A sobrinha da Helô

30 Namorando a sobrinha da Helô I


Helena fechou os olhos, cabeça ainda pousada sobre o peito dele, percebendo o que tinha feito. Tiago a fazia se sentir tão a vontade que ela até esquecia sua real situação de falsa sobrinha da Helô.

— Helena? – ele a indagou, inclinando a cabeça para o lado, tentando ver o rosto dela.

Ela inspirou fundo e se ergueu nos próprios braços, virando a cabeça e olhando séria para ele.

— Desculpa, Tiago, mas essa resposta vou ficar te devendo.

Ele franziu a testa e então apertou os lábios, compassivo, notando que ela tinha a mesma feição da noite que voltou da viajem com o tio.

— Toquei em um assunto delicado, né?

Ela balançou a cabeça afirmativamente, olhando então para baixo.

— Vem! – ele então a puxou pelos ombros para deitar a cabeça ao lado dele, deitando o corpo junto a ele, enquanto Tiago passava o braço esquerdo pelo ombro dela, a abraçando forte – Helena – ele beijou a testa dela – eu perdi minha mãe também. – ela ergueu a cabeça o olhando carinhosa e ergueu a mão esquerda para acariciar o rosto dele – Eu, Camila e AnaLu, crescemos só com retalhos do que é uma mãe. Imagina, o mais próximo que tive de uma mãe foi a minha avó. – ele tentou ser engraçado, mas ela manteve o carinho, atenta ao que ele dizia – Eu sei que não se compara ao que você deve ter passado. Mas eu sei que tem coisas que doem. Como perder uma mãe. Até mesmo se a gente quase não lembra dela. E que falar disso pode ser difícil.

Os olhos dela passavam a emoção diante da compreensão dele. Ele a olhou com um meio sorriso, emocionado também. Helena ergueu os lábios para ele, recebendo um beijo afetuoso, terminando em um suspiro de ambos. Então ela afastou o rosto, molhando os lábios, o mirando, passando a mão agora no queixo dele, pousando os olhos nos seus lábios.

— E o que você faria se soubesse que a sua mãe não se foi? Que ela ainda está viva?

Ele fungou e afastou a cabeça, franzindo a testa.

— Como assim? Que ela não morreu no acidente de carro?

Helena o olhou, pensando na pergunta. De fato a situação dele era diferente da dela. Mas ela queria saber o que ele faria se descobrisse a sua mãe, como ela descobriu a própria. Foi a vez de Tiago puxar o ar e a olhar sério.

— Seria muito cruel da parte dela estar viva todo esse tempo, com os filhos sofrendo sem ela por perto. Não tem nem como eu imaginar isso. A minha visão sobre ela mudaria completamente. – ele olhou para um ponto acima da cabeça de Helena — Por que?

Ela deu um meio sorriso e olhou para o peito dele.

— É verdade. A situação é totalmente diferente.

Chasing Cars – Snow Patrol

Tiago afastou o tronco, se apoiando no cotovelo esquerdo para ficar de frente para ela e pegou o rosto de Helena, com ambas as mãos, a fazendo olhar para ele.

— Helena – ele começou sincero, a olhando nos olhos para faze-la ver a seriedade do que falava – eu quero muito que você se abra comigo. Não porquê quero saber da sua vida, mas porque quero fazer parte dela. Eu não gosto de te ver triste e não saber como te ajudar, porquê não sei o que tá te fazendo se sentir assim. – ele molhou os lábios, a respiração dele acelerando enquanto sentia as palavras vindo soltas do peito dele, Helena o olhando nos olhos, a respiração presa – Mas não vou forçar nada. Eu quero você na medida que você puder me dar. E vou esperar o quanto for preciso para ter você inteira.

Ele engoliu em seco, buscando nos olhos dela alguma reação. Ela sustentava o olhar dele, os olhos brilhando.

Helena trouxe a mão esquerda até o ombro de Tiago e o puxou para um beijo devagar, cheio de sentimento, enquanto soltava o ar e sentia ele deitando o tronco sobre ela, a envolvendo com os braços, puxando o ar e o seu corpo. Ela desceu as mãos pelas costas dele, o puxando, abrindo mais a boca e gemendo, sentindo ele aprofundar o beijo.

Tiago então subiu as mãos para voltar a segurar o rosto dela, inclinando a cabeça para a esquerda e sentindo ela corresponder o beijo, ávida, já puxando o cabelo da nuca dele com a mão direita. Ele se afastou, sem ar. Passeou o olhar pelo rosto dela, um sorriso satisfeito no rosto, a vendo sorrir para ele e depois morder os lábios.

— Você dorme comigo, aqui? – ele perguntou com a voz grave, molhando os lábios.

Ela respondeu com a cabeça afirmativamente, sorrindo, ainda mordendo os lábios, e suspirando, trazendo a mão direita da nuca dele para o rosto de Tiago, que a beijou, carinhoso.

Ele a olhou intenso. Ela correspondeu o olhar, o vendo se aproximar para um beijo estalado, que desceu para o pescoço dela, a fazendo sorrir. Então ela trouxe a mão esquerda afundando os dedos no cabelo dele, e a deixou ali, enquanto Tiago pousava a cabeça sobre o peito dela, sentindo e beijando a pele dela, para ceder ao sono, com Helena o observando, os olhos brilhando, sentindo toda a felicidade do momento, com ele ali, só dela.

Tiago acordou de costas, a cabeça sobre o travesseiro e Helena deitada ao lado. Olhou para a escrivaninha ao lado, percebendo o horário. Já era mais de oito horas. Ele não ouvira nenhum barulho do lado de fora, ainda. Era ele quem acordava mais cedo na casa, para ir à empresa. Olhou para o peito e viu o braço de Helena ali, o abraçando. Sorriu. “Não foi sonho.” Ele se abaixou no colchão, até a cabeça dele ficar na altura dela, sobre o mesmo travesseiro, a observando, tirando as mechas de cabelo caindo no seu rosto. Ela parecia serena, e com um leve sorriso no rosto. Tiago se aproximou com o corpo a abraçando, sentindo todo o corpo dela, a beijando no queixo. Ela apenas soltou um som inaudível continuou dormindo.

