A princesa e o plebeu (FF reescrita)

3 Capítulo 3: O passado que ainda ressoa


— Entra logo. — Sua voz saiu num sussurro ansioso. — Não tem ninguém em casa.

O apartamento estava silencioso. Emma puxou Jay pela mão e fechou a porta atrás de si. Jay apenas a puxou com força pela cintura e colou seus lábios aos dela. O beijo foi voraz, os dedos ágeis abrindo os botões da blusa.

— Espera... — Emma riu contra os lábios dele. — Vamos para o meu quarto.

— Que tal inovar?

Antes que ela pudesse reagir, sentiu o puxão. Jay a levou pelo corredor escuro, empurrou a porta do quarto de sua mãe e a jogou sobre a cama com um movimento ágil e despreocupado.

— Aqui não. — Estava ofegante.

— Aqui sim. Já transamos no seu quarto muitas vezes. Vamos mudar de ambiente.

O sorriso dela morreu vendo que Jay não estava para brincadeira.

O peso dele caiu sobre ela. Emma tentou se levantar, mas Jay segurou seus pulsos com uma mão só, prendendo-os acima da cabeça.

— Jay, para. — A diversão já havia sumido.

Ele ignorou. Com a outra mão, puxou a camisa dela uma vez, estalando o restante dos botões que não estavam abertos. Emma se debateu.

— Você fica tão gostosa assim. — A voz dele era rouca, e o cheiro do cigarro e álcool eram fortes.

Emma se retorceu, tentando soltar os braços, mas ele tinha mais força.

O barulho de uma tosse chamou atenção dos dois.

Jay parou por um segundo e foi o suficiente para Emma ergueu o joelho com toda a força e o acertou na virilha.

O grito abafado de dor foi imediato. Jay caiu para o lado, gemendo, enquanto ela rolava para longe dele, puxando a blusa rasgada para cobrir o corpo.

— Vagabunda...

— Cala a boca! — O peito de Emma subia e descia rapidamente. O quarto parecia menor, sufocante.

Ela se esgueirou para fora, espiando pelo corredor e então viu o irmão, ainda criança. O alivio de não ser a mãe, mas o medo de Ryan ver alguma coisa ainda a fazia temer.

— É você...

O garoto piscou, confuso.

— O que você faz aqui essa hora? E por que estava no quarto da mamãe?

Emma respirou fundo e forçou um sorriso, tentando apagar o pânico do rosto.

— Fui procurar alguma coisa para prender os botões da minha camisa que arrebentaram.

Jay se mexeu no quarto, e Emma sentiu a raiva subir à garganta. Se ele dissesse qualquer coisa, ela acabaria com ele.

— Você não deveria estar na escola?

Ryan bufou.

— Passei mal. Mamãe foi me buscar e disse pra eu tomar remédio e descansar.

Emma assentiu, ainda sentindo o corpo tremendo.

— Boa ideia... Eu faço alguma coisa pra você comer.

Se virou de volta para o quarto, os olhos queimando Jay com um aviso silencioso. "Cai fora."

Ryan cruzou os braços, desconfiado.

— Você cozinhando? Melhor não.

Emma soltou um riso, mas o nó no estômago não desapareceu.

Emma arregalou os olhos assustada. despertando daquele sonho.

Não era mais que um sonho, era uma lembrança de quando era adolescente. Ela passou as mãos pelos cabelos, tentando afastar a sensação sufocante.

O quarto estava escuro, mas seu corpo estava quente, suado. A respiração saía irregular, e o gosto amargo do medo ainda estava em sua boca. Precisa do seu remédio, sentia que o ataque de pânico estava vindo pela segunda vez naquele dia.

Ela antou com cuidado até encontrar sua mala. Abriu e pegou sua nécessaire com os remédios e tomou o comprimido a seco. Fechou os olhos e expirou lentamente, tentando mentalizar que aquilo tinha ficado no passado. Mas se era, por que ainda a assombrava como se tivesse acabado de acontecer?

Apertou os dedos contra as têmporas. Talvez fosse hora de falar sobre isso na terapia.

Ela se levantou e abriu as cortinas para clarear o quarto. Foi quando pode ver melhor a sua volta. Não havia notado quando chegou, mas ainda era tudo familiar, que podia ser as lembranças vindo. Abriu seu armário e ainda havia algumas roupas suas. Seus uniformes escolares ainda estava lá. Cada peça de roupa ainda estava impecavelmente guardada como se ainda estivesse sendo usadas. Encontrou até Erin lá dentro. Emma sorriu.

Ela pegou a boneca que vestia roupas tradicionais holandês que foi um presente de um amigo. Fazia tempo de não lembrava dele. Brian era um cara incrível e ainda se lembrava que quando ele lhe deu a Erin de presente antes de voltar para a Inglaterra.

Emma a pegou e abraçou indo até sua escrivaninha. Ainda estava seu antigo computador e fotos das suas melhores amigas. Abriu a gaveta do móvel e tinha alguns papeis e sua agenda com a data de 4 anos atrás. Emma a pegou e voltou para a cama.

