A outra face- Surgindo das cinzas
33 Capítulo 33- Lembranças perdidas
Notas iniciais
Os três ficaram incontáveis minutos em suas mesmas posições ainda dentro do carro (com a frente meio estraçalhada), ainda digerindo a cena de pouco tempo atrás. A imagem daquele homem estranhamente mascarado ainda ecoava em suas mentes conturbadas pelo momento, um tanto aterrorizador. Santana tinha um de seus cotovelos apoiados à janela, enquanto a mão afagava seus próprios cabelos em uma tentativa furtiva de manter-se calma, porém não surtiu efeito... Não o que ela queria que surtisse.
–Cara... Foi só eu ou vocês também ainda não estão acreditando no que acabou de acontecer aqui?- Finn indagou meio atordoado, coçando sua cabeça totalmente confuso- Isso foi... Minha nossa!
–Precisamos pensar em algo- Puck falou, desprendido de sua quietude.
–O tempo de se pensar em algo já se esgotou, Puck- Santana o cortou- Ele já nos tem em mãos.
–Não nos tem nada- corrigiu- Quem quer que seja esse tal ‘’cara’’ que esteja por trás disso terá o que ele merece. Oh, se terá- Santana saiu do carro batendo a porta com força, encostando-se a sua lateral com as mãos posicionadas em sua nuca. Puck e Finn saíram também, indo a seu encontro- O que foi, Santana? Sente-se mal? Foi a batida?- preocupou-se levando sua mão até a cabeça da latina.
–O que foi, Puck? E você ainda me pergunta se eu me sinto mal?- afastou-se da mão de seu irmão em si, em total desordem- Ele ameaçou minha família, Puck... A Quinn e meus filhos. Como você acha que eu me sinto agora?
–Hey, San, vai dar tudo certo- Finn tentou acalmar, mas nem ele mesmo acreditava nisso naquele momento.
–Sabe que não vai, Finn.
–Santana, nós podemos...
–Nós não podemos nada agora, Puck- cortou a fala de seu irmão, segurando-se para não desabar bem ali no meio daquela rua- Lembra-se do que aconteceu há cinco anos?- seu irmão apenas a encarou- Pois é... Eu me lembro- os três ficaram quietos de novo, uma vez ou outra fitavam-se por um momento:
–O que pensa em fazer, San?- Puck perguntou intrigado, fazendo sua irmã tirar seu olhar do chão para direcioná-lo a ele.
–Nada- os rapazes se entreolharam um tanto... Assustados? Até alguns minutos atrás estava quase os obrigando a ir atrás de respostas com ela e agora se recusava a isso? Estava estranho, essa não parecia ser a Santana que conheciam... A que sempre dava à cara a tapa pelo o que acreditava.
–Como?
–Foi isso que você ouviu... Nada- reforçou entrando no carro novamente- Devemos ir logo. Prometi a Quinn que estaria lá antes das oito.
Puck olhou para Finn que fez um gesto de cabeça indicando para deixá-la quieta. Pelo o que ele conhecia sua prima (e conhecia muito bem), sabia que quando ela agia dessa forma era como uma defesa para seus pensamentos que agora a tomava de forma turbulenta. Noah consentiu entendo o que Finn queria dizer com aquele gesto, tocando no ombro de seu primo. Os dois rapazes voltaram para seus respectivos lugares no carro, dando partida para saírem daquele lugar tão desconfortante pelo o que aconteceu de uma forma tão brusca.
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Santana pediu que Puck a deixasse em seu apartamento para que tomasse um banho antes e cuidasse de alguns ferimentos que ficaram depois da batida, nada grave, apenas arranhões e algumas marcas roxas no braço direito que bateu contra a porta na hora do impacto. Terminada sua limpeza pessoal, vestiu-se rapidamente sem esquecer-se de colocar uma blusa de mangas cumpridas para que Quinn não notasse os machucados pelo braço. Dirigiu-se em seguida para hospital, já estava atrasada.
Parou de frente a porta do quarto onde sua esposa estava instalada, respirando fundo para não deixar transparecer sua preocupação e confusão pelo ocorrido de algumas horas mais cedo. Passou a mão por seus cabelos negros e entrou, encontrando Quinn amamentando Elizabeth, enquanto Tyler dormia tranquilamente deitado entre suas pernas. Apesar do transtorno que a tomou, não pode deixar de ter seu peito sendo preenchido por uma intensa felicidade naquele momento. Não tinha nada mais perfeito que aquela cena, principalmente pelo olhar admirado e apaixonado de Quinn sob seus filhos enquanto revezava as carícias entre os dois. A loura notou que era observada:
–Vejam, bebês... A mamãe atrasada de vocês resolveu aparecer- voltou sua atenção a Santana com uma de suas sobrancelhas arqueadas.