Ele foi então com a boca até o ombro dela, beijando, e subindo os beijos. Só gemidos. Tiago então aproximou o nariz dele do dela, e falou baixinho.

— Acorda, Helena. Eu tô com fome.

Nenhuma resposta. Suspirou, vendo que ela tinha um sono muito pesado. Aconchegou mais o corpo nela, passando a perna direita sobre as pernas dela, sob o lençol. Apertou os lábios, e inclinou a cabeça a pousando no travesseiro, nariz quase na boca dela, a observando, aquela sensação que vinha do estomago até o peito, começando. ”Tão linda dormindo. Nem parece que dá o maior trabalho, esse meu amor.” Tiago suspirou, jogando a cabeça para trás, tentando notar se ela dormia mesmo.

— Eu te amo, bandida. – ele falou engolindo em seco, tentando ver alguma reação.

Nada. Ele sorriu.

— Eu te amo. — ele falou sorrindo e molhando os lábios – Amo até esse teu jeitinho de dormir com o queixo erguido. – Tiago sorriu e aproximou a boca mordendo o queixo dela, a fazendo gemer um pouco mais alto.

Ele se afastou e notou ela acordando. Receoso.

— Helena?

Ela sorriu, inspirou fundo e se espreguiçou, jogando os braços para cima, abrindo então um pouco os olhos, trazendo as mãos para os ombros dele.

— Tiago.

— Acordou? – ele se animou a vendo sorrir para ele, pelo visto não o ouvira.

— É bem provável. Se não eu estou emendando um outro sonho com você. – ela disse com um sorriso largo que a fez quase fechar os olhos, passando a mão esquerda no rosto dele.

Tiago não resistiu e deu um beijo estalado, a puxando pela nuca com a mão direita, a acordando de vez. Foi a vez dela descer o corpo e se aconchegar mais perto dele, enquanto gemia com ele a fazendo abrir mais a boca para o beijo. Ela sentiu ele reagindo já sob as cobertas, e o afastou do beijo, sem folego.

— Vamos tomar banho? – ela falou maliciosa, mas ele não pegou a ideia logo.

— Já? Não, vamos namorar mais um pouco antes de sair.

— Tiago? – ela ergueu as sobrancelhas para ele, enquanto a mão descia pelo peito dele – Um banho para nós dois.

Ele sentiu a mão dela e mordeu o lábio.

— Vamos! – ele se animou e a envolveu com os braços pela cintura a trazendo para ele, então girando para o lado, até irem para a beirada da cama, onde ele pousou o pé esquerdo para fora, a segurando na beirada da cama, os dois enrolados no lençol, ela rindo – Mas eu não uso a banheira, nem sei como liga.

Ele se lembrou desse detalhe e fez bico.

— E quem falou em banheira? – ela tinha as mãos no pescoço dele, passando a língua no lábio superior, o molhando.

— Ai.

Ele gemeu já baixando a cabeça para ela com a boca aberta e a língua sobre o lábio inferior, sedento. A beijou ávido, a fazendo gemer, enquanto a apertava com os braços e a puxava da cama, a erguendo. Os dois então foram cambaleando e se livrando do lençol até a porta do banheiro, onde ele a jogou, chegando o corpo mais próximo e subindo a perna direita dela com a mão esquerda a pegando pela coxa, a mão direita apoiada na porta. Helena tinha as mãos sobre o quadril dele, descendo e o apertando, trazendo-o mais próximo, sentindo ele. Os dois gemeram, sem folego.

Tiago então perdeu o resto de controle, e se afastou a pegando pelos braços e a virando de costas para ele, já aproximando o corpo, e puxando o cabelo dela de lado para beijar o pescoço de Helena no lado direito, as mãos passeando sobre a pele dela, subindo das nádegas até os seios e então descendo até passear entre as coxas, fazendo Helena subir as mãos, desorientada, puxando o ar, sentindo o toque dele, os olhos semicerrados e a boca entreaberta. Ela colocou a mão direita na nuca dele, sentindo ele sugar um ponto vulnerável bem na curva do pescoço, mais atrás, e colocou a mão livre na maçaneta, se lembrando de abrir a porta para eles entrarem, antes de não conseguirem chegar no banho.

Helena foi o trazendo, enquanto Tiago subia agora os lábios pelo pescoço dela, puxando o ar e gemendo, mordendo a orelha dela. A mão direita dele sobre o seio esquerdo, enquanto a esquerda ele desceu de novo, a fazendo parar de andar, sentindo o toque, puxando mais forte o cabelo dele, o fazendo sorrir enquanto ela gemia. Tiago levou os lábios até o rosto dela, beijando e a chamando para um beijo, sendo respondido por Helena, que já não lembrava mais o porquê tinha entrado ali. Pararam o beijo, sem folego. Helena olhou para a frente e viu a porta do box, a abrindo e entrando, trazendo ele. Ligou o chuveiro e os dois gritaram.

— Tá fria. – ela falou desligando o chuveiro rápido.

— Outra coisa que é culpa sua. – ele falou rindo, sem ar, e ajeitando a temperatura.

