A sobrinha da Helô
9 O ciúmes da Sobrinha da Helô
Tiago estava parado, as mãos para o ar diante de uma Helena com os braços cruzados, corpo inclinado para trás, o olhando indignada.
— Responde, garoto. Ou ela engoliu tua língua?
— Eu... não tô entendendo. — Helena só apertou os olhos – Sim, eu beijei a Isabela... Marina, sei lá agora...
— Você não tem jeito mesmo.
Helena se levantou e ficou andando pela sala, irritada. Tiago olhou pros lados, intrigado. E então a acompanhou com o olhar. Naquela noite ela não estava com camisola, mas um conjuntinho de pijama, com um urso desenhado na frente, cabelo solto, parecia uma menina.
— Ainda não vi qual o problema. Eu amo a Isabela – ele colocou as mãos no peito para dar credibilidade ao que dizia, enquanto Helena parou de andar e fez cara de nojo para ele – não tinha o que pensar. Ela fugiu de mim no inicio, quando tive a oportunidade eu a beijei.
Helena se aproximou dele, e, colocando a língua entre os lábios, a pressionando, contendo a raiva, deu um murro no braço esquerdo de Tiago.
— Você ... olha, muito imbecil. Que raiva!
Ela voltou a andar pela sala. Tiago esfregava onde ela bateu. De repente uma ideia surgiu na cabeça dele. E, contendo um sorriso, franzindo a testa, ele perguntou jogando o corpo para a frente e apoiando os cotovelo nos joelhos.
— Isso é ciúmes?
Helena parou, de costas para ele. Tiago viu ela deixar os braços cair do lado do corpo dela, jogar a cabeça para trás e expirar uma risada falsa. Ele começou a se arrepender do que disse quando ela virou sorrindo para ele com aquele olhar de serpente que encontra a presa.
Ela caminhou até ele, pausadamente, olhos fixos nele. Tiago jogou o corpo para trás e levantou as mãos quando Helena sentou no colo dele, ficando rosto com rosto, as coxas o rodeando, encaixada nele, as mãos subindo pelos ombros dele, que a exemplo da outra noite estavam nus, mas dessa vez vestia um pijama e não apenas bermuda. A mão esquerda fechou-se em um tufo de cabelo dele na nuca, fazendo ele sentir um arrepio passar por todo o corpo, a outra foi parar no rosto dele. Helena, passeava o dedo indicador pela mandíbula de Tiago.
— Pa, pe, pi, por-quinho. Você vive mesmo no seu mundinho de netinho da vovó, que todas quer e nenhuma tem, né? – Helena, que pendia a cabeça pro lado direito, cabelo jogado, pescoço a mostra, apertou o rosto de Tiago, o fazendo fazer um bico – Mas eu não sou todas, queridinho, sou única, e não desvalorizo meu valor de mercado por meio quilo de torresmo! Se toca, garoto!
— Pois é – ele afastou a mão dela do seu rosto a segurando firme no ar, sobre a cabeça deles – e ainda assim você sempre arranja uma desculpa para se esfregar em mim quando a gente se encontra.
Ambos se encararam, lábios comprimidos, olhar apertado.
— Hipócrita.
— Bandida.
Helena engoliu em seco, a respiração começando a acelerar, a raiva passando para outro tipo de emoção. Tiago agora tinha a outra mão segurando a sua cintura. Ela então se ergueu sobre os joelhos, aproximando o corpo erguido ao rosto de Tiago, que apenas mantinha o contato visual com ela, e saiu para o lado direito dele, sentando, com a planta dos pés no chão e o corpo jogado no móvel.
Tiago tinha a boca seca. Passou a mão esquerda sobre o queixo e lábios, olhando de canto de olho para Helena, que ficou ali parada, respirando fundo. Ela então ergueu a mão esquerda, apontando o indicador para o teto.
— Eu não sei se já disse isso, mas a Leticia é uma garota de muita sorte por ter você como futuro marido!
— Melhor eu de marido que você de prima.
— Ah é! Porque tudo o que fiz até hoje contra ela, que foi nada, é muito pior do que as suas escapulidas com as suas mortas-vivas, né?
Ele nem se dignou a olhar para ela, respirou fundo.
— Tu beijou mesmo aquela garota?
— Sim, e ainda não entendi qual o seu problema com isso.
Ela se ergueu em um pulo no sofá, ficando de joelhos, corpo virado para ele, o encarando.
— Sabe qual o meu problema? O meu problema é que por duas vezes eu fui expulsa da casa da Helô só pela simples ideia de ter encostado no precioso noivinho da Leticia. O maravilhoso Tiago, que não pode ser tentado pela serpente aqui. Enquanto isso você sai por aí enfiando a sua língua na boca das mortinhas!
Ele a olhou, cruzando os braços.
— E depois eu é que vivo no meu mundinho! Você só quis saber de provocar Leticia, me usando pra isso!
