A princesa e o plebeu (FF reescrita)
4 Capítulo 4: O Começo de Algo Maior
Como haviam combinado, Cruyfford chegou em frente ao prédio onde Hyuga estava morando, e os dois seguiram no carro do holandês até o pub. O segurança não pediu identificação, pelo contrário, assim que os viu, soltou um sorriso e cumprimentou Brian com entusiasmo, dizendo algo para Kojiro que ele não conseguiu entender por conta do sotaque carregado.
Ao entrarem, encontraram Antony, o lateral direito titular do Manchester United, que também jogava pela seleção portuguesa. Ele já estava sentado em uma mesa, bebendo um copo de uísque que havia pedido antes da chegada dos dois.
— Sirvam-se à vontade. Hoje é por minha conta. — disse o jogador de cabelos castanhos.
— Estamos em um pub inglês e você pede um escocês? Quer ser expulso? — provocou Brian.
— Que não seja por isso. — Antony revirou os olhos e fez um gesto para o garçom. — Duas pints para vocês. Espero que gostem, as cervejas daqui são as melhores.
— Não gosto muito de beber.
— Por que não disse antes? Teria sugerido outro lugar. — comentou Cruyfford.
— Eu disse que não gosto muito de bebida alcoólica, não que eu não bebo.
— Vai dizer que prefere tomar Coca-Cola?
— Minha bebida favorita.
Antony parou de beber ao ouvir aquilo.
— O quê? — O português olhou para Brian, que segurava o riso, e depois voltou a encarar Kojiro. — Você está brincando?
As cervejas chegaram e os dois recém-chegados tomaram um gole.
Logo algumas garotas se aproximaram da mesa. O grupo conversou um pouco, mas Antony foi o único que deu trela para elas. Ele logo se afastou com uma delas para um canto mais reservado, e as outras, percebendo que não teriam chance com Brian e Kojiro, acabaram indo embora.
— Você tem namorada, não tem? — perguntou Brian.
— Tenho. — Kojiro respondeu sem hesitar, dando o último gole na cerveja antes de deixar o copo sobre a mesa.
— Imaginei. As garotas eram bonitas, mas você não quis nada.
— Ainda estou me acostumando. Principalmente com a língua. Um ambiente com música alta e sotaque forte dificulta entender tudo.
— Para mim, você está indo bem. Quando o técnico te apresentou hoje de manhã, você se saiu bem. Acho que tem tudo para se dar bem aqui. Menos com a comida. A da Itália é melhor.
Os dois riram.
— Mas me diz, Hyuga… por que resolveu sair de lá e vir para cá? Até onde eu sei, você estava bem na Juventus.
Kojiro já esperava aquela pergunta.
— Depois das Olimpíadas, com o meu desempenho, achei que teria minha vaga garantida no time titular. Mas logo percebi que não era bem assim. Não com os jogadores que ainda estão lá. Então cansei de esperar.
Brian o observou por um instante, tomando um gole da cerveja.
— Você acha que eu sou idiota, não acha?
— Eu não disse nada.
— Mas pensou.
— Olha, Hyuga… A Premier League não é só mais rápida e física. Aqui, se você não se destacar logo, ninguém vai te dar tempo pra se adaptar. O United não tem espaço pra dúvida. Se você não estiver pronto, outro estará.
Kojiro desviou o olhar para o fundo do copo. Ele sabia que Brian estava certo, mas não queria admitir.
— Já assustando ele? — Antony voltou para a mesa, os lábios manchados de batom.
— Só dando as boas-vindas. — Brian pegou um guardanapo e o entregou ao amigo, que logo entendeu o recado.
— Acredite, Hyuga, sei como é. Já estive desse lado. Sei como é estar em um novo país, sem conhecer ninguém, jogando em uma outra liga. Se precisar de algo, pode contar comigo.
— Agradeço. Não esperava tanta hospitalidade.
Os três permaneceram no pub até tarde. Brian e Kojiro beberam pouco. Assim que Antony foi embora com a garota que conheceu, os dois decidiram ir também.
Cruyfford estacionou em frente ao prédio de Hyuga.
— Então, até segunda. Você tem meu telefone. Se precisar de alguma coisa, me liga. Se quiser uma indicação de um lugar para levar sua namorada quando ela vier a Manchester, pode me falar.
— Pode deixar, Cruyfford. E, por falar nisso… Você também não deu atenção a nenhuma mulher que chegou até nós. Então você também tem alguém?
Brian hesitou por um momento, como se calculasse as palavras antes de falar.
— Bem… — Ele respirou fundo. — Não exatamente. Não estou saindo com ninguém no momento.
— Mas está interessado.