Ele a observou enquanto ligava o chuveiro, a agua morna caindo entre eles. Tiago passou o braço esquerdo pela cintura dela, se aproximando de Helena e a beijando, ávido, a agua batendo nos ombros e correndo pelo corpo dos dois. Ela segurou o rosto dele, beijando com urgência, mordendo os lábios de Tiago, sentindo a mão direita dele subir até o pescoço dela enquanto ele se afastava do beijo para descer os lábios até o seio esquerdo dela, do qual se apossou, a fazendo arquear o corpo, sentindo a língua quente dele passeando e sugando, a agua morna caindo sobre eles. A mão direita então subiu a puxando pelo cabelo, arqueando mais o corpo dela, enquanto ele passava agora para o seio direito, a fazendo cravar as unhas nas costas dele, e o arranhar, com as ondas de prazer que subiam. Ele ensaiou descer os lábios, mas Helena o puxou pelos cabelos para um beijo, o abraçando pelo pescoço e juntando ainda mais os corpos molhados.

Afastando o beijo, ela o olhou intensa, observando ele que tinha os olhos semicerrados, sorrindo para ela, a agua correndo pelo rosto dele. Ela então desceu as mãos pelo peito dele e mais para baixo, sentindo ele prender a respiração quando ela alcançou o que queria. Possessiva, com as duas mãos, ela o acariciava, notando Tiago morder o lábio, a fazendo morder o dela, enquanto ele começava a gemer mais alto, apoiando a mão esquerda na parede do banheiro. Ela aproximou a boca do queixo dele, mordendo.

Sorrindo, ela o largou por um instante, subindo as mãos para o ombro dele, enquanto os lábios começavam a beijar o pescoço dele, levemente. E com beijinhos e passando as mãos pelo corpo dele, sendo observada em cada movimento por Tiago, ela desceu os lábios até colocar o joelho esquerdo no chão, e olhando maliciosa para Tiago ela começou a excita-lo mais, o fazendo engolir em seco ao sentir a língua quente dela fazendo movimentos, e então os lábios, o fazendo fechar os olhos e gemer mais alto, quando ela começou movimentos com a boca. Ele desceu a mão direita até a cabeça dela, acompanhando os movimentos que aumentavam. Tiago ergueu a cabeça, respirando com dificuldade.

— Helena... – ele a chamou.

Ela entendeu o recado e o largou, subindo devagar, passando os lábios e a língua pelo ventre, peito e pescoço dele, sentindo a agua morna descendo pelo corpo dele, parando para morder levemente o ombro direito de Tiago. Ele então desceu a mão direita até as nádegas dela, passando então para frente, a sentindo em um ponto, a fazendo erguer a cabeça e puxar o ar. Então ele passou a mão direita para a sua coxa esquerda, a trazendo para cima, fazendo Helena ficar na ponta do pé direito, ajudada pelo braço esquerdo dele, que a puxava para ele, enquanto Tiago a penetrava.

Os dois gemeram, soltando o ar, enquanto Tiago começava movimentos lentos, sentindo ela o arranhando nas costas, segurando os gemidos com a boca mordendo o seu ombro, enquanto ele desceu os lábios para o pescoço dela, o sugando. Helena começou a pedir mais, e ele aumento os movimentos, já descendo a mão esquerda até as nádegas dela, a puxando. Tiago olhou para a parede a sua esquerda, ergueu a cabeça, parando os movimentos e olhando para Helena, que entendeu ele e o beijou, enquanto Tiago levantava a outra coxa dela a erguendo e jogando na parede, Helena o segurando pelo pescoço, gemendo com o recomeço dos movimentos, agora mais intensos, ainda lentos, enquanto as costas desciam e subiam pelo piso molhado, ela sentindo Tiago gemendo com ela, na curva do seu pescoço. Ele passou a acelerar os movimentos, a fazendo gemer mais, e se movimentando junto com ele, mexendo o quadril para o sentir mais, alcançando movimentos mais profundos, Tiago então se afastando da parede, permitindo que ela arqueasse o corpo para trás, o segurando pelo pescoço, enquanto ele a segurava pelas nádegas, dando mais ritmo aos movimentos, sorrindo ao ver ela jogando a cabeça para trás, quase gritando o nome dele.

Já sem folego, sentindo o ápice chegando, ele parou os movimentos e subiu as mãos para a cintura dela, a descendo, Helena arfava, molhando os lábios, o olhando confusa.

— Vem aqui. – ele falou a virando de costas para ele e de frente para o chuveiro – Abaixa, Helena. — ele falou no ouvido dela.

Tiago a fez sorrir quando puxou o cabelo dela e falou no ouvido dela o que fazer.

Ela apoiou as mãos na parede do chuveiro, sentindo a agua batendo nos seios, enquanto sentia Tiago descendo as mãos pela sua fronte, apertando os seios e descendo até o meio da coxa, afastando então o corpo para puxar com as mãos o seu quadril, a fazendo se inclinar mais, a penetrando novamente, começando logo movimentos mais urgentes, a fazendo aumentar os gemidos a cada movimento mais longo e rápido, ele gemendo com ela.

Helena subiu a mão para desligar o chuveiro enquanto sentia que os movimentos aumentavam, se inclinando mais para frente, permitindo que ele fizesse movimentos maiores, rápidos, Tiago erguendo a cabeça sentindo o ápice chegando pouco antes de Helena, os dois gemeram mais alto.

Ela esticou os dedos sobre o piso, sentindo os espasmos de prazer a fazendo se erguer, se encostando nele, segurando com a mão direita a sua nuca, arfando, Tiago a abraçando, as mãos sobre os seios, a beijando no ombro, também sem ar.

Eles ficaram abraçados por quase um minuto, sentindo as respirações se regularizarem. Ela virou o rosto para trás, com um sorriso feliz para ele, pedindo um beijo, que ele deu. Ela então se afastou e foi até o registro, abrindo de novo o chuveiro, vindo até ele, o puxando para debaixo d’agua.

— Agora, sim, o banho.

