A outra face- Surgindo das cinzas
34 Capítulo 34- Entre tintas e risadas
Notas iniciais
–Tem certeza que não quer que eu te deixe na casa de seu pai?- Santana perguntou enquanto acompanhava Kate até a frente do hospital para pegar um táxi- É quase meia noite, Kate. É perigoso pra você andar com um estranho em um carro à uma hora dessas.
–Tenho sim, Santana. Agradeço muito pela preocupação, mas eu sei me virar- disse sinalizando para que um táxi mais a frente parasse.
–Kate...
–San, eu vou ficar bem- ela interrompeu o argumento receoso da latina, tocando em sua mão- Se preocupa não. Eu ando com um taser na bolsa- falou de forma brincalhona, arrancando um sorriso de Santana.
–Tudo bem, mas me manda uma mensagem quando chegar em casa- a loura consentiu dando um abraço em Santana, entrando em seguida no veículo. A latina colocou as duas mãos na janela do carro inclinando-se para falar com o motorista- Olá, como você se chama?
–Carlos, senhora.
–Pois bem, Carlos. Me chamo Santana Lopez e essa moça que você estará transportando é muito especial pra mim- Kate sorriu abertamente- Então, aviso de antemão que elimine qualquer pensamento sobre ela que não seja o de deixá-la sã e salva em casa. Fique sabendo que sou ótima em guardar rostos e placas de carros na memória e que pode ter a certeza que não vai querer se encrencar comigo, entendeu?- ele consentiu um tanto assustado pela abordagem de Santana daquela forma- Tudo bem, dirija com cuidado.
–Boba- Kate murmurou sorrindo pela preocupação de sua amiga mais que especial- Obrigada, San.
–Não por isso. Não se esqueça da mensagem quando chegar- relembrou retirando as mãos da janela.
–Tchau- a loura se despediu recebendo um sorriso tenro da latina e um aceno de mão.
A latina retornou para o quarto onde sua esposa repousava, entrando cuidadosamente para não acordá-la. Tomou um banho rápido e juntou-se a Quinn na cama, retomando sua posição de quando saiu há algumas horas sentindo-se mais relaxada para dormir dessa vez. A conversa com Kate realmente havia lhe feito bem.
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Santana sentiu Quinn movimenta-se ao seu lado na cama e despertou. Abriu os olhos lentamente encontrando sua esposa tomando seu café da manhã entretida com alguma coisa que passava na TV colocada em seu quarto, a pedido dela. Quinn estava tão focada no que via que não notou a latina desperta ao seu lado, se aproximando e depositando um leve beijo em sua bochecha:
–Ai, San. Você me assustou!- colocou a mão no peito, tomando um pouco de suco.
–Desculpa pelo susto- desculpou-se sorrindo da expressão de Quinn- Bom dia, amor.
–Bom dia- deram um selinho rápido- San, por onde você andou noite passada?
–Como assim?
–Quando eu acordei por volta das onze, você não estava mais na cama.
–Eu estava por aí, fui caminhar. Minha cabeça doía um pouco e caminhar sempre me ajudou a melhorar- explicou, levantando-se da cama e colocando seus calçados.
–Uhm- Quinn murmurou continuando com seu desjejum- Sente-se melhor?
–Bem melhor- sorriu levemente para firmar o que dizia- Amor, vou tomar banho agora, tudo bem?- Quinn consentiu. Santana lhe enviou um beijo no ar e seguiu para o banheiro.
Tomou um banho gelado para revigorar as energias perdidas no dia anterior. Depois de já relaxada e de higiene bem feita, retornou ao quarto encontrando Quinn recebendo Beth para sua primeira amamentação do dia:
–Tem forma melhor de começar o dia do que um banho gelado e ser recebida por seus filhotes lindos?- Santana comentou sorridente, aproximando-se de uma das enfermeiras para pegar Tyler- Oi, meu filho- beijou levemente a têmpora do pequeno, que sempre dava um profundo suspiro quando sua mãe fazia isso. Sentou-se ao lado de Quinn, repetindo o gesto com Beth e dando um selinho demorado em sua esposa- Sente-se bem?
