A sobrinha da Helô
27 Don't You Forget About a Sobrinha da Helô
AnaLu esperava na escada, sentada, o retorno do pai a madrasta, os irmãos e Helena, para então dar a noticia. Felizmente o calmante que o médico recomendou funcionou para a tia. A avó por sua vez foi para o escritório, pelo visto beber. Resta saber se de tristeza ou felicidade. Ela não contou ao avô, e não conseguiu contato com o tio Pedro, deixando várias mensagens de voz na caixa postal dele.
— Por que demoram tanto? – ela falou consigo mesma.
Então viu a luz do farol de um carro chegando e parando. Correu até a porta e a abriu, apenas a tempo de ver a limousine ligar novamente o motor e sair, sem ninguém desembarcar. AnaLu abriu levemente a boca, indignada.
Fechou a porta e foi para seu quarto. Deixaria para contar sobre o desaparecimento de Ciro no dia seguinte.
Tiago estava deitado sobre o banco, a cabeça pousada sobre a mão direita, a esquerda afagando o cabelo desalinhado de Helena, que por sua vez estava deitada sobre ele, ambos ainda nus. Ela tinha parte das pernas erguidas e apoiadas no encosto do banco, para caber no curto espaço. A respiração já normal, ainda com um sorriso satisfeito no rosto, a exemplo de Tiago, enquanto pousava a cabeça sobre a mão esquerda, em cima do peito dele, que subia e descia com os movimentos da respiração daquele. O dedo indicador da mão direita dela, brincando com a pele nua dele, desenhando nomes no lado esquerdo da costela de Tiago, perto do coração.
Ela então virou a cabeça para ele, que tinha o queixo encostado no peito, a observando, e colocou a outra mão sobre o peito dele, apoiando ali o queixo.
— No que você está pensando? – ele perguntou, a mirando, com os olhos brilhando.
— Nada. – ela abaixou a cabeça beijando a pele dele na altura da costela – Só imaginando quanto um carro desses custa. Muito melhor que qualquer cômodo da sua casa, ou empresa, não acha?
Ela o mirou erguendo as sobrancelhas. Ele sorriu, os olhos ficando quase fechados e se ergueu até alcançar o rosto dela, o segurando com ambas as mãos, para um beijo estalado, voltando a se deitar.
Helena ficou na vontade. Mordeu o lábio, apoiou as mãos no banco e arrastou o corpo dela sobre o dele, trazendo as pernas para montar sobre Tiago, subindo a cabeça até a altura da dele, que levantou os antebraços, mãos largadas para baixo, e inclinou a cabeça para o lado esquerdo, abrindo a boca enquanto a língua passeava pelo lábio inferior.
— Precisa perguntar no que eu estou pensando agora? – ela ergueu uma sobrancelha, inclinando a cabeça na mesma direção da dele.
Tiago balançou a cabeça negativamente, os dentes cravados no lábio inferior, enquanto observava ela inclinando a cabeça até ele. Helena encostou o nariz dela no dele, o descendo, abriu a boca e levou os lábios para o lado esquerdo do pescoço de Tiago, parando na curva. Começou a sugar um ponto, enquanto ele trazia as mãos para a cintura nua dela. Ela passou os lábios agora a beijar em direção ao peito, dando mordidas enquanto sorria notando ele apertar os dedos sobre a pele dela, indo até as nádegas. Então sentiu uma pressão crescendo mais embaixo.
— Estamos acordando! – ela falou animada se levantando e abrindo a boca num sorriso para ele.
— E famintos!
Ele respondeu já se erguendo, ficando sentado com ela no colo dele, e a beijando, com a mão esquerda segurando a nuca dela enquanto a obrigava a inclinar a cabeça e abrir mais a boca. A mão direita de Tiago ainda no seu quadril, apertando. Helena ergueu o corpo, o aproximando mais do corpo de Tiago, fazendo os dois gemer.
Um barulho vindo do teto os assustou.
— O que é isso? – ela falou se afastando, tentando tomar fôlego.
— Eu não... – ele puxava o ar, as mãos ainda presas no cabelo e quadril dela – Ah, deve ser o motorista. Acho que o carro já parou.
— Chegamos na sua casa? – ela falou fazendo cara de desanimo – Mas justo agora. – ela falou com a voz manhosa, molhando os lábios para ele.