— Bom, ao menos você entende que só te usei para isso. Provocar ela. E sabe? Tô muito arrependida.
Helena sentou sobre os calcanhares, corpo para trás, contemplando a reação de Tiago, que virou a cabeça para ela, franzindo a testa.
— Porque você, Tiago, é um castigo bem dado para ela!
E Helena se levantou, antes que ele, que tinha a boca aberta e cara de indignado, respondesse. Ela saiu da sala o deixando ali.
Tiago olhou para a frente, braços ainda cruzados, se afundando cada vez mais no sofá. “Vê se posso, bandida querendo me dar lição de moral.”
Então ele notou no chão o celular de Helena, ainda com os fones neles. Jogou o corpo até lá e os pegou, colocando no bolso do pijama. Nem meio segundo depois Helena apareceu furiosa na sala, olhando em todos os cantos, da sala, subindo almofadas, sem olhar para a cara dele. Tiago a observava com os braços ainda cruzados na altura do peito, corpo afundado no sofá e sobrancelhas erguidas, até que ela olhou para ele desconfiada e ele arregalou os olhos.
— Posso ajudar?
— Me dá meu celular!
— Não sei do que você está falando.
— Porquiiiinho, eu já não te disse que você mente muito mal.
— Eu não sei... – ela se aproximou dele rápida, ele ergueu os braços para se proteger – hei...calma.
— Me dá.
— Dou. Quando eu escutar o que Tião falou da Isabela.
Helena respirou fundo enquanto jogava a cabeça para trás.
— Ele só falou aquilo que eu disse, ok?
— Nada mais?
— Tá duvidando de mim? — Helena colocou as mãos na cintura, dizendo pra si mesma que ele perguntou sobre o que Tião falou, logo ela podia omitir o que escutou em outras conversas sobre a defunta.
— Não. Acredito em você... E você acha que ele quis dizer que ela está morta? – Tiago colocou a mão no bolso, protegendo o celular – E eu quero uma resposta verdadeira.
— Sinceramente? Acho sim. E... – ela se inclinou até ele, séria – não foi o primeiro assunto que ele matou.
O rosto dele, aterrorizado, fez Helena se erguer e coçar a cabeça, colocando o cabelo para trás da orelha direita, cruzando os braços, nervosa.
— Mas ele pode ter se enganado. Ela pode ter conseguido sobreviver!
Ela o olhou pendendo a cabeça displicentemente para a direita.
— Sério?
— Eu preciso ter certeza, Helena.
Helena bufou e largou os braços, os batendo do lado do próprio corpo.
— Tá bom, vai lá, conta, como foi que a fulana sumiu?
— Você quer a história longa, a curta ou a verdadeira?
Tiago tentou fazer graça e levou um chute na canela esquerda.
— Ok. – ele esfregou a canela – Eu estava com ela, no barco, e... – ele baixou a cabeça se lembrando do dia – eu estava furioso, achava que ela estava me usando. A Heloisa tinha oferecido dinheiro para ela continuar comigo e me afastar da Leticia...
— Pera, pera, pera. – Helena o interrompeu erguendo a mão direita – A Helô ia pagar ela para te afastar da Leticia? – ele assentiu – E eu ela expulsa da casa dela? Que absurdo!
— Posso?
— Claro, primeiro a sua dor! — Helena voltou a cruzar os braços ouvindo a historia dele.
— Bom... eu estava alterado, nós brigamos, ela acabou caindo e desmaiou.
— Caindo como?
— Ela caiu, ok? – ele a olhou firme.
Helena então suspirou e indicou com a mão para ele prosseguir.
— Eu sai da cabine, fui procurar ajuda...
— Dentro de um barco no meio do mar onde só tinha vocês dois?
— Você quer ou não o celular?
— Ok... — ela levantou as mãos.
— Enfim. Eu só lembro de sentir uma dor muito forte na cabeça e acordar mais tarde. Procurei ela por todo o canto, nada.
— Nem mancha de sangue?
— Nada que indicasse um ferimento grande, só da batida. – ele balançou a cabeça e se inclinou para a frente, passando as mãos sobre o rosto – Eu então fui olhar para fora do barco e vi uma parte da roupa dela.
— Foi isso?
Ele a olhou incrédulo com a frieza da pergunta. Tiago tinha acabado de contar uma das situações mais traumatizantes da vida dele, e ela tratou como se ele tivesse contado a temperatura para o dia seguinte.
— É – Tiago respondeu irritado – foi SÓ isso!
— Hei – ela levantou os braços – calma aí, tô só analisando as informações friamente.
— E?
— É... talvez Tião não tenha matado tão bem assim o assunto. Ainda assim, muito estranho ele considerar assunto morto sem um corpo... – Helena agora olhava um pouco mais para cima e colocava sobre o canto da boca direita o dedo indicador, na sua pose pensativa.
— O que você quer dizer com isso?
— Que ok, eu vejo umas fotos dessa garota e verifico se ela é a fulana.