–Que é isso, amor? Nem demorei tanto assim- disse tirando seu casaco, o jogando na poltrona perto da porta.
–Não demorou? Você disse que chegaria antes das oito e são quase nove- Quinn argumentou ajeitando a pequena em uma posição mais confortável em seu colo.
–Tive uns pequenos probleminhas no caminho, mas já está tudo resolvido e cá estou eu- tentou passar tranquilidade do que dizia, pois sabia que Quinn sempre notava quando tinha algo errado.
–Uhm- Quinn murmurou a olhando desconfiada, porém resolveu deixar de lado.
–E como estão nossos pequenos?- perguntou enquanto sentava-se no canto da cama para depositar um beijo delicado na cabecinha de Tyler, que suspirou profundamente quando ela fez isso.
–Perfeitamente bem- a loura sorria ao falar- Beth se mostrando uma danadinha e Tyler um perfeito dorminhoco- Santana riu- Amor, pega a Beth um instante enquanto eu alimento o Tyler, por favor. Acho que ele vai ser do tipo que precisa ser avisado que deve comer.
–Tudo bem. Me dá ela- cuidadosamente pegou a pequena lourinha, voltando a sentar-se ao lado de Quinn na cama- Beth?
–É. Apesar de amar o nome dela, acho lindinho Beth- Quinn explicava já começando a amamentar Tyler- Não sei se você se lembra, mas minha avó paterna se chamava Elizabeth Fabray. Vovó Beth, como meus primos e eu a chamávamos. Ela era maravilhosa em tudo que fazia. Era admirada por toda a família por sua força, simpatia, alegria e o melhor... Cozinhando. – a loura dizia encantada lembrando-se da avó. Santana ouvia tudo atenta enquanto embalava Beth em seus braços- Queria ser o terço do que minha avó foi.
–Nossa! Eu não me lembrava dela, Quinn- expôs sincera- Escolhi o nome pelo o que ele significava, mas fico feliz que homenageei sua avó. Acho que a última vez que a vi eu tinha, o que, uns doze ou treze anos?
–Tinha quase catorze- corrigiu- Foi no meu aniversário de catorze anos. Faltavam alguns meses para o seu. Meus pais sempre faziam um festão com nossas famílias, até seu avô Felipe estava também.
–É, minha memória não é nada boa mesmo- brincou- Não lembro quase nada desse dia.
–Pois eu me lembro perfeitamente. Até do beijo.
–Beijo? De quem?- Santana perguntou curiosa, fazendo Quinn dá um sorriso aberto.
–Do nosso.
–Como? Nós nos beijamos naquele dia?- indagou incrédula por não lembrar-se de algo tão importante- Eu pensava que a primeira vez que nos beijamos foi no banco do jardim da escola quando estamos no último ano.
–Mas não foi. Nosso primeiro beijo foi no meu aniversário de catorze anos, debaixo da árvore da sua casa, aquela que eu beijei você na festa de noivado dos nossos pais.
–Agora eu fiquei confusa total- colocou uma mexa do cabelo atrás da orelha, tentando puxar da memória o que Quinn acabara de lhe contar- Por que você não disse isso antes?
–Por que eu achava que você lembrava, pois eu me lembro de tudo. Cada detalhe, por menor que ele seja. Até da música que tocava ao fundo- dizia de olhos fechados como se vivesse a cena naquele momento. Santana continuava chocada por não se lembrar daquele dia, que pelos visto foi muito importante para sua esposa, pois dava pra notar em sua expressão serena enquanto pensava em como tinha sido- Vamos lá, amor. Pensa um pouco- Quinn incentivou fazendo Santana ficar intrigada- Um pouquinho de vinho não deixa ninguém bêbado o bastante pra ser idiota- a loura citou dando um sorriso sapeca.
–Claro!- bateu com a mão na própria testa começando a receber flashes do dia em questão- O presente...
Flashback on:
Era sábado de manhã cedo. Santana acordou em um salto, correndo para o banheiro. A latina lembrou-se que ainda não tinha comprado o presente de aniversário de Quinn e teria que correr contra o tempo para comprá-lo antes do anoitecer, pois a festa começaria às sete da noite daquele mesmo dia. De banho tomado e já arrumada, desceu correndo pelas escadas de sua casa, sendo parada por seu pai Richard que a pegou no colo:
–Hey, Sanbear... Aonde vai com tanta pressa?
–Pai, eu tenho que correr até o centro da cidade para comprar o presente da Quinn, mas se o senhor não me soltar nunca que eu vou chegar a tempo pra festa- reclamou tentando sair dos braços de seu pai. Richard a encarou confuso:
–San, minha filha cabeçudinha. Não lembra que hoje é feriado? Não tem nada aberto à uma hora dessas.
–Droga!- ela bateu na própria testa quando se deu conta do fato- E agora? Como eu vou comprar um presente pra lourinha?