Ela falou o puxando para um beijo demorado, embaixo do chuveiro, antes de eles se ensaboarem e passarem shampoo, brincando e se beijando. Terminado o banho, Tiago desligou o chuveiro e a puxou, pegando a toalha e a enxugando, carinhoso. Saíram do banheiro enrolados em toalhas, ele a abraçado por trás, dando beijinhos no ombro e pescoço.

— Ruuum... – ele gemeu chegando perto da cama – Eu tenho compromisso às dez e meia na fábrica. Visita de um daqueles compradores do evento.

— Ai que pena. – ele falou virando o rosto para ele e dando um beijo rápido, passando a mão direita pelo rosto dele – Já eu tenho o resto do dia livre, que vou passar te esperando, acho. – ela falou o puxando pelo o rosto para encostar o nariz dela no dele.

— Ruuuum... – ele gemeu de novo, mordendo os lábios – Que melozinha.

— Ai garoto. – ela se virou rindo e o afastou, indo pegar o vestido dela no chão.

— Vem cá... – ele a pegou e a virou para ele, encostando testa com testa – Eu vou passar o dia esperando para te ver, também.

Ela sorriu e aproximou os lábios para beijar ele, fechando os olhos, fazendo ele sorrir e fechar os dele e a beijar, sem pressa, aproveitando o gosto dela, enquanto Helena largava de novo o vestido no chão e subia as mãos para os ombros dele, Tiago a puxando pela mão esquerda na nuca dela, inclinando o rosto e sentindo ela aprofundar o beijo, o fazendo soltar o ar dos pulmões e o puxar, enquanto descia as mãos para a cintura dela para ergue-la. Ele deu dois passos e então Helena se afastou do beijo, e o olhou, passando a mão direita no rosto dele.

— Você tem compromisso, lembra?

— Uma triste verdade. – ele suspirou, a deixando escorregar pelo corpo dele – Mas eu vou fazer assim. – ele puxou o queixo dela, a mirando ora nos olhos ora para a boca vermelha – Vou lá, atendo, almoço com eles, oriento o Misael sobre o que mais precisa fazer e volto correndo para ficar juntinho de você.

— Que plano maravilhoso. – ela disse sorrindo e olhando pros lábios dele enquanto passava os braços ao redor do pescoço de Tiago – Eu vou ficar aqui só no aguardo, com toda a sua família. – ela o olhou significativa – O que me lembra que tenho mesmo algo para fazer.

— É? O que?

— Procurar um lugar nessa casa que a gente possa aproveitar em paz, sem ter que brincar de pique esconde com a barata cascuda.

Ele riu do apelido que ela deu para Aline, e então deu um beijo estalado nela.

— Ótima ideia. Mas eu espero sinceramente que até a noite o seu quarto já esteja com a porta consertada. Que daí eu passo a noite todinha com você, de novo. – ele falou passando a mão direita pelo rosto dela, e indo colocar o cabelo dela atrás da orelha.

— Quem é o melozinho, agora? – ele ergueu as sobrancelhas, com um meio sorriso, e desceu os lábios para a curva do pescoço dela, inspirando fundo, sentindo a pele dela e beijando – É melhor eu ir logo.

Ela sorria, enquanto o afastava, com leve resistência de Tiago. Ele então a observou, com as mãos na cintura e uma cara de pena, se abaixar para pegar o vestido e depois retirar a toalha, jogando nele, para colocar a veste.

— Eu preciso da sua ajuda. – ela falou para ele, mordendo o lábio, o fazendo sorrir e ir até ela malicioso, a pegando pela cintura – Para sair do quarto, Tiago.

Ele ergueu as sobrancelhas e fez bico para ela.

— Certeza?

— Para, garoto! – ela ria dando tapinhas no ombro dele – Eu não posso passar o dia aqui, presa. E já tá claro, deve ter gente acordada.

— Certo. – ele suspirou, e deu um beijo rápido nela – Faço assim, eu abro a porta e espero, para ver se Aline sai. Se ela não sair, você corre pelo corredor. Dali pra frente é com você.

— Bom, não encontrando a sua vó ou Aline, acho que não vou ter problema. Só elas mesmo não sabem. Ainda mais depois do flagra da AnaLu de ontem.

Ela o envolveu com os braços pelo pescoço.

— Isso é mesmo. Você bem que podia ficar amiguinha da minha avó para ela poder gostar de ti e não nos atrapalhar.

Helena o soltou e revirou os olhos diante da proposta mais indecente que ele já fez para ela.

— Não, valeu. O diabo fez proposta melhor pela minha alma. – ela se afastou.

Tiago respirou fundo e a puxou pela cintura, passando o braço direito pelas costas dela, pegando com a mão esquerda a nuca dela para um beijo ávido, a sentindo se entregar, gemendo e puxando o ar enquanto os joelhos cediam e ela aproximava mais o corpo dele, colocando as mãos nas suas costas. Ele se afastou, encostando a testa dele na dela, os dois sem folego, ele baixando a mão direita para o quadril dela, a puxando para ele.

— Vamos escondendo só dela, então. – ele propôs vendo que ela já abaixara a guarda – Até porquê, como a AnaLu disse, enquanto ela só desconfiar ainda dá para levar, mas depois que tiver certeza, vai infernizar. E eu não estou querendo que nada estrague o nosso namoro. – ela passou a língua pelos lábios, e respirou fundo, sorrindo quando ele disse a ultima palavra, concordando com ele – Agora, vamos.

Ele a virou de costas e foi levando até a porta, a abraçando por trás. Na porta a largou e puxou a maçaneta, colocando a cabeça para fora. Ninguém. Pôs um pé para fora e ficou ali quase um minuto. Nada. Ele a chamou com a mão. Helena saiu cuidadosa do quarto e olhou para os lados. Não vendo ninguém, ela roubou um beijo e saiu rápida e silenciosa. Tiago a observava rindo, quando percebeu a porta de Aline se abrindo. Ele colocou o corpo tampando o corredor e a olhou.

