A sobrinha da Helô

50 A Sobrinha da Helô acorda


Helena tentou abrir os olhos, que arderam com a pouca luz que invadia o quarto pela janela aberta na parede, bege claro, do outro lado do quarto, do lado seu lado esquerdo. Com a visão turva e os olhos não conseguindo se abrirem por completo, ela tinha certeza que ouvia alguém falando com ela ao longe. Era Tiago!

Não era ele, a voz dele não estava longe, mas perto, dentro dela, dizendo que vai ficar esperando ela. Com o eco das ultimas palavras que ele disse para ela, Helena sentiu os sentidos se acordarem de vez. Tiago precisa dela, ela tem que voltar para ele.

Abrindo os olhos, piscando várias vezes, ela tentou puxar o ar, para então notar que tinha tubos entrando pelas narinas. Notando eles, ela sentiu is mesmo incomodarem, além de um gosto amargo na boca. Olhou para o braço esquerdo e notou ali a agulha do soro, e no dedo indicador um tipo de prendedor ligado a um aparelho que apitava perto dela.

A vista finalmente encontrou foco, ela notou uma mulher, de uns quarenta anos ou mais, corpulenta, pele morena, lábios vermelhos do batom, carnudos, com o cabelo preso em um coque atrás da cabeça, sem permitir que nenhum fio ficasse solto. Estava vestida de branco, Helena não sabia identificar se era um conjunto ou vestido, mas com certeza não era mais brilhante que o sorriso daquela mulher para ela.

— Oi. – a outra disse em tom calmo e baixo, se aproximando de Helena e colocando as mãos nos ombros dela – Calma, eu te ajudo.

A enfermeira então puxou com todo o cuidado os tubos que Helena já tentava retirar com as mãos ainda tremulas.

— Isso. Muito bem. Que bom que você já está melhor. – a moça continuou em tom agradável, se erguendo e indo pegar algo em uma mesinha que ficava mais a esquerda – Vamos nos certificar que você se recupere bem antes de mais nada. – a mulher voltava com uma injeção, fazendo os olhos de Helena se arregalarem mais, Helena abriu a boca mas não saiu voz – Até porquê, o nosso amigo ali ainda está se recuperando e não queremos agito para ele, não é?

Helena apenas abria a boca para tentar se impor, mas então olhou para o outro lado do quarto, na direção da parede onde estavam as janelas, outra cama, assim como a dela, de madeira e baixa, mas cheia de equipamentos de hospital e soro, ao seu redor, com um homem deitado. Ela não tinha a vista muito boa, mas pelo pouco que conseguiu notar ela identificou Gustavo.

— Eu...

Helena começou a dizer algo mas sentiu as forças sumindo dela enquanto a enfermeira injetava todo o calmante no seu soro, a colocando para dormir por mais quase um dia inteiro, tendo como ultima imagem na mente um batom vermelho vibrante...

Tiago esperava Helena sair do banheiro, sentado na cama, as mãos batendo nervosamente nos joelhos.

Ela disse que teria uma surpresa para ele quando Tiago disse que iriam em uma balada para encerrar a noite, e então se trancou no banheiro com a mochila ela. Quase quinze minutos depois e ela saiu com o cabelo ainda solto, os cachos quase todos desmanchados, e um batom vermelho agora mais vibrante nos lábios, para combinar com o vestido que ela colocou, também vermelho como o anterior, mas dessa vez com corte simples, cor única e vibrante, de alcinhas, mais curto, terminando dez centímetros acima dos joelhos, delineando as curvas, com o decote meia taça, onde o olhar de Tiago parou, o fazendo apertar os lábios, a língua passando entre eles, inspirando fundo, fazendo Helena abrir um sorriso malicioso.

Helena foi até o namorado e com a mão direita ergueu o queixo dele até que os olhos deles se encontrassem.

— Então, o que achou?

Ele piscou e respondeu soltando o ar numa baforada, levando a mão esquerda na cabeça e passando os dedos entre os cabelos enquanto descia o olhar novamente para o decote dela. Helena voltou a erguer o queixo dele para olhar para ela, o olhando com maliciosa firmeza.

