Não é um acidente doméstico tão incomum. Você não tinha como prever. — Magnólia o olhou agradecida, o abraçando – Meu neto, você é o único que tem alguma palavra de carinho para mim, sempre sensível a minha dor.
Helena revirou os olhos. Pedro expirou, irritado.
Tiago a abraçou por alguns minutos, enquanto Helena e Pedro apenas cruzavam os braços e olhavam de Aline para Magnólia, torcendo para a menina sobreviver e contar toda a história. O barulho da ambulância começou a ser ouvido, alertando Magnolia, que afastou o neto.
— Bom, com ou sem a família dela lá, eu vou até o hospital. Não conseguiria dormir sem noticias.
Tiago a olhou subir a escada, para se arrumar, passando sem nem mesmo olhar Aline. Helena e Pedro de braços cruzados e olhar de desprezo para ele, a sobrancelha esquerda erguida. Ele então notou algo e franziu a testa.
— Já perceberam que vocês tem os olhos parecidos? – os dois se olharam franzindo a testa e voltaram a olhar Tiago.
— Tudo bem, Tiago. – Pedro desistiu de tentar abrir os olhos do sobrinho – Pode ir, vai dormir que eu cuido de tudo. – Tiago respirou fundo e concordou indo até Helena – Ah, e leva Helena pro seu quarto. Ao menos lá tem chave e contigo perto eu duvido que alguém se atreva a fazer qualquer coisa.
— Não preciso de...
— Helena! – Pedro se virou para ela, a olhando firme e fazendo Tiago erguer as sobrancelhas, já com o braço sobre o ombro dela.
— Melhor irmos. – ele falou no ouvido dela e subiu, a beijando no alto da cabeça.
Passaram pela porta do quarto de Fausto. Tiago parou para ver como ele estava. O velho parecia dormir. Ele saiu e então foi até o quarto da tia, de onde o enfermeiro saiu, fechando a porta atrás de si.
— Melhor não entrar, dei o calmante que o médico já tinha receitado antes. Mas amanhã é bom ele vir dar uma olhada nela. Eu já mediquei o seu avô também.
Tiago agradeceu o enfermeiro e voltou até Helena, a levando ao quarto. Eles respiraram fundo quando Tiago trancou a porta, Helena mais a frente, as mãos na cabeça, dedos enfiados na raiz dos cabelos, tentando assimilar tudo. Ele apertou os lábios e se aproximou dela, a abraçando por trás, beijando o seu ombro.
— Não precisa se preocupar, vai ficar tudo bem.
— Isso você não sabe, Tiago.
— É – ele apoiou o queixo no ombro dela – mas o que podíamos fazer foi feito. É como minha vó diz, tem que ter fé agora.
Helena se irritou e se desvencilhou dele, indo até a cama, procurando a parte de cima do seu pijama.
— O que você está fazendo?
Ela respirou fundo, não sabia como dizer que não podia nem olhar para a cara dele depois de ver ele caindo no papo da avozinha dele.
— Tiago...olha, eu...vou pro meu quarto.
— Não, não mesmo. – ele foi até ela, puxando o braço direito dela, a fazendo o encarar – Tio Pedro me deu ordens especificas. – ele deu um meio sorriso – E... você já ia passar a noite aqui mesmo, qual o problema?
Ela olhou ele nos olhos, tentando perceber se ele realmente não notara o problema, se de fato Tiago não percebia o quão perigosa era a sua avó. Mas já sabia que não ia encontrar nada. Ele via a avó como a mãe que o criou quando a verdadeira morreu. Helena só teve coragem de suspirar e abraça-lo, fechando os olhos, imaginando o quanto ele ia sofrer quando descobrisse sobre a avó.
Ele pegou o rosto dela pelas mãos, a fazendo encara-lo, e beijou os lábios dela, com doçura, a fazendo fechar os olhos, provando aquela sensação familiar vindo do estomago.
— Vem, bandida. Essa noite eu sou seu guarda-costas. – ele abriu os olhos e sorriu, colocando o cabelo dela para trás da orelha esquerda, voltando então o rosto até encostarem os narizes, a fazendo suspirar.
