A saga dos Semideuses
1 Capítulo 1
A manhã do dia oito de outubro tinha tudo para ser normal, se não fossem alguns percalços que quebraram esta monotonia.
John se levantou normalmente naquele dia nublado, olhou pela janela de seu dormitório e quase voltou a dormir, mas não o fez. A coordenadora do orfanato St. Julius chegaria a qualquer momento para verificar se eles ainda estavam dormindo. Seus dois outros colegas de quarto já haviam se levantado e como de costume esqueceram-se de chamá-lo.
John mora no orfanato desde que se entende por gente. A dona do local, Sra. Miller disse que ele chegara lá com três anos de idade e que seus pais haviam morrido em um acidente de carro. E hoje com seus 14 anos, John não se lembra de nada, exceto de um olhar, olhos cinza que o olhavam, olhos que eram iguais aos seus.
John é alto, magro, tem a pele muito branca, seus cabelos são castanho escuro, ele é bastante inteligente, mesmo sendo constatado seu TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) ele consegue boas notas e tem muito raciocinio lógico.
O Orfanato St. Julius ficava no Freemont, bairro de Seattle, cidade do estado de Washington, nos Estados Unidos. John frequentava o colégio Freemont Seattle Secundary School.
Ele se trocou, e foi para o refeitório, serviu um pouco do mingau de aveia e começou a comer. A coordenadora recém-chegada, Srta. Johnson pediu a atenção de todos para um comunicado.
— Bom dia crianças. – começou ela – Hoje é o nosso dia de visita no Parque Central da Cidade, após o café da manhã peço para que se reúnam no hall do Orfanato para iniciarmos o passeio.
A Srta. Johnson era alta, magra, pele morena, cabelos loiros e olhos amendoados. Ela tinha cheiro de flores em um belo dia da primavera.
John terminou seu café da manhã e se juntou a sua melhor amiga do orfanato, Selene.
Selene é morena, tem estatura média, seus cabelos são castanhos, ela é forte e bem fria dependendo da situação, ela também tem TDAH como John, mas seu raciocínio não é muito rápido. Ela tem 13 anos e chegou ao orfanato pouco tempo depois de John.
— Preparado para mais um entediante dia no parque? – perguntou ela assim que ele chegou.
— Será que eles acham que isso é lazer? – indagou John – Lá só há diversão para criancinhas.
— Até a Rebecca que vai completar 16 anos é criancinha para eles.
— Por isso quero completar logo 16 anos, ai eu posso ser emancipado e sair logo daqui. Não aguento mais comer mingau de aveia.
Os dois riram, pois ambos detestam mingau de aveia. A Srta. Johnson chegou e disse que tinha um assunto muito sério a tratar com os dois, havia alguém querendo vê-los em seu escritório e os pediu para segui-la, a deixaram ir à frente, então Selene perguntou:
— O que você acha que ela quer com a gente?
— Não sei, contanto que não precisamos ir ao parque está tudo bem — disse John.
Ao chegarem ao escritório, havia três jovens com mais ou menos 17 anos, um deles disse:
— Prazer em conhecê-los meu nome é Lewis. John se assustou com os olhos de Lewis, pois eram exatamente iguais ao seu, e com o olhar que ele havia sonhado, mas no resto ele e Lewis eram bem diferentes, Lewis era alto, magro, e moreno com cabelo castanho, curto e cacheado.
John se apresentou, além de apresentar sua amiga Selene, pois ela sempre trava na frente de desconhecidos:
— Sou o John – falou ele — E essa é a Selene.
O segundo se apresentou como Peter, um rapaz alto, robusto, cabelo preto encaracolado, e olhos verdes intensos. E a terceira era uma garota muito linda. A cor de sua pele era branca levemente bronzeada, ela tinha olhos puxados e pretos, seu cabelo preto liso escorria pelos ombros, Jonh imaginou que ela seria descendente de japoneses. Ela se apresentou como Hikari. Os três usavam camisetas laranja com os dizeres: “Acampamento Meio-Sangue”, e quando Jonh e Selene se assustaram a Srta. Johnson estava tirando a sua roupa. Por baixo do enorme blazer ela usava a mesma camiseta laranja, e uma saia florida que parecia ser feita de ramas de plantas com flores mescladas. Ela soltou o cabelo e um perfume de lavanda inundou a sala.