Brian desviou o olhar, segurando um sorriso.
— Digamos que tenho um motivo pessoal para gostar de Manchester.]
Kojiro arqueou uma sobrancelha, mas não pressionou. Já havia percebido que Brian era do tipo que não entregava seus pensamentos tão facilmente.
— Certo… Então até segunda.
O holandês esperou Kojiro entrar no prédio antes de finalmente acelerar.
Assim que pisou no apartamento ainda meio vazio, Kojiro se jogou no sofá e rolou a tela do celular até ver uma mensagem de Maki, além de uma ligação perdida. Ele ficou encarando o nome dela por alguns segundos, os dedos pairando sobre a tela. Suspirou, bloqueou o celular e o jogou no sofá. Ele sabia que precisava responder, mas… não hoje.
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O sábado amanheceu bem mais quente, Brian acordou bem-disposto. Fritou seus ovos preparou e um copo de suco. Abriu as cortinas da sala, deixando a luz do sol entrar e revelando a vista para o lago nos fundos de sua casa.
Estava esperando por aquele dia desde que recebeu aquela ligação.
Seguiu sua rotina matinal: academia, uma chamada rápida para seus pais, que estavam de férias na Romênia, e um almoço tranquilo. No meio da tarde, descansou um pouco.
Quando a hora do jantar se aproximou, pegou as chaves do carro e saiu. Passou na floricultura para buscar o buquê de flores que havia encomendado, junto com um vinho para a ocasião.
Quando chegou em frente do luxuoso prédio, sentiu o coração bater mais rápido.Ele iria com calma, sabia o que Emma havia passado e teria toda a calma que ela precisasse.
...
Como sua mãe havia pedido, Emma escolheu algo simples, mas elegante. Optou por uma camisa branca de algodão, calça social preta e um scarpin discreto. Se olhou no espelho, avaliando o look. Talvez estivesse formal demais. Tirou o colete preto que usava por cima da camisa e resolveu pegar brincos de pérola e algumas pulseiras finas. Na maquiagem, manteve tudo o mais natural possível.
Quando chegou à sala, encontrou Ryan já arrumado, largado no sofá com o celular nas mãos. Jane, a governanta, organizava os últimos detalhes do jantar com uma das empregadas.
Foi quando Elena entrou na sala e, sem dizer nada, arrancou o celular das mãos de Ryan.
— Já falei que não quero te ver com isso antes do jantar!
— Você já falou, mas eu não concordei. — Ryan retrucou.
Emma preferiu não se envolver.
A campainha tocou, mas, no meio da discussão, pareceu que apenas ela percebeu.
Deu um último olhar no espelho, ajeitou o cabelo e foi atender.
— Oi.
Os olhos azuis de Brian brilharam quando viu Emma pela primeira vez.
— Oi. – Emma não disse nada por um momento. – Então você é o convidado da noite?
— Espero não ter chegado cedo demais. Soube que você tinha voltado hoje e achei que seria uma boa oportunidade para te ver.
Então ele sabia.
Antes que Emma pudesse reagir, Elena surgiu ao lado dela.
— Boa noite Cruyfford. Estávamos te esperando.
Emma olhou para mãe, depois olhou Brian e depois voltou a olhar para a sua mãe. Então ele era o convidado importante. Precisava de informações.
— Boa noite, senhora Larson. Espero não ter chegado muito cedo. Trouxe esse vinho.
— Muito gentil da sua parte. — Elena pegou a garrafa das mãos dele. — Entre, por favor.
Emma deu espaço para que Brian entrasse. Ele fez isso com naturalidade, mas antes de seguir para a sala, virou-se para ela.
— Isso é para você.
Foi então que Emma percebeu o buquê em suas mãos.
— Nossa... Como você sabia que peônias são as minhas favoritas? — Ela aproximou o buquê do rosto para sentir o perfume.
— Que bom que você voltou! — A voz de Brian saiu mais baixa, mas carregada de um sentimento genuíno.
Antes que pensasse demais, ela o puxou para um abraço. Por um momento, Brian fechou os olhos, aproveitando para sentir o seu perfume.
O Jantar ocorreu com tranquilidade. Elena ficou falando as coisas banais que aconteciam em seu cotidiano, enquanto Ryan interrompia a todo hora a conversava, sempre se dirigindo a Cruyfford e a irmã.
— Então, Cruyfford, é verdade que Kojiro Hyuga está vindo para o United?
Emma mudou de expressão ao ouvir aquele nome. Ele parecia familiar.
— Mas que certo. Até apareceu em Carinton para assinar com o United e hoje foi apresentado ao time. – acabou expondo a informação depois de muita pressão do jovem.