— Aaaah, espera um instante. – ele inspirou fundo, nervoso, e inclinou o corpo para a frente, Helena ainda grudada nele, os braços agora ao redor do pescoço dele, enquanto Tiago buscava a mini-tela e apertava um botão – Oi? Já chegamos?
— Sim senhor. – respondeu o motorista.
— Pois é... – Tiago olhou para Helena que descia a mão pelo abdômen dele o provocando – Eu esqueci minha carteira no hotel... – ela chegou no ponto que queria, apertando, fazendo Tiago parar um instante para lembrar o que ia dizer — é que eu tenho que voltar. Você pode fazer a volta?
— Tá certo. – respondeu o motorista irritado.
Tiago fechou a mini-tela mordendo o lábio e olhando para Helena, que já trabalhava com as mãos para animá-lo mais, enquanto o observava maliciosa, também mordendo o lábio inferior. Com a respiração já difícil ele voltou a sua posição anterior, sentando e trazendo de novo para um beijo ávido, enfiando a língua que já saía da sua boca antes mesmo de encontrar os lábios dela.
Tiago desceu a mão direita para os seios dela, apertando, enquanto mantinha a esquerda a segurando pela nuca. Helena gemeu e então subiu as mãos para a nuca dele, pedindo mais. Ele desceu a outra mão para o outro seio, a fazendo se afastar do beijo, diante da sensação, a boca vermelha, aberta, olhos semicerrados e respiração difícil. Tiago manteve a carícia com as mãos e desceu os lábios, os passando entre os seios, até se apossar do bico do seio esquerdo, a fazendo jogar a cabeça para trás e colocar as mãos nos próprios cabelos, os segurando com a onda de prazer que ele provocou. Ele foi então descendo as mãos para o quadril dela, apertando, o puxando mais para ele. Tiago subia os lábios para o pescoço e até a orelha, enquanto as mãos exploravam o quadril dela. Ela o puxou com o braço para mais um beijo, dessa vez ela com a lingua já preparada antes mesmo de chegar aos lábios dele.
Então Tiago se afastou, sem folego. Sentindo que ela estava pronta, ele a puxou pelas nádegas, enquanto ela abria os olhos e o ajudava erguendo o quadril, as mãos agora nos ombros dele, molhando os lábios com a língua enquanto a respiração acelerava.
Ela sentiu ele entrando. As mãos pularam para a nuca dele o puxando pelo cabelo enquanto os dois gemiam alto, agora sem qualquer acanhamento em demonstrar o que sentiam. Ele observou ela gemendo, se movimentando e ditando o ritmo sobre o colo dele, trazendo novas ondas de prazer que o faziam afundar mais os dedos no quadril dela enquanto acompanhavam ela subir e descer, ele se movendo dentro dela. Tiago sentiu um outro sentimento crescendo junto com o prazer, vindo da boca do estomago. Baixou o olhar para os seios rijos dela, e voltou a descer ali os lábios, enquanto Helena fechava os olhos e aumentava o som dos gemidos. Ela acelerava os movimentos, subindo as mãos até o rosto dele, os puxando para beija-lo entre gemidos.
Ele sentiu o ápice chegando, para ele e para ela, afastou novamente os lábios a observando, ela respirava dificil, pela boca que a cada movimento abria mais. Ela então cravou as unhas agora no seu ombro, sentindo um espasmo de prazer, olhando para ele, o cabelo jogado de lado, sorrindo.
— Helena... – ele disse
— Tiago... – ela o puxou de novo para um beijou estalado e então jogou a cabeça para trás gemendo alto.
Ele fechou os olhos também abrindo a boca e gemendo alto, sentindo o auge, e então mordeu o lábio inferior segurando três palavras que vinham trancadas na garganta, e ele temia que Helena não estivesse preparada para ouvir.
Sem ar, e com as mãos nos próprios cabelos, Helena foi caindo para trás, ainda arqueando o corpo, sentindo aos poucos os espasmos diminuírem, deitando no banco, onde a perna direita de Tiago permanecia esticada.
Também sem ar, e ainda com a aquela sensação na boca do estomago, ele se ergueu, puxando a perna direita para trás, enquanto se deitava sobre Helena, corpo caindo do lado esquerdo dela, cabeça na altura das costelas, beijando e cheirando a pele dela, passando a mão esquerda pelo quadril dela a puxando para ele.