— Aline!

— Tiago! – ela notou o ar feliz dele, ali, de frente para ela só de toalha, achando que era um sonho, se aproximou para o puxa-lo pelo ombro.

Tiago franziu a testa a vendo se aproximar e revirou os olhos se jogando para dentro do quarto, observando que Helena já desaparecera pelo corredor, se trancando ali. Ele foi até a cama, notando no chão a calcinha dela, que ele pegou, e depois se jogou de costas na cama, suspirando e sorrindo, pensando no que aconteceu.

Quanto mais tempo passava com ela, mais ela se abria, e mais ele sentia vontade de ficar junto dela. Ele nem acreditava que podia se sentir assim por alguém. Até quando ela o afastava, como fez a pouco, para ir embora, parecia doer. Já pensava logo quando ia poder ficar juntinho dela. Mas ali em casa seria impossível. E ele queria namorar e mimar ela sem sentir apuro com a possibilidade da sua avó os ver. “Onde eu posso ficar sozinha com ela sem ninguém por perto, nessa cidade?” Uma ideia veio na mente dele, e Tiago sorriu.

Aline desceu para a cozinha logo depois de ser rejeitada por Tiago, passando pelo quarto de Helena e apertando nas mãos o papel com veneno de rato que ela havia amassado para poder misturar em algo.

Chegando na cozinha deu de cara com Leila, saindo para levar o café de Fausto. Ela então foi até o armário e pegou dois copos, abriu a geladeira e pegou a ultima caixa de suco que tinha ali, e colocou suco dentro dos copos, pondo o veneno em um deles, misturando com colher. Por fim, jogou o resto do suco da caixa, fora.

Vitória chegou na cozinha com olheiras, passando a mão na barriga, enorme. Fez cara de desgosto ao ver Aline e foi pegar um copo de água, enquanto a secretária tomava seu suco sem veneno e segurava junto a ela o outro. Demorou dois minutos de frio silencio até que Camila entrasse, se arrastando.

— Que noite horrível. Mal consegui dormir. – ela reclamou, parando com cara de nojo ao ver Aline – Ainda aqui, Aline? Tem que jogar cachorro em cima de ti para você ir embora?

Aline não respondeu, apenas ergueu o queixo e tomou o gole do suco dela. Camila respirou fundo. Foi até a geladeira e não achou mais suco.

— O que é isso? Ainda toma todo o suco da casa? – ela apontou para os copos de suco na mão dela – Me dá.

— Te enxerga, Camila. – Aline terminou de tomar o suco de um copo e segurou firme o outro.

— Vadia! – Camila xingou sendo chamada por Vitória a se acalmar.

— Já acordamos com barraco. Casa agitada, adoro. – falou Helena, entrando feliz na cozinha, colocando as mãos na cintura – O que temos para café?

— Se a Aline não consumiu tudo... – resmungou Camila, com a amiga chegando perto dela e de Vitória.

— Aline, querida, tá esperando reformarem a ponte para se mudar pra baixo dela? – Helena perguntou erguendo uma sobrancelha, a outra se manteve fria, esperando a oportunidade de indicar o copo de suco para ela.

Sem resposta, Helena olhou para as outras e bufou. Mas estava tão feliz que só revirou os olhos e foi até a pia, passando por Aline, cantarolando. Ela olhou o resto de suco no ralo, e foi pegar a caixa vazia.

— Acabou o suco? – ela indagou.

— Sim. A vaca aí colocou o resto só para ela. – Aline começou a ficar nervosa, sentindo as mãos suando — Só tem esse copo ali com ela.

— Pega! – Aline jogou para o lado de Helena, fazendo a indignada – Já perdi a sede com tanta reclamação.

— Mas é uma cara de pau mesmo. – Camila ainda resmungava, Vitória tentava se manter calma.

— Helena – Vitória chamou a atenção dela, que olhava para o copo de suco e para Aline, com uma mão na cintura a outra apoiada na bancada, franzindo a testa – eu tentei falar com você mais cedo. Bati no seu quarto, mas você não atendeu.

Helena prendeu e respiração e se esqueceu do copo de suco, com Aline então ficando mais nervosa, pensando no porquê a sobrinha da Helô não estava no quarto dela.

— Eu estava no banho, possivelmente. – ela pigarreou, fazendo Camila e Vitória se olharem curiosas.

— Não vai tomar o suco? – Aline se virou para ela colocando a mão no copo – Brigou tanto para jogar fora. Deixa que eu tomo.

Em ato reflexivo, Helena tirou a mão da outra do suco e o pegou, já levando a boca.

— Bom dia! Bom dia, familia linda. – Tiago entrou na cozinha com um sorriso largo, olhos apertados, batendo as mãos e as friccionando, alegre, fazendo Helena sentir desde o ventre aquela sensação sensação perturbadora e feliz – Que bonitas! Todas acordadas bem cedo. Bom, eu é que tô acordando muito tarde, né? – ele foi passando por Camila e Vitória, beijando elas na testa, passando a mão na barriga da tia, e dando de cara com Aline, antes de chegar em Helena, o fazendo desmanchar a cara feliz enquanto colocava as mãos na cintura, Helena já baixando o copo de suco e erguendo o queixo – Aline. Você ainda está aqui!

— Eu não consigo ficar longe de você. – Aline se aproximou dele passando a mão direita no peito de Tiago, sendo logo afastada.

— Já eu não vejo a hora de você estar bem longe. – ele respondeu irritado, olhando para Helena que desviou o olhar, se virando para o outro lado, erguendo o queixo, o maxilar saliente.

— Não foi o que pareceu hoje de manhã, na porta do seu quarto. Você só de toalha. – Aline provocou, falando para Helena escutar e conseguindo o que queria, pois Helena voltou a se virar para os dois, a mão direita na cintura.

