A sobrinha da Helô

38 Convencendo a Sobrinha da Helo.


Notas iniciais
A atriz Regiane Alves é Alicia, a enfermeira que cuida de Leticia.

Helena suspirou novamente. A cabeça pousada sobre o peito do namorado, que a trazia para ele com o braço esquerdo, e tinha o queixo apoiado na cabeça dela, os olhos fechados, os lábios levemente curvados num sorriso, sentindo a mão esquerda dela passeando pelo peito dele.

A televisão ainda ligada, sem sinal, iluminando parcialmente a sala. Os dois ainda sem roupa, deitados no sofá, Helena entre ele e o recosto do móvel.

No interior de Helena, mesmo após os dois deitarem o corpo sobre o sofá, cansados, continuava a sensação que ela não conseguia definir dentro dela, não permitindo que apagasse o sorriso no rosto, a fazendo suspirar de vez em quando. Ele dizendo que vai onde ela for, invadiu novamente a mente dela, a fazendo abrir mais o sorriso e olhar para cima, procurando o rosto dele, ainda tranquilo.

Ela virou o rosto para o peito dele, inalando o seu cheiro, passando os lábios e começando a beijar, devagar, depois subindo até perto do pescoço, e dando vários beijinhos, rindo e fazendo ele rir.

Tiago abriu os olhos a observando. Helena pousou então a mão esquerda sobre o peito dele e o queixo ali, o observando, sorrindo com a língua entre os dentes, os olhos brilhando.

Ele, passou os dedos da mão direita entre os cabelos dela, a fazendo semicerrar os olhos, e a puxou pela nuca para um beijo estalado. Ela ficou esperando um pouco mais, suspirando. Ele tinha a mão agora segurando o queixo dela, esperando ela abrir os olhos para ele.

— Tá feliz?

— Muito. – ela respondeu trazendo os lábios até o queixo dele, que ela mordeu, o olhando marota.

Ele sorriu e deu um impulso, virando o corpo para o lado esquerdo, a deitando ali enquanto segurava o rosto dela com a mão direita e a beijava, sorvendo o lábio inferior dela, puxando o ar. Helena o puxou pelo ombro direito para mais perto, abrindo a boca e aprofundando o beijo, gemendo, a respiração ficando difícil, o coração acelerando, ela pedindo mais, passando as mãos por baixo dos braços dele, o puxando pelas costas, para junto dela.

Ele desceu os lábios para o queixo de Helena, chegando ao pescoço, a fazendo erguer a cabeça e sorrir enquanto ele beijava ali, ainda recuperando a respiração, passando os lábios para o ombro esquerdo.

— Hum. – ele gemeu, erguendo a cabeça com o olhar ébrio, um sorriso bobo, passando os olhos ao redor – Acho que quebramos a maldição mesmo. Ninguém interrompeu.

— Ou – Helena puxou o rosto dele para ela, com ambas as mãos, levantando as sobrancelhas – ouviram os gemidos do corredor e nem se atreveram a vir aqui.

Ele sorriu safado, concordando e indo dar um beijo estalado nela. Helena segurou o rosto dele para dar mais beijinhos, rindo, em todo o rosto dele, começando pelas bochechas, nariz e testa, fazendo Tiago sorrir e jogar o corpo sobre o dela, rindo com ela e suspirando.

Helena parou de beijar ele e suspirou, ainda segurando o rosto dele, subindo o olhar dos lábios de Tiago até os olhos, o mirando de um jeito intenso, que ele retribuiu.

— Tiago? – ela começou com a voz cheia de emoção, inspirando todo o ar que podia.

— Hum? – ele inspirou fundo também, sentindo o coração acelerando, a sensação de frio no estomago crescendo, enquanto ele esperava pelas palavras dela, olhar fixo nos olhos dela.

— Eu também... – ela disse com a voz falhando.

— Também...? – ele perguntou com um meio sorriso, inclinando a cabeça para a direita os olhos fixos no dela, a voz grave, respirando difícil e engolindo em seco.

— Também iria atrás de você, para te salvar. – ela puxou novamente o ar, subindo o olhar para a testa dele, a mão direita indo afundar os dedos nos cabelos no alto da cabeça dele – Eu também vou onde você for.

Tiago abriu um sorriso feliz, liberando o ar preso nos pulmões, fechando os olhos e aproximando os lábios, sugando o lábio inferior de Helena, que fechou os olhos e se entregou a sensação, também soltando o ar, enquanto ele abria a boca aprofundando o beijo, gemendo, trazendo as mãos por baixo dela, para enterrar os dedos no seus cabelos, a fazendo gemer e abrir mais a boca, permitindo que ele a tomasse de modo mais urgente.

Os dois já quase sem folego, Tiago então parou o beijo, as bocas abertas, os lábios ainda colados, ele a olhou, com um sorriso de canto.

— Por que você não confessa que me ama logo, eim, garota? – ele provocou, e então ficando sério esperando a resposta, enquanto Helena fechava os olhos, sorrindo, pensando em algo debochado para dizer para a brincadeira.

— Tem alguém aí? – Pedro gritou do corredor.

Os dois se alertaram.

