A mulher certa para mim
13 O nosso lugar
Notas iniciais
TJ não deu muito trabalho, Jane acordou apenas duas vezes na noite, talvez Maura tenha acordado também, mesmo assim Jane dormiu bem, ela olhou para o sofá pensando que não se importaria em dormir ali, era mais confortável do que a sua cama.
Levantou se esticando e vestiu a calça, depois foi até o quarto onde o sobrinho dormiu, abriu a porta devagar e foi até o berço, mas não encontrou TJ lá, ele não sabe andar ainda, onde deveria estar? Jane olhou atrás do berço, em baixo da cama de solteiro que fica no quarto e no banheiro, confusa decidiu perguntar a Maura se ela viu o bebê e foi então que viu uma das cenas mais lindas da sua vida, TJ estava dormindo na cama da loira, protegido por um travesseiro para não cair e com a mão segurando o polegar de Maura.
— Você será uma mãe incrível_ Jane disse baixinho para não acordar seus dois amores.
Ficou mais um tempo na porta admirando a cena e decidiu fazer o café da manhã para Maura, como não sabia fazer o café de nome estranho e gosto horrível que Maura toma, decidiu fazer o da Verônica, que encontrou no armário.
Jane ouviu passos e sorriu, ela estava de costas fazendo panquecas. Quando terminou e se afastou do fogão, Maura se aproximou dela e beijou seu rosto, as mãozinhas de TJ tocaram o rosto de Jane, explorando o quanto pôde, a morena beijou o sobrinho e sentou com ele no colo.
— Que mesa bonita! Eu não sabia que você sabia cozinhar Jane_ Maura sorriu para a morena.
Jane olhou para ela_ Você ainda não conhece todas as minhas habilidades_ Jane continuou olhando para Maura e a loira desviou o olhar envergonhada.
— Que horas o Tommy vai vir pegar o TJ?_ Maura decidiu mudar de assunto.
— Eu pedi que ele viesse antes das oito, hoje eu volto para o trabalho, não quero me atrasar_ Jane sorriu, estava feliz por voltar, rever os amigos, sentir a adrenalina em seu corpo, chatear os legistas, ficar mais perto de Maura.
— Eu vou adorar, estava me sentindo perdida sem você_ Maura colocou a mão sobre a mesa e Jane entrelaçou seus dedos aos dela, Jane aproximou seu rosto do rosto da loira e as duas se beijaram, primeiro beijos inocentes, depois beijos mais calorosos e até eróticos_ Jane, o TJ_ Maura indicou o bebê com a cabeça.
Jane levantou com o sobrinho nos braços e deu ele para Maura_ Sabe, ele é só um bebê, não vai lembrar que nos viu nos beijando.
— Eu sei, mas...Me incomoda.
Jane abaixou e beijou o pescoço de Maura depois pegou o leite do sobrinho na geladeira e foi esquentar. A morena estava de costas, mas virou-se quando ouviu Maura falar com TJ.
— Ei, você é um garoto muito esperto sabia? É sim, quando você aprender a ler eu irei te dar livros, de preferência sobre biologia, química, matemática...
— Calma ai! Antes que ele aprenda biologia, ele irá ouvir rock, irá a jogos de baseball, eu tenho uma coleção de HQs...
— Se você não olhar esse leite , o TJ irá ficar com fome_ Jane virou-se rápido e apagou o fogo_ Como eu estava dizendo...
— Você quer monopolizar o meu sobrinho.
Maura se fez de ofendida_ Isso é uma acusação muito séria Jane Rizzoli.
Maura fingiu estar chateada, não olhou para Jane e fechou a cara, a morena se aproximou e tentou beija-la, mas Maura desviou o rosto.
— Sério!? Não vai me beijar?
Maura virou e deu um rápido selinho na morena, a loira sorriu e Jane soube que aquilo não passava de puro charme, acontece que estava dando certo, estava dando muito certo.
— Eu sei o que você está fazendo.
A campainha tocou antes que Maura pudesse fazer a próxima provocação, Jane fez uma cara de brava e foi abrir a porta. Tommy entrou na casa e deixou Jane com a porta aberta sem entender o que estava acontecendo, Jane fecha a porta e se aproxima.
— Então... “ Bom dia Jane, como você está? Obrigada por cuidar do meu filho”.
