A outra face- Surgindo das cinzas
28 Capítulo 28- Descobertas sórdidas
Notas iniciais
–O que é Santana?- Finn perguntou curioso.
–Acho que não estamos mais seguros- a latina disse com uma expressão indecifrável, tirando uma máscara como a que Constantina usava e um bilhete escrito:
Esse é meu presente para você, Santana.
Saudades
Trukowisk
–O que será que isso quer dizer?- Finn quebrou o silêncio que se instaurou pelo local depois da descoberta de Santana.
–Não sei, Finn, mas acredito que não seja nada bom- ela respondeu depois de alguns segundos. Os três se olharam como se compartilhassem da mesma confusão- Pelo o que percebi olhando pelos escombros, foi uma bomba caseira de baixa frequência. Acho que quem a plantou ainda pode estar por aqui.
–A senhora Lopez tem razão, senhor Fabray... Os rapazes e eu vamos olhar por aí- concordou Salvador, o chefe de segurança da empresa.
–Eu vou com vocês- a latina anunciou, porém Russel não gostou da ideia:
–Não, minha filha, quem fez isso pode ser perigoso- disse aproximando-se de Santana.
–Eu sei me cuidar, pai. Precisamos achar quem fez isso e talvez eu possa o reconhecer se encontrarmos ele por aqui.
–Mas...
–Pai, eu vou ficar bem, confia em mim, por favor- pediu colocando suas mãos nos ombros de Russel- Finn e o senhor precisam tirar aquelas pessoas daqui e as levar para fora do prédio. Pode alguma fiação ter sido atingida e provocar um curto. Isso tudo aqui pode pegar o fogo e o senhor não vai querer que elas se machuquem, vai?
–Mas é claro que não... Olha, tome cuidado e se as coisas engrossarem, me prometa que vai sair de lá.
–Eu prometo. Finn... Cuida da Quinn pra mim e a faça sair daqui, por favor, mesmo que ela não queira.
–Cuido sim, se precisar levo ela nas costas como da última vez- ele brincou querendo descontrair o momento tenso e Santana não pode deixar de rir- Se cuida, latina.
–Okay... Agora vão- ela disse. Russel e Finn seguiram seu caminho até os demais para o andar debaixo.
–Toma essa lanterna, senhora, pelo visto a iluminação desse andar pode ter sido comprometida- Salvador disse entregando o objeto para a latina.
–Obrigada, Salvador, agora vamos...
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Enquanto isso, Russel e Finn chegaram rapidamente ao grande salão e o homem mais velho pegou o microfone:
–Atenção, senhoras e senhores- ele pediu e os demais o fitaram. Quinn e Rachel levantaram-se, aguardando nervosas o que Russel diria. Michael estava ao lado amparando as duas e as mantendo calmas- Escutem com atenção e peço encarecidamente que mantenham a calma nesse momento... Preciso que saiam calmamente pela porta grande atrás de vocês.
–O que aconteceu, Russel?- Michael perguntou intrigado.
–Uma das salas do andar de cima teve uma pequena explosão e corre o risco de alguma fiação ter sido danificada, então é perigoso ficarmos por aqui- quando disse isso, muitas pessoas entraram em desespero e começaram a correr- Hey, hey... Calma, por favor, ou irão se machucar- Russel pedia tentando ele mesmo manter a calma no momento. Alguns dos garçons foram até a porta para abri-la e começaram a guiar as pessoas para fora.
–Quinn... Rachel... Preciso que venham comigo agora- Finn pediu pegando Rachel pelo braço e em seguida Quinn.
–Cadê a Santana?- Quinn perguntou agoniada procurando sua esposa pelo local.
–Quinn, não tenho tempo para explicações, só fique sabendo que a Santana está bem e que está resolvendo as coisas lá em cima, agora eu tenho que tirar vocês daqui em segurança- ele explicou a conduzindo calmamente para a porta de saída.