— Teeeeem. – Tiago e Helena gritaram para o corredor.

Uns segundos de silencio.

— Tá...certo. Apaguem a tv quando saírem.

Ele falou e voltou para o quarto.

Tiago fechou os olhos e tornou o rosto para frente. Ele estava ainda sobre Helena, o corpo erguido sobre as mãos, apoiadas no sofá. Ela olhou para ele contendo um riso e sobrancelhas erguidas.

— Mancada? – ela perguntou o vendo abrir os olhos.

— Mancada. – ele sorriu e deu um beijo estalado, se erguendo e saindo do sofá, procurando o calção – Melhor a gente não dar chance a mais ninguém nos achar assim.

Helena o observava colocar o calção, se erguendo sobre os cotovelos e passando a língua pelo lábio inferior.

— A gente vai ver mais filme?

Ele se sentou de novo no sofá, jogando as pernas dela mais para o lado, a camisola dela nas mãos, sorriu.

— Você quer mais? – ela fez que sim com a cabeça, mordendo o lábio inferior – Gostou? – ele se inclinou para ela, que se sentou passando os braços pelo pescoço dele e deu um beijo no canto da boca dele, recebendo um de volta.

— Sim. Principalmente de assistir com você. – ela beijou o pescoço dele.

— Olha só quem ficou melosinha.

— Vai sonhando! – ela ergueu o queixo para ele, dando um tapinha no ombro e indo beijar o outro lado do pescoço – Então? Tem mais filme aí?

Helena falou já não se segurando e indo se sentar no colo dele, o fazendo se recostar no sofá, vencido, suspirando, ela passando os dedos pelo cabelo dele enquanto descia os lábios quentes até o lóbulo da orelha esquerda dele.

— Você não parece afim de ver filme. – ele disse sorrindo, os olhos fechados e as mãos subindo do quadril dela para a cintura.

— E não estou mesmo. – ela o olhou cheia de significados – Eu quero é ficar juntinha de você até amanhecer. Te namorando.

Ela se inclinou e aproximou os lábios dela sorvendo os dele, puxando o ar, inclinando a cabeça para a direita e abrindo a boca, mordendo o lábio superior dele, Tiago gemendo e levando a mão direita até a nuca dela. Ela afastou o rosto, passando a mão esquerda pelo rosto dele. Tiago devolveu o olhar intenso, mostrando todo o sentimento dele, e a puxou para continuar o beijo, dessa vez a abraçando pela cintura e a puxando pela nuca, enquanto inspirava fundo e abria mais a boca para enfiar a língua a fazendo gemer.

— Helena. – ele gemeu, ainda beijando ela — Espera – Tiago afastou o rosto, os lábios deles ainda se encostando, olhos semicerrados – a gente vai ter que acordar cedo.

— A gente? – ela perguntou apertando os lábios dela sobre o lábio superior dele, puxando – Mas é sábado.

— É. – ele então deitou a cabeça no sofá, sorrindo maroto – Mas eu me atrasei ontem e preciso terminar uma entrega. – ela fez biquinho para ele – Mas é só na parte da manhã. – ele se inclinou beijando o ombro dela, puxando o ar – A tarde estamos livres.

— Jura? – ela se animou – Espera. Se é assim, só voce tem que acordar cedo.

Helena puxou o rosto dele para ela, erguendo o queixo, com um sorriso no canto dos lábios.

— É... que você tem compromisso amanhã cedo.

— Tenho?

— Tem!

— Mania chata essa sua, porquinho, marcar compromisso comigo antes das dez da manhã. – ela tentou ter o tom de brava, mas deu outro beijo nele – E o que vou fazer na fábrica contigo?

— É... – ele olhou para os lados e baixou o olhar, apertando os lábios – Não é comigo.

— Ah...você marcou um encontro para mim. Que gentil! Como é o cara? Bonito, espero!

— Muito engraçada! – ele virou o rosto de novo para ela — É com a Heloisa.

Helena primeiro franziu a testa, colocando a mão esquerda no peito dele e o mirando confusa. Ele então sorriu sem graça, erguendo as sobrancelhas. Ela fechou a cara e empurrou o peito dele, tentando se levantar.

— Não. Espera.

— Me larga, Tiago.

— Espera. Calma. – ele a abraçava pela cintura – Helena. Me escuta. – ele pediu, firme, a fazendo suspirar e olhar para cima – O Pedro pediu, ok? E eu acho que ele está certo. Vocês são as únicas parentes uma da outra. Bom. Heloisa tem os filhos...

Helena o empurrou com mais força e se liberou, pegando a camisola da mão dele. Ele balançou a cabeça, olhando para o chão e pressionando a língua no lábio inferior.

— Você não vai poder fugir de encontrar ela, para sempre.

— Eu não estou fugindo! – ela falou, terminando de colocar a camisola e jogando os cabelos para trás, cruzando os braços , de costas para ele – É só... é melhor não forçar nada. Heloisa não tem tempo para mais nada nem ninguém! Por que eu tenho que ter tempo para ela?

Helena sentia toda a revolta da rejeição subindo do ventre para a garganta. Tentando controlar a emoção, ela fungou.

