A amizade das duas foi se estreitando entre elogios e confissões, nenhuma delas séria o suficiente, no entanto. Luíza percebera que a condessa guardava um segredo, do qual sabiam Zilda e o capataz, Bento, mas não conseguia adivinhá-lo. Às vezes, Bento solicitava conversar a sós com a patroa, algumas vezes também Zilda se fazia presente enquanto ela aguardava a volta da condessa em outro cômodo. As perguntas sobre o passado da condessa eram evitadas pela menina, que sentiu-a perturbada e aborrecida das primeiras vezes em que tentou sanar sua curiosidade. Os dias de visita de Luíza eram alternados e ela sempre se retirava após o jantar, exceto na noite em que a condessa sentiu-se mal. Já havia acordado muito resfriada no dia anterior e, durante a visita, foi necessário chamar o médico que constatou um início de pneumonia. Luíza insistiu que passaria a noite cuidando de Vitória, a contragosto de Zilda, que se julgava perfeitamente capaz e adequada ao serviço.
— Zilda trabalhou o dia todo e eu posso perfeitamente passar a noite fazendo companhia a sua tia, Conde Felipe! argumentou Luíza, no que o conde concordou.
— Eu vou mandar avisar sua mãe! Zilda, descanse! Amanhã terá um longo dia de cuidados também.
Já era outono em Belarrosa e o frio fazia-se já rigoroso. Naquela noite, Vitória acordou algumas vezes e viu Luíza sentada na poltrona, junto à lareira, embora estivesse muito mal para saber se era dia ou noite.Tentou chamá-la, da última vez, com a voz baixa e rouca.
—Luíza...
—Condessa? Chamou-me? O que sente? perguntou a menina aflita.
— Que horas são?
— Umas duas ou três horas, não sei!
—É noite?
—Sim, senhora! Precisa dormir!
—Você ficou?
Luíza nunca havia entrado no quarto de Vitória anteriormente. Tinha o perfume dela,as rosas vermelhas arranjadas em vasos e a foto do filho em uma cômoda.
— Menina, ouve! Minha menina... precisode você! Preciso! Gosto tanto de você! e segurou forte a mão pequena da jovem, que, sem hesitar beijou as dela, um beijo profundo e demorado.
— Eu também lhe gosto muito, muito! Não irei a lugar algum. Deito aqui na cama ao seu lado, se quiser!
Vitória acenou com a cabeça e Luíza deitou-se, tirando os sapatos, ainda tendo a mão nas de Vitória. E sentiria-se tão feliz se não estivesse tão preocupada...uma lágrima escorreu de seus olhos enquanto olhava o rosto pálido da condessa, ali, tão ao seu alcance. Lembrou-se de que há pouco mais de um mês ela nem existia, e agora, essa mulher era toda sua vida! Vitória havia rapidamente adormecido novamente, efeito dos fortes remédios que estava tomando. Luíza ficou longo tempo observando-a ainda antes de pegar no sono.
— Eu te amo! sussurrou a menina e mais uma lágrima lhe molhou a face.
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