A onda do medo
19 Capitulo 19
Notas iniciais
Capitulo 19
No dia seguinte a primeira pessoa a vir-me ver foi Niel. Meus pais e Nat saíram deixando-nos aqui aos cuidados de Owen.
– Queres vir comigo e com Owen para a praia?
–Desculpa, Niel. Não me apetece.
–Por favor, CleCle. E quero-te connosco como antes.
Ele parou.
–Sinto saudades.
Mordi o lábio inferior.
Eu também tinha saudades. Queria que tudo fosse com antes. Antes da cegueira, antes de Kiron.
–Ok. Dá-me 20 minutos para me vestir.
Ele gritou e abraçou-me.
–Boa! Despacha-te.
Quando se foi levantei-me e suspirei.
–Vamos lá, Dóris. Vamos apanhar ar.
30 Minutos depois,... praia
–Vai para a água, Owen.- Insisti de novo.
–Estou bem aqui.
–Owen, Neil sabe nadar, mas pelo som das ondas elas estão ferozes hoje. Vai.
–Vejo-o daqui. Tenho vista para ti e para ele.
Suspirei desistindo e deitei-me para trás aproveitando o sol. Dóris enroscou-se ao meu lado fazendo o mesmo.
– Fazes bem sair da cama, Clea. Dave não merece as tuas lágrimas.
Engoli duramente e nada disse.
–Diz-me que não gostas dele, Clea.- Pediu Owen esperançosamente.
Mordi o lábio inferior.
–Não posso fazer isso, Owen. Nunca te menti, não é agora que vou começar.
Ele suspirou derrotado.
–Acho que deves saber. Ele tem cá vindo desde aquele dia. Todos os dias aparece ou fica aqui á espera que te veja sair.
Meu coração saltou.
–Sério?
–Sim. Eu pensei, … teve um momento, que achei que ele realmente estava a sofrer não te ter com ele.
–Que momento foi?
–Ontem. Ele simplesmente se sentou aqui como sempre fazia depois de vir de nossa casa, olhou o mar e então ele fez algo que… ainda não acredito que tenha sido ele.
–O que ele fez, Owen?!- Perguntei irritada, impaciente e até mesmo esperançosa.
–Ele chorou. Dave chorou, Clea. Não se importou com que alguém o visse, simplesmente chorou.
Limpei a lágrima que me escorregou pelo rosto.
–Ele chorou. Kiron?
–É. O pior é que ele subiu na minha reconsideração.
Mais lágrimas caíram involuntariamente e abracei as minhas pernas. Owen passou os braços á minha volta e abraçou-me apertado.
–Eu acho que ele pode gostar de ti, Clea, mas isso não apaga o que ele fez.- Sussurrou e eu assenti.
Owen tinha razão.
Por mais lágrimas que Kiron deite nada pode apagar o beijo que ele e Nely deram.
Se é que foi apenas um.
Ouvimos o telefone de casa tocar.
–Eu vou lá. Duke tem o sono pesado.
Ele correu para dentro de casa e continuei a abraçar as minhas pernas.
Dóris enroscou-se a mim pedindo atenção.
–O que foi, rapaz? Que se passa?
Ele ladrou e levantou-se.
–Não seria mais fácil se os cães falassem?
–SOCORRO!CLEA!AJUDA-ME!
–Neil? O que se passa?
Levantei-me aflita.
–AJUDA! CLEAAAA!
–Droga! OWEN! OWEN O NEIL!
Por amor de deus, depressa.
Tentei olhar para o mar. Forcei os olhos vendo algo.... branco?
–Neil?
Inspirei e corri para o oceano.
Estupidez?
Sim eu sei, mas que queriam que eu fizesse?
É Neil!
Cheguei á água com Dóris ladrando.
–Neil? Neil?!
–Clea!
A água metia-me medo.
Cada passo, cada braçada, o medo estava presente. Mas parar estava fora de questão.
Fui puxada para braços e tossi água quando vim ao de cima.
–Clea!
–Calma, Neil. Estou quase.
Nadei com mais força e mais e mais até que cheguei.
–Agarrei-te.
Ele olhou para mim com medo e confuso.
–Está tudo bem, Neil. Segura-te a mim.
As ondas puxaram-nos de um lado para o outro. Nadar com Neil era mais difícil e fiquei semanas sem nadar o que complicava.
–CLEA! NEIL!
Olhei para cima e vi Duke e Owen correram para nós.
–Vem ai a cavalaria, Neil. Aguenta.
–Mas, CleCle…
A água empurrou-nos fazendo calar-se ou engoliria água.
–Estais bem?- Perguntou Duke pegando em Neil.
Tossi e assenti deitando-me na areia.
Owen ajoelhou-se ao meu lado e abraçou-me.
–Que ideia foi esta?
–Desculpa, Owen.
Afastei-me e olhei para Neil.
–Estás bem?
Ele assentiu e olhou-me com a testa franzida.
–O que se passa, Neil? Porque me olhas assim?
Duke tocou-me no braço e olhou para mim também com a testa franzida e com desconfiança.
–Clea? Tu estás a ver-me?
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