A princesa e o plebeu (FF reescrita)
5 Capitulo 5: Reencontro inesperado
Capitulo 5: Reencontro inesperado
Emma havia acordado bem cedo. Colocou uma camisa de branca de seda, uma calça de alfaiataria um scarpin preto de salto alto e um blazer para completar. Ela e a mãe foram para o escritório jurídico do Manchester United que ficava em Carrington e que Elena comandava com um time de advogados.
Já fazia horas que estava na sala e olhava para o relógio da sala pela enésima vez. Já́ era quase meio dia e a única coisa que fez até́ o momento foi ficar sentada à mesa, de frente para a mãe, vendo-a trabalhar. Se não bastasse o final de semana que Elena quase não lhe dirigiu a palavra, agora Emma estava se sentindo uma palhaça diante daquela situação. Sua irritação já estava grande, mas tentava se acalmar respirando fundo.
— Você̂ está me irritando. – falou Elena sem tirar dos olhos do computador.
— Se a minha respiração te incomoda, era melhor eu ter ficado em casa. – Emma respondeu. – Meu pai tem razão. O seu trabalho é fácil.
Aquele comentário atravessado, Emma conseguiu fazer a mãe olhar para ela mesmo que com raiva.
— Se seu pai não tivesse vindo da família que ele veio, jamais chegaria onde chegou.
Emma apertou os lábios.
— Porque você̂ não estuda um pouco? – Elena abriu a última gaveta e retirou o livro bem robusto de códigos penais.
- Se eu soubesse que ia ter todo esse tempo livre, teria trazido meu computador para adiantar as pesquisas do TCC.
— Ótimo. Na próxima vez você̂ trás. Pelo menos você̂ vai está fazendo algo útil.
A secretaria entrou na sala e avisou que Bartholomeu Grant estava na linha querendo falar com Elena.
— Meu pai?
Emma pegou o telefone antes da mãe e foi direta:
— Você precisa me ajudar.
— Emma? O que você está fazendo aí? — a voz do pai soou surpresa.
— Estou em Carrington. Pai, por favor, me manda de volta para casa. Eu não quero ficar aqui.
Ela ouviu o arfar do pai do outro lado da linha. Elena olhava para ela com raiva, mas resolveu ignorar como ela mesma foi ignorada a manhã̃ inteira.
— Passa para a sua mãe, por favor, minha querida.
— Mas pai...
— Passa agora! — O tom da voz dele era severo e Emma fez como pedido.
Elena pegou o telefone e pôs no ouvido. Uma veia de irritação saltava na sua testa. Bart falava alto a ponto de Emma escutar.
— Fala baixo que a sua filha está do meu lado. — Ela abaixou por um momento o aparelho e falou com Emma: – Vai almoçar!
— Onde?
Ela não respondeu.
Emma pegou sua bolsa e saiu batendo a porta, mas não forte o suficiente para expressar a raiva que sentia.
A secretária chegou a pular de susto.
Ela pediu desculpas a mulher que voltou ao trabalho.
Sem saber exatamente para onde ir, pegou o celular. Poderia ligar para Ryan, mas não, isso só pioraria as coisas para ele com a mãe. Tentou pensar em algo melhor e foi então que ouviu um apito ao longe. Seu olhar seguiu o som, e logo se lembrou de Brian. O treino. Pelo menos seria uma forma de passar o tempo
— Sabe me dizer se o time principal está jogando? – perguntou a secretaria.
A secretaria apontou para a grande janela.
Emma chegou perto do vidro e observou os jogadores no campo. Guardou o celular na bolsa e foi em direção do treino.
--
A segunda-feira começou já com treinamento forte no Manchester United. Faltavam menos de duas semanas para a estreia do campeonato e Kojiro fez seu primeiro treino na equipe. O treinador o testou em algumas posições além de centro avante, mas ele se destacou mesmo no ataque, principalmente com Brian, como um meio campo mais ofensivo. Aparentemente o treinador português gostou do que viu.
Os rapazes se reuniram para ouvir algumas considerações do treinado Jorge Almeida e logo foram dispensados.
— E lá vai ele. – disse Antony apontando para Brian que já estava longe deles, conversando com uma linda garota. Que estranhamente ele a reconheceu.
Emma olhava para Brian daquele jeito que só́ ela sabia.
— Eu não estava esperando você̂ aqui, mas que bom te ver e... – a olhou da cabeça aos pés. – Você̂ está diferente. Não lembro de já́ te ver assim alguma vez.
— E isso significa...
Aguardava ele continuar.
