A sobrinha da Helô

31 Namorando a sobrinha da Helô II


— Misael. – Tiago entrou apressado no escritório, pegando os seus pertences, seguido pelo encarregado – Eu vou almoçar com os compradores. Eles parecem animados. – o outro vibrou – Mas depois eu nem volto para cá. Você cuida de tudo?

— Claro. – Misael franziu a testa – Depois de uma semana de só trabalho até mais tarde, nada como umas folguinhas.

Ele sorriu para o outro e saiu, parando só para perguntar se a secretária conseguiu o que ele havia pedido.

— Eles avisaram que lá pelas três horas da tarde já tem tudo preparado no ponto que você indicou.

— Ótimo.

E ele saiu apressado.

Era quase três e meia da tarde quando Helena ouviu Tiago batendo na porta do quarto dela, entrando a seguir, indo até a cama e a puxando pela mão esquerda.

— Vem.

— O que foi, Tiago? – ela falou se deixando ser levada em direção da escada.

— Estou te sequestrando. – ele parou no corredor, a pegando pelo rosto e dando um beijo estalado, sorriu e continuou a puxa-la.

Ela só sorriu, e foi descendo com ele, animada.

— Não preciso levar nada?

Ele parou pensando. A olhou de cima a baixo. Ela tinha trocado de roupa e colocado uma bermuda jeans e camiseta branca.

— Acho que os óculos escuros e um chapéu. Vou te esperar na porta. – ele falou e terminou de descer a escada, enquanto ela retornava para o quarto.

Ela foi correndo para o quarto e pegou o que precisava. Desceu a escada e ele tava ali a esperando. Tiago se virou de costas e a pegou pelas pernas a fazendo montar nas costas dele.

— Vou te mostrar como é que um Leitão namora. — ele virou o rosto, falando baixinho para ela.

Ele riu a levando para a porta.

— Tiago? – a avó dele chamou – O que é isso? No meio da tarde saindo com essa aí?

Ela vinha do escritório, os interrompendo e fazendo Helena revirar os olhos.

— Sim! Vou comemorar. Fechei venda de um lote muito bom hoje, graças àquele evento. Tenho que agradecer a quem mais incentivou.

Ele falou se virando para a avó, Helena de chapéu e óculos escuros a olhando de queixo erguido.

— E a Helena foi quem te incentivou e ajudou a conseguir essa proeza? – Magnólia segurou o ódio dobrado diante da conquista do neto e do apoio da sobrinha da Helô.

— Ela e a Camila. – ele olhou para os lados, Leila estava próxima ao corredor da cozinha, os observando de sobrancelhas erguidas – Leila! Vai lá chamar a Camila. Diz que vamos sair para comemorar. Eu e Helena vamos esperar no carro. – ele se virou de novo para a vó – Tchau vó.

E ele saiu com Helena, os dois rindo, enquanto Magnólia fervia. Eles esperaram bons minutos no carro, Helena com os pés sobre o painel, as pernas expostas, com Tiago olhando para elas e para a porta da casa.

— Camila leva uma eternidade.

A irmã veio apressada para o carro, produzida. Entrou e foi para o banco de trás, animada.

— Então, onde vamos?

— É surpresa. – Tiago respondeu olhando para Helena que sorria com a língua entre os dentes, olhando para frente.

Quase meia-hora de viagem e Tiago parou em frente a casa do Robinson.

— Você fica aqui, mana. – Tiago falou a olhando pelo retrovisor.

— Tá louco, Tiago? Você disse que íamos comemorar a venda.

— Sim! Você comemora com seu namorado, e eu... com a Helena. – a outra sorriu, passando as mãos pelas pernas, se inclinando para a frente, e o olhando, queixo sobre o ombro, recebendo uma piscadela dele.

— Você tá brincando, né? Me tirou de casa para só fugir com a Helena?

— Ah.. – ele tirou o cinto se virando para trás – Como se você não fugisse de casa a noite para ir nas baladas com o seu namorado. – a irmã abriu a boca surpresa – Anda, Camila – ele tentou empurrar ela com as mãos para fora do carro – sai, sai, sai. Na volta eu te pego.