Helena sorria, olhos quase fechados, o peito subindo e descendo rápido. Colocou a mão direita no alto da cabeça dele, brincando com o seu cabelo entre os dedos.
— Ai, porquinho – ela falou com a voz ainda difícil pela respiração – você me faz ver estrelas.
Helena mordeu o lábio inferior, olhando para ele que sorriu e subiu o olhar para ela. Foi a vez de Helena descer a cabeça puxando o queixo dele pela mão direita, e dar um beijo que começou leve, mas Tiago a puxou pela nuca com a mão esquerda aprofundando o beijo, puxando o ar. Enquanto se afastava ainda com os olhos fechados, sentiu ela escorregar o corpo mais para baixo, e o puxar pelos ombros para continuar o beijo. Ela também tinha na boca do estomago aquela sensação, que não era nem frio ou quente, era alegre. Algo fazia cócegas nela por dentro. Ele afastou o rosto e abriu os olhos a observando ainda com os olhos fechados, sorrindo. Ela abriu os olhos e passou os dedos pelo cabelo dele, recebendo beijinhos no pulso da mão direita. Suspirou.
Tiago então se ajeitou, chegando o seu corpo para cima, passando a perna esquerda por cima dela enquanto agora começava a beijar o seio esquerdo de Helena. Fazendo um caminho de beijos até o pescoço.
A respiração já regularizando, Helena passou a língua pelo lábio inferior, num gesto muito particular dele.
— Então, leitãozinho? Que tal três para dar sorte?
Ele parou os beijos para rir, se virou para cima e suspirou cansado, a cabeça sobre o ombro dela, a perna esquerda agora sobre o banco, o joelho erguido e o braço esquerdo se apoiando nele.
— Não sei se você notou, bandida, mas eu não sou nenhum esportista.
— Sei... não vou te exigir muito, não. – ela passeou as mãos pelo peito dele – Até porquê, você está me devendo.
— Eu? – ele tentou parecer indignado, virando e sorrindo para ela.
— Você, sim. Uma semana inteira! Isso por noite, mais os juros... – ela olhou para cima fingindo fazer calculo – Melhor você começar a pagar logo.
Ele ria.
— Acho que você está invertendo as coisas. Quem está me devendo é você. Quem sumiu sem cumprir o compromisso não fui eu.
— Aaaah, pecado. Logo eu que pago todas as minhas contas. — ela sorria, a língua entre os dentes.
Ele olhou malicioso para ela, e voltou a olhar para a frente.
Helena se ergueu sobre os cotovelos e puxou a mini-tela, franzindo a testa tentando identificar o botão certo, enquanto Tiago a olhava com uma sobrancelha erguida.
— Oi? – ela falou, apertando um botão.
— Sim. – respondeu o motorista irritado.
— Escuta. Achei a carteira. Já pode voltar.
— Certo! – ele bufou.
— E olha só. – Helena olhou para Tiago antes de continuar, o fazendo olhar para frente rindo e balançando a cabeça negativamente – Volta pelo caminho mais longo, por favor.
— Ah meu Deus. – o motorista esbravejou – Tá bom. Mas cuidado com o banco.
Helena fechou a mini-tela. Ergueu as sobrancelhas para Tiago segurando o riso, enquanto ele agora tinha as mãos sobre o rosto, as descendo, também contendo o riso.
— Você é louca.
— Cala a boca. – ela deu um tapinha no ombro dele, e se levantou.
Tiago a observou se movendo pelo automóvel até o outro banco, em frente ao mini-bar.
Helena se sentou lá, de frente para ele, cruzando as pernas, com os braços abertos sobre o sofá, dando uma visão irresistível a ele.
— Vem cá. – ela chamou com o dedo indicador da mão direita.
Ele se apoiava no cotovelo direito agora. Baixou a cabeça para o banco e suspirou. A seguir deu um impulso e se levantou, indo ávido até ela.
— Para aí. – ela ergueu a mão direita – Pega a champanhe. – Helena falou apontando o mini-bar, o olhar brilhando.
Tiago pagou, um tanto constrangido, uma gorda gorjeta, quase tudo o que tinha na carteira, para o motorista, agradecendo os serviços e tentando ser o mais sutil possível, pedindo que o outro não falasse nada, o que quer que ele acreditasse ter acontecido ou não. O motorista, que estava com uma cara muito irritada quando Tiago se aproximou, após sair com Helena do carro a deixando na escada, agora sorria feliz, dando uma piscadela para ele, saiu contente conduzindo a limousine.
