A ordem negra
3 Josh- O expresso de Hogwarts
Com certeza, o que mais chamava a atenção na nova plataforma era a grande locomotiva vermelha. Centenas de pessoas corriam de um lado para o outro, corujas voavam como se não tivessem rumo, e a barulheira era sem fim.
Ele entrou no trem, deve ter andado três vagões, no máximo quatro, quando encontrou a cabine perfeita. Longe o suficiente da cabine dos monitores, perto o suficiente do vagão onde costumavam ficar os primeiranistas.
Passou alguns minutos, sentado, e logo foi surpreendido pela figura de um garoto. Ele era alto, alguns bons centímetros a mais que Josh, tinha um rosto redondo, e lábios muito finos. Seu cabelo era presente apenas no topo da cabeça, e era castanho e estava muito bem penteado.
— Eai Jason? – Josh cumprimentou. – Algum sinal dos outros?
Jason entrou na cabine e se dirigiu ate a poltrona em frente a de Josh, na janela.
— Não, mas eles não devem demorar – ele esticou as pernas que quase encostavam na outra ponta do acento.
— É o que eu espero.
Faltavam apenas cinco minutos para as onze horas, quando outros dois garotos entraram na cabine.
Um tinha um físico parecido com Josh, só que mais magro. Já estava usando o uniforme de Hogwarts, exceto pela gravata e capa.
Ele tinha cabelos ondulados, que eram loiro escuro. Estava muito bem penteado para o lado. Seu rosto era fino e de pele muito limpa. E os olhos, azuis.
— E ai pessoal? – cumprimentou Isaac, melhor amigo de Josh.
O outro garoto apenas acenou com a cabeça. Tinha cabelos loiros cortados nem longo o suficiente para uma franja, nem curto o suficiente para ser estranho, e estava dividido quase ao meio.
Seus olhos eram verdes e o rosto quadrado.
Esse era o Thomas.
— Vão colocar os uniformes – pediu Isaac, que havia sentado lado de Jason, enquanto Thomas se sentou ao lado de Josh. – Assim que o trem partir poderemos começar.
— Claro – respondeu Josh tirando um embrulho de roupas de uma pequena mala. E ele levantou acompanhado por Jason. – Ah, e antes que me esqueça.
Ele estava a ponto de sair pela porta quando se virou rapidamente e sacou a varinha de dentro do casaco.
— Rictumsempra.
E Isaac contra sua vontade, começou a sentir cócegas por todo seu corpo e caiu no riso.
E todos os presentes também riram.
Quando estavam saindo falou para Jason.
— Dois meses sem usar a varinha? – disse ainda rindo enquanto caminhavam pelo corredor, desviando dos outros alunos. – A volta tinha que ser em grande estilo.
Jason concordou.
Chegaram ao banheiro, e em menos de cinco minutos já estavam prontos. Josh tinha que admitir, ficava muito bem de uniforme. Preto com certeza era a sua cor e o verde a prata da gravata lhe davam uma boa aparência. E também usava um anel quadrado e de ouro na mão direita. Nele havia uma bela pedra, com o desenho de uma pata de aspecto feroz, talvez a de um urso.
Então voltaram a cabine.
— Tirem as capas e gravatas – Advertiu Thomas que acabara de conseguir desfazer o feitiço lançado por Josh. – Não queremos que saibam que somos nós.
— É obvio – afirmou Jason, que já tinha tirado sua gravata e voltado a sentar no acento vermelho. – O que você comprou?
— Muitas coisas – disse Issac com cara de orgulhoso. – Sinceramente Gemialidades Weasley deve ser a melhor loja já abertas. Sério.
E então abriu uma pequena mochila.
E la estavam embalagens de todas as cores e formas. Fogos espontâneos Weasley, Pó escurecedor instantâneo do Peru, bombas de bosta, Detonadores-Chamariz, um Pantano portátil, e vários chapéus que Josh reconheceu sendo Chapéus sem cabeça.
— O plano é o seguinte – adiantou-se Thomas.– Temos que dar as boas vindas aos primeiranistas, então os fogos são para eles.
Todos estavam adorando a perspectiva, e ouviram atentamente os planos de Thomas, parando hora ou outra para rir ou dar uma sugestão.
Então chegou a hora de colocar o plano em ordem. Saíram da cabine silenciosamente, sem chamar a atenção. Josh lacrou a cabine com um simples feitiço.
Primeiro foram aos primeiros vagões, onde ficavam a maioria dos primeiranistas.
Pouco antes de chegarem vestiram os chapéus, instantaneamente suas cabeças sumiram, impossibilitando que alguém os reconhecesse.
Abriram a porta silenciosamente, ninguém percebeu. Plantaram a caixa cuidadosamente no chão. E alguns segundos depois.
BUM…
Dezenas de fogos coloridos voaram para todos os lados, ricochetando nas paredes, formando as mais diversas formas com suas faíscas, e dando umas boas queimaduras de boas vindas a todos.
