A onda do medo
2 Capitulo 2
Notas iniciais
– O que achais de verde? – Perguntou Mika.
– Combina com os teus olhos. – Disse.
Keani concordou e voltou para o livro que estava a ler.
– Eu sei. Mas e quanto a vocês? Que cores ireis usar? – Perguntou sentando-se na minha cama.
– Rosa – Disse Keani.
– Azul – Respondi.
Hoje havia o festival ou um banquete nunca ninguém sabe muito bem o que é. Apenas sabemos que á musica, comida á pala e é á noite.
Como em todos os últimos 3 anos, eu e as meninas fazíamos uma coreografia e cantávamos. Mas este ano era diferente. Porquê? Porque elas tiveram a excelente ideia de me dar a maior parte da letra.
A sorte é que a letra é da minha mãe e cantava com ela, porque se não estava tramada em decorar tudo.
Eu gostava de subir ao palco mas apenas subia porque tínhamos o mar mesmo atrás de nós e ele relaxava-me.
– Olá meninas. – Ouvi a voz que eu não ouvia á 2 meses.
Saltei da cama e fui abraçar minha mãe.
– Que saudades da minha bebé. – Sussurrou-me.
Eu amava minha mãe, mas quando ela me chamava de bebé era um cúmulo e ela sabia, por isso fiquei agradecida por sussurrar.
– Olá Nani. – Cumprimentou Mika e Keani.
Minha mãe era cantora, dai eu saber cantar. Eramos praticamente iguais. Os mesmos cabelos loiros, ambos eramos magras, mas eu era mais, bronzeada por causa do sol e os meus olhos eram azuis por causa do meu pai e minha mãe era uns centímetros mais alta que eu. Tirando isso poderíamos passar por irmãs.
– Precisais de ajuda? – Perguntou.
– Claro. – Respondi.
– Ok, vamos lá a isso. – Não era preciso adivinhar porque minha mãe e Mika se davam tão bem. Ambas adoravam roupas, eu e Keani eramos dois manequins á espera de milagres.
No final, o resultado foi o seguinte:
Mika vestiu um vestido curto de verde sem alças por cima do biquíni branco, claro. Calçou umas sabrinas brancas e usou um cinto branco solto na cintura. Minha mãe pôs-lhe um gloss quase branco, sobressaiu os cílios com preto, um verde-claro como sombra e pintou-lhe as unhas às riscas verdes e brancas. O cabelo loiro ficou solto e Mika colocou uma flor verde.
Keani usou um biquíni preto e roxo. Por cima vestiu uma saia rosa apertada e uma blusa branca transparente. Calçou umas sabrinas rosas e minha mãe fez-lhe uma maquilhagem leve. Pintou-lhe as unhas com um rosa pálido e o cabelo castanho-claro dela caiu em cachos e pôs a sua flor rosa.
Eu vesti o meu biquíni azul com bolas brancas, uns calções de ganga desfiados nas dobras com uma t-shirt branca que me mostrava o umbigo mas ia ficando maior atrás. Calcei uns ténis brancos, minha mãe pintou-me as unhas de azul e deixei o meu cabelo solto fazendo ondas e coloquei a minha flor azul.
– Pronto. Estais lindas – Disse minha mãe.
– Obrigada mãe. – Beijei-lhe na cara. – És um máximo.
– Não tens de quê. Vamos?
Assentimos e descemos para o andar debaixo.
– Vejam só quem cresceu. – Disse Nathan que estava no balcão da cozinha conversando com o meu pai.
– Nat vimo-nos á dois meses, tenho a certeza absoluta que não cresci nada desse tempo para cá – Fui até ele e beijei-lhe na cara.
– Estás muito enganada minha cara Cle. Nós estamos sempre a crescer. – Disse com o ar de doutor que era. – Está cientificamente comprovado que todos os dias crescemos. Tu não notas porque crescemos apenas 1/100…
– Alto lá Nat! Estás de férias, eu estou de férias e quero aproveitar as minhas férias sem aprender nada. Talvez aprenda a fazer um Aerial 360º, mas é tudo.Capiche?
– Capichei tudo. – Disse levantando as mãos.
Eu ri e olhei á volta.