Helena observou Tiago de longe, já próxima a porta, mãos para a frente, segurando a bolsa e os sapatos, o cabelo já todo solto, o vestido amarrotado, sem nenhum vestígio de batom na boca mas alguns vermelhos no corpo.
Ele acompanhou com o olhar o veículo saindo da propriedade, com as mãos no bolso. O terno azul marinho vestido sobre uma camisa faltando alguns botões, a roupa surrada, e marcas vermelhas no pescoço. Olhou para frente e encontrou o olhar dela. Sorriu imaginando se tinha alguma loucura que não faria com ela, ou por ela. Ela ergueu a mão direita o chamando, ele foi até ela baixando a cabeça e a balançando negativamente.
Tiago a alcançou em frente da porta. Ela ainda tinha cheiro de champanhe, assim como ele deveria estar. Helena pousou o braço direito no ombro esquerdo dele, o trazendo devagar até ela, sorrindo, e o beijou inclinando a cabeça para direita, o obrigando a abrir a boca, enquanto perdiam o folego, Tiago passando a mão para a cintura dela. Helena o afastou, puxando pelos cabelos da nuca, e desceu a mão direita para o peito dele, sorrindo. Levantou o olhar para ele.
— Tem certeza que quer entrar? – ela perguntou.
— Se você vir comigo. – ele respondeu com um meio sorriso, os olhos brilhando, e colocando o cabelo dela para trás da orelha direita.
Ela mordeu a o lábio inferior. Dessa vez o puxou para o beijo com os braços passando pelo pescoço dele, deixando o calçado cair enquanto Tiago se inclinava para frente a trazendo pela cintura para ele, aprofundando o beijo e correndo a mão pelas costas dela. Por mais anestesiada que já estivesse de todos os beijos e carícias dele aquela noite, a cada novo toque ela sentia mais vontade de sentir ele. Tiago gemeu e soltou o ar, se afastando.
— É melhor mesmo entrarmos. – ele falou encostando a testa dele na dela, sorrindo junto com ela.
— Então vamos. – ela disse suspirando.
Tiago ergueu a cabeça e olhou ao redor, se lembrado de repente que estava em casa e podia ter sido flagrado. Helena se virou e foi até a porta.
— Tem a chave?
Ele disse que sim, pegando um molho de chaves no bolso. Passou o braço direito até a porta, sem tira-la do lugar, ficando logo atrás dela, mão esquerda no ombro esquerdo dela. Abriu a porta da casa e eles entraram um atrás do outro, o mais baixo que podiam. Já era mais de meia-noite. A entrada estava na penumbra. Nenhum movimento denunciando alguém por perto ou se aproximando. Tiago a abraçou por trás, depois de trancar a porta, deslizando o cabelo dela que cobria o lado direito do pescoço dela, para a esquerda, afundando ali o rosto, cheirando e beijando o local, dando passos para frente, grudados, eles foram andando, ela rindo com a mão direita segurando os cabelos dele.
E assim eles foram subindo a escada. Tiago passeava com as mãos por sobre o vestido, enquanto beijava do ombro ao pescoço, indo até a bochecha dela. Helena apenas dava risinhos, sentindo as carícias, levantando o ombro a cada novo arrepio. Tão absortos estavam um no outro, que não notaram, já do topo da escada, que lá embaixo estava Magnólia, parada na entrada do corredor para o escritório, com um copo de uísque na mão, os observando.
— Melhor beber mais. – ela falou olhando para o copo com cara de nojo e se virando.
Eles ainda grudados foram caminhando até a porta do quarto dela. Tiago aproveitou que ela jogava a cabeça para trás, fechando os olhos, e mordeu de leve no maxilar, próximo da orelha a fazendo abrir mais o sorriso.
— Porquinho... não começa o que não vai terminar.
Ela a virou de frente e a pressionou na parede, a segurando pela cintura.
— E quem disse que não vou terminar?
— Ciro? – Vitória abria a porta falando com a voz arrastada, se apoiando no batente – Ciro, é você?
Tiago olhou para Helena, já do lado dela, se recompondo com o susto de serem quase flagrados.
