A sobrinha da Helô
37 No sofá com a sobrinha da Helô.
Notas iniciais
— Bruno... acho que... melhor você ir, cara. – Pedro interveio, notando o efeito da declaração do médico em Helena.
Ela tinha os braços cruzados e inclinava-se na direção de Bruno, sem olhar para o namorado, enquanto o médico sorria ao ver Tiago alerta e furioso.
— Você é totalmente sem noção. Maluco! – Tiago se enfureceu e foi na direção do outro, gesticulando com a mão direita no ar, a esquerda na cintura, os olhos arregalados – Helena... – ele se virou rapidamente para ela, colocando as mãos unidas sobre o nariz, respirou fundo, tentando ficar calmo para ela escutar ele se explicar – Não é o que ...
— Você sabe que eu odeio essa frase! – ela falou virando o rosto, braços cruzados.
— Mas é a verdade! Ele disse que eu tava agarrando, mas eu não tava... – ele se virou para Bruno, apertando os lábios, o médico tinha um Pedro já com as mãos nos ombros dele para leva-lo para a rua, e sorria erguendo o queixo – Conta isso direito! Eu estava segurando a Isabela porque estava brigando com ela.
— Ah é! Agredindo a ex-falecida-namorada na balada. Muito melhor para a sua imagem mesmo. – Bruno respondeu com escárnio, encarando Tiago, o chamando para brigar.
Tiago perdeu a cabeça e foi na direção dele, sendo segurado por Helena, enquanto Pedro segurava Bruno.
— Deu! Chega! – ela o segurava com as mãos no peito dele, se colocando entre os dois – Eu acredito em você, Tiago. Agora se acalma.
Bruno olhou Tiago se acalmando e a olhando feliz com a confiança, e ficou furioso.
— Eu não sei o que esse cara tem que as mulheres não enxergam o merda que ele é.
Bruno disse isso indignando Pedro e sendo ignorado por Tiago, que agora abraçava Helena. Ele se soltou e saiu, irritado.
— Esse louco me atacou na boate outra noite com papo que eu não posso tratar mulher de qualquer jeito, e hoje vem de novo para cima de mim! Não consigo entender. – Tiago disse olhando na direção da porta, abraçando Helena pelo ombro.
— Já eu acho que estou começando a entender! – respondeu Pedro, a mão direita acariciando a barba do queixo, olhando para a porta e então se virando para os dois, dando um meio sorriso e saindo para a cozinha.
— Anda! Me conta isso direito! – Helena se afastou dele e bateu com um soco no braço esquerdo de Tiago, voltando a morder a maçã.
— Ai! Pensei que confiasse em mim.
— Confio. – ela falou com a boca cheia – Mas quero saber a razão da sua ex-morta estar na balada contigo. Sabe como é, curiosidade feminina.
— Que lindinha...- ele ia completar a frase “com ciúmes” mas Helena parou de mastigar e o olhou séria, apertando os lábios, o fazendo se lembrar que ela odiava que dissessem que ela está com ciúmes – Ok! Na semana que você saiu com Pedro. Acho que uma noite anterior ou duas de voltarem, eu sai para beber algo. Tava sentindo a sua falta... – ele deu um passo para frente, a pegando pelo rosto, sorrindo, mas não conseguiu desfazer a feição séria dela, suspirou – Daí Isabela veio até mim... – ele então olhou para um ponto acima da cabeça de Helena, lembrando e ficando intrigado– Ela queria saber de você. Disse que tinha amigos dela que estavam querendo saber onde você estava. Nossa, com o furdunço que o Bruno provocou eu esqueci do que ela tinha dito.
Ele então se afastou e colocou as mãos na cintura, olhando a namorada intrigado. Helena mastigava e olhava para o lado, pensando.
— Ah tá. – foi o que ela respondeu.
— Você não acha isso estranho?
— Ela estar me procurando?
— Sim.
— Sim e não.
Ele apertou os olhos. Odiava essa resposta dela.
— Sua vez de contar isso direito!
— Sim, é estranho ela estar me procurando, pois não vejo motivo para isso. E, não é estranho, porquê ela me achou em Paraty e disse a mesma coisa. Que amigos dela estavam querendo saber de mim.
Tiago tinha a testa franzida, a boca levemente aberta enquanto pressionava a língua no lado interno da boca, do lado esquerdo, preocupado e irritado com a informação.
— E você diz isso nessa tranquilidade? Tem mais gente te vigiando!
— Sim...mas é gente amiga. Que não conheço, mas que pelo visto não vai me ferir. Só mais um mistério no meio de muitos do elenco primoroso de personagens que te rodeiam, querido. – ela falou olhando para a escada e depois para o namorado, fazendo um sorriso falsamente meigo.
Ele balançou a cabeça preocupado.
— Não gosto disso. – ele olhou para os lados, passando a mão esquerda pela boca – Vou ver com a segurança para ficar alerta para qualquer movimento. Tu só sai comigo agora. Ou com Pedro. E só!
— Ai que lindinho. – ela se aproximou o pegando pelo queixo e trazendo para um beijo meigo – Como se saísse mesmo com mais alguém além de vocês dois.
— Acho bom. – ele a puxou, a abraçando e beijando a testa dela.
Helena se deixou abraçar e suspirou, fechando os olhos e o abraçando de volta.
— Vai, Tiago. A empresa, lembra?
— Tá. – ele afastou o rosto e suspirou, a beijando com carinho – Por favor – ele pedia, com a mão direita no queixo dela, o polegar o acariciando – se cuida.
— Pode deixar. – ela respondeu dando outra mordida na maçã e sorrindo para ele.
O almoço trazido por Pedro foi muito bom, ainda mais depois da ideia de levar o toda a comida até o quarto de Vitória, trazer o seu Fausto e todos almoçarem finalmente em família, tentando animar a grávida.
Helena nunca tinha passado tanto tempo com eles, assim, realmente parecendo uma família. Sem a presença de Magnólia se conseguia perceber um sentimento genuíno entre eles. Vitória parecia mais viva e Camila mais calma e confortável.
