A protegida de Anúbis

15 Além das areias do tempo...


Ao retornar ao museu, notei que o tempo não havia se passado, Sekhmet ainda se encontrava repousando em uma poltrona ao lado da minha, Horus e Anúbis ainda conversavam na sala ao lado sobre o ritual enquanto Toth fazia os preparativos.

Recostei minha cabeça na almofada macia tentando entender todos os acontecimentos das ultimas semanas. Finalmente havia encontrado minha mãe “então foi isso que Osíris quis dizer aquele dia quando visitei o mundo dos mortos, que pareço minha mãe” pensei suspirando logo em seguida. Tudo podia ter sido esclarecido, mas eu tinha perguntas e uma delas era o porque Isis havia me abandonado e porque Anúbis nunca me dissera nada sobre tudo isso, mas sabia que no momento precisava focar no que realmente era importante, derrotar Apófis.

Depois de uma longa conversa com Toth sobre as regras do ritual, resolvi ir até o jardim que havia no templo para me preparar e colocar minha cabeça no lugar. Anúbis havia tentado por varias vezes uma conversa, mas eu o evitara, sabia que se me permitisse falar diria mais do que me era permitido.

Diferente dos outros templos no Duat que havia visitado nos últimos dias, o de Toth era simples, porém acolhedor, o jardim não era grande coisa, havia uma macieira e um pequeno lago com algumas margaridas, um pequeno banco para apreciar a paisagem e uma mesa, me fazia lembrar aqueles clubes aquáticos.

Assim que me sentei senti um grande peso em meu coração, “como tudo isso aconteceu?” me perguntei, meus pensamentos foram interrompidos pela presença de Anúbis:

—Posso te fazer companhia?

Ele estava péssimo, rejeita-lo talvez não tivesse sido uma boa ideia afinal Isis havia me dito que Anúbis também estava sofrendo.

—Não sei se é uma boa ideia...

—Maya por favor, você me evitou o dia todo me deixe apenas explicar tudo...

Já tinha resistido tanto aquele olhar, mas precisava ouvir o lado da história de Anúbis, então suspirei e pedi para que ele prosseguisse.

—Tudo o que fiz foi para proteger você, não era minha intenção magoa-la jamais.

—Mas magoou, principalmente por ter escondido de mim que conhecia minha mãe e todo meu passado._Falei irritada.

Anúbis pareceu surpreso com o comentário.

—Vo-você sabe quem é sua mãe?

—Sim, Isis me visitou ontem e me contou tudo, até sobre você...

—O-o que ela disse?_Anúbis parecia extremamente ansioso.

—Disse que você me protegeu desde quando nasci, que ela é minha mãe e que..._Exitei.

—Fala!_Gritou ele, mas percebendo o que havia feito desculpo-se.

—Isis disse que Bastet era sua melhor amiga, que você não a ama._Respondi.

—Tenho certeza que não foi apenas isso que ela te contou...

—Isso não vem ao caso Anúbis.

Ele me encarou.

—Maya o que você sente por mim?

Senti meu coração acelerar e meu rosto corar.

—Para que isso agora?

—Me responde.

—Não quero._Falei baixando a cabeça.

Anúbis suspirou.

—Você é teimosa, mas não posso força-la a dizer, porém suas atitudes dizem muito o que sente...

—O que está querendo dizer? Que eu amo você? Claro que não! Como poderia me apaixonar por alguém que me despreza ou ignora tudo o que digo...eu nem sei porque estou falando com você!_Eu queria sumir dali, sabia que se nossa conversa continuasse falaria mais do que devia e no momento derrotar Apófis era prioridade.

Anúbis se aproximou com um sorriso gentil.

—Você é irritante, teimosa e durona, é isso que me faz ama-la tanto, mas entenda agora não é o momento e nem o lugar Maya, sua mãe confiou você a mim não posso deixar meus sentimentos atrapalhar o seu destino...me perdoe...

Assim que ouvi isso foi impossível me controlar, puxei Anúbis pela gola da jaqueta de couro e o beijei, não sei explicar como é beijar um deus, mas foi maravilhoso e melhor dessa vez ele não poderia dizer que foi apenas um sonho. O deus dos mortos não se afastou ou interrompeu nosso beijo, pelo contrario correspondeu intensamente. Quando terminamos estávamos sem fôlego.

—Você sabe que isso é errado..._Disse Anúbis.

—Você faz parte do meu destino Anúbis, sempre fez._Falei acariciando seus lábios com as pontas dos meus dedos, desejando o beijar um pouco mais.

—Você sabe o porque Isis a deixou?

—Não._Respondi ainda extasiada pela sua beleza.

—Porque Apófis suspeitava que você fosse a fonte de sua destruição, então Isis, sua mãe, pediu a seu pai que levasse você para outro país, longe dos domínios da serpente, assim você cresceria segura para cumprir seu destino, mas Apófis enviou demônios que seguiram seu pai e o assassinaram deixando você a mercê da serpente.

Me afastei um pouco dos braços de Anúbis para digerir as palavras.

—Mas o que Apófis não sabia era que você tinha um guardião, eu. Lutei contra os demônios e a levei para um orfanato, foi nesse momento que a serpente maligna descobriu que eu era seu protetor.

Se já amava-o, agora o amava ainda mais. Anúbis sempre cuidara de mim, me protegendo de Apófis, Seth e seus demônios.

—Nunca....nunca poderia imaginar que você me amasse tanto..._Falei deixando escorrer uma lágrima.

—Você está certa sobre estarmos destinados, mas talvez não da forma que gostaríamos...

Anúbis depositou um beijo em minha testa, notei sua profunda tristeza.

—Sempre vou amar você Maya...independente de quantos séculos se passe._Então se levantou fazendo um gesto para acompanha-lo._Vem...está quase na hora.

Concordei, mas antes o puxei novamente para um ultimo beijo, já que não sabia quando retornaria novamente para meu corpo.

—Eu amo você, é maior que a quantidade de almas no Duat._Falei. A comparação fez Anúbis rir.

—Achei esse comentário mórbido, mas gostei._Disse ele.

Notei que éramos observados, Sekhmet me encarava de longe, quando notou que a vi a deusa retornou para dentro do templo.

—Vamos Anúbis, tenho a sensação de que se não invocarmos logo Bastet algo muito ruim acontecerá.

Anúbis concordou e retornamos rapidamente para o salão principal.