— Eu ia falar ok? É tudo isso que você disse.
Jane fez uma cara de impaciente.
— Onde está o TJ?
— Na cozinha com a Maura, eu vou chama-la_ Jane estava saindo da sala para chamar a loira quando voltou_ Não toque em nada, não quebre nada e se quebrar vai pagar.
Alguns minutos depois as duas estavam na sala, Maura trazia TJ nos braços, Jane parou ao lado e ficou brincando com o sobrinho. Tommy olha para elas e para o seu filho.
— Hey Maura_ A loira cumprimentou o irmão de Jane e sorriu_ Posso tirar uma foto?
Jane arqueou uma sobrancelha e olhou para ele, como se dissesse “ O que? Pra que?” .
— É que vocês três parecem uma família.
Jane olhou para Maura segurando TJ, a loira parecia bastante feliz, esse era um sorriso diferente dos sorrisos que Jane normalmente via nos lábios de Maura, os olhos dela brilhavam, com certeza Maura gostaria de construir uma família, uma de verdade não a que ela teve, com pais que quase não se importavam, Jane acabou sorrindo também e Tommy fez uma foto com o celular.
— Ei!_ Jane reclamou.
— Desfaça essa cara de mau se não irá estragar a próxima foto.
Jane cruzou os braços e continuou fingindo estar brava, Maura olhou para ela e bateu com o braço no dela a morena olhou para ela e sorriu, Tommy fez outra foto.
— Agora eu vou pegar as coisas dele_ Disse Jane.
Tommy se aproximou do filho e estendeu os braços.
— Vamos para casa?
TJ não estendeu seus braços como Tommy pensou que o filho faria.
— Ei, vem com o papai.
O menino ignorou. Tommy tentou pega-lo, mas ele virou-se e deitou a cabeça no ombro de Maura.
— Jane, o TJ não quer largar da sua namorada!
Tommy gritou para que a morena escutasse. Jane entregou a bolsa do bebê a Tommy e também as mamadeiras.
— Ele é muito esperto, claro puxou a tia e a Maura ainda não é minha namorada_ Jane pegou TJ, que veio facilmente e entregou para Tommy_ Isso porque ela não quer.
— Sua irmã ainda não me pediu_ Jane e Tommy olharam para a loira.
— É nessa hora garoto que a gente vai embora sabe_ Tommy saiu com TJ nos braços.
Jane fixou os olhos em Maura e a loira sorriu_ Aquele garotinho tem potencial.
— Ele é só um bebê, como sabe disso? Espera... Não mude de assunto. É isso? Está só esperando um pedido?
Maura deu as costas e foi novamente para cozinha, deixando Jane sem reação, a morena correu e impediu que Maura entrasse no cômodo prendendo ela contra a parede, Maura não tentou se soltar dos braços da detetive, o cheiro de Jane invadia seu nariz, os lábios convidativos, o modo como estava a pressionando firme e ao mesmo tempo sem intenção de machucar , causaram lhe arrepios, excitada, era essa a palavra a legista estava se sentindo excitada, nunca pensou que fosse acontecer com uma mulher. Jane mantinha contato visual que Maura quebrava vez ou outra para olhar os lábios da morena ou os seios.
— Maura Isles você..._ Jane respirou, parecia nervosa, a sua respiração quente fez Maura abrir os lábios_ Quer namorar comigo?
— Oui_ Maura respondeu em francês.
— Maura deixa de ser metida e responde na nossa língua.
Maura sorriu, passou os braços pelo pescoço da morena e beijou a ponta do nariz_ Sim Jane Rizzoli, eu quero ser a SUA namorada_ Sem querer Maura acabou enfatizando o sua, porque é como ela estava se sentindo naquele momento.
Elas se beijaram, um beijo caloroso cheio de desejo, Maura tirou seus braços do pescoço da morena e prendeu sua mão no cabelo revolto de Jane , a detetive segurava Maura pela cintura, os beijos se intensificaram e nenhuma das duas pensavam em parar, na verdade elas não pensavam em nada naquele momento, Jane deu vários beijos no pescoço de Maura e depois colou sua testa na da loira, Maura arfava enquanto olhava os olhos de Jane, a morena tinha as mãos no rosto de Maura e seus polegares faziam carícias, a loira fechou os olhos sentindo as caricias de Jane, o que fez o coração da morena bater ainda mais forte.