–Eu não saio daqui sem minha esposa- impôs firme.
–Quinn, por favor, nós precisamos sair daqui- Finn argumentou, mas a loura pareceu imparcial ao pedido de seu amigo.
–Hey, Quinn, escuta... Eu sei que você está preocupada com a sua esposa, mas você precisa manter seus filhos em segurança e pelo seu estado, algo por aqui pode te fazer mal. Russel explicou que teve uma explosão, então deve tem fogo e a fumaça pode ser prejudicial à saúde de seus bebês- Michael reforçou e Quinn o encarou- A Santana sabe se cuidar e com certeza não está sozinha.
–O Michael tem razão... Tem três seguranças bem treinados e armados com ela- Finn comentou entrelaçando seus dedos aos de Rachel.
–Pensa nos bebês, Quinn- Rachel disse tocando no ombro de sua amiga.
–Viu? Seus amigos tem toda razão, pequena... Vamos?- Michael pediu estendendo a mão para a loura que pensou uns instantes, olhando na direção onde Santana havia entrado com Russel e Finn.
–Tudo bem... Pelo bem de meus filhos- Quinn se deu por vencida aceitando a mão de Michael. Os quatro saíram rapidamente acompanhados de Russel para fora do prédio. O patriarca da família tratou logo de telefonar para o corpo de bombeiros e eles o alertou para ficarem fora do prédio enquanto se deslocavam até lá.
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Na área atingida, Santana e os seguranças andavam com cautela pelo local a procura do incendiário que poderia ainda estar por ali. Como Salvador previu, a fiação do local foi danificada e permanecia com alguns cômodos escuros.
–Salvador, você sabe por onde fica a saída de incêndio por aqui?- Santana perguntou enquanto checava uma das salas escuras.
–Não sei, senhora, mas pelo o que me lembro tem uma escada daqui a uns trinta metros- respondeu apontando na direção do lugar.
–Então vamos por ela, talvez ele tenha descido- Santana propôs e os demais consentiram.
Foram rapidamente para as escadas e desceram com cautela por ela, encontrando o lugar escuro, sendo iluminado apenas pela luz da lua.
–Vamos fazer o seguinte: Norris e Luis, vocês vão para a direita, enquanto a senhora Lopez e eu seguimos pelo o outro lado- Salvador explicou aos demais- Vocês estão com os rádios, então me comuniquem se virem ou escutarem alguma coisa. Entenderam?
–Sim, senhor- os outros dois seguranças seguiram para o caminho indicado por Salvador e o mesmo se direcionou com Santana para o lado oposto.
Andaram por alguns minutos pelo breu, sendo apenas iluminados por suas lanternas e nada de pistas sobre o invasor.
–A senhora tem ideia de quem seja?- Salvador perguntou depois de um determinado tempo em silêncio.
–Não, mas acho que sei o motivo- ela explicou olhando atenta cada canto do lugar.
–Deve ser chato isso, digo... Ser perseguido por algo que não fez- comentou olhando um compartimento- Sei como é isso.
–Acho que não sabe, Salvador... É mais do que muitos conseguem imaginar- Santana discordou testando alguns interruptores da sala.
–Pelo menos em parte acho que sei sim... Eu, por exemplo, passei quinze anos da minha vida fugindo da imigração. Já apanhei, levei um tiro, fui torturado e outras atrocidades que ninguém deveria passar. Essa cicatriz próxima a meu olho foi quando tentaram me fazer entregar meus amigos que entraram no Estados Unidos comigo- encerrou apontando para a cicatriz mediana entre os olhos e o nariz- Não me doeu a agressão, mas a humilhação de me sentir feito um animal sem valor. Isso me dói até hoje.
–Sinto muito por você, Salvador. Pelo visto nós dois sabemos o quanto as feridas podem doer tanto, mesmo já estando saradas- Santana disse solidária a dor de Salvador, pois a mesma sentia algo parecido em relação ao que lhe aconteceu no passado.
