A outra face- Surgindo das cinzas

18 Capítulo 18- Inseguranças e medos...


Notas iniciais
Boa noite... Ou será bom dia... Gente, sinceramente... Eu não iria postar esse final de semana, mas quando eu fui visitar a Jhey no hospital e ao conversarmos sobre coisas da vida e seus derivados, esse capítulo meio que surgiu na minha cabeça com parafusos a menos, e na hora me senti meio Chico Xavier e fui correr para escrevê-lo... Eu gostei muito quando o terminei, mostrei-o pra Minecraft e ela também gostou. Estou amando escrever e descobrir que sou capaz disso kkkk Espero que gostem... Enjoy.

–Hey, pode se abrir para mim... O que está incomodando você?- perguntou pegando as mãos de sua esposa e as beijando com carinho.

–Não é bem me incomodando, é mais um desejo que eu tenho- Quinn explicou encarando sua esposa que lhe olhou confusa.

–Então me conta seu desejo. Eu faço de tudo para te ver feliz- a latina pediu e Quinn a olhou tenramente, passou a mãos sobre seus cabelos, entrelaçando seus dedos.

–San... Eu quero que tenhamos um bebê.

Quando Quinn disse isso, Santana pareceu estar congelada. A latina desfez o entrelaço de seus dedos com os de sua esposa, com seu olhar fixo nela. Quinn tentava adivinhar o que se passava na cabeça de Santana, a latina permanecia calada e imóvel, com um olharem misto de surpresa e preocupação.

–Amor, fala alguma coisa... O que você acha?- a loura pediu calmamente, desenhando as linhas do rosto de Santana com seus dedos, que fechou os olhos por alguns segundos e abriu os lábios tentando dizer algo, mas parou no meio do caminho desviando o olhar para suas mãos- San?

–E-Eu não sei Quinn... Você me pegou de surpresa- ela enfim disse ainda em choque.

–Amor... Nós estamos prontas. Temos um apartamento bom, ótimos empregos, nosso estado financeiro está estável e somos maduras o bastante para isso- argumentou voltando a pegar as mãos de Santana e as mesmas suavam.

–Quinn, isso não se resolve dessa forma... Não podemos do nada pensar em ter uma criança e... Eu... – Santana contra-argumentou passando a mão em seus cabelos de uma forma nervosa, claramente notado por sua esposa.

–O que preocupa você, Santana? Uhm?- Quinn perguntou puxando delicadamente o rosto da latina para ela lhe encarar e a mesma balançou a cabeça negativamente- Não foi do nada que eu pensei em ter um filho com você. Nós nos amamos e eu quero que esse amor tenha frutos. Essa criança só aumentará nossa felicidade- Santana suspirou enxugando as mãos em sua calça- Você não quer ter um filho comigo? É isso Santana?

–Mas é claro que não, Quinn. — perguntou levantando-se, caminhando para a beira da piscina para se afastar dos demais- Onde você tirou essa ideia?

–Sua reação deixa isso claro- a loura respondeu aproximando-se- Santana, nós somos casadas há um ano, temos estabilidade financeira e podemos dar amor a essa criança... O que nos falta para dar esse passo tão importante?

–Chegamos ao ponto certo da história... É um passo muito importante. Isso deve ser pensado e repensado... Mais a frente, se possível- disse e Quinn cruzou os braços com um semblante confuso.

–Nós estamos juntas há cinco anos, Santana. Cinco anos, não cinco dias. Eu amo você. Você me ama. Não entendo o porquê da sua reação evasiva... Uma pessoa normal reagiria bem a isso... É algo tão maravilhoso- a loura disparou e Santana a encarou com o cenho franzido.

–Se sou anormal, por que quer tanto ter um filho comigo?- perguntou chateada e Quinn suspirou. O que começou como uma conversa estava se tornando uma discussão, já percebida por seus familiares.

–Eu não quis dizer isso, San- se desculpou, passando suas mãos, para cima e para baixo no braço de Santana- Você é perfeita, meu amor. Só não entendo por que reagiu assim. Nos damos tão bem. O que incomoda você?

–Nada... Só não acho a hora certa para isso.

–E que hora é a hora certa para você? Daqui a dez, vinte anos? Santana, não vejo problemas em termos um filho... Sou eu quem vai engravidar- a loura explicou pacientemente.

–Quinn, não é isso... Vamos esquecer essa conversa. Tudo bem?- Santana impôs, mas a loura não se deu por vencida.

–Não, Santana. Não vou esquecer isso- Quinn disse magoada- Sabe o que penso disso tudo?- Santana negou- Que você não ache que possamos durar muito tempo juntas.

–O quê? Mas é claro que não... Quero passar o resto da minha vida com você, Quinn.

