A moça da capa vermelha
4 Mais apaixonado ainda
- Nada. — Ela era linda, e seu jeito muito me agradou. Eu queria dizer para ela que eu amava muito e queria ficar com ela, mas eu sabia que era cedo ainda. Ou eu ia com calma ou poderia perder ela, e eu não queria isso!
- E você mora aqui em Certiperce?
- Sim, eu moro desde quando nasci em Certiperce.
- Que bom, você vai ser meu guia turístico daqui então! — Nos rimos
- Com todo prazer! — Eu sorri para ela. — Eu tenho que voltar agora, está escurecendo, em fim, amanhã eu volto.
- Eu vou esperar. Será que posso dar um abraço no meu herói?
- Mais é claro. — Fui de encontro a ela e nos abraçamos, depois ela me deu um beijo na bochecha e por alguns segundos ficamos nos encarando bem de perto. Meu coração batia forte e minha respiração parou, só tinha eu e ela e eu não conseguia pensar em mais nada anão ser em suas mãos em meu rosto.
- Eu te acompanho Fernando — Disse o doutor entrando no quarto e quebrando totalmente o clima.
- Ah, obrigado doutor. Eu volto amanhã.
- Ok, tchau Fernando.
- Tchau Catarine. — Quando chegamos la fora o doutor veio falar comigo.
- Onde você quer chegar mentindo para ela?
- Em lugar algum.
- Coitada, ela não merece isso. Até onde vai levar essa mentira adiante?
- Não sei, mas na hora certa eu contarei a verdade.
- Quer um conselho Feliciano?
- Claro, digas.
- Conte a verdade logo para ela, não a deixe enganada. Conte você mesmo, assim vai doer mas vai ser você quem vai falar com ela.
- Obrigado doutor. — Sai e voltei para o palácio, estavam todos a mesa para jantar e eu me ajuntei a eles. O jantar foi a mesma coisa de sempre, nada de interessante. Depois resolvi me deitar apesar de estar cedo. Quando estava quase entrando no quarto Clarice veio falar comigo.
- Feliciano, posso falar um instante com você? — Disse ela triste
- Claro, oque aconteceu Clarice?
- Amanhã eu vou embora Feliciano.
- Porque? Oque aconteceu.
- Recebemos a notícia de que Marta adoeceu — Marta era a irmã mais nova dela.
- Oh, é grave?
- Não sabemos ainda, mais a presença da família nessas horas é muito importante entende?
- Claro, entendo sim. Desejo melhoras para a Marta. Que horas você irá partir?
- Não sei exatamente, mais será pela manhã.
- Então será a última vez que nos falamos?
- Pelo menos por um tempo sim. — Disse ela e abaixou a cabeça
- Volte depois hein? — Ela levantou a cabeça e sorriu, veio em direção a mim para me dar um beijo, mas eu virei a cara.
- Claro, eu ja entendi. Adeus Feliciano
- Adeus. — Entrei para o meu quarto e não entendi o porque de eu ter virado o rosto, mais eu virei. Sabia que tinha magoado ela, mas a verdade é que ela não era a minha verdadeira paixão. Foi melhor assim, acabei com todas as suas expectativas e quem sabe eu também não paro de tentar enganar o meu coração? Esse tempo longe de Clarice iria me fazer bem. Me ajudaria a pensar, eu teria a oportunidade de conhecer melhor Catarine, sem mais. Aah Catarine! Ela sim, era linda sem nenhum esforço. Sua pele era macia e seu lábios também. Seus olhos negros eram os mais belos que eu ja vi. Simplesmente não conseguia tirar ela e aquele olha da minha cabeça. Sim estou apaixonado, estou louco de amor. Pode até ser que eu quebre a cara, mais que seja no futuro. Agora eu quero mesmo é viver esse amor intensamente. Não conseguia parar de rir, parecia um bobo. Não estava conseguindo dormir, só pensar nela. Tínhamos tantas coisas para vivermos juntos ainda, e comecei a imaginar uma por uma. Será que ela também sente a mesma coisa por mim? Não, está muito sedo ainda. Temos que nos conhecermos primeiro. Se acalme Feliciano, acalme seu coração. Não conseguia parar de pensar e as dúvidas estavam me sufocando. Quem melhor parar resolver meus problemas? Ela mesma, Moly. Fui em disparado procurar por ela, e dessa vez ela se encontrava na biblioteca.
