A sobrinha da Helô
41 Eu te amo, Helena.
Tiago virou Helena para ele, passando a mão direita no seu rosto e afastando o cabelo, beijando ela no canto esquerdo da boca. Foi caminhando com ela até a cama, brincando com o nariz do rosto dela, os dois rindo.
Helena se deixou cair com ele ali na cama, sentindo o namorado afundar o rosto na curva do seu pescoço, puxando o ar e a beijando, fazendo ela rir mais e puxar a cabeça dele com ambas as mãos, para encara-la.
— Eu disse que você ia gostar.
— Tá me conhecendo bem. – ele falou olhando para os lábios dela, trazendo a mão direita para o queixo dela, brincando com a unha ali.
— Uma semana de namoro, quase – ela trouxe a mão direita para segurar o rosto dele, o fazendo encara-la – , deve ser o suficiente para saber o teu gosto.
— Tudo isso, já? Parece que não teve nem dois dias. – ele abrira a boca num sorriso aberto, fingindo surpresa com a declaração do longo período de namoro deles, e então se ajeitou na cama a trazendo mais para cima, beijando o rosto dela em vários pontos – Amanhã é o aniversário de uma semana, é?
— Acho que é depois de amanhã. – ela respondeu rindo, sentindo ele voltar os lábios para o pescoço, subindo até mordiscar a orelha – Foi na quarta que você teve a dignidade de me pedir em namoro.
— Ah! – ele ergueu a cabeça e olhou sobre a cabeça dela balançando a cabeça afirmativamente – Tá certo. Se conta a data que eu pedi. Desculpa, eu estava confundindo as datas. Porque, na minha mente, eu estou te namorando há mais tempo que isso. – ele falou inclinando a cabeça para o lado direito, até quase encostar no próprio ombro, os olhos brilhando para ela, um sorriso maroto, a fazendo suspirar e puxar ele para um beijo, calmo e o afastando.
— Só imagino o que essa sua mente poluída vem pensando nesses meses. – ela respondeu mordendo o lábio inferior, erguendo a cabeça dele para ela.
Tiago mordeu o lábio inferior também e suspirou. Ele se apoiou nos cotovelos e enterrou os dedos nos cabelos dela.
— Nada que minha mente tenha pensado, se compara ao que você fez hoje.
Ela sorriu para ele, sentindo Tiago puxar seu rosto para trás, enterrando mais os dedos nos cabelos dela, a fazendo abrir levemente a boca enquanto ele mordia o seu queixo e se erguia mais sobre ela, sorvendo o seu lábio inferior, Helena passando as mãos para as costas dele, o trazendo para ela, enquanto ele abria mais a boca, trazendo o corpo mais pare cima, permitindo que aprofundasse o beijo, os dois gemendo.
— De um jeito ou de outro, eu sempre saio como a culpada. – ela, suspirou quando ele afastou o beijo e foi brincando com o nariz pelo rosto dela, sorrindo com o comentário e beijando a sua bochecha esquerda.
Tiago então se jogou para o lado direito de Helena e se sentou na cama, procurando na bandeja com as frutas, um morango, que trouxe até os lábios da namorada. Helena mordeu a fruta, a mastigando e observando o namorado colocar o resto na boca, se apoiando no cotovelo esquerdo, a cabeça deitada na mão. Ele sorriu para ela.
— E então? Não tivemos champanhe?
— Ah! – ela olhou para cima – Eu sabia que ia pedir. Desculpa, porquinho, mas com muito eu consegui essas frutas. Pedro tem que fazer as compras, e logo.
— Ruuum, que pena. – ela respondeu passando a mão direita no rosto dela, que revirava os olhos.
— Viciou. Vou te levar nos Alcolatras Anônimos – ele erguia a sobrancelha sorrindo enquanto a ouvia — , vai ter que fazer os dez passos e no casamento, nada de bebida! Capaz de você mandar confiscar todos os champanhe para a lua de mel.
Helena estava esperando uma gargalhada, mas Tiago inspirou fundo e jogou o corpo sobre ela, encostando a testa dele na dela.
— Repete.
— O que? – ela franziu a testa, sentindo o coração acelerar e o ar faltar.
— O que você falou agora.