–Por que não comprou antes?
–Eu esqueci, pai. Tava tão ocupada treinando para a competição de mês que vem que acabei esquecendo desse detalhe, bem importante, por sinal- explicou-se acompanhando seu pai até cozinha para juntassem ao restante da família para o café.
–Poxa, filha. Por que não avisou antes? Eu teria providenciado isso pra você.
–De que parte ‘’eu não me lembrei de nada’’ o senhor não entendeu?- os dois se olharam, ambos com um olhar preocupado no rosto. Maribel apareceu acompanhada de Nora e Lanna.
–Bom dia!
–Só se for pra senhora- Santana disse emburrada. Os demais à mesa a encararam intrigados:
–Algum problema, filha?- sua mãe perguntou notando sua chateação.
–Sim e um dos grandes- respondeu colocando a mão no rosto dramaticamente.
–Ela se esqueceu de comprar presente pra pequena Q- Richard murmurou para sua esposa que fez um ‘’ah’’ entendendo a agoniação de sua filha.
–Oh, San... Que pena. Que tal você, sei lá, fazer um cartão pra ela ou compor um poema? Não sei, filha, acho que dá pra pensar em algo que seja legal- a matriarca da família opinou- Mas tenho certeza que qualquer coisa que você der a Quinn será muito especial pra ela, pois gosta muito de você, minha filha. Não se preocupe.
–Mas eu queria ter comprado algo especial pra ela, mãe- argumentou emburrada- Com certeza aquele chato do Logan Blake vai levar.
–Hey, calma- tocou a mão de sua filha para lhe enviar tranquilidade.
–Tudo bem, mãe. Será que eu posso ir pro meu quarto agora? Estou sem fome.
–Bela amiga você é, né Santana?- Lanna ironizou, recebendo uma cotovelada de Nora- Isso que dá viver enfurnada com a cara nos livros. Esquece até da tão ‘’amada’’ melhor amiga.
–Para, Lanna- sua irmã mais velha a repreendeu- Deixa a Santana em paz.
–Me poupe dos seus comentários sarcásticos, Lanna. Se eu quiser ouvir cacarejos, eu vou pra fazenda do vovô, por que lá pelo menos tem galinhas de raça- Santana devolveu, recebendo um olhar fuzilante de Lanna e uma gargalhada de Nora- Posso ir pro meu quarto, mãe?
–Pode, minha filha. Mais tarde eu peço pra Lupi preparar um lanche pra você- Santana agradeceu e subiu correndo para seu quarto.
Depois de algumas horas martelando pelo o que daria para Quinn de aniversário e se lastimando por não ter pensando em algo antes, escutou batidas na porta:
– San, filha. É o vovô.
–Ah, entra aí, vô- ela consentiu. Felipe entrou sorrateiramente, enviando um sorriso para sua neta que tinha um semblante de desgosto.
–Seu pai me contou que você estava com problemas. Quem sabe o vovô não pode te ajudar?- perguntou com um olhar brincalhão que só ele tinha.
–Acho que não, vô- entristeceu-se. Felipe fez um sinal para que ela desse espaço para que ele pudesse sentar ao seu lado na cama.
–Tudo é possível quando se é um Lopez, minha querida.
–Menos quando se é uma Santana Lopez.
–Hey! Não precisa ficar assim, Sanbear. É só um presente. Quinn ainda terá muitos aniversários e você pode caprichar no próximo.
–Eu sei, vô, mas eu prometi um especial pra ela esse ano- disse emburrada, fazendo seu avô lhe encarar com um sorrisinho de canto. Santana já sabia que ele confabulava algo quando fazia esse gesto.
–Chega mais perto que eu vou te perguntar uma coisa- ele pediu e ela mesmo sem entender fez, encostou sua cabeça no colo de seu avô o encarando curiosa- Me diz uma coisinha... Há quanto tempo você e Quinn se conhecem?
–Acho que desde os cinco anos. Por quê?
–Ela se tornou sua amiga por que deu algo caro ou, não sei, um presente inestimável?
–Não, nós só...
–Só... – ele incentivou vendo que ela estava caindo em si.
–Só viramos amigas. Foi algo como um carinho e afeto mútuo desde a primeira vez que nos vimos- sorria tenramente ao lembrar-se disso.
–Viu? Para que alguém goste da gente não é preciso um presente caro ou seja lá que os jovens gostem hoje em dia. Só é preciso dar e receber amor. Esse sim é o melhor presente que se possa ganhar de quem se gosta.
–Vô... O senhor é demais, sabia? Sempre tem as palavras certas na hora certa- expôs levantando-se da cama.
–E eu não ganho nem um abraço por isso?- brincou fazendo bico.