— Como assim?
— Traz amanhã fotos dessa Marina e eu vejo se ela pode mesmo ser a Isabela ressurgida dos mortos. Se é que você vai conseguir achar essa garota ainda, e viva! Imagina só, se Tião realmente mandou matar ela, e a garota voltou, e ainda para você, tão perto do casamento com Leticia, a essa hora ele já deve ter arranjado de sumir com ela de um jeito qu...
Helena viu a cara de Tiago ficar cada vez mais aterrorizada diante da ideia que ela ia levantando.
— Sério, Tiago, depois de tudo que a gente conversou sobre ele te espionar e poder ser o mandante do sumiço, você nem mesmo cogitou que seria perigoso se aproximar da figurinha repetida? Que poderia por ela em risco, ainda mais beijando ela?
— Bom... — ele olhou para o chão procurando ali respostas — Eu... você tinha derrubado o espião aquele dia... é, eu não pensei. — ele colocou a mão direita sobre os olhos e se inclinou para a frente. — O pior é que nem mesmo falei com ela dentro de algum lugar fechado, sempre rua, shopping...
Helena voltou a cruzar os braços e olhar para a frente, estava sem paciência para lamentações.
— Me dá meu celular agora.
Tiago pegou o telefone do bolso e foi o estendendo para Helena e então parou.
— Espera, até quando você ouviu os papos do Tião?
— Até hoje a tarde. – ela respondeu intrigada.
— E ele nunca mencionou a Marina, mencionou? Ou ao menos a Isabela de novo.
— É... – Helena já estava cansada do papo – Marina não é o nome que me chama atenção, então não vou afirmar nada, mas da Isabela ele não fala há semanas.
— Então – Tiago se levantou, ficando de frente para Helena, que deu um passo para trás – ele ainda não sabe dela.
Helena franziu a testa. De fato, nas ultimas gravações sequer se ouviu o nome de Tiago, o que ele andava fazendo... Na verdade Tião estava mais focado nos negócios da empresa e preparativos do casamento. O que era muito estranho, pois ele controlava tudo e todos rigorosamente.
— Ou a gente só não sabe o que ele sabe. – ela suspirou – Enfim, acredito que ela ainda tenha esperança. – Helena rapidamente arrancou o telefone da mão dele – Assim que encontrar ela tira umas fotos e nós conversamos.
— Eu vou me encontrar com ela amanhã. – ele respondeu rápido antes que Helena saísse.
— Como é que é?
— Eu vi ela hoje, na rua de novo, pedi para vê-la de novo amanhã. Disse que queria conversar com ela com calma.
— Tá, beleza então – ela se virou saindo – mais fácil de trazer as fotos.
— Não! – ele a alcançou e pegou no seu braço, que ela logo liberou com um puxão – É melhor que você venha comigo. Eu não posso ficar tirando foto dela, Marina está muito desconfiada, não sei... Ela só aceitou me ver porque insisti muito.
— Eu não posso ir. – Helena falou baixando a cabeça e a balançando negativamente, não querendo dar os motivos.
— Helena, por favor. Eu não tenho mais ninguém para me ajudar nisso. Vem comigo, você tira fotos dela, se quiser, mas eu não posso perder ela.
Helena suspirou. Olhou para um Tiago com olhar de cão abandonado, subiu uma sobrancelha e depois fechou os olhos concordando com a cabeça.
— Obrigada...
Tiago foi se aproximando dela para abraçar e Helena o afastou com o braço esquerdo, o olhando e franzindo a testa, fazendo sinal com o indicador da outra mão girando próximo a própria têmpora "tá louco?". Deu as costas e saiu. Ele ficou ali, parado, braços cruzados um tempo olhando na direção para onde ela foi.
— Helena? – Tiago bateu de manhã cedo no quarto da sobrinha da Helô – Você tá acordada?
Ele olhava pros lados pra ver se alguém o notava ali. Batia de novo. Nenhuma resposta. Ficou assim uns cinco minutos até que teve de bater mais forte, acordando tio Pedro, que dormia próximo ao quarto em que o avô estava instalado, numa forma de protege-lo.
— O que foi, Tiago? – Pedro se aproximou colocando as mãos na cintura.
Tiago ia abrindo a boca para dar alguma resposta esfarrapada quando Helena, descabelada e no seu pijama de urso, abriu a porta e, pegando Tiago pelo colarinho, o bateu contra o batente da porta aberta.
— Seu...- ela tinha os olhos ainda meio fechados, dentes cerrados enquanto o xingava – Tá louco? Isso é hora de me acordar?
Pedro soltou um riso que logo tentou encobrir passando a mão no rosto. Helena jogou a cabeça para trás e levantou o queixo para tentar enxergar quem estava ali, através do cabelo e olhos ainda meio fechados.
— Bom dia, Pedro. – Ela se voltou de novo para o Tiago, ainda preso – Fala logo o que você quer!
