A sobrinha da Helô

29 Não dormindo com a Sobrinha da Helô


— Alô, Magnólia? –Tião finalmente conseguiu ser atendido por ela.

— Tião? – ela atendeu com a voz arrastada, estava no escritório tomando uísque desde o jantar, vendo fotos e documentos, pensando em como as coisas iriam agora sem Ciro – Isso são horas? Já é mais de uma da madrugada.

— E ainda assim você está acordada.

— E quem consegue dormir com o sofrimento do desaparecimento de um ente querido? – ela tentou falar animada, mas bebeu outro gole de uísque.

— De fato, é triste. Eu soube do desaparecimento de Ciro. Acredite, me pegou de surpresa.

— Ah sim. A todos nós. – ela respondeu revirando os olhos, diante da falsidade daquele que ela acreditava ser o responsável pelo sumiço de Ciro.

— Espero que logo o encontrem. São e salvo! – Tião provocou, imaginando que ela sabia que isso não aconteceria, já que ela seria a responsável pela morte do cunhado.

— É como sempre digo: está nas mãos de Deus. – ela tomou o ultimo gole do copo, ignorando a provocação – Mas fale. Só me ligou para transmitir seus sentimentos?

— Não, minha querida. Estou ligando porque acabo de receber a resposta positiva para o nosso plano de eliminar a sobrinha da minha esposa.

— Ah é? – Magnólia se animou – Pois já não era sem tempo. Tiago e ela perderam totalmente a vergonha nessa casa. Onde um está o outro também está, e onde os dois estão...

— Mas esse seu neto, eim Magnólia! Por favor, não tem o mínimo de controle naquelas calças.

— Agradeça isso. Se não ele nunca teria começado a namorar a sua filha.

Ele suspirou.

— Está certo. Eu vou te passar a data em que vai acontecer tudo. Tenho inclusive o evento propício para deixar a casa livre para o plano. Vai ser uma grande noite em que Helena Martins vai sumir da vida de Tiago, e Leticia Bezerra ressurgir. – ele sorria, enquanto Magnólia revirava os olhos com o tom afetado dele – Mas é claro, dessa vez, pelo tamanho da empreitada, você vai ter que sujar as mãos?

— Como é que é?

— Magnólia, eu não tenho como fazer isso sozinho. Principalmente no que diz respeito a deixar Helena sozinha e vulnerável na sua casa. Além de algum apoio de material e pessoal. Sem você, temo que a sobrinha da Helô vai em breve ser a nora do seu filho, e sua neta!

Ele riu imaginando o efeito no outro lado da linha. Dessa vez ele teria o gosto de a atormentar diretamente. De quebra ainda colocaria as digitais dela na morte da Helena, e do Fausto, sem ela nem mesmo perceber. Quem sabe, se o plano na sabotagem de Pedro desse certo, ele não conseguiria ainda acabar em breve com a raça de todos?

Magnólia apenas o ouviu calada, anotando o dia e o que ela teria que conseguir. Desligou o telefone e pegou outro litro de uísque. Não estava gostando do rumo das coisas.

Tiago sentia o cansaço tomando conta do corpo dele, mas não conseguia dormir. Estava agora com a cabeça sob o ombro esquerdo de Helena, virado para ela, a mão direita sentindo a pele da coxa esquerda dela, que ela pousava sobre as pernas dele, enquanto a mão esquerda ele mantinha presa na mão direita dela, deitadas sobre o peito dela. Os dois olhando os dedos entrelaçados, a mão esquerda de Helena fazendo cafuné na nuca de Tiago. Ele suspirou. Helena ergueu um pouco a cabeça para olhar o rosto dele.

— Eu só espero não estar mancando de uma perna amanhã. — ela sorriu.

Ele riu, beijando a pele dela. Ela novamente o olhou.

— Já disseram que você tem olheiras lindas?

— Ah é? Gostou? – ele falou olhando para ela – Não conseguiria sem você. – ele completou apertando a coxa dela, a fazendo morder o lábio inferior.

— Eu?

— Sim. Você! Me tirando o sono. – ele disse subindo mais a mão e jogando a cabeça para trás para tentar beijar a mão dela que fazia cafuné nele.

— Mas é um porquinho mimizento mesmo. – ela ria, então olhou para o teto passando a mão pelo rosto dele, sentindo Tiago subir mais a mão e começar a virar o corpo para ela – Vem cá.