–Merece mais que um abraço, vovô. O senhor merece tudo- abraçou o mais velho com toda força que tinha em seu corpo, sendo retribuída com a mesma intensidade.
–Você que merece, Sanbear. E além- deu um beijo casto em sua testa- E que tal nós irmos dar uma volta na minha moto maneira e recém reformada?
–Só se o senhor me deixar pilotar.
–Uhm, tudo bem, mas eu vou primeiro- Santana comemorou com um soco no ar. Seu avô abaixou-se para que ela subisse em suas costas e partiram para a garagem.
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A família Lopez já estava devidamente arrumada e rumando para a casa dos louros mais simpáticos da vizinhança. As gêmeas iam mais a frente conversando sobre alguma coisa, na verdade Lanna falava e Santana apenas balançava a cabeça concordando ou dando uns cutucões quando sua irmã dizia algo que ela não gostava. Foram recebidos gentilmente pela avó de Quinn, dona Elizabeth ou simplesmente vovó Beth, como gostava de ser chamada.
–Boa noite, meus queridos. Sejam bem vindos- ela disse sorridente, dando espaço para que eles entrassem- Crianças, a Quinn está na área da piscina com seus primos e alguns de seus outros amigos. Podem ir se juntarem a eles enquanto levo seus pais para onde estão o restante dos adultos. A área chata da festa, sabe?- brincou os fazendo sorrirem.
–Obrigada, vovó Beth- Santana agradeceu, dirigindo-se com suas irmãs para o lugar indicado pela senhora.
O lugar estava bem decorado. Havia vários balões de cores diversas, com desenhos de borboletas que, eram as preferidas de Quinn, espalhados por quase todo o jardim da casa. Tocava uma seleção de músicas que Santana chutaria que foi a loura que as escolheu a dedo, pois todas, sem exceção de nenhuma, eram as que ela mais gostava de ouvir quando estavam juntas. Durante essa análise pelo local que aconteceu de seus olhos se encontrarem com aqueles cujo ela tanto amava encarar, apesar delas serem apenas amigas, de alguma forma fazia seu coração pulsar mais forte com apenas aquele olhar. Quando Quinn notou Santana, abriu um maravilhoso sorriso em sua direção que foi retribuído com a mesma intensidade.
–Ela está linda!- disse encantada.
Every breath you take
A cada suspiro que você der
Every move you make
A cada movimento que você fizer
Every bond you break
A cada elo que você quebrar
Every step you take
A cada passo que você der
I'll be watching you
Eu estarei observando você
Quinn educadamente pediu licença para os amigos com quem conversava e seguiu na direção de Santana, praticamente se jogando nos braços dela que a segurou rodopiando pelo ar, arrancando uma intensa gargalhada da loura.
–Parabéns, passarinho. Já pode voar agora, catorze anos- brincou, colocando Quinn no chão, recebendo um intenso abraço da mesma.
–Obrigada, San. Fico feliz que você tenha vindo. Essa festa não teria graça sem você aqui comigo.
–Mas é claro que seria. Sou sua melhor amiga e a mais divertida desse bairro. Fazer o que?- disse brincalhona para que Quinn não percebesse seu embaraço por ela ter dito aquilo de uma forma tão meiga que fez seu coração revirar no peito.
–Anda. Vem comigo que eu quero te apresentar para alguns amigos- saiu arrastando Santana consigo até onde estava há alguns minutos atrás.
Every single day
A cada dia
Every word you say
A cada palavra que você falar
Every game you play
A cada jogo que você jogar
Every night you stay
A cada noite que você ficar
I'll be watching you
Eu estarei observando você
Ficaram algum tempo conversando com os amigos e alguns familiares da loura. Santana fingia interessar-se no que eles diziam, mas o que realmente ela queria era ter um momento a sós com Quinn como sempre faziam em todos seus aniversários. Aquelas conversas já estavam lhe deixando entediada. Pediu licença aos demais e foi pegar um refrigerante na mesa mais próxima. Enquanto se servia, confabulava uma forma de tirar Quinn das pessoas com quem batia um papo e a levasse para outro lugar para terem sua comemoração juntas. Respirou fundo, rumando na direção de Quinn no intuito de arrancá-la dali e levá-la pra longe daquelas pessoas chatas, pois até a loura fazia uma cara de que não estava gostando de estar ali, mas era educada demais para interromper os comentários daquele pessoal.
Já próxima de sua melhor amiga, parou bruscamente quando notou que alguém já havia feito o que ela iria fazer. Logan havia puxado Quinn de onde estava e levado para o outro lado do jardim. A latina sentiu algo explodir dentro de si, sem saber distinguir o que e porque daquilo. Ficou observando de longe o rapaz retirar algo do bolso de sua jaqueta e entregar a Quinn que deu um largo sorriso ao se deparar com um colar com mini borboletas de prata que o formava. Fabray o agradeceu, dando um beijo em sua bochecha e o abraçando. Aquilo foi o bastante para Santana que saiu de lá mais que rápido, passando por suas irmãs como um foguete sem dizer nada.
