A mulher do retrato
5 Capítulo 5
Quando Luíza retornou à sala, a condessa despedia-se exatamente de seus pais. Aproximou-se, por ser inevitátel, e sentiu as pernas tremerem pelo tempo que esteve ali, o que pareceu-lhe uma eternidade.
– A senhora ainda não respondeu ao nosso convite para o chá, condessa. — disse Consuelo, que também não havia perdido tempo em relação às demais famílias.
– Façamos melhor! Por que não vêm, você e sua amável menina a minha casa para um chá? Amanhã, talvez? Estou me sentindo cansada desde que cheguei, o que não me permite aceitar os tantos convites que generosamente recebi. Consuelo respondeu-lhe de pronto:
– Mas é claro que sim, condessa! Luíza e eu vamos adorar passar a tarde em sua companhia! A menina quase desfaleceu com o súbito aceite da mãe mas, ao mesmo tempo, vibrou de satisfação.
– Deve haver uma fila de rapazes na porta de sua casa, senhor Peixoto! -disse a condessa, pegando Luíza suavemente pelo queixo, como se faz com uma criança e depois passando a mão por seu cabelo, ajeitando a madeixa da franja. Ela sabia que desmaiaria exatamente ali, cairia ao chão, seria o maior vexame da noite. Mas inspirando profundamente, conseguiu recompor-se e sorrir, embora não estivesse passando bem.
– Sente-se bem, Luíza?-perguntou a mãe assustada com a palidez que tomara seu rosto.
– Sim, sim! Deve ser o calor. Eu acabo de vir lá de fora, entrei meio apressada. A jovem não sabia como conseguira proferir com clareza as poucas palavras, mas sentiu-se um pouco menos nervosa depois disso, sentiu que estava conseguindo controlar seu corpo minimamente.
–Bom, espero-as então amanhã às 15h para o chá!- despediu-se a condessa, passando a mão no rosto de Luíza delicadamente.
Aquelas carícias, Luíza as sentiu por toda a noite, revirando na cama, desesperadamente feliz. Relembrava cada olhar, cada toque das mãos dela em seu cabelo, no seu rosto, suas palavras, sua voz...não pode dormir e também não o queria. Estava ansiosa demais pelo encontro do dia seguinte. Tinha medo de passar mal novamente, ainda mais agora que estaria praticamente sozinha com a senhora, que, certamente, faria-lhe muitas perguntas. Tratou de pensar em todos os assuntos que a condessa pudesse abordar, como responderia, como agiria. Talvez com tudo planejado seu nervosismo pudesse não ser percebido por ela.
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