A onda do medo
9 Capitulo 9
Assim como minha mãe disse, eles estavam ali quando acordei. Mas não fiquei tempo suficiente no quarto para ver quem lá estava porque Dr. Fell tinha que me fazer uns exames.
Eu até senti alívio, em sair dali. Precisava de um tempo.
– Dr. Fell?
– Diz.
–Acha mesmo que eu vou recuperar a visão?
Ele ficou calado durante algum tempo, tempo demais para o meu gosto.
– Clea, temos esperanças que sim, mas não te vou mentir…
– EU posso ficar assim para sempre- Conclui por ele.
– Sim- Disse num suspiro.
– Meus pais eles sabem?
– Sim. Eles disseram que tinham certeza porque, é o que eles querem que aconteça. Eles querem a sua menina de volta.
Comecei a chorar de novo.
– Eles tratam-me como se fosse de vidro. Eu ainda estou aqui, não me fui embora. Não gosto que eles me tratem assim.
Senti a mão dele na minha.
– Clea, eu também rezei todos os dias para que acordasses sã e salva. És uma miúda incrível, e não merecias isto. Mas podes contar comigo para desabafar. Estarei aqui se quiseres. Prometo tratar-te como sempre te tratei.
– Obrigado Dr. Fell- Disse sorrindo de verdade- Sabe, eu gostava de me afastar daqui por um tempo. Apenas para me habituar á cegueira e descobrir do que sou capaz. Que ainda posso fazer as mesmas coisas que costumava fazer. Ser… eu. Clea Victória Lyne Sullivan a garota surfista.
– Muitas coisas não são iguais para ti agora, mas posso-te garantir que ainda continuas a ser a tu e sempre o serás. Quanto a passares um tempo fora, eu posso falar disso com os teus pais.
– Obrigado, a sério. Muito obrigado.
Ele abraçou-me e eu retribui.
Sabia bem poder contar com alguém.
Quando fui de novo para o meu quarto, minha mãe disse-me que apenas ela, meu pai e Nat estavam lá. Tinham mandado os outros dar uma volta para espairecerem.
– Mãe?
– Sim, meu amor.
– A avó sabe do que me aconteceu?
– Sabe, meu amor. Ela queria vir mas eu disse-lhe que ela devia vir quando acordasse apenas. Queres que lhe ligue para vir?
– Não. Eu vou ter com ela.
– Como assim?- Perguntou meu pai.
– Eu preciso de um tempo longe daqui. De tudo, de todos. Eu pensei que as montanhas seria um bom lugar. Será apenas por alguns dias, nada mais.
– Seria bom para Clea, afastar-se um pouco deste ambiente. – Ajudou-me Dr. Fell.
– E os exames que ainda lhe faltam fazer?- Perguntou Nat.
– Eu posso providenciar com o hospital de lá e eles trataram de Clea e mandar-me-ão os exames.
– Posso ir? Por favor?
– Tenho que falar com a tua avó e vou tirar alguns dias do trabalho…
– Não, mãe. Eu vou. Vocês continuam aqui. Eu preciso de um tempo só. Apenas eu e a avó. Eu vou ficar bem.
– Prometes?- Perguntou meu pai.
– Prometo.
– Então por mim, tudo bem.
Eu sorri e assenti.
– Eu não sei. E se um dos teus irmãos for contigo? Não me sinto bem em ires sozinha.
– Mãe, eu vou ficar bem. Por favor. A avó vai cuidar de mim.
Eu adora a minha avó Dana, desde que eu era criança foi ela que cuidava de mim, me ouvia, me ajudava, que brincava comigo. Sempre que podia, era lá onde nós íamos. Eu amava a praia mas a montanha tinha uma forma de me acalmar como se o resto do mundo não existisse.
– Tudo bem. Se é isso que queres.
– Obrigado, obrigada.
Beijei-lhe na cara depois de algum tempo á procura. Devia ter feito cara de estúpida mas não me importei.
Eu estava a ir para fora uns dias.
Longe dos problemas.
Do mar,
Do surf,
Da minha casa,
Dos meus amigos,
De onde tudo começou.
Eu ia para longe do sítio onde perdi tudo, depois de uma grande onda.
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