Oh can't you see
Oh, você não vê
You belong to me
Que você pertence a mim?
How my poor heart aches
Meu pobre coração dói
With every step you take
A cada passo seu
Every move you make
A cada movimento que você fizer
Every vow you break
A cada promessa que você quebrar
Every smile you fake
A cada sorriso que você fingir
Every claim you stake
A cada pedido que você fizer
I'll be watching you
Eu estarei observando você
Ela sentou-se debaixo da árvore que ficava na lateral de sua casa, um pouco mais afastado do lindo jardim que Maribel cuidava com tanto carinho. Seu pai acabou mandando que colocassem um banco naquele local de tanto que ela gostava de ficar por ali quando queria pensar. Santana decidiu ficar naquele lugar até que seus familiares voltassem da festa, pois a mesma não tinha a chave e para casa de Quinn ela não voltaria de forma alguma. Sentia-se mal pela a cena que viu, se martirizando por estar com tanta raiva daquilo sem saber o motivo. Ela nunca gostou de Logan Black, agora definitivamente não gostava mesmo dele. Antes de sair da casa de Quinn, pegou uma garrafa de vinho que jazia por cima de uma mesa pela sala. Com certeza alguém deva tê-la deixado por engano por lá. Santana nunca tinha bebido muito vinho, apenas um copo ou dois que seu pai deixava que tomasse por não ser tão forte, mas ela nem ligava. Queria tirar aquilo da cabeça.
–Santana?- ouviu a voz de Quinn lhe chamando não tão distante- Santana! Eu procurei você por toda parte. Por que saiu daquela forma? Nem esperou os parabéns.
–Você já estava em boa companhia. Não queria atrapalhar seu ‘’namorinho’’ com o bonitão do Black- desdenhou tomando um gole da boca da garrafa mesmo, recebendo um olhar incrédulo de Quinn que tomou-a de suas mãos.
–Você está bêbada, Santana? Que idiotice de beber é essa?- brigou jogando a garrafa em uma lixeira perto da cerca.
– Um pouquinho de vinho não deixa ninguém bêbado o bastante pra ser idiota.
–É claro que deixa. Por que fugiu da festa e agora está bebendo? Você não é disso, San- sentou-se ao seu lado no banco, buscando a resposta encarando Santana profundamente nos olhos.
–Não sei, só me deu vontade- deu de ombros. Isso não bastou para Quinn:
–Tem certeza que não tem mais alguma coisa aí?
–Ah, Quinn. Larga a mão de ser desconfiada. Eu não quis ficar na festa por que não tinha ninguém legal pra conversar e você estava lá conversando com o panaca do Logan Blake. Então decidi que já que estava entediada eu iria me divertir sozinha, aproveitando um bom vinho francês Fer... Fer... Ah, é um ótimo vinho- Quinn não pode deixar de rir da cara de confusa da latina- Está rindo do que?
–De você e do seu ciúme.
–Ciúme? Eu não estou com ciúmes de ninguém. Só estava entediada- deu de ombros, tentando transparecer segurança no que dizia.
–Você não me engana, Lopez. Mas fica muito bonitinha toda ciumenta- Quinn cutucou, fazendo Santana fazer bico e ficar emburrada.
–Vê se não enche, Quinn. Vai lá conversar com jogador bonitão e me deixa quieta no meu banco bebendo o meu vinho... Cadê ele mesmo?- procurou a garrafa pelo local sendo puxada para sentar-se novamente pela a loura.
–Não vou há lugar a algum sem você.
–Então as duas ficarão aqui, pois não vou voltar praquela festa nem arrastada pelos Thundercats- Quinn riu mais uma vez da voz meio embolada de Santana. Encostou-se ao encosto do banco, apoiando a mão esquerda no mesmo para ficar encarando a latina- O que foi?
–Se vamos ficar aqui a noite inteira, poderíamos conversar um pouco, não acha?
–Conversar sobre o que?- indagou ficando desconcertada por Quinn estar a encarando todo aquele tempo.
–Sei lá, qualquer coisa que nunca tenhamos conversado.
–Então não existe nada, por que o que mais fazemos é conversar por horas e horas sobre os mais variados assuntos já inventados pelo homem- argumentou, ajeitando-se para ficar de frente para Quinn- Já que você fala mais que uma metralhadora sem controle. Na verdade, você e a Lanna podem fazer até uma competição de quem fala mais e me deixa com sono.
–Idiota!- deu um tapa de advertência no braço de Santana que deu uma gargalhada intensa pela cara que ela fez- Eu sei de um que nunca conversamos.
–E qual seria?
–Sobre o primeiro beijo.