— Significa que está maravilhosa.
Emma sorriu com orgulho.
Kojiro observou o Cruyfford conversando com a garota e foi em direção a eles, mas parou quando a viu sorrir para o holandês. Ele hesitou por um instante. A intimidade entre os dois era evidente – a forma como Brian segurava a cintura dela, como ela retribuía o toque sem hesitação. Talvez fosse melhor manter distância.
Foi então que Emma olhou para ele. Kojiro não percebeu que prendeu a respiração, pois parecia que a garota tomava conta de tudo em volta. Ele a viu acenar e sorrir para o japonês.
Brian seguiu o olhar de Emma e viu Hyuga não muito distante deles.
— Vem! – Brian pegou sua mão e a levou até́ o japonês. – Quero te apresentar algumas pessoas.
— Antony! Hyuga! Essa é a Emma. – disse Brian aos dois.
— Que linda. – disse Antony pegando a mão de Emma e a beijando como se ele fosse um cavalheiro. – Está explicado Brian.
— Está explicado o que? – Perguntou Emma.
Por que o nosso amigo Cruyfford vive distraído ultimamente."
Brian revirou os olhos, mas não negou.
— Fico feliz em finalmente te conhecer, Emma.
— Também é bom o conhecer o artilheiro do time, Antony.
— E esse é Kojiro Hyuga.
— Bom revelo. – Emma esticou uma das mãos para um cumprimento. Kojiro pegou, aceitando o cumprimento.
Brian analisou a situação com um olhar de dúvida.
— Já́ se conheciam?
— Ela me salvou quando o GPS do meu carro deu problema quando eu cheguei na cidade. E digo mesmo: é muito bom revela.
— Digo o mesmo.
Kojiro não havia esquecido o quanto ela era bonita. Mas agora, vendo-a ali, em plena luz do dia, percebeu detalhes que antes não tinha notado: o jeito que o vento bagunçava levemente seu cabelo, a expressão curiosa nos olhos dela. Só percebeu que estava encarando quando Emma sorriu para ele.
— Então Emma. Você̂ disse que queria sair para almoçar. – Brian a segurou pela cintura, ficando ao seu lado. Emma pôs sua mão em cima da dele. – Você vem com a gente?
— Eu passo, dessa vez. – disse Antony e foi embora.
— E você Hyuga, vem conosco?
— Acho melhor não. Não quero atrapalhar a conversa de vocês dois.
Os olhos de Kojiro ficaram vidrados na proximidade daqueles dois.
— Não seja tímido, Hyuga. Não parece ser seu tipo.
— Deixa para a próxima, Cruyfford.
— Mas porquê? – Emma fez sua carinha de gatinha pidona. – Você̂ não conhece nada daqui. Vai ser um ótimo jeito de começar. Diz para ele que eu sou legal, Brian.
Ela agarrou o holandês ainda mais e olhou para ele com os olhos suplicantes.
— Você̂ é maravilha, mas se ele não quer ir... – Brian respirou fundo, apaixonado por aqueles rostos. – Emma passou muito tempo fora. Nesse tempo que estou aqui, já́ sei mais do funcionamento da cidade do que ela.
Emma sorriu para o amigo.
— Ouviu? Você̂ precisa vir conosco.
Brian manteve o sorriso, mas algo na forma como Emma insistia fez com que ele desviasse o olhar por um segundo. Talvez fosse apenas o jeito dela, sempre determinada a conseguir o que queria. Ele balançou a cabeça levemente e riu. Hyuga não tinha muita escolha.
Kojiro percebeu que não tinha saída. Se continuasse resistindo, só faria Emma insistir ainda mais. E pelo jeito que ela o encarava, ele não venceria essa disputa.
Eles tinham menos de duas horas para voltarem ao treinamento. Brian os levou a um restaurante peruano nos arredores de Carrington.
O garçom trouxe os cardápios, e Brian fez seu pedido primeiro.
— Eu vou querer um ceviche e uma limonada.
Emma analisava o cardápio com curiosidade.
— Acho que vou querer um Picante de Cuy e uma limonada também.
Brian ergueu os olhos na mesma hora.
— Sério?
Emma ergueu as sobrancelhas.
— O que foi?
— Você acabou de pedir porquinho-da-índia frito.
Kojiro, que estava distraído com o cardápio, parou e encarou Emma.
— Espera... o quê?
Ela cruzou os braços.
— Vocês dois são tão dramáticos. Isso é um prato tradicional do Peru!
— No Japão, porquinho-da-índia é bicho de estimação. — Kojiro fez uma careta.