— Tia, sou eu, Tiago.
— Ah! – ela falou, sem levantar o olhar para ele, estendendo uma mão na direção dele, o chamando – Tiago, chama o Ciro.
Ele foi até a tia, compadecido.
— Ele ainda não voltou tia. – Tiago a segurava pelos braços.
— Tia? – AnaLu veio pelo corredor, fazendo Vitória se virar para trás, ainda se segurando em Tiago, Helena observava com a testa franzida a cena – Vem cá, tia. Você tem que dormir.
AnaLu, com ajuda de Tiago, levou Vitória até a cama de volta. Ela deu mais um dose do calmante indicado, em um copo de agua, e, com Tiago do lado dela, em pé, mãos nos bolsos, esperaram ela adormecer.
Os dois saíram do quarto juntos. Helena estava encostada na porta dela, esperando eles.
— Então? – ela perguntou preocupada.
— Ela adormeceu. – Tiago falou sério, olhando para a irmã, que agora parava para observar a situação dos dois – O que aconteceu, AnaLu? Para que os calmantes?
— A polícia teve aqui em casa pouco depois que vocês saíram. O Ciro não apareceu para encerrar uma conta de hotel em Curitiba que ele tinha deixado aberta há uns dias atrás, e ainda tinha uma conta que não deu check in em Santos. Eles estão analisando imagens de câmeras de segurança para tentar saber o que aconteceu de fato. Até o momento está sendo dado como desaparecido.
Helena e Tiago tinham os olhos bem abertos e as sobrancelhas erguidas, com o braço direito passando pela barriga, na altura do estomago, enquanto a mão esquerda passeava pelo queixo. AnaLu ergueu uma sobrancelha notando a semelhança dos gestos.
— Que estranho... – falou Tiago escutando um “Uhum” de Helena – E a tia ficou arrasada?
— Na verdade, só demos a noticia mesmo para ela quando já estava sedada. Tem que ter cuidado com a gravidez. Mas... – AnaLu olhou para a porta da tia – A reação dela pareceu... parecia que ela já esperava.
Tiago e Helena se entreolharam, pensando a mesma coisa. O dia que Ciro foi embora, e se despediu de Vitória.
— Bom. – AnaLu suspirou – Eu estou tentando dormir desde cedo. Vou lá. Você vem, Tiago?
Ele a olhou erguendo as sobrancelhas e esticando os lábios para a frente, fazendo bico, coçando então a nuca com a mão esquerda, olhando para Helena, que baixou a cabeça.
— Sim. Vou. – ele olhou AnaLu que não se movia, ia esperar ela, suspirou – Então... – ele se virou para Helena que pegou na bolsa uma chave e colocou na fechadura, girando e empurrando a porta, observada por AnaLu e Tiago, que se aproximou quando ela se virou na porta para eles – Boa noite.
Tiago sorriu para ela e deu um beijo na testa, sem se importar com AnaLu, os olhos brilhando, saiu com a irmã.
— Você está fedendo a champanhe, Tiago. – Helena ainda ouviu eles no corredor.
Ela fechou a porta, dando duas voltas com a chave e se deixou escorregar pela porta, sorrindo, com os dentes cravados no lábio inferior. Pensando na noite, esquecendo imediatamente até de Ciro.
Helena só foi acordar meio-dia, todos já almoçando na sala de estar, com exceção de Tiago, que saiu cedo para trabalhar. De certo por conta de todos os contatos e negócios fechados na noite anterior. Ela suspirou diante da constatação de que passaria o dia sem ver ele. Mas a noite ele estaria de volta.
Sem mais o que fazer, ela resolveu ir até a cozinha se atualizar do que aconteceu na noite anterior. Lá estava Leila, enxotando Aline da cozinha. A secretária da Magnólia a olhou de baixo a cima, saindo da cozinha com uma maçã, mordendo. Ela parou de frente para Helena, a encarando.
— Então, sobrinha da Helô, como foi a festa ontem? – Aline parecia mordida de raiva, ainda mais depois que Luciane deixou bem claro que não era para ela nem mesmo gastar tempo escolhendo roupa, pois não iria.
— Olha... – Helena cruzou os braços e olhou para cima, sorrindo – De longe a noite mais divertida da minha vida.
Ela ergueu o queixo para Aline, feliz.