Helena se levantou num salto o deixando confuso, pouco antes de ele tentar beijar ela no pescoço. Ela deu a volta na cama e começou a puxar os lençóis, o jogando para fora da cama, em pé e com as mãos na cintura, a olhando. Voltou até ele e o foi empurrando e jogando na cama. Tiago caiu rindo. E, vendo ela se inclinar sobre ele para pegar um travesseiro, passou o braço direito pela cintura dela, a trazendo para ele e a derrubando na cama, beijando o queixo dela.

— Que isso? – ele perguntou rindo e dando beijinhos no queixo e descendo pelo pescoço.

— Você não tá reclamando que não te deixo dormir? Pois bem, vou te colocar para dormir.

Ela colocou os joelhos sobre a cama, ao redor dele, e com os braços o afastou e começou a tentar empurra-lo até a cabeça pousar no travesseiro. Tiago riu e então colaborou se virando e indo se deitar, jogando o corpo na cama, colocando as mãos no peito e a olhando maroto.

— Assim tá bom?

— Isso! Bonitinho. – ela ria, enquanto pegava o lençol e jogava sobre ele, indo então até a beirada da cama, colocando o joelho direito ali e se inclinando para beijar ele na testa, o deixando com os lábios esticados, no vácuo – Agora dorme neném.

Ela deu as costas para sair mas ele pulou e a agarrou com os braços pela cintura a puxando para a cama com ele, a fazendo gritar e rir.

— Sai! – ela tentava dar tapinhas nos braços dele, deitada de costas sobre Tiago, e rindo – Você tem que dormir.

— Ah é? – ele falou no ouvido dela, ainda a segurando, um sorriso aberto, apertando os dentes e os olhos quase fechados.

— É!

— E como é que vou dormir sem uma historinha? Pode fazer serviço completo.

Ela, ainda rindo, se soltou dele e se virou sobre Tiago, sentando sobre ele, ainda coberto parcialmente pelo lençol.

— Tu quer história, é? – ele, erguendo as sobrancelhas, mexia a cabeça concordando, as mãos já levantadas se preparando para agarra-la, puxando os lábios e os molhando – Então tá. Lá vai. – ele riu e resolveu colocar as mãos embaixo da cabeça, a observando, desinibida, pensando em uma história para ele – O nome do livro é, Kama Sutra... – ela sorriu vendo ele jogar a cabeça para trás, rindo, e trazendo as mãos para frente, a pegando pela cintura para jogar no lado esquerdo dele na cama, já ficando sobre ela, com as mãos sobre o colchão, a envolvendo, beijando ela no lado esquerdo do pescoço.

— Viu? Sabia que isso de história não ia funcionar. Tá mais agitado! – ela se divertia, mas Tiago já descia as mãos até o quadril dela – Nããão. – ela o segurou pelos braços e o afastou – Você está cansado, lembra?

Collide – Howie Day

Ele a olhava com a língua quase saindo da boca, um sorriso safado, balançando a cabeça negativamente.

— Eu estou bem acordado.

— Com essas olheiras? Não mesmo! Pode ir dormir. – ela erguia as sobrancelhas para ele.

— Elas aguentam. – ele falou, se erguendo e pegando as mãos dela com as mãos dele, as baixando, para voltar a se inclinar sobre ela, se apoiando com as mãos no colchão, a rodeando.

Helena prendeu a respiração, ele a olhava daquele jeito intenso, que fazia ela esquecer de respirar, os olhos brilhando, o rosto já mais sério, a fazendo sentir uma sensação estranha passando pelo ventre, subindo pelo estomago e se alojando na garganta.

Ele aproximou os lábios dela, devagar, observando a reação de Helena, que tinha os olhos perdidos entre os olhos e os lábios de Tiago. Assim que ele chegou próximo para beija-la, Helena ergueu a cabeça e puxou o lábio inferior dele, mordendo, o fazendo sorrir enquanto fechava os olhos e a beijava, demorado, os dois puxando o ar. Helena trouxe as mãos para o rosto dele, segurando enquanto ele inclinava a cabeça, para abrir mais a boca aprofundando o beijo, a respiração já difícil.