Helena só sentiu um certo desconforto pois mais de uma vez, quando ela estava distraída ouvindo um deles, notou o avô de Tiago a observando. Fausto não conseguia falar, só se comunicava com o olhar e piscadelas, mas ainda assim não parecia enfermo, para ela.
Depois do almoço chegou o marceneiro que começou a cuidar da porta de Helena, observado por ela e Pedro, fazendo barulho e finalmente acordando Magnólia, que apareceu amuada e passou por eles reclamando.
— Cuidado com a escada, eim, Dona Má. Boatos de que está escorregadia. – gritou Helena para Magnólia, a provocando enquanto a outra sumia pelo corredor – Pedro – Helena voltou a olhar para a porta, colocando o dedo indicador da mão direita sobre a boca – eu perdi uma coisa no quarto do Tiago. Vou lá.
— Tudo bem.
Ela foi de fato até o quarto do namorado, procurando seu jogo de ferramentas para abrir portas. Achando, ela foi até o quarto de Magnólia, aproveitando que Pedro estava de costas para o corredor por onde passou. A velha poderia ficar longe por muito tempo, pelo menos até o barulho terminar. E ia demorar, estavam trocando a porta inteira, Helena teria tempo para o que queria.
Mais de uma hora depois ela passou de novo para o quarto de Tiago, carregando uma fronha recheada, quase pulando de alegria, sem ser notada no corredor vazio. Voltou então para o quarto, a tempo de Pedro abrir a porta sorrindo para ela, e dispensando o marceneiro.
— Pronto! Quarto protegido! Aqui, as chaves. Mantenha as duas contigo. – ele falou animado, entregando as chaves.
— Obrigada! – ela abraçou ele, feliz – Nunca vou pagar o que você faz por mim, Pedro. – Helena sentiu a necessidade de falar isso enquanto ainda o abraçava.
— Você ficando bem já é muito para mim, menina. – ele respondeu a abraçando, puxando então a cabeça dela para o peito dele, suspirando – Bom. Vou lá pagar o marceneiro e ver se já trouxeram a geladeira nova.
Helena se afastou e arregalou os olhos lembrando da geladeira quebrada.
— Vai lá.
Ela o viu indo embora e entrou no quarto rapidamente, pegando a mochila dela, vazia, e indo até o quarto de Tiago, de onde trouxe a mochila cheia, novamente dando pulinhos. Entrou no quarto e se trancou pouco antes de Magnólia passar por ali, bufando, com dor de cabeça, voltando para o seu quarto.
— Tiagão! Lenda de São Dimas. Sabia que é mais fácil encontrar seu pai, que está em campanha, que você? – disse Antonio entrando sem cerimonia e ser anunciado, no escritório, onde Tiago se debruçava sobre pastas contábeis – Tá me evitando? – ele caminhou até a cadeira em frente a mesa do amigo, sem ser notado – Olha, amigo, se você chegar depois da noiva no casamento...Tiago? – Antonio bateu na mesa chamando a atenção do outro.
— Que? – Tiago levantou a cabeça assustado – Desculpa! Uma coisa aqui me pegou.
— Ah, sim, claro. Começa com “A” de amor? – ele sorriu para o amigo, que tinha olhado mais uma vez para as pastas e então suspirou voltando a olhar para o amigo, com um sorriso e olhos brilhando.
— E ela já sabe que você a ama? – Antonio estreitou os lábios, num sorriso contido e ergueu as sobrancelhas para o amigo.
— Fala, cara. – Tiago fechou as pastas sem responder a pergunta, ficando sério.
— Eu estou com um problemão!
— Pois é, eu também! Na verdade, eu acho que você pode me ajudar. – Tiago apontou para o amigo, que baixou a cabeça o olhando fixo, irritado – Novamente, desculpa. Conta, qual o seu problema?
— Meu problema – Antonio levantou a cabeça, passou as mãos pelas lapelas do paletó bege claro, e respirou fundo – é que meu noivado é na terça que vem e meu padrinho está desaparecido.
— Nossa! Já é nesta terça? E quem é seu padrinho? – Antonio apertou os olhos para ele – Ah é! Nossa! Desculpa, cara, de novo! Você não faz ideia do que tem me acontecido.
— E o que não acontece com você, não é Tiago? Voce é aquela novela movimentada, que nem sempre é boa, mas sempre tem algo muito interessante ou muito bizarro que chama a atenção!
— Obrigada. – Tiago respondeu sarcástico – Mas voltando ao assunto. Terça agora, né? Estarei lá! – sorriu para o outro que ergueu as sobrancelhas – Espera, onde vai ser?
Antonio riu do nível de distração do amigo.
— Casa da minha mãe. Isso eu te contei da ultima vez. Vai ser coisa bem simples, pra não assustar Ruth Raquel.
— Anotado! Estarei lá...que horas vai ser?
Antonio agora riu alto.
— Começa às vinte horas. Por favor, apareça. Por sinal, minha mãe faz questão de convidar toda a sua família. Então, ao menos eles vão poder te lembrar – Tiago sorriu para o amigo, que o observou por um instante – Tá feliz, né, Tiago?
— Muito! – Tiago suspirou, batendo com a caneta na mesa, ele se jogou para trás na cadeira.
— Que bom.
— Falando nela. – Antonio sorriu, enquanto Tiago voltava a se inclinar para frente – Posso levar a Helena?
— Sério?
— Sim. Ela é minha namorada, agora.
O outro levantou as sobrancelhas, novamente.
— Estão ficando bem oficiais. Só que acho que não vai ser uma boa ideia.
— Por que?
— Porque a sua atual namorada é a mesma expulsa da casa da sua ex-noiva, depois de acusações suas de que ela tentou te agarrar, lembra? E vai ter muita gente daquela mesma festa, lá.
Tiago se lembrou do fato fazendo careta, enrugando o nariz.
— Verdade. Que doideira, né cara? – Tiago levantou então o rosto para um ponto alto a direita – Quem diria que eu ia me apaixonar pela sobrinha da Helô.
— Ah é. Ainda mais se pensar que daqui vinte anos ela vai ser a cara da sua ex-futura-sogra.