— Eu... – Tiago olhou para o tio, que tinha um meio sorriso e sobrancelhas erguidas para ele, sabia que não podia contar ali na frente do Pedro – Você não lembra que a gente combinou ontem de sair?
— Eu? Sair com você? – Helena o pressionou mais no batente e então o soltou – Aaaah. Lembrei. Mas a essa hora?
— São só sete horas.
Helena voltou a pega-lo pelo colarinho e o pressionar no batente.
— Para o seu bem espero que seja da noite. Você não me fez assumir compromisso de madrugada, fez?
Pedro agora mexia os ombros, cabeça baixa, rindo.
— É a única hora em que a loja está... tem movimento menor.
Ela aproximou o rosto dele, a outra mão livre em punho também, Tiago arregalou os olhos.
— Não é curioso como você esqueceu de dar esse detalhe?
Ele só deu um meio sorriso.
— Vão aonde? – Pedro perguntou enquanto Helena largava Tiago que respirou aliviado.
— Numa loja perto do posto da Salete.
— Ah.. – ele olhou Helena que agora colocava os cabelos para trás e tentava limpar os olhos – eu vou com vocês.
— Não! – Tiago quase gritou dando um susto em Helena que bateu com as costas da mão esquerda no peito dele – É algo meio particular.
— Particular, vocês dois?
Tiago olhou para Helena ajuda-lo a mentir, mas a garota estava com os braços cruzados, o olhando ainda sonolenta e divertida.
— Vai lá, conta.
Ele sorriu para o tio.
— É algo para o meu casamento, tio, que só a Helena poderia me ajudar.
— Aaaah é, um baita – Helena ergueu as mãos sobre a própria cabeça – presente para a Leticia. Vamos ver se consigo fazer as pazes com a priminha agora ajudando o noivinho dela a dar esse presente ma-ra-vi-lho-so.
— Ahã – Pedro passava uma mão sobre a barba os olhando desconfiado – Ainda acho que deveria ir com vocês. Não é bom você sair por aí sozinha.
Tiago fechou a cara ao ouvir o sozinha.
— Ela vai comigo.
— Eu sei, mas... ainda acho que seria bom ir alguém mais.
— Não tem problema, Pedro, Tiago já me salvou uma vez – ela segurou o braço de Tiago sorrindo para Pedro – sei que vou estar segura.
— É.. não foi bem um grande salvamento.
— Ok – Tiago se irritou – se continuarmos com o papo a loja fecha. Pode deixar tio, não vou deixar nenhum ladrão se aproximar da pobre menina do campo aqui.
Pedro olhou significativamente para Helena, que fechou os olhos e baixou a cabeça indicando que estava tudo bem.
— Tá bem. Mas, cuidado hein.
Pedro disse isso apontando o dedo para Tiago, sério, e depois indo para o quarto do avô.
— O que ele acha que a gente vai fazer? — Tiago olhou sério para Helena.
Ela só revirou os olhos.
— Dá licença, vou tentar me acordar direito e me arrumar.
— Não, não, não... espera aí – Tiago segurou a porta – não tem muito tempo, só tenta se acordar, troca de roupa e vem.
— HÁ HÁ HÁ Tiago! Tuas namoradinhas que te esperem, que eu não vou sair sem antes o meu banho. Dá próxima vez marca horário lá perto das três da tarde.
E Helena fechou a porta quase trancando os dedos de Tiago. Vencido, ele desceu as escadas indo esperar ela na sala.
Quase quarenta minutos depois, quando Tiago estava a ponto de pular de nervoso, ela apareceu descendo a escada. Tiago arregalou os olhos. Helena estava bem diferente. Uma sandalinha de salto baixo, nude, um vestido colado no corpo, de listras horizontais em tons cinza, vermelho e verde, de manguinha com um colete jeans trabalhado em pedras por cima.Na cabeça, cabelo envolto em boina hippie listrada de preto e branco que cobria a cabeça dela, mal deixando ver a trança que caía do lado direito.
Helena, ainda na metade da escada olhou ao redor procurando Tiago, e quando o encontrou arqueou uma sobrancelha, e, respirando fundo, colocou um óculos escuros de aviador espelhado sobre os olhos. Terminou de descer a escada, e foi indo para a porta que dava na garagem. Ela olhou para trás, vendo Tiago ainda parado.
— Bora garoto, antes que a loja suma e apareça de novo em outro canto, com outro nome!
Tiago correu até ela.
— Que deu pra você se vestir assim? Cadê as roupas de roqueira louca?
— Não te interessa.
— Já disseram que você tem um sério mal humor matinal?
Eles chegaram na garagem e Tiago foi até o carro dele. Estava preparado para sair. Ele abriu a porta para Helena que o olhou estranho, e entrou. Tiago foi até o outro lado e entrou no banco de motorista, olhando para o lado, quando não viu ninguém. Olhou para baixo e ali estava Helena, se espreitando para a frente do banco, se escondendo.
