A outra face- Surgindo das cinzas
31 Capítulo 31-Fruto do que temos.
Notas iniciais
Enquanto Quinn e os bebês estavam sob os cuidados dos enfermeiros, Santana resolveu dar uma passada no seu apartamento para buscar algumas coisas que eles precisariam durante sua estadia no hospital. Aproveitou para tomar um banho rápido para tirar os resquícios do dia fatídico, porém mágico que teve. Seus familiares se retiraram, indo para suas respectivas casas, pois só poderiam ver Quinn mais tarde, no horário certo de visitas. Apesar da felicidade impagável que estava sentindo naquele momento, sua cabeça não parava de martelar os últimos acontecimentos do dia. Aquele homem não parecia ter surgido por acaso naquele momento, para bater em seu carro e puxar briga com ela, parecia um tanto... Suspeito. Essa era uma das milhares de preocupações que rondavam os pensamentos da latina, porém ela agora deixava seus filhos e suas esposa no hospital no topo de todas elas.
De banho tomado, pegou os pertences dos três e rumou para hospital. Chegando lá, foi orientada para onde sua esposa tinha sido levada, seguindo rapidamente a seu encontro. Entrou cuidadosamente no quarto onde a loura estava encontrando-a ainda adormecida. Devia estar realmente cansada depois de seu trabalho árduo para trazer seus filhos ao mundo e merecia um bom descanso depois disso. Largou as coisas em cima de um sofá que havia por ali, sentando-se ao lado de sua amada na cama. Carinhosamente levou seus dedos aos fios louros de Quinn, os afagando levemente, enquanto a fitava em seu sono tranquilo e pesado. Sorriu automaticamente sentindo seu peito inflar de tanto amor que sentia por aquela mulher, cujo coração já lhe pertencia desde o primeiro momento que se cruzaram. Sentia-se mais que sortuda por ter uma companheira tão maravilhosa e forte ao seu lado. Como a amava, ainda mais agora que a mesma havia lhe dado filhos tão lindos, maravilhosamente vindos para a felicidade das duas.
–Mocinha forte sua esposa- a doutora Morrison comentou, fazendo Santana assustar-se de leve- Ah, me desculpe... Você estava tão concentrada olhando Quinn dormindo que nem notou quando entrei.
–Sem problemas, doutora- sorriu, diminuindo o tom de voz para não atrapalhar o sono da loura- E ela é sim muito forte- olhou sua esposa com carinho- Mais forte que muitos que já vi.
–Acho bonito vocês duas- disse de forma repentina, fazendo a latina encará-la- Depois de tudo que passaram estão aqui, firme e forte com agora dois bebês mais que lindinhos que dão vontade de morder de tão fofos- Santana riu do comentário- Dá gosto de conhecer pessoas como vocês, que não se deixam abalar pelas circunstâncias.
–Nós batalhamos muito para construir o que temos. Eu nunca imaginava algo assim pra mim... Estar casada, com um trabalho firme e agora sendo mãe- desabafou sem entender o porquê de estar se abrindo para alguém meio que desconhecida- Mas agora não me vejo sem ela... Muitos menos sem meus filhos- olhou Quinn mais uma vez para continuar- Parece até algo inacreditável por tamanha felicidade... Uhm, me desculpe pelo desabafo.
–Que nada, minha criança... Quando estamos felizes temos mais que colocar pra fora- aliviou simpática- Então, eu acho que a Quinn vai demorar acordar um pouco. Não quer aproveitar pra dar uma olhadinha em seus pequenos? Já estão limpinhos, cheirosinhos e prontos pra ver a mamãe latina deles- Santana sorriu tenramente quando ouviu sobre seus pequenos, sentindo bater aquela vontade esmagadora de vê-los, porém olhou receosa para Quinn dormindo- Hey! Não se preocupe com sua esposa, ela só vai acordar mais tarde e uma enfermeira daqui a pouco virá vê-la, vai por mim... Parir cansa- brincou- Então?