— Que você faz surpresas bem melhor que eu. – ele finalmente respondeu engolindo em seco.

Eles riram.

— Gostou dos sapatos?

— Sim. – ele concordou, balançando a cabeça, ainda olhando para o corpo dela – Combinaram com o vestido.

— Então pega eles. – ela pigarreou, mexendo na alça do vestido e olhando para baixo, contendo o sorriso.

— Pegar eles? – Tiago franziu a testa e olhou para os pés descalços dela, e então ao redor – Ah, você não está com eles. – riu desconcertado por ter sido pego mentindo.

— Não. – ela riu dele, que devolveu o sorriso e se deixou ser puxado para ela pela lapela do paletó – Ele tá lá no canto. Pega para mim? — Helena erguia-se na ponta dos pés até quase encostar os lábios dela nos dele, que estavam levemente abertos, olhos fixos na boca dela – Tiago? – ela chamou a atenção dele, a voz aveludada o fazendo olhar para os olhos dela e acordar.

— Certo. – ele engoliu em seco e começou a olhar para os lados, procurando os sapatos.

— Lá. – ela apontou em um canto um sapato preto de tiras e salto grosso.

Tiago foi até o canto e pegou os sapatos, enquanto Helena foi até a cama, se sentando na ponta, colocando as mãos para trás, apoiadas no colchão enquanto jogava o corpo para trás, a cabeça inclinada para o lado direito, quase encostando no ombro, pernas cruzadas. Ele se aproximou a observando de baixo a cima, um sorriso de lado e respirando fundo.

— Aqui estão eles.

Ele ergueu os sapatos na mão direita, a olhando, percebendo ela conter o sorriso.

— Coloca.

Foi a resposta que ela deu, olhando para a perna direita, que esticou para frente, indicando o pé.

Tiago riu balançando a cabeça. Novamente procurou o olhar dela, mas Helena apenas pigarreou e manteve a perna esticada. Mordendo o lábio inferior e puxando o ar, ele se ajoelhou diante dela, passou a mão esquerda pela perna dela, da canela até a coxa um pouco acima do joelho, descendo para a parte de trás, apertando, fazendo Helena puxar o lábio inferior o mordendo, a respiração presa.

Tiago colocou os sapatos no chão e ergueu o joelho esquerdo, sobre o qual apoiou o pé direito dela, pegou o calçado correspondente daquele pé e então olhou para frente, fazendo Helena soltar um sorriso contido ao perceber ele fechando os olhos e encostando a testa no joelho dela. Ele engoliu em seco e inspirou fundo, mordendo o lábio.

Ela estava sem calcinha, como ele suspeitara.

— Algum problema? – ela perguntou, abrindo levemente a boca e sorrindo.

Foi a vez de Tiago pigarrear e fazer que não com a cabeça. Ele pegou o pé dela e calçou o sapato, fechando ele, o corpo inclinado para frente, o rosto próximo ao joelho dela, sobre o qual ele se inclinou e beijou assim que terminou de calçar o sapato, demorando os lábios quentes sobre a pele dela, fazendo Helena abrir levemente a boca e inspirar fundo.

Ele começou a subir os lábios, mas Helena não deixou ele continuar o carinho e tirou o pé rápido, colocando o outro, mordendo o lábio inferior, vendo ele a observando e passando as mãos pela perna esquerda dela, agora mais sedento, apertando a coxa dela com a mão direita enquanto puxava o ar.

— Corre com isso, Tiago, já estamos atrasados. – ela provocou, enquanto soltava o ar preso nos pulmões, fazendo ele soltar uma risada nervosa.

Tiago calçou o outro pé, e com as mãos livres, começou a acariciar o tornozelo, então a canela e a barriga da perna, os dedos passeando hora levemente pela pele dela, hora apertando enquanto subia, agitando ela por dentro. Chegando as mãos até a coxa, que ele apertou, ele novamente desceu os lábios para beijar o joelho dela, subindo os carinhos pela coxa interna, devagar, sugando em um ponto até sentir ela estremecer, fazendo ele sorrir.