— Helena... – ele exalou o ar dos pulmões, se erguendo e indo até ela, a abraçando por trás, enquanto a namorada puxava o ar, colocando a mão esquerda sobre a boca, o cotovelo esquerdo apoiado na mão direita que ela tinha sobre o ventre, olhar distante – Olha, provavelmente é difícil, tanto para você, quanto para o tio Pedro, entender a Heloisa, mas eu entendo.

— Ah é? Também prefere a Leticia? – ela respondeu ríspida, se agitando.

Tiago a segurou mais firme, apertando os lábios.

— Não é isso! Ela não prefere ninguém. Não está trocando vocês. É que no momento, de todos que ela ama, quem ela corre o risco de perder é justamente a Leticia. Não se trata de quem ela ama mais, mas do medo de perder quem ama. – ele então virou a namorada para ele, Helena com a cabeça baixa, evitando encarar ele – Helena, eu vi toda a dor da Heloisa nesses anos de tratamento. Ela emagreceu junto com a Leticia. Passava dias no hospital. Não podiam nem dizer para ela ir para casa, que ela já se irritava. Só se o médico garantisse que nada ia acontecer e ainda assim ela não conseguia se desligar. Para e pensa – a namorada tinha o rosto virado para a direita, baixo, cabelo sobre as bochechas, que ele beijou e então afastou o cabelo indo o colocar atrás da orelha – a mãe dela morreu quando ela se afastou para um trabalho. E da mesma doença. – Helena fechou os olhos inspirando fundo – Eu escutei a Heloisa dizer mais de uma vez, chorando, depois de noites do lado da Leticia sofrendo dos efeitos da quimio, que era para ela estar sofrendo com isso, não a filha. – Helena o abraçou, escondendo a dor ao ouvir ele chamar Leticia de filha, e da imagem da Heloisa sofrendo, ele parou um instante a sentindo e abraçando de volta – Meu amor, me escuta – ele pegou o rosto dela para encara-lo, sentindo como uma dor aguda e fria no coração ao notar lágrimas nos olhos dela, que ele enjugou, Helena não registrando como ele a chamou – Heloisa ficou dias sedada no hospital quando Leticia nasceu por conta de complicações no parto. Ela sequer pôde ver a filha assim que ela nasceu. Viveu a vida sentindo que ia acontecer algo de ruim com a filha. É uma carga muito pesada para ela.

Tiago se emocionou a observando fungar, tentando controlar a emoção. Helena pensando na razão para Heloisa ter ficado sedada quando Leticia nasceu. “Foi assim que Tião garantiu que ela não notasse a troca dos bebês. Ele sedou a mulher. Deve ter comprado metade do hospital, o desgraçado.” A raiva por Tião voltando com força. Mas ainda assim, mesmo com toda a dor, Helena não podia deixar de lembrar que Leticia não estava tão doente assim agora, e apenas usava a dor que passou para chantagear uma Heloisa cega.

— Está certo, Tiago. Eu entendo. Mas isso é justificável quando Leticia estava doente. – Helena se afastou, cruzando os braços e limpando o rosto – Agora ela está curada e usando desse medo de Helô para poder ter tudo o que quer. Inclusive você.

Tiago suspirou, colocando as mãos na cintura e olhando para baixo.

— Você tem certeza disso?

— Tá duvidando de mim?

— Não. – ele voltou a abraçar ela, olhando para cima – É que... certo, Helena. Leticia pode sim estar usando da dor dela para chantagear a todos, mas não seria justamente isso um motivo para você se aproximar da sua tia? – ele voltou a olhar a namorada, que revirou os olhos – Pensa. Como é que ela vai perceber isso sem ajuda de outros? Com Tião e Leticia perto ela só vai ser sugada de todas as suas forças, e sendo manipulada por eles. Heloisa precisa da sua ajuda.

Helena o encarou, firme, os olhos marejados.

— Você gosta mesmo da Helô, né?

Ele sorriu e apertou o abraço, dando vários beijos no rosto dela sem afastar os lábios, puxando o ar, então subindo as mãos para a cabeça dela, que ele segurou.

— Muito. Eu acho Heloisa uma mulher incrível. – ele olhou Helena nos olhos e suspirou – Assim como você.

Helena revirou os olhos e conteve um sorriso singelo.

— Não precisa me bajular, Tiago, você já me convenceu. Eu vou amanhã.

— Quem disse que eu estou bajulando? – ele a abraçou, a trazendo para ele, balançando o corpo para os lados, segurando o lábio inferior com o superior – Você é incrível sim. E minha!

Ele encostou a testa dele na testa dela, a fazendo suspirar.

— Eu sou é uma boba que tu dobra fácil, com esse papo manhoso. – ela o envolveu com os braços pelo pescoço, Tiago abriu o sorriso com as palavras dela e desceu os lábios para beija-la, com ternura, sentindo ela ceder, abrindo a boca e o recebendo, estremecendo nos braços dele quando o beijo se tornou urgente e a mão esquerda dele passou para a cintura dela a trazendo para ele, e a direita subindo para o rosto dela, o segurando para permitir um beijo mais profundo, ele puxando o ar quando Helena o afastou, ofegante – Certeza que precisa acordar cedo?