— Você sabe que se aparecer um cara armado naquela porta é muito mais fácil eu derrubar ele do que você, né?
Ele riu, jogando a cabeça para trás, a observando com os olhos quase fechados.
— Tá certo. Eu não sou o cara mais preparado para te proteger, mas garanto que morreria tentando.
Tiago disse a ultima parte levando a mão ao queixo dela, brincando com o polegar ali, suspirando e levantando os olhos, a mirando, notando o olhar sério dela, que prendia a respiração. Helena fechou os olhos e puxou o ar enquanto puxava o rosto dele para um beijo cheio de sentimento, passando os braços ao redor do pescoço dele enquanto soltava o ar e gemia.
Quando parou o beijo, Tiago a beijou na bochecha do lado esquerdo e desceu até o ombro, enquanto os braços a cercavam pela cintura, e ele começara a andar com ela, a levando até a cama, esbarrando na beirada e fazendo os dois caírem nela, rindo.
— Pronto! Te coloquei na cama, como ele pediu.
— Agora é só passar o resto da noite sem confusão. – ela sorriu para ele, passando a mão direita no rosto dele.
Tiago sentiu a mão dela e virou o rosto para beija-la, indo então se ajeitar na cama, os dois deitando enquanto ele puxava um lençol sobre eles, virados de lado, sob o lençol, ela de costas, ele passando os braços pela cintura de Helena, a trazendo para ele enquanto beijava o rosto dela, puxando o ar, os olhos fechados.
— Pronto, agora você tá bem protegida.
Tiago falou beijando pescoço e ombro dela, a puxando o máximo que pôde para si, fazendo Helena sorrir, realmente se sentindo protegida. Os dois dormiram.
Pedro e Magnólia chegaram juntos na manhã seguinte, bem cedo. Ele não permitiu que ela ficasse no hospital sem ele. E recomendou a Misael e família não deixar ela sozinha em nenhum momento, nem mesmo com enfermeiros ou médicos e muito menos com Magnólia, mostrando claramente o que pensava do acidente. Pouco antes de ir embora, Heloisa tinha chego para consolar a amiga.
— Oi. – ela disse parando diante dele, contida, olhando para baixo.
— Oi. – ele respondeu também olhando para baixo e respirando fundo.
— Como vãos as coisas? – os dois falaram juntos e então sorriram.
— Pelo visto vão péssimas para você. – Pedro falou a observando, quando pararam de rir.
— É... – ela olhou para si e suspirou – Tem sido uma luta diária...
Pedro sentiu que ela ia desabar, e a abraçou, deixando ela chorar.
— Helô, eu quero te ajudar, me diz como.
— Não tem como. – ela falou, a voz abafada com o rosto no peito dele – Não tem. – ela afastou o corpo, tentando enxugar as lágrimas.
— O que está acontecendo? – ele falou ajudando a enxugar o rosto dela com a mão direita.
Ela fechou os olhos sentindo o toque e fungou. Então levantou o olhar para ele.
— A Leticia. – ela segurou o choro olhando para o lado, desviando o olhar dele – A doença voltou. – as lágrimas voltando a correr, a voz dela embargando – E ela se nega a fazer tratamento. Eu e Bruno... a gente tenta, mas é ...o Tião, Pedro, ele parece que quer ver ela cada vez pior, e ela aceita. Ele atormenta. Sem ele em casa nós conseguimos fazer ela lutar, mas é ele chegar...eu não... aguento...
Ele a puxou de novo para um abraço, entendendo a aflição dela nas ultimas semanas, e a relação de Bruno com aquela casa. Ele a afastou para dizer algo, mas percebeu Yara se aproximando. Helô tentou secar os olhos rapidamente, não era momento para trazer a sua aflição para a amiga, que estava péssima. Ela foi até Yara e a abraçou, a reconfortando, enquanto ela chorava.