– Onde está Niel?
– Já foi com Owen e Kai – Avisou.
– Vamos? – Perguntou Mika animada.
– Vamos nessa. – Disse Nat fazendo o sinal da paz.
– Pai ajuda-o porque ele enganou-se nos dedos.
– Enganei? – Perguntou confuso.
– Nat, são os dedos das pontas. – Disse minha mãe calmamente.
Eu e as meninas fomos rindo enquanto meu pai fazia questão de ensinar Nat a fazer correctamente.
Eu gostava de Nat, minha mãe tinha-se casado com ele á 7 anos. Nat já tinha sido casado e teve um filho Nathaniel, mas ela tinha morrido de câncer.
– CleCle! – Quando chegamos foi a primeira coisa que ouvi. E apenas havia uma pessoa que me chamava assim.
– Niel. – Ele acenou com a mão e eu olhei-o carrancuda.
– O quê? Só isso? Agora já estás crescido demais para me dares um beijo? – Disse pondo as mãos nos quadris.
– Claro. Já tenho 10, já não sou criança nenhuma.
– É assim mesmo garoto. – Owen esfregou-lhe na cabeça e riu.
– Á já não és uma criança? – Perguntei avançando até ele.
– Não.
– Mas ainda gritas como uma.
Ele ficou confuso.
– Grito?
– Gritas – Eu sorri e corri atrás dele.
Ele conseguiu desviar-se mas continuei a correr atrás dele.
– Cuidado – Avisou minha mãe.
Quando ia a apanhar Niel ele foi contra alguém, fazendo-me bater também.
– Auh – Queixei-me.
– Desculpe. – Disse Niel.
Olhei para cima e vi Kiron a sorrir como um bobo.
– Deixa estar, a este não precisas dizer nada.
Peguei nos ombros de Niel e puxei-o para mim.
– Também é bom ver-te Sullivan. Quem é o miúdo?
– Eu não sou miúdo nenhum. – Protestou Niel virando-se para mim.
– Não lhe ligues. – Esfreguei-lhe o cabelo.
Duke aproximou-se de nós com Vivian, a sua namorada.
– Ei, Nat. – Cumprimentou.
– Ei Duke.
Kiron virou-se para Duke.
– Conheces o miú… óh desculpa o homem? – Gozou.
– É meu meio-irmão.
– Meio-irmão hem.
A música parou e Nely saiu do palco e veio até nós. Pôs os braços em volta de Kiron e beijou-o. Ela devia gostar imenso que não lhe liguem porque Kiron apenas ficou lá a olhar para mim.
Tapai os olhos a Niel.
– Ei, eu quero ver. – Protestou.
– Não, tu não queres. – Disse contendo o riso.
– Oh, olá Clea. Não sabia que agora eras babá? Não és muito nova para isso? – Provocou Nely.
Ela já devia saber que não me afecta.
– Porquê? Estás a precisar de uma?- Provoquei.
Ela deitou fumo pelas orelhas. Tipo, ela tem a minha idade e sempre soube que quem se mete comigo leva por cima, para a próxima que pense primeiro antes de agir.
O bando riu, assim como algumas pessoas que estavam por perto a assistir.
– Ouve lá sua…
– Ahp. Vê lá a linguagem. Estás num lugar público. – Disse mostrando com os braços.
– Ei CleCle, porque a Mika está agindo como uma louca? – Perguntou Niel olhando para Mika.
Mika estava ao pé do palco a abanar as mãos para me chamar. Eu ri.
– Porque é a nossa vez. – Olhei para o bando uma última vez. – Divirtam-se.
E empurrei Neil até onde meus pais, Nat, Owen e Kai estavam sentados.
– Boa sorte – Desejou mamãe.
Pisquei-lhes o olho e corri até ao palco.
– ACABA COM ELES! – Gritou meu pai.
Fiquei entre Mika e Keani.
– Ok, boa noite a todos. – Comecei.
– Boa noite. – Disseram vários.
–Nós vamos cantar “Sonho” de minha mãe Nina Kandi, mas com umas “pequeninas” alterações. Eu espero que gostem.
Ouve aplausos e a música começou. E claro, o primeiro verso era meu.