–Uhum... Só algumas cólicas meio chatinhas, mas nada que me atrapalhe de ser feliz- as duas riram do comentário- Está com fome?
–Não muita. Daqui a pouco como alguma coisa em nosso apartamento. Vou ter que dar uma passada lá pra pegar uns documentos para levar a empresa e providenciar logo o registro de nossos filhos.
–Não adianta eu pedir pra você ficar, não é?- a loura fez um biquinho pidão.
–Você sabe que é o que eu mais queria, amor- Quinn concordou- Mas daqui a pouco você sai desse hospital e daí será apenas você, os pequenos e eu.
–Vai sim. E a antiga casa da sua mãe?
– É mais outra coisa que eu terei de resolver ainda hoje. Eu dei uma passada ontem e tem algumas coisas que ainda precisam ser terminadas para que possamos nos mudar- explicou enquanto embalava Tyler em seu colo.
–Vai ter um dia bem cheio hoje- a loura comentou observando Beth inquieta durante sua amamentação.
–Sim, mas vou fazer de tudo para chegar mais cedo para passar pelo menos a noite com vocês, okay?
–Tudo bem- Santana depositou um beijo demorado nos lábios da loura.
–Estou indo agora, tudo bem?- Quinn assentiu- Te amo.
–Também amo você- finalizaram com vários selinhos rápidos, seguido de um beijo demorado- Na verdade nós três te amamos.
–Amo os três também- sorriu, deixando beijos em seus filhos. Beth até segurou em uma das mechas dos cabelos negros de Santana- Calma que eu volto, filha- brincou dando um beijo casto na mãozinha de sua pequena- Tchau, amor.
–Tchau, San. Não demora.
–Vou tentar.
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Santana passou rapidamente em seu apartamento, pegou seus objetos de trabalho, trocou de roupa e seguiu para a empresa. Precisava reparar como estava o andamento de alguns projetos de franquias novas da FLC que eram de total importância para o reencaminhamento da mesma por conta do atentado há alguns meses. Sua corporação ainda se recuperava desse dia fatídico que ninguém ousava querer se recordar. Passou voando por Martha que a acompanhou:
–Senhora!
–Oi, Martha. Vai lá, pode despejar. Vim pronta pra isso- disse colocando seu casaco em cima de sua nova poltrona, pois a antiga queimou-se como as demais coisas depois da explosão. Sua sala estava completamente reformada e de móveis novos. Muitos arquivos e documentos foram perdidos, o que só aumentou o trabalho da latina.
–Pois bem, senhora Lopez- Martha começou- Primeiramente quero lhe dar os parabéns pelo nascimento de seus filhos. Soube que são lindos e fiquei feliz por ter dado tudo certo.
–Ah, obrigada Martha- Santana agradeceu sorrindo de forma sem graça. Ela achava engraçado jeito sério de sua secretária. Apesar de nova, Martha transparecia uma postura muito diferente das pessoas de sua idade. Tinha 22 anos e pelo o que Santana sabia, não era casada ou tinha namorado. Ela não era feia. Era dona de uma beleza singular e até rara. Era uma linda mulata de olhos tão escuros quanto os seus cabelos, deveras cumprido, que ela deixava a maioria do tempo preso em um coque bagunçado. Usava óculos de grau e tinha um corpo definido, de muitas curvas e pele bem cuidada, fazendo a latina se perguntar o porquê dela ainda estar sozinha. Deve ser pelo seu jeito sério e fechado de ser, Santana pensou.
–De nada, senhora.
–Sabe, Martha, acho que não te mataria se me chamasse de Santana às vezes- disse brincalhona, sentando-se de frente ao computador, o ligando- Nós somos quase da mesma idade.
–Se é assim que a senhora, digo, você prefere. Tudo bem, Santana- disse de forma tímida, fazendo a latina rir com isso- Então, depois de parabenizá-la pelo nascimento de seus filhos, queria lhe entregar essa lista com os nomes dos sócios que querem uma reunião o mais rápido possível com a senhora...
–Martha!
–Desculpa... Com você. Força do hábito- as duas sorriram.
