A outra face- Surgindo das cinzas
24 Capítulo 24- O ódio à felicidade
Notas iniciais
–Desgraçada!- Noland xingava destruindo sua sala secreta onde ia para pensar- Ela não tinha esse direito.
–Calma, meu menino- pedia a senhora que cuidava dele desde criança.
–Não, Naná, aquela desgraçada arruinou minha vida mais uma vez. A Quinn é minha... MINHA- gritou jogando uma cadeira pela janela. Ele estava transtornado de uma forma extrema- Cadê o Theodor?
–Creio que em Los Angeles cuidando daquilo que você pediu para ele buscar- ela disse assustada- Tenta manter a calma, meu menino, tudo vai se resolver.
–Claro que vai, por que eu farei que dê certo. Eu odeio Santana Lopez com todas as minhas forças e a farei sofrer como nunca sofreu antes na vida- disse seriamente.
–Noland, acho melhor esquecer disso e tentar uma vida melhor. Você não era assim, menino- ela pediu acariciando o rosto dele, mas o mesmo se afastou.
–Nunca, Naná, eu quero a cabeça daquela latina na minha lareira. Vai pagar por tudo que ela me tirou... E da pior forma possível.
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Duas semanas depois:
–Então pessoal, nosso desfile de abertura para a próxima capa da revista Milenium Woman está próximo e queria agradecer a todos pela dedicação para que tudo saia perfeito e no prazo- Ro dizia em uma reunião com todos do departamento de moda- E queria agradecer mais ainda pela super ajuda e criatividade da nossa querida consultora e futura mais linda mamãe, Quinn- a loura sorriu como resposta. Quinn havia voltado ao trabalho uma semana depois do seu resultado de gravidez e estava a todo gás nos preparativos para o desfile. Santana não gostou nem um pouco dessa volta da loura, pois queria que Quinn ficasse de repouso por conta da gravidez. Os primeiros meses são os mais preocupantes e a ela insistia que sua esposa deveria ficar em casa pelo menos até os quatro meses, mas Quinn não aceitou por conta do seu importante e primeiro trabalho na empresa. Com aquele desfile, que também seria primeira capa da revista de Ro, ela poderia mostrar todo seu potencial apostado por Santana e a dona da empresa- Nesse pouco tempo que você está na MW já nos mostrou o quanto é capaz de crescer aqui dentro. Seu talento me impressiona como nenhum me impressionou nesses muitos anos de trabalho na área da moda. Um brinde a você, criança- todos ergueram suas taças e Quinn seu copo de suco de maracujá (ela estava ciente de que não podia ingerir álcool em seu estado atual, mas não teria problema quanto a isso, não era de beber muito, só em festas e ocasiões especiais).
Quinn sentiu-se orgulhosa de si mesma, apesar de ainda não ter concluído seu trabalho já se sentia vitoriosa por ter chegado até ali. Era seu sonho que tinha desde criança se realizando e aquela era a sensação mais maravilhosa que podia sentir, principalmente com a novidade que iria ser mãe e de ter uma esposa maravilhosa que lhe apoiava com qualquer escolha e caminho que quisesse seguir.
–Então, futura mamãe, feliz?- Ro perguntou aproximando-se de Quinn, que até então mantinha-se presa em pensamentos.
–Completamente- respondeu com um largo sorriso, recebendo em seguida um abraço de sua patroa- Se melhorar estraga.
–Sabe, Quinn, você foi uma das muitas pessoas que apostei que me deram um resultado tão bom- comentou sentando-se. Quinn fez o mesmo- Sempre gostei de dar oportunidades a jovens como você, que estão se lançando no mercado, mas não tive tantas alegrias com eles. Fico feliz que ao menos acertei com você.
–Agradeço a você por acreditar em mim.
–Não me agradeça, criança, mas a sua adorada esposa por me indicar você- disse colocando sua mão sobre as de Quinn- Do jeito que ela me falou de você, até me sentiria uma idiota se não a contratasse.
–Ela exagera às vezes- Quinn brincou.
–Mas te ama como eu nunca vi ninguém amar outra pessoa antes. Sinta-se lisonjeada por isso, ela é uma raridade- as duas riram.
–Eu me sinto a mulher mais sortuda do mundo por tê-la comigo- disse orgulhosa- Ainda mais agora que tenho uma parte dela dentro de mim.
– E como ela está quanto a isso?