— Infelizmente. – ele respondeu com os olhos semicerrados, os lábios ainda grudados nos dela – Vamos pra cama?

— Só pra dormir?

— Só para dormir. – ele respondeu puxando o lábio inferior dela com os dele.

— Sem beijo de boa noite?

Ele ergueu a cabeça para ela, malicioso.

— Ah, eu não vou te deixar sem um beijinho, né.

Helena riu e recebeu outro beijo, antes de arrumarem tudo para voltar ao quarto.

Tiago acordou seis horas da manhã, tendo dormido só duas horas. Ele não queria acordar a namorada. Desligou o despertador e olhou para ela do seu lado, nua embaixo das cobertas, a feição tranquila, o corpo virado para o outro lado, mas a cabeça pousando sobre o travesseiro, virada para cima, permitindo que ele aproximasse o rosto e passasse o nariz dele no dela, inspirando fundo.

Ele cogitou falar que amava ela, mas queria dizer isso com ela acordada dessa vez. Tiago só não sabia quando seria isso. Helena parecia não saber lidar com sentimentos, e ele morria de medo de ela fugir dele como fazia a simples menção de troca de carinhos vendo um filme. Por isso ele tinha um final de semana preparado para derrubar de vez a parede que ela criou ali, e fazer ela aceitar ele amar ela.

Sorrindo com o plano dele, Tiago foi para o banheiro, pé ante pé para não acorda-la. Depois pegou uma mochila no guarda-roupa e juntou algumas peças, entre outros utensílios para a viagem. Se arrumou e saiu, dando um beijo na testa dela, que agora se espalhara na cama vazia, abraçando um travesseiro.

— Tio? – Tiago bateu na porta de Pedro, que levou uns segundos para atender.

— Tiago?

— Oi. – ele abaixou a cabeça se lembrando da noite anterior – Só para avisar que pode marcar o encontro para hoje com a Heloisa. Eu convenci a Helena.

— Sério, cara? Que bom!

— É! Ela não está confortável com isso, mas... Outra coisa – Tiago olhou para o tio – leva ela no shopping do centro. Eu vou encontrar vocês lá.

— Eu estava pensando em sairmos de barco.

— Melhor não. Vou levar ela para uma viagem depois.

Pedro sorriu.

— Tá certo. Obrigado, cara.

— De nada. Acorda ela só ali pelas nove.

— Pode deixar.

Pedro observou o sobrinho saindo, animado. Deu um sorriso percebendo que de fato o sobrinho achou alguém que o deixava vivo e feliz, e que Helena achou alguém que a cuidaria com todo o carinho que merecia.

— Melhor coisa que eu fiz foi trazer ela para essa casa! – ele voltou para o quarto.

Suspirando nervoso, Pedro pensou agora no encontro com Heloisa.

— Eu sei que você confia nele, filha, é só...

— Alicia? – Heloisa interrompeu a enfermeira que estava na cozinha.

— Helô! – ela se virou vendo a patroa – Depois eu te retorno. – ela desligou o celular – Desculpa, tive que atender. Leticia precisa de algo?

A enfermeira parecia nervosa, baixando a cabeça e guardando o celular no bolso do avental.

— Não. Eu preciso. Você estava falando com a sua filha, certo? – a outra ergueu um olhar arregalado para Helô – Você me desculpa, eu acabei ouvindo. Fiquei surpresa. Não achei que tivesse filhos. Você é tão reservada.

— É... meu serviço exige me concentrar mais no paciente.

— Certo...

As duas sorriam uma para a outra, Alicia desconcertada.

— Mas o que você precisa?

— Ah, é! Eu vou sair hoje, tentar espairecer, com tudo o que aconteceu com a Yara, e ainda o clima aqui... Vou sair com um amigo – Alicia já mudava o sorriso para um tom terno – então, vou precisar de uma maior atenção sua. E, de preferência, não deixar ela saber que saí para ver um amigo.

— Claro, Heloisa. – ela se aproximou da patroa – Eu e Bruno cuidamos dela.

— Ótimo! Vou me arrumar. – Heloisa falou sorrindo animada.

Margarida viu ela sair pela cozinha, feliz. Então olhou para o celular e voltou a se preocupar.

Helena foi quase todo o trajeto de carro até o shopping, calada, respondendo Pedro por monossílabas.

— Chegamos. – ele disse soltando o ar, estacionando o carro no shopping – Helena, você não parece estar gostando nada disso. – ela abriu a boca para responder, mas Pedro a interrompeu – Eu sei. Entendo, depois de Paraty, não parece um encontro confortável, mas Heloisa tem uma ótima explicação, e ela precisa de nós.

Helena estava com seu coturno com ponta de metal, vestindo meia arrastão, short jeans rasgado e regata branca, cavada, com sutiã preto de renda semi transparente aparecendo, os cabelos soltos, e um óculos escuros de aviador. Todos presente de Heloisa. Ela respirou fundo.

— Eu estou me esforçando.

— Bom. – ele olhou para frente – Porque Heloisa pediu muito para nós virmos. Ela realmente quer te ver.

— Tá! – Helena saiu do carro.

— Isso aí vem do sangue. A menina é geniosa.

