A proposta
2 See you tomorrow
Notas iniciais
Quando as duas passaram pelo corredor, ouvia-se os burburinhos dos funcionários.
“ O quê?” “ A mulher dragão! Lá vem eles.”
August sorri e faz um gesto positivo com a cabeça para a loira. Anna faz um gesto negativo, não aprovando a ideia.
— Loira, é sério? Ela? – Kristin pergunta com deboche.
“ Casar? Nem sabia que eles saiam juntos’’ alguém comenta.
As duas entram na sala. Regina senta em sua cadeira e começa a analisar papeis, tranquilamente, como se nada tivesse ocorrido. Emma fica parada a observando.
Regina olha para Emma, levanta seus óculos de leitura e arqueia a sobrancelha.
— O que? Algum problema, Miss Swan?
— Não sei o que está acontecendo.
— Apenas relaxe, é para o seu bem também.
— Explique.
— Eles iam promover Sidney como editor chefe, Miss Swan.
— Pare! Se vamos nos casar, quero pelo menos ser chamada pelo primeiro nome. – bufa.
— Tudo bem, Emma. – fala lentamente seu nome.
— E vamos nos casar assim? Naturalmente?
— E qual é o problema? Estava se guardando para alguém especial? Ah, já sei. Esperava se casar com um homem? – debocha.
— Isso não é da sua conta! – respira fundo- Regina?
— Oi.
— Eu não vou me casar com você.
— É claro que vai. Se não casar comigo, seu sonho de influenciar a vida de milhões de pessoas com a escrita morre, querida. – sorri. — Sidney vai te demitir assim que eu partir, garantido. Isso significa que estará na rua procurando outro emprego. Isso significa que todo o tempo que passamos juntas foram inúteis e seu sonho de se tornar editora acabou, buum. -ela se levanta, caminha até Emma e invade o espaço pessoal da mesma- Mas não se preocupe, depois do prazo exigido, nos divorciaremos e não terá mais nada comigo. Até lá, goste ou não, você está presa a mim. Certo? – o telefone toca. — Telefone.
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Elas chegam no serviço de imigração e se deparam com uma enorme fila.
— Venha. – Regina vai furando a fila.
— A fila!
—O próximo, por favor. – o funcionário chama.
— Eu só preciso perguntar uma coisa a ele. – a morena se explica. – Preciso que dê a entrada nesse visto de noiva para mim, por favor.
— Miss Mills?
— Sim.
— Por favor, venha comigo.
As “noivas “estavam sozinhas na sala.
— Eu tenho um mau pressentimento. – Emma fala.
— Olá. Sou o Senhor Albert. – um homem de terno entra e se apresenta. — Você deve ser a Emma, e você...
— Regina.
— Regina, bem... Desculpe fazê-las esperar, está uma loucura hoje.
— Claro, nós entendemos. – Regina diz.
O homem começa a ler os papeis informativos.
— Então, eu tenho uma pergunta para vocês. Vocês estão cometendo fraude para evitar que ela seja deportada?
— Que? Não, claro que não. – as duas falam juntas. – Isso é ridículo.
— Onde ouviu isso?
— Recebemos hoje uma ligação de um homem chamado...
— Sidney Glass? – Regina completa.
— Isso.
— Oh, coitado. Ele não passa de um ex-funcionário vingativo, desculpe.
— Tudo bem. – Regina senta na cadeira ao lado de Emma. — Deixe-me explicar o processo que está prestes a começar. O primeiro passo será uma entrevista agendada. Cada uma fica em uma sala e eu faço perguntas triviais, que um casal de verdade sabe uma sobre a outra. Segundo passo: eu me aprofundo. Analiso seus registros telefônicos Falo com seus vizinhos, com os colegas de trabalho. Se suas respostas não coincidirem em todos os pontos. – aponta para Regina. — Você será deportada indefinidamente. E você. – aponta para Emma. — Terá cometido um delito passível de multa de US$ 250.00 e pena de cinco anos em prisão federal. – Emma engole seco. — Então, Emma... Quer dizer algo? – ela balança a cabeça negativamente. — Não? – balança a cabeça afirmativamente. — Sim?