— Que foi? Você quer só o teu vigia nos seguindo, ou quer o meu também?
Tiago entendeu que era para despistar os capangas do Tião, e saiu sorrindo da situação. Ela disse para ele estacionar em um shopping próximo do local de ele encontrar a tal Isabela. Lá eles se separaram, Tiago saiu de um lado do shopping, e ela, que ficou no carro com a chave esperando o garoto se afastar, saiu pelo outro, ambos a pé, já com local de encontro marcado, o posto da Salete.
Tiago chegou próximo a loja de conveniência do posto e começou a olhar ao redor, procurando a garota.
— Porra, mas tu é muito lerdo.
Helena saiu da loja de conveniência com um pacote de salgadinhos.
— Como...? Deixa!
— E aí? Princesa já chegou?
— Não vi ela. Mas eu marquei com ela em frente aquela loja ali.
Helena olhou uma loja que parecia de produtos hippies do outro lado da rua. Continuou com seu salgado, olhando ao redor, atenta. Tinha que se cuidar contra qualquer movimento estranho. Foi quando notou um tipo alto, de camisa social e calça de linho, sapato lustrado, loiro e com cavanhaque, se aproximar e levantar os braços em direção do Tiago, o abraçando. “Susto”
— Fala Antonio!
— Daí cara, aqui de novo? Veio ve...pera lá, quem é a amiga?
Antonio olhou para o lado do Tiago, Helena virou a cara.
— É a sobrinha da Helô – Helena respirou fundo – tu viu ela naquela festa na casa da Leticia.
— Aaaah sim. A que foi... retirada depois que... o que vocês fazem juntos?
— Ela está me ajudando com umas coisas aí. — Tiago falou pigarreando e coçando o nariz.
— Marina ainda?
Helena olhou para Antonio e depois Tiago. “O garoto deve ter contado pra cidade toda que a outra pode estar viva. Vai matar ela de vez assim.”
— É, eu marquei com ela aqui. E você, o que tá fazendo aqui?
— Advinha?
— Ainda nessa cara?
— Fazer o que? Amo aquela mulher. Só que que ela tá me evitando.
— Espera aí. – Tiago colocou a mão no peito do amigo, o parando – Lá tá ela, Helena – ele se virou de lado, puxando Helena para encara-lo, a qual se virou e baixou os óculos pelo nariz – É aquela de roupa preta, cabelo vermelho.
Do outro lado da rua tinha uma garota de cabelo preso, vermelho, óculos escuros em cima da cabeça, vestido básico de algodão preto, e coturnos.
— Tá, e? Esqueceu que nunca vi mais brega?
Tiago a olhou fazendo bico de desaprovação. Pegou o celular dele e procurou fotos dela.
— Olha, não são parecidas?
Helena pegou o celular da mão dele, e, disfarçando, olhou para a garota do outro lado da rua.
— Credo! – ela falou levando o telefone mais a frente, o afastando do olho, enquanto Antonio olhava para os dois desconfiado, e Tiago ficava alerta.
— O que?
— A garota.
— O que tem?
— Nada, só ela mesmo. Credo!
Ele a olhou sério.
— Ok...deixa eu comparar. Nossa – Helena balançou a cara negativamente – ela nem pra caprichar no disfarce, emagrecer ou colocar um sinal falso, tipo uma pinta, entende? Pra enganar mesmo que é outra pessoa!
— Então? É ela, não pode ser outra, não é?
— Olha, Ratinho, para confirmar só um teste de DNA, mas sim, duvido que seja outra, a não ser que haja uma sobrinha da Isabela!
Antonio riu.
— Eu sabia! E agora?
— Bom, eu vim aqui pra isso, né? Vou lá interrogar ela.
Helena deu um sorriso malvado e começou a andar na direção da garota, atravessando o posto, sendo parada por Tiago perto de uma bomba de gasolina.
— Não chama a atenção garoto!
— Desculpa, mas é melhor você não ir lá!
— Por que? Você não quer que eu descubra se é ela, e o que aconteceu?
— Sim, mas você... – ele apontou para ela sem saber o que responder, Helena ficou de frente para ele e cruzou os braços – sabe? Vai assustar ela. Deixa eu me aproximar. O principal é que eu agora sei que não estou louco, que é ela.
Tiago colocou as mãos nos ombros de Helena e a olhou firme. Ela assentiu com a cabeça, e enquanto ele corria até a tal Marina/Isabela, ela se virou de costas evitando ver a cena. E então viu Antonio ainda parado em frente a lojinha, olhando os dois. Ele então veio até ela.
— Então? Ajudando o Tiago com outra garota, é? Depois do que aconteceu naquela noite na casa da Leticia, achei que você seria o novo perigo ao casamento Leitão Bezerra.
Helena, de braços cruzados ergueu o queixo para ele.
— Então? Mamãe e papai já se acertaram ou ainda brincam de ver quem cria mais cicatrizes emocionais em você?