–Bom, se for só isso eu...
–Quem dera que fosse- Martha a interrompeu fazendo uma careta engraçada. Depositou um punhado de pastas sobre a mesa de Santana que arregalou os olhos com a quantidade- E não são nem a metade.
–Deus!
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A latina praticamente transitou por toda a empresa de seus pais resolvendo problemas, assinando documentos, organizando pastas a serem enviadas, fazendo relatórios gerenciais e entre outras milhares de coisas que estavam atrasadas nesse período de seu afastamento. Esses afazeres lhe tomaram o dia inteiro, mas sempre tirava alguns minutos para telefonar para sua esposa no intuito de saber como ela passara a manhã juntamente com seus filhos. Andava meio perdida pelos os corredores do terceiro andar. As mãos iam lotadas de papéis em completa desordem que ela tentava a todo custo decifrar o que tinha neles para colocá-los em seus devidos lugares. Ia tão entretida nisso que não prestou atenção no caminho que seguia e acabou tropeçando em uma caixa que foi deixada pelo corredor. Antes que a latina encontrasse o chão, sentiu duas mãos a puxando rapidamente pela cintura, acabando tendo seu corpo colado ao de quem a salvou da queda:
–Ui, super heroína Kate gostosa loura em ação- Kate brincou com um sorriso sapeca, segurando firme a cintura da latina para mantê-la equilibrada. A loura mantinha-se brincalhona, porém não queria deixar transparecer o quão eletrizante era estar perto de Santana dessa forma.
–Nossa, Kate. O que você está fazendo aqui?- Santana perguntou ainda se recuperando do quase tombo.
–Eu tava entediada lá na casa do meu pai e ao invés de ficar assistindo Tom e Jerry na Tv o dia inteiro, resolvi ver se você estava precisando de ajuda- deu de ombros- E pelo visto acho que eu acertei- comentou apontando para os papéis que foram parar entre as duas.
–Obrigada por isso, eu acho.
–De nada, latina. Então, o que eu posso fazer por você?- perguntou sorridente. Santana arqueou a sobrancelha, dando um sorriso de lado:
–Quem sabe me soltar já não é um começo?
–Ah, me desculpe. Nem tinha percebido- Kate disse corada quando percebeu que ainda estava agarrada a Santana, soltando-a logo em seguida.
–Não precisa se desculpar. Te deixei com vergonha. Preciso dizer que milagre acabei de operar?- Kate riu, passando a mão por seus longos cabelos loiros, os colocando para o lado, ainda encabulada- Hey, relaxa. Sabia que você fica bonitinha vermelha? Gostei- a latina brincou dando uma piscada para Kate e se não tivesse abaixado para pegar os papéis que haviam caído no chão, teria notado o quão estremecida a loura ficou com aquilo. Ela se repreendeu em pensamento por estar daquela forma. Rapidamente Kate abaixou-se para ajudar Santana a pegar as folhas pelo chão para não dar tão na cara seu estado de dormência com aquilo.
–Então, já pensou no dia que você vai se alimentar?- indagou já mais controlada.
–Uhm, eu preciso terminar algumas coisas por aqui. Lê-se muitas coisas por aqui- a latina brincou depois de terem apanhado as coisas pelo chão- Não vou me aquietar em quanto não normalizar pelo menos a maioria dessa bagunça. Nossa, se eu demorasse mais um dia longe daqui a empresa explodiria.
–Então deixe que eu te ajude com o que puder- Kate ofereceu, Santana entortou a boca pensativa.
–Não sei Kate. Essa não é sua área, sem falar que é muita coisa. Não quero incomodar.
–Que incomodar o que, eu estou me oferecendo de bom grado, sua latina cabeça dura- puxou os papéis da mão de Santana- Se quiser eu posso cuidar disso pra você. Sou boa em organizar arquivos. Pode perguntar a meu pai, se quiser. Quem você acha que era a responsável pela a organização daquela casa?
–Bem, se você acha que consegue... Quem sou eu pra dispensar ajuda?- Kate sorriu- Deixa eu te mostrar onde eles devem ser divididos...