— Vai lá arrumar as tuas malas, vai, que teu prazo já passou! – falou Helena para Aline que já saía dali furiosa.
— Ih, menina, nem sei porquê vocês ainda se incomodam com essa daí. É estresse para nada. Não tem jeito. Escuta o que vou te falar – continuou Leila apontando uma colher de pau na direção de Helena, enquanto ela se aproximava da bancada, braços cruzados – do jeito que ela e Dona Magnólia são, essa daí fica aqui mais duas semanas enrolando.
Helena se apoiou na bancada respirando fundo, cerrando os dentes.
Tiago chegou em casa, todo animado, já era quase sete horas da noite, com sacolas do mercado. Olhou para a escada e foi para a cozinha. Sorriu quando viu que Helena estava lá, confabulando com Leila, que começava a fazer o jantar, sentada na bancada, moleca, com um vestido de algodão curto, solto, verde claro.
— Era bem você que eu estava procurando. – ele falou indo com as sacolas até a bancada, jogando elas ali perto dela.
— Trouxe coisas para mim? – Helena perguntou já abrindo e encontrando sorvetes de chocolate com pedaços, abrindo a boca feliz – Não acredito! Você notou que tinha acabado.
Ela ergueu os braços para puxa-lo para um beijo, mas ele olhou para Leila e ela só deu um tapinha no ombro dele, se afastando.
Ele pigarreou.
— Bom. Eu trouxe também – ele veio com os outros dois potes do sorvete na mão para guardar na geladeira, enquanto Helena já ia abrindo o seu, pegando um pouco com o dedo mesmo – pipoca para fazermos no micro-ondas, agora!
Tiago voltou até as sacolas com uma colher na mão, que entregou para Helena, que aceitou feliz.
— E o jantar? – perguntou Leila colocando as mãos na cintura.
— Ah Leila, acho que não vai ter problema. A pipoca é para um filme.
— Pois vão assistir esse filme depois do jantar.
Helena olhou para ele, que apertava os lábios, resignado, e levantou as sobrancelhas, já com a colher na boca. Ele a olhou de volta e riu do jeito dela. Ela pegou a colher e tirou uma colherada do sorvete levando até a boca dele, a qual ele abriu. Ela lambeu os lábios o observando e então pegou mais uma colherada para ela.
Tiago inclinou a cabeça para ela, falando baixinho enquanto colocava uma mão sobre a perna direita dela, a fazendo morder a colher.
— Agora você divide a colher comigo, né?
— Xô. Chispa da minha cozinha, os dois. – falou Leila para eles, indo até os dois os empurrando – Vocês tão me deixando nervosa. Sem papo. Já tô sem Sandra não quero ninguém me atrapalhando. E sorvete só depois do jantar. Anda, anda, anda.
Ela enxotou os dois dali, pegando o pote de Helena. Os dois saíram rindo. Chegando na escada, encontraram AnaLu.
— Ana Luiza! – Tiago parou a esperando terminar de descer, fazendo Helena parar também – Como está a tia?
AnaLu meneou a cabeça calculando o que responder.
— Até que está bem. Ela parece calma até. Nem demos mais calmantes. A tia está firme.
Ele ouvia erguendo as sobrancelhas.
— Isso é bom. – ele olhou para Helena que concordou com a cabeça – Escuta. Eu trouxe um filme para vermos mais tarde. Depois da janta a gente se reúne, traz a tia. Ela adora o filme, vai ser bem tranquilo.
— Sério? – AnaLu se animou – Que legal. Deixa ver o filme.
— Ah, está na cozinha. Deixei com as sacolas. – ele se virou.
— Tá, vamos lá pegar.
Ele olhou para Helena e para a irmã já indo, e deu um meio sorriso. Ela só sorriu de volta e foi subindo a escada. Ele pensou em subir, quando ouviu AnaLu voltando comemorando da cozinha.
— Não acredito! Tia vai amar. Ela, assim como eu, adora esse filme.
— Eu sei, mana. – ele falou, a pegando pelo ombro e indo até a sala de estar.
Helena os acompanhou com o olhar e foi para o quarto, se jogando na cama. “Passei o dia esperando ele voltar, para ele me vir com planos de passar a noite com a família, assistindo filme. Que desgraça!”
Ela nem desceu para a janta.
— Helena? – Camila bateu na porta, fazendo ela ir abri-la – Não vem com a gente ver filme?