Pedro saiu do carro e deu a volta, pegando Helena pelo ombro e andando com ela, tentando anima-la.

— Então? Você já foi ao Rio de Janeiro?

— Uma vez, só. Há uns anos atrás.

— É? E o que achou?

— Normal. Um monte de prédio, e muita praia.

— Nossa! Que desanimo. Um lugar com praias tão lindas. Você não parece ansiosa para ir para lá.

— Queria o que? Eu não sei nadar!

— Verdade. – ele se lembrou – Não tem mesmo como se animar vendo algo que é lindo, mas não pode tocar.

Pedro disse isso para Helena, mas parecia estar falando para si.

— Ou tem medo de tocar.

— É.. – ele parou e se virou para Helena, estavam próximos da praça de alimentação, Heloisa marcou em frente a uma loja, e eles estavam ali.

— Então? — Helena olhou para os lados e depois para ele.

Pedro sentiu um frio na barriga, com medo que Heloisa não tivesse vindo. Mas então ela saiu da loja, os avistando, já sorrindo e tirando o óculos.

Heloisa estava linda, num vestido de cor creme, bem claro, estilo romântico, que ia até os joelhos.

Helena se virou e viu a mãe. Prendeu a respiração quando ela se aproximou. Não era para se sentir assim, mas parecia estar mais emotiva desde que começou a namorar Tiago.

— Oi, Helena. – Heloisa se aproximou dela, baixando a cabeça e a olhando – Tudo bem?

Helena inspirou fundo e tirou os óculos, tentando não ser fria, ela olhou Heloisa e apertou os lábios, baixando o olhar.

— Sim.

— Que bom. – Heloisa olhou para Pedro, que tinha os braços cruzados, os lábios também apertados – Eu...bom. Essa loja, é a sua cara. Não quer ver alguma coisa?

— Estou sem dinheiro. – Helena colocou o óculos na regata e as mãos nos bolsos de trás de trás do short.

— Eu pago. — Pedro se prontificou.

— Não – Heloisa interrompeu Pedro – por minha conta.

— Nenhum dos dois, paga. – ela revirou os olhos – Não está me faltando roupa. – ela viu a feição desconcertada de Heloisa e se sentiu mal – Mas eu estou morrendo de fome. Se quiserem pagar um café da manhã.

Pedro sorriu colocando a mão no ombro dela, observando Heloisa se animar. Ambos então foram para a praça de alimentação.

— Tiago?

— Fala, Sueli. – a secretária se aproximou dele, entre o maquinário, Tiago estava concentrado observando os trabalhos para fechar o lote que sairia por ultimo, encerrando o serviço – O seu amigo Antonio está lá em cima.

— Obrigado. Eu já vou.

— Ah, e eu consegui a reserva que você pediu.

— Ótimo. – ele sorriu e foi para a sua sala.

— Tiago, meu amigo! Trabalhando num sábado? Não foi assim que eu te criei! – disse Antonio recebendo um abraço do amigo assim que ele entrou na sala.

— As pessoas mudam, meu amigo. Ficam pobres e precisam fazer dinheiro.

— Pobre. Sei! Precisando de grana, é?

— Um pouco. – Tiago se recostou na mesa, de frente para o amigo, cruzando os braços e contendo o sorriso.

— Aaaah, tá com cara de quem vai aprontar.

— É. Vou tirar o final de semana com a Helena. – ele falou passando a mão direita no queixo, já sorrindo com os olhos, para o amigo.

— Um clássico de Tiago Leitão! – Antonio levantou as mãos, batendo com as costas da mão direita no ombro de Tiago – Vai sair caro! Rio de Janeiro nessa época é movimentado.

— É, vai sair caro. Mas não é para o Rio de Janeiro.

Antonio tinha se virado para a cadeira onde iria se sentar, mas se voltou para o amigo, surpreso.

— Não vai levar ela para o Rio de Janeiro? Sem hotel de luxo, com vista para a praia, passeios em lugares lindos, aquários, serviço a beira da piscina? Tudo do melhor para tornar cada momento especial? Como num filme?

— Primeiro, todo o momento com Helena é especial. Não importa o lugar...

— Nossa, arrepiei. – Antonio o interrompeu rindo do amigo.

— Segundo. Helena nunca que iria curtir isso...

— Mas toda garota curte...

— Helena não é toda garota. – Tiago concluiu orgulhoso, erguendo as sobrancelhas – E, por fim, eu não quero só sair para passear e ver um monte de lugar bonito com uma boa companhia. Quero passar o máximo de tempo possível com ela. Não vou viajar pelo lugar, mas por ela.

Tiago encerrou, se inclinando para o amigo e batendo com as costas da mão direita no ombro dele, voltando a se recostar na mesa.

— Rapaz... então é um final de semana de sexo selvagem no hotel!

— Não! – Tiago se desencostou da mesa e foi para a sua cadeira, gesticulando com a mão direita no ar – Helena não é mulher para se trancar no quarto, e nem é isso o que quero pra ela. Eu só quero ficar com ela, sem ninguém nos interrompendo, namorando, — ele se sentou na cadeira, juntando as mãos na frente do corpo, balançando a cabeça para frente a cada ponto levantado, sorrindo – descobrindo o que ela gosta, curtindo ela, fazendo ela feliz... – ele encerrou se inclinando para frente, pensando na namorada, o olhar perdido, então voltando a atenção para o amigo, que estava parado e com a mão na boca.