— Os monitores devem estar vindo para cá – disse Josh todo animado. – Vamos para a cabine deles, é a nossa chance!
E assim feito, tiraram os chapéus e foram em direção em quinto vagão, onde ficava a grande e muito mais luxuosa cabine dos monitores.
— Mina irmã vai ficar mais brava que um dragão – afirmou Josh enquanto desviava de um segundanista ruivo.
Vários monitores cruzaram seu caminho enquanto andavam, um bom sinal. Josh é claro, precisou se esconder quando Chloe passou.
E com sorte, quando chegaram a cabine dos monitores ela já estava vazia.
Josh e Isaac ficaram com a tarefa de plantar os detonadores-chamariz em toda a cabine. No final, haviam no mínimo 10, que com certeza, triplicariam de quantidade quando acionados.
— Isso vai dar a eles um grande trabalho – disse Jason rindo. – E teremos tempo para irmos ate a Grifinoria .
— Com certeza – responderam os outros em juntos.
Se deslocaram alguns metros e fingiram fazer algo qualquer. Coube a Thomas prestar a atenção e avisar quando os monitores chegassem.
Dito e feito. Quinze minutos depois todos voltara, todos cheios de cinzas e aparentando estar muito cansados.
Estava na hora, os garotos saíram do vagão.
Isaac simplesmente pegou um pedaço de plástico laranja com um grande W desenhado, deu um toque com a varinha e…
BUM, um outro BUM, seguido por outros incontáveis.
Pessoas gritaram, folhas de papel voaram por todos os lados e curiosos correram. Os garotos seguiram na direção oposta, sem conseguir conter a alegria e o riso.
— O banheiro feminino – exclamou Josh como se uma lâmpada tivesse se acendido em cima de sua cabeça. – Um ótimo lugar para aquele pântano não é?
Todos concordaram rindo ainda mais.
Josh colocou seu chapéu e entrou de mansinho no banheiro, que estava vazio. Se dirigiu ate as cabines, deixou alguns fogos que tinham sobrado em vasos aleatórios. E no meio do banheiro deixou uma caixa, com o mesmo W gigante gravada.
Quando estava na porta do banheiro, lançou o feitiço recomendado pelos fabricantes e alguns segundos depois.
BUM…
E barulho de água corrente, que ate mesmo começou a sair pela porta.
Aproveitando que os monitores ainda estavam ocupados com sua cabine, se deslocaram para o fundo do trem.
Foram ate os vagões onde estavam a maioria dos alunos da Grifinoria do sexto e sétimo ano.
Usaram o pó escurecedor para ganhar uma camuflagem rápida e espalharam bombas de bosta por todas as cabines. E quando saíram foram seguidos por vários outros BUMs, e gritos de todos os lados.
Tarefa concluída.
Decidiram então voltar para a cabine, dando uma hora ou outra Nugás sangra nariz ou caramelos incha língua para alguns primeiranistas que apareciam no caminho.
Quando voltaram a cabine encontraram alguns alunos forcando a porta da cabine, tentando entrar. Os garotos educadamente (ou quase isso) pediram que eles deixassem sua cabine em paz. E pode ter sido que alguns dos alunos possam ter acabado com as calças arriadas ou queimadas.
Eles apenas relaxaram por alguns minutos, e o silencio da cabine foi interrompido pelo senhor que vendia comida. Compraram diversos doces. Sapos de chocolate, feijõezinhos de todos os sabores, entre outros.
— Ronald Weasley – disse Josh olhando para a figura que acabará de tirar da embalagem de Sapo de chocolate. – Não é a primeira vez que tiro esse cara. Alguém quer trocar?
Thomas pegou a carta, e o entregou outra de um bruxo chamado “Herpo, o sujo”.
— Professor Binns já falou dele se não me engano – se lembrou Thomas. – Acho que foi importante.
— Tem um garoto Weasley no time da Grifinoria – disse Jason – Deve ter alguma relação.
— È
O sol começava a se por quando Josh avistou as primeiras casas do vilarejo de Hogsmead, não demoraria muito para o trem parar.
Quando parou, os garotos esperaram todos os outros desembarcaram. Com certeza, para evitar receber falsas acusações.
Ao descer, puderam ver apenas a nuca de cabelos brancos do enorme guarda-caça e professor de Trato das criaturas mágicas, Hagrid. Josh sempre achou ele um cara legal. Compartilhavam o mesmo gosto por algumas criaturas que, digamos, que poderiam arrancar sua cabeça facilmente.
Eles foram em direção as carruagens, que eram puxadas por aqueles animais estranhos, pelo menos Josh achava que eram, afinal, ele nunca os viu.
Conseguiram embarcar em uma das últimas e depois de alguns minutos subindo as estradas, foram se aproximando do glorioso castelo. E ao pararem, desembarcaram e se viram em frente a grandiosa escada de entrada, que dava acesso ao castelo.
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