A onda do medo
18 Capitulo 18
Notas iniciais
Capitulo 18
A última vez que fui tão mimada tinha 9 anos. Quando fiz 5 meus pais deram-me um gatinho branco e no meu aniversário de 9 anos ele morreu atropelado.
Não sai da cama durante semanas. Meu pai e meus irmãos tentaram tudo, mas não sai.
Meu pai até chamou minha mãe mas nem assim sai.
Numa noite minha mãe deitou-se ao meu lado cantando uma música que ela escrevera para mim. Pouco tempo depois, Owen e Duke apareceram e deitaram-se ao nosso lado. Por último foi meu pai que me segurou nos braços com força.
Foi a primeira vez depois do divórcio de meus pai que estávamos todos juntos. Falámos, cantamos, rimos todos juntos.
Foi aquilo que me deu forças para me levantar no dia seguinte e ir surfar. Mas também, mais cedo ou mais tarde acabaria por o fazer pois ficar sem surf, para mim, era morrer mil vezes.
Mas desta vez era diferente.
Tinha Dóris comigo e não tinha o surf.
–Clea, ele não vale apenas. Não merece que fiques assim.- Disse Owen.
Apenas continuei abraçada a Dóris.
Não abri os olhos pois também não era preciso. Apenas ficava deitada abraçada a Dóris que às vezes saia para fazer as suas coisas.
–Deixem-me a sós com a vossa irmã, meninos.- Pediu minha mãe acariciando-me o cabelo.
Ouvi a porta a fechar-se.
–Então, bebé? Gostas mesmo dele, hem, Clea?
–Amo.- Sussurrei.
Beijou-me a cabeça e chegou-se mais perto.
–O primeiro amor é sempre o mais difícil.
–Mãe? Quando soubeste que encontras-te o homem ideal?
–Quando reparei que apenas ele me fazia sorrir nos momentos mais difíceis. Quando apenas com ele podia contar. Era apenas como se apenas pudesse dizer certas coisas a ele. Disse mais coisas a Nat que disse a qualquer um. Sempre que o via parecia que meu coração me ia saltar do peito. Um simples sorriso dele e lá estava eu derretida aos seus pés. Eu gostava de teu pai, Clea. Amei-o. Mas o que eu sentia-a por Nat era diferente. Nat fazia-me sentir viva, em paz. Com ele eu podia ser eu, abrir-me livremente, pois ele compreender-me-ia. Somos diferentes mas de um certo modo iguais.
Mordi o lábio inferior.
–E se eu sentir isso por Kiron?
Ela suspirou.
–Então ele é um idiota ou está cego demais para ver o verdadeiro amor. Se ele quiser ser feliz, Clea, então saberá que apenas ao teu lado estará feliz.
–Ele gosta de Nely, mãe. Não de mim. Poderei esquece-lo? Diz-me que sim. Por favor.
–Claro que sim, meu anjo. Se ele não te ama na mesma intensidade, de certeza que há alguém, lá fora, que te ama com todo o coração e que merece o teu amor. Eu acredito, Clea, que existe uma alma gémea para cada um de nós. Uns encontram-na, outros não. Mas ela existe.
–Será que a minha vai demorar muito para aparecer?
Ela apertou-me contra o peito dela.
–Ela aparecerá quando tiver de aparecer. Mas talvez, ela já exista e tu apenas não a viste ainda.
Queria acreditar em cada palavra de minha mãe, mas apenas eu sabia que no fundo, apenas havia uma pessoa que amava e sempre amarei.
Pois foi apenas com ele que eu partilhei o maior medo da minha vida e o enfrentei.
–SE TU SOBES MAIS UM DEGRAU ESTÁS MORTO!
Ouvi o rosnar de Owen lá em baixo.
–O que se passa?
–Não sei.
–SAI-ME DA FRENTE, OWEN!
Kiron!
–Mãe?- Disse vacilando.
–Shhhh.- Sussurrou.- Confia nos teus irmãos.
–NEM QUE ME MATES! JÁ FIZESTE ASNEIRAS QUE CHEGUEM, NÃO ACHAS DAVE?!
–POR ISSO MESMO, DEIXA-ME RESOLVE-LAS. SAI!
–NEM MORTO!
–CLEA!
Apertei os olhos e chorei em silêncio.
–CALA A BOCA, DAVE! ELA É MINHA IRMÃ E ENQUANTO EU VIVER NÃO LHE DERIGERÁS UMA PALAVRAS QUE SEJA.
–TENHO DE EXPLICAR O QUE ACONTECEU OWEN!
–NÃO PRECISAS. TENS IMENSAS TESTEMUNHAS PARA O COMPROVAR.
Ouve um estrondo que me assustou.
–PORRA, OWEN! Deixa-me falar com ela.
Disse Kiron mais calmo mas com a mesma dor. Dor essa que eu de certeza absoluta, estava imaginando.
–Já te disse. NÃO!
–Que barulheira vem a ser esta?- Perguntou meu pai.- Que fazes aqui, Kiron?
–Preciso falar com Clea.
–E eu já disse que isso não irá acontecer.- Grunhiu Owen.
–Calma, Owen. Kiron, não achas que já magoas-te minha filha que chegue?
–É isso que tenho de explicar. Foi tudo um mal-entendido.
Mal-entendido?
Que mal-entendido acaba por pôr duas pessoas a beijarem-se?
Patético.
–Falarás com Clea se assim ela o quiser.
–PAI!- Gritaram Duke e Owen.
–Calados.
Ouvi-o subir as escadas e tapei ainda mais a cabeça no pelo de Dóris.
–Clea? Fofinha?
–Não.- Gemi chorando.
Meu pai sentou-se na cama e beijou-me a testa.
–Como queiras, princesa. Vou mandá-lo embora.
Ele saiu fechando a porta e minha mãe mexeu-se.
–Tens mesmo a certeza, Clea? Não te vais arrepender?
–Sim.
A qual das perguntas respondia não tinha a certeza mas minha mãe nada disse e apenas me abraçou cantando baixinho.
–Ela não te quer ver, Kiron.- Disse meu pai calmamente.
–O que é de esperar.- Bufou Duke.
Kiron falou algo que não percebi e uma porta bateu com força assustando-me a mim e a Dóris.
–Acabou, Clea.- Sussurrou minha mãe beijando-me a testa.
Ela disse mais alguma coisa que entendi como.
– Por agora.
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