Tiago então passou os braços para as costas dela, a abraçando, se erguendo sobre os joelhos na cama e a trazendo para ele. Os dois se beijavam ajoelhados na cama, separados pelo lençol. Tiago começou a puxar a roupa de cama para longe, liberando novamente a pele deles, os fazendo gemer. Ela se afastou sem folego.

— Você não vai mesmo dormir, né? – ela disse o olhando e mordendo o lábio inferior, já sentindo as mãos dele descendo até o quadril dela, a puxando para ele.

— Só depois que você terminar a história.

Ele sorriu para ela, e se abaixou para beijar a curva do pescoço dela, enquanto permitia que as mãos descessem pelas coxas de Helena, a fazendo puxar o ar, sentindo as mãos dele subindo, e a boca descendo.

Ela tinha as mãos nas costas dele, arranhando, sentindo ele se apossando, com a boca, do seio esquerdo, a mão esquerda passando para as costas dela, e a direita vindo até o ventre, para descer em direção da coxa direita de Helena, que começou a massagear. Ela prendeu a respiração quando ele subiu a mão direita, alcançando um ponto e trabalhando nele, enquanto sentia ela arquear o corpo, que ele segurava com a mão esquerda.

Ele subiu os lábios até o lado direito do pescoço dela, e, enquanto trabalhava com a mão direita entre as coxas de Helena, sugou ali, a fazendo gemer alto, cravando as unhas nas costas dele o puxando mais para ela. Tiago então subiu a mão esquerda até a nuca dela, e puxando o cabelo dela, afastou o rosto do pescoço dela para a admira-la, os olhos semicerrados e a boca aberta, fazendo ele sorrir e morder o queixo dela, enquanto descia a boca agora para o seio esquerdo. Helena trouxe então as mãos para o cabelo dele, o puxando a cada nova onda de prazer.

Tiago levou as duas mãos ao quadril dela, e subindo os lábios para um beijo calmo, começou a se inclinar para frente, e levando devagar, enquanto Helena passava os braços pelo pescoço dele.

Deitado sobre ela, Tiago gemeu quando ela é quem desceu a mão direita e começou, com movimentos que iam acelerando, a excita-lo. Ela, então, mantendo o beijo, se virou para o lado esquerdo o obrigando a se jogar daquele lado, caindo e rindo, enquanto ela passeava a perna direita sobre a perna esquerda dele, e mantinha a mão direita, que acelerava cada vez mais os movimentos o preparando, ela passou a mão esquerda pela sua nuca, para trazer ele para um beijo ávido. Ele gemia, sentindo o toque dela, subindo a mão direita para o seio de Helena. Então ela gemeu, mordeu o lábio dele, puxando, sorrindo maliciosa, se erguendo sobre os joelhos.

— Agora, vamos terminar aquela história.

Helena subiu sobre ele. Tiago sorriu e ajeitou os travesseiros sobre a cabeça, passando as mãos para a cintura dela, enquanto a erguia pelo quadril, ela se apoiando com as mãos sobre o peito dele, molhando os lábios enquanto ele a descia, se encaixando nela, os dois gemendo. Ela então olhou para ele, cravou as unhas no peito dele e foi trazendo as mãos para baixo, enquanto arqueava o corpo começando movimentos para frente e para trás, devagar, fazendo Tiago pousar as mãos nas coxas dela, apertando, a sentindo se movimentar, devagar.

Então ela parou os movimentos para frente e para trás, começando movimentos para os lados também, olhando para ele, sorrindo com a língua entre os dentes. Ela começou a fazer movimentos de losango, aumentando-os, o fazendo gemer junto com ela, subindo as mãos para as suas nádegas. Helena aumentava os movimentos e ele jogava a cabeça para trás. Ela subiu as mãos para os próprios cabelos sentindo cada vez mais ele, acelerando os movimentos, e depois jogando as mãos sobre o peito dele de novo, para ter apoio,se inclinando para frente, enquanto se movia mais e mais, gemendo com Tiago.