Ele se levantou e foi na direção dela, para beija-la, sendo afastado por Helena, que estivera com os olhos fechados e cabeça jogada para trás, sentindo as carícias dele, mas acordou a tempo de pôr a sola do pé esquerdo sobre o peito dele, o mantendo afastado, a boca levemente aberta num sorriso malicioso.

— Não, senhor. Eu já estou pronta, e estamos atrasados. Vai se trocar que temos hora, lembra?

Ele baixou a cabeça rindo da provocação, ainda tentando vencer a resistência do pé dela.

— Eu já estou pronto, e já estamos tão atrasados, que uns minutinhos a mais... – ele inclinou a cabeça para o lado esquerdo, chegando mais próximo, o pé dela ainda entre eles.

— Está nada! Eu me troquei, você também vai.

— Eu não... – ainda inclinado, ele empurrou o pé dela para baixo, a boca levemente aberta, a língua passando pelo lábio inferior fazendo Helena abrir mais a boca dela, já esperando o beijo, quando ele parou e franziu a testa – Espera, qual o problema com a minha roupa? – ele se ergueu de uma vez, olhando para si.

Helena ergueu as sobrancelhas e abriu mais os olhos, passando a língua entre os lábios, engolindo em seco e o olhando de cima a baixo, a mão esquerda agora no queixo.

— Nada... – ela começou devagar, jogando o corpo para trás e se apoiando então com os cotovelos na cama, ainda o observando – Só que ...é uma balada, né. Terno e gravata?

Ele olhou para si mesmo outra vez franzindo mais a testa e a olhando desconfiado. Tiago apertou os olhos e sorriu ao ver ela não conter mais o riso dela.

— Anda garoto!

— Certo! – ele concordou com a cabeça, mantendo o sorriso para ela, e então olhou o roupeiro.

Tiago havia aproveitado o tempo dela no banheiro para colocar ali as suas roupas. Pegou um cabide com um conjunto já passado e se encaminhou para o banheiro.

— O que é isso? – Helena interveio, voltando a se apoiar com as mãos para trás sobre as camas, erguendo o queixo – Se troca aqui. – Tiago se virou rindo e ela ergueu rapidamente as sobrancelhas para ele – Não tem nada aí que eu já não tenha visto.

Ele ria.

— Seria mais digno se você assumisse de cara que quer mesmo é um streep-tease.

Ela curvou os lábios para baixo, negando com a cabeça, os olhos brilhando. Tiago sorriu de lado e foi até a cama, jogando a roupa que ia vestir ao lado da namorada, que conteve um sorriso, e ergueu o olhar demoradamente pelo corpo dele, mordendo o lábio inferior quando ele começou a tirar o paletó devagar e deixou cair no chão.

Tiago afrouxou o nó da gravata e a tirou, indo até Helena e colocando no pescoço dela, aproximando os lábios dele dos dela até ver ela fechar os olhos e então se afastou a deixando na vontade. Ele se ergueu novamente e começou a desabotoar a camisa, mesmo sem musica, ele se movia como se dançasse, fazendo ela rir dos movimentos dele. Quando ele chegou ao ultimo botão da camisa, virou de costas e a abriu, fazendo Helena jogar a cabeça para trás, rindo com ele tirando a camisa devagar, movendo o quadril e a olhando por cima do ombro. Com a camisa caída na altura da cintura, ele se virou de frente para ela, cantarolando algo que ele achou ser sexy, e terminou de tirar a camisa a jogando para o alto rodando o braço direito, passando então a mão direita pelo braço esquerdo e depois a mão esquerda pelo braço direito esticado, e então ambas as mãos pelo peito, movendo-as ali. Helena já não se aguentava mais, erguida sobre os cotovelos na cama, ela jogava a cabeça para trás rindo e voltava a ver a performance dele, só para rir mais.

— Você tá rindo do que eim? – ele parou a performance para questionar ela, erguendo o queixo, um sorriso zombeteiro na boca meio aberta.

— Desculpa, porquinho, é a emoção. Você tá indo muito bem.

— Que bom que tô agradando ao público.