— Aqui também. — Brian completou.
Emma revirou os olhos, balançando a cabeça.
— Ah, por favor. É a cadeia alimentar. Vocês dois são tão sensíveis. – Ela voltou a olhar o cardápio e suspirou, rendida. – Vou troca pelo Pollo a la brasa. Mas saibam que perderam a chance de experimentar algo realmente exótico.
Brian sorriu satisfeito.
— Vamos sobreviver a essa perda.
Kojiro, que ainda tentava entender metade do cardápio em espanhol, olhou de relance para Brian e decidiu seguir o caminho seguro.
— Acho que vou pedir a mesma coisa que você, Cruyfford.
Brian riu e Emma soltou um suspiro exasperado.
Os pratos chegaram rápido e o jovem garçom, que ao colocar o prado de Emma, sorriu para ela e deixou Brian enfurecido. Os três degustavam suas comidas enquanto conversavam sobre as suas impressões da cidade. Não demorou muito para acabarem e a sobremesa chegar.
O garçom serviu o brownie com sorvete para cada mim e ficou olhando para Emma.
— Há algo errado? – Emma perguntou ao jovem de cabelos cacheados, quebrando imediatamente o devaneio do rapaz.
— N-Não, não. É só́ que... você̂ é a Emma Grant? A duquesa? – os olhos do rapaz chegavam a brilhar.
Emma que antes estava um pouco tensa, suspirou aliviada.
— Bem... Esse é o meu nome, mas duquesa...hum, não. Meu pai que é o duque.
Duquesa? pensou Hyuga.
— Desculpe pelo inconveniente, senhorita.
Brian girou o copo entre os dedos, sem encarar ninguém.
— Acho que ele estava mais interessado em você do que no pedido. – disse depois que o rapaz saiu. – Ele estava te olhando demais desde que chegamos.
— Eu não notei. – Emma rebateu com bastante deboche.
— Eu acho que todos nós já́ percebemos o quanto você bonita. Não concorda, Kojiro?
O japonês ficou sem saber o que falar.
Emma lançou um olhar fulminante para Brian, reprovando aquele comportamento.
— Não sei o motivo dessa atitude vinda do Brian Cruyfford, a contratação mais cara da Premier League. — Ela inclinou levemente a cabeça, o observando com um sorriso que não chegava aos olhos.
Brian sustentou o olhar dela e sorriu de canto.
— Você está inteirada sobre o assunto.
— Tenho que estar. É meu time desde que nasci.
Brian arqueou uma sobrancelha, surpreso e intrigado. Kojiro, por sua vez, apenas observava a troca entre os dois.
Emma desviou o olhar de Brian e pousou os olhos em Kojiro.
— E você, Hyuga? Por que veio para o Manchester United?
Kojiro respirou fundo, pronto para responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa...
— Filho da puta! — Emma disparou, sua voz cortando o ambiente e fazendo Brian se engasgar com o suco. Kojiro ergueu as sobrancelhas, surpreso, e algumas mesas próximas se viraram em sua direção.
— Desculpa, Kojiro, não foi com você. Foi por conta do idiota do meu irmão que deveria estar em casa de castigo.
Os dois rapazes seguiram o olhar dela e viram o adolescente andando de skate, atravessando a rua sem se importar com nada.
— Então acho melhor você ir atrás dele e não perde ele de vista. — falou Brian.
Emma saiu do restaurante e avistou Ryan não muito longe. Ele parou na esquina por conta do sinal que estava fechado para pedestres e não atravessou a rua. Emma conseguiu alcança-lo e o puxou pela orelha.
— O que você̂ pensa que está fazendo?
Ryan levou um susto e quase perdeu o equilíbrio no skate.
— Emma?! O que diabos você tá fazendo aqui?
— Não me responde com outra pergunta. Você̂ está de castigo, garoto.
— Eu estou cansado de ficar em casa e estou indo andar de skate com uns amigos.
— Estava. Você̂ vem comigo. – Agarrou a orelha do irmão, puxando-a.
— Para onde você̂ está me levando?
Emma entrou com Ryan no restaurante e todos que estavam lá́ dentro ficaram olhando.
— Senta. – Ordenou e Ryan se sentou.
Ryan percebeu com quem estava sentado à mesa.
— Espera aí... Você tá almoçando com eles?! — Ryan alternou o olhar entre a irmã e os jogadores, parecendo genuinamente indignado. — — Ah, não... Me diz que você não me arrastou pra isso!
