A protegida de Anúbis

14 Sangue do meu sangue


Notas iniciais
Espero que gostem desse capitulo

As palavras de Toth não me deixaram abalada, no fundo eu sabia que teria de abrir mão da minha vida em algum momento, era melhor perde-la para salvar o mundo do que para Apófis.

—Tudo bem eu aceito._Falei em meio a discussão.

Todos me encararam.

—Maya você deve saber que..._Mas não deixei que Horus concluísse.

—Acho que já sou bem grandinha pra decidir por mim mesma Horus, se for pra morrer então que seja para salvar o mundo daquela maldita serpente.

Anúbis me puxou pelo braço em direção ao outro lado do museu.

—Você está louca?!

—Eu não, você é quem parece o louco aqui me puxando do nada._Disse irritada.

—O que você quer provar Maya?

—Não quero provar nada Anúbis, mas se esse é meu destino então eu vou cumpri-lo, tenho tido pesadelos horríveis e tenho certeza que todos são a respeito de Apófis...

—Eu sei._Disse ele olhando para o chão

—Você sabe? Como?

—Sou seu protetor, sempre estou com você em seus sonhos, mas você não percebe porque sou discreto._Suas bochechas coraram.

—Então você estava lá quando chamei por você? Quando gritei seu nome....não foi um sonho, você e eu..._Mas Anúbis me interrompeu irritado.

—Enfim precisamos pensar em como faremos..._Então me irritei e gritei.

—Já chega!

Anúbis me encarou, mas não disse nada, me dando assim a chance de enfim dizer tudo o que estava entalado em minha garganta.

—Estou cansada de encenação seu hipócrita de merda, estou cansada de sempre ouvir a mesma ladainha, você entra nos meus sonhos, me beija e depois faz de conta que tudo não passou da minha mente fértil? Você consegue imaginar como é difícil pra mim? Você não faz ideia de como tenho tentado não desmoronar toda vez que você me trata com desdém..._Eu já começara a gritar e chorar._O pior de tudo é saber que tudo que você faz é só para poder ter sua deusa Bastet de volta, então fique feliz querido deus dos mortos, seu grande amor irá retornar no meu corpo, eu já não tenho mesmo porque estar aqui, não tenho nada e nem ninguém...

Anúbis tentou se aproximar enquanto os outros deuses vinham tentar acalmar a situação.

—Sai de perto de mim!_Gritei._Estou cansada dessas suas cenas de bom moço, o que adianta agora me trata bem e depois me rejeita, para mim já deu, Toth faça o que tem que fazer logo, agora sou eu que não quero mais estar aqui...

—Maya ouça, eu não..._Mas interrompi o deus dos mortos.

—Anúbis basta! O pior já aconteceu...eu...eu já amo você, mas prefiro a morte do que esse sentimento.

Vi seu rosto se entristecer, mas não deixei me levar, enxuguei minhas lagrimas, com o coração despedaçado pedi a Toth para que preparasse o ritual.

—Bom se essa é sua decisão Maya então...

—Sim Toth é minha decisão.

—O ritual terá inicio as dez da noite, peço a todos vocês que fiquem atentos, um ritual de invocação atrairá muita atenção, assim que invocarmos a alma de Bastet, Apófis sentirá e irá nos atacar então fiquem alertas._Disse Toth.

Sekhmet se aproximou e me pediu para acompanha-la para os preparativos do ritual, mas antes que eu saísse da sala, Anúbis se aproximou tentando ter uma ultima conversa, porém dei de ombros e segui com a deusa.

Não conseguia parar de pensar na grande besteira que fiz de abrir meu coração daquela forma, eu estava sob uma pressão tão grande que não conseguia pensar direito. Me deitei na pequena poltrona onde Sekhmet havia preparado para meu descanso e cai num sono profundo. Horas depois acordei deitada numa cama macia com lençóis brancos. Era um enorme quarto real, tudo parecia pertencer a uma rainha ou princesa, notei as paredes feitas dos mesmo material das pirâmides, ao me aproximar da enorme janela vi o rio Nilo e grandes coqueiros. Havia guardas e soldados egípcios caminhando, observando todo o local, o sol estava começando a se por foi então que ouvi uma voz feminina, doce e firme dizer:

—Maya, finalmente nos encontramos,não é mesmo minha querida?!

—Eu conheço você?_Falei cautelosamente.

A mulher de longos cabelos negros, pele bronzeada e olhos verdes como duas grandes esmeraldas sorriu e se sentou a beira da cama fazendo um gesto para que eu a fizesse companhia.

—Acho que sabe quem sou.

—Não tenho certeza..._Respondi confusa.

—Eu sou Isis a deusa da magia, do amor e da maternidade.

—è um prazer conhecê-la._Respondi me curvando fazendo-a sorrir.

—Não precisa disso minha menina, não estou aqui para se reverenciada, vim para conversarmos.

—Conversarmos sobre o que?

—Anúbis._Ela sorriu.

Senti meu coração acelerar.

—Acho melhor não...

—Porque querida, só porque você o ama e não sabe como lidar com esse sentimento não quer dizer que é o fim._Disse a deusa com um sorriso gentil.

Nos aproximamos da sacada do palácio.

—Onde estou? Outro sonho doido?_Perguntei.

—Não é onde você está e sim em que época._Concluiu a deusa._Estamos no ano de 1730 a.c, onde os grandes faraós reinavam sob a terra.

—Mas como? Agora mesmo eu estava no museu com Sekhmet...