–Acho que é por isso que as cicatrizes existem, minha senhora... Para nos lembrar do que hoje nos torna mais fortes.
–Concordo com você, Salvador... Mas peço que pare de me chamar de senhora... Tem idade de ser meu pai.
–Mania de porto-riquenho- os dois sorriram. Alguns segundos depois um barulho de algo caindo foi escutado- Você ouviu?
–Ouvi, veio da recepção- Santana respondeu indo na direção do barulho sendo seguida por Salvador.
Os dois pararam na entrada, tomando cuidado para um confronto direto com quem que estivesse por lá. Uma silhueta foi vista passar pela porta que dava até a sala de Russel e os dois seguiram atrás. Salvador já estava com sua arma em punho e Santana ia mais atrás por segurança. Era um homem de mais ou menos um metro e oitenta de altura. Procurava algo e, por conta da fraca iluminação, não viram de quem se tratava. Os dois permaneceram em silêncio dando a volta para interceptá-lo mais a frente, porém algo quebrou o plano... O rádio de Salvador começou a apitar e o invasor escutou, sacando uma arma e atirando na direção dos dois latinos que estavam a sua espreita.
–Droga!- Salvador urrou, jogando-se sobre Santana, a puxando para trás de uma mesa- Mantenha-se abaixada, Santana- ele pediu pressionando o ombro em cima de seu ferimento, pois havia sido atingido de raspão.
–Você está bem?- perguntou preocupada vendo escorrer muito sangue pelo braço de Salvador.
–Estou, só pegou de raspão- ele respondeu puxando a manga de sua camisa para examinar a gravidade do ferimento. Santana rasgou um pedaço de seu vestido e amarrou no local machucado do braço do segurança, enquanto o outro homem atirava em várias direções da sala de forma aleatória- Mais uma para a coleção- brincou engatilhando sua pistola.
–Temos que arrumar um jeito de sair daqui.
–Eu prometo que vou te tirar daqui, só mantenha-se abaixada- Salvador pediu e quando o invasor parou para recarregar a arma, ele começou a disparar em sua direção, o fazendo pular sobre uma bancada para se proteger dos disparos- Eu vou acabar com você, seu desgraçado...
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Fora do prédio já se ouviam os tiros. O desespero se instaurou pelo local e a polícia já estava por ali, interditando a entrada:
–Ai caramba... A Santana ainda está lá dentro- Quinn disse nervosa, já ameaçando querer entrar, sendo impedida por Finn:
–Hey, calma, a polícia já está aqui, vai dar tudo certo- ele disse tentando amenizar a agonia de Quinn.
–Alguém tem que fazer alguma coisa. Ela pode estar precisando de ajuda.
–Calma, Quinn- Rachel pediu passando a mão nas costas de Quinn, tentando acalmá-la. Russel e Maribel se aproximaram:
–Alguma notícia?- a loura perguntou e Maribel a abraçou:
–Não muitas, minha filha... Ninguém entra ou sai daquele prédio- ela explicou e Quinn entrou em prantos, sendo amparada por Maribel e seu pai.
–Tenta se acalmar, filha. Olha, eu conversei com Loren e ele me falou que já estão se preparando para entrar- Russel explicou acariciando os cabelos de sua filha.
–E pelo o que conheço desse investigador de meia tigela, só vão fazer alguma coisa quando alguém sair morto dali de dentro- Puck comentou se aproximando com uma cara nada boa- Eu vou entrar naquele prédio e há dele se me barrar.
–Hey, filho, vamos pensar com cautela, sem interromper o trabalho da polícia. Eles são treinados para essas situações e vão dar um jeito nessa bagunça.
–Não sei por que isso não me tranquiliza.