— Que grosseiro. Nem parece que é meu irmão!

Ele fechou os olhos e inspirou fundo.

— Camila? – ele gritou.

— Que? – ela voltou com a porta ainda aberta.

— Você tem dinheiro?

Ela sorriu.

Helena olhava a paisagem, tentando saber onde ele estava levando ela. Parecia ser próximo ao rio da cidade, só que mais na área rural. Tiago se concentrava na estrada, a olhando uma vez ou outra, apertando os lábios, se animando, sorrindo.

— Pronto. Chegamos. – ele estacionou em um barranco próximo do rio.

Helena, assim que ele puxou o cinto, olhando para frente, pulou no colo dele, o pegando pelo pescoço e beijando, urgente. Ele gemeu e abriu a boca recebendo o beijo, trazendo as mãos, confuso para as costas dela, sentindo ela morder o lábio dele, enquanto ele buscava a boca dela com a língua, Tiago a abraçou pelas costas a puxando para ele, gemendo. Ela desceu os lábios para o pescoço dele, ele subindo a mão por baixo da camiseta dela.

Tiago se alertou.

— Espera. Helena.

Ela se afastou, respirando difícil. Então o olhou carinhosa.

— Onde você me trouxe, porquinho? – ela perguntou, pegando o rosto dele com a mão direita, apertando.

— Você já vai ver. Vem. – ele falou abrindo a porta.

Helena pegou seu chapéu e óculos que jogara no banco, e se virou sobre o colo dele, saindo pela porta. Tiago veio logo atrás, a alcançando e pegando a mão direita dela com a sua esquerda, a conduzindo até um tipo de píer de barcos de pesca a beira do rio. Ela começando a não gostar da ideia.

Ele parou em frente a um veleiro de menor porte, e se virou para ela, animado, apontando o barco.

— O meu veleiro!

— Diz que você só veio aqui para mostrar o barco e depois vamos para outro lugar.

— Não, Helena... – ele pegou as mãos dela, beijando, sorrindo – Eu sei que você tem medo. Mas esse é seguro. É o barco que o tio Pedro me deu quando eu era pequeno...

— Ah, que ótimo, é velho.

— Não faz assim.- ele tirou os óculos dela e aproximou os lábios para um beijo suave – Confia em mim. Vou estar contigo, nada vai te acontecer. Juro.

Ela revirou os olhos e suspirou.

— Tá. – ela pegou os óculos de volta e os colocou – Meu testamento já tá pronto mesmo.

Ele riu e foi na frente, entrando no veleiro e a ajudando a subir. Helena logo se sentando na popa, longe das velas e mastros, para onde Tiago se dirigiu. Ele olhava meio confuso. Então ele saiu de novo do barco e soltou a corda, voltou ao barco e subiu a ancora, começando a levantar velas, sempre franzindo a testa.

— Você não parece estar sabendo o que tá fazendo. – ela o observou, já ficando nervosa.

— Pode deixar. Faz tempo que não mexo com esse barco, mas vai dar certo.

Depois de uns minutos eles já estavam saindo do píer, as velas se erguendo com o vento. Ele trabalhou ali mais uns minutos até sentir o barco seguindo até mais longe da beira do rio, de vez em quando olhando para ela, que prendia a respiração olhando para fora do barco. Estavam chegando bem distantes, quase não enxergavam o píer mais. Ele então abaixou a vela e foi até ela, sentando do seu lado esquerdo. Ele acomodou o espaço atrás dele, e se deitou, colocando a cabeça sobre a mão esquerda, a olhando. Ela se virou para ele e respirou fundo.

— Vem. – ele a chamou com a mão direita – Eu te protejo. – ele sorriu para ela.

Helena então deitou a cabeça sobre ele, sentindo o braço direito de Tiago a puxar pelo ombro.

— Olha pra cima. – ele indicou.

Ela olhou. Como estavam afastados da beira do rio, olhando para cima parecia que era só eles e o céu. Com o barco se movimentando, sentia os dois flutuando.