Elas estavam presas em um mundo só delas, onde não importava mais nada, onde não existia problemas, nem medo só amor e desejo, muito desejo.
Elas se beijaram mais algumas vezes, Jane mordiscou a orelha de Maura e esse ato fez o sexo da loira pulsar.
“ Ela só esta me beijando e eu já me sinto molhada, se continuarmos assim estaremos na minha cama em questão de minutos, mas...Eu não consigo parar” _ Pensou Maura.
Do nada Jane parou e ao olhar para Maura e ver o estado que deixou a namorada a detetive sorriu, a verdade é que ela teve que parar, sabia que Maura não estava preparada para algo mais e nem queria apressar as coisas, Maura não é como as outras mulheres que ela já saiu, aquelas eram só sexo, iam ao seu apartamento a noite e saiam pela manhã, muitas vezes a morena nem lembrava seus nomes, outras vezes confundia e acabava sendo corrigida pela fulana. Jane fez uma promessa para si mesma, não iria tratar Maura como essas mulheres, Maura é diferente.
— Eu tenho que ir, trocar essa roupa, estou de volta ao trabalho...
Maura concordou balançando a cabeça, queria falar, mas estava sem voz. Jane a beijou novamente e saiu da casa da loira fechando a porta, depois que a morena saiu às pernas da loira que já estavam bambas fraquejaram e Maura escorregou pela parede sentando no chão com um sorriso bobo no rosto.
***
Maura se aproximou de Frankie e Korsak os dois já sabiam o que ela iria dizer, na verdade o que ela iria perguntar, por isso Frankie se adiantou.
— Não, ela ainda não chegou, Maura você já perguntou isso seis vezes, eu liguei para ela, Jane atendeu e disse que vai se atrasar, quando ela chegar eu te digo tudo bem?
A loira mostrou um meio sorriso e voltou para o necrotério.
Alguns minutos depois Jane chegou, a barra da sua calça estava molhada e a morena estava com uma cara que fazia qualquer um teme-la.
— O que aconteceu?_ Frankie perguntou.
— Meu apartamento inundou, eu estava tentando salvar o que era importante_ Jane sentou na cadeira que fica atrás da sua mesa e jogou o corpo todo com ar de desanimo_ A mãe está levando as coisas para a casa dela.
Frankie olhou para Jane com a boca aberta.
— É, os concertos para o apartamento são muito caros e eu não vou pedir isso ao pai, por tanto vou voltar a morar com a nossa mãe_ Jane fez um cara de desespero e deixou a cabeça cair sobre um pilha de papeis_ Eu odeio isso.
Frankie tapou a boca para não rir, sabia que a irmã não hesitaria em atirar nele caso ele risse.
— Não a nada que possa me animar hoje.
— Maura perguntou por você umas seis vezes hoje_ Disse Korsak.
— Retiro o que disse, já estou feliz_ Jane levantou a cabeça e se dirigiu ao necrotério.
Ela observou Maura por algum tempo através do vidro, igual a quando ela descobriu que a linda mulher do jantar era a nova legista, mas dessa vez sem se abaixar, sem sentir medo de se aproximar ela entrou no necrotério, Maura estava de costas por tanto a primeira a ver a detetive foi a assistente da legista, que derrubou a bandeja com os instrumentos cirúrgicos.
Maura foi até ela e checou sua temperatura_ Lisa você está bem?
— Claro que não, Jane Rizzoli está de volta.
Ao ouvir as palavras da assistente Maura olhou para trás e viu Jane sorrindo, ela levantou e foi até a morena.
— Como você volta a trabalhar há alguns minutos e já perturba minha assistente!?_ O tom de voz de Maura era entre o sério e o debochado, o que fez o sorriso da detetive se alargar.
Jane deu de ombros_ Sua assistente deve sofrer de algum problema mental, porque eu nem fiz nada ainda.
— Acredite ela fará_ Lisa apontou para Jane, ela recolheu os utensílios e trouxe outra bandeja para Maura.
— Dia cheio?_ Jane perguntou .
— Temos esse cara sem identificação, ele não está no sistema, e foi achado nu em uma cama de motel a mulher que estava com ele também está morta, e eu farei a autopsia dos dois.