–Oi... Puck, não é?- Michael perguntou metendo-se na conversa, Puck consentiu- Eu sou Michael e tenho que te dizer que a Santana vai ficar bem. Digo isso não é só para acalmar você, mas pelo o que eu conheço nela, acredito que sabe se cuidar. Sem falar que está acompanhada de experientes e bem treinados seguranças, que vão fazer de tudo para mantê-la protegida... Nós precisamos aguardar e torcer para que tudo dê certo lá em cima.
–Também acredito nisso, cara... Minha maninha sabe o que faz, mas se aqueles policiais não fizerem logo alguma coisa, eu mesmo entro lá dentro e acabo com quem quer que seja- Puck alertou observando alguns homens conversando com o investigador Loren mais a frente- Vamos lá, Santana... Sai daí, latina maluca.
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De volta ao penúltimo andar da empresa...
Os tiros cruzavam naquela sala que ainda permanecia escura e tensa. Santana mantinha-se abaixada atrás da mesa enquanto Salvador descarregava mais um pente de sua pistola na direção dos tiros disparados pelo estranho que poderia ser o invasor terrorista.
–Droga!- Salvador reclamou enquanto recarregava sua arma. Santana arqueou a sobrancelha receosa:
–O que foi, Salvador?
–É melhor torcermos para que as balas dele acabem logo, por que esse é meu último pente.
–Ai caramba!- exclamou já se preocupando. O rádio de Salvador apita:
–Salvador... Você está bem? Escutamos disparos- um dos seguranças perguntou.
–Estamos bem, Luís. Acho que encontramos o cara que explodiu a sala da Santana- Salvador respondeu sem parar de atirar- Preciso de reforço, minhas balas estão acabando. Estamos no penúltimo andar.
–Já estamos chegando, aguente firme por aí, parceiro- Luís disse, em seguida desligou.
–Que bom, reforço- Santana suspirou aliviada, ao menos em parte. Segundos depois a pistola de Salvador deu alguns cliques alertando estar vazia. Os dois se olharam compartilhando uma parcela de desespero:
–Está sem balas, não é mesmo?- gritou o atirador impulsivo- Que pena para vocês, por que ainda estou cheio delas- recarregou sua arma e começou a andar na direção dos dois latinos atrás da mesa.
–Ah é? Nós também- Luís disse, chegando de repente com seu parceiro já disparando contra o maluco armado, o acertando no braço. Ele saiu entrando em outra sala, pulando pela janela que dava a outro corredor e seguiu como uma bala por ele:
–Estão feridos?
–Só Salvador- Santana explicou levantando-se de onde estava pegando sua lanterna do chão- Ele precisa de cuidados médicos.
–Não, Santana, eu estou bem. Luís e Norris venham comigo, ainda podemos pegar aquele cara.
–Quanto a mim?- Santana perguntou cruzando os braços.
–A senhora vai ficar aqui... A coisa ficou perigosa demais e não posso deixar que se machuque. Tivemos sorte dessa vez e não sei como ficará tudo daqui em diante- Salvador explicava enquanto se munia com um novo pente dado por Norris a ele e Santana ouvia tudo inquieta- Já dei a você uma lanterna, então siga em frente por aquele corredor. Ele dará a uma escada de acesso para a saída de incêndio. Com certeza lá fora já deve estar cheio de policiais, explique a situação para eles e o resto nós cuidamos. Entendeu?
–Claro- ela concordou meio a contragosto e seguiu para o caminho indicado, enquanto os demais seguiam o rastro do invasor.
Ela andou por alguns minutos e avistou a escada, na verdade eram duas: uma que dava aceso ao terraço e uma para a saída de emergência. Na parede ao lado da escada havia uma planta do prédio e Santana parou para olhá-la por um instante a algo chamou sua atenção- Espera aí... Ele os driblou... Esse caminho tem dois lados- apontou no mapa a direção que o invasor correu- Ele fez parecer que ia descer, mas na verdade está indo em direção do... Térreo- ela constatou- Vamos, Santana, a saída de emergência está apenas a alguns degraus de você, deixa que eles cuidem dele- disse para si mesma na tentativa de se convencer de não se meter- Mas pensando bem e se eles não o encontrarem?- pensou por um tempo e lembrou-se ter notado que o invasor deixou a arma cair quando seu braço fora atingido- Espero que isso dê certo- redeu-se a sua impulsividade e subiu as escadas direto para o térreo.