A garota pegou o menu e acertou na cabeça de Ryan, que resmungou algo ininteligível enquanto os dois jogadores riam.
Os três decidiram não demorar muito mais. Emma colocou Ryan em um taxi e o ameaçou falando que se, ela ligasse para casa e ele não estivesse lá́, contaria para a mãe deles.
— Isso é abuso de poder! — Ryan reclamou, cruzando os braços.
— Isso é ser sua irmã mais velha. Agora entra no táxi.
Muito a contragosto, Ryan aceitou, mas ainda lançou um último olhar de puro drama para Emma antes de entrar no carro.
Brian e Kojiro voltaram para terminar o treino do dia e Emma tinha que voltar para o escritório.
Emma voltou para o escritório e via a mãe sentada no mesmo lugar, trabalhando. O dia estava sendo inútil, e tudo que queria era fazer algo que não envolvesse apenas assistir Elena trabalhar.
— Demorou muito. — disse Elena, sem tirar os olhos do computador.
— Estava almoçando com Brian e um colega. Você já almoçou? Posso buscar alguma coisa para você.
— Que colega? – Elena ignorou a pergunta anterior.
— Kojiro Hyuga.
Elena ergueu os olhos rapidamente, mas sua expressão se manteve neutra.
— E desde quando você conhece o jogador novo?
— Brian nos convidou para almoçar.
Dessa vez, sua mãe segurou o olhar por um segundo a mais, antes de soltar um suspiro discreto e voltar a digitar. Emma franziu a testa. Elena não parecia brava, mas havia algo na maneira como reagiu... como se estivesse avaliando a informação.
Ela se sentou no seu lugar, decidida a tentar fazer algo útil.
— Tem alguma coisa que eu possa ajudar?
Elena finalmente parou de digitar.
— Você pode ir para casa.
Emma piscou, achando que tinha entendido errado.
— Como?
— Você está liberada. — Elena ajeitou alguns papéis sobre a mesa. — Conversei com o seu pai e achamos melhor que você venha aqui só duas vezes por semana.
Definitivamente não era a resposta que esperava.
— Você está brincando?
Elena fechou o rosto.
— Eu tenho cara de quem brinca?
O silêncio pesou por um momento. Emma respirou fundo, tentando manter a calma.
— Mas por quê?
A mãe apertou os lábios.
— Minhas estagiárias estão voltando de férias e precisei reorganizar os horários.
Havia algo a mais. Elena desviou o olhar rápido demais, mexeu nos papéis com um pouco mais de força do que o necessário. Emma conhecia esses sinais.
— Posso vir aqui ajudar. Eu estou quase me formando.
— Não é uma boa ideia.
A resposta veio rápida, quase cortante.
— Por quê? — Emma cruzou os braços.
— Porque não, Emma.
A impaciência na voz da mãe foi o suficiente para fazê-la perder a paciência também.
— Então por que me trouxe para cá, afinal? Para me fazer perder tempo?
— Vai para casa. — Elena disse, agora num tom de ordem.
Emma sentiu o sangue ferver. Se levantou rápido demais, fazendo a cadeira arrastar no chão com força. Saiu sem olhar para trás.
O que estava acontecendo ali? E por que a sensação de que estava no lugar errado não parava de crescer?
Quando chegou à portaria, a raiva ainda fervia dentro dela. Pegou o celular para pedir um carro de aplicativo, mas hesitou ao notar a tela bloqueada.
Seu coração quase saiu pela garganta quando alguém buzinou atrás dela. Olhou para ver quem era o infeliz e era Kojiro Hyuga.
Kojiro Hyuga?
— Já́ vai? – ela perguntou assim que Kojiro parou o carro ao lado de Emma.
— Preciso assinar alguns papeis do visto no consulado. E você̂ também já́ está indo?
— Sim. Estou esperando um carro para me levar para casa. – Mostrou o aplicativo.
Hyuga destravou as portas do automóvel.
— Entra aí. Eu te levo.
— Não precisa. Logo meu carro chega.
Ele estalou a língua.
— Para com isso. Você̂ já́ me ajudou, agora deixa eu retribuir.
Emma não podia negar, gostava do jeito badboy do japonês. Ela cancelou a corrida e entrou no carro de Kojiro.
A viagem foi “divertida” se assim poderia dizer. Kojiro estava se acostumando em dirigir com na mão inglesa e em vários momentos Emma precisou quase que segurar o volante para não baterem em nenhum carro.
— Mas eu sempre achei que no Japão também fosse mão inglesa.
— E é, mas eu só́ fui aprender a dirigir na Itália.