Ele a olhou intrigado e irritado.
— De onde você tirou isso?
— Que? Só você pode forçar intimidade?
— Tá muito na defensiva, hein! – ele se aproximou – Você tem que saber que eu sou dos caras bonzinhos junto com Tiago.
— É.. – ela olhou para trás, vendo Tiago pegando a outra garota pelos braços, se aproximando dela enquanto parecia fazer um pedido especial – tô sabendo o nível de caras bonzinhos na cidade.
— Tiago – ele olhou na direção que ela havia olhado – tem esse problema com mulheres. Todas querem ele, ele quer todas e no final acho que não quer é nenhuma. Ama fácil o difícil, e quando o difícil se torna fácil, fica difícil de manter o amor. Entende?
— Desculpa, mas não sou formada em filosofia!
Helena fez cara de perdida com a frase dele. Antonio riu de novo. E se colocando do lado dela, de costas para Isabela/Marina e Tiago, passou o braço sobre o ombro dela.
— É mais ou menos assim, querida...
Antonio parou. Na frente deles, parada, estava uma Ruty Raquel olhando de boca aberta ele junto de Helena. Antes que Antonio fosse até ela a mesma saiu dali apressada.
— Espera, Ruty Raquel...
Antonio deu um passo a frente pensando em ir atrás dela.
— E agora? Ela vai ficar ainda mais fera comigo.
— Não é pra menos, sabe nem qual é o nome da garota.
Ele a olhou confuso, e pedindo desculpas saiu atrás da amada.
Helena bufou. “O que eu tô fazendo aqui? Ele nem precisava de mim mesmo. Agora fico de vela dos panacas, enquanto tem capanga do Tião esperando para sumir comigo.” Helena sentiu um calafrio quando relembrou do que ouviu no quinto dia de escutas no escritório de Tião...
— Finalmente chegou alguma noticia sobre a tal sobrinha da Helô.
— Você mandou investigar a sobrinha da sua esposa, Tião? Não é paranoia demais? – falou um empregado chamado Miro.
— Nada nunca é paranoia demais. Aquela menina tem mais coisas, ela pode muito bem ser um pesadelo que eu achei que nunca ia ter.
Ela escutou barulho de envelope se abrindo e folhas sendo mexidas.
— Estranho...
— O que foi?
— Segundo isso aqui, ela tem mesmo uma mãe que seria filha do pai da Helô.
— Mas não foi isso que ela disse?
— Foi, mas eu não acredito. Tenho pra mim que essa garota é mais que isso.
— Mais que isso, como?
— Miro, você lembra lá no inicio do meu casamento com a Heloisa quando uma mulher veio até a minha casa tentando me chantagear? – silencio, Miro devia estar concordando – Pois é, o segredo que aquela mulher ameaçava contar, e que me obrigou a tomar medidas mais severas para nunca mais ter de vê-la, é o que acho que essa garota traz só com a presença dela.
Helena pôs a mão na boca lembrando de um dos arquivos que Paulo enviara para ela por email quando fora procurada para aquela vingança, no qual mostra que a mulher que em tese seria a mãe da Leticia e que aceitou trocar a filha dela pela da Helô, havia sido morta dois anos depois do seu nascimento, sendo inclusive a razão pela qual ela fora parar em abrigos, passando anos achando que fora abandonada quando a mulher estava morta e ainda nem era a sua mãe verdadeira.
— Então você vai continuar investigando?
— Vou.
— E se por acaso você confirmar a sua dúvida?
— Você sabe que não gosto de esperar pela dúvida. Amanhã mesmo vou colocar alguém na cola dela, para sumir de vez com essa garota antes que o pior se concretize. Não vou arriscar tudo que construí até hoje por conta de uma filha perdida.
— Filha?
— Miro, eu já estou cansado. Arrume tudo, vou para a casa.
E Tião desconversou o papo com o empregado confidente. Deixando do outro lado da escuta uma Helena aterrorizada. Não só com o anuncio de que sua cabeça passou a estar ainda mais a prêmio, mas principalmente porque Tião falou filha. Será que ela era filha dele?
Aqueles pensamento ficaram minando ela nesse mês, e ela nem conseguia sair mais da casa dos Leitão, não sem ser na companhia de Pedro e das meninas, que tentavam animar ela. Toda a força que ela tinha naquela vingança foram enfraquecendo a medida que escutava mais conversas do Tião, no escritório dele, na casa dele, e até ali, na casa dos Leitão, onde Helena também escondera escutas. O Bezerra e a Leitoa mãe tinham se tornado muito próximos, e não era incomum um procurar o outro ou ligar para o outro. Helena sabia de muito podre entre os dois, e isso, se ele descobrisse, podia ser bem pior para ela.
Ela não tinha mais emocional para isso, e agora tinha que lidar com os sonhos juvenis amorosos do leitãozinho.