–Claro, vamos sim- aceitou, deixando um beijo casto na têmpora de sua esposa, seguindo a médica até o berçário.
Parecia que havia retornado a seu sonho de meses atrás, quando ainda não sabia sobre seus filhos e a figura estranha tomava seus pensamentos atormentando-a, no entanto agora sabia que estava lúcida, pelo menos em parte, pois a felicidade de ter seus bebês tão próximos a ela a fazia sentir-se flutuando a quilômetro de distância da terra. As duas pararam de frente a uma janela que dava a visão dos bebês no berçário, a médica pediu que a latina aguardasse um instante enquanto adentrava o local. Segundos depois ela conversava com uma enfermeira que a guiou até um dos berços, olhando em seguida para Santana indicando que aquele era um de seus filhos, a garotinha. A latina, pelo vidro, encantou-se com a pequena inquieta que mexia as perninhas como se não quisesse ficar deitada, dando aquele sorriso de derreter até o mais forte iceberg. Ao lado do berço da pequena ficava o de seu gêmeo, que ao contrário dela, estava tranquilo em um sono leve, mas não diminuindo a admiração de sua mãe do outro lado do vidro.
–Eu estou aqui, meus filhos... Sempre pra vocês- murmurou como se os bebês pudessem ouvi-la, acenando na direção dos dois. Ficou incontáveis minutos fitando os dois através daquele vidro que mais parecia uma muralha entre ela e seus filhos. Uma enfermeira se aproxima:
–Senhora Lopez?
–Ah, oi... Aconteceu alguma coisa com minha esposa?- indagou, saindo do transe em que se encontrava.
–Não, ela está bem, só acordou e chamou pela senhora.
–Tudo bem, obrigada. Já estou indo onde ela- agradeceu e antes que a enfermeira saísse, resolveu matar uma curiosidade- E os bebês?
–Serão levados daqui a pouco para terem suas primeiras amamentações- explicou calmamente- Olha, já estão sendo preparados.
Santana voltou a olhar seus pequenos e notou que os dois foram pegos por enfermeiras, sendo levados para algum lugar.
–Okay... Obrigada novamente- retirou-se, indo para o quarto onde Quinn descansava.
Santana deu duas batidas na porta, escutando a loura consentir sua entrada:
–Por acaso esse é o quarto da mamãe mais linda e perfeita que eu amo chamar de minha mulher?- a latina brincou, colocando apenas a cabeça para dentro do quarto, recebendo um sorriso aberto de Quinn.
–Sua boba... Você sumiu.
–Fui ver nossos filhos e tenho que te dizer que são... Perfeitos, nunca vi nada parecido antes- falou aproximando-se de sua esposa, envolvendo-a com um abraço apertado prontamente retribuído com a mesma intensidade- Você fez um bom trabalho, meu amor... Mostrou o quanto é forte por nós.
–Seu amor me dá forças, San- a latina sorriu, depositando um beijo demorado nos lábios de sua amada, que se agarrou a sua nuca buscando sua segurança contra o corpo da mulher a sua frente.
–Obrigada, hoje me sinto a mulher mais feliz e completa de todas, pois você me deu um pedaço do paraíso- disse ao separar-se do beijo, deixando que apenas suas testas ficassem em contato. Quinn a fitou profundamente, fazendo-a maravilhar-se pelo olhar terno de sua esposa, sem falar da energia intensa que emergia de seu corpo por estar mergulhando naqueles olhos cor do amanhecer, daqueles que te enche de energia apenas com esse contado tão intenso- Amo você... Com tudo que tenho dentro de mim.
–Também amo você, meu amor- mais um beijo trocado por elas. Precisavam desse contato de ambas- San?
–Que foi, amor?- perguntou sem sair do abraço.
–Apesar de amar ficar assim com você... Estou doida para ver meus filhos- Santana sorriu da careta fofa que Quinn fez juntamente com um biquinho pidão, que a latina desmanchou com um selinho demorado.
–Me disseram que daqui a pouco irão trazê-los para você dar de mamar a eles.
