A onda do medo
20 Capitulo 20
Notas iniciais
Kiron
Eu tinha-a.
Depois de tantos anos, ela era minha. Mas fui idiota de mais e confiei em Nely e na sua merda.
FILHA DA MÃE!
Clea tinha de saber a verdade.
Ela tinha de me perdoar.
Nunca na vida sofri tanto quanto agora. Nunca na vida quis tanto que o tempo voltasse atrás.
Subi a árvore e saltei para a varanda.
A minha sorte era que minha Clea sempre dormia com a porta da varanda aberta.
Entrei silenciosamente sempre olhando para o rosto sereno dormindo pacificamente.
Ajoelhei-me ao lado dela e beijei-a lentamente nos lábios.
Porra, tive saudades.
–Kiron?
–Sim, Clea. Sou eu.
Os olhos dela abriram rapidamente e sentou-se afastando-se. Segurei-lhe nos braços impedindo-a.
–Não, Clea. Deixa-me falar. Por favor, apenas me deixa explicar.
Ela assentiu e olhou-me nos olhos.
Se eu não soubesse que ela não me podia ver, acreditaria que ela me via tanto quanto eu a ela.
–O que aconteceu com Nely foi um engano.
–Beijaste-a, Kiron. Não foi engano nenhum.- Disse com dor.
Meu coração apertou-se e forcei-me a continuar.
– Ela beijou-me, não eu. Eu disse-te que não ia á festa e não ia mesmo. Nely ligou-me e disse que ia desaparecer. Que ia tentar suicídio.
Ela franziu a testa.
Sim, uma idiotice que Clea nunca acreditaria. O idiota fui eu por acreditar naquela vagabunda.
–Acreditei nela, porque ela bate mal. Sabe-se lá deus o que ela tentaria. Então quando lá cheguei e vi a festa de Bri é que entendi que ela me mentira. Tentei ir-me embora mas ela prendeu-me ali e beijou-me. Foi essa parte que todos vós vistes. Eu não a beijei, Clea. Nunca te faria isso.
Lambi o lábio e tentei encontrar uma maneira de a fazer acreditar em mim, mas apenas havia algo que em vinha á cabeça.
Podia assusta-la, mas era a mais pura das verdades.
Acariciei-lhe a cara e ela fechou os olhos com o contacto. Minha doce menina...
–Eu amo-te, Sullivan.
Ela abriu os olhos e olhou-me com espanto.
–Kiron…
–Não te quero assustar, Clea. Apenas quero que entendas que, és e foste a única rapariga que eu amei. Desde que tinhas 8 anos e me bateste. Acho que isso apenas me fez acordar para a realidade.
Eu sorri e ela riu um pouco para meu alívio.
– Desde então tenho tentado tudo para te chatear mas ao mesmo tempo apenas servia para estares na minha vista. Sabia o que fazias, onde estavas, o que precisavas, tudo. Podes mesmo dizer que estava a controlar-te. Mas apenas era para ter a certeza de que nenhum canalha te tinha. Eras minha e apenas minha.
Uma lágrima escorregou pelo rosto dela e logo a limpei.
– Perdoa-me, Clea. Por favor.
–Não há nada para perdoar, Kiron.
MERDA, NÃO!
–Clea, por favor. Não me faças isto... Por favor, eu amo-te.
Porra, eu estava a chorar.
QUE SE COUZÃO AS LÁGRIMAS!
Eu ia perde-la.
–Porque choras, Kiron?- Perguntou tocando-me na cara.
–COMO NÃO?! Tu não me perdoas. Eu não te posso perder, se assim for então… espera o quê?
–O que o quê?- Perguntou ainda me limpando a cara.
–Como sabes que estou a chorar?
Um pequeno sorriso se radiou no seu rosto e olhou para mim com um brilho nos olhos.
Não… não pode.
–Tu… tu vês-me?
Mordeu o lábio inferior sorrindo ainda mais.
–Sim.
–Co… como? Eu não…
Abanei a cabeça com força e sentei-me na cama.
–Foi hoje. Neil estava a nadar e Owen teve de vir atender uma chamada.
–Hoje o mar estava louco para se nadar.
–Eu sei. Tanto sei que Neil quase se afogou.
–Quase?
Ela assentiu e olhou para Dóris que dormia ao lado dela.
–É. Eu consegui chegar lá a tempo.
Valha-me deus!
–Tu fizesse-te o quê? Estás louca, Clea?!
Ela abaixou ainda mais a cabeça.
–É o Neil. Não podia deixar que ele se afogasse.
–Mas Clea, tu podias ter morrido. Não voltes a fazer uma coisa destas, estás a ouvir-me?!
PORRA!
E eu em casa como se nada fosse.
–Eu já não estou cega, Kiron. Não é o que importa? Dr. Fell disse que não era suposto eu ficar. Liguei a minha avó e ela apenas disse que eu era uma Victória. Meus pais e meus irmãos dizem que tive sorte. Meus amigos dizem que o mar nunca iria tirar o que é meu por direito. Que dizes, tu? Vá, quero saber.
Olhei atentamente para ela e molhei os lábios.
–O que eu digo?- Sorri e encostei a minha testa na dela.- Digo que o surf é a tua vida e nada nem ninguém irá afastar o que és de ti.
Ela sorriu e assentiu.
–Tens razão. O surf é a minha vida.
–Sim. E tu és a minha, Clea. – Toquei-lhe na cara.- Não me afastes.
–Eu quis dizer que não havia nada para perdoar porque acredito em ti, Kiron. Se foi mesmo Nely que te beijou então… eu acredito.
SIM!
–Verdade?
–Pura e intacta. E para que fique esclarecido… eu também te amo. Muito.
Ri e beijei-a.
SIM DEUS!
–Amo-te, amo-te, amo-te.- Murmurei entre beijos.
Ela riu e prendeu as mãos atrás do meu pescoço.
–Tenho uma coisa para te contar.
–Á sim? E qual é?
Fosse o que fosse nada me ia deixar mais feliz.
Eu a tinha de volta.
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