Depois de 10 minutos eles chegaram em frente ao prédio de Emma.
— Você̂ tem certeza que não quer que eu te acompanhe até́ o consulado? – Emma estava apreensiva com o que poderia acontecer quando Kojiro estivesse sem ninguém para guia-lo.
Ele deu um meio sorriso charmoso.
— Não. Pode ficar tranquila. Acredito que com um pouco de pratica eu me acostume.
— Desculpe se eu te assustei em algumas horas. Só́ fica com a atenção redobrada na estrada, está bem?
— Sem problema, princesa.
Emma sorriu.
— Mesmo assim você̂ foi muito bem. – Ela deu um beijo no seu rosto e sorriu de forma sapeca, saindo do veículo. – Vou indo. Espero que você̂ consiga resolver tudo que precisa no consulado.
— É, boa tarde.
Os dois ficaram se olhando por um tempo em silêncio. Emma sorriu, balançando a cabeça e se virou para sair.
Kojiro observou enquanto ela caminhava até a entrada do prédio, sentindo uma inquietação estranha no peito. Antes que pudesse pensar duas vezes, saiu do carro.
— Esqueci de te dar meu número — disse, tentando soar despreocupado.
Emma arqueou uma sobrancelha, mas pegou o papel que ele lhe entregou.
— Nossa... Achei que nunca ia pedir meu contato — ela brincou, pegando o papel. Antes de entrar no prédio, inclinou-se e depositou um beijo rápido no rosto dele.
Kojiro ficou parado por um momento, observando-a desaparecer pela porta antes de finalmente voltar para o carro.
—-
Já́ de noite, na nova casa de Kojiro Hyuga. Ele acabava de entrar depois de ter ido ao supermercado para encher a despensa e conversava pelo celular como o seu amigo Ken Wakashimazu.
— Ela é tão gata assim? — perguntou Ken.
— Ela é ainda mais do que a sua cabecinha pervertida possa pensar. – afirmou Kojiro, suspirando ao lembrar-se dela. – Eu me senti diferente ao lado dela.
Do outro lado da linha, Ken começou a ri, constrangendo o amigo.
— Do que você̂ está achando tanta graça? – Kojiro o reprimiu.
Ken já́ havia notado uma coisa que Kojiro custava a ver.
— Capitão... você só falou dessa menina até agora.
— Para de besteira. Eu acabei de conhecê-la.
— É, e já esqueceu que tem namorada.
Kojiro parou de girar a tampa da garrafa d’água.
— O quê? _
— Capitão, eu te liguei para perguntar como foi seu primeiro treinamento no clube e você̂ só́ falou dela.
– Esquece isso. Nem sei por que te conto essas coisas. Vamos mudar de assunto. Como anda as coisas aí em Portugal?
— Anda bem. Já́ me acostumei com o lugar e o português está fluindo aos poucos. Daqui a pouco estou indo para aí. Vou passar com a May assim que terminar a pré temporada aqui na Irlanda.
— Cuidado que ela pode não deixar você̂ voltar. – brincou, mas com um pouco de verdade.
Ken gargalhou do outro lado da linha.
— É o jeitinho dela.
— Porque vocês não passam uns dias aqui, em Manchester.
— Pode ser. Vou falar com ela. May disse que tinha uma surpresa.
— Eu espero que não seja um filho.
Kojiro ouviu do outro lado da linha o amigo berrar. Ele riu.
Ele continuou falando enquanto Kojiro ouvia também os recados da secretaria eletrônica. Mas um deles o pegou de surpresa.
"Meu amor... Aqui é a Maki. Só́ passei para te avisar que estou chegando na Inglaterra no próximo mês. Estou sentindo sua falta"
A voz de Maki soou na secretária eletrônica, doce e animada, enquanto Kojiro congelava no meio da sala.
— Hyuga, você̂ ainda está́ aí? — perguntou Ken, bravo, por perceber que Kojiro não estava o escutando.
— Estou sim, desculpa. Olha, eu vou ter que desligar. Eu preciso me dar uma surra.
— Cara, o que aconteceu? – perguntou Ken curioso do outro lado da linha.
— É a Maki. Eu me esqueci dela!
Hyuga se sentia tão mal e inconformado naquela hora que não conseguia mais falar ao telefone com Wakashimazu. Ele desligou o telefone e se largou no sofá, os olhos presos no teto. Respirou fundo, tentando se convencer de que estava apenas cansado, sobrecarregado. Mas a verdade bateu forte.
Ele não pensava em Maki desde que chegou.
E isso era um problema.
Continua...
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