Pedro olhou ao redor e suspirou, colocando as mãos na cintura. Ficaram ali quase meia-hora, quando o médico veio com Misael, e Magnólia, logo atrás, informar que a cirurgia parecia ter sido um sucesso, mas que ela ainda estava inconsciente, e a deixariam na UTI em observação por um tempo. Yara abraçou Misael quando o médico disse que ela poderia ficar tetraplégica, além de outras sequelas. Heloisa se condoía pela amiga, sendo então abraçada por Pedro. Apenas Magnólia destoava do sofrimento na sala, mantendo uma feição de compadecimento, consternação, mas não de sofrimento.
— Bom, acho que não podemos fazer mais nada. – Magnólia disse, aliviada que por enquanto ela não falaria nada, ao menos – Melhor irmos. – ela olhou para Pedro que a ignorava.
Ela saiu, e eles ficaram ali mais uns minutos.
— Eu preciso ir. Não gosto da ideia dessa mulher sozinha na mesma casa que meu pai.
Os outros concordaram.
— Pedro. – Heloisa o puxou quando já ia mais a frente, se afastando dos outros – Helena está bem?
Ele sorriu para ela.
— Sim. Eu e Tiago estamos cuidando dela.
— Ah. – ela sorriu, ainda segurando a mão dele entre as mãos, olhando então para ela – Eu estava lembrando esses dias em Paraty, nós três.
Pedro olhava para a própria mão. Apertou os lábios e suspirou.
— Eu falo com ela, daí te aviso.
Heloisa levantou o olhar feliz para ele. Pedro pegou o rosto dela com a mão direita e a puxou para um beijo no rosto, a fazendo encabular achando que seria outro tipo de beijo.
— Fica bem. – ele se despediu e a deixou ali.
Pedro chegou em casa e foi ver o pai. Ele ainda estava sedado. Foi então até o quarto, tentar descansar.
Helena foi acordando, sorrindo, com beijos de Tiago na bochecha e pescoço, enquanto ele a observava e sorria de volta, a virando de para cima, para se debruçar sobre ela e beijar no outro lado as bochechas e pescoço.
— Dorminhoca, mesmo. – ele falou entre os beijos, levantando a cabeça e a observando, a boca entreaberta a provocando – Mas tão cheirosa. – ele voltava a beijar, causando arrepios com alguns que desciam para o ombro.
— Huuum, eu espero que não tenha me acordado cedo. – ela tentava parecer brava, mas os risinhos com as carícias dele não ajudavam.
— Dez horas da manhã, princesa.
Ele então parou com os beijos a fazendo abrir os olhos de vez e o procurar, o vendo do lado esquerdo dela, de lado, erguido sobre o cotovelo esquerdo, cabeça ali escorada, a observando com um daqueles sorrisos calorosos, com os olhos brilhando e pequenos na direção dela.
— Ah, eu prefiro bandida. – ela reclamou, ele riu e se jogou para frente roubando um beijo, voltando para a posição anterior, a observando se espreguiçar – Tá acordado faz tempo?
— Não muito. – ele mentiu, acordara fazia uma hora, mas não queria atrapalhar o sono dela, que no meio da noite pareceu agitado, com ela se mexendo e murmurando nomes – Mas valeu a pena, fiquei aqui te olhando. Você dormindo quase nem dá medo.
— Poxa, vida. – ela jogou os braços para o pescoço dele o puxando para ela, Tiago aproveitou e deitou o corpo dele sobre o corpo dela, a boca na altura do queixo de Helena, que ele mordeu a olhando safado – Perco quase todo o meu charme, então.
— Que nada – ele puxou com a mão esquerda a gola da camiseta para o lado, permitindo que beijasse da pele do ombro sob a veste – fica ainda mais linda.
— Ah, então eu dormindo sou mais linda que acordada?
Tiago levantou a cabeça para ela, rindo, puxando o lábio inferior e o molhando, então abrindo a boca, a língua já exposta indo até a boca de Helena, dando um beijo ávido, os dois gemendo baixo, ela subindo as mãos para o cabelo dele, puxando, ele descendo as mãos até a barra da camiseta e subindo sob ela com a mão esquerda, alcançando o seio que ele começou a apertar, provocando ondas de prazer em Helena, a fazendo gemer mais.