– Vivo presa… num mundo onde não quero estar. Num mundo onde apenas quero ser eu. Quero ser livre e …sonhar.
– Fica atento… porque eu sei o que eu quero. – Continuou Mika.
– Viver acordada. E imaginar que estás aqui. – Continuou Keani.
– Nunca mais fugir… de mim, yeaaah. – Minha vez.
– Ohoh, pensas que me podes parar, mas tu sabes. Tu sabes. Que sempre seguirei o que eu quero. Quero conseguir os meus sonhos. Quero viver e ser feliz. O que mais me importa são, os sonhos em que acredito, nada mais me importa do que estar aqui então sonha, sonha, sonha. – Cantamos o refrão juntas.
– Presta atenção. Porque eu posso fugir. Posso seguir os meus sonhos e não voltar. E quando te deres conta será tarde. Yeaaah. – Minha vez.
– Ohoh, pensas que me podes parar, mas tu sabes. Tu sabes. Que sempre seguirei o que eu quero. Quero conseguir os meus sonhos. Quero viver e ser feliz. O que mais me importa são, os sonhos em que acredito, nada mais me importa, do que estar aqui, então sonha, sonha, sonha. Áh!
– É como o por do sol… Podes esperar mas sempre partirei. É como o amanhã… nunca saberás o que vem a seguir. – Continuei.
– Sonhaaaa. Yeaaah! – Dissemos juntas.
(parte musical)
– Ohoh, pensas que me podes parar, mas tu sabes. Tu sabes. Que sempre seguirei o que eu quero. Quero conseguir os meus sonhos. Quero viver e ser feliz. O que mais me importa são, os sonhos em que acredito, nada mais me importa, do que estar aqui, então sonha, sonha, sonha. Sonhaaaa. Yeaaah. O que mais me importa são, os sonhos em que acredito, nada mais me importa, do que estar aqui, então sonha, sonha, sonha. Sonhaaaa. Yeaaah.
– Sonha, Sonha. – Acabei.
Fizemos uma vénia para agradecer enquanto o público batia palmas.
–BRAVO!
– Uma fotografia. – Pediu um senhor.
– Claro – Disse Mika animada.
– KAI! – Chamei-o com a mão e ele veio a correr. – Anda cá.
Ele ficou entre mim e Mika.
– Sorriam – Disse o homem.
Ouve o flash e a fotografia estava tirada.
– Obrigada.
– De nada – Dissemos e seguimos para a mesa.
Meu pai sorria de orelha a orelha.
– O que achastes? – Perguntei.
– Foi óptimo. Mas espero que não fujas sem me avisar – Brincou meu pai.
Todos rimos e fui abraça-lo.
– Quanto a isso podes ficar descansado.
– Foi lindo, meninas. Muito bom. – Disse minha mãe.
– Obrigado. Mas foi um castigo fazer Clea cantar. – Disse Mika fingindo cansaço e sentando-se na cadeira.
– Isso é mesmo dela – Disse Duke aparecendo com Kiron e o bando.
– Olá amor. Estás a pensar em não me vir cumprimentar-? Acusou minha mãe.
– Hora essa mãe, como se eu fizesse uma coisa dessas. – Disse fingindo espanto.
Eu revirei os olhos e olhei para Owen que apenas deu de ombros.
– Está na hora do mergulho – Disse Kai pondo-me sobre o ombro.
– KAI! Põe-me no chão. – Pedi rindo.
– Qual a palavra mágica? Se errares vais tomar um banho. E olha que a água está bem geladinha.
Fingi pensar e disse a palavra que me veio á cabeça.
– Panquecas.
Todos riram e Kai começou a rodopiar.
– Errado. Logo… — Kai virou-se para Neil.
– Estás na hora do mergulho! – Acabou por ele.
– NEIL! – Reclamei.
– Desculpa CleCle, mas este é o preço por teres-me feito correr mal chegas-te aqui.
Olhei para os meus pais.
– Bom mergulho – Disse meu pai e minha mãe concordou.
– Nat. Nat eu peço-te. EU suplico-te.
Nat levantou-se rápido.
– Sendo assim… vou buscar mais uma cerveja.