— Não sei. – Helena voltou para a cama, desanimada em assistir filme com a família deles, sem nem mesmo Pedro por perto.
— Vem. – Camila a olhou significativa – Tiago preparou tudo. Pipoca, doce, refri... E ele quase me implorou com os olhos para te trazer. Deixa de ser boba.
Helena pensava na ideia.
— Tá. Mas se eu não gostar do filme desde o inicio, eu saio.
Helena trancou a porta e desceu com Camila. Quando chegou na sala, franziu a testa. O sofá grande estava totalmente ocupado por Vitória, com as pernas esticadas sobre o sofá, Luciane aos pés da grávida e por fim, Camila foi sentar na outra ponta, preenchendo todo o espaço vazio. Em uma poltrona, a olhando de rabo de olho, estava AnaLu, com um pote de pipoca na mão. No sofá pequeno estava Tiago, com um sorriso largo para ela, um pote de pipoca na mão direita e a esquerda indicando para ela o espaço no sofá do seu lado esquerdo.
— Vem. – ele chamou ela.
Helena sentiu um frio na barriga. “Impressão minha ou isso é uma armadilha para eu assistir filme no sofá com ele?”
— Eu acho que vou... – Helena tentou escolher um canto, mas o outro sofá vazio na sala era muito longe da televisão, que já estava com o DVD só esperando rodar.
— Vem, anda! – Tiago se ergueu e a puxou para o sofá.
Ela sentou, olhando para os lados. Luciane comia a pipoca olhando para eles.
— Posso? – Tiago pegou o controle na mão e apontou para a TV.
— Espera aí. – gritou Luciane se erguendo e correndo para o interruptor, apagando as luzes – Agora sim.
Ela voltou pro acento dela, devagar, olhando de soslaio para o casal. Helena pigarreou. Estava nervosa. O que, a não ser que tenha uma arma apontada para ela, ou um barco afundando com ela junto, não era normal.
Tiago deu o play.
— Que filme é? – ela perguntou baixinho, para não perturbar ninguém, inclinando a cabeça para frente.
— Clube dos Cinco. – Tiago falou, inclinando a cabeça para perto dela, a olhando animado – Você já viu?
— Eu? Não. Parece filme velho.
Ele riu. O filme começou.
— Você vai amar. Não conheço ningué... – ele começou mas Camila e Vitória pediram silencio.
Tiago fechou o bico e olhou de rabo de olho para Helena que continha o riso. Ele se recostou no sofá, enquanto Helena se mantinha inclinada para frente, parecendo nervosa. Ele queria prestar atenção no filme, mas estava agitado e não tirava os olhos dela, que aos poucos parecia se interessar naquele. Ela foi relaxando e se recostando no sofá. Tiago expirou. Apertando os lábios, com a mão direita segurando o pote de pipoca no seu colo, ele olhou ao redor observando todos concentrados no filme, nostálgicos.
Então ele ergueu o braço esquerdo e o passou pelos ombros de Helena. Ela se sobressaltou, o olhando de rabo de olho. Tiago sorria para ela.
— Quer pipoca?
— Obrigada.
Ela falou pegando o pote da mão dele, ao invés de só um pouco de pipoca, o fazendo erguer as sobrancelhas e olhar ao redor. Camila e Luciane riam, mas os outros não. “O que perdi de tão interessante no filme?”
Helena então chegou os ombros mais próximos dele, e virou um pouco a cabeça, fazendo Tiago inclinar a dele, sorrindo, verificando se alguém estava olhando eles, esperando um beijo.
— Vem cá, por que o loirinho nerd está de castigo?
Ele a olhou franzindo a testa para o rosto dela tão próximo, e tão concentrado no filme. Soltou o ar com força.
— Vai ser explicado mais na frente.
— Aaah, é o mistério do filme?
— Mais ou menos. – ele respondeu se virando para o filme, tentando se concentrar nele.
Mas não durou muito tempo. Tiago foi trazendo a mão que estava no braço esquerdo dela para o pescoço de Helena, jogando o cabelo dela de lado e passeando com o polegar pela nuca dela. A resposta foi um arrepio e ela virando para olhar para ele, sorrindo, os olhos brilhando. Ele se animou e inclinou a cabeça até o rosto dela, levando uma cotovelada no peito. E um olhar reprovador de Helena que apontou para os outros na sala.