— Não parece que é só nós, no mundo? Juntos? – ele falou, olhando para ela, que ergueu a cabeça para ele, levantando os óculos para a cabeça, concordando.

— E agora? – ela perguntou, a voz suave.

— Agora a gente namora. – ele sorriu e a puxou para um beijo estalado.

Os dois ergueram a cabeça para cima de novo, respirando fundo. Tiago pegou com a mão direita a mão direita dela, entrelaçando os dedos. Ele baicou a cabeça a observando, notando ela olhando para o céu.

Então ele se virou sobre ela, apoiando o braço direito no barco, deitando ali a cabeça dela, e a puxou pelo queixo com a mão esquerda, brincando com o polegar ali. Helena sentiu aquela sensação subindo do estomago, somada a falta de ar que dá sempre que ele a olhava assim. Colocou as mãos sobre o rosto dele e o puxou para o beijo, sentindo ele puxar o ar e subir mais sobre ela, passando então o braço esquerdo para as costas dela, a puxando e depois descendo a mão para o quadril de Helena. Ela passeou as mãos pelas costas dele, alcançando-o no quadril, que ela puxou, enquanto Tiago descia os lábios para o pescoço dela. Ela ajeitou o quadril abrindo as pernas e as fechando sobre Tiago, o puxando. Ele se ajeitou, colocando as mãos apoiadas no barco e sem querer o movimentou.

Helena se alertou, subindo a mão para os ombros dele. Tiago sorriu a vendo assustada.

— Acho que vamos ter que namorar sem movimentos bruscos.

Ele fez bico.

— Só beijinhos? – ele perguntou manhoso.

— Só. – ela imitou o bico dele.

Ele sorriu e voltou a beijar ela, descendo os lábios pelo pescoço, se deitando do lado dela. Os dois ficaram assim de frente, as testas se encostando.

Ele contou que quando Pedro foi embora, era muito pequeno para aprender a velejar, mas que quando tinha treze anos pediu um professor, e, sob protestos da avó e pai, aprendeu.

Ela contou que nunca gostou de água. Que desde que se entende por gente odeia e nem mesmo banheira consegue entrar.

Ele contou que adorava nadar.

Ela contou que a cicatriz na costela foi de uma briga dentro do reformatório quando tinha quatorze anos, e que a outra garota saiu com o nariz quebrado e sem o canivete.

Ele contou que nunca ganhou uma briga. Ou perdeu, ou alguém separou. Pelo menos até a surra no Tião.

Ela contou que ganhou todas. Até contra meninos.

Ele contou que sentia falta da mãe dele. E que ela sempre o abraçava, e dizia que o amava, antes dele ir dormir. E que às vezes, ela ia para o quarto dele, se trancava lá. Até mesmo levando Camila, e esperava ele fechar os olhos, para chorar.

Ela contou que não sabia quantos anos tinha quando a colocaram no abrigo, mas que aos nove anos de idade foi adotada, ou levada para um a família acolhedora, não sabia, mas que depois de uns dias notando o olhar do filho mais velho do casal, ela passou a dormir dentro do roupeiro e a nunca ficar sozinha com ele. Até que uma noite ele entrou no quarto dela, e quando foi ver se ela estava no móvel, ela o derrubou abrindo a porta e fugiu da casa, indo longe, até ser encontrada por policiais, contando tudo. Voltando para o abrigo. Notando pela cara de todos, que estavam punindo ela. Mas que aos nove anos de idade ela já notava quando olhavam de jeito maldoso para ela e outras meninas.

Ele contou que não podia nem ficar perto de Luciane no inicio, pois sentia falta da mãe. Que sua avó incentivou muito o conflito, e que ele só percebia hoje, que, no final, Luciane sempre fora legal com eles. E que hoje a respeita e considera.

Ela contou que Pedro era como um pai para ela.

Ele contou que nunca teve um bom relacionamento com o pai.

Ela contou que estava com frio.

Ele contou que já era noite e eles nem perceberam.

