Notas iniciais
Dante. Mocinho ou vilão? Gostam dele? #TeamRobert ou #TeamDante?

Capitulo XII

O médico escuta meu coração mais uma vez, mede minha temperatura e pede para que eu abra a boca e coloque a língua para fora.

– Vai demorar ai? – Dante pergunta de braços cruzados ao pé da cama.

– Paciência meu jovem, logo terei uma resposta para a doença de sua esposa. – o médico diz sorrindo para mim sem olhar pra ele.

– Não sou esposa dele. – falo ficando vermelha.

– Pelo menos sangue você tem. – o doutor ri e guarda seus equipamentos em sua mala de couro, retira as luvas e respira fundo.

– Pode falar doutor. – eu respiro fundo. – Tenho uma doença grave não é? Eu vou morrer! – meus olhos lagrimam. – Eu sabia.

– Calma minha jovem. Não você não vai morrer. – ele fala – Pelo que vi foi só um mal estar. É difícil dizer sem exames mais detalhados, tenho algumas suspeitas e recomendo que fique de repouso e vá ao meu consultório assim que puder.

– Então ela está bem? – Dante pergunta sentando ao meu lado na cama. – Mas ela parece tão fraca.

– Vou passar um remédio para o enjoo e uma coisa que eu quero que compre. – ele anota no pequeno caderno e entrega a Dante.

– Tudo bem. Irei comprar. – ele segura minha mão.

– Bom, se é só isso. Desejo melhoras. – ele cumprimenta Dante e sorri para mim.

– Vou acompanha-lo até a porta. – e os dois saem deixando-me sozinha com Cho que ficou calada o tempo todo no cantinho do quarto.

– Está tudo bem? – falo baixinho. – Você parece meio pálida.

– Olhe quem fala. – ela sorri e senta ao meu lado, acaricia meu rosto e beija minha testa. – Você parece tão fraquinha.

– Estou tão ruim assim? – falo. – Apesar de não parecer eu estou melhor, sinto um pouco de enjoo, mas o resto está bom.

– Vou preparar uma sopa bem forte pra você. – Cho beija minha testa de novo e sai.

Suspiro, cansada. Eu me sinto bem apesar de tudo. Repito a mim mesma. Foi só um enjoo repentino e sem motivo. Como o de Victoria.

Pensar em Victoria me leva a refletir nos sonhos que eu já tive com minha vida passada. Já sonhei algumas vezes e sei pouca coisa, sei que ela não tinha uma boa relação com sua mãe assim como eu, que estava prometida a alguém que nunca havia visto, também sei que Robert era seu amor de infância e que ela tratava muito mal suas empregadas. Cada vez mais a história ficava diferente da contada por Wing. História que parecia ter sido contada a mim há séculos atrás.

E olhando assim, ao todo, eu não me via nela, nossa aparência e nossa família eram a nossa única semelhança. Olho para o teto e agradeço. Victoria e Vinny são pessoas diferentes.

– Eu sabia. – suspiro, aliviada.

– Sabia o que? – Dante entra no quarto com uma pequena bandeja prateada e um grande copo com água. Ele me entrega um comprimido e o copo. Eu engulo o comprimido com a água.

– Obrigado. – digo.

– De nada. Eu fui à farmácia comprar o que o médico mandou e eles me entregaram essa caixinha. – ele mostrou uma pequena caixa que eu peguei curiosa. – E também disseram: boa sorte.

– Como? – observei a caixa e ofeguei um pouquinho. – Ah não.

– O que foi? – Dante pergunta alarmado. Abro a caixa confirmando minhas suspeitas. Um pequeno palitinho é o que tem lá dentro. – O que é isso?

– Isso é um teste de gravidez Dante. – falo e não aguento, começo a rir descontroladamente.

– Um teste de gravidez? – ele levanta da cama surpreso. – Vinny você fez alguma coisa com Robert que eu não sei?! – sua voz é alta e alarmada.

– Eu realmente não queria falar isso, mas já que insiste. – respiro fundo. – Dante eu sou virgem. – e começo a rir de novo. Ele senta ao meu lado de novo e vejo-o ficar vermelho e sorrir sem graça.

– Ah. – é a única coisa que ele diz.

– Que bom que trocou de roupa, digo calça. – falo assim que consigo parar de rir da ideia idiota do médico.

– Ah, sim. – ele ainda estava parado sem graça ao meu lado.

– Você vai ficar assim sem graça? – falo angustiada.

– Desculpa. O que disse? – Dante me olha confuso.

– Pode me dizer o que está pensando? – falo segurando sua mão. – Se estiver preocupado comigo pode parar, eu estou bem e não estou grávida.