–Não parece... Eu pedi a você uma coisa tão simples e qual é sua reação? Ficou emburrada como se eu tivesse pedido que se jogasse de um precipício de cabeça.

–Quinn...

–Não Santana... Você é insegura em relação a nós e isso me deixa mal- a loura a interrompeu.

–Você sabe que isso não é verdade... Eu sei o que sinto por você. Não precisa fazer drama- Santana disse dando de ombros.

–Então eu sou dramática?- Quinn perguntou incrédula, exaltando-se- Não sou eu que dou um lado ruim a tudo.

–Eu não dou um lado ruim para tudo, só busco pensar melhor antes de me jogar de cabeça em qualquer coisa- explicou tentando manter a calma.

–Ter um filho comigo é qualquer coisa para você? Fico feliz em saber disso- Quinn disse com os olhos minguados encarando Santana.

–Hey amor. Não é isso... Vem cá.

–Não Santana... Me deixa- a loura pediu afastando-se quando ela tentou abraçá-la.

–Quinn... – Santana tentou chamar, mas Quinn saiu de lá em disparada, sendo seguida por suas amigas- Mas que droga!- a latina protestou chutando uma cadeira de plástico que havia por perto, seguindo para a casa da piscina. Russel e Maribel se entreolharam preocupados. Puck seguiu sua irmã:

–Hey latina... Está tudo bem?- ele perguntou encontrando-a sentada em uma dos aparelhos de musculação. Ela apenas o olhou confirmando com a cabeça- Vai ficar tudo bem.

–Você ouviu?

–Todos nós ouvimos, mas ninguém julgou você, Santana. Eu no seu lugar também reagiria assim. Ter um filho é algo muito radical.

–Obrigada pela ajuda Puck- disse ironicamente- E sua situação com Brittany?

–Eu conversei com ela e ela aceitou a minha proposta. Só falta eu falar com os pais dos pequenos- respondeu sorrindo orgulhoso.

–Fico feliz que tenha dado certo- Santana comentou com um meio sorriso.

–Eu também, mas agora me preocupo com as minhas irmãzinhas- disse com as mãos nos ombros de Santana- O que eu posso fazer por vocês?

–Nada... Só me deixe sozinha... Eu preciso disso agora.

–Eu discordo- sua avó disse entrando no local- Que tal bater um papo com a vovó?

–Obrigada, vovó, mas quero ficar sozinha- enviou um sorriso fraco.

–A solidão nem sempre é a chave para os nossos problemas, meu bem- comentou sentando-se no sofá que ficava do outro lado do tatame.

–Tudo bem... Vou deixar vocês sozinhas- Puck disse dando um beijo em sua avó- Se precisar de mim, sabe onde me encontrar, maninha.

–Obrigada- a latina agradeceu despedindo-se de seu irmão com um sinal de mãos.

–Sente-se aqui, pequenina- Marie pediu e Santana sentou-se ao seu lado, com a cabeça no encosto do sofá.

–A senhora também escutou a nossa discussão?

–Escutei e fico triste por isso. Um casal tão bonito não pode andar se desentendendo dessa forma. Mas não estamos livres de termos discussões com quem amamos. Nem sempre concordamos com tudo que o outro concorda- disse calmamente- Qual o problema?

–A Quinn me pediu que tivéssemos um bebê.

–Então... – Marie incentivou Santana se expressar.

–Sei lá, vovó... Não sei o que sinto quanto a isso- disse nervosa.

–Acha que não estão preparadas para terem um filho?

–Sei que Quinn está... O problema sou eu, vovó- Santana afirmou com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos em seu rosto.

–Por que, minha filha? Não quer ter um filho com a sua esposa? Não a ama o suficiente para isso?- Marie perguntou apoiando sua mão no ombro de sua neta.

–Eu amo a Quinn o suficiente para fazer qualquer coisa, vovó... Mas estou insegura quanto a isso. Ter um filho com Quinn é mais que especial, mas com tudo que me aconteceu, não sei se posso ser boa mãe... Eu já imaginei isso antes de tudo, porém não sei ao certo, tenho medo que esse passado ruim afete nosso filho- a latina explicou brincando com seus dedos em sua aliança.

–Olha pra mim, filha- pediu pegando as mãos de Santana e as colocando em seu colo- Insegurança é um sentimento normal para quem passou algo tão extremo quanto você e Quinn, mas tome esse sentimento de insegurança como um incentivo para seguir com sua vida. Você ficou bem depois de tudo, está com Quinn que você ama, tem um emprego bom, seus pais confiam em você, sua família toda confia em você. Tudo que passou foi difícil, mas quando tiver seu filho em seus braços e olhar aquele rostinho lindo de mais pura inocência, verá que valerá a pena enfrentar seus medos por alguém tão importante quanto ele- a latina a encarou pensativa- Eu sei que você quer isso tanto quanto ela... Só está assustada, mas isso não te faz menos humana ou que ame menos a Quinn- passou suas mãos pelo rosto de sua neta- Prometa que pensará no assunto.