Ele a abraçou. Ela o puxou pelo colarinho para um beijo.

Enquanto ele descia os beijos pelo rosto dela até o pescoço, ela contou que nunca confiou em ninguém como confia nele. E que nem sabe como isso era possível.

Ele a abraçou pelos ombros, prendendo o ar e a puxando para ele, e pensou em contar algo que ele tinha muita vontade, mas não teve coragem e a beijou, soltando o ar, sentindo a sensação de frio no estomago virar algo morno se irradiando por todo o corpo dele, como se estivesse mais vivo. Sentiu Helena puxar o seu rosto com as mãos, abrindo a boca para aprofundar o beijo, o fazendo gemer, a perna direita dela subindo e o trazendo para ela. A mão direita dela então descendo até o cós da calça dele. Ele parou o beijo, sorrindo.

— A gente não pode fazer movimento brusco. – Tiago disse se afastando, os olhos, quase fechados, mirando os lábios dela.

— Eu não ligo. – ela falou, o olhando intensa, a voz fraca, a respiração difícil.

Ele parou uns segundos a olhando nos olhos e se aproximou devagar, segurando o rosto dela com as mãos, a beijando, urgente, sorvendo os lábios dela, enquanto se virava a trazendo para cima dele. Helena se deitou sobre ele, as pernas o rodeando pelo quadril.

Ela então se ergueu, montando nele. Ainda o olhando, com a respiração acelerando, ela tirou a camiseta, a deixando de lado, mostrando a lingerie preta, enquanto Tiago se apoiava nos cotovelos, a admirando, e então se erguendo e indo com a boca até o pescoço dela, sugando um ponto, passando as mãos pelas costas dela, procurando o fecho do sutiã. Ela sentia os lábios dele descendo agora, mas as mãos tateando sem sucesso as costas. Sorriu, e com as mãos o afastou pelos ombros, o olhando e abrindo o fecho do sutiã que era na frente, o jogando de lado. Ele acompanhou os movimentos dela com a boca entreaberta, a língua a beira do lábio inferior, que se liberou assim que ela o puxou pela nuca até ela, arqueando o corpo, segurando a cabeça dele com as mãos o puxando pelo cabelo.

Ele se apossava do seio esquerdo, passando a língua quente e sugando, devagar, a mão esquerda subindo até o seio direito, a fazendo gemer, ascendendo mais ele, que passou os lábios ao outro seio, agora urgente, as mãos descendo até o short dela, abrindo, a mão direita entrando, ela jogando mais o corpo para trás, puxando a camisa dele. Tiago então se afastou, a beijou, e se inclinou para a frente, a fazendo se deitar sobre as pernas dele. Ele então desabotoou a camisa e a tirou para trás, voltando as mãos sobre a pele dela, passeando as mãos do ventre até os seios, descendo até o short, que ele puxou, tirando junto a calcinha, a deixando nua.

Helena então se ergueu, sentando sobre ele, o pegando pelo rosto, aproximando os lábios, a boca entreaberta a exemplo de Tiago que esperava o beijo. Ela passeou o nariz pelo nariz dele, pelas bochechas e ergueu o queixo sentindo os lábios dele, molhados, a respiração ofegante de Tiago, ele a mordendo ali, pedindo o beijo, e desceu os lábios para os lábios dele, sentindo ele perder o controle e a puxar com as mãos pelas costas, para junto dele, a mão esquerda subindo para a nuca dela, enquanto ele abria a boca e enfiava a língua a fazendo gemer mais e inclinar a cabeça para o lado, sentindo sob a calça dele o volume crescendo sobre onde estava montada. Ela o abraçou pelo pescoço enquanto afastava o beijo e descia os lábios pelo pescoço dele, sugando em um ponto.