— Au. – ele gemeu chamando atenção de todos, e emendando ao ver que eram a atenção da sala – A pipoca não é só para você não.
Helena ergueu uma sobrancelha, e, segurando o riso, se virou para a frente, colocando o pote de pipoca ainda mais longe dele.
— Agora volta que você fez eu perder a parte. – ela mandou baixinho, o que ele obedeceu fechando a cara.
Luciane e Camila balançavam o corpo com as risadas contidas. Vitória e AnaLu apenas sorriam, achando graça.
Ele então suspirou e trouxe os braços para frente, os cruzando. Mas de vez em quando ele olhava para Helena, e ela parecia estar mesmo gostando do filme, com a boca meio aberta e o olhar concentrado. Então veio a parte em que a Allison se arruma diferente e Andrew a olha, e Helena se aconchegou mais para perto de Tiago, sorrindo. Ele desfez a cara, abriu os braços e passou de novo o braço esquerdo pelo ombro dela, a aconchegando no ombro dele, suspirando.
Curtindo mais o filme, entre um cheiro ou outro que ele dava no alto da cabeça dela, Tiago ficou ali, sorrindo, acariciando o braço esquerdo dela.
O filme terminou. E todos começaram a se espreguiçar. Ele notou que Helena tinha os olhos meio marejados. Ele chegou a boca no ouvido dela.
— Gostou do filme?
Ela ergueu a cabeça do ombro dele, e o olhou bem de perto, mordendo o lábio.
— Muito.
Ela então olhou ao redor, todos concentrados nas letras do filme subindo. Ela apertou o olhar desconfiada.
— Então é isso. Acho que já... – Helena se levantou derrubando o pote de pipoca no chão, nervosa – É.. desculpa. – ela se agachou para arrumar a bagunça, Tiago a levantou, ele já de pé.
— Não se preocupa. Amanhã limpam. – ele segurava as mãos dela.
Helena sentiu a respiração ficar difícil. As coisas estavam ficando cada vez mais estranhas. Ela olhou ao redor, engoliu em seco, deu um sorriso amarelo e tirou as mãos das de Tiago, saindo da sala.
— Boa noite. – ela disse só jogando uma mão no ar.
Tiago ficou ali, com as mãos suspensas, olhando para onde ela saiu, boca meio aberta, olhar confuso e indignado.
— O que... – ele começou a se virar para a sala, colocando as mãos na cintura.
Todas se entreolharam.
— Vai lá, maninho. A gente ajeita tudo aqui. – falou AnaLu, indicando ele ir atrás de Helena.
Ele foi.
Camila olhou a irmã com as sobrancelhas erguidas.
— Depois de ontem esses dois são caso perdido. – AnaLu suspirou, e sorriu.
— Mas vejam só! A gente aqui morrendo de curiosidade e AnaLu com o tesouro todo. Conta pra nós, o que aconteceu ontem? – falou Luciane sendo a porta-vós de todas na sala, curiosas.
— Helena, espera. – Tiago subiu os últimos lances de escada a chamando.
Mas ela apertou o passo e ele quase não conseguiu alcançar ela antes de fechar a porta.
— Espera aí. – ele segurou a porta, a olhando preocupado – O que foi?
— Nada. – ela respondeu erguendo o queixo, a mão esquerda segurando a porta e a direita na cintura.
— E por quê tá assim? – ele se aproximou dela, a olhando nos olhos, fazendo Helena prender a respiração.
— Assim como? – ela rebateu engolindo em seco.
— Assim, Helena. Assim! – ele ergueu as mãos com as palmas para cima e as levantou e abaixou no ar, apontadas para ela, o tom mais elevado.
Ela mantinha o queixo erguido, o olhando nos olhos, o peito subindo e descendo com a respiração acelerando. Mas Helena não sabia a resposta. Ou explicar ela. Então baixou a cabeça e coçou o alto dela, nervosa.
— Eu não sei... – ela ainda olhava para baixo e então ergueu a mão da cabeça para apontar para ele – Você. Eu acho. Ali...
Helena ergueu a cabeça para o olhar nos olhos, mas Tiago já tirava as mãos da cintura e pegava o seu rosto, puxando o ar e a beijando enquanto entravam no quarto e trancavam a porta.
Don't You... Forget About Me...
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