Ela fixou o olhar nele e então entendeu o que era. O envolveu com os braços pelo pescoço e desconversou.
— Eu não disse o casamento de quem.
— Mas a lua de mel você deixou bem clara. – ele emendou, passando o dedo indicador no nariz dela.
— Meu Deus! A gente não pode nem brincar que o cara já acha que estamos pedindo em casamento.
— Não faz a bandida. – ele voltou a se apoiar sobre os cotovelos, a cercando, apertando os olhos e sorrindo para ela, a voz grave, cheia de emoção – Pode dizer. Você já pensou na gente casado. – ele desceu os lábios para o alto do seio esquerdo dela, beijando, os olhos sempre fixos em Helena – Na nossa lua de mel...
— Hã! – ela soltou um riso nervoso, passando a mão direita pelo cabelo dele – Tu pirou mesmo. Não estamos namorando nem uma semana e já vou pensar em casamento! Não mesmo. – ela desviou o olhar, fungando e passando a língua entre os lábios, que ela apertava, nervosa.
— Também não é assim. – ele suspirou, se ajeitando sobre ela e colocando o rosto dele acima do dela, fixando um olhar intenso em Helena, engolindo em seco – Eu já disse, estou te namorando há bem mais tempo que uma semana. – Helena mantinha o olhar dele, a respiração cada vez mais difícil, a boca levemente aberta – O que eu sinto por você tem mais de mês. E mesmo que não fosse, eu posso até não ficar pensando no casamento – outro suspirou de Tiago, seguido de um de Helena – na lua de mel, ou filhos, mas eu com certeza não consigo pensar no meu futuro sem você.
Helena engoliu em seco, a respiração presa, o olhar fixo nos de Tiago, que tinha o nariz quase encostado no dela, também com a respiração presa, buscando no olhar dela a resposta para a declaração dele, com medo de ela fugir de novo dele.
Mas Helena não fugiu. Ela soltou o ar e fechou os olhos, oferecendo os lábios para um beijo calmo, estremecendo quando sentiu os lábios dele encostando nos seus, os sorvendo, Tiago também soltando o ar, deitando totalmente o corpo sobre ela, passando os braços por trás dela, a segurando pela nuca, com a mão direita.
Tiago se afastou puxando o lábio inferior dela, passando a roçar o nariz pelo seu rosto, os olhos fechados, sorrindo, Helena com a boca levemente aberta, olhos semicerrados, entregue a carícia. Ele beijou a testa dela e então desceu os lábios para a orelha esquerda, a fazendo arrepiar quando cobriu o lóbulo com os lábios e os desceu para mordiscar um ponto um pouco mais abaixo. Puxando o ar e voltando a erguer a cabeça sobre ela, a olhando intenso, Tiago sorriu.
— Quantos? – ele perguntou, recebendo um olhar perdido nas sensações.
— Quantos o que? – perguntou, sorrindo e passando a mão direita pelo rosto dele, o olhar fixo nos lábios do namorado.
— Filhos.
Helena arregalou os olhos contendo um riso, notando então que ele falava sério. Ela enrugou o rosto olhando para um ponto acima da cabeça dele. Então Tiago trouxe a mão direita pra o alto, fechada, olhando para ela significativamente. Helena olhou desconfiada e trouxe a mão esquerda na mesma posição da dele, fechada. Os dois começaram a abrir as mãos, esticando os cinco dedos, erguendo as sobrancelhas e rindo ao ver que pensaram no mesmo número. Ele entrelaçou os dedos das mãos e desceu os lábios para um beijo estalado.
— E quantos adotados? Uns dois? – ele pergunto a observando, Helena desmanchou o sorriso ficando séria para ele, prendendo a respiração – A gente vai adotar, né? Dar uma família, e não abandonar. – ele completou, a voz suave, notando a feição de surpresa dela passar para emocionada.
Helena sentiu uma sensação que começou do ventre, subiu pela garganta e ficou presa ali, enquanto sentia o corpo começar a vibrar.
Ela impulsionou o corpo para frente, jogando ele para o seu lado esquerdo, montando sobre ele e enterrando os dedos nos cabelos de Tiago, o puxando para ela, o olhando de modo intenso, a respiração difícil, o coração acelerado. Helena segurava o rosto dele para ela com as duas mãos.