— Né? O que também não é ruim. – ele tentou fazer graça, Antonio deu um meio sorriso.
— Muito bem. Vejo que você está muito ocupado e eu já dei meu recado. – Antonio se levantou, sendo imitado por Tiago que foi até o amigo dar um abraço – E pode deixar que se você quiser vir com sua namorada vai ser bem recebido.
— Valeu. – Tiago tinha a mão esquerda sobre o ombro direito do amigo – O que me lembra de te perguntar. Leticia vai estar lá?
— Não. – Antonio respondeu desviando o olhar de Tiago, olhando para baixo – Ela não... melhor não ir.
— Por causa de mim?
— Há muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, meu caro amigo.
— Eu estou falando sério.
— Eu também. – ele percebeu que Tiago insistiria no assunto e olhou para os lados, percebendo em cima da mesa as pastas que o amigo olhava – Você não queria minha ajuda para algo?
Tiago já abria a boca para fazer mais perguntas, quando ele o lembrou dos registros contábeis da empresa.
— Sim. – ele respondeu já indo buscar na mesa as pastas, agitado – É isso aqui.
Ele abriu uma das pastas e mostrou para Antonio.
— Você poderia me explicar sem números? – Antonio pediu, mexendo nos papeis sem entender.
— Certo. – Tiago fechou a pasta e olhou para os lados, tentando ver se a porta não estava aberta – Eu fui compara as vendas dos anos anteriores e as atuais, para saber como vamos. Sabe? Pra saber se conseguimos recuperar o fluxo de venda. Então eu notei que os valores de muitas vendas são muito aquém das de hoje. Mesma quantidade, mas menos valor.
— É a crise. Aument...
— Tá! Mas como tu explica que valores de algumas vendas saíam menor que o valor de matéria prima? Sem contar, bom, fui investigando mais nos registros, há aqui aquisição de maquinário que não está no inventário. É como se em muitos pontos os balancetes tivessem sido maquiados para esconder retiradas.
— É como? Me parece que é exatamente isso, meu amigo.
— Sim. – Tiago respirou fundo colocando a mão esquerda no queixo e olhando para o amigo – Mas eu não vou sair acusando sem provas. Não agora. Mas também não posso pegar tudo isso e levar em outro contador, que não o da empresa, podem desconfiar. Não quero que isso chegue nos ouvidos da minha avó. Era o Ciro quem cuidava disso, e foi ela quem o designou. A vó ficaria ainda mais arrasada se descobrisse que o cara a tava roubando. Agora com o que aconteceu com Aline, mesmo. Ela estava muito mal.
— Ah sim. Ouvi falar da Aline. – Antonio falou pegando as pastas e abrindo uma para tentar entender os números e como o amigo conseguiu pegar esses detalhes – Tá ficando esperto, eim Tiago. Se você descobrir os desvios, e para onde eles foram, o que é a parte mais difícil, pode recuperar eles e até salvar a empresa. Porque mesmo que os outros bens estejam congelados, esses valores não vão entrar no atual bloqueio, vai dar para usar aqui.
Tiago se agitou animado.
— Beleza! Vou pegar as outras pastas para você. Eu tiro os balancetes e coloco na minha pasta. Daí saio contigo para um almoço rápido e deixo eles com você.
Antonio olhou o amigo surpreso.
— Quê isso, Tiago, virou o 007? “Viva e deixe morrer.” – Antonio falou fazendo o outro rir, enquanto tirava os papeis das pastinhas e colocava na sua pasta.
Quando Tiago chegou em casa já era mais de nove horas da noite. Todos já haviam jantado. Na sala de jantar apenas Magnólia jantou, os demais repetiram o ritual do almoço, jantando com Vitória, tendo ainda a companhia de Luciane, que não ficou com o marido para reunião do partido. Magnólia passou pelo quarto da filha ouvindo as risadas e conversas, sentindo a dor de cabeça piorar. Se dirigiu então de volta ao quarto para tomar um remédio mais forte e que a permitisse dormir.
Helena resolveu descer com seu prato, deixando todos estendendo a confraternização no quarto de Vitória. Chegando no pé da escada, viu Tiago, que vinha da sala de jantar, com uma sacola.
— O que é isso? Pessoal já jantou? – ele falou sorrindo, abrindo os braços para ela.
Helena sorriu e abriu os braços também, deixando a mão com o prato estendida do lado direito, recebendo o beijo de Tiago.
— Você demorou tanto que não tivemos como esperar. Maioria jantou no quarto da tua tia. Até teu vô.
Ele levantou as sobrancelhas e olhou para cima.
— Sério? Que bom. – ele disse para a namorada, que concordou, antes de dar um beijo estalado.
Helena então se virou trazendo o prato para as duas mãos, e foi caminhando para a cozinha com um Tiago pendurado no seu ombro, beijando o alto da sua cabeça.
— Você tá com fome?
— Muita. – ele beijou o rosto dela.
— Sorte sua que a Leila fez muito, então.
— Leila voltou? – ele perguntou, os dois chegando na cozinha.
— Sim – Helena pousou o prato na pia, sempre com o namorado pendurado – ela disse que não tem como ficar em casa ou no hospital. Cabeça vazia...
— Puxa. Que tenso.
— Pois é. – ela falou se virando de frente para ele, colocando as mãos no peito de Tiago, suspirando – Por que demorou tanto?
— Já tava com saudades? – ela nem respondeu, só conteve um sorriso e revirou os olhos – Eu estava. – ele beijou o queixo dela, mordendo em seguida e fazendo ela abrir o sorriso – Mas hoje o dia foi cheio. E...- ele passou os braços ao redor dela, os fechando nas costas de Helena, a apertando enquanto a admirava com o queixo erguido – seu namorado foi muito esperto hoje. Logo merece uma boa recompensa.
Tiago terminou a frase descendo a testa dele até a dela, a olhando nos olhos, fazendo Helena soltar um risinho.
— Que bom. Quando ele chegar eu vou parabeniza-lo, sim. – ela respondeu já colocando os braços ao redor do pescoço dele.
— Você tem outro namorado? – ele tentou fingir surpresa.
— Tenho, mas não vai durar, ele é um porquinho.