— São esses os semideuses que eu falei. – disse ela.
— Do que a senhora nos chamou? – indagou Jonh.
— O que está acontecendo aqui? – perguntou Selene.
— Calma crianças. – falou a Srta. Johnson – Nós não vamos lhes fazer nenhum mal.
— Na verdade viemos salvar vocês! – falou o garoto chamado Peter.
John e Selene se entreolharam, eles não estavam entendendo absolutamente nada.
— Vocês já ouviram falar dos deuses gregos da mitologia? – perguntou Hikari.
John se lembrava de já ter estudado as histórias e mitos da Grécia. Mas não lembrava detalhadamente sobre o assunto.
— Os deuses olimpianos da Grécia não são mitos, eles existem e hoje em dia habitam os Estados Unidos. – argumentou Lewis.
John esteve quase perguntando se aquilo era uma piada ou alguma pegadinha, mas alguma coisa no olhar de Lewis dizia que ele estava falando sério.
— Ok, podemos começar falando a verdade agora? – perguntou Selene, que não deve ter percebido a seriedade do assunto.
— Olha! Os deuses do olimpo existem de verdade. E eles têm às vezes filhos com mortais. Esses filhos são chamados de semideuses. Coisas que eu, o Lewis, a Hikari e vocês dois são. – disse Peter.
O silencio pairou na sala. Dessa vez John teve que argumentar, pois na verdade ele perdeu os pais em um acidente. Se o pai ou a mãe dele eram deuses, como poderiam ter morrido.
— Não, meus pais morreram em um acidente, os dois, se um deles fosse um deus como morreria?
— Não sabemos sua história ainda, o que realmente aconteceu, mas sim, você é um semideus. – falou Hikari.
Por um instante as palavras de Hikari pareceram realmente convencer John, mas ele não concordava que aquilo fosse verdade, pois se ele era um semideus, onde estava seu pai ou mãe celestial quando ele mais precisou?
— Mas como você sabe que somos semideuses? – indagou Selene chamando a atenção de John.
— Anixie esteve aqui vigiando vocês durante todo esse tempo. – falou Peter apontando para a Srta. Johnson.
— Anixie?! Você não é a Srta. Johnson?! – perguntou John.
— Na verdade eu sou uma ninfa da primavera, serva da Deusa Clóris, deusa da primavera. Estou no Acampamento Meio-Sangue ajudando a encontrar e defender novos semideuses.
A Srta. Johnson ou Anixie se dissolveu em uma névoa amarela como pólen e reapareceu ao lado de Lewis. Ou aquilo era um truque de mágica e ilusionismo muito bem feito, ou tudo o que eles estavam falando é verdade.
— Mas porque defender semideuses? – perguntou Selene – Somos alguma espécie em extinção?
Lewis respondeu, tentando ignorar o teor da pergunta:
— Os semideuses tem uma aura mágica que atrai monstros, Todos os tipos de monstros dos mais horrendos lugares do Tártaro conseguem detectar essa aura e geralmente vem ao nosso encontro nos matar.
Isso pareceu responder a pergunta de Selene, pois ela se calou e ficou pensativa.
— Mas como nós nunca fomos atacados por monstros aqui no orfanato?! – perguntou John.
— Porque o cheiro das crianças mortais mascara o de vocês. – respondeu Hikari – Mas agora que vocês sabem que são semideuses, essa aura aumenta muito mais, e só há um lugar seguro no mundo onde um semideus pode viver.
— No Acampamento Meio-Sangue. – disse Peter – E é pra lá que vamos levar vocês.
Todos sorriram para Jonh e Selene, os dois estavam um pouco desconfiados, mas por fim falaram.
— Para não ter que ir ao parque hoje, podemos ir a qualquer lugar. – disseram eles em uníssono.
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