— Você fala mesmo sério?
— Você já percebeu – ele trouxe as mãos para os braços dela, os esfregando e a olhando com carinho – que eu tenho que ficar repetindo as coisas para você? Acredita em mim.
Helena respirou fundo, cabeça levemente inclinada para a direita, as mãos passeando pelo rosto dele, os olhos procurando na expressão dele uma falha que mostrasse que não era sério. Ele mantinha o olhar dela, a respiração difícil, um sorriso no canto do lábio. Ela aproximou os lábios dela e pressionou os dele, levemente, soltando o ar.
— Não é em você que eu não acredito. É na minha sorte. – Helena confessou com a voz falhando, sem ar – Você fala de coisas que eu nem sonhei ter, Tiago. Não parece verdade.
— Mas é, Helena. – foi a vez dele pegar o rosto dela com as mãos, a fazendo olha-lo nos olhos – Olha, eu não sei como exatamente vai ser a nossa vida juntos. – ele deu um meio sorriso suspirando – Mas vamos estar juntos.
Ela sorriu encostando a testa dela na testa dele, fechando os olhos e se entregando a emoção, deixando ele tomar os lábios dela, devagar, também sorrindo, engolindo em seco e então abrindo a boca, fechando os olhos e trazendo, com a mão direita sobre o rosto dela, Helena para um beijo urgente, que ela correspondeu, soltando o ar e gemendo, o envolvendo pelo pescoço, subindo a mão pelo nuca dele, puxando o cabelo dele, sentindo Tiago a abraçando e se deitando, trazendo ela sobre ele e girando o corpo para o lado direito, ficando sobre ela, inclinando a cabeça para a direita e abrindo mais a boca, num beijo mais profundo, enquanto as mãos subiam pelas costas dela até a segurar pelo cabelo.
— Helena,.. — ele gemeu descendo os lábios pelo rosto dela até o pescoço.
— Tiago...
— Eu... – ele ergueu o rosto, intenso, esperando ela abrir os olhos para ele, e então falar o que estava entalado.
— O que foi isso? – foi a resposta dela, abrindo os olhos assustada, ao ouvir um barulho de um baque vindo do quarto ao lado.
— Isso o que? – Tiago não tinha ouvido, estava concentrado nela.
Outro barulho, agora parecia vir de algo batendo no chão com força, e que Tiago ouviu. Os dois se olharam, se alertando com os movimentos de passos rápidos, agora audíveis para eles.
Tiago foi o primeiro a se levantar, indo pegar a calça dele e vestir, enquanto Helena corria para o roupeiro pegar a camisola rosa dela, que estava usando antes de preparar tudo. Depois que Tiago jogou a camisa presta por sobre o ombro, fechando só o terceiro botão, eles abriram a porta devagar, Tiago mantendo a namorada, sempre atrás dele, que segurava o chicote, na falta do canivete.
Pé ante pé, se aproximaram do quarto de Aline. Vinham dali o som de passos e coisas caindo no chão. Ouviram vozes. Se entreolharam.
Helena tentou tomar a dianteira, mas Tiago a afastou, franzindo a testa irritado para ela, colocou a mão na maçaneta, abrindo a porta devagar, tentando ver pela fresta, soltando o ar devagar e aliviado. Camila estava ali, jogando um monte de coisa em uma mala sobre a cama. Ele então abriu toda a porta, sem cerimonia e Camila se virou assustada, colocando a mão direita sobre o peito, e fechando os olhos percebendo quem era na porta.
— Ah, são vocês. – ela se virou de novo para frente, jogando mais coisas na mala, indo até o roupeiro e gavetas.
— O que tá acontecendo aqui? – Tiago então entrou, com Helena logo atrás, chicote ainda erguido no ar.
— Shhh. – Camila se virou para ele, colocando o dedo indicador da mão direita sobre os lábios e depois o apontando para a porta, que Helena foi fechar – Não tá vendo? Estou me libertando desse inferno.
Tiago tinha a boca levemente aberta e as mãos na cintura, observando a irmã fechando a mala, enquanto Helena sentava na cama e observava a amiga.
— Tá louca, Camila?