Helena estava com um braço apoiado na coluna próxima a bomba de gasolina, cabeça erguida para cima, olhos fechados, quando sentiu uma sombra se aproximando. Ela abriu os olhos alerta. Na sua frente estava Gustavo, que Helena não conhecia, na sua jaqueta de couro preta, regata e causas também prestas, barba cerrada e um olhar desconfiado.
— Oi, tá fazendo o que aqui? – ele perguntou se aproximando da bomba e olhando ao redor para ver se ela não tinha algum carro ali esperando ser abastecido, parando então de frente para ela de braços cruzados.
Helena desceu os óculos pelo nariz e mediu o cara. Gostou do estilo dele, deu um meio sorriso.
— Tá vendo não? Tô aqui com meu carro invisível, ligado pela minha chave indivisível – ela girou o indicador da mão direita no ar como se ali tivesse uma chave – esperando alguém se dignar a encher o tanque invisível da melhor gasolina invisível da cidade. Algum problema?
Ela deu um meio sorriso zombeteiro. Gustavo a olhava com o queixo erguido, braços cruzados e boca aberta num sorriso que foi crescendo a cada invenção dela.
— Claro! Porque pelo que tô vendo você não tem dinheiro visível para pagar uma gota de gasolina.
Helena sorriu. Gustavo deu uma passo a frente, colocando as mãos no bolso e se inclinando para Helena, que apenas apertou o olhar para a aproximação dele.
— Mas é claro que... a Dona Salete sempre disse para agradar ao máximo a freguesia.
— Então você vai ter que se esforçar mais.
— Você não é fácil de agradar? – ele deu mais um passo na direção de Helena.
Ela molhou os lábios, e então subiu os óculos, e nesse movimento viu, há duzentos metros dela, do outro lado do posto, dois tipos que ela tinha certeza já vira na lista de capangas do Tião. Freelancers, se não se enganava. Prendeu o ar. Tinha que se esconder. Os caras iam atravessando a rua, vindo naquela direção. Instintivamente procurou ficar escondida deles usando o corpo do frentista gato.
— Gato comeu a sua língua?
— hahahah – ela riu nervoso – Não, eu só estou preocupada com quanto um tratamento especial aqui pode me custar.
Os caras se aproximavam. Helena foi disfarçar coçando a cabeça de lado para ver onde estava Tiago. O desgraçado tinha agora a testa encostada na testa da morta-viva. Nem se ele estivesse por perto ia dar para correr até ele, os caras pareciam vir na direção dela.
— Sem problemas. – Gustavo deu um sorriso para ela, não notando seu olhar desesperado por trás dos óculos – Acho que para você posso fazer preço especial.
O cara passou os dedos da mão direita pelo rosto dela. Salete que vinha da casa dela, viu a cena e se indignou, mas não tanto quanto Tiago do outro lado da rua.
— Por favor... Marina. Eu sei que parece que estou pedindo demais, mas é só essa chance.
Ela tentou se afastar dele, dando dois passos para trás, com Tiago ainda a segurando. Agora ela estava de costas para o posto, e ele com visão completa do estabelecimento, atrás dela.
— Tiago, olha, eu não posso. Você tá procurando por algo que não vai achar. – Marina/Isabela negou parecendo querer dizer sim, indecisa, como se rejeitasse e pedisse para ele seguir.
— Deixa eu tentar. Eu não...- Tiago que olhava profundamente para ela, tirando as mãos dos braços dela para colocar no rosto, levantou a cabeça e fechou a cara – mas o que é aquilo lá?
Do outro lado da rua ele viu Gustavo fazendo carinho no rosto de Helena.
Isabela/Marina pareceu perdida.
— O que?
— O que ela?... Desgraçado! – ele então largou Isabela/Marina e foi atravessando a estrada mal olhando para os carros, a deixando ali assustada com a reação dele e abandono.
Tiago deu um pulo quando viu Helena puxar Gustavo para um beijo fogoso. Ele só não viu que dois caras estranhos estavam a só vinte metros dos dois e viraram de costas se afastando na hora em que viram Gustavo beijando a garota no meio do posto, se mantendo afastados da cena, de costas, próximos a beira da estrada.
Helena havia se desesperado, os caras vinham na direção dela e ela não sabia como é que eles a notaram. Não podia ser, ela ficara o mais camuflada possível. Será que a reconheceram quando a viram perto do Tiago ali no posto? “Porquinho só me bota em fria.” Então ela aproveitou que o outro estava tão perto e arranjou a única distração que nunca falha, o beijo. O cara de inicio foi pego de surpresa, mas logo correspondeu o beijo, a puxando firme pela cintura com um braço e a sua cabeça com a outra mão na nuca. Helena abriu o olho rapidamente para ver através do óculos que os capangas se afastavam, e, feliz com o resultado da tática, resolveu aproveitar o momento, quando alguém a puxou bruscamente do beijo.
Tiago chegou a puxando pelo braço, e dando um soco num Gustavo ainda perdido com o beijo. Helena tinha a mão sobre a boca vermelha. Os olhos arregalados.