— Não inventa, Aline. Se eu parecia um pouco mais animado foi por conta de um bom banho que tive e por imaginar que você estava saindo do quarto para ir embora de uma vez dessa casa. Só assim para você me deixar contente. Vê se entende.

Ele encerrou o assunto a afastando para o lado, passando por ela e indo até Helena, que continha um sorriso orgulhoso, o admirando, os olhos brilhando. Tiago molhou os lábios para ela, chegou perto e olhou para a bancada e de novo para ela, como se não tivesse ninguém ali, ele sorriu para ela.

— Posso? – ele apontou para o copo de suco.

Helena só respondeu balançando rapidamente a cabeça afirmativamente, mordendo os lábios, o admirando.

Aline olhava a cena irada, mas prendeu a respiração quando viu ele pegando o copo. Dando um grito ela foi rápida até Tiago e deu um tapa na mão dele, jogando o copo de suco longe, o espatifando no chão.

Todos a olharam assustados. Aline apenas urrou na direção de Tiago e Helena, e saiu bufando da cozinha.

— É, parece que vocês a incomodaram mesmo. – disse Camila erguendo a sobrancelha e contendo um riso.

— Essa garota é até um perigo estar solta. – disse Tiago preocupado, puxando Helena pelo ombro, a beijando na testa.

— Opa! – Luciane chegou na cozinha erguendo os braços, toda produzida – Manhã agitada. — olhou o casal abraçado — E cheia de romance. – ela falou erguendo o queixo para Tiago e Helena, fazendo os dois se alertar e se afastar – Isso, isso. Ninguém notou, podem continuar fingindo. – Tiago continha um sorriso enquanto franzia a testa para Luciane, Helena olhava para o balcão fingindo que procurava algo, suspirando, enquanto Camila e Vitória olhavam Luciane contendo o riso – O que me lembra, querido enteado – ela foi se aproximando dele pelo lado esquerdo da bancada, passando pela cunhada e enteada, vendo Tiago cruzar os braços e começar a ficar mais sério – que eu preciso te devolver uma coisa.

— O que? – ele a olhava ressabiado.

— Os seus óculos. Parece que você deixou ele cair na limousine e nem notou. – Tiago puxou o ar e balançou a cabeça afirmativamente, tentando ficar sério, percebendo que de fato não encontrara mais o item – E só para avisar – Luciane se colocou entre os dois falando baixinho, mas ainda audível para todos na cozinha – o champanhe era cobrado a parte do serviço. Teu pai pagou uma fortuna.

Helena arregalou os olhos e se inclinou sobre a bancada, se apoiando nos cotovelos, a mão direita sobre a boca, sem olhar para os demais, Vitória com a boca aberta, Camila rindo da amiga, Tiago prendendo o ar e trazendo o polegar da mão direita para o lábio, o deslizando com força, enquanto balançava afirmativamente a cabeça, tentando pensar em uma resposta.

— Pois é. – ele pigarreou e soltou os braços, se apoiando com as mãos na bancada, sem olhar para os demais – Nós tomamos demais na ida. Besteira, né? Tinha no evento.

— Ahã! – Luciane colocou as mão na cintura olhando os dois virados de costas para ela, abrindo a boca – Que eu me lembre só foi bebida uma garrafa na ida. E eles cobraram três. Duas pelo menos foram gastas na volta.

Helena revirou os olhos, já impaciente, e se virou para a madrasta de Tiago.

— O que você quer, Luciane? — Helena ergueu o queixo a encarando — Os caras enganaram vocês. O motorista deve ter bebido e ainda cobrou do Hércules porque sabia que ele não voltou na limousine.

— Mas olha só... – Luciane abriu mais a boca erguendo as sobrancelhas diante da mentira deslavada de Helena, e olhou para Tiago que apontava para Helena concordando com a cabeça, feliz com a boa desculpa.

— Verdade. Pai teria evitado isso se tivesse falado comigo.

Ela olhou de um para o outro, ambos na mesma posição, um de frente para o outro, se olhando satisfeitos, uma mão na cintura e outra na bancada, queixo erguido.

— Está bem... – Luciane se deu por vencida erguendo as mãos e dando a volta na bancada, desviando da sujeira que Aline fez, os dois a acompanhando com o olhar, se virando de frente para o móvel – Mando seu pai ligar para o amigo e pressionar o motorista para saber exatamente o que aconteceu.

Os dois se olharam e respiraram fundo.

— Acho melhor não. Deixa assim, o assunto morre logo. Já pagou mesmo. — falou Tiago, nervoso.

Ele se inclinava sobre a bancada, as mãos apoiadas ali, cabeça baixa. AnaLu entrou, olhando para todos na cozinha.

— Bom dia. – viu a cara de todos, Camila e Vitória com as sobrancelhas erguidas, olhando de Luciane para o casal, a madrasta de um lado da bancada sorrindo com a boca aberta, e o casal do outro lado, com Helena apoiada nos cotovelos sobre a bancada, olhando para Tiago e Luciane, e ele se apoiando nas mãos, olhando para todos – O que eu perdi?

— O de sempre. – Camila falou – Luciane pegando o casalzinho que não se assume, na mentira.

Tiago cruzou os braços, apertando os lábios, enquanto Helena revirou os olhos.

— Nossa, mas depois de ontem na sala vocês ainda estão tentando disfarçar? – AnaLu foi entrando na cozinha indo até Vitória, dar um beijo.

— Assistindo o filme juntinhos, foi meio fofo demais para negar, gente! – Camila falou, provocando, enquanto AnaLu olhou para o casal erguendo uma sobrancelha, deixando claro que se referia ao outro acontecimento na sala.