Since you've gone I've been lost without a trace
Desde que você se foi, estive perdido, sem pista
I dream at night I can only see your face
Eu sonho à noite e só consigo ver o seu rosto
I look around but it's you I can't replace
Eu olho ao redor mas você eu não posso substituir
I feel so cold and I long for your embrace
Sinto-me com tanto frio e eu desejo seu abraço
I keep crying baby, baby, please
Eu continuo aqui chorando, baby, baby, por favor
–Por que quer saber sobre primeiro beijo? Não vai me dizer que nunca...
–Que nunca beijei? Não- disse naturalmente. A latina arqueou a sobrancelha desacredita.
–Nunca? Nunquinha? Nem um selinho?
–Nada. A única coisa macia que já tocaram meus lábios foram meus gloss e batons- falou cômica, porém Santana ainda tentava acreditar naquilo.
–Puxa vida!
–Puxa vida, o que?- foi a vez de Quinn ficar confusa por Santana não querer acreditar no que havia lhe contado- Me acha tão fácil assim?
–Não, Quinn. Nunca achei isso de você, mas é que é tão...
–Tão...
–Bonita... Encantadora, sei lá, Quinn, você é linda. De todas as formas- se atrapalhou nas palavras, porém não diminuiu a coloração vermelha de Quinn de vergonha pelos elogios de sua amiga.
–Obrigada, San- agradeceu tocando a mão de Santana que a encarou por um instante como se pensasse em algo. Ela deu de ombros por seus pensamentos e resolveu realizá-los.
–Quinn, eu não tive tempo de encontrar um presente á sua altura. Nem sei se encontraria, mas acabo de descobrir um que possa ser tão especial pra você quanto pode ser para mim.
–E que presente seria esse?- Fabray perguntou curiosa, franzindo o cenho.
–Feche os olhos- pediu, Quinn tentou argumentar- Só confie em mim- a loura deu de ombros, resolvendo fazer o que Santana havia pedido e fechou os olhos. Sentiu que a morena deslizou para mais perto de si e agora sua respiração estava próxima da sua, fazendo-a descompassar a sua própria. Santana afastou alguns fios de cabelo de Quinn, os colocando detrás da orelha, enquanto com uma mão segurava a da loura e a outra acariciava o seu rosto delicadamente, desenhando-o até o maxilar. Lentamente foi aproximando o rosto do de Fabray que já tinha o coração pulsando tão forte, quase dando de ouvir pela latina e encostou seus lábios por incontáveis segundos.
Oh can't you see
Oh, você não vê
You belong to me
Que você pertence a mim?
How my poor heart aches
Meu pobre coração dói
With every step you take
A cada passo seu
Não lembraram por quanto tempo ficaram naquela posição, mas foi maravilhosamente confortante para ambas, pois tinham agora seus corações batendo em uma mesma frequência pelo simples fato de estarem tão próximas daquela forma. Quinn pode sentir o gosto doce do vinho nos lábios da latina, mas isso não diminuía a sensação incrível de sentir os lábios de Santana sobre os seus e nesse momento sabia que não se arrependeu de ter esperado por esse momento tão especial quanto o do primeiro beijo, ficando feliz por saber que sua melhor amiga seria aquela que compartilharia isso com ela. Santana quebrou o beijo, acariciando mais uma vez o rosto de Quinn, puxando sua mão esquerda para dar um selinho demorado na mesma.
–Feliz aniversário, passarinho- a loura limitou-se apenas a dar um tímido sorriso, aninhando-se ao peito de Santana que a envolveu em um forte abraço.
–Eu te amo, San. Você é melhor coisa que já me aconteceu.
–Não, Quinn. Você que é a minha...
Fim do flashback
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–Ainda não estou acreditando que eu me esqueci disso- Santana expôs balançando a cabeça negativamente, tomando cuidado para não acordar a pequena Beth que já tinha dormido a essa altura- Amor, me desculpa por isso. De verdade.
–Hey- tocou na mão de Santana para que ela lhe encarasse novamente- Não fica assim, San. Se esqueceu que eu sou a cabeça da relação?
–Ah, não. Disso eu não esqueci, pode ter certeza- as duas sorriram- É por isso que amo tanto você. Aguenta minhas escorregadas e sempre me perdoa por isso. Só você consegue ver o meu lado bom.
–Mas você é boa, San. Só um pouco complicada consigo mesma.
–E com o mundo- Quinn a puxou pela manga da camisa, fazendo-a gemer por conta dos machucados no braço.
–Que foi? Sente algo?- perguntou preocupada.
–Nada, amor. Só bati com braço em alguma prateleira na minha sala do escritório- mentiu puxando a manga da camisa pra cobrir o braço novamente. Quinn não gostou:
–Santana, eu... – a loura ia argumentar, porém uma enfermeira entrou no quarto:
–Com licença, tenho que levar os bebês para descansar.