— Não, Tiago, estou muito lúcida. – ela arrastou a mala até a janela, enfiando a cabeça para fora e acenando com a mão direita para alguém subir, fazendo os outros dois notarem ali o topo de um escada – E eu, se fosse vocês, faria o mesmo essa noite.
Camila se virou para eles, braços cruzados. Helena ergueu as sobrancelhas e se virou para o namorado, que mantinha a boca levemente aberta, mas enrugava o rosto, indignado.
— Do que você tá falando?
Camila abriu a boca para responder, mas a cabeça de Robinson apareceu na janela, sorrindo e então se abaixando rápido, vendo Tiago.
— Calma. É só o Tiago, — Camila se apressou a tranquilizar o namorado,
— Ah. E aê, cunhando? – Robinson cumprimentou sendo repreendido com um “shh” por Camila, que já subia a mala e empurrava pela janela, Robinson tentando se equilibrar com ela.
Helena se levantou e foi até a amiga, Tiago vindo logo atrás, os três olhando pela janela o outro tentando descer com o peso da bagagem. Tiago ia se virando para a irmã, para demover ela da loucura que ia fazer, quando notou quem estava ajudando Robinson a terminar de descer e guardar a mala em um carro grande, preto. Gustavo, de jaqueta de couro, preta, um sorriso debochado ao ver eles na janela, ajudando Robinson a colocar a ultima mala no bagageiro.
Tiago bufou, se inclinando mais sobre o batente, encarando o ex-frentista. Helena se afastou da janela, apertando os lábios e olhando para a amiga, que não estava entendendo nada, com as sobrancelhas levantadas.
Camila sentiu o celular vibrando. Robinson lá de baixo mandava mensagem de voz para ela.
— Pronto, princesa, pode descer. – um barulho ao fundo e Robinson sorri – Ah, e o Gustavo disse que se quiser pode trazer a amiga, que ele leva ela tamb...
Camila parou a mensagem notando os olhos de Tiago, que se virara para ela, de braços cruzados, se arregalarem, apertando os lábios, jogando o queixo para frente, começando a ficar vermelho.
— Deixa eu responder. – Tiago se adiantou para pegar o celular, furioso, Camila levando o aparelho para trás dela, Helena segurando o namorado – Certo, respondo ao vivo para ele.
Tiago foi até a janela, Helena tentando segurar ele.
— Vem, vem buscar o que tu merece. Sobe aqui... – Helena o puxou da janela, pedindo para ele baixar a voz.
— Tá louco, Tiago? Vai acordar a casa toda! – Camila o repreendeu.
— Mas é para acordar mesmo. Ver se alguém te para. Você não pode fazer isso, Camila!
A irmã o ignorou. Olhou para Helena e foi abraçar ela.
— Cara, era para voce comer só uma pizza. – Helena fez graça, fazendo Camila rir.
— Eu sei. Mas não aguento mais isso aqui, e o Robinson deu ideia já faz um tempo. Resolvi aceitar.
— E como é que ele conseguiu driblar a segurança?
— O amigo dele conhece os seguranças. Eles deixaram ele entrar. – Camila respondeu para Helena, fazendo Tiago inspirar fundo, irritado.
Camila olhou para o irmão e então para a amiga.
— Eu falo sério. Sai daqui, amiga. Não se sabe quem mais pode cair da escada ou ter problemas com remédios controlados. – Camila olhou Helena significativamente.
Helena concordou levemente com a cabeça e abraçou a amiga. Tiago as observava, confuso. Camila então soltou Helena e ergueu os braços para o irmão que cruzou os braços e olhou para o lado, contrariado.
— Tiago?
— Isso não tá certo, Camila. – ele olhou a irmã, suspirou e abriu os braços para abraçar ela – Pensa na gente, na Analu, na tia Vitória, no vô, na vó. Ela vai ficar arrasada.
Camila se afastou dele, irritada. Helena revirou os olhos, Camila bufou.
— Não dá, Tiago, você insiste em não enxergar o que está a dois dedos do seu nariz. – Camila se virou para ele e foi até a janela, começando a descer pela escada, Helena ajudando a amiga – Eu só espero que quando você descobrir quem é dona Magnólia, ainda tenha tempo de você evitar uma dor maior.