— Então...Dia cheio_ Jane soltou o ar, Maura olhou para ela e percebeu que a morena estava chateada.
— Jane... O que aconteceu?
— Eu voltei a morar com a minha mãe_ Jane sussurrou as palavras tão baixo que Maura não pode ouvir.
— Não ouvi.
— Eu voltei a morar com a minha mãe.
Lisa começou a gargalhar, ria tanto que lágrimas saiam dos seus olhos.
— Tá vendo Maura_ Jane fez um beicinho e cruzou os braços.
— O que aconteceu com seu apartamento?_ Perguntou a legista.
— Está alagado, isso é uma tragédia.
— É tão devastador assim morar com a sua mãe?_ Perguntou Maura e Jane olhou para ela abismada.
— Sei lá_ Ela contornou Maura e falou no ouvido da loira_ Quando você for me ver, pode subir as escadas do meu quarto, passar pela minha mãe e dar boa noite.
— É uma tragédia _ Concluiu Maura fazendo Jane rir.
Jane beijou o rosto de Maura_ Nos vemos depois, eu tenho uma pilha de papeis sobre a minha mesa e ainda tenho que falar com o chefe.
— Almoçamos juntas?
— O Sonic corre rápido?_ Era para ser algo óbvio que fizesse Maura entender que sim, elas iam almoçar juntar, em vez disso a legista franziu a sobrancelha confusa.
— Quem é Sonic?
— Deixa pra lá Maura, depois eu te explico, sim nós vamos almoçar juntas.
A morena saiu da sala e Maura deu de cara com Lisa, que parecia pedir uma explicação para o modo como as duas estavam agindo.
— O que!?_ Perguntou Maura, a assistente respondeu um “ nada” e se afastou deixando Maura pensando sobre o que aconteceu mais cedo em sua casa.
***
Depois de falar com Cavanaugh e desse lhe dar as boas vindas, Jane decidiu comprar um café, precisava estar bem acordada para encarar tanto papel que lhe esperava, ela se aproximou do balcão e ficou calada esperando a mãe virar, já que, Angela estava de costas.
— Jane! O que vai querer?
— Um café_ Enquanto Angela preparava o café Jane pensava no melhor jeito de fazer uma pergunta a sua mãe.
— Antes de vir para cá eu consegui arrumar suas coisas no seu antigo quarto, é uma pena o que aconteceu com seu apartamento Jane.
— Mãe_ O tom de voz usado por Jane fez Angela encarar a filha, Angela sabia que algo perturbava Jane, algo além do apartamento perdido_ Tommy pediu para que eu cuidasse do TJ, normalmente ele te pede isso, mas você sumiu do seu próprio jantar e adivinha o Korsak sumiu também, onde vocês estavam?
— Você não vai querer saber.
Jane se aproximou da mãe e falou baixo para que os outros clientes não ouvissem_ Você está saindo com o Korsak?
— Sim, saindo, trasando...
— Não quero mais saber. Me dá o meu café.
Angela entregou o copo a Jane a morena pagou e se retirou_ Foi você que perguntou_ Angela riu da filha e foi atender outro cliente.
Jane sentou na sua cadeira, massageou o pescoço e começou a trabalhar, ao lembrar que ela e Maura estavam namorando um sorriso apareceu em seus lábios, as lembranças dos beijos que calorosos que deram pela manhã impediram a detetive de se concentrar, anda mais porque Jane começou a achar que o pedido de namoro não foi algo especial, ela queria algo melhor, mais significativo, começou a planejar um segundo pedido e esse sim ficaria marcado nas lembranças da legista e elas poderiam falar para as outras pessoas, que se encantariam com a história. Ligou para um certo restaurante e fez uma reserva.
Jane se obrigou a se concentrar e já havia feito metade do trabalho quando chegou a hora do almoço, Frankie pediu uma opinião sobre o caso, ela o ajudou e foi até o escritório de Maura, não estava falando com Korsak, ao menos não falaria por algum tempo até que a raiva passasse. Parou na porta do escritório da legista e respirou antes de bater, depois levou o punho a porta.
— Entre!
Jane entrou sorrindo, Maura levantou e foi até a morena, invadiu o espaço pessoal de Jane e beijou a namorada.
