Notas iniciais
Espero que leiam e comentem, pra eu continuar....

— O que você quer? — Perguntei.

— Queria ver você. — Ele falou, se aproximando.

— Eu não quero te ver. — Falei, fechando a porta.

— Mas.. — Ele me interrompeu, colocando o pé na frente.

— Peter, você não se toca? — Me irritei. — Eu te odeio!

— Você não me odeia. — Ele sorriu torto.

— Cale a boca e me deixe em paz de uma vez por todas! — Gritei.

— Eu realmente precisava vir aqui pra te falar...

— Então fale! Eu escuto se você prometer ir embora. — Me rendi.

— Eu estou, indo... embora. — Ele falou contorcendo o pescoço.

— Como assim? Para onde? — Me surpreendi.

— Bom.. Pra outra cidade. — Ele olhou para o chão.

— Boa viagem. — Desejei. Logo olhei para atrás dele e vi Lily dentro de um carro, no banco do motorista. — Vai se mudar com ela?

— Vou... — Ele sorriu sem graça.

— E por quê você veio aqui? — O encarei, furiosa. Eu já estava contendo as lágrimas. — Pra me fazer sofrer mais?

— Sarah...

— Você é a pior pessoa que eu já conheci. — Me virei para entrar para dentro de casa.

— Eu só queria me despedir. — Ele segurou minha mão. — Eu ainda sou quem você conheceu... Eu não mudei.

— Eu sei que não. — Me virei de volta para ele. — Você só termina de conhecer as pessoas. E você sempre foi assim. Cafajeste, covarde.

— Eu... — Ele me encarou profundamente.

— Peter, temos que ir de uma vez! — A vadia loira gritou de dentro do carro.

— Vai. Boa sorte. — Sorri irônica.

— Eu te amo. — Ele repetiu o que eu odiava ouvir vindo dele.

— Vai se ferrar. — Soltei minha mão violentamente.

Ele me encarou pela última vez e deu passos curtos e lentos para fora do pátio. Logo, entrou dentro do veículo e ouvi Lily resmungar. Peter não tirou os olhos de mim sequer por um segundo. Assim como eu. Porque eu não sabia o que sentir. Eu queria matá-lo e beijá-lo ao mesmo tempo.

E foi como em câmera lenta. O carro partia lentamente para a frente enquanto eu olhava para aquele que eu costumava amar. O via de longe virado de costas me encarando pelo vidro traseiro. Me virei e dei passos também curtos e lentos para dentro da minha casa. E então...

Aconteceu.

Aquele barulho que marcaria meus pesadelos dia-após-dia. Um estrondo enorme. Fez meus pés virarem e correrem para fora do meu pátio. Fez meus olhos se arregalarem como nunca e encarar aquela cena. Minha boca se abrir em um espanto tão grande. Eu me arrependo de tanta coisa.

Meus pés não pararam por um segundo. Eu corri até lá. Enquanto pessoas saíam de suas casas para ver o desastre. Eu só corri. Enquanto as lágrimas rolavam e os soluços não cessavam. Meu corpo todo doía, provavelmente um misto do nervosismo que corria no meu corpo.

Eu cheguei perto. Eu estava na frente. Na frente daquele carro amassado. Coloquei meu pé na abertura da porta e tentei puxá-la com toda a força. Sem sucesso. Ou melhor, como poderia eu ter força? Se minhas mãos tremiam e eu só tinha vontade de deitar e chorar.

Um homem se aproximou de mim e me mandou ficar longe. Ele abriu a porta do carro e retirou o loiro ensanguentado. Eu empurrei o desconhecido e segurei com minhas mãos o rosto daquele... Daquele que eu costumava amar.

—

Narrado por Julie

Me espreguicei e abri os olhos. O celular em cima do bidê ao lado da minha cama chacoalhava incessantemente. Que preguiça.

Me estiquei até ele e o segurei. Sarah me ligava. Sarah? Em um Sábado? Alguma tragédia deve ter acontecido, porque essa menina anda tão anti-social que até já desisti de convidá-la para sair.

Deslizei o dedo na tela e atendi.

“Julie. Sou eu, Sarah.” Ela murmurava. “Preciso que você venha até o hospital.”

“O que aconteceu?” Perguntei curiosa ao notar a voz de choro da minha amiga.

“O Peter... Ele... Vem aqui, por favor.” Ela respondeu e desligou o telefone.

Eu estou com medo. Me levantei e tateei a minha penteadeira à procura das chaves do meu carro. Sem sucesso, comecei a me desesperar. Arranquei uma gaveta e a virei no chão. Não encontrei nada. Assim fiz com a de baixo dela. Encontrei as chaves e quando me dirigia rapidamente para porta afora do meu quarto, minha mãe surgiu abrindo-a.