Nat começou a andar para longe e meus pais começaram a rir.
– Ei Clea? – Chamou Kai.
– O quê?
O sangue já me estava a chegar á cabeça.
– Eu prometo-te apenas te molhar um pouco.
E começou a correr para o mar.
Eu ri enquanto tentava olhar para cima. Vi Mika e Keani a correr atrás de nós assim como Owen e Neil.
Mal chegamos á água Kai caiu dentro dela levando-me consigo.
– Seu idiota – Disse empurrando-o de novo para a água.
Mika e Keani desapareceram também debaixo de água.
Quando elas voltaram á superfície, eu e Kai já estávamos todos molhados por andarmos a mandar água um ao outro.
Neil e Owen correram até nós e começaram a molhar-nos. Ao fim de meia hora, estávamos cansados de tanto rir e completamente encharcados.
– OK, Não aguento mais. – Disse Mika tentando recuperar o folego.
Saímos da água e sentamo-nos na areia.
–Bolas está fria – Disse Neil abanando-se.
Nós rimos e eu abracei-o.
– E que tal uma corrida? – Sugeri.
– Não. Nem penses nisso – Disse Mika abanando a cabeça.
– Estou cansada Clea.- Disse Keani.
Levantei-me num pulo e olhei-os.
– Vá lá. Estais é com medo de perder. – Provoquei.
– Nós estamos é cansados demais – Disse Kai deitando-se para trás.
Sentei-me nos joelhos dele e olhei-o.
– Uma corridinha. Uma pequenina.
– Não adianta. Podes pedir o quanto quiseres. E também, já sabes que vais ganhar, para que é que precisas de nós?
Bufei, mas continuei em cima dele.
– Amuou, foi? – Sabia que era Nely sem mesmo a olhar.
Olhei para cima para ver o bando e as suas vagabundas.
– Então Clea, os teus amiguinhos já estão crescidos demais para fazer a tuas brincadeiras? – Provocou fazendo beicinho.
Olhei para Kai que deu de ombros.
– Ignora-a.
– Fruta podre não vale a pena, não é verdade? – Perguntei-lhe.
Os meus amigos riram, e vários Oooooh se espalharam pelo bando.
– Achas-te muito melhor que eu, não é? – Perguntou Nely carrancuda.
Levantei-me e fiquei frente a frente com ela.
– Então prova que o és. Nada muito difícil talvez…uma partidinha de surf.
Eu estava a gozar com ela. Todos sabiam perfeitamente que Nely Vangodam tinha pavor á água.
– Ou espera, tu tens medo dela. – Estalei os dedos e olhei para a água. – Quem sabe o que pode estar lá dentro. – Disse intensamente. Por mais que eu queria brincar, eu perguntava-me muitas vezes se podia existir lá algo.
– Eu aceito.
Virei-me e olhei para Kiron.
– Amanhã, às duas da tarde.
– Onde?
Tenho que admitir, eu sempre quis competir com Kiron. Ele pode ser um idiota, mas é o melhor surfista que conheço.
Ele olhou-me divertido.
– E que tal… em Gone Break?
– Dave achas boa ideia? – Perguntou Tom.
– Sim cara. Sabes que ela não te pode vencer. – Interveio Duke.
Olhei para ele, chocada.
Eu teria discordado com ele, se não visse que ele estava com receio por mim.
Gone Break era uma praia que ficava a umas 2 horas da civilização. À sua volta tudo o que havia eram rochas. Surfar ali era ir direito para a cova, mas era lá onde as ondas são melhores atingindo os 6 ou 7 metros e os tubos são do outro mundo.
– Clea – Olhei para Owen – É perigosos demais.
Voltei-me para Kiron que sorria.
– Então?
– Eu…
– SOCORRO! ALGUÉM? PRECISAMOS DE AJUDA!
Os gritos vinham da costa.
Olhei para Kiron, porquê, não faço ideia. Mas bom, olhei-o assim como ele me olhou.
Começamos a correr seguidos pelos nossos amigos.
Vi Jordan Mandone, o policial, a correr até á costa.
– SOCORRO!
– É o Peter? – Perguntei supressa.
– Parece que sim.- Disse Kiron.