A latina explicou tudo detalhadamente a Kate, e o trabalho acabou se tornando mais rápido e até mais divertido. Kate acabou fazendo sucesso com os demais trabalhadores da empresa, tanto por sua incrível beleza quanto por o seu jeito engraçado e espontâneo de ser. Ela realmente era boa na organização dos arquivos, Santana nem de longe sonhava que poderia fazer igual algum dia. Algumas horas depois o trabalho estava feito. As duas sentaram-se ao sofá na sala de Santana, recuperando o fôlego da correria:
–E aí, latina... Fome?- Kate perguntou meio molenga, deitada no sofá com as pernas sobre o colo de Santana.
–Muita. Restaurante chinês?
–Só se for agora- as duas sorriram e saíram correndo pela empresa.
As duas tiveram um almoço divertido. Regado a conversar aleatórias e risadas graças a Kate e seu bom humor invejável. Não havia um momento que a loura não estivesse sorrindo ou fazendo alguém rir. Isso era o que mais chamava atenção nela. Depois que terminaram, Santana se ofereceu para deixar Kate em casa, pois teria que passar na reforma da sua nova. A loura disse que não se importava em acompanhá-la, então foram as duas para o local. Chegando na casa, os trabalhadores responsáveis pela reforma já estavam de saída:
–Hey, hey... Por que a saída tão cedo?- a latina perguntou intrigada para o chefe deles.
–A senhora não lembra que nos deu o resto da tarde de hoje e o dia inteiro de amanhã de folga?
–Não, eu...
–Foi há uma semana, senhora Lopez- ele reforçou e ela bateu contra a própria testa.
–Caramba, eu não me lembrava disso- nesse momento a latina se xingava internamente- Mas também como eu ia imaginar que a Quinn entraria em trabalho de parto um mês adiantado? Será que vocês não poderiam relevar a folga? Eu pago o dobro.
–Eu até lhe ajudaria de graça, senhora, mas é meu aniversário de casamento amanhã. Bodas de ouro. Sabe como são as mulheres em relação a isso, não é?
–Okay, tudo bem. Parabéns a vocês pelas bodas, senhor Benjamin- tocou o ombro do mais velho- Caramba, a Quinn sai amanhã do hospital e já queríamos vir diretamente para cá. O que falta a se fazer na casa?
– Falta pintar o quarto dos bebês, algumas coisas do quintal, o telhado da casa da piscina e a grama do quintal.
–Bom, o mais importante é a pintura do quarto dos bebês. Isso eu consigo fazer- a latina afirmou- Onde eu encontro as tintas?
–Eu as tenho no carro. Se a senhora quiser dar uma olhada, eu lhe entrego todo material de pintura.
–Eu ajudo!- Kate se ofereceu, recebendo um sorriso de agradecimento de Santana.
–Quero sim, senhor Benjamin.
Benjamin deixou os materiais que Santana iria precisar para o trabalho no quarto, depois foi embora com os demais trabalhadores. Como mexeriam com tinta, a latina emprestou algumas roupas suas que ainda se encontravam na casa para Kate e também trocou as que usava. As duas forraram o chão com jornais e enquanto Kate pegava os pincéis, Santana abria as latas de tinta:
–Já fez isso antes, Kate?- a latina perguntou posicionando as latas aonde começariam.
–Se pintar as unhas com esmalte serve como experiência, sim- Santana riu balançando a cabeça negativamente.
–Olha, acho que não- agora as duas riam- Então de antemão te aviso que vai se sujar toda de tinta. Inclusive esse cabelinho pelo de ovelha albina que você tem.
–Muito corajosa você, me afrontando enquanto eu estou perto dessa lata de tinta que pode pousar certinho nessa sua cabeça de latina irritante- Kate ameaçou com um olhar sombrio.
–Uhm... Veremos quem é a mais rápida no gatilho... Ou nesse caso, no pincel- Santana devolveu com o mesmo olhar e as duas riram- Preparada?
–Já nasci preparada, bebê.