–Completamente besta- Ro sorriu- Mal me deixa andar ou fazer qualquer outra coisa sozinha. Tive um trabalhão para ela me deixar voltar para a empresa. Se está assim agora, imagina quando o bebê nascer.
–Ela é uma ótima pessoa, assim como você, criança. Nunca vi duas pessoas que combinam tanto, apesar das diferenças. Vocês são daquele tipo que já estava escrito em algum lugar que iriam ficar juntas até o fim dos dias- Ro comentou com um olhar de ternura- Vocês se conhecem a quanto tempo?
–Desde os cinco anos, mas ficamos uns quatro anos sem nos falarmos.
–Posso saber por quê?
–Problemas dos outros que nos atingiram de uma forma terrível- explicou tentando não lembrar do que aconteceu.
–Sempre é assim... Alguns idiotas aprontam e nós é que sofremos. Meus pais, por exemplo, brigavam muito quando eu era criança e tive que ser enviada a um lar para adoção por isso.
–Sinto muito- lamentou tocando a mão de Ro.
–Não sinta, criança. Se não fosse por isso eu não teria sido adotada por pais maravilhosos, que me amavam e me apoiavam com qualquer que fosse minha escolha. Sem eles eu não estaria onde eu estou- acalmou sorrindo tranquilamente- Nada na vida é por acaso, Quinn. Tudo que acontece em nossas vidas tem um propósito. Se não tivesse acontecido isso com vocês, talvez nem estivem juntas agora.
–Também acredito nisso e não tenho do que reclamar. Minha vida não poderia ser melhor.
–Não, Quinn... Não poderia- Ro comentou sorrindo, acariciando a barriga de Quinn e arrancando uma risada da mesma.
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–Nossa empresa oferece o que há de melhor em processos de financiamento, economia, investimentos e direito, senhoras e senhores- Santana explicava enquanto passava alguns slides- Temos filiais por todo país e alguns fora dele. Alemanha, Itália, Brasil, Venezuela, México, Inglaterra e alguns mais já possuem algumas companhias de nossa empresa. Garanto a vocês que terão total sigilo de suas transações e execuções... Nosso crescimento fala por nós- disse firme, sentando-se em seguida, passando seu olhar para cada uma naquela sala- O que me dizem?
–Acho que temos uma parceria, Lopez- disse Vincent Nox, presidente de uma das maiores empresas de artigos tecnológicos de Nova York.
–Agradeço pelo voto de confiança, senhor Nox- Santana apertou sua mão contente.
–Seu trabalho está sendo muito elogiado entre muitos executivos de Nova York e eu seria um completo idiota se não contratasse seus serviços.
–Farei de tudo para não decepcioná-lo.
–Sei que não irá- sorriu para ela e se retirou com os demais da sala.
–E aí, garota sucesso?
–Hastings... Por onde você andava, seu preguiçoso?- Santana o cumprimentou com um aperto de mão.
–Viagem de negócios, cheguei à uma hora de Ohio- explicou sentando-se na ponta da mesa.
–Algum caso importante?- perguntou organizando algumas pastas.
–Foi. Um cara passou quase vinte anos desviando dinheiro da empresa que ele trabalhava.
–Você o defendeu?
–Não, fui contratado pela empresa.
–Pelo o que eu te conheço, deve ter feito o cara pegar no mínimo trinta anos de cadeia- Santana brincou guardando as pastas em uma bolsa de coura preta que possuía uma tranca auxiliar em dois lugares.
–Não brinco em serviço, minha cara- gabou-se e Santana sorriu- Hey... Fiquei sabendo que vem um latino a caminho. Parabéns, mamãe. Sei que deve estar toda orgulhosa.
–Obrigada e sim, estou mais que orgulhosa- Michael riu da cara de boba de Santana.
–Já sabe o sexo do bebê?
–Não, só daqui a duas semanas.
–Ansiosa?- perguntou esfregando as mãos com expectativa. Santana balançou a cabeça positivamente com um semblante agoniado- Deve ser uma sensação boa.
–Maravilhosa- Santana explicou sentando-se ao seu lado- No começo eu me assustei, mas só de pensar ter um pedacinho de nós duas a caminho, meu coração ficou leve novamente. E você, Michael, tem alguém?
–Tenho sim. Eu namoro à quase três anos com uma antiga amiga. Devo ter alguma foto dela comigo- ele pegou seu celular e o vasculhou- Está aqui- entregou o celular a Santana.
–Ela é muito bonita.
