A pedra no meu sapato
5 Regras
Notas iniciais
— Que?!?!?
— Você tá toda vermelha.
Eu o empurrei para longe.
Eu estava, é claro.
— Vamos, assistir o filme.
— Eu tava brincando. — Ele disse, levantando-se e logo após destrancar o quarto, saiu.
Brincando. Não se brinca com essas coisas. Se bem que, ele é menino e... Ah, meninos são idiotas. Eu só tenho que ir embora.
Levantei-me e fui até a sala. Henry já estava lá. Ele me cumprimentou e eu fiz o mesmo. Se bem que, eu não iria embora. Iria ser legal, se o loiro-sedutor-super-sexy-e-irritante não estivesse ali.
O sofá tinha quatro lugares, Julie sentou-se abraçada em Henry e Peter ao lado deles.
— Senta aqui. — Peter falou fazendo um gesto com a mão.
Eu fui. Sentei o mais longe que pude dele, mas não obtive muito sucesso.
Peter estendeu a mão pra frente com um controle. Ele estava esparramado no imenso sofá, longe do casal. Apertou um botão e um filme começou. Nunca tinha visto aquilo.
Apertar um botão e um filme começar? Assim do nada? Incrível.
Era o filme Capitão América. Iniciou com ele bem franguinho, magro e feioso. Mas, pfff, todo mundo sabe que o Chris Evans não é assim. De repente a história começou e eu estava gostando do que estava vendo. Quando ele apareceu sem camisa Julie soltou um "Wow" e eu ri.
— Toda a vez que você vê um homem sem camisa fica desesperada assim, Sarah? — Peter perguntou, me encarando seriamente.
Maldito.
— Olhe o filme. — Eu fiz um sinal de "shh".
— Não. Quer dizer que eu sou lindo? — Ele se inclinou até mim silenciosamente, e perguntou, murmurando.
— Não. Sai de cima de mim.
— Sou lindo ou não?
— Peter.
— Sou?
— ...
— Você que é linda.
Ele me deu um selinho e se acomodou novamente no sofá.
Mas o que? Quem ele pensa que é? Nós não temos nada juntos, eu não gosto dessas coisas. Ok. Ele é lindo, o sorriso dele me atrai, e a seriedade também. Mas, eu mal o conheço, a mãe dele acabou de morrer, e, ele está normalmente, tentando me agarrar quase o tempo todo.
Eu não queria ser tachada de vadia, embora eu já estivesse sendo. Eu só queria começar bem um ano em uma escola nova, e nos primeiros dias, a perdição me aparece. Mas eu não posso continuar com isso.
Me levantei do sofá e peguei minha mochila. Percebi que o filme foi pausado.
— Onde você vai? — Julie levantou-se vindo até mim.
— Embora.
— Por que?
— Lembrei que eu tenho que fazer umas coisas.
— Me poupe. — Ela cruzou os braços e levantou uma sobrancelha.
— Amanhã te explico. — Dei um beijo na bochecha dela.
Saí correndo pela porta. Apertei desesperadamente o botão do elevador, porque eu temia que ele me seguisse. E...
Quando as portas se abriram, senti alguém segurar a minha cintura. Não havia ninguém dentro do elevador. Ele me empurrou até a parede de metal.
Se inclinou até mim, e apoiou o braço acima da minha cabeça, na parede. E lá estávamos, naquela pose. De novo.
— Você ainda tá tentando fugir de mim? — Ele disse, com uma expressão séria.
— Já percebi que não dá. — Eu respondi, encarando a parede à minha direita.
— Você já é minha.
Ele sorriu, e se afastou, entrando de volta no seu apartamento. Agora que eu percebi que enquanto um braço se apoiava acima de mim, outro segurava o botão para manter as portas abertas.
Os braços dele eram compridos, seu corpo era perfeitamente alinhado, afinal, ele era bem maior do que eu e... MERDA! Olhe a merda que eu estou pensando. Esse menino me confunde. O ver caminhando até o seu apartamento de volta me deixou vermelha. Até o jeito como ele caminhava era sexy.
Eu estava totalmente vermelha, como um pimentão. Acho que, pelo menos, era assim toda a vez que ele me tocava, ou ficava perto demais de mim. Mas, não, eu não era dele. Eu tinha que estabelecer as regras, de uma vez.
Desci até embaixo e chamei um táxi. Rapidamente cheguei em casa e, me atirei na cama.
Meu celular vibrou. Tirei-o do bolso para ver o que era. Meus "amigos" antigos não me ligariam. Mas, eu vi que era um número desconhecido.
"Sarinha, querida.
Sou eu, Julie, a propósito, guarde meu número. O filme foi espetacular.
Peter disse que depois ele te manda uma mensagem.
Boa noite."
A única coisa que eu me lembrei foi "Peter disse que depois ele te manda uma mensagem". E, como caralh*s ela conseguiu meu número?
Na verdade, pensar me deixa cansada. Fechei meus olhos e, apaguei.
—
Um zumbido me acordou. Era o celular. Estava cansada, com os olhos inchados de sono, peguei o celular e quando desbloqueei a tela vi aquele número estranho de novo.
"Adicione meu número.
Linda, amanhã nos vemos na aula.
Você poderia me fazer aquela visita amanhã de tarde. ^_^
Beijo, Peter."
Safado, inescrupuloso...
Peter Johnson definitivamente acha que é meu dono. Que pode me ter a hora que quiser. E eu devia dar um basta nisso.
"Peter, eu não sou sua.
Não sou sua namorada, nem sua "ficante".
Vai se cagar. Vamos estabelecer algumas regras.
Não me beije na frente dos outros.
Não me aperte mais na parede.
Não me faça ficar vermelha.
Boa noite.
E em menos de um segundo eu recebi um...
"Ok.
Não vou mais te beijar, a não ser que você me peça.
Não vou mais te apertar na parede. Hahahahah
E não vou mais sorrir.
Boa Noite ^_^"
Ah meu Deus.
Ele sabe que... O sorriso dele, é a minha fraqueza.
Maldito...Maldito...Eu o ODEIO!
Mas... Na verdade é o contrário. E amanhã eu teria de ir para escola. Passar mais um dia. Aturá-lo mais uma vez... De novo, e de novo, e de novo.
Fechei os olhos. Só queria dormir. O dia seguinte seria longo.
Recebi outra mensagem. Dele.
"Ah, e, sonhe com os anjos.
Mas para você, eles devem se chamar Peter. ;)"
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