Quando chegou ao fim da escada, deparou-se com uma porta e próxima dela um rastro de sangue indicava que ele havia entrado por ali. Pegou uma barra de ferro que tinha por perto e entrou. O avistou mais a frente e parecia agoniado na procura de um lugar para descer:
–HEY!- Santana gritou chamando sua atenção e ele inquietou-se- Pare agora, eu não vou fazer nada com você. Só quero que me responda algo.
–Eu não farei nada para você, Lopez... Nunca mais, entendeu?- ele gritou de volta e sua voz pareceu familiar para a latina.
–Vire-se agora- ela mandou e ele o fez lentamente, estampando um olhar irônico diferente do que Santana fez, pois a mesma espantou-se totalmente- Leon?
–Exatamente, garotinha de sorte- ele respondeu sarcasticamente.
–Foi você que tentou explodir o prédio?
–Não, eu não tentei o explodir... Só queria passar um recado de alguém- Leon explicou colocando sua mão no local atingido e em mantinha uma expressão com um misto de ódio e dor.
–De quem? Por que fez isso? Achei que fossemos amigos de infância- ela questionou incrédula e ele deu uma gargalhada alta.
–Nós nunca fomos amigos, Santana. Eu era mais o neto do empregado do homem que seu avô destruiu a vida.
–Como? Meu avô ajudou o seu e a sua família quando ele morreu.
–Por consciência pesada. Aquele desgraçado só pensava nele mesmo e na maldita neta dele. Pisou em minha família como pisa em insetos insignificantes- cuspiu as palavras com se pudesse massacrar Santana com elas.
–E por que me ajudou se me odeia tanto assim?- Santana perguntou anestesiada com a revelação, mais um embaraço surgiu em torno de seu avô falecido e parecia piorar cada vez mais.
–Foi por que alguém ainda acreditava em você... Mas felizmente essa pessoa aprendeu o quanto você e sua família são desprezíveis e merecem arder no inferno- explicou aproximando-se da beirada do prédio.
–Quem é essa pessoa? O que ela quer comigo? Eu não entendo o ódio por pessoas que não fizeram nada contra vocês... Se meu avô fez isso, que eu acredito que seja mentira, já pagou pelo o que fez... Caso encerrado- Leon sorriu irônico:
–O sangue traz impurezas do ser, Santana... Seu avô infectou vocês com o mau-caratismo e a desumanidade, que eu não sei como uma pessoa apenas poderia possuir.
–ISSO NÃO É VERDADE!- a latina discordou firme no que pensava.
–Atenha os fatos, Santana, a resposta está na sua cara, mas a ignora como quando dizem que você possui o mal dentro de você e seus filhos serão o fruto desse mal passado pela geração de sua família.
–Não meta meus filhos nisso... O que seja que tenha acontecido não me diz respeito, nem a minha família- disse alterada e Leon deu um passo para trás ficando na beirada do prédio- Hey, cara, você precisa se afastar daí... Nós podemos esquecer o que você fez e procurar ajuda para seu problema- propôs tentando manter a calma, se aproximando de Leon:
–Não chegue perto- disse inquieto com a aproximação de Santana- Acho que eles não vão querer que eu pouse perto deles- sorriu descontroladamente e a latina pode perceber o quão desequilibrado Leon estava- Não tente fugir do seu destino, Santana... Seu passado está ligado a coisas irremediáveis e ele não deixará que você se esqueça disso.
–Ele quem? Leon, me conta que é- Santana pediu em um quase clamor.
–Pra quê a pressa? Você só saberá quem é quando ele quiser que você saiba- ele disse quase em um sussurro- Mas isso será em breve... Agora eu preciso ir, já encontrei o que eu queria.