–Ai, San... Mal posso esperar pra mimar meus filhotes- disse agoniada, fazendo Santana dar uma longa gargalhada.
–Não precisa esperar mais- Morrison falou, entrando repentinamente no quarto, acompanhada de duas enfermeiras, cada uma com um bebê. Quinn já se sentia emocionada apenas em ver seus filhos tão de perto, apesar de já ter tido contato com eles antes, porém para uma mãe é muito pouco- Mamãe, Quinn... Aconselho você começar a alimentar essa danadinha, por que já está devorando as luvas- a médica comentou brincalhona, levando a pequena para dar a Quinn, que a pegou instintivamente encolhendo-a em seus braços.
–Ela é linda, San- a loura disse admirada, acariciando a pequena cabecinha da bebê.
–É sim, meu amor... Muito linda- olhava encantada para a pequena no colo de sua mãe, já inquieta por estar com fome.
Morrison ensinou a Quinn à maneira certa de amamentar e a mesma aprendeu rapidamente já saciando sua filhinha, um tanto inquieta, durante o procedimento. A latina apenas encarava tudo atenta e totalmente maravilhada, ora trocando olhares emocionados com sua esposa que exalava felicidade nesse momento, ora fitava seu outro filho nos braços da auxiliar da médica. Morrison se pronunciou:
–Hey, Santana... Enquanto Quinn amamenta a menininha, você não quer segurar o outro?
–Acho melhor não- respondeu receosa- Tenho medo de machucá-lo, ele me parece tão... Delicado.
–Que nada, minha criança... Vem cá que eu te mostro- pediu. Santana trocou olhares com sua esposa, que consentiu com a cabeça lhe enviando calma e por mais que ela tivesse medo de segurar seu filho errado, queria ter contato com ele.
–Tudo bem, mas se eu ver que não consigo, você pega ele rápido, okay?
–Okay... Se acalma, Santana... Isso não é coisa do outro mundo- a médica sorriu da cara de preocupação da latina, Quinn a acompanhou na risada sem deixar de achar muito fofo sua esposa daquela forma.
Santana aproximou-se e Morrison calmamente passou o pequeno para o colo dela. A latina pegou aquele ser tão minúsculo como se pegasse a coisa mais delicada do mundo que, com apenas um simples toque, pudesse desmanchá-lo, sentindo-se ser preenchida com um toque divino por isso. Ver seu filho tão sereno, neutro a tudo, lhe encheu de todas as sensações boas criadas por Deus. Quinn acompanhava tudo derramando rios de lágrimas, compartilhando a emoção de sua esposa em seu contato com o filho.
–Ele é tão quietinho- comentou maravilhada, acariciando a têmpora do bebê que já tinha pequenos fios louros quase imperceptíveis em sua cabecinha.
–Viu? Não é nenhum bicho de sete cabeças... Pegou direitinho- Morrison expôs tentando controlar sua emoção com a cena- Veja como ele está tranquilo em seus braços.
–É por que já sente o quanto o amo- disse, deixando um beijo casto da cabecinha de seu filho.
–Tudo bem... Vou deixar vocês quatro se curtindo por aqui, enquanto vou dar uma passada para dar uma olhada nos meus outros pacientes. Tomem cuidado e divirtam-se com seus pequenos- despediu-se e saiu com suas auxiliares.
–Minha menininha gosta de comer- brincou observando a lourinha sorvendo o leite, já mais tranquila.
–Ela é inquieta... Uma mini Puck- as duas sorriram. Santana aproximou-se com o pequeno em seus braços que ainda mantinha-se tranquilo dormindo- Já ele é tão tranquilo, sem ligar para os barulhos por perto.
–Ele me lembra você dormindo... É tão calmo quanto- Quinn comentou, fazendo Santana encará-la carinhosamente- Quando eu achei que iria perdê-lo...
–Hey!- Santana a interrompeu- Não vamos pensar nisso, okay? Vamos nos concentrar nesse momento... Nós duas com nossos filhos assim, juntos.