— Que pena. – ele curvou os lábios para baixo fingindo lamentar, enquanto Helena ria e o puxava pela nuca, para um beijo.
Tiago baixou as mãos para a cintura dela, puxando o corpo dela para o seu, urgente. Tinham estado juntos fazia algumas horas, mas ele já sentia falta dela como se fossem semanas.
— Ah, que bonito! Já estão na minha cozinha de novo. – disse Leila entrando na cozinha pela porta externa, os fazendo se afastar com a mão na boca – Só espero que dessa vez não quebrem nada.
Helena e Tiago, que riam, arregalaram os olhos.
— Que isso, Leila? Não quebramos nada. – Tiago falou mexendo na orelha direita, nervoso.
— Como não? É prato, é copo, o que mais vai ser?
Os dois se entreolharam, ambos de braços cruzados.
— Tá certo, Leila. Agora, eu estou morto de fome. O que temos?
Tiago foi até a empregada e a acompanhou enquanto a mesma mostrava o que havia sobrado para ele. Ele preparou um prato e foi comer em pé, na bancada mesmo, Helena se prostrando do lado dele.
— E você? – ele colocou a mão a frente da boca, segurando o garfo e perguntando para a namorada – O que fez hoje?
— A sua namorada hoje também foi muito esperta. – ela estava inclinada sobre a bancada, se apoiando sobre os cotovelos, e então virou o corpo para ele, ficando só com o cotovelo direito ali, inclinando a cabeça, que apoiou sobre o ombro direito e sorriu – E ainda ganhei uma porta novinha, já que meu namorado quebrou a anterior.
— Mas que maravilha. – ele termino de mastigar e engoliu, largando o garfo para passar a mão direita no rosto dela, apertando a bochecha de Helena – Acho que a minha namorada é que merece uma recompensa!
Ele então pegou a sacola que tinha pousado sobre a bancada e colocou na frente dela. Helena arregalou os olhos e abriu a sacola, vendo vários DVD’s de filmes ali.
— Filmes?
— É, para assistirmos, SÓ, nós dois, hoje.
— Huuuum. – ela ergueu a boca para ele, que a beijou – Terminou? – ela perguntou, olhando para o prato vazio dele.
— Sim. – ele suspirou – Agora eu vou lá em cima dar oi para o pessoal. Vem?
— Vou!
Eles subiram e entraram no quarto de Vitória vendo a família toda ainda reunida ali. A tia parecia realmente melhor. Até Camila tinha mais animo. Tiago beijou o avô feliz de ver ele bem, e então beijou os demais, apertando a mão do tio. [
Minutos depois, sentado na cama da tia, Tiago já estava gargalhando com os outros, lembrando das histórias de pequeno. Helena, em pé, escutava tudo atenta, com sorriso aberto. Só Tiago se atreveu a contar alguma história que tivesse Magnólia no meio, sem ter muita resposta dos demais, que queriam mesmo esquecer a existência daquela.
Já eram onze horas quando Fausto saiu, e Vitória mostrou cansaço. Com exceção de Camila, que ia dormir outra noite com a tia, todos se retiraram.
— Eu vou lá no meu quarto, tomar um banho, e já volto. – ele falou para ela, na porta do quarto de Helena, pegando no queixo dela com a mão esquerda.
— Isso é um convite? – ela perguntou dando um beijo rápido nele, que correspondeu se inclinando e a beijando, puxando o ar.
— Se tu quiser, é. – ele se afastou e mordeu o maxilar dela, perto da orelha a fazendo arrepiar – Mas acho melhor tomarmos banho mais tarde.
Ele disse isso não notando Pedro passar com Luciane por trás deles, levando alguns pratos, e pigarreando.
Luciane ria.
— Economizando agua! Agora senti seu lado empreendedor, enteado! – a madrasta falou, dando tapinhas nas costas dele e seguindo caminho.
Tiago olhou para Helena com os lábios curvados para baixo e os dentes a mostra.
— Outra mancada.
Ela riu.
— Não demora no teu banho. – ela disse com a voz suave, deu um selinho e entrou, o deixando ali, sorrindo para a porta.
Helena tomou um banho, escovou os dentes, colocou sua camisola preta de seda e olhou para a sua mochila, largada num canto. Pensou se era bom esconder ela. Mas talvez ali, a vista, não trouxesse desconfiança. Olhou para a gaveta onde guardara o celular. Aquela tarde ele tocara, mas ela não teve coragem de atender. Eles não mandaram os relatórios que ela pediu. E como eles tem de fato alguém ali dentro a vigiando, se tiverem algo importante para falar para ela, que a pessoa se revele e conte. Helena já tinha cansado do joguinho deles.
Tiago bateu na porta a chamando e ela pulou da cama, animada. Já era quase meia-noite.
— Oi. – ela abriu a porta para um Tiago de conjunto de pijama azul marinho, que sorriu para ela.
— Oi. – Tiago devolveu o cumprimento com um largo sorriso – Vamos?
— Vamos.
Helena ficou parada, mordendo o lábio inferior. Tiago tinha os olhos parados nos dela, brilhando, aquela sensação na boca do estomago se espalhando, o ar ficando difícil.
Ele se aproximou de Helena devagar, colocando a mão esquerda sobre o rosto dela, afastando o cabelo do seu rosto com a mão direita, que ele desceu até a cintura dela a puxando, a mão esquerda subindo para os cabelos, emaranhando os dedos ali até alcançar a nuca, os olhos deles semicerrados e as bocas entreabertas. Tiago pousou os lábios dele nos dela, os sorvendo. Sentindo como um frio que começava da região do umbigo, os dois estremeceram. Ele abriu a boca, aprofundando o beijo, enquanto Helena correspondia subindo as mãos pela cintura dele para as costas, o segurando, pedindo mais. Tiago então passou os braços pela cintura dela a puxando para mais perto, quase a erguendo, os dois gemendo com o contato dos corpos.
Sem ar os dois afastaram o beijo, os olhos ainda fechados, os narizes se encostando. Tiago acariciava o rosto dela com o nariz, beijando o seu rosto, voltando então os lábios para continuar o beijo.