–Sem dúvida a mulher mais linda que já vi- disse com um olhar apaixonado- Ela se chama Rosemary. Nos conhecemos no colégio e namoramos, mas por obra do destino, seguimos por caminhos diferentes. Fiquei péssimo depois disso.
–Sei como é... Quinn eu passamos por coisas parecidas- Santana comentou encarando suas mãos- Como se reencontraram?
–Foi há três anos e meio atrás em uma conferência em Tóquio. Quando eu a vi, meu coração pareceu querer pular para fora do meu peito. Não podia deixá-la escapar de mim novamente. Conversamos, saímos algumas vezes e descobrimos que nosso amor nunca deixou de existir. Não me vejo sem ela depois disso.
–Nossa... Isso foi intenso- Santana comentou, passando as mãos por seus cabelos- Também não me vejo mais sem a Quinn. Ela é o melhor que já me aconteceu.
–Eu acho bonito vocês duas. Apesar de ter sido um choque quando descobri que vocês duas namoravam naquele jantar a alguns anos atrás e você quase arrancar minha cabeça fora.
–Pode crer, cara. Vontade não me faltou- os dois riram- Eu não fui muito com a sua cara no início, mas vejo que você é legal.
–Fico feliz que tenha mudado sua opinião sobre mim. Principalmente por que não vou precisar temer mais pela minha vida quando chegar perto de você ou da Quinn- mais risadas dos dois.
–Fica tranquilo quanto a isso.
–Ok, então. Agora deixa eu me mandar. Sei que deve ter uma pilha de papéis de uns quinze metros me esperando na minha sala. Até mais, Lopez.
–Até mais.
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Quinn saiu do trabalho por volta das sete da noite. Sentia-se exausta e com uma vontade imensa de tomar um banho longo e quente. Nova York esfriou naquele começo de noite e nada como um chocolate quente e o colo da sua esposa para relaxar. Abriu a porta e caminhou pela sala, jogando sua bolsa em cima do sofá. Escutou uma música vinda da cozinha e caminhou até a mesma. Chegando lá, encontrou Santana cortando alguns legumes na pia, enquanto movia seus quadris e cantava junto com a música.
Say you're leavin on a seven thirty train
Você está indo embora no trem das 7: 30
And that you're headin' out to Hollywood
E está indo para Hollywood
Girl you been givin me the line so many times
Garota você me deu a mesma desculpa tantas vezes
It kind gets like feelin bad looks good
Que parece que me sentir mal está ficando legal
Quinn encostou-se no armário, observando Santana cantar e dançar sensualmente, sem ainda perceber que ela a observava.
That kind lovin'
Aquele tipo de amor
Turns a man to a slave
Transforma um homem num escravo
That kind lovin'
Aquele tipo de amor
Sends a man right to his grave
Manda um homem direto para a sepultura
I go crazy, crazy, baby, I go crazy
Eu vou enlouquecer, enlouquecer, baby, eu vou enlouquecer
You turn it on
Você apronta
Then you're gone
Depois vai embora
Yeah you drive me
Você me deixa
Crazy, crazy, crazy for you baby
Enlouquecer, enlouquecer, baby, eu vou enlouquecer
What can I do, honey
O que eu posso fazer, querida
I feel like the color blue
Eu me sinto triste
Ficou ali incontáveis minutos observando sua esposa em sua performance mais que sensual, balançando seus quadris lentamente e cantando com aquela voz que fazia Quinn perder o fôlego, principalmente quando ela falava ao pé de seu ouvido. ‘’Como pode ser tão linda dessa forma?’’ Quinn pensou analisando o corpo da latina. Ela usava um short jeans azul não muito curto e uma blusa com mangas curtas branca. De repente Santana para e olha para trás percebendo que era observada:
–Caramba, Quinn, há quanto tempo você está ai?
–O suficiente para assistir a sua dançinha sexy- respondeu aproximando-se, abraçou a cintura de Santana, que passou seus braços sobre os dela- Você é perfeita, sabia?
–Você que é- beijaram-se brevemente- Como foi o seu dia?
–Maravilhoso... Estamos a toda para o desfile- disse animada.
–Você não ficou andando de um lado para outro sem descanso, não é Quinn?-Santana perguntou com a sobrancelha arqueada.
–Eu sou uma das organizadoras, San. Claro que eu tinha que botar a mão na massa.
–Quinn... Lembra do trato que fizemos?- questionou brava- Eu só deixei você voltar a trabalhar por que me prometeu não fazer esforço.