–Muito obrigada, vovó. Eu amo seus conselhos... Mas tenho que pensar nisso com cuidado.

–Já é um começo... Agora vá atrás de sua esposa, ela precisa de você- deu um beijo na testa de Santana e saiu. A latina ficou pensativa encarando o nada.

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Enquanto isso na cozinha da casa principal, Quinn chorava encostada ao ombro de Rachel, que acariciava seu braço lhe enviando calma:

–Hey Quinn, não fica assim... A Santana só ficou confusa com isso tudo- Rachel dizia na esperança de acalmar a loura.

–Você fala isso por que não ouviu o que ela me falou... Eu amo tanto a Santana, mas às vezes acho que não é suficiente para ela.

–Não fale isso, meu amor. A Santana sabe disso, mas você sabe tanto quanto eu que ela tem problemas com mudanças e escolhas repentinas- Maribel disse entrando no local, Quinn aninhou-se em seus braços- Tenha calma, minha filha.

–Ela não quer ter um filho comigo, Bel... Eu entendo que é algo importante, mas não sei por que é tão horrível pensar nisso.

–Quinn... Vai ficar tudo bem. Quando chegarem em casa conversem direito, esfriem a cabeça... Eu tenho certeza que vocês vão entrar em um consenso. Vocês se amam, o resto é o resto- Maribel explicou dando um beijo no topo da cabeça de Quinn.

–A senhora Lopez tem razão, Quinn. Tentar mesclar acontecimentos com a cabeça quente só traz problemas. Há coisas na vida que devemos relevar, principalmente quando elas nos redirecionam a quem amamos. Obstáculos na vida não nos falta, mas quando a felicidade nos alcança, obstáculo algum é pertinente ao que ela nos proporciona- Brittany comentou. As demais a encaram surpresas e boquiabertas- Que foi, gente? Eu gosto de filmes românticos- disse sem graça.

–Bom... – Rachel disse depois do susto- Você quer água, Quinn?

–Um pouco, por favor- Rachel se dirigiu até a geladeira, depois entregou um copo com água a Quinn. Santana entrou no local nesse momento.

–Uhm... Quinn... Você já quer ir para casa?- perguntou sem graça pelos olhares das outras. Quinn apenas confirmou com um gesto de cabeça, se despediu das outras e saiu sendo acompanhada por sua esposa.

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O caminha para casa foi silencioso. Ambas estavam perdidas em pensamentos. Santana dirigia tentando prestar atenção na estrada, mas seu coração pedia que ela dissesse algo para se desculpar com sua esposa, porém ela optou por continuar em silêncio. Apenas olhou por um instante para Quinn ao seu lado, que se mantinha com o olhar perdido na estrada, abraçada aos joelhos quieta.

As duas chegaram em casa e Quinn foi direto para o quarto. Santana ficou por um tempo na sala. A loura tomou banho, colocou seu baby-doll e deitou-se em sua cama. Depois de uma hora, a latina foi ao seu quarto tomar banho.

Assim que Santana se deitou ao seu lado, Quinn virou-se para o lado oposto. A latina suspirou arrependida por ter deixado ela triste daquela forma, odiava ficar brigada com sua esposa. Pode ouvir o choro baixinho de Quinn, a vontade dela era poder abraçar sua amada e a confortar dizendo que a amava e pedir desculpas por suas palavras, mas sabia que a loura precisava de um tempo e ela também precisava... Como precisava.

Virou-se para o lado na expectativa de conseguir dormir, porém o sono brincou com ela, indo e voltando a cada estante que tentava se concentrar para adormecer. Levantou depois de meia hora e foi para a varanda da sala tomar um ar. Olhou para as luzes brilhantes de Nova York e para as pessoas que transitavam pelas ruas. Apressadas e ocupadas. Será que possuíam tantos problemas? Como conseguiam andar com tantos problemas encravados em suas costas e ainda conseguiam dar um caminho a suas vidas?- Santana pensou. Ela pegou seu celular e encarou sua foto com Quinn no papel de parede do mesmo. Discou um número no redirecionador de chamada. Chamou uma, duas, três e na quarta vez caiu na secretária eletrônica:

–Hey Kate... Sei que está tarde, mas precisava tentar falar com você- ela disse depois da mensagem da secretária- Sabe... Sinto que se eu pudesse resolveria tudo de uma só vez... Meus medos, seus medos... De todos, mas não posso. O que está ao meu alcance é apenas uma gota comparada ao oceano de provas difíceis que temos que enfrentar para conseguir viver nesse mundo maluco- começou encostando seus cotovelos na mureta- Sinto como se minha cabeça fosse um castelo de cartas, que com apenas um movimento em falso pode desmoronar... Penso que como pode um castelo de cartas se manter em pé com o vento forte que a vida envia só para testar se o castelo é forte o suficiente para aguentar. As cartas que compõem esse castelo se esvaem a cada momento... Você tenta mantê-las unidas, mas o vento as leva- encarou o céu ao falar- Não está fácil pra mim e sei que pra você também não, pena que não sei os motivos, mas... –deu uma pausa suspirando.

Sinto a sua falta, agora mais que nunca. Se fui eu que te causou isso, me perdoe... Você é a melhor amiga que alguém pode ter e acho que por uma burrada te perdi... Fique bem, maluquinha. Não voltarei a perturbar você... Só preciso de seus conselhos, mas sei que não quer falar comigo. Me desculpe novamente- desligou a ligação encarando o celular- É Santana... Está na hora de tentar decifrar o enigma que é sua vida... Só assim vai largar de fazer tanta burrada- disse a si mesma e voltou ao seu quarto.

Notou que Quinn estava em um sono profundo. Deitou-se ao lado de sua esposa, lhe abraçando por trás, só assim conseguiu pegar no sono, mas aquele seria mais um que ela não aproveitaria por completo. Era um passo grande a se dar e um assunto de extrema importância, mas será que ela estaria preparada para isso?

Em outro país, em seu apartamento, Kate encarava o telefone. Acabara de ouvir o recado de Santana e refletia sobre o mesmo:

–Vai ficar tudo bem San... Você merece o que é de melhor- disse como se Santana pudesse ouvir- Quisera eu ser esse melhor, mas sua felicidade está em outros braços... Talvez em uns que não mereça tê-la neles, mas são os que você quer está- abraçou seus joelhos, com seu queixo nos mesmo- Um deslize Quinn... Apenas um deslize seu. Dê um passo em falso com a San que eu te mostro como fazê-la feliz... Sei que posso, mas basta você se mostrar incapaz disso- disse olhando o céu pela janela- Estou disposta a lutar por você, Santana.

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TUM... TUM ! Ouço um barulho ao longe.

TUM... TUM ! Ele me acompanha aonde quer que eu vá.

TUM... TUM ! Sinto que algo me sufoca... Mas não sei o quê.

Bato na porta da insegurança e a incerteza atende.

O que procuras?- pergunta ela a mim e eu singelamente respondo:

‘’Quero respostas. ’’

Que tipo de respostas?- ela continua a perguntar.

‘’As que solucionam meu ser’’- respondo após pensar pesadamente.

Senti-se perdido, pequenino?

Perdido... Pequenino... Palavras que simplesmente poderiam definir o que se passa dentro de mim.

Se pusesse o ouvido em meu peito escutaria meu minha alma gritar.

Sufocada... Presa... Incapaz de desprender-se do que te atormenta.

Faço as minhas preces... Alguém pode me escutar?

O frio agonizante que me encobre congela meus pensamentos, deixando-me a mercê de passagem obscuras e tortuosas.

TUM... TUM! O barulho se aproxima.

TUM... TUM! Ele me assombra.

TUM... TUM! Feche a porta... Feche agora- grito eu- Não deixe-o entrar.

Mas já entrou, pobre atormentado. Você deixou que ele usufruir-se seu interior.

Saia!- gritei alto- Mas apenas escutei sua gargalhada debochada... Somos um agora.

Não... Não somos... Eu sou dona de mim e ele não existe mais.

Sabe aquela luzinha no fim do túnel? Eu achei... Estava perdida assim com eu e nos encontramos.

Não tema, pequenino... Hajas ao certo... Caminhem a passos curtos, pois sem pressa chegamos inteiros e conscientes.

Então não temas quanto a isso, pois quem julgará seus atos é sua própria consciência.

TUM... TUM! Não tenho mais medo.

TUM... TUM! O barulho não está tão perto agora... Some a cada passo que eu dou ao brilho desconhecido.

TUM... TUM! Meu coração encontrou... O ritmo certo para bater.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim. Aceito críticas... Elas nos ajudam a mostrar o que está precisando ser melhorado e enquanto estiver com vocês, farei de tudo para lhes agradar, sem decepções. Beijo e obrigada. Agora deixa eu ir dormir. Na minha situação, espero que meu corpo não confunda cochilo rápido com coma profundo... Preciso de descanso seriamente. kkk Até a próxima.