–Mas já?- Quinn protestou entregando Tyler a ela, enquanto a outra pegava Beth dos braços de Santana.
–Sinto muito, senhora, mas pra eles já está bem tarde para estarem fora do leito- explicou, saindo em seguida com os pequenos.
–Não se preocupe, amor. Daqui a pouco eles estarão com a gente por completo- Santana confortou tocando a mão de sua esposa que a puxou mais pra perto.
–Eu torço por isso e... Você me deve explicações, Santana Lopez- disse autoritária.
–Quinn... Amor... Eu já disse que bati com o braço em algum lugar da minha sala.
–Você está muito estranha desde que chegou da ‘’empresa’’- fez aspas com as mãos, dando ênfase- E isso no seu braço não está nada legal.
–Você é muito desconfiada, sabia? Não fiz nada de errado. Só fui na antiga casa da minha mãe ver como estava a reforma, depois fui em casa e tomei banho para ir pra FLC- puxou sua mão de Quinn, apoiando-se com ela pelo o outro lado do corpo de mesma- Olha, vai ver eu bati o braço enquanto tomava banho. Sabe que eu sou meio distraída e nem percebi que me machuquei por que não está doendo.
–Santana...
–Hey... Está tudo bem. Vem cá- puxou Quinn delicadamente para um beijo. A loura tentou resistir, mas não conseguiu, só a latina tinha essa magia de prendê-la com um simples gesto.
–Santana, não pense que vai me ludibriar com um beijo- Quinn cessou o beijo, ainda meio atordoada.
–É? Uhm... E dois?- disse sapeca, puxando Quinn novamente.
–Não, nem pense nisso... – e mais uma vez a latina fez a loura ir à lua e voltar em frações de segundos com apenas aquele gesto, deixando que suas línguas entrassem em contato como se fizessem uma dança ditada pelas as duas em que Santana tentava apagar seus medos e incertezas naquilo. As mãos de Quinn se entrelaçaram na nuca de sua esposa aprofundando ainda mais o beijo, enquanto a da mesma subia para sua cintura aproximando-a ainda mais de si- Você joga sujo- Quinn disse quebrando o beijo quando precisou tomar ar.
–E você gosta que eu jogue sujo- murmurou sob seus lábios, sentindo Quinn puxar o seu superior para beijá-la novamente.
–Na verdade eu adoro.
–Uhm, me alegra saber disso- as duas riram durante o beijo que Santana cessou depositando selinhos demorados nos lábios da loura- Tudo bem agora?
–Tudo. Agora me coloca pra dormir- a latina sorriu do jeito manhoso de Quinn, sentando-se com as costas apoiada a cabeceira da cama, puxando sua esposa para deitar-se em seu peito. Isso definitivamente tranquilizava Quinn.
Santana acariciava os sedosos cabelos louros de Quinn, periodizando selinhos no topo de sua cabeça. Não demorou muito e ela caiu no sono, no entanto algo pesava no peito da latina que a impedia de ficar tranquila naquele momento. Pensar que alguém podia machucar seus filhos e a mulher que mais amava no mundo lhe quebrava por dentro. De repente aquele quarto estava pequeno demais para o desespero em seu profundo. Tomou cuidado para não acordar Quinn, saindo cautelosamente do local. Parou um pouco no corredor sentindo sua cabeça pesar, parecendo que a gravidade já não estava ao seu favor, pois suas pernas pareciam não lhe obedecer mais. Quando achou que iria desabar ali mesmo, ouviu uma voz chamar por seu nome e parecia que sua mente a enganava. Fazia muito tempo que não a escutava. Uma voz que no começo não dizia nada, mas as circunstâncias transformo-a em uma das que mais entendia aquela latina:
–San?- voltou a chamar, fazendo-a vira-se na sua direção como em câmera lenta, sem muita reação.
–Kate- enfim disse, depois de alguns segundos processando a imagem da loura a sua frente que há tanto tempo não via e já lhe havia levado a acreditar que nunca mais veria.
–Oi, San- Kate cumprimentou timidamente, sentindo-se nua ao olhar sem expressão de Santana em sua direção. Ela não sabia com a latina a trataria depois de tanto tempo sumida sem dar notícias, mas enfrentaria tudo nesse momento- Eu... – tentou argumentar, porém Santana foi contra tudo que ela havia pensando quando resolveu voltar para Nova York para vê-la. Ao invés de gritar pedindo para Kate sumir da sua vida e que nunca a perdoaria ou pelo menos a mandaria embora, a latina mais que depressa se aproximou da loura envolvendo-a em um abraço mais que apertado. Como se naquele gesto ela pudesse sugar todo o tempo que estiveram longe uma da outra, levando Santana a despejar o que segurava o dia inteiro... Seu choro.