— Hum. – Helena se manifestou, a boca grudada na dele – Você quer mesmo ver esses filmes agora?
Ele se afastou, sorrindo, a boca vermelha.
— Pergunta difícil. – ele deu um beijo estalado – Mas sim, vamos.
Ela suspirou.
— Então vamos.
— Vamos.
— Então vem. – ela disse tentando sair do quarto, ele ainda grudado nela.
— Eu vou. – Tiago não largava ela, a liberando só um instante para então a abraçar por trás, a acompanhando até a escada.
Ninguém mais passava por aquela parte da casa sem que a imagem de Aline viesse rapidamente a cabeça. Parecia amaldiçoada. Assim, os dois desceram rápido.
Chegando na sala de estar, Tiago lembrou que tinha esquecido os filmes no quarto dele. Voltou rapidamente para buscar. Helena apenas se jogou no sofá pequeno, de frente para a TV, se lembrando dela com Tiago ali, o polegar da mão direita sobre a boca, mordendo a unha.
— Ok. – ele voltou agitado, já tirando um filme de dentro da sacola e indo para o aparelho, colocando a funcionar, pegando o controle e se sentando do lado dela – Pronto! – Tiago se recostou no sofá do lado direito de Helena e passou o braço esquerdo pelos ombros dela – Agora é só aproveitar.
Helena pigarreou. Já ficara com ele em momentos muito mais íntimos, mas a situação parecia cheia de significados que ela não sabia identificar. Como se bichinhos ligeiros estivessem andando pelo ventre dela, com patas frias fazendo cócegas por dentro, Helena experimentou aquele nervosismo que vinha sempre que ele a olhava de um jeito mais intenso, ou falava coisas que pareciam dizer algo a mais. Com o coração acelerando, ela sentiu Tiago virar o rosto para ela a observando, a mão esquerda descendo do ombro para o braço dela a puxando para ele, dando um beijo no rosto, perto da orelha. Ela engoliu em seco e inclinou o corpo para frente, apoiando o cotovelo esquerdo sobre o joelho, pousando o queixo na mão esquerda, apertando os lábios, fingindo prestar atenção no filme. Era sobre um casal que parecia estar indo mal no casamento. Algo parecia ter acontecido com eles, pois a mulher parecia estar deprimida.
Tiago a viu se afastar do carinho dele e franziu a testa. Ele havia preparado aquilo justamente para isso, namorar ela, sem ninguém por perto, a mimando. Ele então se inclinou para frente imitando a pose dela e a mirou, intenso. Ela fingiu que não o notava e então pegou o braço dele com a mão direita, forte, se erguendo e colocando a mão sobre a boca, surpresa. Tiago olhou para o filme, tentando entender a reação dela.
— Ele morreu.
— Merda. – Tiago olhou a cena do automóvel virado e o cara já aparecendo em outro plano astral – O filha da puta do atendente disse que eram só filmes de romance.
— Gente. – Helena tinha agora as duas mãos pressas no braço dele.
— Quer que eu troque? – ele perguntou, apertando os lábios, tendo a resposta negativa e silenciosa dela.
Tiago aproveitou que ela estava recostada no sofá novamente, a mão direita dela agora sobre o rosto, e voltou a passar o braço sobre o ombro dela, devagar, para não assusta-la. Pelo visto Helena não estava acostumada com chamego. “Ela nunca namorou mesmo. Que caras doidos tem Helena do lado e não enchem de carinho? Por mim passava a noite toda só beijando e a abraçando.”
Ele olhou para a frente tentando acompanhar o filme, mas o cara tava num lugar cheio de tinta, e depois passou para outro ainda mais louco, acompanhado por alguém que parecia ser um amigo antigo dele. Pelo visto ele desencarnara e estava visitando amigos, ou sendo orientados por eles, mas muito preocupado com a esposa. Tiago se arrependeu de não ter visto observado melhor o filme antes de colocar. Helena então puxou o ar e ele percebeu que os olhos marejaram. Ela parecia envolvida. Ele achou lindo.
— Agora que eu entendi. Tiago, os filhos deles – ela piscou várias vezes – morreram antes dele. Agora a esposa ficou sozinha.
— Ah, é, com certeza, muito romântico o filme. Cadê a capa dele? – ele se levantou irritado, ouvindo um “shh” dela – Aqui. – ele se sentou, levanto tapinhas da namorada – Amor além da vida. Cacete! Como não notei isso. Só podia ser filme triste.
— Cala a boca, Tiago. – Helena pediu, agora com os pés sobre o sofá, os joelhos erguidos na sua frente, o braço esquerdo ao redor do próprio corpo, o braço direito apoiando ali, com a mão direita no queixo – O que foi isso? Não entendi.
— O que?
— A árvore.
— Deixa eu voltar. – Tiago voltou a cena, agora prestando atenção nela e não em Helena – Ah! – ele disse entendendo – Nossa.
— Que foi?
— Ali, o cara disse. Eles são alma gêmeas. Mas tão ligadas que mesmo ele tendo morrido, ainda sente o que acontece com ela. Daí quando ela jogou solvente no quadro da arvore deles, o espirito dele sentiu e a arvore perdeu as folhas.
— Como assim, alma gêmea?
Ele a olhou surpreso.
— Você não sabe o que é alma gêmea?
Ela o olhou de rabo de olho, e então respirou fundo.
— Já ouvi em músicas, mas nunca entendi.
— Mas é algo que...bom. – ele se ajeitou no sofá, erguendo as mãos para gesticular de forma a explicar para ela, que baixou os pés para o chão, virando o corpo para observa-lo – Sabe o conceito de alma, né? – ela deu um tapinha no braço dele, que ele entendeu como um sim – Alma gêmea é tipo duas almas que se encontram a cada nova vida que vivem. Sempre se encontrando, não importa o que aconteça, porque uma é parte da outra. Como se tivessem nascido uma só e então foram separadas em corpos diferentes. É como se estivessem realmente ligadas. Tem uma lenda chinesa que fala das pessoas nascerem com um cordão vermelho no pé, e cada uma dessa alma fica assim ligada, podendo ser longo ou curto o cordão, não importa, de uma forma ou de outra esse cordão acaba se encontrando, e é quando as pessoas finalmente se juntam.