— Não sei nem o que dizer, meu amigo. Definitivamente esse não é um namoro como os outros.

— Como eu já falei, Helena não é como as outras.

— Estou vendo. — Anotnio se sentou na cadeira a frente da mesa — E eu fico feliz. Sério, Tiago! Achei que você ficaria para sempre nessa vida de procurar amor em toda a história que parecia complicada. A garota com câncer. A outra que te odeia por ser rico. A fulana que não morreu, mas finge que morreu. Cheguei a pensar que Helena era a garota misteriosa, que trazia perigo, entrando para mais uma das suas fantasias. Mas não! Você ama mesmo a menina. Mas é correspondido?

Tiago sorria e então olhou firme para o amigo.

— Que foi? – Antonio se endireitou na cadeira, observando a feição preocupada do amigo.

— É complicado. Helena mostra que sente o mesmo que eu. Mas ela...

— Entendi, tá com medo dela fugir, né? Ainda! Se entrega, amigo. Depois desse final de semana mesmo, se ela te ama, não vai ter perigo nenhum.

Tiago fez bico e olhou para o lado, preocupado. Era o que ele mais queria.

— Mas fala ai, o que te trouxe aqui?

— Ora, meu amigo! Missão dada, é missão cumprida! Levei ontem mesmo os documentos que você me entregou para um conhecido. Ele faz auditoria, e disse que realmente os números não batem e mostram que tem muito mais coisa. Prometeu fazer uma auditoria sigilosa.

— Sério? Que maravilha. Diz a ele que aceito. O nosso ativo está se restabelecendo, vou conseguir pagar.

— Beleza. Mas como é sigilosa, ele deu uma lista de documentos que precisa que você leve para ele. Já que não pode vir aqui. – Antonio tirou do paletó um papel e entregou a Tiago, que o leu.

— Ótimo, a maioria está na contabilidade. Vai ser difícil eu pegar eles sem saberem.

— Tu não é o dono daqui? Não tem as chaves? Vem depois do expediente e pega. Tira as cópias que precisar e pronto!

— Ótima ideia.

— O que seria de você sem seu amigo aqui?

Tiago se inclinou para apertar amistoso a mão do amigo, concordando.

Helena cedeu à insistência de Helo e foi até a loja, com ela. Pedro, após uma piscadela da ultima, se afastou, deixando as duas juntas.

— Então? – Helena saiu do provador com uma saia de couro preta, com argolas de metal nas laterais, e uma regata branca com uma boca vermelha enorme mostrando a língua.

— Tá linda! – Heloisa falou a olhando, juntando as mãos e sorrindo – Esse tem que levar também. Mais que o anterior! – Heloisa largou as roupas que carregava de lado e foi até Helena, a medindo e então colocando o cabelo desta atrás da orelha, maternal – Você leva jeito para modelo. E não falo só pela beleza, que – Heloisa colocou a mão direita sobre o peito fingindo modéstia – convenhamos, é muita. – Helena soltou um risinho – Mas você parece bem madura e centrada no que quer. Ia saber se virar muito bem!

Helena se voltou para o espelho considerando a ideia e levantando o cabelo, montando um penteado fashion. Então percebeu que Heloisa murchou o sorriso, notando no pescoço dela uma cicatriz fina, quase imperceptível, de um dos cortes que Helena levou em uma briga de navalha com outra garota na instituição de menores infratores.

Heloisa percebeu o olhar de Helena pelo espelho e pousou as mãos no ombro dela, deitando ali o queixo, suspirando.

— Você já passou por muita coisa, não é?

— Tudo o que foi preciso para sobreviver. – Helena respondeu erguendo o queixo, sentindo a frieza da própria resposta.

— Eu queria que você não tivesse crescido longe de mim. – Heloisa disse, fazendo Helena a olhar, nervosa – Sério, mesmo. Queria que sua mãe tivesse me procurado antes. Eu daria abrigo e protegeria vocês.

Helena soltou a respiração e deu um meio sorriso.

— Agora é tarde.

— Não, Helena. – Heloisa a virou para ela – Nunca é tarde demais para se proteger e cuidar da família. – ela inspirou fundo – Eu queria justamente esclarecer isso. Eu sei que mal nos conhecemos, e já temos nossos atritos – Helo a olhou e baixou o olhar – mas somos família, e temos que ficar juntas. Eu quero muito cuidar de você, Helena.

— Eu sei cuidar de mim, Heloisa. – ela falou baixando a cabeça, passando a língua pelos lábios, os apertando.

— Eu sei. Mas agora você está sem a sua mãe. E eu sei como é perder a mãe na sua idade. Estar sozinha... Querendo ou não é algo que nos deixa mais frágeis. – Helena engoliu em seco, Heloisa pegou as mãos dela – Eu sou da família. Deixa eu fazer por você o que sua mãe faria. É realmente muito importante para mim.