Ele subiu as mãos até o rosto dela, afundando os dedos no cabelo de Helena, acompanhando os movimentos enquanto sentia mais prazer. Ela cravou as unhas no peito dele mantendo movimentos rápidos, boca aberta, sem ar, ora mordendo os lábios tentando segurar gritos, ao contrário dele, que gemia alto, e falava o nome dela. Tiago levou as mãos então aos seios dela, massageando, a sentindo gemer mais. Estava quase no ápice quando ela jogou de volta o corpo para trás e começou a pular sobre ele. Tiago molhou os lábios, e, gemendo, ergueu os joelhos e colocou as mãos no quadril dela, enquanto subia e descia o quadril dando mais força e velocidade ao movimento, sentindo ela já não segurar mais os gritos, pedindo mais, ele acelerando e chamando ela, até que o ápice chegou para os dois, trazendo espasmos, fazendo Helena fechar os olhos e jogar a cabeça para trás, gemendo, enquanto ele dava o ultimo gemido e largava o corpo exausto.

Suados, eles arfavam, enquanto Helena voltava o rosto para frente, com outro sentimento subindo pelo ventre, sorrindo para, ele que a admirava de boca entreaberta, a língua se segurando no lábio inferior. Ela passou possessiva as mãos pelo peito dele o puxando pelo ombro para um beijo urgente. Três palavras seguradas na garganta que ela traduzia no beijo.

Magnólia se encaminhou para a escada com o copo de uísque em uma mão, e a garrafa em outra. Quando colocou o pé no primeiro degrau, ela ouviu batidas na porta da frente. Franziu a testa e foi até lá.

— Tem alguém aí?

— Dona Mag? Dona Magnólia, graças a Deus. Me ajuda, eu estou trancada do lado de fora. – suplicou aliviada Aline, pelo pouco que a matriarca conseguia entender.

Magnólia olhou para a fechadura e viu que não tinha a chave ali.

— Espera aí, vou buscar a chave reserva. – Magnólia gritou irritada com a burrice da outra.

Foi até a cozinha e pegou o molho de chaves, vindo abrir a porta para a secretária que entrou lívida, gelada, só de camisola e com os olhos ainda molhado dos choramingos da quase uma hora que ficou lá fora.

— Francamente, Aline. Helena faz de você gato e sapato!

A outra a olhou humilhada.

— Como a senhora sabe que foi ela?

— E quem mais faria isso contigo?

— Ela me paga.

Magnólia riu com escárnio e foi até a porta, fechar e deixar a chave reserva ali. Depois pegou o molho de chave e se dirigiu para a cozinha, guarda-lo e pegar seu uísque. Aline a olhou ignora-la e correu pela escada para ir ao quarto, dando tempo de ouvir, encostando o ouvido na porta de Tiago, os gritos e gemidos dele e Helena.

A respiração acelerando, as narinas dilatando, Aline se jogou de volta para o andar de baixo, indo procurar Magnólia na cozinha. A encontrando tomando um outro gole do seu uísque.

— Eu aceito! – Aline chegou do lado dela, os olhos vidrados de ódio.

— Aceita o que? – Magnólia deu um passo para longe dela, a olhando com desprezo.

— Matar a Helena. Só me diz o que tenho que fazer.

Magnólia tentou esconder o animo com a declaração.

— Que isso menina – Magnólia deu dois passos para a frente ficando de costas para Aline, se permitindo sorrir – eu lá compactuo com essas coisas? Você tem uma visão muito errada de mim.

— Ah é? – Aline se virou na direção dela – Está certo, então. Vou embora amanhã. Porque não vou me sujeitar a dormir no quarto ao lado de Tiago e Helena transando.

Magnólia ergueu as sobrancelhas. O neto havia perdido de vez a vergonha e o respeito pela casa.

— Eu não acredito em você! – ela se virou para Aline, disfarçando, pois sabia muito bem que os dois já estavam juntos desde a noite anterior – Meu neto não é desse tipo. Se fosse para ele namorar alguém que não fosse da nossa classe, por que não você? Sempre dei apoio e te elogiei para ele.

Aline revirou os olhos com a falsidade.

— Que pena que ele esteja te decepcionando assim. Pois para mim, chega!

Ela falou se encaminhando para fora da cozinha.

— Aline. Espera. – Magnólia a chamou – Vem cá. Antes de você ir. – Aline voltou, desconfiada, vendo Magnólia procurar em gavetas na cozinha algo, e depois ir até ela – Eu comprei esses venenos para rato depois do que a sobrinha da Helo aprontou na sala. Mas acontece que não tem ratos nessa casa, então... não vou mais precisar. Se livre disso para mim. – Magnólia tentava ser casual, mas a feição de Aline já mudava, percebendo que ela estava dando a arma para o crime – Esse tipo de coisa, ainda mais numa cozinha, é perigosíssimo. Nunca se sabe quando pode cair em uma comida, ou suco, amassados ficam irreconhecíveis. É bom não arriscar. – Magnólia entregou as caixas de veneno para a secretária, com os olhos brilhando – Faça-me esse ultimo favor. Boa noite.