Helena afastou o corpo e desceu as mãos para tirar o cinto e depois desabotoar a calça dele. Tiago a viu descer sobre as pernas dele, puxando a calça, se ergueu a ajudando a empurrar a calça e cueca, a trazendo de volta para ele, terminando de se liberar da vestimenta com os pés, ficando só de meias, depois de retirar os sapatos com os próprios pés. Ele então voltou a se deitar, sem folego, as mãos voltando a descer pela cintura dela até o quadril, que ele apertou, ergueu, e o encaixou nele, prendendo a respiração.

Ambos começaram a gemer. Helena se inclinou para a frente, apoiando as mãos no peito dele, terminando de se encaixar, sentindo Tiago subir as mãos para os seios dela, massageando, a admirando sobre ele, os cabelos soltos jogados para frente, caindo para frente. Ela molhou os lábios e sorriu, começando um movimento para frente e para trás, devagar, o sentindo, fazendo ele gemer com ela, mordendo os lábios, ainda a acariciando e jogando a cabeça para trás quando ela fazia movimentos mais profundos. Ela cravou as unhas no peito dele, se inclinou mais a frente, e começou a mexer o quadril para cima e para baixo, com Tiago descendo a mão até as nádegas dela, as apertando e seguindo os movimentos. As mãos dele começaram a exigir mais velocidade, ela acelerou, sentindo as ondas de prazer aumentando, assim como a respiração, a boca aberta, os olhos fechando.

Ele começou a ajudar a dar mais velocidade, a subindo e descendo, movimentos mais longos e mais rápidos, ela gemia, chamando o nome dele, que chamava o dela.

Tiago parou os movimentos, erguendo o tronco e a sentando completamente sobre ele, a envolveu com os braços, começando movimentos de subida e descida a segurando, enquanto os lábios passeavam abertos pelo queixo e pescoço dela, beijando e sugando. Ele a olhou subindo e descendo sobre ele, a boca aberta, gemendo, os olhos fechados. Tiago desceu a boca até o ombro dela e mordeu, depois ergueu a boca e a puxou para um beijo, parando os movimentos.

— Grita. A gente tá sozinho.

Ela arfava, suor prendendo o cabelo dela pelo pescoço, sorriu, olhando ao redor e notando que estavam num breu, sem luz por perto, só a lua iluminando os dois, entre algumas nuvens. Ele passou as mãos para o quadril dela voltando aos movimentos. Ela se moveu para frente e para trás voltando a pular no colo dele, agora com mais força, o envolvendo pelo pescoço, erguendo a cabeça e gemendo alto, gritando, sentindo os movimentos acelerarem. Tiago gritando junto. Ela subiu as mãos para os próprios cabelos quando sentiu o ápice chegando, e ele a abraçando forte, já atingindo o dele, os lábios presos sobre o seu seio direito, enquanto ela sentia o dela próximo, acelerando os movimentos e gritando mais alto até que a voz falhou, e ela se contorceu no colo dele com os espasmo de prazer, abrindo os olhos e sorrindo com a visão das estrelas que Tiago deu para ela.

Eles ficaram alguns minutos deitados, nus, olhando para o céu estrelado, até que Tiago notou que era muito tarde e se ergueu para voltar. Ela o observando, sem roupa, mexendo no barco. Ele voltou até ela, que estava sentada, e a beijou, rápido.

— Melhor eu me vestir.

— Que pena. – ela falou se deitando, o observando.

Helena se vestiu pouco depois. Mal sentiu os movimentos do barco, parecia natural para ela, agora. A sensação de flutuar estava até a deixando relaxada. Ela fechou os olhos enquanto Tiago terminava de aportar. Ele jogou a ancora e amarrou o barco no píer. Vazio, com algumas lâmpadas acessas. Ele deu a mão para ela se apoiar e sair do barco.

Ela pulou para fora do barco, segurando o chapéu e óculos de sol na mão, e o envolveu pelo pescoço o beijando.

— Quer saber? – ela se afastou, suspirando – Isso de namorar é muito bom.

Ele sorriu a pegando pela cintura e levantando no ar, urrando.

— Ah é?

— É! – ela respondeu erguendo os braços.

— Vamos. – ele desceu ela dando um beijo estalado – Que estou morrendo de fome, e se chegarmos cedo podemos achar um lugar para namorar mais.