— Vim te chamar para almoçarmos e também..._ Jane olhou para o escritório da loira, havia balões e uma faixa com os dizeres “ Bem-Vinda” em frente a estante de livros, o coala Albert flutuava pela sala preso a um balão vermelho. Maura olhou para a cara de espanto de Jane e sorriu como uma criança.
— Você gostou?_ Jane desviou o olhar da sala e olhou para Maura.
—É claro que gostei, e eu também tenho uma surpresa, mas antes você terá que aceitar meu convite_ Jane prendeu Maura com mais força em seus braços e a loira já estava se acostumando com aquele toque possessivo da detetive, as duas se beijaram novamente, Jane mordeu de leve os lábios de Maura _ Vamos almoçar.
— Sim vamos_ Apesar de dizer isso, elas não conseguiam se mexer, tanto Jane quanto Maura estavam presas e isso sempre acontecia, sempre que seus olhos se encontravam_ Se você...Não tirar as mãos da minha cintura eu não vou conseguir sair daqui Jane.
A morena sorriu, beijou Maura mais uma vez e elas duas saíram da sala, depois Maura voltou, soltou Albert e o colocou novamente em sua mesa.
O restaurante estava calmo, ainda assim Jane precisou usar sua cara de mau quando um ou outro cara queriam se engraçar para Maura ou conseguir o número da legista.
— Você disse que tinha um convite para mim.
— Eu estava pensando, quer ir a um encontro comigo? Quer dizer um de verdade.
— Sim Jane, eu irei adorar, onde vamos?
— Isso é uma surpresa.
— Não iremos a um bar lésbico não é? Tenho certeza que serei presa, porque com certeza várias mulheres vão flertar com você e quando perceber eu estarei trocando tapas com elas.
— Não, nós não iremos a um bar lésbico... Sério que trocaria tapas com mulheres por mim? Isso não se parece com você.
Maura deu de ombros_ Até mesmo as pessoas mais calmas podem demonstrar agressividade, segundo um estudo da Universidade de...
— Eu não acredito! Maura Isles_ Jane olhou para o homem que estava falando com a sua namorada e se perguntou de onde Maura o conhecia.
— Jason!_ Maura levantou e deu um abraço caloroso no homem, depois socou o braço dele_ O que está fazendo em Boston?
— Eu marquei uma entrevista com uma especialista para meu novo artigo, estava pensando em ligar para você e marcar algo, só não pensei que iria te encontrar assim ao acaso.
— Jane, esse é o Jason, ele é um colega da faculdade.
— Até a Maura decidir cuidar dos mortos_ Ele provocou.
— E você passar a operar glúteos e mamas_ Maura rebateu_ Ele é cirurgião plástico. Jason essa é a Jane a minha...
— Amiga_ Jane sorriu para o homem e apertou sua mão, depois os olhos da morena concentram-se em Maura que parecia confusa ou até mesmo chateada, pelo modo que Jane se apresentou, afinal elas estavam namorando desde aquela manhã.
— Quanto tempo vai ficar na cidade?
— Na verdade estou indo embora hoje, tenho muitos pacientes e como já tenho todo material de que preciso... Além disso, eu pude rever você, não há mais nada que me prenda a Boston_ Maura o abraçou novamente_ Eu tenho que ir, ei Jane, tome conta da Rainha dos mortos.
Maura sentou novamente, um silêncio incomodo se estabeleceu entre as duas.
— Posso te pegar ás oito?
— Eu gostaria de saber a onde vamos.
— É uma surpresa Maura_ Jane tocou a mão da loira e apertou firme_ Você vai gostar.
***
A noite chegou, dessa vez Jane havia feito um percurso diferente, dessa vez ela estava na casa da sua mãe, colocando os saltos e o brinco e chegando se a maquiagem não estava exagerada, ela respirou fundo e desceu as escadas. Cruzou com Angela.
— Hey Jane, venha aqui.
Jane voltou e ficou de frente para Jane_ Se você magoar ela eu te bato tá? _ Jane assentiu com a cabeça e foi saindo_ Eu quero um beijo_ Jane voltou e beijou o rosto da mãe e saiu.
Pegou Maura na casa da loira e seguiram para o restaurante, Jane parou o carro e olhou para Maura.