— Ok. Vocês já estão delirando de fome. – Tiago ergueu as mãos, vencido, suspirando – Só espero que a vovó não sofra do mesmo mal. – ele terminou a frase olhando todas de modo significativo.

— Para o bem de todos. – completou AnaLu indo até a pia e se assustando com a bagunça – O que foi isso?

— Aline, pirou e jogou meu copo de suco no chão. – Tiago respondeu, olhando para a bagunça e franzindo a testa para uns pontos escuros no meio do liquido espalhado.

— Que maravilha, a cozinha já tá cheia. A gente sai um instante. – chegou Leila esbaforida, trazendo a travessa de café, chamando a atenção de todos – Olha isso, ela afastou AnaLu com o cotovelo – que bagunça.

Leila jogou a travessa na pia e começou a se mexer para limpar tudo. Todos se olharam.

— Leila, o café dessa casa, sai não? – perguntou Luciane – Eu já tô vendo coisas.

As outras riram. Helena se ergueu olhando para Tiago, com meio sorriso, desistindo.

— Eu vou precisar que prepare algo para a viajem, também, Leila. – AnaLu anunciou, chamando atenção dos outros, então se justificando – Vou fazer uma visita ao Élio. Ficar com quem a gente ama é sempre bom.

Ela disse indo para perto de Luciane, apoiando as mãos na bancada e olhando rapidamente para o irmão. Que engoliu em seco, olhando de rabo de olho para Helena que era enxotada para o lado por uma Leila nervosa, passando o pano no chão, e nem ouviu a conversa.

— Está certo, querida. – Vitória olhava a sobrinha com carinho, olhos marejados.

— Ah, tia. Eu nem te comuniquei. Você vai precisar de mim?

— Não, querida. – ela respondeu sensibilizada, e então olhou para Helena que era novamente movida por Leila, com Tiago achando graça das duas – Mas eu acho que você poderia me fazer um favor.

— Claro. Entregar uma coisa para o Élio.

— Certo.

— Mas é bem delicado, seria bom você entregar só para ele.

— Como quiser, tia. Alguma coisa sobre Ciro?

— Não...é. Melhor nem você se meter, AnaLu. Eu só preciso que você entregue mesmo. Me prometendo que não vai ver nada. E por favor, pede para ele ter cuidado com o que tem.

— Sem problemas, tia. Pode confiar em mim.

As duas se olharam por um tempo, e então voltaram a atenção aos demais ali, para ver se alguém prestava a atenção nelas, mas as outras duas, além de Leila, estavam mais concentradas no outro lado da bancada.

Helena, depois que se livrou da empregada, perguntou se Tiago ia preparar algo para o café, tendo como resposta ele se encostando de costas na bancada e cruzando os braços dizendo que não sabia. Então ela se ofereceu para fazer um sanduiche para ele. Pegando logo os ingredientes, o fazendo sorrir, trazendo tudo para a bancada. Os dois se viraram para o móvel, atentos ao prato que ela montava.

— Não põe tanta maionese. — ele palpitou.

Ela o olhou de rabo de olho.

— Tá.

— Põe alguma verdura. Tem picles?

Helena respirou fundo.

— Tem! Pega na geladeira.

Ele foi lá e pegou. Leila os observava com a faca e o copo sujo de suco na mão.

— Não. Pica o picles. Eu não gosto dele inteiro.

— Vai te catar, Tiago. Quer do teu jeito, faz!

— Não, não. Tá ótimo. Pode continuar.

Ela colocou uma fatia de queixo e uma de presunto defumado. Ele fez um barulho com a boca. Helena o olhou, fechando o sanduiche e entregando no prato para ele.

— Come!

— Claro! – ele fez cara de animado, meio forçada, a fazendo apertar os olhos.

— Não quer um pedaço? – ele ofereceu erguendo as sobrancelhas, a essa hora todos já atentos aos dois.

— Não. Odeio picles. Não posso nem com o cheiro.

— É? E cortou um só para fazer o meu sanduiche? – ele falou achando meigo, a fazendo revirar os olhos.

— Que saber? – ela pegou o sanduiche da mão dele e jogou de volta no prato sobre a bancada – Passa fome. Folgado.

Ela então olhou para os outros que tentaram disfarçar.

— Gente, tem bolo, frutas... — Leila se alertou, apontando para umas travessas no meio da bancada – A mesa foi posta cedinho, que Dona Magnólia teve que sair, mas tá tudo aqui.

Leila chamou atenção delas, as fazendo buscar bancos e se sentar para tomar café. Tiago aproveitou a distração delas, e puxou Helena pela cintura, com o braço esquerdo, para perto dele, a beijando no ombro.

— Não fica assim. – ele aproximou a boca do ouvido dela, a fazendo prender a respiração, olhando para as outras – Obrigada pelo sanduiche. – ele falou bonzinho, pegando o sanduiche e mordendo, fazendo ruídos de satisfação – Muito bom. – falou colocando a mão esquerda na frente da boca, a trazendo da cintura de Helena – Só que eu prefiro mortadela. Mas tá ótimo.

Helena cruzou os braços e balançou a cabeça negativamente, apertando os lábios, não olhando para ele, que voltava a pousar o sanduiche no prato depois de outra mordida.

— Agora – ele continuou com a boca cheia, batendo as mãos, limpando dos farelos – eu vou fazer um para você. Sem picles.

Ele falou se inclinando para ela, sorrindo, tentando amansa-la. Ela continha o sorriso.

— Certo, senhorita esquentadinha. Cara feia para mim é fome. Deixa ver... – ele olhou o que tinha na mesa e viu o pacote de pão do lado esquerdo dela – Primeiro o pão – ele esticou o braço por trás dela, chegando o corpo em Helena, o rosto bem próximo do rosto dela a fazendo morder o lábio – Booom... agora, maionese. – o pote estava mais longe, então ele passou por trás de Helena, o corpo bem rente a ela, demorando, a fazendo sentir ele na região do quadril e pigarrear.