–Tarde demais, latina- Puck disse entrando de repente acompanhado dos demais- Também quero ficar com meus sobrinhos.
–Seu idiota- a latina brincou. Escutaram-se muitos ‘’owns’’ quando os demais viram os pequenos com suas mães.
–Meu Deus, Quinn... Eles são lindos- Rachel expôs- E são sua cara.
–Verdade, eles parecem muito com você, Quinn- Maribel disse beijando a testa da loura, seguida por Russel:
–Fizeram um bom trabalho, minhas filhas.
–Quinn fez, eu só dei uma mão- Santana disse orgulhosa dos três.
–E outras partes do corpo também- seu irmão cutucou, fazendo-a lhe lançar um olhar mortal, sorrindo em seguida.
–Mas só no quesito aparência, por que essa danada parece que é filha do Puck- a loura brincou, fazendo os demais sorrirem, trocando de bebê com Santana para que pudesse amamentar o menininho agora. A latina começou a caminhar com a pequena pelo quarto no intuito de fazê-la dormir, encantada com a mesma- Já meu homenzinho herdou a calma da mãe latina dele.
–Ele me lembra muito quando Santana era pequena... Ela era desse mesmo jeitinho, sem tirar nem por- Maribel comentou próxima a Quinn com o bebê- Era tão calma que me transmitia isso.
–É, também sinto isso... Com os dois.
–E isso é só o começo, minha filha... Quando tem um filho se experimenta de tudo, desde as alegrias e diversão até...
–Trocar frauda- Finn completou o comentário de sua tia fazendo careta de nojo. Todos caíram na risada, sendo repreendidos por Santana, pois naquele momento tinha conseguido fazer a pequena dormir- Me tirem uma curiosidade agora... Mas quais os nomes dos gêmeos mesmo?- Quinn e Santana se entreolharam nesse instante:
–Minha nossa! Com essa confusão toda nos esquecemos de dar nomes aos nossos filhos, San- a loura constatou séria, Santana apenas lhe olhava sem dizer nada- Não vem nenhum em minha cabeça agora.
–Mas temos que dar logo, Quinn... Não vamos chamar eles só de menininho e menininha não- Lanna se pronunciou- Olha, acho que podemos pesquisar na...
–Tyler e Elizabeth!
–O que disse, Santana?- Lanna perguntou confusa, fazendo todos encararem Santana.
–Os nomes... Tyler e Elizabeth!- firmou aproximando-se de sua esposa, que a olhava pensativa.
–Por que esses nomes, San?- a loura indagou quando a latina sentou-se a seu lado.
–Elizabeth é um nome hebraico: aquela que é consagrada por Deus. Inquieta, impaciente, porém forte no que pensa- dizia sem tirar os olhos de sua filha que dormia tranquilamente agora- Já Tyler é o canal com a tranquilidade... Quieto, inerte, mas persuade quem estiver ao seu redor com sua delicadeza e calmaria- os demais a encarava meio que boquiabertos com a escolha dos nomes, Quinn mais ainda. O silêncio se instaurou pelo local até Quinn quebrar:
– Tyler e Elizabeth... Eu amei, meu amor- passou sua mão livre pelos cabelos negros de Santana que se virou para beijar a bochecha de Quinn- Nomes tão especiais quanto os nossos filhos.
–São sim, Quinn, muito especiais... São nossos pedacinhos do céu- ajeitou-se para ficar ao lado de sua esposa, junto com seus filhos. Os demais encaravam a cena felizes, enfim elas poderiam respirar tranquilas, pois seus pequenos agora estavam em seus braços, exalando uma felicidade nunca alcançada por elas antes. Precisavam de um momento sozinhas e seus familiares entenderam isso, retirando-se do quarto. Aquele momento era único... Sentimentos diversos bombardeavam seus peitos nesse instante, mas o que predominava era o amor e o zelo, pois quando amamos... Tudo é intensificado quando estamos perto. Agora era torcer para que isso continuasse para o resto de seus dias, mas como nada é eterno... Era viver o momento como se fosse o último.
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