Kate se assustou com aquilo. Nunca havia conhecido esse lado fraco de Santana. Ela parecia um tanto... Quebrada? Não sabia definir o que era aquilo, só soube que deveria ampará-la naquele instante como nunca amparou alguém na vida.
Dez minutos depois estavam sentadas a um banco no terraço do hospital. Santana estava mais calma e agora se mantinha quieta olhando para o nada. Kate a deixou só por um instante, indo pegar algo quente para ambas, pois a noite estava muito fria para ficarem ali em cima sem algo pra esquentá-las. Apareceu alguns minutos depois munida de duas canecas de chocolate quente e um cobertor que Santana ficou se perguntando como a loura o conseguira. Mas era Kate, não havia nada que aquela maluca não conseguisse fazer, pensou a latina.
–Olha só... Chocolate fervendo- entregou uma caneca para Santana, sentando-se ao seu lado. Tomou um gole do líquido, fazendo uma cara satisfeita- Nossa! Sabe quanto tempo faz que eu não tomo chocolate quente? Muito tempo. É até pecado- Lopez deu um meio sorriso, concordando com um gesto de cabeça. As duas ficaram em um silêncio desconfortante para Kate, pois ela se instigava pelo o que passava pela cabeça de Santana naquele momento.
–Por que... – Santana quebrou o silêncio, fazendo a loura lhe encarar- Por que me ignorou esse tempo todo? Por que me ideia?
–San, eu...
–Me diga a verdade, Kate.
–Uhm- Loren baixou a cabeça por um instante, respirando fundo para responder- Minha cabeça estava bagunçada, Santana. Na verdade ainda está, mas eu não odeio você. Pelo o contrário, eu te amo. Você é minha melhor amiga e é importante pra mim.
–Então por que nunca atendia minhas ligações? Um ano, Kate... Você sumiu por um ano- indagou colocando sua caneca no chão ao lado do banco.
–Como disse, eu estava confusa. Tem algo aqui que me impede de seguir, mas já aprendi a lidar com isso- respondeu ainda sem olhar Santana.
–O que é isso que incomoda você, ahn? Me diz, por favor. Talvez eu posso te ajudar- pediu, começando a ficar incomodada pela loura não lhe encarar e agora entedia como Quinn ou sua mãe sentia quando ela fazia isso- Kate, olha pra mim. Me deixa te olhar pra saber o que sente- puxou o queixo da loura para que fizesse o que havia pedido, deparando-se com olhos molhados ameaçando chorar.
–Meu pai, Santana... Ele está doente- revelou, fazendo a latina calar-se por um instante. Ela dizia a verdade, incompleta, mas dizia- Meu pai está com problemas no coração, mas não quer se cuidar. Fui embora por que não ia aguentar vê-lo se acabar sendo que tem tratamento para fazê-lo melhorar.
–Por que não me disse antes? Eu podia, sei lá, falar com ele- argumentou inquieta com aquilo. Kate a olhou de forma penosa por ver a preocupação da latina com seu pai, sendo que não era só esse o motivo que a manteve afastada por tanto tempo.
–Não queria preocupar você, San. Já tem tantos problemas.
–Kate, eu sou sua melhor amiga. É pra isso que serve os amigos, pra compartilhar coisas boas e ruins.
–Okay, agradeço a você por se preocupar, mas eu ficarei bem. Meu pai também ficará- tranquilizou tocando a mão da Santana que pensava ainda encarando Kate.
–Então foi por isso que voltou?
–Também, no entanto Puck me ligou pra contar o que aconteceu com você e sua esposa. Eu seria a pior pessoa no mundo se te deixasse sozinha nisso.
–Pode ter certeza que você não é, Kate- Santana corrigiu, a loura a olhava tenramente- Pode ser maluca, mas ruim não.
–Obrigada por isso, eu acho. No entanto você é muito ruim- disse séria. Santana a encarou confusa- Por que está com esse cobertor enorme com você enquanto eu morro congelada ao seu lado.
–É muito doida mesmo. Vem cá que eu te esquento- a latina riu, abrindo os braços para que Kate se encostasse a ela, assim compartilhando o cobertor.
–Eu estou aqui pra você, San... Sempre- Kate disse aninhando-se ao peito de Santana.
–Eu sei, Kate. Digo o mesmo a você.
–Você parece preocupada. Algum problema?- Santana olhou para o nada dando uma profunda suspirada. Kate a fitou intrigada:
–Nem imagina quanto, Kate. Mas agora só quero pensar. É a única coisa que posso fazer agora.
–Tudo bem, mas pensa baixo que eu estou com sono- brincou tentando amenizar o clima de tensão, fazendo Santana sorrir levemente- Vai dar tudo certo, latina.
–Eu espero, Kate... Eu rezo por isso.
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