— Você não prefere que eu pegue as coisas para você? – ela falou virando a cara para ele, contendo o sorriso, quando ele fez o caminho de volta com o pote de maionese, devagar, já o abrindo.

— Não! Eu me viro. – ele colocou o dedo na boca lambendo um pouco de maionese que caiu ali, a olhando malicioso – Quer algo mais?

Ela puxou o ar olhando para a mesa, já maliciosa, vendo um pote um pouco mais distante, e a esquerda.

— Aquilo ali.

— Aquilo ali é picles. – ele falou erguendo as sobrancelhas, apertando os lábios.

— Vou experimentar.

Ele mordeu os lábios e chegou novamente o corpo próximo dela, o pressionando mais para poder alcançar o pote, a respiração dele na orelha dela, o sentindo a pressionar no quadril, a fazendo apertar os lábios, prendendo a respiração.

— Você não quer que eu termine esse sanduiche para você, Tiago? Desse jeito só vai terminar amanhã! — Leila se alterou, chamando atenção das outras que tomavam o café.

Ele a olhou assustado e respondeu que não com a cabeça, engolindo em seco, notando as outras olhando para eles. Helena rindo, fingindo inocência. Fechando o sanduiche, ele entregou para ela, que se virou para ele e deu um mordida, mastigando e rindo. Ele coçou o queixo olhando para ela, de cima a baixo. Ela estava com um vestido num modelo parecido com o da noite anterior, de algodão, bege, um pouco acima do joelho e não muito justo, mas mostrando as curvas, que ele observava.

— Adorei esses vestidinhos. Tecido parece muito bom. – ele falou passando a mão no tecido pela cintura dela, descendo.

Leila chegou próxima de Luciane resmungando.

— Esses dois na minha cozinha me deixam nervosa.

Helena olhava para ele, os olhos brilhando, agora, mastigando o resto da mordida de sanduiche, sorrindo. Se ergueu na ponta dos pés para falar algo no ouvido dele, para só ele ouvir.

— Se quiser, depois eu tiro ele pra você, e mostro a textura do tecido. – ela se afastou o vendo sorrir e balançar a cabeça afirmativamente, colocando a mão direita sobre a boca.

Ela então se lembrou de algo.

— Tiago! Que horas é a tua reunião?

— Meu Deus. – ele olhou para os lados e então pegou o celular no bolso – Já tô me atrasando.

— É um avoado mesmo. – ela disse, jogando o sanduiche no prato e o empurrando para fora da cozinha, o acompanhando, que se despedindo das outras, indo para corredor bem a tempo de ouvir Luciane dizendo “Huuum, já tá sabendo até os compromissos do amiguinho.”

Elas ficaram ali olhando para a cara uma da outra, rindo.

— Vou dizer uma coisa para vocês. Eu nunca vi o Tiago assim com nenhuma outra namorada. Todo avoado. Parece que não vê a gente, olhinho brilhando, e não desgruda dela. Entrou num lugar onde tá ela, já vai logo para lá.

— Verdade. – Vitória concordou.

— Parecem duas lagostas. – completou Luciane, tomando um gole de chá.

— Você vai explicar? – AnaLu indagou, com todas franzindo a testa para a madrasta.

— Casal de lagostas, gente. Dessas que grudam as patinhas e não se largam.

Todas assentiram.

Helena subiu para o quarto depois de se despedir de Tiago ainda no corredor, com um beijo, e o despachando para o serviço.

Ela fechou a porta atrás dela, e ergueu a cabeça para o teto, mordendo o lábio. O porquinho havia dominado totalmente a mente dela. Até dormindo com ele, ela sonhava com Tiago. Com ele se declarando. Suspirou, nervosa. Era melhor não sonhar muito alto. Ela não tinha o porquê se iludir. Tiago é muito complicado com esse papo de amor, e já veio de dois relacionamentos assim, profundos. Eles estavam só se curtindo. Namorando mesmo.

“Foca, Helena” Ela disse para si mesma olhando para frente e então notando o seu celular, em cima da sua cama.

Então ela lembrou que estava com ele na sala, e depois não o viu mais. “Merda!” Ela tinha levado o celular justamente para o caso dos chefes ligarem, e perdeu ele a noite toda.

Foi até a cama e pegou o celular, consultando as chamadas. Tinha duas chamadas perdidas da noite passada, mas uma atendida. Ela estranhou. A ultima chamada fora atendida, e durara quase quinze minutos. Não só a pessoa conseguiu atender o telefone sem o novo Paulo desligar na cara dela, como ainda por cima eles conversaram por um bom tempo. E quem achou o celular ainda teve a chance de entrar no seu quarto e o colocar ali na cama enquanto ela descia para a cozinha.

Era isso! Os chefes a estavam vigiando não por escutas, câmeras ou empregados comprados da casa, mas era alguém dali mesmo. Da família do Tiago. E não era o Pedro, pois ele não estava na casa aquela noite. E nem quem estava na cozinha quando ela chegou. O que reduzia e muito o número de suspeitos.

Helena passou a mão na testa, sentindo a cabeça começar a doer. Não queria pensar nisso agora. Se deitou na cama e fechou os olhos. “O que vai ser quando eu finalmente me vingar? Vou embora? Me revelo para Heloisa? Tiago vai ficar bravo por eu não contar de que posso ser prima dele? Vou me afastar dele?”

Ela se virou na cama e jogou o celular no chão, tentando não pensar mais no assunto.

Notas finais
O próximo capítulo vem a seguir. E sim, os quatro meses estão se completando, quase. Então teremos o desenrolar da trama para o fim. Desculpa se acabei me afastando da trama, mas adoro escrever as cenas dos dois. Me permiti esse egoísmo, mas já vou retornar.