– Foi só uma visão. – ele sorri sem graça.

– Então eu posso pedir uma coisa?

– Pode claro.

– E queria um gatinho no meu colo agora. – fico vermelha, ele ri e num instante está em meus braços um gatinho preto de pelos macios e olhos grandes, ele ronrona quando acaricio sua cabeça. É reconfortante. Não me dou conta quando caio no sono.

Fico sentada imóvel enquanto o doutor me examina, seu rosto é sério e ele não demostra nada. Está assim desde que soube que eu sou filha da condessa da região. Ele olha para mim e depois para Robert que não saiu do meu lado o tempo todo.

– Você está gravida menina. – sua resposta é alta e clara.

– Como? Não pode ser. – falo levantando-me assustada.

– Tem certeza senhor? – Robert fala, olho para ele e é quase impossível não perceber sua alegria por trás de sua preocupação.

– Certeza absoluta, não. – respiramos aliviados. – Mas é quase. Seus enjoos como me disse tem sido frequentes, além de também como você me disse tudo lhe deixa irritada e tem frequente mudança de humor. Tudo indica que você está no inicio de uma gestação.

– Oh meu deus. – sento de boca aberta. – Estou morta. – começo a chorar.

– Mas como você me disse também que tem tido febre e outros sintomas eu não tenho certeza, mas acho você está em uma gravidez de alto risco, tanto para você quanto para o bebê.

– Ficaremos bem. – Robert me abraça. – Obrigado, acho que já acertei tudo com o senhor não é?

– Sim, boa sorte. – ele fala, faz uma reverencia para mim e aperta a mão de Robert e sai do estabulo.

– Tem ideia do que isso significa?! – falo tremendo. Coloco a mão sobre minha barriga. – Um filho?

– Teremos que adiar nossa fuga. – ele toca onde está minha mão e vejo lagrimas caírem. – Pelo menos até o dia de seu casamento que é daqui a menos de três meses. Até lá você terá um lugar bom para ficar e cuidar de você e do bebê.

– É, é melhor. – falo incerta. A ideia de um bebê dentro de mim é tão assustadora, mas é um filho meu e de Robert, o homem que eu amo e não consigo não ficar feliz também. Robert vê que eu sorri me abraça e me beija.

– Iremos construir a família que sempre sonhamos meu amor. – ele me toma nos braços. – Eu te amo. – Uma chuva começa a cair.

– Eu também te amo tanto. – eu o beijo.

– Um último banho de chuva antes que o nosso filho nasça? – ele sorri e me leva pela mão até o campo.

Ele colocou as mãos sobre minhas costas e eu coloquei as minhas por cima de seus ombros, dançamos sem música, devagar. Deixamos a água nos molhar, beijos molhados e carinhos doces. Sussurros de eu te amo a luz do luar. Corremos até a porta dos fundos rindo sem motivo, alegres por nosso filho e ao mesmo tempo tão preocupados com o que faríamos em seguida.

– Não vai demorar muito para que tenhamos nossa família segura e bem longe daqui. – ele diz.

– Claro que não. – respondo sorrindo. – Assim que pudermos fugiremos e nunca mais voltaremos. – ele balança a cabeça confirmando.

Despedimo-nos com um beijo, ele também beijou minha barriga e sorrimos com a certeza de que seríamos felizes.

Acordei chorosa, as lagrimas saltavam de seus olhos sem pedir permissão. Não pude controlar. Eles não foram felizes. Eles não tiveram a vida que queriam. Toquei em minha barriga e por um momento pude sentir a emoção que Victoria sentiu quando soube que estava gerando um filho de seu grande amor.

Robert. Meus pensamentos voaram até ele. Senti uma repentina pena. Ele teve que suporta a dor de perder a mulher que amava e o filho. Agora eu entendo que ele tenha tentado de tudo para conseguir sobreviver até o dia em que sua amada voltaria. Ele encontrou o segredo da imortalidade por um amor.

Só então percebi que Dante não estava mais em meus braços. Eu precisava ver Robert, precisava demonstrar minha solidariedade e Dante nunca aprovaria, eu teria que fugir. Mas onde ele estaria? Olho para o lado e ainda está lá, o pequeno bilhete.

Leio-o e não consigo chegar a uma conclusão. A única certeza que eu tenho é que não foi Dante que o tinha posto lá.

– Onde será isso? – sussurro. Leio de novo. Sem chance, não consigo imaginar.

– Pronta para o jantar? – pergunta Dona Cho entrando no quarto com uma bandeja.