Camila disse isso descendo, Tiago indo até a janela, observar a irmã indo embora. Todos entraram no carro, Gustavo ainda mandou um beijo para Helena, que estava ao lado do namorado, recebendo um olhar fuzilante desse.
Depois que o carro sumiu, Tiago se afastou da janela, ainda furioso, as mãos na cintura, andando pelo quarto. Helena fechou a janela, suspirando, feliz pela amiga e preocupada com Tiago.
— Tu viu, isso? – ele falou apontando a mão direita para a janela – Camila não tem a menor noção... o que ela quis dizer com não enxergo o que está diante de mim?
Helena estaca de braços cruzados, cabeça baixa, e quando ouviu a pergunta ergueu as mãos se negando a responder.
— O que foi, Helena? Fala.
— Desculpa, Tiago, mas tem coisas que você só vai enxergar quando quiser. Não vou gastar meu latim. – ela passou por ele, se retirando.
Tiago não entendeu e a alcançou, obstruindo a passagem dela.
— Fala, Helena. – ele pediu, a olhando com súplica.
— Ok. – Helena suspirou – Mas que fique claro que é você quem pede. – ele concordou com a cabeça e colocou as mãos na cintura – Camila está há muito tempo desconfiando das atitudes da sua avó. A meu ver, mais do que acertadamente. Ela ficou com muito medo depois do que aconteceu com Aline. E acho que depois da tia de vocês...
— Espera... – Tiago fechou os olhos agitando as mãos no ar – A Camila está achando que a nossa avó tem algo a ver com o acidente da Aline e o que aconteceu com a tia Vitória?
— Ih! – Helena olhou para os lados, cruzando os braços – Desculpa, Tiago, mas a única pessoa que não pensa nessa possibilidade, aqui, é você.
Tiago a olhou incrédulo.
— Helena, isso é absurdo. Do que jeito que você fala parece que a minha vó é um monstro.
— Ah, eu não a classificaria assim. – Tiago soltou o ar aliviado – Tem tantos monstros legais por aí. Seria injusto com eles.
Ele a olhou furioso, batendo os braços ao lado do corpo, se virou e foi saindo do quarto. Helena revirou os olhos e foi atrás, o puxando no corredor.
— Tiago. Para! – ele se virou para ela, olhando para cima, lábios comprimidos, formando um bico – Não somos só eu e Camila. Pensa bem. É uma coisa atrás da outra, todas muito estranhas! E a única pessoa que teria sangue frio para fazer isso é a sua avó.
— O que? – ele a encarou, enrugando o rosto, indignado.
— Por favor, Tiago. Você sabe muito bem do que tô falando. Vai dizer que a sua avó já não tem o passado sujo pelas armações dela com Pedro e Heloisa?
Ele a olhava com a boca levemente aberta. Fechou os olhos e respirou fundo, lembrando o que a avó fez com o tio.
— Ok. – ele abriu os olhos e a mirou – Mas isso foi há anos atrás. Ela já se arrependeu.
— Ah é? Tanto que fez a mesma coisa com nós dois, colocando a Aline aqui!
Tiago parou sem resposta, a boca aberta para a namorada. Passou a língua pelos lábios e balançou a cabeça negativamente.
— Não é assim, também. Uma coisa é armar uma cena...sei lá. Tentar nos separar. Mas outra é tentar matar alguém.
Helena era a indignada, agora. Os braços cruzados e balançando a cabeça para os lados.
— Tá certo, Tiago, sabia que você não ia aceitar a verdade sobre a sua avó.
— A verdade sobre a minha avó. – ele repetiu, a cabeça virada para a esquerda – Você que mal conhece ela sabe a verdade sobre ela.
— Eu posso não ter passado tanto tempo quanto tu passou, mas sei muito mais que você. Ou ao menos não fico me enganando que o que eu sei não é exatamente o que é!
Ele riu com escárnio, cruzando os braços.
— Então agora eu é que não quero ver o que a minha avó faz? Não será voce que nunca gostou dela, e nem tentou, que fica imaginando sempre o pior dela?
— Boa noite, Tiago. – Helena se irritou e saiu pelo corredor para o quarto dela.
Ele deu um pulo e foi atrás, a puxando pelo braço.
— Helena. – ele a trouxe para junto dele – Por favor...
