Antes que todas as crianças saíssem para o parque, Peter fez um truque com a Névoa (A névoa, segundo Lewis, era a magia que escondia o mundo dos deuses do mundo dos mortais. As coisas extraordinárias do mundos dos deuses são modificadas pela névoa para que sejam normais, para entendimentos dos mortais). E essa mesma névoa poderia fazer as pessoas no orfanato acreditarem que John e Selene nunca estiveram ali. Quando eles estavam à porta Peter se adiantou esticou os braços, juntou as mãos e fez como se estalasse os dedos. Nada mudou para a percepção de John, mas segundo Hikari, Lewis e Anixie, as pessoas do orfanato jamais se lembrariam deles.

Depois da conversa no escritório, os três semideuses que chegaram para a busca, se apresentaram melhor. Lewis era filho de Atena, deusa da sabedoria, será por isso que ele tinha um ar tão intelectual? Hikari era filha de Afrodite, deusa da beleza e do amor, isso explica a beleza dela. E Peter era filho de Poseidon, senhor dos mares e dos terremotos, ele era filho de um dos três grandes deuses da mitologia, Peter deve ser um semideus muito poderoso.

— Mas e nós? – perguntou John – Somos filhos de quem?

— Vocês possivelmente serão reclamados a qualquer momento. Ainda não se sabe quem são seus pais. – disse Anixie.

Depois que eles já estavam fora do orfanato foi que Jonh percebeu que os semideuses estavam armados. Hikari e Peter tinham espadas embainhadas na cintura, ambas pareciam ser feitas do mesmo material. Bronze Celestial segundo Hikari. Podiam ser do mesmo material, mas eram muito diferentes. A de Hikari era fina, e menor que a de Peter, a lamina era tão brilhante que você via seu reflexo nela, na bainha havia um coração de diamante cravejado. Quando Hikari encostava a ponta da sua espada em seu pulso ela se transformava em uma pulseira de bronze com um pingente de coração de diamante, como o da bainha da espada. Já a espada de Peter, era maior e mais opaca, mas ainda assim brilhante e sua bainha era feita de um bronze celestial escurecido, um tridente de prata estava estampado na ponta da bainha, segundo Peter, quando ele pressionava o tridente, sua espada se tornava em uma réplica menor do tridente de seu pai, Poseidon. Lewis estava armado com um arco de madeira acinzentada e uma aljava no ombro com flechas com a ponta de bronze celestial também.

— Porque em todas as armas tem bronze celestial? – perguntou John.

— Porque é o metal dos deuses, não fere mortal, mas é fatal para monstros. – respondeu Lewis.

— Como vamos para o Acampamento? – perguntou Selene.

— Eu viajo pela brisa – respondeu Anixie – Mas vocês irão de outro modo. Peter?!

Peter assobiou forte. Do céu, no inicio da Open Old Street, Rua do Orfanato, surgiu uma enorme biga voadora puxada por dois pegasus, um branco e outro com pelagem castanha.

Eles pararam com a biga em frente ao grupo de semideuses. Alguns mortais que paravam na rua nem percebiam o que estava acontecendo. John tentou imaginar o que eles estavam enxergando ao invés dos pegasus.

Na mitologia a biga carregava no máximo dois guerreiros, mas essa era espaçosa suportaria facilmente mais de cinco guerreiros adultos, então cinco semideuses adolescentes não seriam problemas. Por fora ela tinha o casco de madeira polida com um centauro esculpido, o mesmo centauro que estava estampado na camiseta laranja de Peter, Lewis, Hikari e Anixie. John imaginou que seria algum símbolo do Acampamento Meio-Sangue.

Peter explicou que os pegasus os transportariam para o Acampamento em poucas horas, mesmo que New York fosse bem longe Seattle. Por ser filho de Poseidon, Peter podia se comunicar com equinos, já que seu pai foi quem criou os cavalos.

Todos subiram na biga, e os pegasus levantaram voo. Enquanto Peter controlava os pegasus, Hikari e Lewis estavam com as armas preparadas, para evitar algum ataque.

Selene e John estavam sentados atrás dos outros numa conversa, que ninguém conseguia ouvir:

— Acho que sou filha de Poseidon, consigo...

Nesse exato momento a biga foi atacada, John e Selene foram jogados de um lado para outro da biga até Peter estabiliza-la novamente, quando eles conseguiram se levantar viram que estavam sendo atacados por uma horda de animais e humanoides voadores.

— Abaixem-se agora! – gritou Hikari para John e Selene.

Eles se abaixaram imediatamente e viram os outros três semideuses golpearem os monstros com suas armas.

Lewis disparava flecha atrás de flecha, enquanto Hikari golpeava os que chegavam muito perto da biga transformados em pó, quando ela não conseguia acertar alguns monstros ela gritava para eles se afastarem e imediatamente as criaturas tomavam um rumo diferente. Mas parece que eles saiam de uma espécie de transe e voltavam a atacar. Peter ordenou que os pegasus seguissem para leste e foi ajudar os outros dois. John e Selene estavam encolhidos em um canto da biga, eles se seguravam com bastante força para não cair.

Por fim todos os monstros acabaram sendo destruídos. Deixando a biga e os semideuses sujos com o pó em que eles se transformavam ao serem destruídos.

— O que eram aquelas criaturas?! – perguntou Selene.

— Eram grifos. – respondeu Hikari. Peter tomou novamente as rédeas da biga e controlava os pegasus.

— Mas o que são grifos?! – perguntou John.

— Grifos são criaturas com cabeça e asas de águia e corpo de leão. – respondeu Lewis – Um tipo de monstro alado que adora atacar semideuses.

John ficou pensativo. Será que teria que enfrentar muitos monstros em sua vida de semideus. Lógico que sim, mas ele não ficou com medo. Só imaginou se sobreviveria.

…

Durante a hora que se passou da viagem, John conseguiu cochilar um pouco, mas qualquer barulho que ouvia, ele despertava assustado achando que era mais algum monstro. Quando o sol estava no centro do céu, as nuvens começaram a se dissipar. John percebeu que a biga estava baixando voo. Ele se levantou e cutucou Selene que estava apagada.

Abaixo deles estava o estreio de Long Island. John viu pequenas construções em formação de U, um grande casa de branca, ao longe, campos de morangos, um grande pavilhão de refeitório. No alto da colina, em volta de um enorme pinheiro estava um enorme dragão de verdade. E no alto do pinheiro se encontrava o Velocino de ouro, John imaginou se seria mesmo o Velocino dos mitos gregos. Tinha quase certeza que era.

Quando eles aterrissaram no meio do pavilhão, Lewis exclamou:

— Graças a Zeus. Chegamos.