–O que?
–Minha liberdade- ele enviou um último sorriso para Santana, fechou os olhos e se jogou de costas prédio abaixo.
–Não!- Santana gritou correndo em sua direção, mas ele já havia despencado, parando em cima de uma viatura que estava estacionada. Foi uma correria descontrolada, Puck tratou logo de tirar Quinn dali e muitos fugiam do local e os policiais corriam em direção à entrada do prédio, subindo ao térreo.
–Espero que não seja algum inocente- Michael comentou ao lado de Russel, que pasmou com o ocorrido.
–Quem foi que caiu? Por favor, Puck, vá ver de quem se trata- Quinn pediu inquieta e Puck correu na direção dos policiais- Onde você está, meu amor?-
–Bem aqui- Santana disse aparecendo por detrás dela e sua primeira reação foi de abraçar sua esposa o mais forte que pudesse.
–Você está bem?- Quinn perguntou analisando todo o rosto de Santana à procura de algum ferimento.
–Eu estou bem, amor... Ao contrário do Leon ali- respondeu apontando para o corpo de Leon estilhaçado sobre o carro.
–Leon? Seu amigo Leon?
–Foi, mas depois falamos sobre isso, agora me abraça forte, por favor- Santana pediu com um olhar assustado e sua loura atendeu a prendendo em seus braços de uma forma protetora.
–Santana Lopez, pelo visto o problema procura você- Loren comentou aproximando-se.
–Pode ser, Loren, mas agora eu só quero ir para casa, guarde suas perguntas para depois- ela cortou o investigador, entrelaçando seus dedos aos de sua esposa e seguiu em direção de sua família. Avistou Salvador mais a frente- Hey, Salvador... Mais uma pra coleção.
–Essa vai ser datada e memorizada- Salvador brincou apontando para seu ferimento, que já estava sendo tratado por um paramédico- Você é maluca, mas merece meu respeito por sua persistência.
–E você tem o meu juntamente com um contrato para ser meu segurança particular. Salário aumentado e outras coisas mais, incluindo um visto para sua esposa e filhos no país- Salvador encarou Santana impressionado- Te vejo na segunda. Vem, amor- Quinn mesmo sem entender seguiu a latina para seu carro.
Mais um ponto de interrogação se formava na vida de Santana. Mais uma vida se partia próximo a ela, o que fazia se perguntar se aquilo poderia ser um sinal do que a esperava. Seu avô partiu e deixou muitas questões em aberto, levando consigo para o eterno dos dias as respostas para o desembaraço desses anos todos e ela sabia que devia tomar providências para evitar a destruição de sua família. E quem seria essa pessoa que a perseguia dessa vez? Que algoz a espreitava agora? Como protegeria seus filhos disso?
A escuridão esconde muito mais do que imaginamos ter.
E agora? Aonde procurar a luz do fim do túnel?
A vida nos prova... Nos questiona... Nos instiga... Transforma tudo ao nosso redor em uma quebra cabeça que, quando mais próximos estamos de montá-los, mas peças faltam ou se dispersam dele.
Tudo que pensamos saber nessa hora torna-se tudo que não queremos... Sua alma se fecha para que o que sente mais para o que ignora sentir. Os pés perdem o chão e as mãos perdem a percepção assim como a mente... Seu corpo se retrai, suas pálpebras pesam... Seu ar é tomado... Apenas não se sente mais parte do mundo.
Veja as possibilidades. Nunca deixe de batalhar pelo que sente ou pelo o que acha sentir... E principalmente... Nunca deixe de lutar, mesmo não possuindo mais armas para isso. Por o pleno motino de ter sua luz própria e apenas precisar aprender usar a sua força.
Santana sabia que poderia esperar o pior, porém também era de seu conhecimento que a luta continuaria e lá ela estaria firme. Por quê?
Por que uma das faces de Santana era a de... Sobrevivente.
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