Helena tentava se manter fria com Heloisa pedindo para ser a sua mãe. Mas então olhou a outra nos olhos, que sorria erguendo as sobrancelhas, pedindo que aceitasse.

— Pode ser... – ela cedeu, baixando o olhar.

Heloisa então a puxou para um abraço apertado, que Helena resistiu de inicio, mas cedeu, retribuindo, as duas de olhos fechados.

— A partir de agora, sempre que você precisar, vai ligar para mim?

— Vou pensar. – as duas ainda abraçadas.

— Já é um começo.

Se afastaram, Heloisa passando a mão direita sobre o rosto dela.

— E a Leticia? – Helena perguntou erguendo o queixo.

— Bom. – Helo suspirou – Acho que não posso mesmo sonhar com uma reunião em família harmoniosa com você, Leticia e Tiago. Preciso de conformar que onde você estiver ela não vai querer estar. Mas, não quero que isso te afaste de nós. Edu sente muito a sua falta. E olha que passou só um dia com você!

Helena sorriu lembrando do irmão.

— Também sinto a falta dele.

— Olha aí! Podemos marcar para vocês se verem amanhã! O que acha?

— Beleza.

— Ai que bom! – Heloisa a abraçou de novo – Bom, vamos colocar esse na nossa sacola e ver mais.

Helena desfilou mais meia-hora para a mãe e então foram atrás de Pedro, para almoçar.

Tiago os encontrou na praça de alimentação, Heloisa e Pedro de um lado e Helena do outro, numa mesa quadrada, pequena, todos comendo pastel. Ela estava de costas para ele e não o viu chegar. Ele pensou em colocar as mãos sobre os olhos dela para fazer surpresa, mas Helena poderia derrubar ele e dar um soco antes de perguntar quem é.

— Que legal! Cheguei bem na hora boa. – ele falou puxando a cadeira do lado de Helena, se sentando e a beijando no rosto.

— Tiago? O que você tá fazendo aqui? – ela perguntou, terminando de mastigar e colocando a mão sobre a boca.

— Também estava morrendo de saudades, viu? – ele brincou, trazendo-a pela nuca, para um beijo no rosto, fazendo Pedro e Helo se entreolharem – Então? O que tem aí para mim?

Ele mexeu na bandeja dela, e aproximou a boca do pastel de Helena, que tirou para longe.

— Garoto chato! Vive querendo comer o que tenho na mão.

— Tá vendo? – ele falou para os dois a frente deles, fingindo revolta – Se eu for depender dela, morro seco de fome!

— A tá! – ela limpou a boca com guardanapo, o olhando, carinhosa – Do jeito que fala até parece que não tá precisando perder uns quilinhos.

Tiago abriu levemente a boca erguendo as sobrancelhas.

— Tá me chamando de gordo?

— Não! – ela se virou o envolvendo com os braços pelo pescoço – Você não é gordo. Só tem excesso de gostosura.

Ela trouxe ele para um beijo, os dois sorrindo. Pedro pigarreou, recebendo um olhar recriminador de Heloisa, que ria dos dois.

— Desculpa. – Tiago então se virou para eles, Helena também se endireitando – Eu nem cumprimentei. Oi, Helo.

— Oi Tiago. – os dois se ergueram, ele deu a volta na mesa e foi abraçar ela – Faz tempo, eim.

— Muito. Já tava com saudades!

— Também! – ela disse se afastando do abraço e passando a mão no rosto dele, que sorria para ela.

Tiago levantou as sobrancelhas para o tio, rapidamente e voltou ao lado da namorada, que os observava.

— Quer que eu peça algo pra você, Tiago? Eu e Helo já terminamos, mas Helena leva muito a sério as refeições. É magra de ruim. – falou Pedro, se sentando e o observando se sentar.

— Não, valeu, tio. To precisando emagrecer mesmo.

— Ai... – Helena riu, olhando para cima – Chantagista! Eu ia te dar o resto do pastel, mas agora morre de fome.

Tiago fez bico para ela. Helena o olhou, revirou os olhos e riu de novo.

— Pega. – ela ergueu o pastel para ele morder, o que ele fez, a olhando, sorrindo.

— Vou pedir algo pra você. – Pedro falou depois de Tiago se virar para frente, sorrindo, colocando o braço direito sobre o ombro de Helena.

— Não tio. Não precisa! Sueli pediu um almoço lá pro pessoal que trabalhou hoje, comi por lá mesmo.

— Bonito! E ainda pede o meu pastel.

— Eu não resisti! – ele falou a puxando e dando um beijo no alto da cabeça.

— Abusado.

O casal a frente deles observava os dois se divertindo junto. A situação era tão confortável que Pedro nem percebeu quando passou também seu braço esquerdo pelo ombro de Heloisa a puxando, rindo com ela.

— Então? Como foi o dia? – Tiago perguntou para os outros dois.

— Ótimo! Só faltou me comprarem meias, de resto compraram de tudo para mim! – Helena respondeu, pegando o copo e tomando seu suco.

— Sério? Então volta pra comprar meias!

— O que?

— Você não vai viajar sem meias, né?

Helena se virou para ele, franzindo a testa.