— O que? – ela respondeu o olhando nos olhos, firme.
— Para e pensa na loucura que você tá afirmando.
— Eu vou mostrar para você, Tiago. Vou tirar a mascara da sua avó. Vai doer, mas vai ser o melhor para você.
— Boa noite, Helena.
Tiago a largou, colocando a mão esquerda na cintura e a mão direita, fechada, sobre a boca, a olhando sério. Então se virou e foi até o quarto, o trancando. Helena olhou para os lados, passando os dedos pelos cabelos, bufando. Começou a andar até o seu quarto. Parou, fechou os olhos e respirou fundo. Se virou e foi até a porta do quarto de Tiago, para se acertar, ficando mais furiosa quando viu que ele trancou o quarto.
— Idiota!
Ela falou para si mesma, se virando e indo para o quarto, furiosa, se trancando lá, jogando o corpo sobre a cama e abraçando o travesseiro com força, dizendo para si mesma para não chorar.
Tiago ficou andando pelo quarto. Ouviu quando ela mexeu na maçaneta. Ficou esperando ela insistir. Não insistiu. Ele olhou ao redor, a mão direita ainda sobre a boca. O quarto preparado por ela. Olhou para a cama e lembrou da conversa que tinham acabado de ter e fechou os olhos, sentindo como algo frio passando da boca do estomago e parando na região do umbigo.
— Idiota!
Ele disse para si mesmo e destrancou a porta. Coçou a cabeça e saiu, indo até o quarto dela. Mas Helena trancou o quarto.
Irritada, ela se trancou no banheiro para tomar um banho, e não o ouviu a chamando. Achando que ela não queria atender, Tiago fechou os olhos e comprimiu os lábios, voltando para o quarto, sem trancar a porta.
— Bom dia, Magnólia! – disse um Tião efusivo do outro lado da linha, para uma Magnólia grogue, que só depois de muitos toques é que atendeu – Hoje é o grande dia! Preparada?
— Tião? Pelo amor de Deus. Que horas são?
— Deus ajuda quem cedo madruga, minha cara. Espero que a sua parte já esteja totalmente pronta. Seria terrível se esse plano falhasse. Ainda mais se por sua culpa!
Magnólia respirou fundo.
— Não se preocupe. Não sou eu quem costuma matar pela metade as pessoas. – ela provocou.
— Não é o que os registros médicos da Aline dizem, minha cara. – ele sorriu diante do silencio dela – Bom. Tenho que trabalhar. Um bom dia para nós.
Tião desligou o telefone, sorrindo para si mesmo. Estava no escritório, sozinho. Tinha coisas que não podia deixar nem Miro escutar. Ligou para Valdir.
— Então, Valdir, tudo pronto?
— Sim, senhor. Assim que nossa equipe entrar arrancando o portão, os seguranças vão se juntar e ajudar no serviço. As armas e equipamentos já estão na casa, é só invadir.
— Ótimo.
— Só queria confirmar. É para matar o senhor Fausto ou não?
Tião pensou um pouco.
— O meu primeiro ímpeto é mandar mata-lo. Mas se Magnólia não o fez até hoje, é porque ele tem algum valor. Traga ele vivo. Vamos tentar fazer ele falar.
— Como quiser, senhor.
Tiago abriu os olhos e sorriu. A visão dele era do rosto de Helena sorrindo para ele. Fechou novamente os olhos para continuar sonhando. Franziu a testa e se alertou, sentando na cama, fazendo Helena jogar o corpo para trás e saindo de cima dele.
— Helena? – ele piscou, tentando acordar e puxando o ar diante da visão na frente dele.
Ela estava ajoelhada sobre a cama, usando apenas o seu biquíni branco de bolinhas pretas, sobrancelhas erguidas para ele.
— Eu tô sonhando? – ele perguntou, um meio sorriso.
Helena então abriu um sorriso, mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça afirmativamente.
— Vem curtir o sonho.
Ele sorriu e se inclinou para a frente, as mãos erguidas em direção ao peito dela. Helena riu e bateu nas mãos dele.
— Safado! Que tipo de sonho você tem comigo.
Tiago abriu mais os olhos e riu balançando a cabeça, projetando o corpo para a frente, a derrubando na cama e deitando sobre ela.
