A onda do medo

6 Capitulo 6


Notas iniciais
Ok, maltinha, este capitulo foi feito especialmente para a Nay Reis que foi a ÚNICA que comentou. Obrigado Sweety fizeste meu dia. Obrigadoooooooooooooooooooo. bjx espero que gostem ;)

O outro lado.

Nunca pensas-te como seria?

Pela minha experiência é mais ou menos assim.

A dor passa.

A paz entra.

Gritos vão.

Silêncio aparece.

Sentes-te mais vivo que nunca.

Mas eu devo estar enganada.

Porque tenho a certeza que do outro lado não á alguém que arrasta uma cadeira ou lágrimas.

– Quem tiver a chorar que se cale agora – Disse com a voz rouca.

Senti um silêncio perturbador e abri os olhos.

Mas não adiantou.

– O que se passa? – Perguntei.

– Nada meu amor. Apenas estamos surpresos – Ouvi minha mãe ao meu lado esquerdo. Ouvi-a mas não a vi.

– Porquê?- Perguntei impedindo as lágrimas.

– Estás em coma á quase dois meses. – Ouvi um pai.

– Dois meses?

– Sim, meu amor. Pensámos… tivemos medo que não acordasses.- Minha mãe chorava.

– Mas ela acordou agora, não é? Não vamos pensar nisso. – Ouvi Nat.

– Exacto – Meu pai beijou-me na testa. – Tivemos tanto medo. Tanto medo…

– Desculpem.

– Está tudo bem.

Tudo bem?

Não está nada bem.

Eles não percebiam mas eu sentia.

Levei a mão á minha barriga. Ela tinha pensos a taparem de onde eu presumi que o tubarão atacou. Na minha cabeça havia um pano á volta dela.

Devia ter magoados por todos os lados mas isso era o mínimo.

– Clea? – Era Duke.

– Sim.

– Lamento. Eu… lamento.

Eu sorri um pouco.

– Está tudo bem.

– Eu deixei o bando de Kiron. Eu pensei que ele ia obrigar-me a permanecer mas ele não o fez. – Ele riu sarcasticamente – Talvez tenha aprendido.

Eu apenas sorri.

– Onde é que ele está?

– Por ai. Porquê?

– Eu queria agradecer-lhe. Tecnicamente foi ele que me tirou de lá.

Dei de ombros.

– Sim, agradecer-lhe era uma boa ideia. – Disse minha mãe.

– Eu vou procura-lo amanhã.- Prometeu Duke – E quando saíres daqui eu vou levar-te a comer o maior gelado que existe.

Eu não consegui aguentar mais.

Chorei.

Chorei pelas cores que nunca mais verei.

Chorei pelas figuras que perdi naquele dia.

Chorei pelo surf que nunca mais poderei fazer.

Chorei pelo pedaço de mim que nunca voltaria.

– Clea? O que se passa filha? – O meu pai estava preocupado e eu apenas chorei mais.

– EI! Anda cá meu amor.

O meu pai abraçou-me e eu chorei no seu ombro.

– O que se passa?

– Eu…

Senti alguém pegar-me na mão.

– Clea? – Era Owen – Tu… tu consegues ver?

Afastei-me de meu pai e apertei a mão de Owen.

Abanei a cabeça com força.

– Não. Eu não consigo.

Ouvi minha mãe engolir o ar e abraçar-me com força.

– O meu bebé. Nat o que se passa?

– Clea bateu com a cabeça com muita força. Nós sabíamos que isso era uma probabilidade de acontecer mas tínhamos esperança que… tivéssemos errados. Lamento.

– Clea vai ficar tudo bem. Ouviste? Nós vamos superar isso. – EU nunca vi meu pai chorar, mas sabia que ele agora estava. Eu nunca mais o poderei ver. A nenhum deles.

– Nunca mais vou surfar – Chorei.

– A vida não é só surf. Vais… encontrar outra coisa de que gostes, ok? – Minha mãe queria acreditar nisso, eu queria acreditar nisso, mas ambas sabíamos que isso estava muito longe de acontecer.

Assenti, mas por dentro senti-me morrer como nunca.

Notas finais
E ai? Gostaram? Não percam os próximos capítulos. Clea é apenas uma menina mas ela é um furação de menina.