Ele então voltou a performance, e abaixou as mãos pelo abdomem, levando os dedos ao cinto, o abrindo e olhando malicioso para Helena, que devolveu o olhar, então, erguendo rapidamente as sobrancelhas, ele puxou o cinto e o tirou rápido, jogando para o lado. Helena mordia o lábio inferior o observando desabotoar a calça, erguendo as sobrancelhas quando ele parou de repente, já não ria mais.

— Esqueci os sapatos.

Ele então deu um jeito de se livrar dos sapatos sem nem mesmo se abaixar e voltou a desabotoar a calça, observando Helena, atenta aos movimentos dele. Tiago abriu o zíper devagar e segurou a calça com ambas as mãos, de cada lado, os olhos dele encontraram os de Helena, que apertou os lábios esperando o próximo movimento dele, e pigarreou quando ele soltou a calça, que caiu devagar, até ele jogar para o lado com os pés, ficando só de cueca box preta. Tiago girou em um pé só ficando de costas para ela, colocou os dedos polegares na borda da cueca e perguntou sobre o ombro.

— Troco também?

Helena não falou nada, só mordeu o lábio inferior e fez que sim com a cabeça, deitando o corpo na cama o esperando.

Tiago riu do jeito dela e se voltou para ela, jogando o corpo para frente, indo se posicionar sobre ela, deixando pelo caminho beijos pelo corpo dela, até os lábios se encontrando em beijos estalados, entre risos e gritinhos dela.

— Não me provoca, Helena.

Ela só abriu mais o sorriso e fechou os olhos, esperando ele beija-la de novo. Tiago sorriu, apoiado com o braço direito na cama, ao lado dela, levou a mão esquerda até a face dela, enterrando os dedos no cabelo dela e fechando os olhos enquanto descia os lábios para beija-la, sorvendo o lábio inferior dela com calma, soltando o ar com um gemido de prazer, deitando o corpo sobre o dela, enquanto ela correspondia ao beijo e o envolvia pelo pescoço com os braços.

Tiago começou a descer os lábios pela bochecha dela até próximo a orelha esquerda e mordiscar, a fazendo sorrir com a carícia. Ele então ergueu o tronco, puxando o ar e fechando os olhos.

— Melhor a gente ir logo.

Reunindo o pouco de força de vontade que ainda tinha, ele começou a se erguer, olhos ainda fechados. Helena suspirou e olhou contraria, puxando o rosto do namorado com ambas as mãos, fazendo ele encarar ela.

— Porquinho, é bom essa festa ser melhor que a que faríamos aqui! – ela sentenciou.

Ele sorriu e desceu os lábios rápido para um beijo estalado.

Se erguendo rápido, ele começou a vestir a outra calça, enquanto Helena se virou na cama e saiu.

Helena começou a olhar para os lados, testa franzida.

— Cadê o meu buque?

— Oi? – Tiago estava de costas para ela, e apenas virou o rosto tentando entender a que ela se referia.

— O meu buquê. Que você me deu. Não está aqui.

— Aaa... você deve ter deixado lá em cima. – Tiago fechou a calça e pegou a camisa.

Ela fez bico, pensando no buquê que ele tinha dado para ela. Helena queria guarda-lo. Triste, ela se sentou na cama e começou a ajeitar o calçado, já que Tiago errou na hora de aperta-lo. Terminando, ela se ergueu e então se virou para Tiago, na mesma hora que ele para ela. Os dois sorriram.

— Pensando bem, Tiago – Helena passou a língua entre os lábios e ergueu as sobrancelhas, o observando com a calça cinza e camisa preta, mais apertadas em alguns pontos, permitindo apreciar alguns atributos do namorado – acho melhor você voltar a usar a outra.

Ele riu, erguendo os braços.

— E qual o problema com essa?

— Nada. – Helena subiu na cama, engatinhando até ele – Mas você está gostoso demais para sair por aí. Vou acabar tendo muito trabalho para me livrar das – ela chegou até ele e se ergueu sobre os joelhos, o pegando com as mãos pelo colarinho – piriguetes.

Ele se inclinou para a frente quase encostando as testas e falando com a voz grave.

— É justo!

— É?

— Sim. Se você trocar a sua também. – ele levou as mãos até a cintura dela, acariciando.