- Oi, veio procurar mais ajuda? — Ela riu
- Você me conhece... — Nos rimos.
- Oque aconteceu dessa vez?
- Hoje eu conversei com Catarine.
- Aah, outra Feliciano? Não acredito nisso. Assim fica meio dificio né?
- Não, não maninha acho que você está confundindo as coisas. Catarine é a moça que eu salvei.
- Ata, mais e ela é legal?
- Nossa ela é incrível! Tem uma simpatia do tamanho do mundo.
- Hum, percebo que alguém aqui está apaixonado...
- Mais que isso maninha, se eu pudesse me casaria com ela agora mesmo. Estou amando.
- Fico feliz por você meu irmão. Vá fundo nesse amor e veja oque a vida lhe reserva. Estou muito feliz de saber que você conseguiu se resolver sobre sua verdadeira amada.
- É, acho que só passei por um momento de carência meu sabe? Deveria perceber que quem eu amava mesmo era a Catarine desde o início.
- E a Clarice, como aceitou isso? Eu não contei exatamente para ela. Poupei ela dessa dor ja que ela está sofrendo a beça por causa da sua irmã. Em fim, ela vai embora e quando voltar, se é que ela vai voltar, eu ja estarei preparado para lhe contar a verdade e ela, para aceita-la.
- Entendo, acho que você vai fazer certo, melhor contar depois. Mais sofrimento para ela seria muito desgosto.
- Bom maninha, agora vou tentar dormir. Obrigado, e tenha uma boa noite. — Dei um beijo em sua testa e sai da biblioteca esbarrando em Clarice que estava aos prantos. — Oque foi Clarice, porque estás chorando?
- Você é um idiota. — Ela me deu um tapa na cara
- Porque, oque aconteceu?
- Ah, Feliciano eu ouvi tudo, você não sabe o quanto eu te amo. Porque fez isso comigo? — Ela falou chorando mais ainda.
- Se acalme Clarice. Agente não escolhe quem vai amar, eu me apaixonei por essa donzela, foi sem querer. Eu juro que não queria te magoar, jamais quis isso.
- Você ia me deixar esperando por você, vivendo esse amor até quando? Até o dia que eu volta-se e percebe-se que você não me esperou como eu te esperei? Quantos pedidos de casamento você queria que eu rejeita-se até descobrir isso?
- Clarice, me perdoa mas, eu não tive a intenção.
- Não diga mais nada Feliciano, pois nada que você diga vai amenizar a minha dor. Me deixe apenas, me deixe com meu sofrimentos, sozinha.
- Mas..
- Sem mas Feliciano, por favor! Você ja me causou muito mal, não acha?
- Tudo bem Clarice, espero apenas que consiga me perdoar e me entender algum dia. Te magoar era a última coisa que eu queria. — Fui para o meu quarto tentar dormir. Sabe eu não gostava de Clarice, mais não queria fazer ela sofrer. Acho que eu fui errado com ela. Demorei a dormir mais depois de muito pensar cai no sono, quando eu acordei era um pouco tarde, me arrumei para mais um dia de "trabalho", e quando cheguei na cozinha papai e mamãe tomavam o café. sem perder tempo perguntei.
- Fernando e Clarice ja partiram?
- Sim, eu ia te chamar mas, Clarice pediu para que não o acorda-se.
- Tudo bem! — Disse eu com uma cara de desapontado, ela havia mesmo ficado chatiada comigo...
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