–Mas San... Isso é meio que impossível, principalmente com o desfile tão próximo- argumentou acariciando a cintura da latina, que a olhava inconformada.
–Quinn, você está nos primeiros meses de gravidez e pode ser perigoso esse esforço todo. Que parte da palavra repouso que a médica disse você não entendeu? Temos que fazer isso dar certo.
–Eu sei, meu amor. Me desculpa... Prometo pegar mais leve, tudo bem?- Santana consentiu e a loura lhe deu um selinho- O que você está preparando? O cheiro está ótimo.
–É uma receita que a vovó me ensinou... Você vai gostar, é feita com frango.
–Uhm, já me deu água na boca. Eu só ando assim agora... Com fome- Santana sorriu.
–Você tem que se alimentar por dois, é mais que normal.
–Se continuar nesse ritmo vou ficar imensa. Minhas roupas já estão ficando apertadas.
–Você está linda- Santana comentou, recebendo um selinho- Vai tomar um banho enquanto eu termino nosso jantar.
–Não quer que eu ajude você em alguma coisa?
–Ah não... Só quero que você relaxe, o resto é comigo- disse conduzindo Quinn até a porta da cozinha.
–Não quer me acompanhar?- Quinn perguntou com malícia e Santana balançou a cabeça negativamente.
–Nem inventa, lourinha... Quer que o jantar queime?
–Podemos pedir pizza depois- brincou beijando o pescoço de Santana.
–Tchau, Quinn- disse voltando a pia e Quinn lhe deu língua, indo para o banheiro.
A loura tomou um banho relaxante e colocou uma roupa confortável. Tomou um comprimido de seu suplemento que sua médica havia lhe receitado e seguiu para a sala, encontrando tudo preparado e organizado só no ponto de comerem.
Depois de jantarem, seguiram para a sala e assistiram a um filme. Santana estava deitada com a cabeça no colo de Quinn, enquanto a mesma acariciava seus cabelos lentamente, e isso lhe acalmava magicamente.
–Só faltam duas semanas para sabermos o sexo do nosso filhote- Quinn comentou e Santana virou seu olhar, a encarando- Mal posso esperar.
–Também, meu amor. Na verdade, quero logo que ele nasça, nunca desejei tanto algo na minha vida como a vinda do meu filho- passou seus dedos pela barriga de Quinn- Se me dissessem que eu estaria hoje casada e com um filho à caminho, nunca acreditaria- a loura ouvia tudo atentamente- Algum tempo antes de ficarmos juntas, eu tinha outros planos e eles não envolviam família ou algo parecido. Eu queria pegar a moto do meu avô e ir para bem longe daqui e esquecer tudo e todos- disse séria- Mas algo me prendia e não me deixava fazer isso... Creio que descobri o que era algum tempo depois quando você entrou naquela biblioteca às dez da noite para buscar papéis com as coisas da feira- Quinn sorriu com a lembrança.
–Você quase me expulsa de lá.
–Fiz isso por que tinha medo de você- explicou e Quinn franziu o cenho.
–Medo de mim?
–Sim, medo do que você poderia causar em mim e bem, eu acertei o que temia.
–Foram anos duros que passei longe de você- Quinn comentou com um semblante tristonho- Nunca imaginei sentir tanta saudade de alguém como senti a sua. Parecia que faltava um pedaço importante de mim.
–Eu também me sentia assim, mas a culpa foi minha de tudo isso. Eu achava que ficando longe de você resolveria o que eu estava sentindo, mas só piorou a situação. Cada vez que eu via você naquela escola era uma tortura para mim, principalmente quando você começou a namorar o Logan- lembrou amargamente.
–Hey, não se culpe por isso. Talvez se não tivesse sido assim, não estaríamos juntas agora montando uma família- Quinn argumentou voltando a acariciar os cabelos de Santana.
–Eu sei, só poderia ter sido mais fácil se fosse diferente...
–Não sabemos quanto a isso, mas sei que está bom assim com está. Estamos felizes e é isso que importa, meu amor. Nosso filho virá em breve e será muito amado por nós- disse pegando a mão de Santana e colocando em sua barriga e a mesma a encarou.
–Claro, amor... Me desculpa por relembrar esse assunto- Quinn lhe deu um selinho.
–Sem problemas... Agora deita aqui- puxou Santana para deitar novamente em seu colo, fazendo carinho em sua cabeça.
Tudo o que a latina precisava estava naquela sala.
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