A onda do medo

7 Capitulo 7


Duke

Imaginei que eles estariam no concurso de Surf e imaginei bem.

– Ei malta.

Mika e Keani olharam para mim sem sorrir. Pareciam dois mortos vivos.

– Porque essas caras? Quem morreu?

– Ainda ninguém. – Murmurou Keani.

– Espero que Clea não te ousa dizer isso. Ela era capaz de te matar.

Keani abraçou-se e olhou para o mar.

– Se ela pelo menos acordasse.

Eu sorri e fintei-as.

– Duke! – Mika levantou-se prendendo o ar. – Como está Clea? – Perguntou sorrindo.

Keani olhou para ela e depois para mim.

– Clea, ela… — Keani não conseguiu a acabar porque começou a sorrir.

– Sim, ela praticamente gritou para minha mãe deixar de chorar.

– Ó MEU DEUS! – Gritou Mika.

– O que se passa? – Perguntou Kai chegando até nós todo ensopado.

– Clea. Ela acordou. – Disse Keani levantando-se.

– Estamos á espera do quê? – Perguntou Kai largando a prancha e começando a ir.

– Espera ai. – Segurei-o e tirei o sorriso do rosto. – Á uma coisa que devíeis saber.

– O que se passa? – Perguntou Keani preocupada.

– Clea acordou, mas…

– Mas? – Disse Mika impaciente.

Engoli e suspirei antes de contar.

– Clea, está cega.

Keani levou as mãos á boca e Mika congelou olhando-me sem emoção alguma. Senti Kai enrijecer.

– O quê? – Keani caiu na areia a chorar.

Eles não podiam agir assim na frente dela. Clea podia estar cega, mas ela parecia estar mais atenta do que antes.

– Se ides agir assim quando estivéreis ao pé dela esqueçam. Ela precisa de apoio, não de lagrimas e lamechice.

– Duke tem razão malta. Vamos ver Clea, mas fingimos que nada mudou. Ok? – Ajudou-me Kai, mas a sua voz era morta.

Mika assentiu devagar com a cabeça.

– Sim. – Sussurrou Keani.

– Óptimo.

Olhei em volta á procura de Dave.

– Vistes Dave?

– Ele não participou. – Avisou Kai.

– Eu vi-o no estacionamento quando vinha para cá – Disse Mika rouca.

– Eu vou falar com ele e já venho.

Corri até ao estacionamento.

Muitos carros estavam no pavimento, mas reconheci o jipe de Dave á distancia.

Ele estava deitado no capo de olhos fechados.

– Ei.

Ele abriu os olhos mas logo os fechou.

– Que queres? Deixei-te ir, não foi?

– Não é sobre isso que quero falar. Bom, queria agradecer-te por isso, mas não quero falar sobre isso.

Sentei-me no capo e olhei para o mar.

– Que queres então?

– Agradecer-te por teres tirado Clea do mar.

Viu engolir e ficar tenso antes de responder.

– Não tens que me agradecer. Fi-lo porquê quis.

– Mesmo assim eu…

– Pára! Esquece isso e sai daqui. – Disse firme.

– Pensei que quisesses saber sobre Clea.

– Saber o quê? Que ela… que ela continua a melhorar mas mesmo assim está em coma? – Vi a mão dele tremer – Obrigado, mas eu já estou farto dessa informação.

– Preocupas-te com ela.

Ele abriu os olhos e olhou-me duramente.

– Eu tenho um coração Duke. Pode não parecer muitas vezes, mas eu tenho-o.

– Eu sei. Mas não é sobre isso que estou a falar.

Ele abanou a cabeça e levantou-se afastando-se de mim.

– Sai daqui Duke, antes que eu me arrependa.

– Não.

Ele virou-se para mim e agarrou-me no colarinho da camisola.

– Estou a avisar-te. SAI. DAQUI.

– Entre ti e a minha irmã, escolho a minha irmã.

Ele parou e soltou-me.

– Eu também, mas o que isso tem a ver?

Dei de ombros.

– Como eu ia a dizer. Tenho notícias de Clea. E a primeira coisa que ela me pediu foi para dizer onde estavas.

– Pediu?

– Sim, ela acordou ontem.

Dave sorriu devagar e os olhos dele tomaram uma tonalidade diferente. Esperança.

– Acordou. – Repetiu.

Assenti e baixei a cabeça.

– Ainda não acabei.- Avisei.

Ele esperou que eu continuasse.

– Ela… está cega- Sussurrei.

Dave pareceu desnorteado por minutos.

– O que é que disseste?

– Cega. Clea,… está cega.

Ele afastou-se de mim abanando a cabeça ferozmente.

– Não, não, não, não… Isso é impossível.

O corpo dele tremia.

– Dave, ela quer te ver.- Disse calmamente- Acredita, por mim, nunca mais lhe punhas a vista em cima, mas… é um pedido dela. E… minha mãe também te quer agradecer então… vim chamar-te.

– Ela não vai voltar a surfar- Ouviu sussurrar.

– Isso é o menos Dave. Clea agora tem de manter esperança e arranjar outra coisa…

– TU NÃO ENTENDES!

Ele virou-se para mim com raiva.

– Surfar para ela é tudo. Tirar-lhe o surf é o mesmo que lhe tirar a alma. Se ela não voltar a surfar então…- A voz dele sumiu.

– Ouve Dave, eu já me sinto culpado que chegue por ela estar assim. Apenas quero que ela volte a ser a minha irmãzinha de sempre. Com ou sem surf.

Dave olhou-me como se não me conhecesse.

– E achas que eu não me sinto culpado?! Aquela estupida ideia foi minha. Toda a vez que eu olho para a água apenas vejo sangue. O sangue dela Duke! Porque achas que não entrei na competição? Que te deixei ir assim?- Ele falava com raiva dele. Como se não se suportasse.

– Por isso mesmo quero que vás falar com ela.

Levantei-me e comecei a andar mas parei sem o olhar.

– Vens comigo ou não? Ela ainda é a Clea.

Notas finais
Aqui está aqui está aqui está, espero que tenham gostada!!!!!1