As duas começaram a pintar, tomando o máximo de cuidado possível para não sujar tudo e nem se sujar demais (tarefa quase impossível). Cada uma ficou com um lado do quarto, dando o seu melhor pra ficar algo legal mesmo ambas não terem lá muita experiência em pintar paredes.
–Hey, Santana!- Kate chamou a atenção da latina se aproximando- Me deixa matar uma curiosidade com você.
–Que curiosidade?- a latina perguntou curiosa, parando o que estava fazendo. A loura pegou o pincel e passou bem na testa de Santana, melecando-a toda de tinta azul:
–Queria saber como você ficaria parecendo um Smurf- disse segurando a risada- Mas já vi que me enganei. Está mais pra princesa do Avatar.
–KATE!
–Ih, rapaz. Me ferrei!- a loura dizia correndo pelo o quarto sendo seguida por Santana.
–Ah, Katerine Loren... Você vai me pagar caro por isso- a latina gritava tentando passar seu pincel em Kate, que desviava avidamente das investidas dela.
–Desculpa, Santana. Prometo que não faço mais.
–Ah, mas não vai mesmo- Kate quase passava mal de tanto dar risada de Santana correndo atrás dela toda suja de tinta e com a cara emburrada, porém não parava de correr em círculos no quarto para que a latina não a alcançasse. Em um momento de descuido da loura, Santana conseguiu a puxar pela cintura, tropeçando na lata tinta que acabou ocasionando a queda de Kate por cima dela.
Santana começou a sorrir descontroladamente com a cena das duas no chão, porém Kate estava em uma espécie de estado de transe por estar tão perto do rosto de sua amiga. Aquelas milhões de borboletas começaram a se agitar dentro de seu estômago e suas mãos começaram a ficar suadas. Tudo naquela latina aquecia Kate. Seu sorriso, seu jeito marrento e a sua forma de se expressar. Acabou que ela perdeu-se em pensamentos desde então, que não ouviu que Santana lhe fizera uma pergunta:
–O que disse, Santana?- balançou a cabeça, tentando retornar pra realidade.
–Eu perguntei se você está bem? Se machucou?
–Ah, não. Você amorteceu minha queda.
–Então está confortável?
–O que?- franziu o cenho encarando Santana.
–Você ainda está em cima de mim- a latina expôs sem parar de sorrir com mais uma crise de vergonha de Kate.
–Ai caramba, me desculpa de novo, Santana- pediu sem graça, se preparando para se levantar quando Santana a parou:
–Hey, não precisa ficar assim. Eu estava só brincando. E além do mais... – passou sua mão pela bochecha de Kate, colocando uma mexa de seu cabelo detrás de sua orelha, fazendo com que a loura se arrepiasse pelo o toque- Você ainda me deve uma coisa.
–O que?- perguntou de olhos fechados apreciando o toque da mão de Santana em sua nuca.
–Isso- a latina passou o pincel por toda a bochecha da loura, devolvendo a brincadeira. Kate não pôde deixar de sorrir com aquilo e as duas caíram na gargalhada ainda no chão.
Depois de terminarem de pintar as paredes do quarto e organizarem toda a bagunça, Kate desceu até a cozinha para preparar algo para as duas comerem enquanto a latina mexia com algo no quarto. Meia hora depois a loura adentra o quarto com uma bandeja com sanduíches e refrigerantes para as duas:
–Caramba, você demorou- Santana murmurou dando os últimos retoques no que estava aprontando.
–Eu tive que limpar meu rosto, senhora latina- sentou-se em um canto do quarto, colocando a bandeja no chão- Você me melecou toda, sua chata.
–Touché, Loren. Já viu a situação da minha testa e nariz?- a latina apontou para seu rosto sujo.
–Nós estamos parecendo duas crianças- Kate disse cômica, fazendo careta com a língua de fora.
–Pois é, Xuxa- Kate levantou o dedo do meio para Santana que foi para o banheiro limpar seu rosto. Saiu de lá alguns minutos de lá, enxugando suas mãos e a face.
–Senta aqui. Prova meu sanduíche de frango- chamou, batendo no lugar vazio ao seu lado.