— Quem disse que vou viajar?

— O teu namorado. – Tiago respondeu, segurando o queixo dela e a trazendo para perto.

— E ele te disse para onde?

— Não. Ele só disse que era para comprar roupas e o necessário para a viagem, porque vocês vão passar o fim de semana fora.

— Não é Rio de Janeiro, né? – ela perguntou se lembrando da conversa com Pedro.

— Se o teu namorado te levar para qualquer praia, termina com ele! – ele puxou o rosto dela, dando um beijo – Sabendo o medo que você tem de água, e te levar pro mar? Não tem perdão.

— Boa ideia! – ela respondeu.

— Você tem medo de agua, Helena? – Heloisa perguntou.

— Sim. – Helena respondeu, coçando o nariz, se virando para os outros, os notando de novo.

— Desde pequena, diz ela.

— É. – confirmou Pedro.

— Não topa nem banheira. – completou Tiago.

Pedro olhou para ele, sério. Helena pigarreou e pegou o suco para outro gole.

— Foi o que ela me contou, né. Que não toma banho de banheira, tamanho o medo.

Tiago tentou consertar, enquanto Heloisa olhava de Pedro para ele, imitando Helena e tomando um pouco do suco. Então o olhar das duas se encontrou e elas não seguraram mais o riso. Os dois as observaram.

— Acho que tá na hora de comprarmos as meias.

— Espera. – Tiago interrompeu o tio, olhando para a mesa com bandejas quase vazias – Vocês já terminaram de almoçar?

— Já. – Pedro respondeu.

Tiago olhou para os lados.

— Então terminem, enquanto a gente vai comprar as meias.

Tiago se levantou e puxou Helena, que foi sem entender.

— Vocês compraram lingerie? – ele perguntou baixinho no ouvido da namorada.

— Com a Helô? Claro que não!

— Então vamos comprar umas coisas para a viagem. – ele carregou ela, que foi rindo.

— Não entendi. – Pedro franziu a testa os vendo se afastar.

— Quem não está entendendo sou eu. Desde quando você controla o namoro do teu sobrinho.

— É que Tiago se passa às vezes, com a Helena. — ele se recostou na mesa, cruzando os braços.

— E você só quer proteger ela do namorado?

— Louco, né? – ele concluiu vendo a expressão dela.

— Nem tanto. — ela falou batendo com a mão direita no joelho dele — Mostra que você seria um ótimo pai. Chato com os namorados, mas ótimo. – ela falou sorrindo para ele.

Pedro notou a mão dela e a encarou, observando ela tirar logo. Apertando os lábios, ele se inclinou para a frente.

— O jeito é esperar eles voltarem. – ele suspirou.

— E aproveitar para conversarmos. – Heloisa se inclinou, apoiando os cotovelos sobre a mesa, virando o rosto para ele, o olhando significativa.

Cerca de uma hora depois, Tiago e Helena voltaram com várias sacolas, interrompendo Pedro e Helo, quase se beijando. Eles disfarçaram.

— Então? Compraram as meias? – Pedro perguntou os vendo parados, olhando para eles.

— Sim. – Helena sorriu.

— Muitas, pelo visto. – Heloisa notou a marca da loja em uma das bolsas de Helena e sorriu cumplice para ela, quando se sentou a sua frente.

— Onde vocês vão deve fazer muito frio! – Pedro falou olhando para tantas bolsas.

— Pois é. – Tiago pigarreou – A gente já até, está começando a se atrasar.

— Vão de avião? – Pedro questionou.

— Não, de carro.

— Então é perto.

— Para, Pedro! – Heloisa cutucou ele com o cotovelo, o recriminando — Podem ir. Melhor ir mais cedo para não pegar estrada a noite.

— Verdade! – Tiago concordou, indo se despedir deles – Essas são as sacolas da Helena? — ele apontou para sacolas do lado de Heloisa.

— Sim!

Heloisa se levantou, fazendo Pedro a imitar, e entregou as sacolas do seu lado para ele, mostrando as demais. Helena já pegava as do seu lado. Heloisa e Pedro foram até ela se despedir, desejando boa viagem.

— Tô gostando muito desse namoro, viu! – Heloisa falou para Pedro, vendo eles se afastando.

— É, eu também.

Notando que já estavam sozinhos de vez, Heloisa olhou para Pedro, suspirando.

— Melhor nós irmos.

— É. Eu tinha reservado o dia todo, mas, Helena já se foi.

— Pois é. – Pedro engoliu em seco, pegando a bolsa dela e a entregando.

Ele a acompanhou até a porta do estacionamento, de vidro, que se abriu automaticamente quando ela passou, depois de se despedir dele com um beijo no rosto, passando a mão no peito dele, suspirando. Pedro a viu do outro lado da porta. Heloisa se virou para ele, colocou a mão direita sobre a boca e mando um beijo para Pedro. Ele leu os lábios dela dizendo “eu te amo”.

Engolindo em seco e colocando as mão na cintura, Pedro cedeu ao impulso e foi até ela, a beijando, sôfrego.

— Você tem o resto do dia livre?

— Tenho — ela respondeu sem ar.

Notas finais
O próximo capitulo já vai sair.