— Feche os olhos_ Maura hesitou_ Confie em mim, feche os olhos_ A loira fechou_ Jane saiu do carro, tirou o cinto de Maura e ajudou a loira a sair, depois as duas entraram no restaurante de braços dados, Jane puxou a cadeira para Maura e sentou na sua.
— Agora abra os olhos!_ Jane estava bastante ansiosa, queria que Maura gostasse da surpresa, queria que a noite fosse perfeita.
Maura abriu os olhos e se deparou com o restaurante onde elas se encontraram pela primeira, ela olhou cada detalhe agora com mais calma, da primeira vez estava nervosa, temia se encontrar com uma tarada que poderia tentar lhe agarrar e agora estava novamente ali com a tal “tarada” , mas dessa vez queria que ela lhe agarrasse.
— As senhoras querem pedir?
— Lembra de nós? A Maura salvou aquela mulher que passou mal.
— Ah, sim eu lembro, o mesmo vinho?
Jane sorriu e assentiu com a cabeça, o homem anotou o pedido e se retirou.
— Então... seis meses depois, estamos aqui novamente , no mesmo lugar onde nos conhecemos, onde nos encontramos a primeira vez.
— Não, na verdade isso aconteceu naquele café.
— Isso não conta, porque você era irritante, foco Maura. Eu percebi que você ficou chateada quando eu me apresentei como sua amiga, hoje a tarde, quer saber porque fiz isso?
— Eu não gosto de suposições_ Jane lançou um olhar para ela que dizia “sério?”_ Talvez você tenha achado que eu não estava preparada para te apresentar como minha namorada e sim eu hesitei, mas eu ia dizer Jane, eu não tenho vergonha de você e nem do que nós duas temos.
— Está errada Doutora Isles, eu me apresentei como sua amiga porque é isso que eu sou, para sermos namoradas você terá que aceitar meu pedido de namoro.
Maura estava confusa.
— Que lugar melhor para te pedir isso do que aqui?_ Maura não conseguia conter o sorriso_ Agora se acalme e não queira me matar depois, não surte, porque eu estou quase surtando_ Maura percebeu que Jane estava nervosa e a própria Maura ficou nervosa quando Jane levantou da cadeira e ficou de pé, Jane conhecia a dona do lugar que lhe deu uma grande ajuda, a música ambiente parou e a amiga de Jane subiu ao palco.
— Eu gostaria de pedir a atenção de vocês, temos uma mulher apaixonada aqui, ela está tentando fazer a loirinha ali_ A mulher apontou Maura e instantaneamente as pessoas se viraram para ela_ Aceitar o seu pedido de namoro, agora é com você Rizzoli.
O coração de Jane batia forte, ela pensou que iria desmaiar antes de conseguir falar qualquer coisa, mas ao olhar para as bochechas vermelhas de Maura, Jane disse para si o que sempre diz em situações como essa.
Vamos lá Jane, se não tiver coragem, vai sem coragem mesmo.
— Há uns seis meses, eu vim a um jantar aqui nesse restaurante, e conheci a Maura, ela estava aqui substituindo uma amiga e eu pensei que nunca mais iria vê-la, mas qual a minha surpresa quando descobri que ela iria trabalhar comigo, a essa altura eu já estava apaixonada, só bastaram dois encontros para que eu não conseguisse tira-la da cabeça_ Jane sorriu e Maura já estava com os olhos marejados_ Mas a Doutora Isles aqui parecia só querer a minha amizade, ou pelo menos é o que eu achava, agora seis meses depois nós voltamos para o lugar onde nos conhecemos e eu quero saber, Maura você quer ser a minha namorada?
O silêncio se estabeleceu no ambiente, todos ficaram quietos, inclusive Maura, Jane já estava fazendo orações para que Maura aceitasse aquele pedido, as pessoas puxaram um coro, repetindo “Yes, yes,yes”.
Maura levantou andou até Jane e passou seus braços pelo pescoço da morena.
— Sim Jane Rizzoli, eu quer ser a sua namorada_ As duas se beijaram, as pessoas aplaudiram, assoviavam, aplaudiam, as duas sentaram novamente a mesa, a música voltou e o garçom trouxe o vinho.
— Você é insana Jane. Meu rosto deve estar como uma tomate.
— Eu sugiro bebermos muito vinho_ Jane riu_ Você acredita que eu fiz isso?
— Não, será que alguém gravou..._ As duas gargalharam.
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