–Primeiramente: Aonde você arrumou essas coisas para fazer os sanduíches?- Santana questionou intrigada- Que eu saiba ainda não fiz as compras para a casa.
–Eu fiz chame para o vizinho do lado e ele me deu tudo. Ainda preparou e embrulhou tudo bonitinho- deu de ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo- Ninguém resiste ao meu charme louro- jogou os cabelos para o lado, se gabando.
–Kate, Kate- Santana balançou a cabeça desacreditada nas maluquices de sua amiga- Às vezes eu me pergunto se nessa sua cabecinha só existe vento- a loura lhe deu língua.
–Vai comer ou não? Eu estou com fome- perguntou impaciente fazendo bico.
–Já vai. Nós vamos lanchar a luz das estrelas.
–Estrelas? Mas ainda nem anoiteceu- intrigou-se.
–Kate... As estrelas existem aonde nós queremos que elas existam- disse simplesmente e fechou as janelas do quarto, deixando apenas um abajur aceso. Kate maravilhou-se com o que a latina havia feito. Pequenas estrelas de neon pairavam sobre o teto, formando um lindo céu à noite. Tão encantador quanto o real, pois as estrelas mesclaram-se perfeitamente a tinta escolhida para as paredes- Eu quero que eles tenham a sensação de fazerem parte do céu. As estrelas significam a continuidade de nossos dias. Acende uma estrela, alguém reacende aqui embaixo.
–Uau!- foi a única coisa que ela conseguiu dizer depois do que estava vendo e das palavras de Santana. Aquilo tudo só serviu para ela ter seu coração mais que acelerado- É tudo lindo, San.
–Se depender de mim, meus filhos só vão ter o que é de melhor. Eu tive muita sorte de ter filhos tão maravilhosos.
–Não, San. Eles que tiveram sorte de terem ganhado uma mãe tão boa e dedicada quanto você- fitou Santana com carinho, porém a latina mantinha-se concentrada ao seu lanche que acabara de começar a comer- Se bem que eu nunca tinha te imaginado como mãe.
–Sinceramente, nem eu me imaginava dessa forma, mas não há coisa melhor pra mim do que estar com a mulher que amo e meus filhos, frutos do nosso amor- Kate sentiu uma pontada em seu peito quando a latina disse de forma tão intensa: ‘’ a mulher que amo’’, disfarçando o máximo que pôde para que sua amiga não percebesse isso- Se me dissesse que estaria assim há cinco anos, eu sorriria de você.
–Pois é, a vida é algo engraçado- a loura disse depois de uma profunda suspirada- Há certas coisas que nunca imaginamos para nós, mas simplesmente elas acabam acontecendo. É o destino gozando com a nossa cara.
–É né? Mas e quanto a você, Kate... Ninguém ainda fez seu coração fazer aquele Tum Tum? Em Londres deve haver pessoas interessantes- cutucou a loura que sorriu de forma fraca.
–Sabe que não? Sei lá, não ando com muita cabeça pra romance.
–Sei, não. Você anda muito diferente, Katerine Loren- Santana arqueou a sobrancelha.
–Olha, Santana. Se me chamar de Katerine de novo, vou fazer você comer aquele pincel dessa vez- ameaçou apontando para sua amiga.
–UI... Mil perdões, Kate... rine- provocou, recebendo um guardanapo na cabeça.
–Boba. Você é muito idiota, sabia?
–E você me ama por isso- brincou, Kate sorriu concordando pensando em como a latina não sabia o quanto- Eu te amo também, Kate. Tipo assim, muito- deu ênfase no muito, fazendo Kate sentir aquelas pontadas de alegria no peito por ouvir tais palavras da boca da latina- Você é a melhor amiga que alguém poderia ter. Não, na verdade você é a melhor irmã que alguém poderia ter.
–Eu tento. Um brinde a isso então?- Santana consentiu erguendo seu refrigerante, batendo de leve contra o de Kate.
–À nossa amizade.
–À nossa amizade- Kate repetiu sorrindo, não tão intensamente como Santana, mas estava feliz por significar tanto para a latina. A menos isso poderia ter dela... Seu amor de amiga.
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