E Magnólia saiu da cozinha deixando a outra olhando para o veneno, enquanto sorria, feliz por ter encontrado um jeito de se livrar de Helena sem ter que sujar as mãos e depender de Tião.

Tiago olhou para o relógio e notou que já era quase duas da madrugada. Cansado, mas não conseguia dormir. Ela havia beijado ele de um modo tão intenso, que ele ainda estava sob o efeito, sorrindo para ela, que tinha a cabeça deitada sobre o peito dele, a mão esquerda brincando sobre a boca do estomago dele, enquanto ele puxava mechas do cabelo dela, sentindo a textura, ambos cobertos pelo lençol, com um leve sorriso. Ela ergueu a cabeça para ele, suspirando.

— Sabe o que eu tava pensando?

— Não faço ideia. – ele respondeu pegando o rosto dela com as mãos e dando um beijo estalado.

Ela o deixou beija-la e sorriu. Então olhou para os lados, pensando melhor no que ia dizer.

— Nada. – ela voltou a pousar a cabeça no peito dele.

— Fala. – ele insistiu.

— É coisa... é idiota. Melhor não. – ele suspirou de novo.

— Pode falar, Helena. Até porque – ele levou o rosto até o alto da cabeça dela, beijando – se você não puder falar para o seu namorado, para quem vai falar?

Ela riu virando a cabeça para cima, olhando o teto quando ele falou a palavra namorado.

— Tá bom. – ela foi convencida, e então molhou os lábios e respirou fundo – Quantas...namoradas, você teve... Sabe?

— Aah... – ele apertou os lábios e olhou para os lados, preocupado – Bom, com Leticia, e se contar Isabela como namoro, umas quatro.

— Poooorra! Tudo isso?

Ele riu.

— Mas por que da pergunta?

— Nada. Só estava imaginando como é que você ficou tão sabido de uns truques.

Ele ergueu as sobrancelhas para ela e sorriu orgulhoso.

— Bom...

— O que? – ela virou o rosto para ele, notando o tom da voz de Tiago.

— É que você perguntou namoradas. Eu não tive só namoradas...Sabe? – ele respondeu fazendo careta para ela, com medo, os olhos brilhando.

— Não acredito. – ela respirou fundo olhando para o teto – É um porquinho mesmo! – ela deu tapas na perna dele com a mão direita.

Ele riu e levou as mãos ao rosto dela, erguendo a cabeça para beijar ela na bochecha.

— Nenhuma chega nem aos seus pés, Helena. – ele se deitou de novo e colocou os braços para frente, pousando a mão esquerda sobre o peito dela, e a direita voltando a puxar mechas do cabelo dela – E nunca vão chegar. – ele suspirou.

— Ah é?

— É...

Ela se virou de bruços e se ergueu com as mãos apoiadas no colchão, beijando ele.

— Você perdia o sono com elas?

— Nunca. Eu nunca nem passei a noite toda acordado com qualquer uma delas.

— Nem fez maratona, assim...? – ela mordeu o lábio inferior.

— Nem melhor de três. Nem – ele ergueu as mãos passando pelos braços dela, suspirando – essa vontade de estar o tempo todo junto. Ou não conseguir resistir a vontade de beijar só de te ver por perto. – ela inclinava a cabeça para a direita, mordendo o lábio, sorrindo, os olhos brilhando – Ou... – ele ergueu a mão direita passando pelo rosto dela e afundando os dedos no cabelo de Helena.

— Ou...? – ela perguntou, mas Tiago preferiu responder com um beijo, e a puxou.

Ela manteve o beijo, se inclinando e deitando no peito de Tiago, deixando ele a envolver com os braços, enquanto aprofundava o beijo.

Ele se afastou, roçando o nariz dele no dela, e a olhou. Ela sorria para ele. Suspirou.

— E você? Onde aprendeu os seus truques?

Ela olhou para os lados, abrindo a boca levemente, pensando em como responder.