— Uhmmm... – ela inclinou a cabeça para a esquerda e apertou os olhos, abrindo levemente a boca, considerando – com ciuminho?

Ele imitou o movimento dela e balançou a cabeça negativamente.

— Não. – a voz dele porém denunciava o ciúmes. – Até porquê, eu sei que você só tem olhos para mim. – ele levou a mão direita ao rosto dela, percebendo ela não negar, mas fechar os olhos levemente e soltar um sorriso tímido – O problema são os olhos dos outros em você. – ele terminou apertando os lábios e erguendo as sobrancelhas para dar ênfase ao que disse.

— Ah, é? Muito maduro da sua parte. – ela sorriu e o envolveu pelo pescoço com os braços – E possessivo. – ela puxou ele para si, os lábios bem próximos.

— Vou te mostrar o possessivo. – ele falou mostrando os dentes cerrados num sorriso contido enquanto derrubava ela na cama de novo e se jogava sobre ela.

Mas ele sequer teve tempo de começar qualquer coisa, Helena rolou pro lado e saiu da cama, o deixando na vontade, já procurando a bolsa preta pequena.

Tiago riu, olhando para o teto e colocando as mãos na cintura. Vendo que ela já ia até a porta, pulou da cama e pegou o blazer cinza e carteira, a alcançando e abraçando por trás quando chegou na porta.

— Vamos lá que essa noite você dança, bandida.

Eles deixaram o quarto rindo alto da piada pobre que ele fez.

Por quase dois dias Helena abriu os olhos, tentou falar, mas logo fora sedada novamente. A enfermeira claramente não tinha outra coisa para fazer da vida além de vigiar os pacientes.

No terceiro dia Helena acordou com a mesma sensação de amargo na boca, os braços e pernas sem força, e os olhos ardendo. Assim que a visão estava com algum foco, ela procurou a enfermeira, que estava inclinada sobre Gustavo. Helena passou a lingua pelos lábios e tentou erguer a cabeça para analisar o quarto ao seu redor, ver se havia alguma saída, e algo para ela usar da próxima vez que acordar de outra dose de calmante.

Os olhos dela então passearam da parede com janelas, abertas mas claramente com telas de proteção resistentes, havendo apenas no quarto as duas camas e os aparelhos, além de uma grande poltrona na parece a frente das camas, onde a enfermeira se recostava, e que era providencialmente da porta do quarto.

Helena tentou não fazer barulho enquanto se esforçava para erguer o tronco, apoiando os cotovelos na cama para sustentar o corpo. A porta estava há uns dez metros de distancia, e não parecia ter chave, logo não deveria estar trancada. Ela lançou um olhar para a enfermeira do outro lado do quarto, ainda cuidando de Gustavo, e tentou mover as pernas testando a própria força. Mas antes que Helena conseguisse mover qualquer perna, a porta do quarto se abriu abruptamente, fazendo ela pular se jogar novamente sobre a cama, fingindo dormir, sem qualquer sucesso em enganar quem entrava no quarto.

A pessoa deu alguns passos rindo. Helena, resmungando do seu amadorismo, mal prestou atenção quando um barulho de isqueiro se fez ouvir. A enfermeira já alcançara o visitante, indo tirar o cigarro da boca dele.

— Como eu disse das outras três vezes, não pode fumar aqui.

Helena soltou a respiração, tentando prestar atenção nos outros dois.

Um barulho de carteira de cigarro sendo revirada, e em seguida de isqueiro acendendo.

— E eu já disse que pouco me importo. — a voz masculina disse antes de soltar uma baforada.

Helena sequer prestou atenção nos resmungos da enfermeira, abriu os olhos assombrada pela imagem que aquela voz produziu na sua mente. Voltando a apoiar os cotovelos na cama, ela olhou para a figura alta, com um sorriso zombeteiro, balançando um cigarro no ar com a mão direita.

— Bem vinda ao programa de proteção a testemunha da Policia Federal, Helena Martins. É esse o seu nome mesmo?

— Enfermeira, eu preciso de outro calmante. — Helena disse enquanto olhava um Ciro vivíssimo e dissimulado bem na sua frente.