Hyuga
Foi então que ela se lembrou do homem bonito que encontrou de manhã. Se sua memória não falhasse, seu nome era Kojiro.
— E quando é a estreia dele?
— Isso eu não sei. Mas pelo que ouvi, ele já começa a treinar na semana que vem.
Depois do jantar, todos seguiram para a sala de estar.
Pouco tempo depois, Elena mandou Ryan para o quarto, mesmo com as reclamações do garoto, e logo ela mesma se retirou. Emma e Brian ficaram sozinhos.
Ele apoiou o corpo no sofá, observando-a.
– Vai ficar aqui até quando? – Brian perguntou olhando para Emma, que estava sentada de frente a ele no sofá. Ele sabia que deveria estar com cara de bobo.
— Bem...Eu não sei ao certo. Depende do que meu pai quer que faça aqui.
— E a faculdade? Pediu transferência.
— Não. Pausei o semestre. Vou aproveitar o tempo e focar no meu TCC.
Brian assentiu, mas antes que pudesse dizer algo, Emma inclinou a cabeça levemente para o lado.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— Foi minha mãe quem te contou que eu voltaria para Manchester?
Brian segurou o olhar dela.
— Não.
— Não? — Emma ergueu as sobrancelhas e ficou pensativa, mas Brian voltou a negar. – Você soube por alguém, Brian. Eu só espero que eu não seja o motivo para você ter vindo para cá. Não que eu me ache tão importante assim.
Brian riu.
— Eu já estou aqui há um ano, Emma.
— Sim, mas também soube que, quando assinou com o United, quis desistir e voltar atrás.
Ele soltou um suspiro.
— Contratos não podem ser quebrados assim tão facilmente. Mas, se quer saber, estou feliz que você esteja aqui.
Os olhos de Brian continuavam doces para ela. Brian era bonito, interessante e parecia que ainda gostava dela.
— Eu tenho algumas dúvidas, Brian.
— Eu não estou mentindo para você.
— Não estou falando mais sobre o contrato.
Brian franziu a teste.
— Você sabe o que aconteceu comigo, não é?
Por um instante, houve silêncio.
Brian desviou o olhar por um segundo, como se escolhesse as palavras com cuidado.
— Sim.
— Há quanto tempo?
— Desde a última vez que nos vimos. Faz o quê? Quatro anos?
— Por aí.
— Eu tentei te encontrar depois que você sumiu. Não foi difícil achar informações.
— O que exatamente você soube?
Brian respirou fundo, buscando na memória.
— Que há quatro anos atras tentaram te colocar como culpada pela morte de um cara.
— Você viu os vídeos que ele fez de mim?
— Não, mas sei que eles ainda existem, mesmo que seu pai tenha feito de tudo para sumir com eles.
— Então você acredita que eu não tive culpa?
— Da morte dele, não. – Brian não hesitou em responder.
— Mas você acha que fui responsável pelo que aconteceu.
Ele não respondeu de imediato.
— Acho que você foi vítima de muitas coisas.
Ela engoliu em seco.
— Eu sei que eu também provoquei aquela situação.
Brian se inclinou para mais perto, pegando sua mão.
— Emma, escuta. Não importa o que aconteceu... O que ele fez com você... Você não merecia nada daquilo. 17 anos não é exatamente uma idade que se deve exigir maturidade.
Ela o encarou aqueles olhos azuis. Havia algo de reconfortante em ouvir isso dele. Então, Brian sorriu de leve.
Porque ela nunca o deu uma chance?
— Lembra quando eu morei em Amsterdã? – Emma perguntou.
— Os dois anos mais felizes da sua vida.
Emma revirou os olhos e soltou uma risada baixa.
— Ainda me pergunto por que fui tão lento. – Brian completou.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Porque logo eu namorei seu melhor amigo. Depois o goleiro do time, depois o meu vizinho, depois rapaz do meu colégio...
— Eu lembro, Emma. – Ele ainda não gostava de lembrar daquilo.
— As pessoas falaram que eu passava de mão em mão, porque eu estava sempre com um cara diferente.
Emma fingia levar isso com bom humor, mas Brian a observou por um instante, viu que escondia um certo arrependimento.
— Você sabe que eu nunca te vi assim, não sabe?
Emma balançou a cabeça em sinal de positivo e a apoiou no ombro dele.
Brian a abraçou, acolhendo-a.
— Claro que eu sei, Brian. Mas isso não significa que o resto do mundo via.
Brian apertou os lábios, como se quisesse dizer algo, mas parasse antes.
O silêncio entre eles ficou pesado, mas não desconfortável. Brian queria falar mais, queria perguntar mais, mas sabia que existia um limite.
Continua...
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