A morte mandou lembrança
2 Jornal
O café esfriava na mesa enquanto eu procurava o jornal na minha pasta, o burburinho lá fora estava mais alto que o normal e começava a me deixar impaciente, as pessoas iam e vinham fofocando umas com as outras, até que a porta da minha sala se abriu, bem na hora que achei o jornal.
_ Detetive Lobo, recomponha-se. — O investigador chefe entra sem cerimônias com uma mulher ao lado. Mal deu tempo de levantar o olhar e ele começou a falar. — Temos um novo caso de assassinato, que ao que tudo indica, tem ligação com os 3 do mês anterior, as vítimas apresentam as mesmas marcas nos pulsos e tornozelos, além de sinais de asfixia, esta é a srta. Danukas que certamente tem mais informações para o senhor. — Dito isso, retirou-se da sala, esquecendo as apresentações formais.
_ Já nos conhecemos? — Arqueei a sombrancelha.
_ Receio que não. — Respondeu a mulher, que agora sei se chamar srta. Danukas.
_ Tenho a sensação de já tê-la visto antes.
_ Não seria aí? — Pergunta apontando para o jornal em minhas mãos. Desvio minha atenção parar o papel e leio a manchete "Desvendado o assassinato de Emille Ramos", olho para a foto da vítima e logo ao lado encontra-se a foto da equipe que desvendara o seu mistério, identifico no canto de trás a cabeleira castanha da srta. Danukas e dou um sorriso torto.
_ Mirtis Danukas, legista criminal. — Ela se apresenta e os seus olhos, verdes como o oceano, brilham para mim. — Após o sucesso no meu caso anterior, fui enviada para cá, alertada de que o caso está levando os detetives a loucura
_ Encantando, senhorita. Sou o detetive Thomas Lobo, e apesar de estar realmente disposto a conversar, temos que estar no local do crime às 9:00 e levando em conta que são 8:50, estamos imensuravelmente atrasados, preciso dos detalhes antes de chegarmos, posso contar com você?
_ Certamente. — Danukas afirmou com a cabeça e saímos da sala em direção ao carro.
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_ O senhor dizia-me que o assassino mantém um padrão, certo? — Perguntou Mirtis.
_ Sim, sim. — respondi, enquanto dirigia sonolento pela noite perdida. — Seu nome é diferente, é nascida aqui?
_ Não. — Ela sorriu e olhou-me. — Eu não sei exatamente onde nasci. — falou e baixou os olhos para os documentos que segurava e marcou alguma coisa em seu papel. — Pelo, que o senhor me disse, o assassino nunca deixa marcas em lugares diferentes, sempre nos pulsos e tornozelos, certo?
_ Isso. — observei-a. — Mas, me diga, de onde é esse seu nome?
_ Desculpe-me, o caso é tão desinteressante assim para o senhor, ou é sempre tão invasivo quanto à privacidade alheia? — Mirtis encarou-me profundamente o que me desconcentrou e fez com que quase chocasse o carro. Fitei-a assustado pela resposta inesperada e por quase ter sofrido um acidente e ponderei a resposta.
_ Perdoe se soei inconveniente, garanto-lhe que a partir de agora, qualquer palavra dirigida à senhora, será meramente profissional. — Senti uma pontada na cabeça e me arrependi seriamente de não ter tomado meu café.
_ Continuando com as informações que possuo até o momento, a vítima, além das marcas padrões, apresentou uma nova, sendo esta no peitoral. — Ela proferiu as palavras como se não houvesse sido desagradável momentos antes. Acenei com a cabeça positivamente, confirmando que a havia entendido.
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Chegando ao local do caso havia viaturas espalhadas. Fosse quem fosse esse assassino, não estava facilitando as coisas para nós. O lugar estava arrumado e sem sinais de luta, havia um marcação na sala, que indicava onde o corpo havida sido encontrado, não havia sangue e nenhuma arma aparecera até então. Segundo a srta. Danukas e o chefe de investigação, havia indícios de asfixia no corpo da vítima, e seus pulsos e tornozelos marcados, explicavam o motivo da falta de luta, a única coisa ainda sem explicação, era a marca no peito e a falta de sangue.
_ Lituânio. — Fui pego desprevenido por Mirtis enquanto pensava numa solução.
_ O que?
_ Meu nome, sua origem é Lituana. — Ela sorriu. — Desculpe-me a grosseiria de mais cedo, não era a minha intenção. — Disse tentando apaziguar a situação.
_ Tudo bem. — Concordei com ela.
_ Sobre a marca no peito, é provável que tenha sido feita com o intuito de imobilizar a vítima.
_ Faz sentido. — Balancei a cabeça afirmativamente. — Mas, por que não na cabeça?
_ Pensei o mesmo. Não há um porquê. — A srta. Danukas olhou ao redor. — É por isso que precisamos de pistas. E este lugar, certamente não tem nada a nos oferecer.
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