– Claro. – falo ajeitando o travesseiro nas costas de modo que eu pudesse sentar confortável. Limpo o rosto livrando as provas que eu havia chorado. Ela coloca outro travesseiro sobre meu colo e pousou a bandeja sobre ele.

– Está se sentindo melhor? – ela pergunta.

– Sim, estou muito melhor. O remédio foi a única coisa que ele acertou no diagnostico. – falo tomando a sopa.

– Está boa? – ela aponta para a sopa.

– Uhum. – falo tomando mais um pouco. – Onde está Dante?

– Ou ele saiu ou está na estufa. – ela fala.

– Hmm. – respondo. – Cho você sabe onde os mortos se encontram? – pergunto sem rodeios. Ela ri.

– Que pergunta menina. – como terminei ela recolhe a bandeja. – Não sei. – ela está meio nervosa.

– Mas, você já morreu não foi? – sei que estou sendo indelicada, mas a oportunidade é única.

– Sim, mas não me lembro dessa época de minha vida. – ela encerra o assunto fechando a porta e indo embora. Suspiro, derrotada.

Decido tomar um banho, não por que estou suja ou algo do tipo, é só que a água é minha melhor amiga e me ajuda a pensar. Lavo os cabelos com meu xampu de chocolate e é quase impossível não associa-lo ao Dante.

Ando tão confusa esses dias. Nem parece, mas já faz quase dois meses que eu me mudei e não consigo me desprender de minha antiga vida e imaginar como está meu pai e Anita. Estamos no meio de agosto, meu pai faz aniversario por esses dias e pela primeira vez em 16 anos eu não estarei lá para acorda-lo e dizer parabéns.

Há tantas coisas que eu queria ter dito e agora eles nem lembram que eu existo. E essa sensação de abandono é frustrante, é como se você estivesse totalmente sozinha no vácuo, em um lugar onde ninguém pode ouvi-la por mais que você grite. É solitário e vazio. Eu odeio essa sensação.

Coloco a mão sobre minha barriga novamente, mas o movimento é totalmente involuntário. A vida de Victoria não foi muito fácil, penso, mãe aos 16 anos. Sei como ela morreu, mas tenho a sensação que meu sonho não está completo. Em nenhum momento ela se preocupa com o bebê, ou fala nele. Como uma mãe pode não se importar assim com um filho?

Eu me importaria, eu não morreria se fosse para salvar um pedaço de mim. E no fundo do meu coração eu tenho esperanças de que Victoria Halo pensava da mesma maneira.

Um pensamento me vem à cabeça, totalmente aleatório. Sorrio com a imagem em minha mente, fecho os olhos para visualiza-la melhor.

Vejo um pequeno menino alegre, correndo pelo campo de trigo alto e amarelo, ele é corado e não deve ter mais de dois anos ou menos. Mas ele não está sozinho vejo duas pessoas logo atrás o observando. Ela de vestido simples e azul os cabelos ruivos presos e ele com uma calça marrom clara e uma camisa de mangas compridas azul, ele riem da criança que está correndo atrás de uma borboleta.

Ele é tão lindo. Branco dos olhos muito azuis e os cabelos são ruivinhos, suas mãos são gordinhas e suas sobrancelhas grossas. Sei que sou eu logo atrás, porém me vejo confusa com o rapaz que me acompanha. Para minha surpresa não é Robert.

Forço os olhos a fechar mais na esperança de conseguir vê-lo melhor, porém sem sucesso. A imagem está fora de foco, o que é confuso já que consigo ver todo o resto tão bem. Ele segura minha mão e corremos até a pequena criança a nossa frente. Sei que não é uma imagem projetada por mim nesse momento por que eu não tenho nenhum controle sobre ela.

É uma lembrança de Victoria. Eles chegam até o bebê e cada um pega a mãozinha dele e o levantam no ar, a criança ri. Eles olham para o céu e uma chuva está prestes a cair, ele correm até o pequeno chalé não muito longe dali.

Abro os olhos, a lembrança foi forte demais. Uma pontada na minha cabeça me faz vacilar, dói muito. Perco o equilíbrio e caio, sinto minha cabeça bater em algo duro e frio, porém não dói tanto quanto a dor que já sinto. Perco a consciência.

Tento abrir os olhos devagar, mas a luz é muito forte, coloco as mãos sobre os olhos e sinto uma dor nas mãos, uma pontada aguda. Abro completamente os olhos para ver o que parece entrar em minha pele rasgando. Há uma agulha em minha veia, toco meu rosto e sinto um aparelho em meu nariz também. Sinto uma forte pontada em minha cabeça e quando toco sinto ataduras por toda ela.

Ao meu redor tudo é confuso e muito limpo e claro. Estou em um hospital, disso eu tenho certeza só não sei muito bem o porquê. Alguém abre lentamente a porta.