— O que foi? – ele ficou intrigado – Não pode ter muitos. Você mesma disse que nunca namorou ou amou.

— Sim...mas tô viva, né!

— Ah é? – ele a olhou apertando os olhos – Conta.

— Não grila. Só tive dois. – ela puxou o lábio superior e passou a língua nervosa.

— E então?

— Então o que?

— Continua. Quem eram. Como eram. CPF. Ainda estão vivos? – ele tentava parecer engraçado, mas os olhos estavam apertados.

— É complicado... – ela engoliu em seco – Mas tá. – ela notou que ele erguia as sobrancelhas impaciente – O primeiro, eu tinha uns 17 para 18 anos. Morava na casa da mãe dele, que foi quem me tirou das ruas, ao menos me afastou o quanto podia, quando eu tinha uns 13 – Tiago foi franzindo a testa, enquanto Helena contava essa parte desconhecida da vida dela, olhando para baixo, sem notar o quanto revelava – a Tia Vania. Detalhe – ela falou rindo – ela era prostituta. Mas dessas chics, não de beira de estrada. Ele era filho dela, e a casa de vez em quando tinha umas colegas dela. Mas como entre uma ida ou outra ao reformatório eu ficava pouco na casa, tive muito pouco contato com ele. Até que o cara resolveu ser meu tutor. Ele estava se formando em direito, acho. E uma coisa levou a outra, tivemos um rolo.

— Um rolo?

— Sim. Ele me ensinava umas paradas do trabalho dele, acho que era detetive particular, e outras na cama. – ela terminou olhando de rabo de olho para ele, apertando os lábios.

— Isso durou quanto?

— Uns três ou quatro anos.

— E não foi um namoro?

— Não! – ela afirmou o encarando.

— Vocês ficaram juntos quatro anos!

— A gente se encontrava por quatro anos. Não tinha nada mais.

— E o que mais você precisa para ser um namoro?

Ela arregalou o olho para ele.

— Disso aqui, né, Tiago! – ela ergueu a mão esquerda apontando para os dois – Confiança. Carinho. Sentimento.

Ele olhava ora para ela e ora para o lado, indignado, até as ultimas palavras dela, o fazendo a olhar intenso. Ela tinha a mão esquerda agora sobre o peito dele, sentindo este começar a subir e descer rápido, respiração acelerando, assim como a dela. Tiago a puxou para um beijo ávido, esquecendo de tudo, a envolvendo e puxando para ele, sem folego.

Ele a afastou, passando a mão pelos cabelos dela. Ela sorriu para ele. Tiago suspirou.

— E o outro?

Ela sorriu. Baixou a cabeça.

— Pior que o primeiro. Quando o Henrique se mudou de vez para outro Estado por causa do novo emprego dele, a gente perdeu total contato. Eu resolvi ir embora da casa da Tia Vania, e arranjei emprego de recepcionista em um hotel. E tinha esse porteiro, cara de bandido, com moto tunada, tatuagens... enfim — ela notou a cara dele para a descrição dela, e resolveu cortar o resto — Ele na verdade estava só de olho no banco que ficava numa outra esquina. A gente teve um rolo até ele começar com papo de eu ajudar ele a roubar o banco, usando as minhas habilidades e as informações que ele conseguiu observando o lugar.

— E você ajudou?

— Eu não sou besta. Aquilo não ia dar certo. Disse que ia ajudar. Esperei ele dormir e peguei a chave da moto dele, as minhas coisas, e me afastei dali.

— Eu não sei se estou intrigado, ou encantado. — ele falou com meio sorriso para ela.

— Tiago — ela suspirou, os olhos abaixados — eu aprontei muita coisa. Me arrependo de quase todas. Mas a minha vida não me deu muitas saídas.

Ele segurou o rosto dela com as mãos, a fazendo olhar ele, receosa.

— Eu não me importo como você chegou aqui, Helena. Só me importo com você comigo.

Tiago se ergueu e deu um beijo estalado, puxando o ar, e a trazendo para deitar a cabeça no peito dele, de novo.

— Só não entendi uma coisa. — ele disse depois de um minuto, Helena sorria e suspirava, passando a mão esquerda pelo peito dele — A sua mãe, a irmã da Helô, não morreu pouco antes de você vir para cá, então? Você passou anos até achar a sua família?

Notas finais
A pedidos.