Ele então saiu do beijo e desceu a boca pelo corpo dela, beijando-o sob a camiseta.
— Tiago?
— Hum?
— O que você quer?
— Eu quero você. – ele falou a boca descendo pelo ventre dela, a voz grave.
Então ele puxou a camiseta para cima, com uma mão, revelando o ventre dela que ele passou a beijar, passando o lábio molhado e quente, fazendo Helena prender a respiração, ainda sorrindo. Tiago empurrou a camiseta um pouco mais pra cima, revelando os seios, segurando-a pela cintura com o braço direito, passou a mão esquerda entre os seios dela, sentindo a pele dela, observando ela arrepiando com o toque e os seios começando a enrijecer, sorriu.
— Toda minha.
Helena riu.
— Tiago? – ela falou pouco antes de ele descer novamente os lábios sobre ela, agora na altura do peito, indo até o seio esquerdo, mantendo a mão esquerda no outro, ele começou a passar a ponta da língua por ele, com movimentos que fizeram ela puxar o ar e arquear o corpo, até que ele abriu a boca e passou a sugar o seio, a fazendo soltar o ar e gemer – Tiago – ela engoliu em seco – a sua família não acordou ainda?
Ele estava concentrado e Helena não tinha certeza se queria puxar ele para ter a atenção dele. Mas teve que fazer. Com as mãos puxou ele pelo cabelo para olha-la.
— Não vão nos ouvir?
Tiago tinha os olhos brilhando, cheios de desejo, já sem muito controle, ele sorriu.
— Não ouvi nada desde cedo. – ele subiu o corpo mais acima, e começou a puxar a camiseta dela por sobre a cabeça dela, com as mãos – E não tem ninguém nos quartos ao lado. Não vão nos ouvir.
Ele jogou a camiseta para longe, descendo então as mãos pelo corpo dela, possessivo, descendo a boca para o pescoço, sugando um ponto, Helena sentindo a pele dele sobre a dela. Tiago desceu os lábios e dessa vez foi de encontro ao seio direito, com a mesma devoção.
— Tiago...? – ela tentava resistir – São dez horas da man... – a frase morreu na garganta com uma onda de prazer que a fez abrir a boca e gemer alto, Tiago passara a mão esquerda por baixo da coxa direita dela, subindo até alcança-la entre as pernas.
— Hum... – ele exalou ar, ainda sob o seio dela, passando a língua – eu tenho certeza que é meia-noite em algum lugar. – a mão esquerda veio então para frente, descendo para dentro do short e calcinha de Helena, movendo os dedos e a fazendo abrir a boca e subir os dedos para o alto da cabeça, gemendo – Relaxa, Helena.
A respiração já difícil, sem qualquer controle do próprio desejo, Helena sorriu sentindo as carícias. Tiago cada vez mais dedicado, a boca agora voltando para o pescoço dela, mordendo o maxilar, encontrando a boca aberta dela, invadindo e a beijando com urgência, sendo recebido com urgência, Helena mordendo os seus lábios. Ela então o jogou de lado montando sobre ele.