— Que barulhada toda é essa? — Ela perguntou com uma sobrancelha arqueada.

— Eu preciso ir pro hospital. É o Peter. Depois explico. — Falei gritando, correndo pela frente dela.

Desci as escadas como um raio e saí pela porta diretamente até a garagem. Acho que é uma das poucas situações em que eu estou tão desesperada que nem me preocupo em checar no espelho como estou.

Cheguei na garagem que por sorte já estava aberta. Apertei o alarme e sem pensar duas vezes abri a porta, me jogando para dentro do carro. Girei a chave na ignição e acelerei.

— EI — Uma figura loira surgiu na frente do veículo.

— Merda! — Berrei, pisando no freio com toda a minha força. — Você quer me matar de susto?

Senti meu coração quase saltar pela minha boca e minha respiração ficar pesada. Henry deu um sorriso torto e entrou dentro do carro.

— Sorte sua que o meu freio é ABS. — Comentei, dando a partida novamente.

—

Narrado por Sarah.

Esfreguei bem os olhos pela décima vez para tentar acordar desse pesadelo. As lágrimas já não saíam. Eu não conseguia chorar. Eu o amo. Eu amo o Peter. E mesmo que ele não queira saber de mim, eu vou ficar aqui. Eu não posso ficar sem sequer uma informação dele. Eu o amo tanto...

Pelo menos há a possibilidade dele ficar bem, não? Vi um médico saindo da sala onde supostamente estaria Peter e o ataquei. Me levantando, o segurei pelo ombro.

— Como ele está?

— Muito bem. Não sofreu muitos danos e tem 99% de chances de sobreviver. — O homem sorriu.

— Sério? — Senti um alívio tomar meu corpo.

— Sim. — Ele sorriu novamente. — Agora, se me dá licença, tenho que correr para outra sala.

Assenti com a cabeça e observei o homem desaparecer. Sentei me nos bancos de espera e encostei minha nuca na parede. Suspirei aliviada.

— Sarah?

Olhei para minha direita e no fim do corredor estavam Henry e Julie. Eles correram até mim antes que eu pudesse responder.

— Ele está bem... — Sorri.

— Ele? O que aconteceu? — A ruiva perguntou ainda surpresa.

— Peter... Ele se acidentou. Eu achei que... O médico disse que está tudo bem.

— Que alívio. — Henry suspirou. — Achei que algo sério tinha acontecido.

— Não precisa se preocupar. — Falei.

O loiro sorriu e sentou-se ao meu lado.

— Vou pegar uma água. — Julie sorriu, saindo de perto.

Assentimos e continuamos ali, em silêncio. Tudo corria bem. Eu estava feliz por isso... Mas, o que seria quando ele melhorasse?

— Ele vai ficar bem mesmo? — Henry perguntou, nervoso.

— Sim. — Ri. — Não foi nada. A vadia da Lily que arrebentou o carro num poste.

— E ela está bem? — Ele perguntou.

— Infelizmente. Sim.

— Oh. — Ele me encarou espantado. — Você pode me contar o que aconteceu em detalhes?

— Hm... — O encarei. — Sim.

Ele sorriu e eu contei.

Contei que... “Peter foi me fazer uma breve visita. Depois disso eles foram embora e a menos de vinte metros da minha casa, a vadia enfiou o carro num poste. Desesperada, é claro, corri até lá. Enquanto meus vizinhos corriam para fora de suas casas para ver o que havia acontecido, eu já estava abrindo aquela maldita porta entre lágrimas. Eu o tirei para fora e havia sangue pelo seu rosto todo. Eu realmente achei que Peter estava morto.

Coloquei as mãos no rosto dele e tentei chamá-lo, mas ele estava apagado. Não respondia nem um sinal meu. Lily saiu do carro sozinha e tentou encostar um dedo em mim. Ela mal se machucou. Um pessoal que já estava em volta chamou a ambulância sem que eu percebesse e impediu Lily de chegar perto de mim.

Quando chegaram, eu fui dentro da ambulância tendo que suportar a loira me azucrinando. Fingi que ela não existia e agora estou aqui. O sangue era tanto que eu achei que...”

Eu não consegui conter uma lágrima.

— Eu achei que ele tinha....

— Ele tá bem. — Henry sorriu, me abraçando.

— Eu sei. — Ri sozinha e me afastei dele. — Eu sei.

Julie se aproximou toda sorridente e sentou ao lado de Henry. Seria um longo dia, até esperar que Peter se recuperasse.

(...)

Abri os olhos e olhei em volta. Eu estava escorada em Henry que estava escorado em Julie que estava escorada no bebedouro ao lado dela. Encarei com esforço o relógio na parede em minha frente. Marcava 05:42.