— A verdade é... – Emma começa- Regina e eu somos apenas duas pessoas que não deveriam se apaixonar. – olha para a morena- Mas aconteceu. Não contamos a ninguém no trabalho porque eu ia receber uma importante promoção.
— Promoção? – Regina pergunta incrédula.
— É. Nós achamos que seria totalmente inapropriado eu ser promovida a editora enquanto estávamos tendo um caso...
— Vocês contaram para seus pais sobre esse amor secreto?
— Impossível. Não converso com meus pais a anos, eles se afastaram de mim ao saber a verdade sobre minha orientação sexual. – Regina explica. – Não tenho irmãs nem irmãos.
— E seus pais? – Albert se dirige a Emma.
— Eles estão bem vivinhos. Nós íamos contar a eles neste fim de semana. – Regina fala. — É o aniversário de 90 anos da vovó e a família vai se reunir. Achamos que seria uma boa surpresa.
“O que ela está dizendo?” Emma pensava.
— E onde será a surpresa?
— Na casa dos pais de Emma.
— Aonde fica mesmo?
— Por que só eu falo? É a casa dos seus pais, Emma. – Regina dá um empurrãozinho na loira.
— Sitka.
— Sitka.
— Alasca.
— Alasca? – a morena se surpreende.
— Vão para o Alasca no fim de semana? – Albert pergunta desconfiado.
— É, sim. – as duas respondem.
— Nós vamos para o Alasca. Alasca é onde minha linda... Minha Emma cresceu. – acaricia suas bochechas desastradamente.
— Ótimo. Sei aonde isso vai dar. Vejo vocês segunda-feira às 11h para a entrevista agendada. E é bom que as respostas coincidam em todos os pontos. – marca em um papel e dá para as duas mulheres.
— Obrigado.
— Alô? – Regina falava no telefone.
— Não vejo a hora.
— Não vemos a hora.
— Certo, até.
— Será divertido!
Elas saem do estabelecimento.
— Então, o que vai acontecer é que vamos até lá, fingiremos que somos namoradas, contaremos aos seus pais que estamos noivas. Use as milhas na passagem. Acho que posso levá-la de primeira classe, mas garanta as milhas. Se não for com milhas, não vamos. E, ah, quero refeição vegetariana. Por que não está anotando? – Regina falava enquanto mexia em seu celular e seguia Emma.
— Sinto muito, você não estava naquela sala? – Emma fala estressada.
— O quê? Aquela história de promoção? Genial. Ele caiu direitinho.
— Era sério. É uma multa de US$ 250.00 e 5 anos de cadeia. Isso muda as coisas.
— Promover você a editora? Sem chance.
— Então, estou fora. E você, ferrada. Tchau, Regina. – vira de costas.
— Emma! – a chama. — Está bem, está bem. – dá por vencida. — Vou promovê-la a editora. Ótimo. Eu te promovo a editora e você vai comigo ao Alasca. Certo?
— Certo. E vai publicar meu manuscrito.
— Dez mil cópias, primeira...
— Vinte mil cópias, primeira tiragem. E diremos a minha família sobre o noivado quando e como eu quiser. Agora, peça com gentileza.
— Pedir o quê?
— Peça-me em casamento, Regina.
— Como assim?
— Você ouviu, de joelhos.
Ela tenta falar mas desiste.
— Está bem. – Regina fica de joelhos, no meio da calçada. – Está bom agora?
— Sim.
— Quer casar comigo?
— Não. Seja convincente.
— Emma, a última coisa que eu estaria fazendo ajoelhada do meio da calçada, seria estar te pedindo em casamento. – a loira cora. — Enfim... Querida Emma, você poderia, por gentileza, com unicórnios voando, se casar comigo?
Emma finge pensar.
— Não gostei do sarcasmo, mas sim, eu caso. Vejo você no aeroporto amanhã.
— Emma, espere! Me ajude a levantar!
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