Helena engoliu em seco notando o olhar dele para ela. Tiago começara a explicar olhando para os lados, tentando buscar na mente o conceito, mas terminou com os olhos presos ao dela, assim como ela não conseguia tirar os olhos dela dos dele, prendendo a respiração, sentindo aquela sensação vindo do âmago dela, secando a boca.
Ele, então, de um impulso, se inclinou para ela segurando o rosto de Helena pelas mãos, a puxando para um beijo, soltando o ar e gemendo, sentindo ela corresponder com urgência, puxando ele pela nuca. Ele se inclinou para a frente a fazendo se deitar, sem parar o beijo, enquanto ele afundava os dedos nos cabelos dela, abrindo a boca, enfiando a língua e deitando o corpo sobre o de Helena, que o recebia entre as pernas, erguidas sobre o sofá, e gemia. Ela provou a sensação de que tudo se distorcia ao redor dela, e só tinha ele ali, o corpo dele sobre ela, o cheiro dele, os lábios, tudo mais vivo, a fazendo se sentir mais viva. Helena mordia o lábio superior dele, abria mais a boca e esperava a língua dele, se perdendo nas sensações, não permitindo Tiago se afastar, o puxando com o braço esquerdo, que envolveu o pescoço dele e a mão direita na nuca, puxando o cabelo dele, quando ele começara a erguer a cabeça. Ele gemeu, sentindo a urgencia do beijo dela. Quando ela sentiu finalmente aquela sede dele começar a diminuir, Helena foi soltando os cabelos de Tiago, afastando os lábios, os dois arfando, encostando as testas um no outro.
— Acho que entendi. – ela falou, sorrindo, a respiração começando a se regularizar.
Tiago demorou para captar o que ela queria dizer. Mas então lembrou sobre o filme e a explicação. Voltou a beijar ela puxando o ar.
— Vamos voltar para o filme. Agora fiquei curiosa. – ela disse erguendo o rosto dele com as mãos, o olhando nos olhos.
— Ok. – ele concordou com a cabeça – Mas com uma condição. – ele desceu os lábios para o pescoço dela, beijando – Você vai se entregar, Helena. – ela franziu a testa, Tiago ergueu a cabeça e a olhou intenso, fazendo ela sentir como o estomago se contorcendo – Sem barreiras. Sem fugir de mim ou do que quer que você fica fugindo. Eu quero você, Helena. – ele mordeu o queixo dela, a voz rouca, implorando – Inteira, aqui. Não resiste a mim. – ele desceu os braços para a cintura dela, a puxando para ele, a boca agora próxima do ouvido dela, rouca, a fazendo fechar os olhos – Deixa eu te...namorar.
Helena mordia o lábio inferior. Engoliu em seco, e com os dedos enfiados no cabelo dele, puxou-o para um beijo suave, fechando os olhos e suspirando.
— Coloca o filme do começo. – ela disse, afastando o rosto dele e devolvendo o olhar intenso.
Tiago sorriu e inspirou fundo, a olhando até que ela devolveu o sorriso, o fazendo dar um beijo estalado. Ele voltou a se sentar e a puxou pelo braço direito. Pegando o controle e puxando ela junto dele, Tiago colocou o filme do inicio.
— Nem tinha percebido que eles se encontraram em barquinhos.
Helena observou, tentando ignorar o nervosismo, que persistia em fazê-la sentir aquele frio na barriga. Ela estava com a cabeça sobre o ombro de Tiago, a mão esquerda sobre o peito dele, as pernas sobre o sofá, com a mão esquerda dele passeando do ombro dela até o braço. O filme foi seguindo, e Helena foi se deixando levar, sentindo como algo morno substituindo a sensação de frio no estomago. Ela o abraçou com o braço esquerdo quando finalmente entendeu a cena em que os filhos morrem, sentindo ele passear a mão direita pelo cabelo dela, puxando as mechas e suspirando, para beijar o alto da cabeça dela.
Tiago inclinou o rosto até ela, descendo o nariz pelo lado direito do rosto de Helena, alcançando com a boca o lóbulo da orelha dela, que ele primeiro sugou e depois mordeu, a provocando, fazendo ela fechar os olhos, prendendo a respiração.
— Assim eu nunca vou entender esse filme. – ela falou sorrindo, sentindo ele descer os lábios pelo pescoço dela, o coração acelerando mais.
— Certo.
Ele se endireitou, suspirando, enfiando os dedos da mão direita nos cabelos dela, do lado esquerdo, puxando o rosto de Helena para beija-lo e pousa-lo no peito dele, fazendo-a sentir a respiração dele sobre o rosto, a sua mão direita se segurando no ombro direito dele.
Na cena da morte do principal ela apertou os lábios, sentindo novamente os olhos ardendo. E quando chegou na parte da árvore ela prestou mais atenção, para entender, agora que já sabia o que era alma gêmea. No meio da cena ela levantou o rosto e olhou para o namorado, que já a olhava com um meio sorriso. Ela fechou os olhos e aproximou o rosto do pescoço dele, puxando o ar, passando o nariz até próximo da orelha dele, sentindo ele a puxar para um abraço mais forte, ela se aninhando mais a ele, suspirando.
Voltaram ao filme. Tiago prestava atenção nele, também, mas de vez em quando ele passeava a mão pelo braço direito dela, voltava a beijar o rosto da namorada, ou descia a mão esquerda pelas costas de Helena até sentir ela protestar, gemendo, fazendo ele sorrir.
— É a filha dele. Ai... – ela ergueu a cabeça do peito dele e voltou a colocar a mão direita sobre a boca, o fazendo dar um meio sorriso, achando meigo.
O filme parecia bom, mas ele realmente estava mais concentrado em sentir ela ali, o corpo quente junto do dele, o perfume que vinha do cabelo dela, o jeito como ela se arrepiava com uma cena mais forte, observando cada detalhe que podia do rosto dela.
— Ai não! – Helena voltou a se erguer, a boca levemente aberta – Ela se matou.