Abriu e caiu uma foto. Era ela, do lado direito Anne, a garota ruiva de cabelo bem vermelho, na despedida de Mei, a do lado esquerdo, com traços orientais. Virou a foto e leu a anotação atrás dela. "Para nós nunca esquecermos." O nó na garganta veio e com ele as lágrimas. Emma pôs a não nos olhos forçando a não chorar.

Retirou as mãos do rosto assim que ouviu a porta de abrir em um rompante. Emma olhou na direção e viu a pessoa que mais sentia falta na vida.

- Você voltou para ficar?

Emma não sabia o que quiser. Ryan foi até ela assim que a irmã se levantou também para ir ao seu encontro.

- Fica, por favor. Eu senti tanto sua falta.

- Eu também. Pensei em você todos os dias. – Ela o soltou um pouco para olhar o seu rosto. Os dois não omitiram as lágrimas. – Você está tão bonito. Tão grande. 1,80?

- 1,78.

- Mais de dez centímetros maior que eu.

- Vai para o seu quarto. – Elena ordenou.

Emma observou a mãe e ela estava com a mesma pose fria, olhando para os dois, do lado de fora do quarto.

- Estou conversando com a minha irmã.

- Você está de castigo.

E a briga começou. Emma tentava entender o que estava acontecendo. A mãe reclamando do mal comportamento, o filho a acusava e ela no meio se sentido perdida. Emma não fazia mais parte daquele convício. Os anos a fizeram perder o direito de ser um dele.

- Ryan, por favor. – Emma queria se a causadora de mais desentendimento naquela casa.

- Vai para o seu quarto agora. – Elena ordenou, quase em um grito.

Emma apertou a mão do irmão e olhou bem nos olhos dele. Ryan suspirou e saiu do quarto indo em direção ao seu, ignorando a mãe.

Elena ficou olhando por alguns segundos Emma, que não passou despercebido pela mais nova. O ar parecia tão denso que podia ser cortado com uma faca.

Um miado forte e estridente as tirou um pouco daquela tensão. Elena sentiu a caixa de transporte tremer, a colocou no chão e abriu a portinha para o animal sair. Ele correu para debaixo da cama de Emma e ficou lá.

- Tiger? – Emma se ajoelhou no chão e levantou um pouco a roupa de cama para enxergar melhor ali em baixo. – Há quanto tempo, meu diabinho? Você ainda se lembra de mim?

O gato, que antes só rosnava como uma fera selvagem, parou ao reconhecer a voz dela. Ele focou sua visão e andou até Emma com cuidado. Quando teve a confirmação que era ela, começou a esfregar euforicamente sua cabeça nela.

- Eu senti muito sua falta. – Acariciou o final das suas costas. Emma ainda sabia que aquele era o local que Tiger mais gostava de receber carinho.

- Vai ter de dividir o quarto com ele. Ele se apossou daqui quando foi embora.

- Esse quarto sempre foi nosso. Não é verdade Tiger? — O bichano ainda parecia estar em extasse com Emma. Não parava de esfregar nessa nem por um instante.

Elena ficou olhando para os dois relembrando momentos vividos. Uma nostalgia começou a baixa em Elena, mas quando se deu conta, sacudiu sua cabeça tentando afasta-la.

- Escura. Quero te pedir uma coisa?

Emma olhou para a mãe e se levantou do chão com o gato no colo.

- Quero que você converse com seu irmão.

- Mas você disse...

- Eu sei o que eu disse.

- Tudo bem. Foi algo na colônia de férias?

- Ele foi expulso. Fugiu e ficou três dias desaparecido. – Elena passou as mãos no cabelo e respirou fundo.

Emma arqueou a sobrancelha surpresa.

- Como ele conseguiu fugir e ninguém encontrar ele durante três dias.

- Como não conhecesse seu irmão? Ele deve ter planejado isso desde o primeiro dia. Foram isso também é o colégio. Tive que conversar com o diretor para aceita-lo esse ano na instituição.

Elena passou os dedos pelo cabelo, mostrando o desespero que estava passando.

– Ele mudou muito desde... Eu sei que ele faz isso para me atingir e eu não me importo que ele me ache ruim, só não quero que as atitudes que ele esteja tomando hoje, recaia sobre ele no futuro. Já vi isso acontecer antes.

Emma sentiu aquela última frase ir direto para ela. O peso da culpa parecia ainda maior nos seus ombros.

Emma concordou em falar com o irmão.

- E também preciso te avisar que no sábado teremos um jantar com um convidado muito importante. Não vai ser um jantar formal, mas quero você bem apresentável.

- Tudo bem. Estarei pronta na hora marcada.

Elena deu uma última olhada na filha e se foi. Emma mais uma vez ficou sozinha.

Continua...

Notas finais
- Todos os personagens de Captain Tsubasa, tá na cara que não me pertencem, e sim ao seu autor Yoichi Takahashi.