Tiago sorriu, a boca entreaberta, a língua passeando pelo lábio inferior. As mãos foram até os seios dela, apertando, a fazendo jogar a cabeça para trás, e então desceram até o short, que ele puxou, trazendo as pernas dela para frente, arrancando o resto da roupa dela. Ela estava livre para ele, voltando a montar sobre ele, Tiago desceu as mãos ate o quadril dela, Helena indo para frente e o beijando, mexendo o quadril, sentindo ele crescer sob o short. Mordendo o lábio inferior dele e puxando, Helena parou o beijo e começou a descer a boca pelo pescoço de Tiago, beijando e passando a língua quente, as mãos dele subindo pelas costas dela. Helena foi descendo com os beijos pelo tronco dele, ora passando a língua, ora sugando, mexendo o quadril para frente e para trás, o excitando, enquanto ela subia a boca até a orelha dele e mordia, o fazendo gemer. Ela sorriu e subiu os lábios o beijando, sendo correspondida avidamente. Tiago a abraçou, trazendo o corpo dela colado no dele, inclinando a cabeça para permitir aprofundar mais o beijo, puxando o ar. Os dois pararam o beijo, arfando. Helena desceu o corpo e tirou com as mãos o short dele, o liberando, montando sobre o inicio das coxas dele, Helena começou com a mão direita a excita-lo, o observando, mordendo os lábios. Ela então apoiou a mão esquerda para trás, no colchão, e começou movimentos com o quadril para frente e para trás, o erguendo friccionando o corpo dela no dele, que juntamente com a mão fez Tiago abrir a boca e apertar o lençol com as mãos, voltando a olha-la sedento, observando ela o provocando. Já se sentindo pronto ele ergueu o tronco e a puxou pelo cabelo a trazendo para um beijo enquanto ficava de joelho e a obrigava a se erguer também.
Ele afastou o corpo e a virou de costas, jogando de bruços sobre a cama, colocando os joelhos do lado dos joelhos dela, Helena rindo, ele mandou.
— Empina.
Helena puxou o corpo para trás, apoiando os antebraços sobre a cama, virando a cabeça para a direita, olhando para ele, que tinha a cara de safado, e ergueu o quadril, que ele pegou possessivo com as mãos, e começou a penetra-la, os dois puxando o ar e prendendo, soltando só quando Tiago começou a se movimentar, novas ondas de prazer fazendo ela apertar o lençol e abrir a boca, fechando os olhos.
Tiago a penetrou por completo e desceu a mão esquerda pelas costas dela indo puxar o cabelo de Helena a fazendo erguer a cabeça o olhando, ele sorriu, se inclinou para frente e começou a se movimentar para os lados e para cima, movimentos em losango, a fazendo abrir mais a boca e passar a língua pelo lábio superior, sentindo a boca seca, soltando um gemido que não queria ter saído tão alto. Tiago gostou e começou a aumentar o movimento, a mão direita ainda sobre o quadril dela, pedindo para ela o acompanhar. O que ela fez, mexendo também o quadril, acompanhando o movimento dele, Helena foi sentindo ele dentro dela dando mais prazer, Tiago, se inclinando mais para frente, gemendo já quase perto do ouvido dela, a mão descendo do quadril para o ventre de Helena, a abraçando, acelerando os movimentos, ele chegou os lábios perto do rosto dela, Helena ergueu o rosto e o beijou, sentindo ele começar um vai e vem, primeiro devagar e então acelerando.
— Vai. – ela o liberou, os dois com os lábios se encostando, a boca aberta, os olhos fechados – Mais forte.
Helena então pediu e Tiago abriu os olhos a observando ali na frente dele, de olhos fechados e boca aberta para ele, começou movimentos mais longos e rápidos a fazendo apertar os olhos sentindo ondas de prazer mais intensas, o ápice chegando. Ele então se inclinou mais sobre ela, a abraçando e mordendo o ombro dela, ele acelerou, movimentos fortes, Helena gemendo mais alto, ele também, o ápice vindo para os dois, ele foi acelerando, encostando a testa nas costas dela, chegando no ápice junto com Helena, um chamando o nome do outro, gemendo alto.
Eles ficaram ainda alguns segundos sentindo as sensações e espasmos pelo corpo, e então relaxando, Helena abaixando o quadril, exausta e com um sorriso satisfeito no rosto, pousado sobre a mão direita, olhando para Tiago, deitado sobre ela, os olhos pequenos. Ambos sem folego e suados. Tiago sorriu para ela de volta e aproximou os lábios, a beijando levemente, uma, duas, três vezes, suspirou.
— Espero mesmo que não tenha ninguém nos quartos próximos.
— Não se preocupa. – ele cheirou o cabelo dela na altura do pescoço – A gente pode até tomar nosso banho tranquilos.
Ela riu com ele já planejando o banho.
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