Quando chegamos a Peter, meu pai já lá estava com Nat, o pai de Kiron e o pai de Tom.
– Calma homem, o que se passa? Fala devagar. – Disse o pai de Tom.
O policial Mandone chegou lá.
–O que se passa?
– Eu vi… Estava no meu barco quando o senti.- Disse Peter trémulo.
– O que é que viste? O que é que sentiste? Peter não estás a fazer sentido. – Disse meu pai.
– Eu não sei o que era. Apenas senti algo debaixo de água e veio contra o barco com uma força incrível. Quase cai dentro de água.
Olhei para Peter confusa.
Mas esse era o sobrenome dele. Peter de uns dias para cá vem falando de uma criatura marinha. Todos acham que é apenas doidice por causa da idade. O facto é que ninguém viu nada, apenas ele. Será coincidência? Na, nem por isso.
– É outra vez a historia do mostro? – Resmungou o pai de Kiron.
– Ele é real. Ele é real. – Agarrou o colarinho de Jordan.
– Está bem, acalma-te Peter. Nós vamos ver o que encontramos.- Disse Jordan afastando-se.
Não era que Peter fosse má pessoa, apenas lhe faltavam parafusos.
– Já deve ter foi bebido um garrafão inteiro – Sussurrou Seigi atrás de mim.
Alguns riram e eu apenas olhei para ele.
Algo estava mal. Mesmo que fosse apenas da cabeça de Peter, ele estava com muito medo.
– Ninguém está seguro lá dentro. – Disse Peter, mais para si do que para os restantes.
– Na água? – Perguntei.
Peter olhou-me e arregalou os olhos. Aproximou-se e pegou-me nas mãos. Ele estava gelado.
– Ninguém está seguro lá doce Clea. Foge enquanto tens tempo. Aquilo está cheio de morte.
Ok, por momentos assustou-me, tanto que me arrepiei.
– Tá bem, Tá bem. Vamos ter isso em mente. Agora, larga-a. – Disse Kiron afastando Peter de mim.
– Não sejais burros. Um mínimo deslize e ele ataca. – Disse olhando de mim para Kiron.
– Não os assustes Peter. – Disse Nat.
– Eles deviam estar. Passar tempo naquela água é o mesmo que estar a dar a vida á morte.
– Já chega Peter! – Disse Dinis firmemente – Já chega de bobagens. Deixa os miúdos em paz. – Ele olhou para o filho – Kiron ide-vos embora, nós tratamos disto.
Kiron empurrou-me para trás mas ainda fiquei a olhar par Peter durante uns segundos.
– E que tal um copo de Martini Pete? Anda vamos lá – Ouvi o pai de Tom, Heitor, dizer.
Olhei para trás e vi-os seguirem para a festa. Desviei os olhos para o mar. Tudo estava silencioso tirando o barulho que as ondas faziam. Por momento fiquei a pensar se existiria mesmo lá alguma coisa. Se por baixo de toda aquela beleza, de todo aquele silencio e paz havia algo que pudesse nos ferir.
– Não levaste a sério, não é?- Assustei-me ao ouvir Kiron.
Virei-me para ele e depois de novo para o mar.
– Não sei. Quer dizer… ele é enorme, não me admirava que existisse lá algo.
– Talvez seja um tubarão, ou uma baleia. – Sugeriu Neil — O que achas CleCle?
Abracei-o.
– Eles não podem andar por aqui.
– Temos uma barreira e eles não se atreveriam a vir atá a civilização se a passassem. – Explicou Kiron.
– A não ser que queiram ser pescada. – Brincou Kai.
– Não á nada lá. Se houvesse já teríamos visto e não só o louco Pete. – Disse Mika.
Eu queria que ela estivesse certa.
– Então Clea? Aceitas ou não?
Suspirei e olhei o mar.
Surfo nestas águas á anos. Se houvesse lá alguma coisa já teria aparecido. Não são as simples baboseiras de Peter que me vão impedir de fazer o que mais gosto e de dar uma tareia a Kiron.
– Aceito.
– Para que fique esclarecido, se não conseguires ficas minha criada durante um mês.
Parei e olhei-o.
– Combinado.
E fui com os meus amigos para o restante da festa.
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