—Querida sou uma deusa e a mais poderosa dentre elas, precisa trazê-la a um lugar onde nenhum demônio ou deus pudesse nos ouvir, achei que voltar algumas eras seria uma boa ideia._Disse animada._Bom vamos começar então, quer dizer que a senhorita está apaixonada pelo meu querido Anúbis?

Senti meu rosto corar.

—Acho que não preciso responder isso....minha cara me entrega._Sorri sem graça, fazendo Isis gargalhar.

—Ah minha menina, se você soubesse como ele a ama..._Seu rosto se entristeceu.

—Anúbis?_Perguntei confusa.

—Sim Anúbis, mesmo tendo uma personalidade tão instável e atitudes que possam dizer ao contrario, sim ele a ama e muito.

—Mas não parece..._Falei sentindo um pesar em meu coração.

—Maya eu criei Anúbis como meu filho, quando Néftis precisou manter-se afastada por conta de Seth tela ameaçado, o pobre garoto se tornou o braço direito de meu amado Osíris e isso me fez ama-lo como amo a meu filho Horus. Conheço-o melhor que qualquer pessoa e sei o que ele está sofrendo por ter que afasta-la dele.

Segurei firme em meu amuleto de chacal sentindo meu coração palpitar.

—Eu...eu não entendo Isis, sei que ele é um deus e tem responsabilidades e que esse sentimento é impossível....mas eu só queria que ele fosse honesto consigo, eu amo demais sabia?!_Lágrimas rolaram pelo meu rosto, Isis se aproximou e carinhosamente me abraçou.

—Querida sei bem como se sente, mas saiba que Anúbis jamais faria algo para machuca-la, o dever de um guardião é proteger, não é por Bastet que ele faz o que faz, é por você querida!

—Mas mesmo assim....o que posso fazer?_Falei enxugando as lagrimas.

—Maya, minha menina...está na hora de saber...

Confusa perguntei:

—Saber? Mas o que?

—Maya você é minha filha e irmã de Horus.

Senti meu estomago embrulhar, me levantei tentando assimilar as palavras que Isis pronunciava.

—Você foi um presente dado a mim por Rá. Seu pai era um arquiteto real do faraó, um dia quando Seth assassinou meu amado Osíris e espalhou partes do seu corpo por todo Egito, fui obrigada a me disfarçar para encontra-lo, seu pai gentilmente me ajudou. Por anos procurei todas as partes de Osiris, até que em uma noite seu pai me salvou do ataque de Seth, acabamos nos aproximando e então....bom você já deve saber._Sorriu Isis constrangida.

—Não precisa me dizer mais nada eu já entendi._Falei sem graça._Mas então o que Bastet tem haver com tudo isso? Pensei que fosse a reencarnação dela...

—Não querida, você é apenas o recipiente, Bastet não poderia de forma alguma voltar a vida ou habitar no corpo de um simples mortal, qualquer pessoa morreria tentando controlar o poder, mas uma pessoa com sangue sagrado correndo nas veias poderia se unir a Bastet e derrotar Apófis.

—Então eu sou uma semi-deusa ou algo do tipo?

—Sim e não, quando você nasceu, seu avô Geb resolveu tirar qualquer poder ou genética de deus que podia haver em você, mas ele não poderia mudar o que seu sangue representava, a salvação dos deuses. Quando Bastet morreu, Rá recebeu de Maat uma profecia de que uma mortal com sangue de uma deusa retornaria com Bastet do mundo dos mortos para impedir Apófis de destruir o mundo inteiro, por isso você tem ligação com ela, porque está destinado.

—Mas enquanto Anúbis? Porque sinto algo tão forte por ele?

—Porque Anúbis é quem a protege desde de pequena, ele já amava quando você ainda estava em minha barriga, mas então quando soube da ligação com Bastet ele se afastou, ele não amava querida, Anúbis e a nossa querida deusa eram apenas amigos, Bastet morreria por ele sim, mas porque eram grandes amigos, ele não poderia aceitar que o grande amor da vida dele fosse o recipiente de sua melhor amiga, entende porque pra ele é tão difícil? O fato é que Anúbis não poderia escolher porque Bastet o salvou da morte e ele se sente em divida com ela, mas ama você demais pra mantê-la afastada.

Me sentei no chão catatônica procurando digerir tudo que acabará de ouvir, eu não era uma deusa ou coisa do tipo, mas tinha o sangue sagrado, Anúbis era meu protetor e eu era o recipiente de Bastet.

—Mas se Bastet tomar meu corpo eu morrerei certo?_Perguntei

—Não querida, você apenas ficará adormecida até que Bastet adormeça novamente em seu interior.

Era engraçado, as palavras de Isis me acalmavam mesmo como de uma mãe, poderia ser estranho, mas passei tantos anos tentando descobrir de onde vim e agora estava ali de frente com uma deusa que dizia ser minha mãe.

—Então todos os outros deuses sabem sobre mim?

—Não, claro que não! Apenas Anúbis e Geb sabem que você é minha filha._Disse Isis.

—Então quer dizer que o cabeça de águia é meu irmão?_Dei risada;

—Sim, Horus é seu meio irmão.

—Bom...acho que depois de tudo isso posso dizer que tenho uma família um pouco complicada._Sorri

Isis me abraçou novamente.

—Agora que sabe quem você é de verdade e seu destino, vá e cumpra-o minha menina.

—Vou tentar..._Respondi.

Então retornei ao museu, mas antes de partir Isis me alertou.

—Cuidado com Sekhmet Maya, além de ser perigosa é vingativa, ela poder tentar te destruir, não confie nela.

E desapareceu deixando apenas seu perfume no ar.