– Oi. – ela fala baixinho, deve ser a enfermeira, deduzo pelo uniforme e pela bandeja cheia de remédios que ela trás.

– Oi. – respondo com uma voz estranha e rouca. Sinto uma sede louca. – Onde estou? – pergunto.

– No hospital querida. – ela responde checando os aparelhos ao meu redor.

– Sozinha? – falo meio engasgada.

– Seu acompanhante está lá em baixo na lanchonete, e a sua tia foi para casa. – ela confere o soro e anota algo na prancheta. – Também ela não dormiu a noite toda ao seu lado e agora seu primo trocou de turno com ela. E ele é muito bonito. – ela ri.

– A noite toda? – ignoro seu ultimo comentário.

– Sim, você deu entrada ontem de tarde com hemorragia e muitos hematomas na cabeça. Parece que caiu no banheiro. – ela fala me dando um comprimido.

– Para que serve isso? – falo engolindo-o.

– Para dor, sei que deve estar sentindo. – ela sorri e me entrega a água.

– Que horas são? – bebo a água.

– Umas nove da manha. – ela pega o copo de volta, anota mais alguma coisa na prancheta e olha para mim. – Quer alguma coisa?

– Não, obrigada. – respondo e então ela sai.

Apenas o bipe do aparelho ao meu lado quebra o silencio. Tem um livro na cabeceira ao meu lado. O pego e vejo que tem um bilhete dentro.

“Achei que ia gostar de ler quando acordasse. Beijos Cho.”

Ela acertou. Abro o livro de Nicolas Sparks e começo minha releitura de Um amor para recordar. Não leio por muito tempo, não pela dor em minha cabeça, mas sim pelo sono que o remédio deve ter causado. Durmo por que não aguento mais ficar nesse hospital e nem esperar que a porta abra.

– Ei. – alguém sussurra ao meu ouvido. – Ei. – repete, só que agora mais alto. – Ei! – ele finalmente grita.

– Ai! – grito colocando a mão sobre a orelha, acordando assustada.

– Pensei que não fosse acordar nunca. – ele suspira aliviado.

– Você podia ter sido um pouco mais gentil não é? – falo esfregando a orelha que agora zunia.

– Não faz meu tipo. – Dante responde sorrindo, colocando as mãos nos bolsos do casaco.

– Que milagre você de camisa. – falo sentando, ele me ajuda colocando um travesseiro em minhas costas.

– Sem gracinhas Vinny. – ele fala sério. – Você podia ter morrido sabia?

– Uma hora ou outra eu reencarnaria não é? – falo sorrindo, mas ele não sorri.

– Acho que vou chamar o médico, ele me garantiu que você não sofreu lesões, mas pelo que vejo ele estava errado. – ele diz indo embora.

– Não. – grito. – Fica.

– Vou ficar se parar de falar besteira. – ele senta na cadeira ao meu lado.

– Vou parar.

– Tem noção do susto que me deu? – ele diz olhando em meus olhos, sério.

– Hmm, não. – respondo. – Pensei que não se importasse.

– Quer dizer que fez de proposito? – ele acusa.

– Não, claro que não. – me defendo.

– O que houve então? – seu olhar é desconfiado.

– Eu caí. – falo sinceramente. – E pode olhar meus pensamentos o quanto quiser por que eu mesma só lembro-me disso.

– Eu estranhei o quão demorado foi seu banho e subi para ver o que tinha acontecido e encontro você num mar vermelho. – ele fecha os olhos. – Foi horrível, por um momento pensei que tinha partido dessa para melhor.

– Você me encontrou? – falo assustada.

– Sim. A Chozinha me ajudou a colocar uma roupa em você e traze-la em um taxi. – ele diz.

– Você me encontrou nua? – repito vermelha como um tomate. Ele ri.

– Não se preocupe, não acho que quero lembrar-me de você naquele estado.

– Quando vamos poder voltar pra casa? – pergunto mudando de assunto.

– Assim que o médico nos der alta. – ele pega minha mão e examina minha cabeça, suspira. – Quatro pontos na testa. Isso vai deixar uma cicatriz.

– Poderia acontecer com qualquer um.

– Mas aconteceu com você pequena. – ele diz sério. Alguém bate na porta antes que eu me defenda.

– Salva pelo gongo. – murmuro.

– Então como estamos? – um médico alto entra segurando uma prancheta.

– Bem. – respondo.

– Que ótimo. – ele analisa as anotações ao pé de minha cama e sorri para mim. – Então acho que pode ir para casa.

– Maravilha. – sorrio.

Notas finais
Obrigado.