— Puta que pariu. Atendente de merda. – ele esbravejou notando o filme ficar cada vez mais melancólico.
Tiago definitivamente não queria ela triste depois do filme. Na verdade, a ideia dele de trazer filme romântico era justamente deixar ela toda envolvida. Mais melozinha, para ele poder dizer coisas para ela que Helena geralmente foge de ouvir. Mas agora a namorada estava deitada sobre o peito dele, novamente, com os olhos atentos e marejados.
Helena o envolveu com o braço, o puxando, quando o principal finalmente viu no amigo o filho dele, se comovendo com a cena, que também fez Tiago erguer as sobrancelhas.
— Ele vai atrás dela. – ela falou com a voz baixa, constatando – Arriscando ficar preso lá com ela – ela desceu a mão esquerda até encontrar a mão esquerda de Tiago e entrelaçar os dedos, suspirando – só para poder ter uma chance de tirar ela.
— Eu faria a mesma coisa por você. – ele declarou, a voz terna, brincando com os dedos dela, os observando.
Helena virou a cabeça rápida para ele, se desprendendo do filme, com a declaração dele. Tiago notou o efeito que causou.
— Eu vou onde você, for. Lembra? – ele falou, sorrindo.
Ela suspirou e desprendeu a mão esquerda da mão dele e a levou para o rosto de Tiago, o puxando para um beijo, sorvendo os lábios dele devagar, liberando o ar dos pulmões, enquanto ele passava as mãos para o rosto dela, a puxando para mais. Helena novamente perdeu a noção do que havia ao redor, o coração acelerando, aquela sensação de cócegas dentro dela, se espalhando e virando labaredas. Helena se ergueu sobre os joelhos e montou sobre Tiago, passando o braço esquerdo ao redor do pescoço dele, a mão direita enterrada nos cabelos dele no alto da cabeça, gemendo e abrindo a boca para aprofundar o beijo, sentindo a urgência crescendo, o ar faltando.
Ele desceu as mãos pelo pescoço, chegando aos seios dela, que apertou, a fazendo gemer mais, chegando até as costas, que ele então circundo com os abraços, trazendo o corpo dela para ele, jogando a cabeça para trás para, ainda recebendo o beijo dela, que mordia o lábio superior dele, o corpo vibrando com as sensações. Ela afastou o beijo, puxando o lábio inferior dele com os dentes.
Levando as mãos para o rosto dele, ela o segurou o olhando nos olhos, mostrando a sinceridade do sentimento. Tiago suspirou e subiu a mão direita para o rosto dela, afastando o cabelo de Helena para então puxa-la para outro beijo, soltando o ar, passando então os lábios para o pescoço dela, enquanto ela passava as mãos para os ombros dele e fincava ali as unhas, arqueando o corpo, quando, depois de afastar a alça da camisola, Tiago expôs o seio esquerdo dela e o beijou, roçou os lábios quentes, trazendo a ponta da língua e brincando com a pele arrepiada dela, sentindo ele enrijecer, abrindo a boca e o sorvendo, a fazendo morder o lábio para calar um gemido quando, ainda com a boca sugando o seio, ele passou levemente os dentes e mordiscou a base dele. Tiago desceu para o ventre dela, beijando e sentindo o perfume dela sobre a camisola, fazendo Helena se erguer sobre os joelhos para permitir ele descer mais abaixo.
Sem mais controle, ele ergueu a cabeça a admirando, os olhos semicerrados, respiração difícil, e ainda mordendo o lábio. Quando ela voltou a olha-lo engolindo em seco, ele a conduziu devagar para o lado direito, a deitando ali, a perna esquerda dela com o joelho erguido, sobre o sofá, a outra para fora, ele começou a beijar o joelho esquerdo, descendo pela coxa interna dela, roçando os lábios até alcança-la entre as pernas, que começou a beijar levemente, passando ali o nariz e a lingua, fazendo Helena colocar as mãos para o alto, segurando os próprios cabelos, a boca levemente aberta, segurando um gemido.
Ele a observou e sorriu, subindo então para o ventre dela, puxando a camisola para cima e passando a língua, beijando e sugando, até empurrar a vestimenta acima dos seios, nos quais ele se dedicou com a lingua molhada e quente, até ouvir ela não segurar mais um gemido.
Ele estava de joelhos, entre as pernas dela. Se ergueu, tirou a camiseta para o lado e se apossou das pernas dela com as mãos, passeando estas até os seios, se inclinando e os apertando, provocando mais ondas de prazer nela, se excitando com os gemidos, cada vez menos controlados.
Ele a ergueu para puxar a sua camisola, enquanto ela abria os olhos para ele, com mais que desejo nos olhos, ela abaixou os lábios até a pele nua dele, beijando o seu peito, Tiago com os dedos enfiados no seu cabelo a observando descer mais, passando a língua, o fazendo gemer, as mãos indo até o calção e o abaixando, sorrindo ao ver que ele já estava apertado ali dentro, aproximando a boca, sentindo Tiago gemer mais alto, os dedos agora se apertando no cabelo dela, os puxando, enquanto acompanhavam o movimento de vai vem da boca dela, acompanhando as carícias com a lingua.
Tiago ergueu a cabeça para cima quando ela passou a usar as mãos também, o massageando em outro ponto, passando para movimentos rápidos com a boca úmida. Foi a vez dele levar a mão esquerda para o alto, a colocando sobre a boca, ora olhando para cima, ora para ela, abrindo a boca e gemendo. Helena então parou o olhando com um sorriso, mordendo o lábio inferior.
— E se aparecer alguém?
— Quanto mais perigoso... – foi a resposta dele, com a voz grave, se inclinando sobre ela, a deitando.
Ele se apossou com a mão direita do seio esquerdo dela enquanto beijava e mordiscava o lóbulo da orelha esquerda de Helena, descendo então os lábios até o outro seio, ao qual deu o mesmo tratamento especial, com lábios e mordidinhas, descendo a mão esquerda por sob a calcinha de Helena, brincando ali com os dedos, sorrindo quando sentia ela estremecer, sentindo as caricias dele em cima e embaixo, mordendo o lábio para não gritar, o motivando a excita-la mais até não conseguir se controlar, crescendo nele mais tesão.