— Tá pensando o que cara? Só porque é frentista pode sair agarrando ... – ele olhou para trás – as mulheres todas? – ele completou olhando para a frente furioso.
Mas Gustavo era ágil, depois de conferir se o nariz sangrava, levantou para dar um soco em Tiago, que deu um passo para trás esbarrando em Helena, desviando do golpe.
Ela teve que agir, se colocando na frente do briguento, ela ficou de costas para Gustavo e para os capangas que agora observavam de longe a confusão, e empurrou Tiago para longe dele. Tiago tinha os olhos vidrados, a boca aberta, quase babando de raiva, narinas dilatadas.
— O que foi? O que você ainda tá olhando? – Tiago falou apontando para Gustavo – Vai lavar carro com a bunda e para de dar em cima das garotas dos... daqui.
Helena se controlava para não dar um murro ela mesma em Tiago. Ele fazendo aquele escândalo só piorava a situação.
Gustavo não aguentou a provocação e foi pra cima.
— Para cara, não... – Helena tentava afastar mais Tiago, e parar Gustavo – esse aqui é um louco. Deixa assim.
— Deixa assim o que? – Tiago a olhou furioso – Tá preocupada com o namoradinho frentista?
Helena o largou, se endireitou e saiu do caminho de Gustavo fazendo sinal de vem com o braço.
— Vai, pode bater.
Tiago franziu a testa para ela e Gustavo ia levantando o braço para dar o soco quando Salete o segurou por trás.
— O que vocês estão pensando, hein? Meu posto não é ringue de luta não! Respeitem o meu estabelecimento, e os meus funcionários.
Salete se colocou então na frente de Gustavo, olhando reprovadora para Tiago e Helena. A ultima fez cara de desentendida.
— Então os seus funcionários que passem a respeitar os clientes.
— Quem beijou ele fui eu! – Helena se manifestou – Agora... – ela ficou de frente para Tiago, o puxando pelo colarinho – para de fazer escândalo e vamos sair daqui.
— É, eu vi que você beijou ele, que palhaçada é essa?
— Uma garota tem as suas necessidades.
Helena falou entre os dentes, notando pelo canto dos olhos que os capangas voltavam a se aproximar. Mas Tiago a olhou furioso e voltou a fuzilar Gustavo com o olhar, percebendo então, poucos metros atrás dele, os capangas. Uns tipos realmente suspeitos, com os quais até Gustavo já começava a manifestar preocupação.
Ele então olhou significativamente para Helena, e rapidamente passou o braço por sobre o ombro dela e saiu dali com passos apertados. Deixando para trás uma Salete intrigada e um Gustavo nervoso.
Helena e Tiago não olharam para trás. Seguiram um do lado do outro. Até o shopping, calados. Lá dentro Tiago olhou para trás.
— Ninguém, acho que não nos seguiram.
— É, só to vendo o novo capanga que colocaram para te vigiar.
— O que?
— O cara de jaqueta cinza parado lá na frente, baixinho, loiro.
— Cê tá brincando.
— Você não notou ele quando chegou aqui no shopping mais cedo?
— Mas que car... tá. Nos separamos aqui e vamos pro carro?
— Pra que? O cara já nos viu. Corre pro carro.
E os dois foram indo para o estacionamento o mais rápido que podiam sem chamar a atenção. Chegaram na fila de estacionamento.
— Não gosto disso. – Helena falou olhando para trás com os braços cruzados, tirando os óculos.
— O que?
— Perder quem está me seguindo de vista.
— Isso não é bom? Despistou eles.
— Ou eles nos despistaram.
Foram até o carro e entraram ofegantes.
— Vamos pra onde?
— Pra tua casa, óbvio, e pelo caminho com o maior transito possível.
Tiago obedeceu. Quando já estavam na metade do caminho, sem notar qualquer carro seguindo eles. Helena ainda tensa no banco de passageiro, Tiago começou a se acalmar. Ele a olhou respirando fundo.
— Então foi por isso que você beijou o cara?
— O que?
— Lá no posto, você beijou o frentista para despistar os capangas.
— É... – olhando para trás procurando algum carro suspeito, ela respondeu fazendo graça – unindo o útil ao agradável.
Tiago olhou para a frente, bravo, e freou em cima de um sinal amarelo. Helena que estava sentada foi para a frente e depois voltou batendo no banco com a parada brusca, o olhando furiosa logo em seguida.
— Melhor você colocar o cinto.
Tiago completou fechando a cara e ligando o rádio.
Quando já estavam perto da casa dos Leitão, e não tinha qualquer sinal de um carro os seguindo, Helena relaxou, suspirando aliviada. Tiago então virou em uma rua a cinco quadras da sua casa e um carro preto veio em alta velocidade na direção dele, dando tempo apenas dele frear antes do impacto. Do nada um monte de caras encapuzados cercavam o carro dos dois.
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