A onda do medo

11 Capitulo 11


Durante a semana que passou a rotina foi quase sempre a mesma.

Levantava-me, vestia-me (já quase sem ajuda), descia as escadas devagar para ir comer o pequeno-almoço, às vezes limpávamos a casa, cantávamos, almoçávamos. Á tarde Tina vinha-me buscar para os exames e quando vinha ajudava minha avó no que fosse preciso.

– Concentra-te um pouco mais- Incentivou minha avó.

Estávamos no alpendre, e eu aprendi-a a tricotar. Parecia tão fácil, mas quando não se vê nada, as coisas complicam bastante.

Tentei mais uma vez mas piquei-me do novo, como? Eu não faço ideia.

–EU desisto. Mesmo que eu acerte, não sei como o fiz.

– Uma Victória nunca desiste. Vamos lá.

Tentei mais duas vezes mas o resultado foi sempre o mesmo.

– Usa as mãos para te guiarem.

Suspirei e tentei de novo.

Macio e quente.

Encontrei o primeiro buraco e trazei-o, depois o segundo, o terceiro, o quarto até ao fim.

– Consegui!

– Eu sabia que conseguirias.

Minha avó abraçou-me e ria.

Sentia-me bem.

– Hoje vamos ter uma visita- Disse-me horas mais tarde.

– Quem?

– O Don vem passar por aqui com uma surpresa.

Don era o melhor amigo da minha avó e eu amava-o como um avô. Ele sempre se deu melhor comigo do que com os meus irmãos. A única coisa que faziam era estarem agarrados ao televisor.

Momentos mais tarde houve uma batida na porta.

– Olá ás meninas bonitas- A voz de Don preencheu o ar.

– DON!

– Eu ouvi o que aconteceu, princesa. Lamento tanto.

Abracei-o quando ele se aproximou.

–Tudo bem, Don. Ainda estou viva.

– Esse é o espírito.

– Tinhas uma surpresa para mim?- Perguntei animada.

– Na verdade a ideia foi de tua avó, eu apenas a foi buscar.

– A prenda é dos dois- Interferiu minha avó.

– Bom, ok. Não se matem por isso. Onde está a minha prenda?

Eles riram e fizeram-me sentar numa cadeira.

– Estica as mãos- Pediu Don.

Eu fi-lo e pêlo se enrolou nos meus dedos. Macio.

Arregalai os olhos.

– Destes-me um cão?!

– Um cão guia. Aqui o Dóris foi feito para ajudar.- Explicou Don.

–Boa.

Ajoelhei-me devagar e enterrei a cara no pêlo de Dóris. O calor que aquele cão irradiava dava-me segurança e Protecção.

– Olá Dóris.- Cumprimentai.- Obrigado, amei.

– Ele vai contigo para casa. Já falámos com a companhia aérea e eles arranjaram um lugar para ele poder ir.- Disse Avó.

– Isto é incrível.

Levantei-me e abracei os dois.

– Adoro-vos.

Eles riram.

– E nós a ti.- Disse minha avó.

– Está na hora de mostrares do que és feita. Não é um pequeno problema de visão que te vai parar- Disse Don.

– Tens toda a razão Don.

Tina veio me buscar para irmos para o aeroporto e ao que parece ela também já sabia de Dóris.

Minha avó e Don foram comigo até ao aeroporto e despediram-se de mim com dois abraços cada.

Eu amava isto aqui, mas também estava com saudades de casa e da praia. Estava na altura de enfrentar os meus medos com Dóris ao lado.

3 Horas de pois — Aeroporto

Chegámos depois de horas intermináveis de avião e peguei num ferro que Dóris tinha ao redor do pescoço para eu me segurar.

– CLEA!- Ouvi minha mãe gritar e sorri.

Como tinha saudades de casa.

De todos eles.

De onde apareceram não sei, mas num momento estava só e no outro tinha braços por todos os lados.

– Estás bem?- Perguntou.

– De onde veio o cão?- Perguntou meu pai.

– Porreiro- Ouvi Duke dizer.

– Eu estou bem e o cão foi um presente da avó e de Don.- Avisei.

– Bem, acho que podemos arranjar espaço no carro para ele.- Disse meu pai e senti-o sorrir.

Agarrei-me ao meu pai com Dóris do outro lado e fomos embora.

De volta a onde tudo começou.

Notas finais
E ai, maltinha, tudo bem? espero que tenham gostado bjx Sweetys