Me espreguicei e levantei. Caminhei sonolentamente até o bebedouro perto de mim e servi um copo d'água. Tomei rapidamente e o larguei na mesinha. Suspirei. Isso tudo que estava acontecendo era... Tanta coisa... Eu ás vezes só tinha vontade de sumir.

Andei lentamente de volta até o banco e me sentei nele. Observei o casal dormindo ao meu lado. Inclinei meu corpo para a frente e coloquei as mãos na minha nuca. Com a cabeça próxima aos joelhos, eu não pensava em nada mais do que o Peter.

Será que ele realmente me ama? Eu nunca parei pra pensar em nada, e talvez esse seja meu maior erro.

Lily havia ameaçado matar o pai dele. E quem sabe isso tudo que aconteceu não faça parte de algo maior? Eu nunca parei pra pensar em, como Colin conseguiu aquelas fotos. Mas, o Peter disse que a beijou porque quis... Mas talvez ele fosse obrigado.

Todos os sussurros e a maneira que ele me perseguiu ultimamente, ignorando totalmente a loira vadia enquanto estávamos os três juntos. E o jeito que Colin se aproximou de mim ultimamente... E se eu estivesse certa, como eu não percebi antes?

Agora tudo fazia sentido.

Olhei para a minha direita ao ouvir passos. E agora sim tudo se encaixara. Colin e Lily se aproximavam lentamente, ele tinha o braço entrelaçado por trás do pescoço dela. Meu corpo se encheu de ódio naquele momento e tudo o que eu queria era matar os dois.

Me levantei imediatamente. Eles riam e ficaram totalmente sérios ao me encarar.

— Seu... — Eu quase o chamei de coisas que não gosto de repetir.

— Oh, vejo que alguém está surpresa. — Lily riu.

— Eu vou te matar. — Murmurei, correndo até ela.

— Não. — Alguém segurou minha mão. — Não vale a pena.

Eu não tentei me soltar da mão forte de Henry porque ele tinha razão. Mas eu não conti minha expressão furiosa. Eu queria matá-la. E se qualquer pessoa ficasse na minha frente eu mataria também.

— Fica acompanhada. — Adverti. — Se eu te pegar sozinha, você morre.

— Está com ciúmes porque eu tenho os dois únicos rapazes que você já beijou? — Ela sorriu.

Eu me soltei da mão de Henry e corri até ela. Corri como nunca corri antes na minha vida. Colin se enfiou na minha frente e eu dei um soco na cara dele, tão forte que o fiz cair no chão. Durante sua queda eu pisei em seu peito e literalmente voei para cima de Lily. Quando ela caiu no chão eu dei um soco. Depois outro. E quando quase saía o terceiro, alguém me puxou para trás.

— Você teve sorte. — Sorri.

Ela me encarou com ódio e limpou o sangue que escorria do canto de seus lábios. Foi rápido demais. Eu poderia muito bem ter acabado totalmente com a raça dessa vagabunda, o que eu tento fazer faz um bom tempo.

— Acho melhor você ir embora. Eu sou a namorada e assinei o papel na recepção. — Lily falou.

— Calma. Ignora ela. — Henry sussurrou no meu ouvido.

Ele me soltou —pois havia me segurado antes para que eu não a arrebentasse — e eu me sentei.

— Vai embora, Sarah. — Lily continuou. — Mesmo que você esteja aqui e dê a vida pelo Peter, quando ele acordar, vai voltar a ser meu.

— Eu... — Me calei ao perceber que ela tinha razão. — Você está ameaçando ele de novo, eu sei. Mas eu vou acabar com isso.

— Não vai. — Ela disse séria e convencida. — Ele não tem saída. Ou fica comigo ou o papai e você batem as botas.

Eu me senti um lixo. Uma inútil ao ouvir tais palavras saírem de sua boca. Era verdade. Ele não tinha saída e eu não podia fazer nada.

— Você tá junto nisso? — Perguntei, olhando diretamente para o Colin.

— Talvez. — Ele deu um sorriso.

Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Encarei os dois. Eu não conseguia acreditar que tudo isso estava acontecendo. Então tudo o que o Peter me dizia era verdade. Eu queria tanto vê-lo... Abraçá-lo...

Ouvi passos desesperados e barulhos de porta abrindo seguido daquele de um aparelho que mantém a vida de um paciente apitar em um ritmo reto. Olhei para o lado e vi vários médicos e enfermeiros correndo para dentro da sala de onde o Peter estava. Eu não... Não pode ser o que eu estou pensando...

Henry pediu que eu ficasse ali e esperasse com ele.

"Nada vai acontecer" ele afirmou.

Notas finais
Comentem, se não nada de próximo capítulo xd