Ele falou a puxando para o carro. Ela correu com ele. Passaram na casa do Robinson, pegaram Camila que estava só alegria, como eles, e foram para casa.

As duas entraram na casa rindo, Tiago atrás, com sorriso largo. Ele trazia na mãos as coisas de Helena, sem perceber o cinto faltando.

— Mas olha só esse barulho todo! – Magnólia veio pela escada, irritada com as risadas dos três – Então? Foi boa a comemoração?

— Ótima! – disse Camila olhando para os dois – Comi horrores.

— Que bom. Já gastando o pouco dinheiro que Tiago conseguiu. – Magnólia estava mais amarga que de costume — E vocês? – ela se dirigiu a Tiago e Helena, que respiravam fundo.

— Eu tô morto de fome, vó. – ele falou indo até a matriarca para dar um beijo na bochecha dela.

— Você tá morto de fome? A sua irmã acabou de dizer que comeu horrores.

Ele olhou para as duas, que erguiam as sobrancelhas.

— É que na hora que Camila comeu eu tava sem fome, daí não comi.

— Sei.

— Já chegaram. Que bom! – disse Pedro do alto da escada, descendo.

Helena foi até ele, o encontrando ao pé da escada, o abraçando. Ele surpreso e feliz com o gesto.

— Se divertiram? – ele falou a afastando e acariciando o rosto dela.

— Muito! – ela disse olhando para baixo, sorrindo – Tiago me fez perder medo de barco!

Ela olhou para Tiago, que sorriu de volta, colocando as mãos nos bolsos da calça.

Pedro e Camila falaram ao mesmo tempo.

— De barco?

Magnólia apertou os olhos para Camila.

— Eu não sabia que ela tinha medo de barco. – a neta tentou corrigir a falha ao revelar que não sabia do barco.

— Mas que maravilha, Helena. Agora podemos fazer mais viagens – ele levantou o olhar para o sobrinho, sorrindo, observando o outro contente – Eu estou muito feliz mesmo, viu. – Pedro falou olhando para ela, e a beijando no auto da cabeça, Helena fechando os olhos, sentindo o carinho – Agora. O seu quarto. Aparentemente não avisaram a dona da casa que um marceneiro foi chamado e ela dispensou o mesmo. Vais ficar sem fechadura até amanhã. — ele dizia olhando com desagrado para Magnólia, que conteve um sorriso de satisfação.

Ela o olhou desapontada.

— Que droga. – falou Tiago, fazendo Magnólia inspirar fundo e tocar o neto de perto dela.

— Vai, Tiago. Vai se arrumar, tomar um banho para jantar.

Ele foi erguendo as sobrancelhas. Sorriu para o tio e Helena e subiu pelas escadas.

Passou pelo corredor respirando fundo, satisfeito. Olhando para a porta de Helena e já pensando na lástima que era o marceneiro não ter consertado. Ele entrou no próprio quarto e olhou para o local, sorrindo. Será que tinha um lugar da casa que não o fazia lembrar da Helena? Algo atraiu a visão dele para o fundo do quarto, a sua esquerda.

Ele olhou e abriu a boca, surpreso. E então a fechou, furioso. Aline estava nua, próxima ao roupeiro dele, sorrindo, o olhando. Tiago bateu a porta e foi até ela a pegando pelo braço e puxando.

— Quando eu acho que você ultrapassou qualquer limite. Você mostra que pode ser ainda pior. – ele a puxava pelo braço.

Aline se desvencilhou, resmungando.

— Para, Tiago. Eu só estou te dando o que você quer. Não é assim que a marginal te mantém do lado dela? Te satisfazendo na cama? Eu também posso.

Ele tinha as mãos na cintura, o rosto demonstrando nojo e raiva pelo que ela falou.

Aline deu um passo a frente o pegando pelo, rosto, Tiago tentando afastar ela, quando ouviram o barulho da porta sendo aberta com força. Helena estava na porta do quarto dele. Lívida, as narinas dilatadas, olhando a cena.