— Os melhores! – ele falou antes de ajeitar o cabelo dela para trás da orelha, com a mão esquerda, e puxar o rosto dela para um beijo – Bom dia.
— Booom dia. – ela respondeu envolvendo ele pelo pescoço.
— Você não está mais brava comigo?
— Achei que você estivesse bravo comigo.
— Então nós não estamos bravos um com o outro. – ele concluiu, se sentando sobre os pés e a puxando pelas mãos para ficar sentada de frente para ele.
— Eu não consigo ficar brava com você. – ela falou se ajoelhando e puxando ele para um beijo.
— Ai que bom, — ele gemeu, sentindo a pele dela encostando na sua – Posso saber qual a ocasião especial para a vestimenta?
— Esqueceu? – Helena o encarou – Nosso acordo na viagem. Vou te deixar me ensinar a nadar, hoje!
Tiago jogou a cabeça para trás se lembrando e então a balançou concordando.
— Verdade!
— Então? Vamos!?
— Claro! – ele deu um beijo estalado, puxando o ar – Mas eu vou ter que tomar um banho antes. – ela mordia o lábio inferior – E não podemos demorar. Tem o noivado do Antonio, temos que voltar cedo para nos arrumar.
— Voce ainda acha que vai me convencer a ir?
— Olha que eu tenho uns truques.
Helena riu alto, jogando a cabeça para trás e a trazendo de volta para beijar ele.
— Vai. – ela afastou ele pelo peito – Toma seu banho logo. Vou esperar la embaixo, na cozinha. Leila está preparando o café para levarmos.
Ela falou já se retirando, permitindo que ele tivesse a visão completa do corpo dela no biquíni. Ele jogou o corpo para trás e suspirou. Passara a noite se torturando, enquanto arrumava o quarto, por ter afastado ela dele, brigado por coisa boba. Até porquê, uma hora ela iria ver que a avó dele não era esse monstro que tio Pedro, Analu, Camila, Luciane... bom, que alguns pintam. Pulou da cama e foi para o banho.
Eles saíram o mais rápido que podiam para evitar que fossem impedidos de sair assim que estourasse o sumiço de Camila.
Tiago queria ensinar ela ali na piscina da casa, mas ela o tinha convencido na viagem de que teria de ser em outro lugar, com menos pessoas vigiando. Ela queria o rio, onde ele salvou ela da outra vez.
Se aproximaram do lugar de carro e estacionaram perto de um barranco. Tiago achou melhor procurar mais ou menos o ponto onde saíram da agua aquele dia, onde teria pontos de nível baixo de agua para ela treinar.
Olhando ao redor, e notando que não tinha ninguém perto, os dois entraram na agua de traje de banho. Tiago na frente, de costas, a puxando pelas mãos, fazendo Helena rir, até que o rio ficou muito fundo de repente, fazendo ambos ficarem com a agua pelo ombro, Helena arregalando os olhos assustada.
— Calma. – Tiago olhou para ela, sorrindo para tranquiliza-la – Eu estou aqui.
Helena não conseguia se acalmar. Erguendo o queixo o máximo que podia acima da agua, ela começava a cogitar pedir para ir embora logo. Tiago então a levou novamente para mais perto da beirada, ficando logo com a agua pela cintura, a permitindo enfim respirar tranquila.
— Certo. Acho que vamos ter que trabalhar com esse nível de agua mesmo. Então... – ele a olhou contendo um sorriso e pegou ela pela cintura, a trazendo para baixo, Helena se ajoelhando e ficando com a agua até a altura do peito – Melhor?
Helena não respondeu, ainda tensa, tentou relaxar, sorrindo nervoso para ele.
— Tá. Já que não podemos ir num lugar mais fundo, vamos tentar por aqui mesmo.
Tiago se sentou e trouxe o corpo dela para perto dele, a sentando no seu colo, fazendo Helena morder o lábio inferior, quase esquecendo a tensão. Ele passou a mão esquerda pela perna dela, indo até a cintura e a trazendo mais para ele. Helena respirou fundo e colocou as mãos sobre o ombro dele, se aproximando para um beijo. Tiago esperou os lábios dela se aproximar para rir e virar o rosto.
— Vamos tentar primeiro você mergulhar? – ele falou, provocando ela.