Ele encontrara com os dedos um ponto ao qual se dedicou, a fazendo arquear o corpo sobre o sofá, engolindo em seco, finalmente não conseguindo segurar um gemido alto. Ele se ergueu, sorrindo, e foi para trás, tirando e jogando o calção para o lado, ele desceu as mãos até as laterais da calcinha dela, que ele puxou devagar, olhando para Helena com o queixo erguido e um sorriso malicioso, sendo correspondido com uma língua molhada passando entre os lábios, os molhando para ele. Tiago suspirou, desceu as mãos puxando os joelhos dela para se erguerem sobre o sofá, enquanto ele desceu entre as pernas dela, beijando ora a parte interna de uma coxa, ora lambendo a parte interna da outra, até alcançar o ponto que queria, e beijar delicado, roçando os lábios, passando a língua devagar e suave, observando ela fechar os olhos e gemer, ele começou movimentos a explorando com a língua, a fazendo se contrair de prazer, a boca seca, passando a língua entre os lábios. Helena erguia a cabeça e o observava a cada nova onda de prazer, ele debruçado entre as pernas dela, as mãos subindo para os seus seios, os movimentos aumentando, mais ousados, mais ondas de prazer a fazendo abrir mais as pernas, chamando, quase sem ar, o nome dele.
Tiago notou que ela estava mais que pronta, então ele subiu os lábios a beijando, parando novamente sobre o seio esquerdo, enquanto passava os braços sob as costas de Helena, as mãos alcançando seus ombros por trás, que ele segurou enquanto a penetrava, devagar, prendendo a respiração, apertando os lábios sobre o seio até completar o movimento, os dois estremecendo juntos.
Já dentro dela ele começou com movimentos circulares do quadril, fazendo Helena levar as mãos as costas dele as arranhando com as unhas, pedindo mais, a boca levemente aberta, as pernas cedendo, ela quase não as sentindo. Tiago se dedicava aos movimentos, agora com a testa entre os seios dela, provando mais ondas de prazer, ele começou movimentos de vai e vem mais longos e devagar, a fazendo abrir mais a boca, a cada novo movimento, as unhas paradas sobre o ombro dele, cortando a pele dele sem ela perceber diante das sensações provocadas.
Ele ergueu a cabeça a admirando e trouxe o corpo o deitando totalmente sobre ela, começando movimentos de cima para baixo como o quadril, mais fortes, o rosto afundado no pescoço dela, sentindo Helena abafar mais gemidos prendendo os lábios no pescoço dele, passando ali a língua, o sugando, beijando, até que ele acelerou os movimentos e ela mordeu os lábios jogando a cabeça para trás com força, as mãos no ombro dele o arranhando com as unhas, descendo pelos braços, soltando com gritinhos e chamando o nome dele, o motivando a movimentos mais rápidos. Ele ergueu o corpo, apoiando as mãos no sofá e a observou de alto, o corpo se movendo com os movimentos dele, a cabeça para trás, olhos semicerrados, mordendo o lábio com força. Ele então colocou as mãos sobre o rosto dela, aproximando a boca da orelha dela, parando por um instante a sentindo soltar o ar e abrir os olhos a tempo de sorrir com o que ele disse.
— Sem se conter. Tá todo mundo dormindo lá em cima.
Ela o puxou para um beijo, e então o empurrou pelo ombro o erguendo no sofá, sentando Tiago no meio dele. Helena ficou de pé na sua frente, o puxou pelos joelhos mais para frente até ficar quase deitado ali, e circundou o quadril dele com os joelhos, sentando e se encaixando em Tiago, puxando o ar. Passando a língua pelos lábios, ela fez movimentos circulares, as mãos sobre os ombros dele, observando ele gemer. Tiago trouxe as mãos para os seios dela, apertando, mordendo os lábios sentindo ela começar movimentos para frente e para trás, sorrindo maliciosa. Ela baixou a cabeça e abriu a boca, gemendo, acelerando o movimento, fazendo ele engolir em seco e jogar a cabeça para trás, baixando a mão para as nádegas dela, apertando. Helena então buscou as mãos dele, entrelaçou os dedos as erguendo para o alto enquanto começava movimentos de cima para baixo, pulando sobre o namorado, soltando mais gemidos, o fazendo abrir a boca e gemer junto. Ela então o puxou, envolvendo a cabela dele com os braços, colocando o rosto dele entre os seios, ela diminuiu o ritmo dos movimentos de cima para baixo, agora mais longos. Tiago a abraçava pela cintura acompanhando os movimentos, a boca aberta, ora gemendo, ora sugando o seio esquerdo dela, voltando a exigir velocidade nos movimentos dela, a puxando para cima e para baixo, com os braços, até que sentiu o ápice chegando, se jogando para trás, ele colocou as mãos no quadril dela e começou a acompanhar os movimentos e pedir mais. Helena se inclinou para frente, a boca próxima do ouvido dele, começou a mover o quadril para cima e para baixo, sempre segurada por ele que tinha exigia mais, enquanto ouvia ela gemendo no ouvido dele.
— Isso! – ela não segurou um grito – Mais, Tiago, mais... – ela gritava, o fazendo morder forte o lábio inferior e começar movimentos com os quadris dele, para cima e para baixo.
Helena gritava no ouvido dele sentindo o ápice chegando com os movimentos acelerados e fortes, Tiago batendo na nádega esquerda com a mão direita, urrando, jogando a cabeça para trás, enquanto ela se erguia e colocava as mãos entre os próprios cabelos, imprimando mais ritmo e atingindo o ápice, gritando. Tiago se ergueu a abraçando, mantendo ainda o ritmo, sentindo o dele vir. Então ele gemeu alto, jogando a cabeça para trás, os olhos fechados, a abraçando de novo, os dois sentindo espasmo de prazer pelo corpo, sem ar, suados.
Tiago ofegava. Ergueu a cabeça, recebendo um cafuné de Helena, que o admirava com um sorriso satisfeito, e os olhos brilhando.
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