Notas iniciais
Estou com essa nova ideia e espero que gostem :] Caso este capitulo não esteja muito "emocionante", não se preocupem pois este é apenas o inicio, mas vou avisando que vou deixar a ação e a aventura para outras estórias... Enjoy :]

"Podem cortar todas as flores, mas não podem deter a primavera."

– Pablo Neruda

(...)

– Vá, conheça o mundo. – Disse Mamãe. – Dê o melhor de si, e não se aborreça caso falhar. Seja como uma flor, e renasça a cada primavera.

Dito isso, deu um beijo em minha testa e me acompanhou até o carro. Abracei-a novamente e entrei.

– Está pronta, querida? Não se esqueça de colocar o cinto de segurança.

Olhei para meu tio pelo espelho do retrovisor e dei um meio sorriso para que ele não se preocupasse. Ele acenou para minha mãe e acelerou o carro.

Assim que saímos a chuva começou a cair, e por um momento me lembrei daquele dia. Os pingos de chuva escorregavam na janela daquele mesmo jeito, a diferença é que naquele dia eu estava indo para o velório do meu pai.

Era estranho falar da morte dele, pois de alguma forma sinto como se ele ainda estivesse vivo, por isso não deixei escapar nenhuma lágrima na hora do enterro.

Abri minha mochila e peguei uma foto antiga que minha mãe havia me dado. Lá estava eu, com poucos messes de vida, sendo segurada pelo meu pai e atrás estava nossa pequena casa.

Meu pai sempre foi um viajante por natureza, me ensinou praticamente tudo que sei sobre geografia e biologia. Sempre que voltava de suas viagens trazia para mim uma flor diferente, muitas vezes seca por causa do tempo, mas mesmo assim eu as amava e guardava todas em uma pequena caixa marrom.

Não foi uma grande surpresa quando descobrimos que ele havia pegado uma rara doença dos países do sul. E quando foi descoberta a doença, já era tarde demais.

Logo após sua morte, minha mãe ficou preocupada tanto com as questões financeiras quanto as questões da minha aprendizagem. Moramos em uma pequena casa em um vilarejo onde havia apenas uma escola e era bastante afastado de qualquer centro urbano. Então, assim que entrei para o ensino médio minha mãe pediu a seu irmão que me levasse para a capital e morasse com ele para que eu pudesse ingressar em uma escola melhor e tivesse um bom futuro. Enquanto ela ficaria lá, se sustentando dando apenas aulas para as turmas mais novas, e mandando um pouco do dinheiro que meu pai havia guardado para que eu me estabelecesse melhor na nova cidade. No inicio pensei em protestar, mas percebi que minha mãe não estava lidando com a morte do meu pai tão bem quanto eu, por isso resolvi aceitar sua proposta de bom agrado.

Aguardei a foto e resolvi dormir até chegar a minha nova casa.

– Chegamos Anne, desculpa acordá-la, mas acho que deve ser mais confortável você dormir em sua cama. – Disse meu tio sorrindo simpático.

– Oh, desculpe, obrigada por me acordar. – Sorri de volta.

Saí do quarto e ajudei meu tio com as bagagens.

– Venha, vou lhe mostrar seu quarto. – Disse abrindo a porta da casa.

Tio Stephen era a terceira pessoa que eu mais amava no mundo, desde pequena ele sempre se preocupou comigo e sempre ofereceu ajuda á minha mãe, e por incrível que pareça, seus olhos castanhos e solitários ganharam um estranho brilho de felicidade ao saber que moraríamos juntos. Achei estranho saber que ele não tinha namorada, afinal ele era bonito e gentil, mas mamãe havia me dito que ele trabalhava demais com a equipe de jornalismo, por isso não tinha tempo para sair e procurar uma namorada, mas também não sentia a necessidade de ter uma.

Entrei na casa e vi que não era nem muito grande nem muito pequena. Era aconchegante, moderna e bem arrumada.

– Não fiquei aí parada, Anne. Seu quarto é no segundo andar, vamos! – Disse meu tio subindo.

Segurei firme minha mochila e comecei a subir.

Meu tio já estava no quarto, e quando cheguei começou a falar:

– Espero que goste, pedi para pintarem o quarto de azul claro, sua cor favorita, não é? Espero não ter exagerado, você gostou?

Em minha opinião o quarto era grande, tinha um banheiro, uma cama um pouco maior do que imaginava, o guarda-roupa era enorme, a penteadeira era espaçosa e em um canto havia uma mesa de estudo que ficava em frente a uma grande janela.

Coloquei a mochila em cima da cama, abri a janela e coloquei meu vaso de orquídeas azuis em cima, vire-me para ele, sorri e disse:

– Muito obrigada, Tio. Eu adorei. Combina com as minhas orquídeas.

– Que bom que gostou! A propósito, tenho algo para você. Sente-se, vou pegá-lo.

Sentei-me na cama e ele foi até a mesinha de estudo, pegou um embrulho e me entregou. Eu abri e dentro havia um notebook branco que parecia novo em folha.

– Tio, você sabe que por enquanto eu não tenho dinheiro para te paga por isso.

– Não se preocupe Anne, este nem é um notebook novo, eu usava ele para escrever as redações do jornal, mas recentemente ganhei um novo do meu chefe. Então, não se preocupe em ficar com este, é um presente! – Disse sentando ao meu lado.

– Muito obrigada! – Falei abraçando-o.

Ficamos um tempo abraçados e percebi que ele estava quase começando a chorar, então nos soltamos e ele disse:

– Bem, vou começar a fazer o jantar, vá tomar um banho e desça. Mais tarde eu te ajudo a arrumar suas coisas.

– Tudo bem. – Respondi assim que ele saiu.

Andei até minhas orquídeas na janela que estavam balançando com o vento, e encarei a cidade que estava a minha frente.

Então notei que a primavera estava próxima.

Notas finais
Se gostou, por favor, comente! Você não faz ideia do quanto isso me motiva ♥ Obrigada por me acompanharem até aqui :} Até o próximo o/