— Você não acha melhor cancelar a aula? – ela perguntou, trazendo o rosto dele para ela.
Ele inspirou fundo e mordeu o lábio inferior, contendo um sorriso, olhando para o lado e balançando a cabeça afirmativamente.
— Até acho. – ele se virou de novo para ela, a boca levemente aberta – Mas eu prometi que ia te ensinar.
— Eu não estou exigindo que você cumpra nada.
— Helena... – ele soltou o ar, olhando para ela de rabo de olho, a boca ainda meio aberta, observando ela aproximar o rosto, a respiração já acelerando – vamos focar.
Helena fingiu que não ouviu e aproximou os lábios, sendo afastada por Tiago, que soltou o ar, e a pegou com o braço direita pela cintura e o esquerdo pelas pernas, a tirando do colo dele e se ajoelhando. Ela bufou diante da insistência dele. E resolveu ceder a tentativa dele de ensinar ela.
Tiago começou tentando ensinar ela a mergulhar, mas estava muito nervosa, então apenas a segurou sobre a agua, de costas, a fazendo sentir confiança para se movimentar, observando ela tentando soltar os braços. A virou de costas para cima e repetiu o movimento circular, Helena tentando manter a cabeça erguida, nervosa.
Aos poucos Tiago foi conseguindo mais confiança dela na agua, a soltando devagar, e a segurando com força, novamente, quando sentia ela se desesperar. Nessas horas ela aproveitava para agarrar ele, provocando. E de provocação em provocação, ela se soltou, aceitando ir mais para o fundo, pendurada no pescoço dele.
Tiago a segurou pelos braços em frente dele, e pediu que ela deixasse o corpo boiar. O rosto dos dois bem próximos, Helena fez o que ele pediu, batendo as pernas levemente, deixando Tiago a trazer, puxando ela pelas mãos por uns cinco metros, esticando cada vez mais os braços e a fazendo se esforçar para se manter sobre a agua. Ela engoliu em seco e se esforçou, conseguindo nadar alguns centímetros, até começar a se desesperar e Tiago a puxar para ele, Helena arfando, se segurando no ombro dele com os braços, as pernas o envolvendo pela cintura, a boca entreaberta, quase encostando na dele, que também arfava. Tiago a apertou mais contra ele, apertando os braços ao redor da sua cintura e a beijou, puxando o ar e inclinando a cabeça enquanto Helena trazia a mão esquerda para a sua nuca e abria a boca, aprofundando ela o beijo, os dois gemendo, enquanto Tiago se virava em direção a beira do rio.
Ele abriu os olhos para ver o caminho, parando o beijo e Helena, ainda com os olhos fechados, sentindo ele a segurando agora pelas pernas, enquanto a agua ia ficando para trás, sorriu.
— Acabou a aula?
Tiago apenas sorriu e voltou a beijar ela, chegando na terra seca, soltou as pernas dela e voltou a beija-la, subindo as mãos pelo corpo molhado, as parando na cintura dela para puxa-la para ele. Helena trouxe as mãos para os cabelos dele, o puxando para ela, o fazendo se inclinar para frente, juntando mais os corpos, soltando o ar e gemendo, ele sentiu a perna direita dela subindo entre as pernas dele.
Ela se afastou e o puxou para baixo, o sentando, voltando a sorver os lábios dele enquanto montava no colo de Tiago, que a segurou pela cintura e avançou num beijo ávido, a fazendo se jogar para trás, o provocando, trazendo os lábios para perto e afastando, até ele puxa-la para ele e beija-la a segurando pela nuca.
Helena trouxe então o rosto dele para o pescoço dela, sentindo os lábios de Tiago descendo pelo corpo molhado, beijando e sugando. Ela abriu os olhos assustada quando sentiu um movimento entre as árvores, mas logo esqueceu quando Tiago chegou com os lábios sobre seio esquerdo, beijando, puxando ela pelo cabelo da nuca para arquear o corpo para trás, enquanto ele gemia, indo beijar o outro seio, respiração difícil.
Perdido nas sensações, subindo os lábios para o lado direito do pescoço de Helena, Tiago não mediu as palavras, sentindo Helena estremecendo.
— Eu te amo, Helena.
Fale com o autor